História BitterSweet - Capítulo 27


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Categorias Teen Wolf
Personagens Derek Hale, Liam Dunbar, Malia Tate, Personagens Originais, Scott McCall, Sheriff Noah Stilinski, Stiles Stilinski, Theo Raeken
Tags Comedia, Drama, Fantasia, Lemon, Romance, Sterek, Teenwolf, Yaoi
Visualizações 531
Palavras 4.966
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ahh home, let me come home
Home is wherever I'm with you

Home (Lar)
Edward Sharpe And The Magnetic Zeros

Capítulo 27 - Home


– Já nem fico nervoso mais – Disse Sam, o médico, enquanto observava os cortes no corpo de Derek que, lentamente, iam se cicatrizando. Derek, porém, tinha um curioso e adorável sorriso bobo no rosto – Ele sempre fica assim quando está levando bronca?

– Ele geralmente rosna – Respondeu Stiles, sentado no sofá oposto ao que Sam e Derek estavam. – Onde está papai?

– Ele foi chamado, algo sobre um incêndio, tudo está muito seco ultimamente – Sam abanou a cabeça, respondendo ao filho – Bem, seus cortes se fecham mais rápidos do que eu consigo dar pontos... Então... – O pai apenas desistiu e cortou a linha, que logo se rompia ao ver a pele do lobo se fechar e cuspir o material de forma sarcástica.

– Ainda bem que lobos que se autocuram são uma pequena parcela da humanidade. – Resmungou Stiles – Ou o trabalho do senhor estaria acabado – Riu-se Stiles, ao ver aquilo, os músculos se costurando como se nunca tivessem se cortado.

– Realmente – Murmurou Sam, observando de forma curiosa a pele que ia se fechando em um pequeno fio, que, lentamente, sumiria. – Aliás, aquela vez que você “Caiu de moto”, o que foi?

– Ataque de lobos – Respondeu Stiles, mordendo os lábios, a gravidez pressionando suas têmporas. Será que era realmente verdade?

Será que isso era realmente possível?

Será que havia um pequeno ser principiando sua existência em suas entranhas?

Olhou para Derek, por alguma razão sabia que o homem sabia os seus pensamentos. Derek apenas deu aquele sorriso branco e adunco.

– Stiles tem algo para lhe contar, Sr Stilinski – Falou Derek, seriamente, tomando uma postura mais ereta, ao tempo de pegar a camisa e começar a abotoá-la. Estava um pouco manchada de sangue.

– Ele tem? – Perguntou o médico, tirando as luvas em um leve estalo, ao mesmo tempo que reunia os materiais descartáveis em um pote.

– Eu tenho? – Questionou Stiles, arregalando os olhos amendoados, levando a mão ao estômago em seguida.

– Sobre sua origem – Continuou Derek, olhando para Stiles. Entendia o jogo do lobo: primeiro contariam o que era certo, depois, a possibilidade.

– Ah, minha origem... – Murmurou Stiles.

– Então... – Sam ficou completamente imóvel, queria saber o que o filho tinha a dizer de sua origem. O medo, é claro, era que Stiles havia descoberto os pais biológicos e estava indo embora.

– Eu não sou um humano comum – Murmurou Stiles, olhando seriamente o pai.

– V-Você... Você é lobo também? – O pai sentia-se completamente apreensivo, o que o filho podia ser? Nesse mundo cheio de possibilidades em que eles estavam, certamente Stiles poderia ser o próprio Harry Potter.

– Não pai. Mas... Eu sou um urso – Respondeu Stiles.

– Um urso? – Questionou o pai, recostando-se na cadeira – Quantos animais existem nesse universo? Digo, quantos podem ser? Existem aves? Existem lagartos gigantes?

– Você está sendo irônico? – Questionou Derek em resposta, sendo um pouco até rude.

– Não, é só... Curiosidade mesmo – Defendeu-se Sam. – Digo... Posso... Posso acreditar que Stiles seja um ser mágico... Mas... Tenho curiosidade.

– Não sei quantos existem – Derek deu de ombro, na típica ignorância de seu próprio mundo. – Mas sabíamos dos ursos... Apesar de serem poucos. Faz sentido os pais dele terem o deixado, podem ser que estivessem em perigo. – Contou Derek, sem muita cerimônia, o senhor Stilinski observava com certa curiosidade sobre o mundo do filho – Muitos são caçados, são solitários, os ursos, não vivem em alcateias como nós. Se Stiles não fosse meu Beta e ele se transformasse na região... Provavelmente teríamos que nos livrar dele.

– O QUÊ?! – Questionou Stiles, assustando-se com aquilo. – Tipo, se livrar em qual sentido? – Perguntou o jovem urso – Digo, teríamos que nos livrar dele, ou ‘nos livrar dele’? – Stiles fez aspas com a mão.

– Exatamente – Respondeu Derek, arqueando as sobrancelhas – Por isso fico tão desconfiado daqueles lobos da África.

– Talvez eles gostem de ursinhos fofos... – Resmungou Stiles, sentindo-se levemente irritado.

– Hum – Resmungou Derek. – Você não é um ursinho fofinho, quando transformado, Stiles. Não é o Ursinho Pooh que vem atrás de nós por mel.

– Porque assim você seria meu Christopher Robin – Stiles mostrou a língua para Derek, que revirou os olhos, suspirando.

– E qual tipo de urso ele é? – Perguntou Sam, um tanto quanto curioso, agora querendo saber de todos os detalhes, como se toda a parte assustadora que Derek contara não importasse de nada.

– Sou um urso pardo – Respondeu Stiles, com um enorme sorriso – Pedi para Derek tirar uma foto de mim quando eu me transformasse.

– Eu definitivamente tiraria uma selfie! – Empolgou-se Sam.

– Ele perde a consciência quando se transforma – Disse categórico Derek, cortando toda a graça de Stiles e do pai. – Digo, ele se torna um urso completo e bem maior que um de verdade. Não é algo muito seguro.

– Eu só me transformei uma vez – Falou Stiles, abanando a cabeça – Não...

Iria continuar, mas logo chegou um dos lobos de Derek.

– Derek, fogo – Falou o lobo, olhando para Derek.

Derek olhou de volta para seu subordinado, saltou imediatamente e correu até a porta. Estourou em um lobo e se foi.

– Pai... – Murmurou Stiles, inquieto.

Não que tivesse tanta união com a terra, não que tivesse tanta união com o território. Mas, sabia que era importante para Derek.

 

oOo

 

O belo sedan do pai não teria sobrevivido às irregularidades do terreno em direção às casas dos Hale. Então, estava pai e filho no Jeep, que, lentamente tremia pelos pedregulhos que faziam o carro de offroad dar o melhor de si.

Tão logo se aproximavam, havia um caminhão vermelho com as sirenes iluminando em cores avermelhadas, não havia muito som, além do fogo queimando o lugar.

– Oh... Derek – Choramingou Stiles, observando o outro pai ao longe, conversando com um Derek que apenas observava tudo enquanto estava sendo apagado. Ele olhou o Jeep.

Stiles rapidamente desceu do carro, correu até Derek e o abraçou. Sentiu o braço forte lhe cruzar o corpo, abraçar-lhe de forma carinhosa.

– Isso tudo... – Murmurou Stiles, de forma baixa.

– Nós superamos tudo – Respondeu apenas Derek, observava os jovens do seu clã, observando os corpos que eram retirados das chamas. Não conseguiam identificar ninguém.

Provavelmente os pais lutaram, mas era meio impossível de se ganhar todas. Derek respirava profundamente, havia uma grande necessidade de vingança. Mas, vingar-se de quem? Visto que via inimigos caídos também. E tudo queimava em uma grande pira.

– Derek... – Aproximou-se Sam, abraçando de leve o xerife, mas logo mantiveram uma leve distância.

– Olá senhor Stilinski.

– Oh meu deus... – Falou Sam ao ver que haviam vítimas – Alguém, alguém precisa de ajuda? – Perguntou Sam, observando tudo.

– Todos morreram, não é necessário – Falou friamente Derek – Obrigado – Respondeu – Preciso que tirem as autoridades daqui, iremos velar nossos parentes.

– Derek, tenho que realizar o boletim... – Principiou o xerife, além de tudo haviam as questões legais.

Derek apenas balançou a cabeça e, onde Stiles observava, havia a miséria da perda.

Stiles se afastou de Derek, que fora conversar com os amigos, que eram mais velhos que o seus amigos e que, agora, seriam os responsáveis pelos irmãos e parentes menores.

Stiles agora sentia que toda a carga por tudo viria nas costas do namorado. Derek estava recebendo uma responsabilidade mais forte a cada instante. Acabou se aproximando dos amigos que haviam perdido os parentes.

– Eles lutaram com força – Falava Liz, que tentava manter os rapazes na linha. Liam chorava muito, enquanto Theo lhe acariciava as costas, igualmente abalado.

– Eles lutaram com toda a força – Corrigiu Theo, olhando então Stiles.

– Olá osito – Falou Liz, com uma certa tristeza na voz, ela engoliu a voz.

– Osito? – Murmurou Stiles, tentando ter algum tom calmo na voz, mas sentia-se igualmente abalado.

– É urso em espanhol – Explicou a garota.

– Eu sei... Mas... – Stiles corou levemente, respirando lentamente – Sinto muito... Todos... Nós estamos sós.

– Estamos juntos – Corrigiu a garota, tentando se manter positiva, ela parecia querer ir para a casa chorar calada. Mas a casa estava queimando, junto de seus parentes. Ela apenas também parecia querer se mostrar forte aos rapazes.

– Vamos ficar juntos – Murmurou Theo, Stiles apenas assentiu.

– Eu estou com medo – Murmurou o urso, atraindo o olhar dos outros. Ninguém tinha coragem de confessar o medo – Estou com medo de tudo. De Derek ter que assumir tudo isso, de eu ter que ficar do lado dele – Uma gota escorreu do canto dos olhos – Estou com medo de saber que... Que pode ser que eu esteja grávido, por mais louco que isso pareça ser, agora falando alto...

– Você o quê?! – Exclamou Scott.

Ali estava Scott também. Stiles deixara Isaac dormindo em sua casa. Talvez não fosse um bom lugar para o filho do inimigo deles estar.

– É – Apenas respondeu Stiles, Liz arregalou os olhos, e abraçou Stiles em seguida.

Eram tantas consequências. Apenas observava tudo ao seu redor, o desenrolar, dos bombeiros apagando o fogo, os médicos socorristas sem tanto trabalho, já que os corpos eram encontrados mortos.

Causa de morte: Queimados vivos.

Era o que pareceria mais provável, mas Derek sabia que ali houvera uma luta.

– Vamos enterrar nossos mortos – Falou categoricamente, assim que apenas o xerife reunia friamente os papéis que precisariam ser assinados – Obrigado Noah – Agradeceu ao pai de Stiles – Stiles pode ficar?

– É... É claro, você precisa... – O xerife iria dar alguma ajuda, afinal, queria saber o que diabos acontecia por ali. Tudo isso, agora que sabia a verdade. Sabia que tinha havido assassinato, mas, devido as circunstâncias, talvez fosse melhor manter tudo como um incêndio criminal.

O lugar foi se esvaziando dos humanos, o corpo de bombeiros disse que estava seguro estar ali. Os corpos foram delicadamente retirados e enrolados em panos, de forma a deixa-los o máximo apresentável possível.

Os jovens foram chorosos até a floresta, mas tentavam não derramar lágrimas, ao menos não na frente um dos outros.

– Pode levá-lo mais tarde? – Pediu Noah em um tom soturno, para Derek.

– Ele está seguro comigo – Afirmou Derek, olhando o xerife.

O homem queria contra argumentar: “Seguro? Olhe ao seu redor!”, mas sabia que seria terrivelmente indelicado, nem filho nem marido lhe perdoariam. Então apenas preferiu continuar nas reticências e, tal como todos, ir embora com o marido.

Derek andava solitário entre os escombros das casas semi-queimadas. Observava os degraus da sua casinha, os degraus que se sentara quando criança. Podia-se ver ali, o avô lhe ensinando a amarrar uma pipa, logo iria brincar com as crianças.

E estava tudo perdido.

Os pais estavam mortos e enterrados.

Seu clã estava diluído a uns poucos jovens.

Poderia ser sim sua culpa, afinal, ele reunira os melhores para uma vingança. E a vingança fora seu término.

O que acontecera ali? Quem escapara?

Estavam todos os inimigos realmente mortos? Ou eles fizeram o trabalho e saíram correndo?

Talvez fossem perguntas que permaneceriam sem respostas (ao menos por enquanto). Stiles andou lentamente até o lado de Derek, tão silenciosamente que o lobo apenas o notara quando iria se virar para deixar de contemplar a casa queimada.

– Há uma certa beleza – Murmurou Stiles, observando a casinha aos frangalhos, a estrutura arrebentada pelas chamas que agora se calavam em escuridão.

– Beleza? – Perguntou Derek, como se fosse desafiar a ver alguma beleza naquilo.

– Não é a palavra certa – Respondeu Stiles, balançando a cabeça – Digo, há uma certa beleza em tudo estar destruído, talvez... Talvez seja na que podemos recomeçar das cinzas... Ou algo assim. – Deu de ombros.

Derek colocou as pesadas mãos sobre o ombro do outro e o puxou mais para perto.

– Esperava que nossos filhos nascessem na nossa casinha, e continuássemos aqui – Afirmou Derek – Crianças precisam de um lugar para chamar de lar.

Lar é qualquer lugar em que estejamos juntos – Respondeu, olhando para Derek, pegando em sua mão em seguida – Que atirem fogo sob nossas terras, que mil caiam à nossa direita, que mil caiam à nossa esquerda, mas que nós permaneçamos juntos.

Derek entrecerrou os olhos, deu um sutil sorriso, talvez aquilo o havia convencido de que tudo estavam ligeiramente bem.

Desde que estivessem juntos, qualquer lugar poderia ser um lar.

– Eu te amo, Stiles – Murmurou Derek.

Tudo vertia para a escuridão, a noite era meramente secundária naquela noite.

– O que está fazendo? – Perguntou Stiles, ao ver que Derek se ajoelhava na sua frente.

Estavam ali sós, enquanto os outros velavam seus parentes perdios.

Estavam sós?

Stiles levou rapidamente uma das mãos à barriga.

– Me sinto muito mulherzinha – Murmurou Stiles, mordendo o canto dos lábios.

– Talvez seja um bom sinal – Respondeu Derek – Mulheres são incríveis.

– Olha só, um Derek empoderado, pensei que nunca viveria para ver isso – Resmungou Stiles e o lobo revirou os olhos – Mas o que diabos você...

– Eu quero lhe pedir em casamento.

– De novo?!

– Stiles... Eu te amo...

– Você deveria falar meu nome por completo, só... – Interrompeu Stiles à Derek, o lobo suspirou e os olhos ficaram levemente bravos.

– Stiles Stilinski, eu te amo – Disse Derek – E eu não vejo a vida sem você. Eu... – Derek não sabia muito bem o que falar, então demorava um pouco, olhava para os olhos de Stiles, eles pareciam sempre dizer tanto, que lhe sugavam as palavras.

– Eu aceito – Apenas disse Stiles. – A mera possibilidade de cogitar nós dois termos concebido vida... É... – Ele também não tinha palavras, apenas fitava os olhos do sorridente Derek – É... Suficiente para que eu lhe diga sim para sempre, Derek.

Os olhos se umedeceram de lágrimas. Respirou lentamente e se sentou na terra suja na frente de Derek.

– Eu te amo tanto – Murmurou Derek, e sabia que não precisava contar com um ‘eu te amo também, Derek’, conhecia Stiles para saber que, isso era custoso de vir.

– Eu também te amo, Der – Respondeu o urso, que fez com que o coração peludo do líder do clã batesse descompassado, como um adolescente que vai ao primeiro encontro do amor de sua vida.

– Tudo acontece... – Derek olhava para os destroços da sua casa começarem a esfriar.

– Tudo é tão amargo e estamos aqui sendo doce.

Derek sorriu, enquanto sentia o namorado em seus braços. Stiles estava com sono, por isso ele dormiu.

 

oOo

 

Isaac estava na casa de Stiles, observava as fotos nos porta retratos do rapaz grávido. Sentia-se deslocado naquele lugar e, por um segundo, refletiu sobre toda sua desgraça.

Era órfão. Havia todo um clã que culpava seu pai por toda a desgraça que lhes havia sido infligida (aliás, ainda nem sabia do incêndio!).

Era um pobre bastardo preso em uma casa desconhecida e, observava tristemente os porta-retratos de Stiles. De uma infância normal, de uma infância que invejava. Com seu “pai”, sempre lhe foram dados os restos de uma infância.

Aos irmãos, os agrados, a ele, as palavras mordiscadas de como era um estorvo.

Sentia-se muitas vezes como um aborto, e talvez o fosse, sua mãe lhe abortara para o mundo.

Ouviu a porta abrir-se. Virou quase que imediatamente àquela porta. Abobado, com medo. Talvez fossem os simpáticos pais do urso, mas não, era um rapaz com um maxilar definido, o corpo forte coberto por roupas baratas.

– Vai ficar me olhando todo esse tempo? – Perguntou Isaac, os olhos luminosos, algo triste, mesmo assim tentando prender-se ao pouco de dignidade que o medo tentava diluir.

– Eu... Me chamo Scott – Falou o lobo – Derek...

– Mandou me vigiar.

– É... – Respondeu Scott, observando Isaac com certa intensidade.

– O que aconteceu lá? – Questionou Isaac, o lobo parecia quase anestesiado, parecia até sofrer – Está... Tudo bem? Seria bem estranho se eu tiver que cuidar de você... Sabe, Derek mandou VOCÊ me vigiar, não o contrário.

Isaac era por vezes tão racional, e apenas falava enquanto deveria se calar.

– Eu sei. Houve um incêndio – Explicou Scott, a boca seca, o coração pulsando em um ritmo mais acelerado.

– Um incêndio?

– Você não sabia? – Perguntou Scott, sentindo-se mal. Se aproximou da cadeira de rodinhas de Stiles, onde teve de se sentar.

– Como diabos vou saber de um incêndio? – Perguntou Isaac, se aproximando ao ver que o outro estava tomando uma coloração mais avermelhada.

– Foram os seus – Falou Scott, mostrando os dentes brancos e afiados, observando com certa raiva Isaac. Uma raiva controlada, um misto de sentimentos.

– Bem, não consigo usar um isqueiro, se isso serve de ajuda. E nunca quis ajudar meu pai em nada. Isso ele deixava bem claro ao me chamar de completo inútil – Defendeu-se Isaac.

O rapaz decidiu aproximar a mão de Scott, o qual quase explodiu em sua forma de lobo ao sentir o toque dos dedos do humano.

– O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO?! – Scott gritou, com agressividade, dando um tapa estalado na mão que iria lhe tocar.

– EI! – Gritou de volta Isaac. – Minha mão! Você está louco?! – Agarrou a própria mão que ardia.

Scott ignoraria o fato disso, mas a dor parecia própria dele.

– M-me desculpa – Pediu o jovem, se aproximando, querendo ver a mão que ardia.

– Céus, não me toque – Isaac recuou – Parece que todos os amigos de Stiles são malucos! – Exclamou o rapaz de olhos azuis.

– Eu não... Eu não queria te machucar. Não era minha intenção! – Tentou justificar-se Scott.

– O que diabos está acontecendo aqui?! – Era Sam, com um olhar repreensivo ao ver toda a zoeira no quarto do filho – Scott?

– Senhor... Stilinski... – Falou Scott – Derek. Derek me mandou para vigiar Isaac – Explicou-se o lobo, que olhava com intensidade para Isaac, falava com Sam sem ao menos olhar ao médico.

– Hum, e porquê?

– O tio malvado de Derek era meu pai – Explicou Isaac – Mas eu não sou um lobo, sou um filho bastardo do homem. Mas para Derek eu não sou digno de confiança e tudo mais. Especialmente para ficar perto de seu filho.

Isaac revirou os olhos sarcasticamente.

– Aparentemente, você é perfeitamente compatível com Stiles – Disse Sam com um sorrisinho – Scott Mccall. – Exclamou Sam com um timbre de voz firme.

– S-senhor! – Respondeu Scott, finalmente olhando o homem que tinha uma cara brava.

– Volte para Derek, peça que ele traga meu filho para dormir em casa, Stiles está muito perdido por aí.

– E-eu vou.

Scott saiu pela janela do quarto do segundo andar, que estava aberta.

– Definitivamente preciso fechar essas janelas. Porque diabos ele saltou se poderia usar a porta? – O médico abanou a cabeça com a pergunta retórica.

– Eu não tenho ideia – Respondeu Isaac. Sentindo-se constrangido por estar ali perturbando o pai de Stiles.

– Querido, deixei uma roupa confortável na cama do quarto de visitas, você pode usar o banheiro de Stiles.

– Obrigado Sr. Stilinski.

– Pode me chamar de Sam – Falou o médico, que sentia falta de cuidar do filho.

– Será que Stiles volta hoje? – Perguntou Isaac, bobamente, vendo o outro olhar no relógio.

– Duvido muito, parece que houve esse incêndio “Acidental”. Vamos comer e esperar.

 

oOo

 

Derek demorava muito.

Resolvia todas as questões políticas e financeiras do mundo humano. Cuidava do que seria reconstruído, cuidava de algumas questões de exploração da terra e todo assunto burocrático. Stiles descobrira naquele momento que os Hales eram podres de rico.

– Você está bem? – Questionava Derek ao visitar o namorado que repousava dentro do próprio carro.

– Estou... Só estou pensando – Murmurou Stiles.

– Pensando? Hum. Porque será que não gosto disso.

– Você tem uma quantidade absurda de dinheiro, e me deixa dirigindo essa banheira prestes a explodir – Falou do Jeep.

– Você quer que eu te dê um carro? – Questionou Derek rindo – Pensei que gostasse dessa banheira prestes a explodir.

– Tudo bem, eu adoro meu Jeep. – Respondeu Stiles – Mas... To com medo Derek – Afirmou Stiles, vendo Derek deslizar-se para dentro do Jeep e trancar a porta.

– Está com medo? – Questionou Derek, arqueando as aduncas sobrancelhas, olhou ao redor.

– Você sabe do que eu estou falando – Respondeu Stiles, começando a chorar. O que deu um pouco de desespero em Derek.

– Stiles... O que é?! O que está doendo?! – Perguntou Derek – Calma, por favor. – Ver Stiles chorar lhe dava um certo desespero.

– É tudo, Derek. Eu tento ser forte, para você, para nós. Mas eu estou apavorado. Não são os hormônios dessa possível gravidez... É só que... Eu estou exausto. – Falou rapidamente – Por favor, diz que tudo acabou, que ninguém vai morrer mais. Que estou seguro, que meus pais estão seguros, que você está seguro.

Era uma metralhadora de verdades.

– Eu não posso te prometer isso – Falou Derek, seriamente, pegando desprevenido aquele olhar choroso de Stiles – Mas posso te prometer que no final do dia eu sempre vou estar aqui para você.

E aquilo removeu todo o chão que Stiles poderia pisar.

Abraçou Derek, com força.

– E agora? – Perguntou o rapaz.

– E agora o que? – Perguntou Derek, com simplicidade.

– O que diabos vamos fazer, se... Sabe... Isso – Apontou para a própria barriga – Estiver acontecendo?

Derek deu de ombros.

– Vamos ter um lindo bebezinho – Falou Derek, com um meio sorriso, levando a mão à barriga de Stiles, que se moveu ligeiramente, desconfortável pela mão fria do outro.

– Isso ainda é muito surreal para mim – Murmurou Stiles, observando a floresta em frente ao carro.

– É só pensar que homens que viram lobos gigantes também eram – Derek murmurou, recostando-se.

Os dedos da mão de Derek tocaram na perna de Stiles, o rapaz se encolheu um pouco, mas logo olhou para Derek.

– Aqui... Der... – Murmurou, levemente corado – Muitos acabaram de perder a família... É até desrespeitoso...

– Ninguém vai ver – Respondeu Derek, com aquele grande sorriso cheio de dentes.

– Derek... Tem que ter um pouco de respeito com aqueles que perderam...

Derek lhe tocou o pescoço com os lábios, roçando a barba em seu pescoço.

Stiles deu partida no Jeep, o que arrancou um pequeno rosnado de Derek.

– Vamos para algum lugar discreto – Pediu Stiles, sentindo-se desconfortável por estar fazendo isso com os amigos naquelas horas, mas, por algum motivo queria ficar com Derek. Especialmente depois de tudo que acontecera, a quase perda dele.

– Tem um motel nessa rodovia assim que sairmos da floresta.

– Um, um M-motel? – Perguntou Stiles, corando.

– É, qual o problema do motel? – Perguntou Derek – Agora temos que respeitar os donos do motel por algum motivo? – Derek cruzou os braços fortes, vendo Stiles ficar corado.

– É que eles vão nos ver... E vão saber, sabe... Que vamos transar, e tals. – Murmurou Stiles, rapidamente.

– Stiles, é um motel. Pessoas transam em motéis, eles estão acostumados o tempo todo – Falou Derek, revirando os olhos.

– E nós... Só chegamos, chegando?

– Claro que não. Nós temos que falar à mulher o que vamos fazer, as posições, tudo. É claro que não, apenas vamos, entramos no quarto, fazemos... – Derek falava rapidamente, e Stiles logo lhe fitou naquele instante – Fazemos todo o serviço.

– É engraçado quando você está falando sobre sacanagens – Falou Stiles – Todo certinho.

– Eu sou o certinho? Eu queria transar com você lá... No meio da floresta. – Derek voltou a tomar compostura. – E você todo com medo de alguém nos pegar.

– Chegamos – Murmurou Stiles, depois de algo como dez minutos dirigindo na rodovia. Era um motel fechado e pacato – Se eu morrer de vergonha é sua culpa.

O portão abriu-se e Derek ouviu a mulher falar da caixa eletrônica: Suíte dez.

– Suíte dez? – Murmurou Stiles, avançando com o Jeep – Isso quer dizer que tem outras nove pessoas transando perto de nós...

Derek revirou os olhos, mas sorriu depois de alguns segundos ao ver Stiles estacionando na garagem e vendo o lugar se fechar. Dentro do carro, Derek já retirara a camisa.

– O que diabos você está fazendo? – Questionou o Stilinski. – Te dou dois segundos para correr em vantagem – Falou o lobo, com um sorriso.

– Derek, não acredito que...

– Um...

Stiles correu para dentro do quarto, ao entrar ficou parado alguns segundos. Era um quarto bonitinho, com uma cama redonda, com vários espelhos onde podia se ver em todos eles refletidos, até espelhos nos tetos, como nos filmes.

Assustou-se de repente ao sentir Derek atrás de si lhe beijar o ombro.

Derek foi empurrando gentilmente o menor para a cama, e o empurrou até o mesmo cair sobre o tecido macio e limpo. O lobo ficou por cima, segurou os pulsos de Stiles à altura de seu rosto.

Stiles fechou os olhos.

Por alguma razão, sentia-se de certa forma sublime.

Derek não lhe pedia por favor, não tinha sutileza e, mesmo assim. Era sublime.

Sentia-se preso, e, ao mesmo tempo, tão livre.

Sentiu o outro empurrar o corpo forte contra o seu, sentia o abdômen de Derek encostar na curvatura de suas costas, sentiu o homem lhe soltar os pulsos e passar o braço forte ao redor de seu pescoço.

Era lento, suave e desprovido de delicadeza e mesmo assim, era sublime.

– Você quer? – Perguntou Derek, a voz grossa e áspera nos ouvidos macios. A barba roçando naquele lugar tão erógeno.

Stiles moveu a cabeça lentamente, os olhos ainda cerrados.

– Então pede... – Murmurou Derek. Sentia-se tão homem sobre Stiles. Sentia-o ali tão vulnerável, tão confiante nele. E como amava aquele rapaz, aquele corpo que aprendera a amar de uma forma tão única.

– Faz amor comigo – Pediu Stiles.

Derek desceu as mãos no corpo de Stiles, abaixando a calça do mesmo, tirando-lhe delicadamente a camiseta, com uma pequena ajuda do menor.

Ficaram nus.

Derek colocou lentamente o começo. Stiles encolheu-se e gemeu. Estava sensível e apertado. Era excitante.

Derek voltou com os braços fortes ao redor do pescoço do urso.

– Abra os olhos – Pediu Derek, e Stiles obedeceu, olhou-se no espelho à sua frente, olhava como Derek lhe abraçava, como o corpo forte dele completava o seu, como seus tons de peles se divergiam.

Derek afundou-se entre as nádegas, tirando gemidos sôfregos do urso. O corpo tremeu a cada estocada lenta e ritmada, até ser virado, até sentir Derek entre suas pernas e poder olhar as costas do homem no espelho e, logo, os olhos em seu rosto em cima de si.

O rosto forte e completo de prazer. Stiles levou as mãos ao rosto do homem.

– Eu quero ter seu filho... – Disse Stiles, em um momento sublime, enquanto sentia Derek lhe colocando de uma forma carinhosa, mas ao mesmo tempo bruta.

– Você vai ter, todos eles – Respondeu Derek, levando uma das mãos com amor ao ventre do rapaz, tocava-lhe com delicadeza, ao mesmo tempo que lhe estocava. Sabia que estava recente demais para lhe machucar.

Stiles voltou a lhe abraçar, encolhendo o rosto em seu ombro e chorando em um gemido baixo e delicioso de se ouvir.

Não se aguentou, depois de todos aqueles dias tentos, aquilo era um escape: o melhor escape.

Stiles gemeu enquanto se tocava, ainda com o noivo dentro de si. O corpo em um êxtase e misto de hormônios molhou os dois.

 

oOo

 

Stiles encolhia-se no canto do carona do Jeep, enquanto Derek dirigia. Os pés, sobre o colo do lobo, os olhos quase se fechando em sono: fora um dia intenso, muito tempo sem dormir direito.

Derek estacionou o Jeep na garagem dos Stilinski e, foi ao carona e abriu lentamente a porta. Pegou um dorminhoco Stiles no colo, tinha até um biquinho relaxado em seu corpo, um dos pés sem meia e o outro com.

A porta da casa se abriu enquanto se aproximava dela, era o pai que não havia dormido ainda.

– Oi Sr Stilinski... – Falou Derek, em um tom muito baixo de voz – Posso colocar ele no quarto?

– Claro, claro – Falou Sam, olhando para fora se havia algum vizinho bisbilhoteiro, cedendo passagem em seguida ao lobo.

Derek levou Stiles ao andar de cima e o colocou na cama, acomodou os cobertores e o viu abrir a boca e soltar um ronco. Deu um sorriso e acomodou-o no travesseiro.

Quem conhecia Derek, talvez nunca o imaginaria confortando alguém em um travesseiro, mas ali estava ele, acomodando seu ursinho prenho com seus filhos.

O lobo se levantou e encostou a porta do quarto, desceu até a sala onde o médico estava na sala, com o notebook no colo.

– Obrigado por trazer ele – Pediu Sam – Foi Scott quem avisou?

– Não, Scott?

– Ele estava estranho, veio vigiar o garoto – Apontou para cima – Mas ele começou a ficar nervoso e quase agrediu o rapaz, então pedi que fosse chamar Stiles para casa.

– Não... – Respondeu Derek, imaginando o porque de Scott ser agressivo, não dera essa ordem e também, Scott não perdera ninguém, inclusive por isso o mandara para a casa de Stiles. – Tenho que falar com você.

– Hum, parece sério – Falou Sam, fechando o notebook, vendo Derek se sentar em uma outra poltrona.

– Existe a possibilidade de Stiles estar grávido – Falou diretamente Derek.

– Existe, possibilidade, O QUÊ?! – Sam engasgou na própria saliva, arregalou os olhos, procurando o copo de água que estivera bebendo a pouco, mas estava já vazio. – Derek, o quê?!

– Sim, eu lhe falei que Stiles não era normal, também – Falou Derek, sendo franco, sentado na poltrona – E não apenas isso, nós... Bem. – E Derek corou estando sério, o que era ao mesmo tempo engraçado e fofo – Nós fizemos aquilo.

– Por deus Derek, quantos anos você tem? – Sam revirou os olhos – Nós dois sabemos como filhos são feitos... Normalmente – Murmurou Sam.

Ele realmente não sabia mais do que esperar de toda essa história.

– Eu estou te falando, porque Stiles não teria coragem de contar e eu quero que ele passe por tudo isso com o apoio de vocês – Explicou Derek – Quero que ele esteja protegido e cuidado quando eu não estiver.

– É claro que vamos cuidar de nosso filho, Derek – Respondeu o pai, abanando a cabeça, não conseguia cogitar uma ideia diferente dessa.

– Como será que Noah irá reagir a isso? – Questionou Derek, suspirando, afinal, tinha engravidado o filho dele.

– Não sei. Pode ficar muito feliz por ser vovô, ou pode ficar irado por algo assim ter acontecido. – Sam tocou as têmporas, fechando os olhos. – Obrigado por ter me contado... Agora precisamos dar uma forcinha para fazer com que Stiles pense que está dando a notícia para mim pela primeira vez.

– T-tudo bem – Respondeu Derek, toda sua seriedade sendo dissolvida.

– Você vai ser pai então – Falou Sam, se levantando e indo dar um abraço em Derek, que sorriu sutilmente, sentindo um amor paterno vindo de Sam – Parabéns Derek.

– Obrigado...

E Derek saiu, com as palavras de Sam em sua cabeça: “Você vai ser pai então, parabéns Derek”.

E aquela possibilidade nunca pareceu tão real e, ao mesmo tempo, tão feliz.


Notas Finais


Agradecimentos à ankergayshipper, madlayla, Blue_Fox_XPT, Meyristella, Sara_Winchester, jupiter72, Naty44, astro---nauta, reinepure, Tgwar, AndreaLluccky, Pedhaki, mimi_tommo, janst, Jpadalecki, Belfelix, Luhpandakawai, Ladysore, malecsterek, Stilinske-Hale, Shunssei, jp124, ana_LEi14, um-leo, madlayla, Natashapathz, Myu94, yvina, Torrance, mewruivx_allan.

OIá, eu sei que eu demorei absurdamente muito. Eu entendo isso. Eu peço desculpas T..T Eu amo demais esse casal e essa história, mas, infelizmente forças maiores que eu me impedem de escrever como gostaria.
Eu literalmente me mudei para um lugar 2600km mais longe que minha casa (e talvez, esse capítulo reflita bem isso), sobre lar.
Estou com saudades de casa, mas escrever esse Sterek e falar com algumas pessoinhas especiais mantém o resquício de sanidade que preciso para enfrentar esse lugar onde estou agora. Afinal, lutei tanto para entrar na faculdade, agora é só lutar mais para sobreviver nesse meio acadêmico. (e o engraçado, é que essa fic acompanhou todos os estágios, desde meus estudos pré-vestibulares - minha depressão pós vestibular - minha aprovação, tudo.)
Essa semana começam minhas aulas, ainda terei algum tempo para escrever. Pois escrever é lazer, e lazer é necessário.

Espero que me perdoem a demora <3
Se alguém quiser me seguir no insta @Sir_dushbag, prometo que não mordo e converso com todo mundo <3


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