História Black And Blue. - Capítulo 1


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Categorias Gorillaz
Personagens 2-D, Murdoc Niccals, Noodle, Personagens Originais, Russel Hobbs
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Palavras 8.282
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, G-fãs, está é minha primeira fic do Gorillaz... Estou postando agora, pois já venho adiando ela a algum tempo... espero que gostem...
Beijinhos...

Capítulo 1 - Segredos Revelados


Algum dia de outubro de 2011.

Todos os dias nos últimos 15 anos, esse mesmo pesadelo me assombra. Todo dia me vejo sentada naquela cafeteria com ele logo a minha frente, estamos felizes com a notícia, mas o cenário muda e me encontro no quarto com aquela carta em mãos, e depois me pego vendo ele e aquela maldita deitados na cama:

- Mãe, está tudo bem? - ouço minha filha adolescente me chamando, tirando-me de meus pensamentos profundos.

- O que foi, Andy?

- Nada – seu olhar mudou de sério para preocupado – A senhora estava meio pensativa. Aconteceu algo?

- Eu... Onde está seu irmão? O café dele vai esfriar... – mudei de assunto rapidamente.

- Ele me disse que não vai para a escola.

- Por que?

- Ele apanhou na escola ontem, mãe.

- E você só me disse isso agora? – vociferei.

- Ele me pediu para não te contar.

- E PORQUE NÃO? – elevei meu tom de voz, ela engoliu em seco e notei sua face assustada. – Me desculpe, Andrômeda... eu...

- Tudo bem, mãe, sei que tem seus problemas.

- Vou ver como seu irmão está...

- Por favor, não diga a ele que te contei.

- Não irei.

Me retirei da mesa e segui até o quarto dos gêmeos. Meus gêmeos, Andrômeda e Benjamin, são minha vida... Andrômeda nunca me deu tanto trabalho, mas o Benjamin; o único problema de meu filho é que ele não tem um pingo de maldade no coração, ele puxou isso do pai dele:

- Ben? Não vai descer para tomar café? – disse antes de adentrar em seu quarto.

- Não estou com fome, mamãe. – se limitou a dizer. Ele se escondeu debaixo do cobertor.

- Sério? É uma pena sabia... as panquecas com chocolates estão uma delícia.

- Panquecas com chocolate? - sentou rapidamente na cama.

Meu olhar correu direito para os hematomas em seu rosto, seus olhos estavam roxos, seu lábio inferior cortado e seu pescoço tinha arranhões.

- Ben, quem fez isso? – interroguei.

- Ninguém...

- Como ninguém? Andou se metendo em briga?

- Não, mamãe é que...

- É QUE O QUE, BENJAMIN? – berrei, assustando-o.

- Eles disseram que você é uma vadia que trabalha em uma boate de strip-tease.

- E você acreditou?

- Não, foi por isso que eu briguei com eles... Eles ficam falando merda para todos.

- Não quero saber... na próxima vez que se meter em uma briga vai ficar de castigo por 1 mês – ameacei. – Agora se levante e vai tomar seu café da manhã, e não pense que vai ficar de bobeira hoje só porque não vai a aula.

- T-tá.

- Ótimo, se abrigue bem, pois vai nos acompanhar até a escola e está um frio congelante.

Após a conversa, segui para meu quarto e troquei de roupa. Pus minha calça jeans, uma blusa preta, meus all stars e minha jaqueta de couro.

- Não tenho o dia todo, andem logo, senão vamos perder o horário. - reclamei enquanto desci as escadas rapidamente.

- Já estamos indo, mamãe. – responderam juntos.

- Vou esperar no carro. – informei me retirando da casa.

Acendi um cigarro e aguardei dentro do meu carro velho.

Meu el camino preto que roubei da coleção do puto do meu pai... mas isso é história para outro dia:

- Pronto, mãe.

- Desde quando a senhora fuma? - Questionou Benjamin.

- Desde que não te interessa, coloquem o cinto.

Liguei a partida de carro e comecei a minha jornada até a escola. Liguei o rádio para distrair minha mente da conversa alheia dos meus filhos sobre meus maus hábitos.

" Mais um sucesso da banda Gorillaz". Ouvir o locutor dizendo esse nome me causava arrepios.

" Agora fiquem com a última da lista... No Distance Left To Run, da banda Blur."

- Que estranho não sabia que eles ainda cantavam. - disse a mim mesma ao aumentar mais um pouco o volume do rádio.

A música começou.

" Está acabado

Você não precisa me dizer

Eu espero que você seja alguém que se faça sentir segura ao dormir esta noite

Eu não vou me matar tentando ficar na sua vida."

" Não podemos continuar com isso, Anne." Essa frase ecoou em minha mente.

" Eu não tenho mais distância à percorrer "

" Acabou". Ele me disse.

"Quando você me ver,

Por favor vire de costas e vá embora.

Eu não quero te ver.

Pois eu sei que os sonhos que você guarda está me desgastando

E quando você ficar pra baixo Pense em mim aqui..."

" Me desculpe. " " sempre te amarei." Ele confessou a mim.

" Eu não tenho mais distância à percorrer. "

" Acabou". Ecoou novamente em minha cabeça.

" Está acabado

Eu sabia que terminaria desse jeito

Espero que você esteja com alguém que te faça sentir

Que a vida é a noite

E se estabelece, fica em volta

Passando mais tempo contigo."

" Eu sei que prometi, mas eu amo ela. Me perdoe, Anne." Essas palavras me atingiram novamente.

" Eu não tenho mais distância à percorrer. "

" Adeus". Sua última palavra.

" Eu estou voltando pra casa."

" Não venha atrás de mim". Me pediu.

A música terminou.

- Acabou...- senti uma lágrima escorrer pela minha face. E quando vi já tinha batido na traseira de um carro.

Para mim infelicidade não era um carro qualquer.

- Vocês estão bem? – olhei pelo espelho e vi meus filhos assustados confirmarem com a cabeça.

Fomos interrompidos pelos gritos do satanista que eu conhecia bem.

- Fiquem no carro.

- Porque?

- Me obedeça!

Desci do carro e me deparei com ele, Murdoc Alphonce Niccals.

- Sua filha da puta, não sabe dirigir, não é?

- Cale a boca, Niccals.

- Ora, sua vadia...- Ele se aproximou rapidamente, mas tive tempo de segurar sua mão antes que acertasse meu rosto.

- Como ousa? Quem pensa que é, seu satanista de merda?

- Você destruiu meu Stylo.

- Grande bosta esse seu camaro velho e fodido.

- Ei, Murdoc o que está havendo? - essa voz. Não, não pode ser.

- Stuart... - Soltei a mão do satanista e então o vi melhor, seus cabelos cianos, seu corpo franzino, aqueles olhos negros sem vida. O que aconteceu com ele? Ele parecia outra pessoa... um Stu diferente do que eu conhecia.

- Mãe, está tudo bem? - ouvi de longe. Era O Benjamin.

- Mãe? – saiu da boca do picles.

- Anne. - saiu dos lábios do Azulado.

- Vamos embora. Anda – ordenei.

Entrei no carro e pisei no acelerador, me mandando para longe dali.

- Mãe, aquele era o 2-D? – questionou minha filha. Um fato curioso sobre os gêmeos, eles amam de corpo e alma a banda Gorillaz. Se eles soubessem a verdade...

- Agora não, Andrômeda.

- Mas mãe...

- Eu disse AGORA NÃO.

Pisei no freio, parado no meio da rua.

- Me dá seu braço, Andrômeda.

- Não... por favor, mãe...- choramingou.

- Agora - repeti. Ela estendeu seu braço, peguei a bituca do cigarro e pressionei contra a pele branca dela, deixando uma pequena queimadura.

- Mãe, qual é o seu problema?

- Cale a boca, Benjamin. Coloquem o cinto, não quero ouvir um A sequer.

- Mas...

- Não quero que toquem nesse assunto.

Finalmente chegamos na escola, deixei Andy no portão principal.

- Vê senão perde o ônibus.

- Certo, mãe. Boa manhã.

- Boa aula, agora vou ter uma pequena conversa com sua diretora. - continuei. - Te amo, Andy.

- Eu... também, mãe, até mais Bem – disse hesitante.

- Vamos, Benjamin.

Puxei ele pelo braço até a sala daquela bruxa velha. A senhora Grace era muito chata e sempre pegava no pé dos gêmeos por motivos estúpidos. E eu estava prestes a resolver tudo isso agora:

- Gostaria de fala com a diretora Grace.

- Tem hora marcada? - perguntou a secretária sem ao menos olhar em nossa direção.

- Acho que não preciso de hora marcada para falar sobre o meu filho estar sofrendo bullying na escola.

- Oh, senhorita Collins, sinto muito... mas a diretora está muito ocupada hoje... – olhei em direção a porta da sala e pude ouvir o som que me parecia de algum jogo.

- Me poupe, ela está ocupada jogando Candy Crush no celular? - disse ao ouvir o barulho dos doces explodindo.

Entrei na sala, interrompendo o entretenimento da velha.

- Senhorita Collins, existe uma coisa chamada bater na porta. - reclamou escondendo o iPhone na gaveta.

- Bem, acreditei que tivesse me ouvido lá fora.

- A senhorita Jordan não lhe informou que estou ocupada?

- Sim, mas o assunto é urgente. Como pode ver estampado no rosto do meu filho, ele está sofrendo bullying de outro colega.

- Quando aconteceu isso, Benjamin? – interrogou meu filho.

- Ontem, na hora da saída.

- Quem foi o Aluno?

Benjamin hesitou e olhou para mim, lancei um olhar um tanto ameaçador para ele que se encolheu na cadeira.

- Foi o Faust Cracker, senhora Grace.

- Cracker? - resmunguei. Só conhecia uma pessoa com esse sobrenome... por Deus que não seja quem eu estou pensando.

- Certo, irei comunicar a mãe do aluno para comparecer a escola amanhã - comentou um tanto frustrada. - Vocês devem aparecer também.

- Só por curiosidade, Como é o nome da mãe do Aluno? Quem sabe eu não conheça ela e resolva conversar com ela pessoalmente?

- Normalmente eu não revelo o nome dos pais dos alunos, mas isso é um caso específico já que não é a primeira vez que acontece – ela se virou para um armário e começou a vasculhar na gaveta a ficha do aluno.

- Mãe...

- Quieto, filho.

- Ah, aqui está... o nome dela é Paula Cracker e o pai... não consta.

- Aaah que maravilha, eu conheço a mãe dele. Imaginei mesmo que seria filho dela – disse sarcástica.

- Ótimo, mas compareça a escola amanhã, sim?

- Claro – sorri falsamente.

- Bom assunto resolvido. Nos vemos amanhã.

- Sim, nos vemos amanhã - disse levantando rapidamente da cadeira e me retirando da sala. - Até amanhã. - novamente sorri forçado.

Então, quer dizer que a mulher que arruinou a minha vida teve um filho? Que ótimo, vou tocar o terror naquele fedelho.

- Benjamin, que horas bate o sinal para entrarem para a sala?

- Hum...- resmungou olhando para o relógio.- Daqui 15 minutos.

- Perfeito... e esse tal Faust costuma chegar atrasado?

- Quase todos os dias... quase não, todos os dias.

- Parece que o destino está a meu favor. Venha, vamos até o portão.

- Mãe, O que vai aprontar? - questionou, batendo seus dedos nervosamente.

- Nada... apenas vou ensinar a aquele fedelho para não mexer com meu filho.

Eu tive que arrastar meu filho até o portão principal, ele obviamente seria a isca.

- Faça o que combinamos e vou ver se consigo comprar o vídeo game que você quer.

- Está fazendo chantagem emocional comigo, mãe?

- Não, estou protegendo você. É meu dever como mãe, se estava achando ruim é só me dizer que eu deixo de lado e você continua apanhando.

- N-não... eu não disse isso.

- Ótimo, então fique parado esperando até ele chegar. Vou esperar ali no beco.

- T-tá... sinceramente eu não concordo, mas é o que você quer.

Como combinado, aguardei ansiosamente no beco, acendi um cigarro e esperei até ouvir os gritos do meu filho. Me escondi nas sombras e observei os arruaceiros.

- Ora ora... senão é o azulzinho filho da vadia.

- C-cale a boca, Faust.- tentou argumentar.

- Pensei que não fosse aparecer hoje.

- Eu não ia.

Aquele moleque me parecia familiar. Sua pele era manchada de verde, seus olhos bicolores e seu cabelo negro, tinha a pinta ridícula da mãe dele... mas aqueles olhos eram inconfundíveis. Ele só podia ser filho do Murdoc:

- Se afaste do meu filho, seu fedelho. - vociferei saindo das sombras.

- Oooh, que bonitinho... Ele trouxe a mamãe dele.

- Não, eu vim por conta própria mesmo – Retruquei brincando com um canivete que tinha escondido no bolso da jaqueta.

- O- o que você quer, sua vadia?

- O que eu quero? Deixar eu pensar... dinheiro para pagar as contas, uma casa melhor e dar uns belos socos em você senão deixar o Benjamin em paz.

- P- porque você acha que tenho medo de você? - se afastou de mim.

- Porque você mijou nas calças - lancei meu olhar mortal sobre ele - Oh, se contar para sua mãe, eu bato nela também. Como eu fiz 15 anos atrás... estamos entendidos? - ergui ele pela gola da camisa.

- S-Sim...

- Ótimo, boa aula para vocês, patetas – soltei ele no chão e saiu levando meu filho.

Depois de ameaçar o filho da Cracker, voltei para casa... precisava beber urgentemente:

- Sabe o que eu não entendo? Você é mais alto e mais velho que ele... você deveria bater nele.

- Mãe, ele é mais forte e rápido do que eu. Além do mais, tenho certeza que você piorou a situação para mim.

- Caralho, Benjamin, não é minha culpa se você é um covarde e molenga igual ao Stuart. - disse deixando a raiva transparecer.

- Quem é Stuart? É o nome do meu pai, não é?

- Vá para o seu quarto. AGORA. - destranquei a porta e ele correu para o quarto no segundo andar.

Merda, porque justo hoje? Porque justo hoje tive que ver ele e me desestabilizar assim?

Meus pensamentos continuavam a mil, fui até o armário de bebidas e peguei a vodka que tinha lá e comecei a beber. A cada gole que eu tomava, mais e mais as lembranças do passado voltavam para me atormentar.

Algumas horas depois...

Eu nem sabia que horas eram... eu tinha perdido a noção do tempo. Resolvi ir para o meu quarto, afogar as lembranças do meu passado sem ser interrompida, infelizmente minha coordenação motora está sendo afetada pelo álcool, então demorei um pouco para subir as escadas até o meu quarto.

Quando o fiz, deixei a garrafa de vodka na cabeceira e caminhei até meu aparelho de som, peguei aquele disco escondido na minha gaveta de roupas e tentei ler:

- Plastic... Plastic Beach.- solucei.

Coloquei o disco e troquei as músicas até chegar na faixa 11 intitulada Broken. Aquela música era minha, eu a escrevi logo após ser abandonada e aquele cretino teve a capacidade de colocar ela no álbum deles.

O som da escaleta começou e pouco tempo depois ouço sua voz angelical cantando o primeiro verso da minha música.

" Estrelas Distantes

Venham em Preto ou Vermelho

Eu já vi seus mundos

Dentro de minha cabeça."

- Sim, Stuart... eu vi seus mundos em minha mente.- sussurrava para a voz que não podia me ouvir.

" Eles conectam

Com a queda do homem

Eles tomam seu fôlego

E mergulham o mais fundo que puderem. "

" Não há nada que você possa fazer por eles

Eles são uma energia conjunta

Quando a luz do sol está nascendo. "

- Não... Não a nada que se possa dizer a eles... o Sol... está nascendo...

" Não há nada que você possa falar para ele

Ele tem o coração distante

E o espaço se quebrou... "

- Não a nada que eu possa dizer a você... pois seu coração está distante e... o nosso espaço se quebrou...

" Quebrou

Nosso Amor

Quebrou

Quebrou

Nosso Amor

Quebrou..."

- Você quebrou o nosso amor... ou será que foi eu?

" Isso está distante do

Brilho Congelado

Ou de nossos olhos

Toda vez que eles saem

É pela luz

Da fonte de plasma

Nos continuamos alertas

Até o fim da noite enquanto nos dormimos."

- Seus olhos... distantes... o brilho congelado... até o fim da noite...

Eu apaguei por alguns minutos, eu acho. A música já havia mudado, agora tocava To Binge.

- Você realmente me ama todos esses dias, Stuart?- perguntei para a voz na música. - Então, porque caralhas você me deixou, Stuart Harold Pot?

POV Anne Off.

POV Andrômeda On.

Depois de passar a manhã toda naquela inferno que chama escola, finalmente estava em casa novamente. Por incrível que pareça tudo estava tranquilo e minha mãe pelo jeito conseguiu fazer o almoço, mesmo estando bêbada. Mas, onde ela está?

Ouvi uma música familiar vindo do quarto dela... parecia Gorillaz. Subi rapidamente as escadas e fiquei parada na porta do quarto que estava entreaberta, me ajoelhei e comecei abrir bem devagar, coloquei a cabeça para dentro do quarto e vi minha mãe sentada na beirada da cama.

- Você realmente me ama todos esses dias, Stuart? - disse para si mesma, Quem raios era Stuart? - Então, porque caralhas você me deixou, Stuart Harold Pot?

Seria esse o nome do meu pai? Me parecia familiar. Sai de fininho tentando não fazer para barulho e fui até o meu quarto, joguei minha mochila na cama e sentei na frente do meu computador. Coloquei no Google e fiquei encarando a tela.

- Andy, o que você está aprontando?- questionou meu irmão fofoqueiro.

- Nada, estou pesquisando algo.

Digitei o nome e aguardei ansiosamente, e bingo! Stuart Harold Pot era o nome do 2-D, vocalista da minha banda favorita, o Gorillaz. Por isso era tão familiar, mas o que isso tem haver com a minha mãe? Será que eles se envolveram no passado?

- Stuart Harold Pot, vulgo 2-D... espera a mamãe disse esse nome hoje. - indagou meu irmão saltando da cama e se colocando ao meu lado.- Bom, não completo, mas disse Stuart.

- Benjamin, O que sabemos do nosso pai?

- Quase nada, a mamãe disse que ele nos deixou antes de nascermos.

- Nunca se perguntou porque temos esse cabelo azul? Ou porque somos altos sendo que a mamãe é baixinha? E porque temos essa pele pálida e essas olheiras?

- Você não está supondo que ele seja o nosso pai? Quais as possibilidades?

- Quais as possibilidades? Como você é burro, Benjamin, é só olhar a foto dele. Somos clones exatos dele!

- Mas Porque a mamãe ia esconder isso de nós?

- Talvez porque ele tenha deixado ela...

- Provavelmente... mas os únicos que sabem da história é a mamãe e ele. A mamãe nunca toca nesse assunto e não sabemos onde ele está.

- Sabemos sim, hoje de manhã, a mamãe bateu na traseira do Stylo e adivinha quem estava lá? O nosso pai.

- E como vamos encontra-lo?

- Hum... acho que tive uma ideia - disse colocando no meu Facebook. – Eu sigo eles no Facebook, e nós sabemos que o Murdoc adora um dinheiro, vou tentar conseguir o número de um deles e ligar falando sobre um suposto show.

- Certo, mas o que isso tem haver com o nosso pai?

- Você é burro? Vamos marcar um encontro com eles e nisso conhecemos o nosso pai e perguntamos o que houve entre ele e a mamãe.

- Aaah, agora entendi. Boa ideia, Andrômeda.

- Obrigada, Benny.

Mandei uma mensagem para a página deles e aguardei. Alguns poucos minutos depois, me mandaram um número para contato:

- Deu certo, temos o número, agora só falta ligar.

- Vai com calma, e se não der certo, o que vamos fazer?

- Não sei, mas vai dar certo.

Disquei o número no meu celular e aguardei:

Ligação On.

- Alô, quem fala?- ouvi uma voz feminina que supus ser a Noodle.

- Alô, gostaria de falar com alguém da banda Gorillaz...

- Eu sou a Noodle, guitarrista da banda, o que gostaria?

- Bem, eu trabalho como promotora de eventos e gostaria de contratar vocês para tocar na minha festa.

- Um show? – ouvi um berreiro no fundo e logo em seguida um voz masculina e grossa praguejar.

- Murdoc Niccals ao seu dispor, sou o baixista e líder da banda, para quando seria esse show?

- Bem, antes de mais nada, eu gostaria de marcar um encontro com vocês para acertar os detalhes e o valor. – indaguei, rindo internamente.

- Certo, onde podemos nos encontrar? – Bingo!

- Na Boate Pinks, está noite...- Ouvi ele resmungar algo.

- Certo, nos vemos as 23:00.

- Ah é mais uma coisa, senhor Niccals, eu quero todos da banda presentes no encontro.

- Todos?

- Sim, todos... até mais.

Ligação Off.

Desliguei na cara dele, antes que ele desistisse.

- Então, deu certo, Andy?

- Sim, hoje as 23:00 na boate da madrinha Pink.

- O Que? Nós não podemos entrar lá, somos menores de idade.

- A dinda Pink deixa a gente entrar se for por uma boa causa, eu ligo para ela depois e explico.

Fomos interrompidos pelo celular do Benjamin tocando.

- Alô? – notei que Benjamin congelou no lugar dele. – Faust.. O-o que você quer?

Poucos minutos depois, meu irmão bobão desligou o celular e olhou para mim.

- O que ele queria?

- Ele disse que tem provas que a mamãe trabalha numa boate.

- O que? Do que você tá falando?

- Não importa, ele quer que nos encontremos na porta da boate da dinda Pink hoje.

- Deixa isso para lá, Benny, ele só quer sacanear com você.

- Não, quero chegar no fundo dessa história.

- E qual o problema se ela trabalhar numa boate? Ela pode ser garçonete ou bar tender.

- Ou ela pode ser uma striper.

- A mamãe nunca faria isso.

- Eu não sei, mas vamos descobrir isso hoje.

- Como se temos que encontrar o nosso pai?

- O papo com o Faust vai ser rápido, qualquer coisa ele fica conosco na hora que eles chegarem.

Andrômeda POV OFF.

Murdoc POV ON.

Acordei com os primeiros raios de sol invadindo meu quarto, estava com uma dor de cabeça terrível por causa da ressaca.

- Merda, preciso parar de beber tanto assim. – resmunguei para mim mesmo.

Ouço batidas insistentes na porta, levanto rapidamente e vou até a mesma e a abro.

Me deparo com a figura azulada e franzina. Era o vocalista lesado da minha banda, 2-D ou como eu o chamo carinhosamente Faceache.

- O que quer, Faceache? – vociferei, coçando meu traseiro.

- Hã... Murdz, a Noods me pediu para te chamar para o café.

- Humm... já vou descer. – respondi, fechando a porta na cara dele.

Se ele não fosse importante para a banda, já teria me livrado a tempo desse idiota. Ele com seu jeito acanhado e doce de ser... isso me dava nos nervos.

Coloquei minhas calças e uma camisa preta de mangas compridas. Pus minhas botas e desci até a sala de estar.

- Bom dia, Picles. – saudou a nipônica e o bolha de chocolate.

- Hum...

- Toma logo seu café, temos um compromisso daqui a pouco.

- Que? Que compromisso?

- Você esqueceu, Murdoc-san? Temos uma entrevista na rádio hoje.

- Oh, merda, eu tinha esquecido disso. – praguejei.

- Tudo bem, ainda temos tempo, Lamas.

- Cale a boca, Faceache, senão dou um soco nessa sua cara de macaco.

Ele se encolheu em sua cadeira e voltou a comer o café dele.

- Que horas são?

- 7:30.

- Certo, vamos logo, antes que o trânsito fique pior. – disse me levantando e tirando as chaves do Stylo do bolso.

Já fazia alguns minutos que estávamos na estrada e paramos num semáforo.

- Ei, Faceache. – chamei sua atenção. – CUIDADO COM A BALEIA, IDIOTA.

Ele pulou batendo a cabeça no teto do meu camaro. Mas fomos interrompidos por um som de freio e em seguida uma batida forte na traseira do Stylo.

- Que diabos...- olhei pelo retrovisor e vi um el camino preto grudado na traseira do meu Stylo, e o pior de tudo, uma mulher no volante.

Comecei a gritar e me retirei do carro rapidamente.

- Sua filha da puta, não sabe dirigir, não é? – vociferei deixando a raiva momentânea tomar conta de mim.

Observei ela abri a porta do carro descer e eu tive um estalo ao ver aqueles olhos azuis acinzentados. Era ela... a minha Little Girl. Não a via desde Plastic Beach.

- Cale a boca, Niccals. – sai dos meus devaneios e me lembrei do porque estávamos ali.

- Ora, sua vadia...- me aproximei e estava prestes a acertar um tapa em seu rosto quando ela parou minha mão facilmente.

- Como ousa? Quem pensa que é, seu satanista de merda? – respondeu apertando um pouco meu pulso.

- Você destruiu meu Stylo.

- Grande bosta esse seu camaro velho e fodido.

- Ei, Murdoc, oque está havendo? – ouvi o Faceache e logo em seguida ele estava do lado de fora do camaro. Ele apertou os olhos para ver o que estava acontecendo.

- Stuart... – Anne soltou minha mão e ficou paralisada olhando para o cara de macaco.

- Mãe, está tudo bem? – uma voz chamou minha atenção, vi outra figura de cabelos azulados saindo do carro dela. Me lembrava vagamente alguém.

- Mãe? – deixei escapar dos meus lábios sem querer. Desde quando a Anne tem filhos?

- Anne.

Escutei o Faceache chamar o nome dela, mas de onde eles se conheciam? Pelo que eu me lembre eles não se viram em Plastic Beach porque o imbecil acabou sendo engolido pela Massive Dick.

- Vamos embora. – ela disse para o seu filho. O empurrando para dentro carro. – Anda.

Ouvi os pneus cantarem. Olhei para o azulado que parecia fora de órbita... Isso não me cheirava bem, ele estava escondendo algo de mim... e eu faria tudo para descobrir o que era.

• Quebra de tempo *

Estava sentando no sofá vendo as notícias que passava na televisão.

Eu continuava intrigado com o que tinha acontecia hoje mais cedo... de onde aqueles dois se conheciam? O Faceache nunca falou sobre uma tal de Anne ou algo assim, as únicas namoradas dele que eu conheci foram a estúpida da Paula Cracker e a loirinha burra da Rachel Stevens:

- Ello, Murdoc. – disse ao entrar na sala.

- Ello, Faceache. – respondi sarcasticamente. E essa era a oportunidade perfeita para descobri a verdade.

Tomei um gole da minha cerveja e cheguei um pouco mais perto do meu alvo:

- Então, Faceache, tem alguma novidade? – ele se assustou ao ouvir minha voz.

- C-como a-a-ssim, Murdoc? – gaguejou nervosamente.

- Ah não sei, arrumou alguma gata por aí?

- Não... eu acabei de voltar para Londres, ainda não tive oportunidade de...

- Sério? Nem mesmo um amor antigo, em?

- N-não... Me deixe em paz. - respondeu e logo em seguida se retirou.

- Droga... – praguejei frustrado.

Uma ideia me ocorreu, só havia um jeito de soltar a língua do Faceache e eu já sabia como faria.

Murdoc POV OFF.

Anne POV ON.

- NÃO ME DEIXE, POR FAVOR...- gritei, me levantando abruptamente se nem notar uma presença ao meu lado. – Esse pesadelo de novo...

- Mamãe? A Senhora está bem? – olhei para meu filho que estava um pouco assustado.

- E-Eu... - estava processando tudo aqui havia acontecido. – Que horas são?

- Hummm... – ele coçou a nuca e olhou para o relógio. – são 20:30.

- 20:30? – bocejei ainda desnorteada.

- Mãe, a senhora não tem que trabalhar?

Minha mente assimilou tudo e são correndo para banheiro tomar banho e me arrumar.

- Droga. – praguejei me secando o mais rápido que pude.

Troquei-me rapidamente e desci até a sala de estar. Vi meus filhos sentados em frente a televisão:

- Já vai, mãe? – questionou minha filha.

- Já, preciso chegar cedo no trabalho... bem, já sabe as regras.

- Nada de televisão depois das 22:00, e se tiver alguma emergência e só ligar para você.

- E se estiverem com fome, o número da pizzaria e da comida chinesa está na porta da geladeira. – completei, acendendo um cigarro. – vão dormir cedo e sem brigas.

Dei um beijo na testa de cada um e sai em direção ao meu trabalho. Tenho esse emprego desde antes dos gêmeos nascerem. Até porque a senhorita Pink foi a única que me ajudou nesse fase da minha vida, ela praticamente adotou a mim e aos meus filhos.

- Anne, porque está aqui? Hoje é sua folga. – indagou.

- Desculpe, Melissa, mas eu não posso ficar sem trabalhar. Preciso de dinheiro.

- O que aconteceu? Está muito nervosa hoje. – ela me olhou dos pés a cabeça. Infelizmente, ela me conhecia bem. – Você encontrou eles, não foi?

- Que... Não... eu... – ela ergueu a mão me interrompendo.

- Me poupe de papo furado. Então, O que aconteceu?

- Ptf... eu meio que bati com o meu carro na traseira do camaro do Murdoc. – confessei.

- E o que mais?

- E... eu vi o Stuart.

- Eu sabia...- comemorou. – E você, o que disse para ele?

- Eu não disse nada, simplesmente fui embora.

- Tá brincando? Por que não falou com ele, sua besta?

- Olha, você sabe o que aconteceu...

- Por favor, Anne, está mais do que na hora de esquecer o passado e seguir em frente e eu sei muito bem que ainda tem sentimentos pelo azulzinho.

- Isso não importa...- vociferei. – Eu vou me trocar.

- Ah, é, esqueci de te avisar, uma banda vai tocar hoje na boate.

- Por favor, não me diz que são eles?

- Não, não... é uma outra. – disse, se sentando em cima da mesa e cruzando as pernas. – é uma tal Gangue Gangrena.

- Já ouvi falar.

- Hoje você só começa a trabalhar depois das 23:00.

- Certo...

* Quebra de Tempo *

Já era a 5 dose de tequila que tomava, o barulho da boate ajudava a não pensar nos acontecimentos de hoje. Olhei para o relógio na parede do bar:

- 22:45... saco. – resmunguei.

Aguardava a hora de subir no palco para dançar, já devidamente trajada com minha lingerie e meus saltos altos.

- O que uma moça tão linda como você, faz vestida desse jeito? – escutei sussurrarem no meu ouvido. Me virei para olhar a figura que jazia atrás de mim.

Se eu não tivesse reparado direito juraria que era o Niccals. O ser possui a pele verde e os cabelos negros, seu nariz era fino e um tanto comprido e seus olhos igualmente negros, e seus dentes eram afiados:

- Eu trabalho aqui, e você? Veio para se divertir?

- Talvez, eu faço parte da banda. Estou procurando alguém para me divertir.

- Se quiser, posso fazer uma dança particular para você. – sussurrei em seu ouvido.

- Eu adoraria, gatinha.

Peguei em sua mão e o levei até meu quarto particular propriamente para isso.

Sentei ele na cadeira e coloquei a música extremamente alta. Fechei meus olhos e deixei a música me levar, movia meus quadris de um lado para outro, rebolando sensualmente em seu colo. Ele passava sua mão pelo meu corpo e me apertava de vez em quando.

Acho que o álcool começou a fazer efeito, pois o instante seguinte, eu jurei que era o Stuart quem estava ali:

- Stuart.- gemi no momento em que ele me apertou contra seu corpo.

- Me chame do que quiser, gatinha.

- Senti tanto sua falta. – aleguei, acariciando seu rosto.

- Ou é mesmo?

- Sim, todos os dias. – enterrei meus dedos em seus cabelos azulados. – Porque você me abandonou? O que eu fiz de errado? – Senti um bolo se formar na minha garganta, eu estava prestes a chorar.

O abracei como nunca, senti seu cheiro inebriante e então o beijei. Foi nesse momento em que despertei do transe, ao sentir aqueles dentes pontiagudos:

- Me... Me desculpa... eu – disse tentando me desculpar. Senti meu rosto úmido pelas lágrimas.

- Tudo bem, moça, não precisa ficar assim. – ele tentou me acalmar, afagando minhas costas.

- Eu... sinto muito...

- Já disse que está tudo bem.

- Eu não sei o que deu em mim... eu...

- Tudo bem, eu sei como é ser deixado por alguém, acredite.

- Sabe?

- Sei... minha namorada meu abandonou por outro cara, eu já superei isso.

- É, mas você não teve dois filhos com ela, ou teve?

- Não, mas eu sei como se sente. – terminou, dando um leve sorriso. – Não querendo me intrometer na sua vida pessoal, mas acho que deva resolver o assunto com esse tal Stuart. Não pode passar o resto da sua vida reprimindo seus sentimentos.

- Eu sei...

- Preciso ir agora, os caras devem estar me esperando. – falou dando um tapinha nas minhas costas para eu levantar de seu colo. – Acho que isso é suficiente. – Me entregou uma boa quantia em dinheiro.

- Acho que exagerou um pouco. – tentei entregar o resto do dinheiro para ele.

- Isso é bônus pelo beijo, você merece. Aliás, se quiser sair para conversar um dia desses...- disse me entregando o que parecia ser a carta de um baralho. – É só ligar, a propósito, me chamo Ace.

- Obrigada, Ace. Até algum dia desses. – Me despedi ao abrir a porta para ele ir embora.

Droga, eu realmente me desestabilizei depois de ver ele. Isso vai começar a me afetar muito, como dá última vez:

- Anne, já está pronta para subir ao palco? – perguntou uma das dançarinas.

- Já. Aliás, já faz um tempão sei estou esperando.

Andei imediatamente até os bastidores da boate, onde ficavam os camarins e as demais coisas. Retoquei minha maquiagem e aguardei ser chamada para subir. Senti um frio no estômago, algo incomum de se acontecer comigo e a uma sensação ruim tomou conta de mim. Alguma coisa ia acontecer:

- Anne, você está bem? - perguntou uma das dançarinas preocupadas. Se não me engano seu nome era Lola.

- Estou bem... é só o nervosismo. – dei um sorriso amarelo.

Nos chamaram ao palco e fomos subindo uma de cada vez. Eu era a última por trabalhar a mais tempo ali. Estando todas em cima do palco, a música começou, pode se dizer que eu sou a principal dançarina, pois ficava no meio das outras. A performance começou e eu tentei me concentrar e esquecer aquela sensação ruim. Homens gritavam a todo instante, mas para meu azar um grito em particular chamou minha atenção. Deus, que não seja quem eu estou pensando que é:

- MÃE? – era a voz do Benjamin.

- Merda. – praguejei.

Procurei no meio da plateia e o localizei, junto da Andrômeda e do Faust? Aquele fedelho. Mas havia mais pessoas junto deles, apertei os olhos para poder enxerga-los melhor:

- Que maravilha, eles estão aqui.

- MÃE, DESCE JÁ DAI...- berrou meu filho.

- BENJAMIN, NÃO É UMA BOA HORA.

- PORQUE? TÔ ESTRAGANDO SUA PERFORMANCE DE VADIA?

Aquilo foi a gota d'água para mim, larguei o mastro do pole dance e segui em direção a ele, metendo um belo tapa em seu rosto na frente de todos:

- COMO OUSA FALAR ASSIM? SEU FILHO DA PUTA MIMADO.

- COMO PODE MENTIR PARA NÓS ESSE TEMPO TODO? SOBRE SEU EMPREGO, SOBRE NOSSO PAI?- questionou com a voz alterada.

- Quer saber, aqui não é lugar para discutir sobre isso. – olhei em volta e vi todas as pessoas ali presente nos olhando.

Peguei meu filho pelo braço e arrastei até o quarto particular, obviamente foi uma intimação para os demais nos acompanharem. Abri a porta e o joguei dentro do quarto:

- Fique quieto ai...- o ameacei. – Andrômeda e Stuart, entrem aqui.

- Mas e eu? – debochou o satanista.

- Ei, picles, não se mete... isso é assunto familiar. – retrucou o moreno alto.

- Obrigada, Russ. Aliás, Murdoc Niccals, por que não aproveita e conversa com filho que você teve com a Paula Cracker. – respondi apontando para o Faust, deixando-o atônito.

Tranquei a porta e aguardei todos se acomodarem.

- Então, mãe, porque não nos conta sobre como conseguiu esse emprego de vadia de boate? – Benjamin perguntou com escárnio.

- Porque você não cala essa boca, moleque? Ou quer levar outro tapa? – ameacei.

- Nem tente tocar no meu filho novamente, Anne. – retrucou o azulado mais velho.

- Não queira bancar o paizão agora, Stuart. Conta para eles como você os abandonou mesmo antes de nasceram...

- Isso é verdade mesmo, pai? – Andrômeda se virou para ele.

- Você me chamou de pai? – perguntou maravilhado.

- Sim, afinal de contas você é meu pai, não é? – ele afirmou com a cabeça. – Não me diga que você trocou nossa mãe pela Cracker?

- Bem, sim e não. Sua mãe me escreveu uma carta dizendo que não queria mais saber de mim.

- Opa, peraí... essa informação está errada. Foi você que escrever uma carta para mim dizendo que não queria mais saber nem de mim e nem dos gêmeos.

- Não, foi você.... eu tenho a carta para provar.

- É mesmo? Pois bem, eu também tenho a carta para provar. – caminhei até a mesa de cabeceira e retirei a carta de lá e entreguei para ele ler.

- Essa não é minha letra, e outra eu nunca me referiria a você como Anne, sempre te chamei de panqueca.

Ele me entregou a dele e comecei a ler.

- Ptf...- ri ao ler o que estava escrito. – Você realmente não notou... eu nunca escreveria algo tão estúpido assim, além do mais essa não é minha letra e eu nunca chamei você de Stu-Pot, ao não ser quando éramos crianças.

- Então, são falsas. Mas quem faria isso?

- Pai, está na cara quem foi. – disse minha filha.

- Quem foi? – perguntou Stuart, fazendo cara de paisagem.

- Sério isso? – Andrômeda revirou os olhos. – Com quem o senhor namorou depois de deixar a mamãe?

- Com a Paula, mas ela não faria isso... ou será que faria? – questionou a si mesmo coçando a cabeça.

- Claro que ela faria, você ameaçou deixar ela para ficar com nossa mãe.

- É, mas nessa época eu não fazia parte da banda ainda.

- Independente disso, ela não queria ser chutada. – reapliquei. – Mas isso não importa mais, é passado, e quem vive de passado é museu.

- O que quer dizer com isso? – mirou-me com suas orbes negras.

- Não importa, acabou, não é mesmo?

- Eu sinto muito por tudo. – desculpou-se, ele se aproximou de mim e pegou na minha mão.

- Sente muito? É sério isso? – levantei. – É tudo o que tem a dizer para nós? Que sente muito? E quanto ao tudo que perdeu nesses últimos 15 anos? Também sente muito? Você estava por aí com sua banda, fazendo sucesso e se tornando uma estrela do rock, enquanto eu cuidava de duas crianças e ainda tinha que trabalhar para sustenta-las. Não passou nem um minuto sequer pela sua cabecinha que estávamos precisando de você?

- Eu pensei que não quisesse mais me ver, até te procurei em Crawley na primeira separação da banda.

- Sua mãe te contou que eu levei eles para visita-los?

- Sim, ela pensou que você estivesse morando em Crawley ainda, então ela me ligou e eu fui até lá, mas você não estava.

- O que fez você pensar que estaria morando lá se eu fugi da minha casa?

- Não sei, talvez você tivesse recobrado a sanidade e voltado a morar com seu pai verdadeiro.

- Eu morei em Essex esse tempo todo, só tem 3 anos que estou morando em Londres. – confessei, cansada de toda essa discussão.

- Morou? E nunca tentou me procurar? – perguntou, claramente magoado.

- Tentei, e como eu tentei. Como você acha que eu conheci o Russ? Pouco tempo depois de me mudar para Essex, eu fui até Londres procurar por você, grávida de 8 meses e meio. Caminhei no frio, sem parar um minuto sequer até sentir uma contração e acabar tendo meus filhos na rua, ninguém parou para me auxiliar, a não ser o Russel que me ajudou a cuidar os gêmeos nos primeiros meses e depois acabou entrando na sua banda.

- Eu... não sabia.

- Claro que não sabia, nunca se importou em saber com quem o Russel tanto falava no telefone. Quem você acha que mandou ele atrás de você em Plastic Beach?

- Foi você?

- E temos um vencedor, senhoras e senhores. – disse sarcasticamente. – E adivinha quem foi parar lá também para tentar ajudar você? Eu.

- Mas eu não vi você.

- Você ficava escondido num quarto submerso. E eu estava no meio da guerra com aqueles piratas imundos, até a baleia te engolir e eu não conseguir salvar você. – olhei para ele, parecia estar nervoso ou com medo. – Stuart, você está bem?

- V-você d-disse ba-baleia? – ele parecia estar prestes a ter um ataque de nervos.

- Dee, fica calmo...- então ele abriu a boca como se fosse gritar, mas não emitiu um som sequer e de repente desmaiou. – Meu Deus, Stuart. Benjamin, chama o seu tio, rápido.

- Porque deveria? – perguntou como se tivesse pouco se lixando.

- Porque ele é o seu pai e eu estou MANDANDO. – puxei ele pela gola da blusa de frio. – Anda logo, senão vai levar uns tapas.

Soltei-o e ele correu imediatamente até a porta. Russel entrou num passo só e se aproximou de nós:

- Ei, Baby girl, o que aconteceu com o Double D?

- Não sei, achou que ele teve algum tipo de crise e desmaiou. Precisamos levar ele até o hospital agora.

- Vai se trocar primeiro que eu levo ele até o seu carro.

- Toma as chaves. – entreguei o molho de chaves a ele que saiu rapidamente com o vocalista no colo.

- Mamãe, podemos ir com você? – olhou-me preocupada.

- Você não está zangada comigo, filha?

- Não, mãe, eu entendo que tenha feito isso para poder cuidar de nós. – Afaguei seus cabelos azulados.

- Preciso que vocês voltem para casa, afinal vocês tem aula amanhã e já está tarde. Pode fazer isso por mim? – sorri docemente pela primeira vez em tanto tempo.

- Posso, mas nos de notícias.

- Certo, agora vão.

Ela saiu, me deixando sozinha com meus problemas. Troquei minha roupa rapidamente e segui para meu carro onde Russel e Noodle aguardavam:

- Anne-chan, é prazer finalmente conhece-la.

- Igualmente, Noodle, mas agora não é uma boa hora para apresentações. Temos que leva-lo logo.

- Certo, eu vou no banco do passageiro para ele poder ir deitado no meu colo. – informou a nipônica já se locomovendo para seu lugar.

- Eu vou como copiloto, Baby Girl.

- E eu? Vou aonde? No seu colo, Anne?! – perguntou o picles com tom de deboche.

- Vai com seu carro, Niccals. Não tem mais espaço aqui.

Ele bufou e saiu andando atrás aquele camaro velho. Dei a partida e pisei fundo no acelerador.

*Quebra de tempo*

Olhei para o relógio preso na parede:

- 4 horas da manhã. – resmunguei cansada de ficar esperando.

Assim que demos entrada no hospital, o médico me informou que teria que fazer uma bateria de exames para saber o que levou o Dee até aquela crise e ter desmaiado.

Russel e Noodle aguardavam ao meu lado por notícias os dois claramente exaustos, enquanto Murdoc ficavam andando de um lado para outro, o que a essa altura já estava me irritando:

- Quer fazer o favor de parar de ficar andando de um lado para o outro – pedi, suspirando pesadamente. - Como se você realmente se importasse com a saúde dele.

- Eu me importo, afinal aquele cara de macaco é o vocalista da minha banda e sem ele não tem Gorillaz.

- Nossa, sua confissão tocou meu coração profundamente, sabia? – retruquei secamente.

- Digo o mesmo, Anne... você também fala como se ligasse para a existência do Faceache. – ele estava me provocando.

- Pare de chamar ele assim.

- E se eu não parar? O que pretende fazer, hum? – me levantei e fiquei cara a cara com ele.

- Eu vou dar um soco bem dado nesse seu nariz. – ameacei.

- Se acalmem, os dois. – disse a nipônica se pondo no meio de nós dois. – Não é hora de brigar, estão todos exaustos. – concluiu dando uma piscadela para mim.

- Que seja, só quero saber o que ele tem.

- Oohh... ela ama ele. – Murdoc zombou. Lancei um olhar ameaçador para ele.

- Não é da sua conta meus sentimentos, satanista.

- Picles, cale a boca, senão eu mesmo vou ai e acerto seu nariz feioso. De novo – Russel o ameaçou.

- Anne-chan, quer um café?- Noodle ofereceu.

- Eu aceito sim.

Enquanto a nipônica ia atrás do café, o médico retornou, sua expressão não era uma das melhores:

- Senhorita Collins?

- Sou eu.

- Poderia me acompanhar até meu consultório.

- Claro. – peguei minha bolsa e acompanhei até sua sala.

- Sente-se, por favor. – ele indicou a cadeira.

- Obrigada. – me sentei confortavelmente. – Então, qual a situação dele, Doutor Cooper?

- Bem, os exames médicos dele estão normais, mas não é disso que quero falar. – ele pegou uma pasta na gaveta e começou a ler. – a saúde mental dele é o que me preocupa...

- Mas ele só desmaiou...

- Bem, o pouco que ele conversou com o psicólogo, me fez concluir que ele sofreu algum tipo de trauma ou coisa parecida. O psicólogo disse que ele desenvolveu síndrome de Estocolmo, problemas de memória, medo de baleias e outras coisas mais... Fora as enxaquecas que ele tem que é normal por causa do hifema.

- Síndrome de Estocolmo? O que é isso? – franzi o cenho.

- É uma síndrome que se desenvolve com o tempo, vamos supor que você viva num relacionamento abusivo ou algo assim, você acaba desenvolvendo simpatia pelo seu agressor, começa a acreditar que tudo que ele está fazendo é para seu bem.

- O Stuart tem isso? – ele afirmou com a cabeça. – Então, quais são os procedimentos? O que deve ser feito para resolver os problemas dele?

- Antes de mais nada, ele tem que ser tirado de perto do agressor e ficar em um lugar tranquilo, sem muito estresse. - explicou. - ele tem que ir num psicólogo algumas vezes na semana e tomar remédios para ansiedade, para a memória e alguns outros.

- E sobre o hifema nos olhos dele? Como estão?

- Estão bem, ele já toma remédios para isso.

Senti um certo alívio ao ouvir isso.

- Certo, então eu posso ver ele?

- Claro, seu marido esta chamando por você a algum tempo. – ri ao ser pronunciada tal palavra.

- Desculpe a grosseria, mas ele não é meu marido.

- Oh, desculpe é que ele me disse que tinha dois filhos, então supus...

- Tudo bem, é um erro comum.

Ele me encaminhou até o quarto dele. Fiquei encarando a porta por longos segundos:

- Senhorita, está tudo bem? – O doutor chamou minha atenção.

- S-sim... eu só...

- Converse com calma com ele, ele não pode passar por situações estressantes. Aliás, ele terá que ficar aqui por alguns dias, em observação.

- Certo, vou providenciar roupas para ele e eu tenho um pedido, no tempo que ele ficar aqui, eu não quero que aquele cara verde entre no quarto dele. Ele é o causador de tudo isso.

- Imaginei que seria ele... ele parece ser um tanto hostil. – comentou. – Tudo bem, deixarei informado com a enfermeira.

- Obrigada.

Ele abriu a porta para mim e eu adentrei o local. O quarto era tão branco que dava dor de cabeça só de olhar, pelo menos havia uma televisão para ele assistir:

- Stuart? Como está se sentindo? – me aproximei, sentando na poltrona ao lado da cama. Ele estava deitado olhando para o teto.

- Eu estou bem melhor...- virou-se para mim sorrindo banguela.

- Isso é bom, Dee. – olhei para aquele olhos negros, me sentia culpada por ter discutido com ele.

- O que você tem, panqueca? – ele segurou meu queixo, virando meu rosto para encara-lo.

- Eu... sinto muito, é minha culpa você estar nesse hospital.

- Querida, está tudo bem, não se sinta culpada. Você só queria meu bem, trazendo-me para cá.

- Dee, preciso lhe perguntar uma coisa? – ele assentiu calmamente. – O que o Murdoc fez com você em Plastic Beach?

- Ele me ajudou, fez tudo pelo meu bem.

- Tá, eu sei, mas o que exatamente ele fez para te “ ajudar”? – ele hesitou, parecia paralisado. Droga. – Quer saber não precisa me contar agora... – beijei sua mão.

- Onde estão meus filhos?

- Eles... estão em casa dormindo, eles tem aula daqui algumas horas.

- Será que você permiti que os veja amanhã, panqueca? – ele afagou meu rosto e aproveitou para retirar uma mecha de cabelo do meu rosto.

- Claro, você tem direito de vê-los. Eu trago eles amanhã aqui.

- Aqui? Eu pensei que fosse embora hoje mesmo do hospital. – falou nervosamente.

- Calma, Dee, o doutor disse que você ficará poucos dias aqui em observação, só por garantia sabe?

- Okay, panqueca, mas quem vai ficar comigo?

- A Noodle e Russel pode ficar com você se quiser. – ele apertou minha mão.

- Eu quero que você fique aqui. Não menosprezando meus amigos, mas é que temos tanta coisa para conversar. – alegou. Fiquei alguns minutos em silêncio, pensando nos prós e contras de ficar com ele no hospital. E ele estava certo em um pouco, temos muito que conversar sobre os últimos 15 anos.

- Certo, eu posso ficar com você, mas preciso buscar umas coisas para você.

Droga, o que está dando em mim? Ele me abandonou com duas crianças para cuidar.

“Admita que você o ama ainda...” dizia minha consciência.

Não, não posso baixar a guarda agora, ele me deixou para ficar com a Cracker e isso eu nunca vou perdoar.

Ou será que vou


Notas Finais


Este foi primeiro capitulo, ficou meio grande porque eu me empolguei demais por amar muito a banda... em breve postarei o capítulo 2... se tive algum erro de ortografia me perdoem...
Beijinhos, até a próxima.

Link dos vídeos, caso queiram ouvir as músicas:

https://m.youtube.com/watch?v=dgA_DlR8WsM

https://m.youtube.com/watch?v=O0fsVz4BKzE


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