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História Bittersweet - Capítulo 2


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Notas do Autor


Oi Oi… espero não ter demorado para postar a continuação kkk
Mas aqui estou, se preparem para conhecer um Minghao soft demais aaaa
É isso, vou deixar vocês lerem, boa leitura <3

Capítulo 2 - Bitter


Cada âmbito na vida de Minghao era programado e organizado, havia um tempo determinado para cada detalhe, mesmo que se tratasse de sentimentos. Talvez fosse exageradamente metódico aos olhos alheios, mas ao seu ver era a melhor forma de fingir domínio sobre o tempo. Afinal, as horas passavam voando e os minutos escorriam pelos dedos.  

Embora fosse organizado, Minghao sabia exatamente como viver, então conseguia controlar os aspectos de sua vida com clareza. Estudava o suficiente, se divertia o quanto queria, apreciava a arte sem moderações, exercia seus passatempos, saía com seus amigos, e apesar de parecer inacreditável, Minghao possuía tempo para trabalhar. 

Naquele dia em questão a cabeça de Minghao fervilhava enquanto pensava que desviaria se sua programação por conta de um cantor inconsequente. Após o término da aula, Minghao almoçaria no campus de sua faculdade e depois seguiria para a biblioteca para concluir um trabalho, mas agora, também deveria provar para um desconhecido que tinha apagado uma foto. Aquela foto…

Minghao ficou notavelmente surpreso quando recebeu aquele conteúdo trivial. E apesar de não ter nenhum pingo de interesse em Junhui, ficou observando a foto pelo que pareceu uma miríade de minutos. Era tão bonito que as pequenas imperfeições pareciam perfeitas. Minghao só havia se dado conta que o cantor que vira na televisão e ouvira nas rádios era muito gostoso no momento que recebera a foto. No entanto, apesar da beleza exuberante, Junhui ainda era o Junhui polêmico e sem noção. 

Minghao havia apagado a foto, mas teria que provar, o que soava banal, pois se quisesse vender o conteúdo de mídia para algum jornalista já teria feito. Mas lá estava Minghao, no segundo andar da biblioteca enquanto procurava um livro que precisava para terminar o trabalho na seção de história. Seria fácil achá-lo, mas o ponteiro de seu relógio de pulso marcava exatamente 11 horas e não havia nem sinal do cantor. Talvez não estivesse tão desesperado. 

Sentou-se no chão frio com o livro em mãos. Havia cadeiras mais confortáveis, mas ficar entre as prateleiras era mais aconchegante  e particular. Minghao folheava o livro apoiado em suas pernas a procura do conteúdo em questão quando Junhui aparecera. 

Minghao bastou olhá-lo por um mísero segundo para se sentir aturdido com tamanho barulho.

— Seu casaco me incomoda. — falou, colocando as mãos nas orelhas involuntariamente. 

— O que? — Junhui perguntou confuso, porém algo o dizia que aquele era o tal de GreenHao. — Está sugerindo que eu me dispa aqui? Ridículo. 

— Eu tenho chromesthesia, uma condição sinestésica que me faz associar cores com sons. — Minghao explanou rapidamente enquanto se levantava, virando de costas. — a cor roxa me faz ouvir sons fatigantes. — Minghao revelou, colocando o livro no mesmo lugar que havia tirado. 

Junhui tirou o casaco e o colocou em cima de uma das mesas fora do campo de visão do garoto. Ao voltar, o outro o esperava encostado na prateleira enquanto fitava o chão. 

— Isso foi estranho. — Junhui falou, chamando a atenção de Minghao, que sorriu constrangido. 

— Desculpa, mas eu não poderia resolver nada com aqueles barulhos. — Minghao digitou a senha de seu celular e entregou a Junhui. 

GreenHao… o que ouve quando vê a cor verde? — questionou enquanto procurava sua foto em todos os arquivos. 

— Não ouço nada, por isso gosto de verde. — Deu de ombros, afinal, não seria capaz de explicar a complexidade de sua sinestesia em poucos minutos. — A propósito, meu nome é Minghao. 

Jun fitou o outro, surpreso pela apresentação, sobretudo o jeito calmo e gentil. 

— Junhui, mas acho que já sabe disso. — disse, tentando não se gabar. 

Junhui pode observar que na galeria de Minghao havia diversas fotos de conteúdos relacionado ao seu curso, e também fotos semelhantes às que foram postadas naquela rede social, havia algumas fotos dele com seus amigos, mas por sorte, nada de sua foto. 

Minghao parecia sincero e confiável, além de ser extremamente fofo e esbelto, mas Junhui precisava garantir que nada daquilo iria vir à tona, então propôs um acordo:

— Irei te dar uma boa quantia se você me prometer que não irá publicar aquela foto se ainda tiver. 

— Eu realmente apaguei a foto. Eu juro que não ligo nem um pouco para sua existência a ponto de não fazer nada para te prejudicar ou ajudar. — Minghao queria mandar Junhui cair o fora e parar de ser tão desconfiado.

— Dez mil. — falou a quantia que estava disposto a pagar.

— Eu não… Espera… Dez mil? — Minghao poderia comprar a câmera que tanto desejava  e ainda sobraria para gastar com bobeiras se aceitasse. 

— Isso, dez mil por um segredo. Justo, não acha? — Junhui estava gostando de fazer negócios, ainda mais ao ver Minghao entrando em conflito com seu lado de politicamente correto e o seu lado ganancioso. 

— Quando poderei pegar o dinheiro? — Minghao perguntou, animando-se com a ideia de ter sua câmera fotográfica dos sonhos. 

— Te mando o local e a hora assim que minha agente me mostrar minha agenda. — Junhui viu Minghao estender sua mão, um aperto de mão foi dado e sem se despedir, trilharam seus caminhos.


 

W_Jun: Nesse lugar, amanhã às 21:30. 

Minghao avaliou a localização acima da mensagem, era praticamente na saída de Shenzhen. Embora fosse estranho, Minghao se livrou de qualquer teoria feita em sua cabeça que dizia que Junhui queria assassiná-lo naquele lugar deserto. Se precisasse ir até o fim do mundo para pegar o dinheiro ele iria, afinal, estava lutando para comprar aquela máquina fotográfica a meses, porém sempre acontecia algum imprevisto que o fazia gastar suas economias. 

A arte em todo e qualquer âmbito era uma magnitude ao olhar do garoto, sobretudo a fotografia, a qual era seu hobbie preferido, tanto que até fazia cursos para aprimorar suas fotografias. Capturar os momentos era tudo para Minghao, como se pudesse eternizar o passado, presente e futuro. 

Minghao chamou um táxi às 21:00 horas. Estava vestindo uma blusa sem estampa verde por baixo de um casaco cinza e calça jeans preta, não estava se vestindo como um ditador de tendências como Junhui, mas estava arrumado. As ruas sinuosas e bem iluminadas foram deixadas para trás. Após cinco quilómetros sendo levado por uma estrada vazia, silenciosa e desprovida de qualquer iluminação, Minghao viu um Lexus RX parado no acostamento.

Pagou o motorista e foi a encontro de Junhui, que como imaginou estava extremamente bem vestido, porém não teria sido capaz de pensar que ele estaria todo de verde. Minghao achou o gesto totalmente empático, porém deixou isso de lado quando se sentou no banco do carona. 

— O que ouve quando vê a cor preta? — questionou apontando para a calça escura de Minghao. 

— Ouço o som de um guqin*, bem baixo e calmo. E só para sua informação,  não escolho o que ouço. — Minghao tentou não ser ríspido, mas com certeza fora, pois Junhui desviou o olhar e limpou a garganta. 

— Seu dinheiro está no porta-luvas. — avisou, fitando o céu noturno. 

Minghao pegou um envelope rechonchudo, mas não abriu para conferir, não queria soar sem educação ou algo do tipo. Então ele observou Junhui observar a complexidade de parte do universo. 

— Sabe que constelação é aquela? — indagou, vendo Junhui negar e o olhar empolgado.

— Você sabe? 

— Não faço a minima ideia. 

Os dois riram, eliminando aos poucos o clima tenso. 

— Aqui é bonito e quieto. — Junhui falou, queria ser ele mesmo e não o idiota que manda fotos nu para os outros. — Eu venho aqui quando estou tentando me achar. 

— É difícil imaginar você num lugar desses olhando as estrelas. — Minghao admitiu. A cada vez que olhava para Junhui menos distante ele ficava, como se não fosse uma celebridade ou aquele fanfarrão. — Pensei que saía a procura de você mesmo em copos de whisky. 

Jun riu, não ficou ofendido, na verdade parecia ter um senso de humor inegável. 

— Eu gosto de sair, dançar e beber. Todo mundo faz isso, porém as pessoas gostam de apontar o dedo para mim como se isso fosse coisa de outro mundo. Mas sabe, às vezes até o Junhui aqui precisa de um tempo sozinho para colocar a cabeça no lugar e compor o próximo hit. 

— Nunca ouvi uma música sua por inteiro. — Minghao deu de ombros quando revelou, entretanto, a reação de Junhui fora como se alguém tivesse ofendido a ele e a todos seus ancestrais. 

— Como assim? Minha voz é arte. — falou indignado. 

— Sua voz deve ser bonita, mas o seu estilo musical não me agrada, por isso nunca escuto até o final. 

— Do que você gosta? — Junhui perguntou, se preparando para cantar algo que fizesse aquele garoto se tornar seu fã. 

— Música clássica. Gosto dos sons dos instrumentos e não de vozes. 

Junhui o olhava incrédulo. 

— Eu toco alguns instrumentos, mas como não tenho nenhum aqui vou ter que cantar. — Junhui disse, iria fazer aquele garoto ouvir sua voz toda vez que olhasse para a cor verde de um jeito ou de outro.

Minghao riu, mas logo parou quando Junhui estalou os dedos com ritmo para dar apoio a sua voz. A letra da canção era sobre um amor platônico. Minghao pode imaginar Junhui escrevendo aquela música ao observar o céu naquele mesmo lugar, pode sentir as palavras invadir seu peito. A voz dele era tão linda quanto sua aparência física. Única e harmoniosa. 

— Gostou? — Junhui perguntou quando terminou, vendo Minghao assenti e aplaudir dramaticamente. — Agora  você pode até colocar no seu currículo: faço faculdade e já ouvi Wen Junhui cantar para mim pessoalmente. 

— A primeira coisa que irei fazer é atualizar meu currículo, tenho certeza que até serei promovido para gerente na loja que trabalho. 

Junhui riu, genuinamente entretido e envolto pela presença afável de Minghao. 

— Você fez o taxista voltar? Sabe que por aqui você não acha nenhum serviço de transporte, não é? — Junhui perguntou, pois deveria voltar para a cidade, precisaria viajar para o exterior naquela mesma noite. 

— Eu não fui muito esperto. — admitiu timidamente, se sentindo um tolo. Nunca cometia esse tipo de erro, mas agora, lá estava ele, prestes a ser abandonado na estrada. 

— Eu te levo para casa. — Junhui falou enquanto colocava o cinto de segurança, ouviu Minghao agradecer e fazer o mesmo. 

Continuaram conversando sobre coisas impessoais, mas ao mesmo tempo demasiadamente  íntimas. O caminho se tornou pequeno os fizeram desejar mais alguns minutos infinitos dentro de uma hora. Quando pararam rente ao meio-fio da casa de Minghao, Junhui falou: 

— Então, quer me ouvir tocar guqin, ou você prefere violão? Também toco piano e saxofone. — Junhui se gabou, ansioso para ouvir a resposta de Minghao. 

— Eu adoraria. — Minghao revelou antes de sair do carro e agradecer pela carona.

 


Notas Finais


Guqin*: é um antigo instrumento de corda chinês. (o som é maravilhoso, quem não conhece deveria conhecer kkkkk)

Pois então, o que vocês acharam? Espero que tenham gostado <3
Vejo vocês no próximo e último capítulo dessa three shot <3


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