História Black And Blue. - Capítulo 3


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Categorias Gorillaz
Personagens 2-D, Murdoc Niccals, Noodle, Personagens Originais, Russel Hobbs
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Palavras 4.491
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Aqui esta mais um capítulo quentinho para vocês... agradeço ao comentário no capítulo anterior... me deixou muito feliz e me incentivou a continuar escrevendo... Espero que gostem, beijinhos de açúcar.

Capítulo 3 - Notícias Ruins


Esses dias tem sido conturbados, mesmo com a ajuda extra nas tarefas de casa. Por outro lado, minha relação com o 2-D melhorou um pouco, mas com Murdoc no mesmo ambiente que ele, acabou perturbando a paz na casa... O que de certa forma me desestabilizava um pouco, causando discussões e xingamentos desnecessários.

Pelo menos as festas de fim de ano já estavam próximas, o que ocuparia minha mente por algum tempo:

- Mãe, a vovó e o vovô irão vir?

- Que droga, Ben! Quer me matar do coração. E fale baixo, isso é uma surpresa para seu pai.

- Sério? Desculpe... eles vêm mesmo? – sussurrou.

- Sim, eles vão vim...- confirmei. - Não sei como vou fazer para mandar tudo em ordem. – sussurrei essa última parte para mim mesma. Podia sentir uma dorzinha de cabeça se aproximando.

- Como assim? – franziu o cenho. ele deve ter esquecido o fato dos avós dele odiarem o Niccals.

- Ben, você sabe que seus avós não são muito fãs do seu tio Murdoc. Quero saber como vou manter seu tio sobre controle enquanto eles ficarem aqui. – disse massageando minhas têmporas.

- Quanto tempo eles vão ficar? – se animou.

- Até o ano novo. – respondi, teria que conversar com o Dee sobre isso. – Vou ter que falar com seu pai... sabe onde ele está?

- Acho que ele está no porão, ele disse que ia ensaiar um pouco... também disse que estava com inspiração para compor músicas.

- Hum... já sabe o que quer de Natal?

- Acho que o vídeo game que a senhora me prometeu.

- É mesmo...- droga, tinha me esquecido da promessa. – E você sabe o que sua irmã quer?

- Acho que ela já tem o que queria... O papai.

Aquilo me surpreendeu, apesar que realmente isso era o que ela pedia todo ano desde que aprendeu a falar:

- Fora isso, ela disse alguma coisa?

- Ouvi ela falar de uns all stars da banda do papai que saíram mês passado.

- Certo, obrigada, filho.

Peguei as correspondências que estava na mesa e resolvi ir atrás do 2-D para acertar logo o assunto do Niccals.

Vi a porta do porão entreaberta, olhei pela fresta e o observei sentando em frente ao teclado:

- Talvez com o tempo você queira ser minha. – cantarolou o refrão de El mañana. Vi ele suspirar profundamente.

Bati na porta e vi ele saltar na cadeira:

- Posso entrar, Dee? – perguntei segurando a maçaneta da porta. Ouvi um baque surdo no chão. – Você está bem?

- E-estou... s-só u-um mi-minuto. – pediu.

- Tá bom. – aguardei, ouvindo barulho de folhas sendo amassadas ou coisas assim. De repente, fez o silêncio. – Posso?

- P-pode.

- Precisamos... ter uma... O que aconteceu por aqui? – disse ao ver a bagunça.

- Nada... eu só estava compondo um pouco, então sobre o que queria falar?- se endireitou na cadeira.

- Então, eu vou receber umas pessoas em casa no natal e...- olhei para ele, seu olhar murchou um pouco. – O que foi?

- Já entendi... você quer que eu saia para não te envergonhar. – fungou.

- Está chorando? – ergui o rosto dele.

- N-Não, é que caiu um cisco no meu olho.

- Para de chorar e me deixar terminar de falar, okay? – ele balançou a cabeça e se recompôs. – Vou receber umas pessoas importantes em casa no Natal e preciso que me ajude a manter o Niccals sobre controle, tipo eles meio que não gostam do Murdoc, então...

- Oh, era isso? - acenei com a cabeça. – Tudo bem, eu te ajudo. Bom, vou tentar.

- Obrigada, essas pessoas são importantes para mim e eu não quero que o Murdoc estrague tudo. Afinal, é seu primeiro natal com os gêmeos. – olhei para aquele olhos negros e me perdi por alguns segundos.

- Anne, eu tive uma conversa com o Russ e a Noodle outro dia... e eles me incentivaram a fazer isso... Você gostaria de sair comigo? – mirou meus olhos.

- Como assim? Tipo um encontro? – Senti meu rosto ruborizar.

- Sim, como já disse eu amo você e quero reconquistar você. – coçou a nuca ao terminar.

- Eu aceito sair com você... Só espera o natal passar ai nós saímos. – sorri.

- Que tal na terça? – perguntou animado.

- Terça está ótimo. Aliás, preciso que vá comigo até o mercado para compramos as coisas para o jantar de Natal no domingo.

- Tá... quando seus amigos chegam?

- Se tudo correr bem, amanhã de manhã.

Nos olhamos por alguns instantes, ele acariciou meu rosto e então aconteceu, senti seus lábios tocando os meus. Um beijo cheio de amor e saudades, naquele instante senti que nada... Absolutamente nada iria estragar o momento, mas como sempre tem um filho da puta, que nesse caso se chama Murdoc Niccals:

- Vocês dois parem de transar... – Nos interrompeu. - Princesa, tem alguém querendo falar com você no telefone – meu estômago se revirou ao ouvir o apelido.

- Tá bom, obrigada, Murdoc.

- Hummm, alguém está de bom humor hoje... – zombou. – Andou dando uns pegas hoje, Faceache? - questionou lançando um olhar malicioso para o vocalista ingênuo.

- Cala a boca, Niccals.

- Deixa de ser pervertido, Murdoc. – retrucou o azulado.

- Alguém está precisando levar uns tapas para aprender a me respeitar. - informou se aproximando do 2-D e pegando-o pela gola da camisa.

- Ouse tocar nele...- ameacei.

- Depois eu cuido de você, Faceache...  - sussurrou mostrando seus dentres pontiagudos. - Estão te esperando no raio do telefone.

- Já eu estou de volta. – beijei a testa do Dee e me retirei.

Corri para o telefone e o atendi:

Ligação On.

- Alô? Quem fala?

- Anne, querida, é a Rachel. – reconheceria aquela voz doce em qualquer lugar.

- Oh, Rachel, como estão as coisas? Tudo certo para viram amanhã? – pude ouvir o senhor Pot no outro lado da linha.

- Sim, está tudo as mil maravilhas, mas me responde uma coisa, O Murdoc está aí?

- Hã... infelizmente sim, não consegui expulsar ele, mas está tudo sobe controle. – garanti. – ele não vai estragar a festa.

“ Diga logo para ela, Rachel”, ouvi David cochichar.

- Aconteceu alguma coisa, Rach?

- Sim, querida... Seu pai apareceu aqui em casa. Ele perguntou se tínhamos encontrado você, bem David deixou ele entrar e ele viu uma foto sua e das crianças.

- Vocês disseram para ele que eu estava em Londres? – temi. Não queria rever meu pai depois de tanto tempo, eu tinha vergonha.

- David contou para ele, mas foi sem querer, querida, ele não suportou ver seu pai tão debilitado.

- Como assim debilitado? Ele está doente? – Senti uma dor no peito.

- Ele nos contou que está com câncer. – confessou.

- O que? Ele...- as palavras formaram um bolo em minha garganta. Comecei a chorar no telefone.

- Anne, ele pediu para que pudesse ir conosco até ai.

- T-tá... me-meu De-Deus...- solucei.

- Amanhã estaremos aí, se acalme... Nós te amamos, querida. – tentou me consolar.

- Eu também amo vocês... E-eu... – desliguei o telefone.

Ligação Off.

Ouvi passos de aproximando, tentei engolir o choro, mas a ideia de perder meu pai era demais para mim:

- Little Girl? O que aconteceu? Alguém te machucou? – era o Murdoc.

- N-Não...- ele se aproximou e me abraçou. E novamente desabei, o abracei de volta. – Meu pai está doente... ele... câncer.

- Pensei que o Anthony tivesse morrido... aquele desgraçado.

- Anthony nunca foi meu pai, ele era meu padrasto... Jacob Parker é meu pai verdadeiro...- expliquei.

- Agora entendo porque você não era nada parecida com ele. – comentou me abraçando mais forte. – Tenho certeza que ele vai ficar bem.

Me apertei mais em seus braços, é acabei inalando seu cheiro inebriante. Olhei em seus olhos negros, os mesmos olhos que observei quando criança. Era como estivesse voltando ao passado o dia em ele tentou me salvar.

Flash Back On.

- Anne? Você está aí?- a voz do Niccals mais novo ecoava pela casa.

- Senhor Niccals, preciso falar com você, é sobre a Anne.

A Senhora o guiou até o quarto da garotinha que habitava aquela casa. A pequena garota de cabelos negros estava encolhida no canto do quarto, seu braço direito estava engessado. Ela dormia calmamente:

- O que houve com ela?- Murdoc se aproximou da pequena figura e a pegou no colo cuidadosamente.

- Nesses últimos meses ela tem aparecido com hematomas pelo corpo, e o senhor Collins nos dispensa de noite, acho que ele está batendo nela, e provavelmente quebrou o braço dela.

- Então isso tudo é culpa dele?- perguntou incrédulo a senhora que parecia assustada.

- Acreditamos que sim. Edgar, o jardineiro, disse que apareceu aqui um dia desses e ouviu gritos vindo da casa. Gritos de criança.

- Não! Não vou permitir isso.

- O que o senhor pretende?

- Vou levar ela para longe de tudo isso... preciso da sua ajuda, Senhora Jensen.

- Tudo o que quiser, tenho certeza que a senhora Marie odiaria que isso estivesse acontecendo com a pequena e eu não fizesse nada.

- Preciso que arrume uma mochila com roupas para ela. E também as bonecas dela.

A velha governanta os deixou a sós, Murdoc mirava a pequena figura em seus braços. Seus cabelos negros, sua pele branca com algumas marcas roxas. Ele se sentiu impotente, culpado por não ter notado isso antes:

- Me desculpe, Anne – choramingou, abraçando com cuidado a pequena.

- Murdz, por favor... Me leve embora.

- Little Girl... eu vou levar você para longe. O que ele fez com você?

-... – silêncio, ele tentava mirar seus olhos azuis escondidos embaixo da franja.

- Me diga, o que ele fez com você?

- Não posso, ele disse que me mataria...

- Não vou deixar.

- Ele ficava me batendo, e brigando comigo – foram interrompidos pela entrada da governanta no local.

- Senhor Niccals, aqui está as coisas que pediu, coloquei dinheiro aí por precaução.

- Muito obrigado, senhora Jensen. Anne se despeça dela.

- Adeus, senhora Jensen.

- Adeus, minha pequena.

Os dois partiram para o carro e pegaram a estrada o mais rápido possível. Ele sabia que poderia arrumar problemas se o pai da garota viesse atrás deles, mas ele não podia deixar sua menininha ali, sofrendo:

- Murdz, para onde vamos?

- Crawley New Town. Vamos estar seguros lá.

- E se ele vier atrás de nós?

- Eu mato o desgraçado. Ele nunca mais vai tocar em você, Little Girl.

Eu achava que estava salva. Que eu e Murdoc seriamos felizes como uma família, longe daquele monstro. Minha felicidade acabou no momento em que ele nos encontrou parados num posto de gasolina.

- Ali policial, podem levar ele. Ele sequestrou minha filha. – alegou apontando para nós.

- Desgraçado... Ele nos seguiu - vociferou Murdoc.

- Como? Ele não estava em casa.

- Ele devia estar de tocaia... Esperando por nós.

Os policias caminharam até o carro e começaram a tentar me tirar de lá. Murdoc tentou impedir de todos os jeitos.

- ANNE - Murdoc gritou quando conseguiram me tirar de seu carro. Continuei segurando sua mão, na qual eu recusava soltar.

- Murdoc - Então os policias me puxaram com força, fazendo- me soltar mão da de Murdz.

- NÃO... Murdoc... - comecei a chorar.

- Filha, eu te salvei.

- As algemas, depressa - eles imobilizaram Murdoc no capô do carro e prenderam suas mãos.

- Me soltem, ele que é o monstro, ele quebrou o braço da própria filha - os policias hesitaram e olharam para meu pai.

- Nunca faria isso, ela é minha filha, foi ele. Ele ia em casa e sumia com minha filha, alegando que ia brincar de bonecas com ela. Não é verdade, Anne?- lembro-me de sentir ele apertar minha cintura. Sinal para mentir, senão apanharia mais.

- S-sim... - solucei.

- NÃO ESTÃO VENDO ELE COAGIR ELA? SÃO CEGOS? FAÇAM EXAME NELA.

- Senhores, quero conversar com o rapaz, em particular.

Eu nunca soube o que ele conversou com Murdoc naquele dia, só sei que ele foi embora e depois disso nunca mais voltou para me ver.

Flash Back Off.

- Porque você nunca mais apareceu? – sussurrei.

- O que? – questionou, afastando-me para olhar meus olhos.

- Porque você nunca mais apareceu? – repeti.

- Foi Anthony. Ele disse que nunca mais devia me aproximar de você, senão ele te mataria.

- Então foi isso? Você sabe o quão horrível foi conviver com ele? Ele me batia e abusava de mim. Verbalmente, sexualmente... o que desse na telha dele. Fora que eu servi de cobaia para as drogas dele.

- Não queria que ele te matasse...

- Acha que ele faria isso com a única herdeira dele? A arma secreta que ele criou desde pequena para matar quem quisesse ferrar com ele? – ironizei. – Assim como a Noodle foi criada para ser uma super soldado, eu fui criada para ser uma guarda costas... uma matadora. Mas quando não cumpria com a minha parte, eu apanhava e ainda era abusada por aquele cretino que devia me amar como o pai comum faria. Como acha que ajudei a Noodle em Plastic Beach? Graças aos anos de treinamento e tortura. – me separei dele. – E quer saber a verdade, Russel estava certo, eu não devia culpar tanto o 2-D por causa disso... foi tudo sua culpa. Se tivesse ido atrás de mim e tentado me levar embora novamente nada disso teria acontecido. Mas por outro lado, eu não teria conhecido o cara que amo desde que o vi pela primeira vez e não teria tido filhos com ele. – conclui.

Sequei minhas lágrimas e fui para meu quarto descansar:

- Anne, está tudo bem? - 2-D segurou meu braço calmamente.

- Não, não está tudo bem... meu pai está doente, Dee.

- O senhor Collins? – olhou confuso. – Pensei que ele já tivesse morrido.

- Não, seu... – respirei fundo, tinha esquecido dos problemas de memória. – O Anthony já morreu, estou falando do meu pai verdadeiro, Jacob Parker.

- Ah, é, o que ele tem?

- Bem, as visitas que vão vir aqui me ligaram e contaram que ele passou na casa deles querendo saber se eles conseguiram me localizar e me disseram que ele está bem debilitado. Ele está com câncer – expliquei. – ele vai vir junto com eles amanhã.

- Isso é bom, não é? Tipo ele vir aqui e conhecer os netos dele... – disse entrando no meu quarto em seguida.

- Sim, de certo modo é bom, mas eu tenho medo e vergonha. Ele deve me odiar, é minha culpa ele estar debilitado.

- Não é sua culpa, e ele não deve te odiar; ele é seu pai. – abriu um sorriso banguela, tentando me reconfortar.

- Obrigada, desculpe por ter brigado com você. – acariciei seu rosto.

- Ei, aquela é a foto do baile? – indagou caminhando até a minha penteadeira.

- Sim, preciso comprar outro porta-retratos.

- Você estava tão linda naquele vestido amarelo. Igual a Bela, uma pena que tenham sacaneado conosco na hora da coroação e estragado o vestido.

- Não estragou totalmente, eu mandei para a lavanderia no dia seguinte. Estou planejando o aniversário de 15 anos dos gêmeos e a Andy cismou que quer usar aquele vestido. – Suspirei pesarosamente ao lembrar da noite do baile.

- Quando é o aniversário deles?

- 3 de junho, junto com o Russ. – me joguei na cama. – Não sei se vou ter condições de fazer a festa do sonhos deles.

- Porque?

- Estou sem emprego, larguei o serviço na boate...- tapei meu rosto com as mãos e respirei fundo. – Não sei o que fazer, Dee.

- Vamos dar um jeito. Eu vou te ajudar, logo começaremos a fazer uns shows por aí. – concluiu.

- Pensei que o Damon tivesse meio que tomado o lugar de vocês.

- Ele não tomou nosso lugar, só fez a turnê enquanto tentávamos escapar de Plastic Beach.

- Entendi.

Senti meus olhos pesaram um pouco.

- Você está com sono, Anne? – ele se sentou na minha cama e começou a afagar meus cabelos negros.

- Um pouco, não consegui dormir direito noite passada.

- Teve pesadelos?

- Pior, aquele baixista satânico trouxe uma piranha ontem. – vociferei. – Só espero que os gêmeos não tenham ficado traumatizados com os gemidos altos de ontem.

- Você quer que eu, o Russ e a Noods façamos as compras? Aí você pode descansar um pouco. Se quiser posso te dar um Valium ou algum calmante.

- Um valium está ótimo, obrigada Dee. – beijei sua bochecha. Ele saiu por alguns e depois voltou com um copo d'água e um comprimido.

Engoli o comprimido e tomei um gole de água, me aconchegando na cama. Em poucos minutos senti a sonolência tomar conta de mim e adormeci.

Pesadelo On.

- Olá, minha cara – aquela voz, aquela respiração estranha. – A quanto tempo.

- Quem é você? – ouvi minha voz ecoando.

- Venho te observando a anos, desde que era uma criancinha indefesa que vivia apanhando do seu pai. Seu ódio por ele era o que me atraia para perto de você.

- Mas que... O que você é? – questionei caminhando na direção que vinha a voz.

- Isso não importa... muito em breve nos veremos novamente ou talvez não – Sua risada macabra ecoando pelo local. – Tomaria cuidado com suas escolhas a partir de agora... – vi duas portas apareceram logo a minha frente. – escolha uma.

- O que pretende?

- Nada, isso é apenas um teste, quero saber qual é o seu maior medo... e atrás de uma destas portas está o seu maior medo.

- Tsc... eu tenho medo de nada – afirmei.

- Ou é mesmo? Então, não tem o que temer... vamos, escolha.

Escolhi a porta da direita e pus a mão sobre a maçaneta, respirei profundamente. Abri a porta e entrei, estava um breu, não enxergava nada a minha frente. Caminhei para longe da porta, ouvi ela se fechar atrás de mim:

- Olá? Tem alguém aí? – minha voz ecoou pela escuridão.

Comecei a ouvir uns rangidos estranhos, segui até onde vinha os sons e havia outra porta. Parecia a porta do meu quarto, encostei o ouvido na porta e tentei ouvir o que a acontecia lá dentro, escutei uns gemidos e abri a porta rapidamente:

- 2-D? – Senti um aperto no peito, de novo não. – Você... de novo? – comecei a chorar.

- O que? Você acha mesmo que eu ainda te amo? – caçoou, ele caminhou nu em minha direção. – Acha mesmo que vou me prender a você e aqueles fedelhos? Quando eu posso ter todas as mulheres no mundo. Tá muito enganada, querida.

- Mas você... você disse que o faria. – solucei, a dor no peito só piorava, era como se ele tivesse apertando meu coração.

A cena mudou e me encontrei em Plastic Beach no navio do maldito Boogie Man, eu podia ouvir aquela respiração estranha dele, me recusava a encara-lo. Ele virou meu rosto com aquela mão ossuda para que eu o encarasse novamente:

- Colabore comigo, Anne, e quem sabe eu não a ajudo a conseguir sua vingança finalmente? – filho da puta conseguiu minha atenção.

- Do que você está falando?

- Eu sei tudo sobre sua vida... eu vi tudo o que ocorreu... quando arrebentou o carro do seu padrasto, seu primeiro beijo com aquele azul franzino – disse andando em torno de mim. – Quando ele abandonou você para ficar com aquela vadia – sussurrou no meu ouvido.

- Então, você sabe o que eu quero... mas e quanto a você? O que exatamente quer de mim? – questionei.

- Eu só quero que me ajude a pegar aquele seu amiguinho verde. Eu sei de suas habilidades com armas e lutas, se não me ajudar, mato todos eles. Especialmente aquele vocalista boboca – murmurou segurando meus ombros – Então, temos um acordo?

- Eu não sei...

- O que você tem a perder? Seus filhos já são grandinhos o suficiente e eles tem o pai deles para cuida-los.

- Não coloque eles no meio disso! – fiquei em silêncio por alguns minutos, pensando sobre o que deveria fazer. – Tudo bem... eu... eu te ajudo.

- Ótimo, fique a vontade para escolher a arma que quiser. Traga-me aquela carcaça verde e eu te ajudo a conseguir sua vingança contra seu padrasto.

Novamente a cena mudou. Estava na casa que minha mãe comprou em Londres, obviamente é a casa que eu moro atualmente. Ouvi o barulho de saltos finos no mármore, a figura parou na escuridão a frente:

- Quem está aí? – o medo tomou conta de mim, seja lá quem fosse que estivesse me manipulando nos sonhos, estava tocando em meus pontos fracos.

- Anne? – a voz ecoou, eu conhecia essa voz. – Filha?

- Mãe? – apertei os olhos para tentar ver melhor, o que não funcionou muito. O cheiro de narcisos tomou conta do local, ela saiu da escuridão e veio para a luz. Minha mãe estava exatamente com a mesma roupa que usava no dia em que a perdi no acidente de carro. – Mãe! – corri e abracei ela fortemente.

- Anne... minha filha... como está linda! – elogiou com sua doce voz. Inalei seu doce perfume, como eu sentia falta desse cheiro. – sinto tanto sua falta, filha – afirmou afagando meus cabelos.

- E-Eu ta-também, mamãe – solucei mirando suas orbes azuis. – Não queria que tivesse ido embora.

- Ah, filha, nem eu, mas fiz isso para o seu bem e pelo bem do seu irmãozinho – informou com melancolia.

- Irmão? Você estava grávida? O que aconteceu naquele dia? – questionei.

- Seu padrasto... foi isso que aconteceu. Ele mandou me executar – vi a tristeza no seu olhar. – ele descobriu que você não era filha dele e ficou bravo. Nunca imaginei que ele seria capaz de algo assim.

- Ele que matou você? Ele... mentiu... ele me disse que você tinha sofrido um acidente de carro – contei.

- Essa é a verdade, filha, Anthony nunca foi de ter competidores, ainda mais Jacob.

- O que quer dizer? Eles se conheciam?

- Eles eram melhores amigos.

Dito isso ela se desintegrou, deixando-me sozinha. A cena mudou outra vez, eu estava em um penhasco. Olhando o horizonte a frente, desta vez eu estava me vendo ali. Eu pareci a devastada... acabada... vi minha outra eu se aproximar mais da beirada do penhasco, e então 2-D apareceu junto de Murdoc e os demais da banda:

- Anne, por favor venha para cá - 2-D suplicou. – Fazer isso não vai traze-lo de volta...

- V-vai si-sim... E-Eu v-vou te-te- lo p-perto d-de mi-mim pa-para s-sempre...- minha outra eu chorava, ela parecia inconsolável. O que me intrigou foi saber quem era ele? A quem 2-D se referia?

- Little Girl, venha para cá. Por favor – Murdoc estendeu sua mão.

- Não... não posso, Murdz – ela murmurou.

Minha outra eu os encarou, dando alguns passos para trás, parando a poucos centímetros da beirada:

- Não... eu nunca faria...- murmurei, eu podia sentir as emoções dela, afinal era eu ali. – Não! Você nunca faria isso... não importa as circunstâncias... NÓS TEMOS MEDO DE ALTURA! – entrei em desespero. O medo tomou conta de mim.

- É tudo minha culpa... ele ter partido foi minha culpa... – conclui. – Adeus...

Minha outra eu deu o último passo para trás e tudo ficou em câmera lenta. Todos correram em direção a ela... mas eu era mais rápida, acabei não pensando duas vezes e pulei atrás dela.

Pesadelo Off.

- NÃO! POR FAVOR, NÃO! – berrei, me agarrando a alguém.

- Little Girl, O que houve? – Murdz questionou preocupado.

- por favor, não me deixe cair... não... não – choraminguei em seu ouvido o abraçando mais forte.

- Calma, Anne, foi só um pesadelo... você não está caindo.

- Não deixe ele chegar perto de mim... ele está me perseguindo...- eu estava suando frio.

- Calma, você quer alguma coisa? Um chá talvez?

- S-sim... de hortelã-pimenta – ele me soltou e seguiu para a cozinha. Eu o segui mesmo com seus protestos.

Ele pôs a chaleira com água para ferver e sentou-se de frente para mim. Encarou-me perplexo e aflito:

- Sei que não devia tocar nesse assunto, mas quem está te seguindo?

- Eu não sei, eu conheço aquela voz que estava falando comigo no pesadelo... acho que pode ser o Boogie Man – ele hesitou ao ouvir esse nome. – Eu sei, é estupidez da minha parte.

- Na verdade não, infelizmente demônios não morrem... mas o que me intriga é o porque dele estar atrás de você...

- Eu tive a impressão de ter visto um pedaço do futuro... não sei ao certo, mas eu me vi pulando de um penhasco por causa de algo que aconteceu e eu nunca faria isso... eu tenho muito medo de altura e também de água... – ele pegou em minha mão e acariciou.

Ficamos nos encarando por algum tempo até a chaleira apitar e ele ir apagar o fogão. Coloquei o saquinho de chá na xícara e pus a água quente e esperei até água sorver o sabor. Inalei aquele aroma delícia e tomei um gole:

- Delicioso... – murmurei dando um meio sorriso.

- Onde estão os outros? – o verde perguntou estranhando a quietude da casa. – está tudo tão tranquilo.

- Dee, Russ e Noodle foram no mercado para mim. E o gêmeos devem estar jogando ou aprontando – conclui. Ocorreu uma ideia em minha mente, talvez eu devesse conversar com Murdoc a respeito da festa de Natal. – Murdz, preciso conversar com você a respeito da festa de Natal.

- Tudo bem, o que você quer conversar?

- Bem, não conta para o 2-D, pois é uma surpresa, os pais deles vão vir passar o Natal e o ano novo. E você sabe que eles não são muito fãs de você – tomei um gole do meu chá.

- É, você tem razão, mas o que isso tem haver com eles?

- Quero lhe pedir um favor – ele assentiu calmamente para que eu prosseguisse. – Preciso que se comporte até que eles voltaram para casa – mirei seus olhos negros.

- Hunf... Certo, eu me comporto, mas se eles ficarem com indiretas para mim, não sei se vou segurar minha língua...

- Tente... por mim.

- Quando eles chegam?

- Amanhã e meu pai vem junto...

- Acho que vou tomar um banho, estou fedendo a cerveja e cigarros. Vai ficar bem sem eu estar por perto? – Afirmei com a cabeça, ele se levantou e parou na minha frente. – Se precisar de mim, não hesite em gritar.

- Ei, eu sei me cuidar sozinha, lembra?

- Certo... eu tinha esquecido.

Ele deu uma risada anasalada e se retirou... novamente sozinha com meus pensamentos sombrios...

- Eu disse que sabia seus medos... te verei muito em breve, querida – a figura estranha se mostrou. Era ele, boogie man.

- Eu vou matar você...

- Até breve, Anne... hahahahahah.

A figura sinistra sumiu, deixando aflita e preocupada com o que aconteceria no futuro...

Afinal, será que o pesadelo irá se realizar?


Notas Finais


Chegamos ao final de mais um capítulo, espero que estejam gostando da você, pois ela é muito importante para mim.
Até mais, beijinhos de açúcar.


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