História Bittersweet - Capítulo 14


Escrita por:

Postado
Categorias Rafael "CellBit" Lange
Tags Cellbit, Cellbits, Langers, Melhores Amigos, Rafael Lange, Youtuber
Visualizações 465
Palavras 3.999
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


eu não coloquei o flashback em itálico como costumo fazer porque ele ficou bem grandinho, então pra não incomodar, vou deixar normalzinho mesmo, tudo bem? desculpem por qualquer erro tbm, eu ainda não tive tempo de revisar :(
sOLTEI A BOMBA E SAÍ CORRENDO NOVAMENTE
>>>>>>>>>>> e pOrFaVoR lEiAm aS nOtAs fInAiS <<<<<<<<<<

Capítulo 14 - .affection


Uma certa vez, vagando aleatoriamente pela internet durante uma típica madrugada tediosa, acabei encontrando um artigo dizendo que para apaixonar-se por alguém, você demora apenas um quinto de segundo, quase tão rápido quanto se consegue pensar. Aquilo de imediato me tirou boas gargalhadas de incredulidade. Um quinto de segundo? É praticamente impossível alguém se apaixonar assim tão rápido. Isso só poderia acontecer em filmes ou em livros.

Mesmo não acreditando em toda aquela baboseira “cientifica”, aquela pequena curiosidade continuou perfeitamente memorizada em meus pensamentos, como uma pequena manchinha que não conseguia remover. Por muito tempo observei as pessoas ao meu redor, algumas vezes eu perguntava indiretamente quanto tempo demoraram para apaixonar-se por seus companheiros, ou até mesmo por alguma pessoa aleatória em suas vidas. As respostas não eram as mesmas, mas todas pareciam dizer a mesma coisa: “foi tão rápido como um piscar de olhos”.

E então eu pensei em minhas experiências amorosas ao longo da vida, buscando em minhas memórias as pessoas que amei e tentando me recordar quanto tempo demorei para me dar conta de meus sentimentos. Nada. Não conseguia me lembrar se isso havia acontecido tão rapidamente como as pessoas diziam que acontecia. Tudo era apenas uma confusão.

Novamente decidi deixar todo aquele assunto de lado, que estranhamente começava a fazer sentido em minha cabeça. Mas aquela pequena frase ainda continuava ali, pairando em minha mente como um pequeno lembrete de que se fosse verdade, aquilo poderia acontecer comigo a qualquer momento. E inconscientemente, comecei a temer quando esse dia chegasse. Evitava a todo custo, como o Diabo foge da cruz ou como um morcego foge da luz.

Mas é óbvio que nada disso adiantou alguma coisa.

Uma risada mínima surgiu em meus lábios, enquanto negava silenciosamente com o rosto.

E depois de tanto tempo, mais uma vez busquei em minhas memórias sobre o acontecimento daquele pequeno fato estranho. E diferente da primeira vez, a lembrança de como me apaixonei surgiu em minha memória, e não tive dificuldade de perceber que sim, aquele artigo no site aleatório estava completamente certo.

Eu só precisei de um quinto de segundo para me apaixonar pela minha melhor amiga.

Meses atrás

Empurrei meu corpo contra a pesada porta de cor cinza e depois de alguns segundos de tentativas falhas e muito esforço, ela finalmente abriu, dando-me a visão do terraço do prédio onde moro. O lugar é simples e normal, visto que não havia nenhuma área de lazer no topo da construção. Apenas um chão meio cinza desbotado pela chuva, algumas tralhas que os funcionários guardavam ali, e umas pequenas construções que não entendia, e imediatamente deduzi que dessem acesso para que os funcionários fizessem alguma coisa ali dentro.

Não demorei muito para avistar Luana próxima à borda do prédio, sentada por cima de um cobertor colorido que ela sempre trazia quando ficava aqui. Meu estômago revirou-se em ansiedade ao vê-la. Seu rosto estava afundado em seu caderno, com certeza desenhando alguma coisa. Ao seu lado havia uma garrafa térmica e um pote que não consegui identificar o que possuía dentro por não ser transparente.

Aproximei-me calmamente de si enquanto a observava. Os pequenos olhinhos estavam concentrados no papel que ela rabiscava de maneira suave, enquanto seu lábio inferior era maltratado por seus dentes. O cabelo caía ao lado esquerdo de seu rosto, fazendo uma “cortina” de um lado só. Ela vestia meu antigo e guerreiro moletom do Panda, o qual ela me roubou alguns meses atrás e não fez questão de devolver. Não que aquilo importasse, o casaco ficava mais bonito nela, de qualquer forma.

Por alguns segundos eu desejei poder ficar ali observando-a daquela forma: concentrada em seus desenhos, a mente relaxada e o semblante com expressões suaves. Mas a saudade que estava sentindo não me deixou ficar parado por muito tempo no mesmo lugar, fazendo com que eu caminhasse rapidamente até ela. 

― O que está desenhando? ― perguntei de modo baixo para não a assustar, enquanto apoiava meu queixo em seu ombro e meus joelhos de cada lado do seu corpo. Meus braços envolveram suas costelas e a apertei contra mim, em um abraço de urso confortável para os dois.

Sinto seu corpo tencionar por poucos instantes antes de que ela assimilasse tudo o que estava acontecendo e relaxasse entre meus braços, soltando um suspiro e movendo seu corpo para trás, aumentando ainda mais o nosso contato físico. Imediatamente fecho meus olhos e afundo meu rosto na pele exposta de seu pescoço, puxando todo o ar, apertando-a contra mim.

O sentimento de saudade que vinha reprimindo durante as últimas semanas me invade sem permissão alguma, deixando-me confuso e desnorteado com tudo o que sentia naquele exato momento. O cheiro de lavanda tão suave e ao mesmo tempo intenso ao meu olfato, o corpo quente e receptivo ao meu toque, e toda aquela sensação de que finalmente eu estava em paz, de que finalmente eu poderia dormir tranquilamente sabendo que ela estava ali ao meu lado, de que finalmente tudo... parecia estar simplesmente certo.

Enquanto envolvia meus braços ao redor de seu tronco e afundava meu rosto em seu pescoço, inspirando todo aroma que me trazia paz e calmaria, meu estômago revirou-se de uma maneira estranha e meu coração acelerou de forma intensa e quente, me deixando confuso e ao mesmo tempo inebriado pela sensação diferente e desconhecida por mim.

― Oi ― escuto a voz suave murmurar baixo, enquanto sentia que ela movia o pescoço para o meu lado e beijava desajeitadamente meu cabelo e a ponta da cartilagem de minha orelha. Quase de imediato eu me senti ainda mais estranho. Tanto diante de seu pequeno gesto para retribuir o abraço de alguma forma, como diante da sensação do seu corpo ao meu.

Tudo parecia estranho demais.

Intenso demais.

Foi como se uma luz vermelha tivesse sido repentinamente ativada em minha mente, sobrepondo-se as sensações intensas e desconhecidas que estava sentido no momento. E aquela luz piscava intensamente, sinalizando o quanto aquele mesmo desconhecido poderia ser totalmente perigoso para a parte sã de minha consciência.

Subitamente me sinto ainda mais incomodado com toda aquela confusão de sentimentos e estranha sensação de perigo, lentamente afastei meus braços de seu tronco, inspirando o aroma da pele uma última vez antes de sentar-me ao seu lado, cruzando as pernas.

Não disfarcei meu enorme sorriso quando nossos olhares se encontraram, ao observar que Luana também demonstrava toda a saudade que sentia em seu olhar e poucos momentos mais tarde, um lindo sorriso surgiu em seus lábios.

E talvez aquela fosse uma das coisas que mais gostava entre nós dois: não precisávamos dizer que sentimos saudades um do outro. Não precisávamos do típico: “senti sua falta” ou “estava com saudade”. Só precisávamos de uma simples troca de olhares, ou pequenas atitudes que demonstravam como realmente nos sentíamos.

― Como foi a viagem? ― perguntei em um tom baixo, quase como se estivesse com medo de quebrar todo o clima que aquele momento possuía.

O sol nascia suavemente ao horizonte, pintando o céu em tons alaranjados e rosa, o barulho tão comum de buzinas das ruas movimentas durante a manhã ― mesmo que o som agora fosse bem mais fraco por estarmos no topo do prédio ―, aquele típico friozinho matinal soprando por nossos corpos. Luana sentada ao meu lado, o olhar sereno e intenso, o lindo sorriso em seus lábios. 

Tudo parecia perfeito demais naquele momento e eu não queria fazer nada para estragá-lo.

― Foi basicamente tudo aquilo que te contei por mensagem ― deu de ombros, olhando rapidamente para seu colo para colocar a caneta sob a folha rabiscada e fechar o pequeno caderno em seguida. ― É bom estar de volta, não aguentava mais ficar por lá.

Luana tinha passado quase todo seu mês de férias da faculdade na casa de sua tia, que morava no Rio de Janeiro. Quase diariamente ela reclamava de estar lá e dizia que não via a hora de poder voltar pra casa.

Ela pretendia passar as férias aqui enquanto sua mãe ia sozinha para o Rio, tínhamos até planejado o que poderíamos fazer durante aquelas longas semanas, mas é claro que sua mãe já tinha planos para as duas e não houve nenhum tipo de negociação para que ela pudesse ficar.

O máximo que ela conseguiu fora apenas voltar três dias antes do previsto, já que o marido de sua tia tinha negócios para resolver aqui em São Paulo e depois de muita insistência, Maria finalmente havia cedido e deixado Luana voltar alguns dias antes, mas só foi liberada depois de prometer mais de uma vez que não iria dar nenhuma festa e que não atearia fogo na casa.

― Por que não gostava de ficar lá?

― Você sabe que não sou muito chegada à família da minha mãe ― respondeu, esticando as pernas em sua frente e apoiando as mãos atrás de seu corpo, tombando um pouco a cabeça para trás. Seus olhos perderam-se por alguns segundos no horizonte, e tudo o que consegui fazer foi continuar encarando-a com os lábios entreabertos, estranhamente encantado. Só faltava a baba escorrer.

E aquilo era uma das coisas que vinha me incomodando demais nos últimos meses: as vezes em que eu simplesmente parava e começava a admirá-la. Em momentos que ela estava mexendo em seu telefone completamente concentrada, ou quando forçava os pequenos olhinhos para conseguir enxergar melhor a legenda na tela da TV, até mesmo quando ela estava dormindo. As vezes eu passava longos minutos simplesmente observando-a, incapaz de desviar o olhar.

É estranho, eu sei. Mas havia se tornado um hábito que eu já não tinha mais controle.

Meus olhos pareciam querer captar cada mínimo detalhe de si, e era exatamente aquilo que estava fazendo naquele exato momento.

Um pequeno e delicado cordão decorava o pescoço longo, a corrente prateada e um pequeno pingente arredondado, tão delicado quanto a corrente. Lembro-me que na primeira vez que vi, me aproximei e o coloquei em meus dedos, perguntando o que era e se possuía algum significado. Ela riu em resposta, e me disse que aquilo era apenas um pingente do zíper de uma bolsa antiga de sua mãe, que havia achado bonitinho e decidiu passar a usar.

A boca estava ressecada e com pequenos machucados, causados por todas as vezes que os lábios descascavam e ela insistia em tirar as pequenas peles. Na verdade, essa é uma outra mania que eu tenho quase certeza que ela não iria perder. Eu já tinha perdido as contas de quantas vezes ela havia comprado hidratante labial para acabar com aquela mania feia e de quantas vezes eu mesmo tinha comprado, mas como de costume, ela sempre perdia ou esquecia-se de usar.

A pequena mancha de nascença na parte esquerda de sua mandíbula parecia entrar em perfeito contraste com sua pele e a suave iluminação da manhã, automaticamente me deixando com vontade de desenhar a pequena manchinha marrom que parecia um pequeno respingo de tinta com meus dedos. Um mínimo sorriso formou-se em meus lábios ao notar que ela não estava usando quilos e mais quilos de maquiagem para escondê-la como costumava fazer e eu sempre costumava reclamar. Afinal de contas, aquilo era adorável, então por que escondê-la? Ela sempre ignorava minhas reclamações, mas eu nunca parei de fazê-las, e ao perceber que ela finalmente estava aceitando aquela manchinha adorável por minha causa, me senti estranhamente mais feliz.

― Você trouxe água? Acho que fiquei desidratada de tanto que você ‘tá me secando ― Luana murmurou risonha, e em momento algum desviou seus olhos do céu que cada vez clareava mais. Fiz uma careta, imediatamente me sentindo constrangido por ter sido pego no flagra. ― Não é como se eu não conseguisse sentir você me encarando, Rafa.

Sorri minimamente ao ouvir meu apelido ser pronunciado. Luana raramente me chamava assim, e eu conseguia contar nos dedos as vezes que ela fazia isso: quando queria conseguir alguma coisa, quando queria me induzir a assistir alguma série que eu não queria, ou quando queria que eu fosse para algum lugar que não estava afim. Ela sempre me disse que não me chamava assim porque todos me chamavam, e ela nunca gostava de usar apelidos comuns. Fiquei esperando algum apelido estranho por um tempo, e como o esperado, Severino havia sido escolhido.

― Você me chamou de Rafa ― comentei rindo, desviando descaradamente no assunto.

― Ew ― fez cara de nojo, sorrindo logo depois. Imediatamente fiz o mesmo. Permanecemos em silêncio por alguns segundos até que observei ela virando seu rosto em minha direção e ajeitando-se melhor na posição que estava. ― Não imaginei que você fosse me encontrar aqui em cima nesse horário.

― Não tinha nada melhor para fazer ― dei de ombros, fazendo uma careta desleixada. Luana resmungou e ergueu uma das mãos para me acertar um tapa no ombro, enquanto eu começava a rir e ela tentava não fazer o mesmo.

Mas a verdade era que eu sequer tinha conseguido dormir direito depois que ela havia me avisado que voltaria hoje de manhã. Eu não sabia ao certo o motivo, mas só pelo simples fato de que em poucas horas ela estaria de volta, toda ansiedade tomou conta dos meus pensamentos e eu fiquei rolando pela cama, cochilei por poucas horas e acordei novamente, o telefone grudado em mãos, esperando por algum tipo de aviso ou resposta. O que aconteceu logo de manhã.

― Tudo bem, senhor desocupado ― Luana mostrou a ponta da língua em minha direção e em reflexo fiz o mesmo. ― Agora me deixe ser uma melhor amiga chata, já que você não colabora.

Juntei as sobrancelhas em confusão, tentando entender porque as palavras “melhor amiga” estava ecoando tantas vezes em minha mente e me deixando tão desconfortável.

― ...Ou você pensa que eu não vi como você desviava dos meus assuntos? ― a voz da morena adentrou meus ouvidos, atraindo novamente minha atenção. Eu pisquei, momentaneamente confuso e me remexi sobre o chão, a sensação incômoda estranhamente presente, como se alguém estivesse gritando ao pé do meu ouvido.

Mordendo o interior da bochecha, eu foquei apenas em me concentrar em responder a menina que tentava fazer uma cara de brava para mim.

― Não sei do que você está falando ― sacudi os ombros, desviando os olhos dos seus e olhando para minhas pernas agora esticadas da mesma forma que as de Luana, observando meus pés vestidos por uma meia azul balançarem de um lado para o outro.

― Além de tudo é extremamente cara de pau ― resmungou mais para si do que para mim, e aquilo me fez morder o lábio para segurar um sorriso. ― Então eu serei mais direta, senhor Severino. Como vai o seu coraçãozinho?

― Batendo e bombeando sangue, obrigado ― respondi rapidamente, novamente me remexendo sob o chão e cruzando as pernas.

O silêncio repentino da menina ao meu lado fez com que eu tirasse os olhos do cobertor colorido que estávamos sentados em cima e procurasse os seus, rapidamente.

De imediato eu me arrependi.

O meu ponto fraco, calcanhar de Aquiles, Kryptonita e qualquer outro tipo de fraqueza conhecida e/ou inventada pelo ser humano, sempre vão ser aqueles malditos par de olhos. E não era possível que aquela infeliz não soubesse daquilo, pois parecia que ela fazia de propósito.

Só bastava que ela me olhasse por poucos segundos para que eu voltasse atrás em quase tudo que dizia ou fazia que não concordávamos. As vezes era um olhar de raiva, um olhar pidão, um olhar fofo ou um olhar triste. E pronto. Só isso. Apenas uma simples encarada para que ela conseguisse tudo o que queria.

E, porra, eu odeio o fato de que isso também vai acontecer agora.

― Eu não falei da saúde literal do seu coração, Rafael ― resmungou emburrada, me olhando com certa irritação. ― Você sabe muito bem o que eu quis dizer.

Luana sabia que meu último relacionamento não havia sido um dos melhores. Tanto eu, como minha ex namorada havíamos sofrido demais até percebermos que não daríamos certo enquanto estivéssemos juntos. Até esse dia finalmente chegar, ambos se cansaram tanto emocionalmente quanto psicologicamente. E quando tudo acabou, eu ainda sentia falta dela. Ainda a amava, ainda a queria em minha vida como antes, mesmo tendo plena consciência de que aquilo não me fazia bem. Tentar manter uma amizade saudável estava sendo mais torturante do que qualquer tipo de afastamento brusco.

E Luana sabia de tudo isso.

Ela estava ao meu lado tentando absorver o máximo que conseguia da minha dor apenas para eu não ficar pior. Era para ela que eu ia quando precisava desabafar, era ela que eu chamava quando estava bêbado demais e decidia que era uma ótima ideia ligar para a minha ex em plena madrugada, para pedir para voltar do modo mais embolado e sem noção que um bêbado conseguisse. Ela sempre me impediu de fazer esse tipo de coisa, mas não significa que ela não filmou ou que não tenha rido da minha cara durante vários dias. Luana me obrigou a instalar o Tinder e procurar conhecer pessoas novas, me arrastou pelas orelhas para vários botequins de esquina para ouvir música velha e beber cerveja até a morte. Por muitas vezes ela simplesmente viu que eu não estava bem e se jogou ao meu lado debaixo do cobertor, colocando alguma série ou simplesmente me abraçou e começou a cantar baixo alguma música infantil de modo idiota ― mas ao mesmo tempo maravilhoso porque sua voz colaborava para isso ―, me fazendo rir por várias vezes contra seu pescoço até que finalmente a dor não era tão grande, e afundar em meus sonhos era o segundo melhor lugar, já que o primeiro quem ocupava era ela.

Quando eu parava para pensar em tudo o que ela havia feito por mim sempre acabava soltando algumas risadas. Afinal de contas, quem diria que a garota que havia caído em cima de mim por estar mais bêbada que um alcoólatra que mora em porta de bar iria ser tão importante em minha vida? Que seria ela que eu recorreria quando precisasse desabafar, que seria ela que estaria ao meu lado quando muitos de meus “amigos” de longa data não estavam, que seria ela a ouvir todos os meus erros sem nunca me julgar ou me olhar torto.

E é por isso que eu gostava de ressaltar para mim mesmo, todos os dias, que ela havia sido como um raio de luz surgindo em um tempo extremamente nublado e chuvoso. Nada parecia ser bom o suficiente, e então ela surgiu para me provar o contrário. Ela me mostrou como parar em um barzinho sujo e repleto de bêbados e músicas ruins poderia ser uma das melhores e mais divertidas noites da minha vida. Me mostrou como era bom desabafar cada sentimento preso em minha garganta, me mostrou o real significado de uma caixinha de segredos. Me mostrou como panqueca doce com brigadeiro de panela e Coca-Cola conseguia ser a combinação perfeita para um fim de tarde chuvoso e regado de maratona de séries aleatórias.

Luana mostrou-me o real significado do termo “como um anjo na vida de alguém”. Mostrou-me o verdadeiro significado de uma amizade sincera e leal.

Amizade.

Meu estômago revirou-se de modo estranho e mais uma vez eu me senti extremamente incomodado, quase como se aquela palavra fosse algo horrendo ou alguma ofensa.

Aquela mesma luz vermelha surgiu por trás de minhas pálpebras, me alertando de algo que eu nem sequer sabia do que se tratava. É como se alguém me dissesse que eu estava correndo algum tipo de perigo e sequer me explicasse o que era.

― Terra chamando Rafael Lange ― Luana estalou os dedos em frente ao meu rosto, me assustando quase de imediato. Eu arregalei minimamente os olhos e olhei em sua direção desnorteado por alguns segundos. ― Eu te fiz uma pergunta, ficar em silêncio não vai fazer com que eu desista de obter uma resposta.

― Eu... ― procurei pelas palavras, mas era como se tudo tivesse simplesmente evaporado de minha mente. Eu ainda me sentia estranho, e justamente por só conseguir me concentrar naquela sensação, eu não conseguia raciocinar cem por cento bem. ― Ah, sei lá. Eu ‘tô normal.

E forçando-me para pensar em como estava me sentindo, eu realmente me sentia normal. Pensar na pessoa que havia feito parte do meu passado e deixado um grande vazio em meu peito não me afetava tanto. Na verdade, não me afetava mais de forma alguma. E cada vez que eu tentava pensar como me sentia quando a amava, a lembrança tornava-se cada vez mais vaga e distante, como se o tempo estivesse passando uma borracha lentamente por tudo o que eu havia sentido.

Algo parecia gritar no fundo de minha mente, mas eu sequer consegui me concentrar naquilo.

― Tem certeza? ― ergueu uma das sobrancelhas, capturando cada mínima reação em meu rosto, preparada para captar qualquer mentira minha. Eu assenti silenciosamente, com um gosto estranho em minha boca. ― Absoluta? ― perguntou mais uma vez e eu bufei em resposta. Luana soltou uma risadinha e logo depois deu um pequeno aperto em minha coxa. ― Não se irrite, eu só quero confirmar se você tem realmente certeza do que diz.

Eu apenas concordei silenciosamente e momentos mais tarde, estávamos comendo um bolo de chocolate que sua tia havia mandado, rindo feito dois idiotas enquanto Luana contava o vexame que tinha passado ao ter sido arrastada pela onda, engolindo água, areia, e tudo o que tinha direito.

Luana começou a contar animadamente sobre todo o tempo que passou fora, dessa vez sem dizer nenhuma vez sobre os motivos pelos quais queria ir embora. Contou sobre a beleza do lugar, os animais, as praias, como o Cristo Redentor era gigante, e então, com uma paixão gigantesca, ela narrou sobre como um pequeno Mico-Leão-Dourado andou até si e pegou a banana de sua mão, com o sorriso mais sincero que eu já havia visto.

Então, aos poucos o sol ergueu-se, os raios alaranjados e amarelados lentamente iluminando cada canto, colorindo o céu com nuvens de vários tons diferentes. Os pássaros cantavam entre si, e um pequeno vento soprava pelo local. Apreciando o horizonte colorido decorado por estruturas gigantescas por uma última vez, lentamente virei meu rosto para Luana, sem deixar de prestar atenção sobre o que ela falava.

E foi como se tudo ao meu redor estivesse em câmera lenta.

O cabelo negro voava suavemente por seu rosto, quase como se o próprio vento quisesse acariciá-la. As bochechas estavam coradas, os lábios avermelhados movendo-se freneticamente e, vez ou outra, exibindo um sorriso meigo e sincero.

No momento que Luana moveu-se para o lado e os raios de sol iluminaram seus olhos, foi como se um terremoto estivesse acontecendo dentro de mim. Eu prendi a respiração, sentindo meu interior borbulhar e girar, como se alguém estivesse me virando ao avesso. Os pequenos olhos realçaram-se da forma mais linda que eu já havia visto em toda a minha vida, e quando ela lentamente sorriu, fazendo com que as orbes agora amendoadas ganhassem um brilho extra, e no mesmo segundo meu coração descompassou-se contra meu peito, explodindo em batidas frenéticas e intensas.

E então a cor vermelha novamente surgiu em minha mente, me deixando tenso por poucos instantes, antes, que eu observasse ainda em câmera lenta, eu entender o que aquela sensação de perigo significava, e observar, quase como um espectador incapaz de fazer algo, aquela luz vermelha explodir em mil e um pedacinhos e transformar-se. Despedaçando-se contra meu peito como fogos de artifícios, o perigo sumiu e deu lugar a sensação dormente, as borboletas no estômago, o coração descompassado e aquela indescritível vontade de sentir mais e mais.

Vermelho significa perigo.

Mas também a cor da paixão.

Sorrio lentamente enquanto continuo vivendo aquele momento.

Eu me apaixonei no instante que o sol beijou sua pele e iluminou seus olhos, Luana.


Notas Finais


sei que muita gente provavelmente tá tipo aPORRA tu demora mais de um mês pra atualizar e vem com a porra de um flashback??????/// sim, sei que algumas pessoas poderão não gostar, mas eu decidi fazer isso porque todo mundo precisa ver o lado do rafa tbm, já que tivemos o momento que a lu se apaixonou por ele ENFIM, eu realmente espero que tenham gostado. eu me esforcei muito pra detalhar o máximo possível
e sobre meu sumiço: a querida aqui fez o favor de queimar o único notebook que eu tinha acesso e fiquei semanas sem poder escrever, sendo que metade desse capítulo já tava pronto aAaAaA mas eu fiz umas gambiarras aqui e liguei o dito cujo novamente, e vou correr o máximo que posso pra atualizar o mais rápido possível pra vcs!
OK, AGORA, O QUE ACHARAM????????? EU TO NERVOUSDASD SOCORR
obrigada por cada comentário e favorito, vocês realmente são a melhor coisa na minha vida. um beijo, um xero, e até o próximo capítulo ♡
vou responder todos os comentários assim que esse dinossauro de computador decidir colaborar
jubzoka ama vcs


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