História Black Betty - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Gay, Lemon, Original, Yaoi
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Palavras 3.622
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Sobrenatural, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Participante do delipa 25. Super atrasadíssima, mas eis que aqui está. O tema foi deuses, e eu fiquei com o Coyote, o espírito travesso.

Capítulo 1 - Black Betty


                                        CAPÍTULO ÚNICO

 

 

A balada noturna mais famosa da região, como de costume, estava movimentada. A música eletrônica no volume máximo, com o logo "Black Betty" piscando em neon na fachada.

Do lado de fora, no frio, Tobias ponderava se entrar lá dentro era a melhor opção. Ele tinha recebido a mensagem de um colega da faculdade o convidando, mas Tobias ficou 20 minutos esperando na entrada, de acordo com o combinado, e não o encontrou.

Seus instintos o avisaram que era uma furada, mas mesmo assim, foi teimoso e resolveu ir. Até agora não tinha entendido o motivo do convite por parte de Leonardo, foi sem contexto e súbito. Eles não eram íntimos, nem nada do tipo, apenas estudavam na mesma classe.

Suspirou, se sentindo idiota. Morava consideravelmente longe da boate, gastou gasolina a toa, penou pra achar uma vaga e levou um bolo na cara.

Leonardo não atendia suas ligações, muito menos lia as mensagens. E o recém-adulto Tobias, beirando seus 18 anos feitos há um mês, ainda não tinha coragem suficiente de entrar no estabelecimento lotado sozinho.

Justamente quando decidiu ir embora, seu celular tremeu no bolso, avisando de uma mensagem. Abriu o app, e para sua surpresa, era o próprio Leonardo.

"Me espera lá dentro, no bar. Daqui a pouco tô chegando."

Tobias ficou puto ao ler o texto. Quase meia hora de espera e é isso de resposta que ele recebe, sem nenhuma justificativa de nada, e tendo sua dez mensagens anteriores ignoradas. Bufou nervoso, mas, mesmo assim, acatou o que lhe foi dito. Estava decidido a esquecer do desastre de uma semana atrás naquela noite.

Seguiu até a porta dupla de madeira, mostrando a identidade para o segurança, que a conferiu. O convite foi o próximo, e a pulseirinha foi entre a Tobias. Com todos os procedimentos feitos, o grandão finalmente abriu espaço para ele passar.

Era preciso passar por um corredor não muito iluminado, até a pista principal da balada. Tinha gente se pegando, conversando, sentada no chão, mechendo no celular, de tudo que era jeito. Tobias focou num ponto fixo e ignorou as distrações o máximo possível, seguindo em frente.

A música ia aumentando, junto com a gritaria. O lugar tinha uma decoração bem arranjada, em preto e branco. A DJ também tocava um som que era bom pra dançar. Aquele lugar tinha tudo para ser do gosto de Tobias, mas a lotação estragava tudo. Ele não gostava de um monte de gente junta, suada, falando alto e roçando nele. Era desconfortável.

Outra desafio, depois do corredor, era passar pela pista de dança, sendo que o bar ficava do outro lado do lugar. Foi desconcertante para ele, mas conseguiu, com esforço, desviar da maioria do pessoal se esfregando e dançando que nem louco. A iluminação colorida forte e a fumaça dificultava a visão, e Tobias saiu da multidão suado e com a roupa um tanto amassada.

O balcão de bebidas era extenso, tudo num estilo rústico de madeira. Tobias escolheu um assento na extremidade, devidamente afastado das outras pessoas sentadas.

O barman prontamente veio o atender, mas ele recusou a oferta. Não tinha graça beber sozinho.

Ele tirou o celular do bolso novamente para avisar o amigo que já estava no lugar combinado, mas uma coisa estranha aconteceu. A tela do aparelho não saía do preto. Apertava os botões de ligar, volume, tocava na tela, mas nada adiantava. A alguns minutos atrás ele  funcionava direitinho. Não entendia como a bateria poderia ter caído do nada, se lembrava de ter carregado totalmente o celular antes de sair do dormitório.

Para piorar, tinha ganhado ele de aniversário com um mês de uso, novinho da loja. Tobias apoiou os cotovelos no balcão, massageando as têmporas, já imaginando a dor de cabeça que seria pagar pelo concerto.

— Tá estressado, amigo?

Virou para o lado, pensando ser seu colega que chegou. Mas era um cara que não conhecia, aparentando ter uns 20 anos. Era negro e usava dreads curtos e óculos, com os olhos castanho-escuro, sorrindo gentilmente. Tinha o maxilar bem marcado, e pelos músculos marcados na roupa, malhava, aparentemente. Bonito. Pois é, Tobias tinha um costume feio de notar cada centímetro, sem vergonha alguma, dos caras que eram seu tipo.

— Eu te conheço? Não sou seu amigo. — Apesar do fora que deu, não disfarçou ao olhar de baixo pra cima o estranho. A encarada teve um foco específico no meio das pernas dele, que parecia ser bem dotado. Sim, Tobias era gay e tinha suas preferências, se isso não ficou muito claro.

— Caramba, você é bem direto, hein. — Riu de leve. — Se fosse menos seco, não estaria aqui no canto sozinho, no meio de uma balada lotada. — Não tirou o semblante amigável do rosto.

O sangue de Tobias ferveu na mesma hora. Franziu o cenho, virando a cara. A indelicadeza do tal cara foi inesperada, mas no fundo, Tobias sabia que a frase não deixava de ser verdade. Quando moveu o corpo e ameaçou sair dali, irritado, uma mão quente encostou na sua, não aplicando força. O ruivo estremeceu com o toque.

— Calma, calma. Eu tava só brincando. Foi mal, não precisa ficar assim. Que tal recomeçarmos? — Lançou outro sorriso fudido de lindo, de acordo com Tobias, que abaixou sua guarda. Foi quase como se tivesse sido enfeitiçado.

—...Tá. — Cedeu, mas se fez de difícil, arrancando rapidamente a mão debaixo da dele.

O homem misterioso se animou com a reposta, e chamou o bartender, pedindo dois drinks adocicados, por conta dele. Tobias não reclamou, se era de graça, tava aceitando.

— Você é bem estranho. — Comentou, assistindo a bebida sendo feita.

— Eu sou o estranho? Bem, não era eu que tava encarando a bunda daquele loiro lá sem disfarçar. Acho que ele te notou, até mudou de lugar. — Riu novamente, como se estivesse amando ver a reação de Tobias as provocações feitas.

— Eu... Eu não... Fiz... — Se embolou, ficando vermelho. Odiava quando isso acontecia, sua pele por ser branca mudava de cor facilmente em situações embaraçosas. — Você não pode falar nada! Se me viu fazendo isso, é porque também tava prestando atenção em mim. — Revidou, orgulhoso do ato.

— Nossa, é mais esperto do que eu pensava. — Debochou, fazendo Tobias revirar os olhos em irritação. — Qual o seu nome, ruivinho?

— Tobias, e não me chama assim. E você? — Foi inocente.

— Meu nome é complicado, você não entenderia. Prefiro falar mais sobre você. Aliás, você é bem arisco, Tobias. Gosto disso. — O chamou pelo nome, dizendo a última parte provocantemente de propósito, com a voz rouca. Começou a encará-lo sem piedade, causando um arrepio no outro.

O ruivinho ia retrucar, mas foi interrompido pelo barman.

— Duas caipirinhas. — Colocou as bebidas na mesa, saindo em seguida para atender outro cliente.

E a conversa foi continuando, sendo puxada novamente pelo homem desconhecido.

— Uma coisa que eu não consigo entender é porque alguém tão tímido como você veio pra cá sem compania. — O estranho foi o primeiro a dar um gole no drink.

— Eu tô esperando um amigo. — Saboreou da caipirinha também, dando uma pausa e continuando. — Nossa, isso é muito bom. Mas acho que ele não vem mais.

— Hm. Interessante. — O encarou novamente, vendo Tobias beber mais e mais, se soltando.

— Mas... Eu também tenho uma coisa que não consigo entender. Por que você veio aqui, do nada, falar comigo desse jeito? — A essa altura, não media mais suas palavras antes de falar.

— Você precisa viver a vida mais, garoto, se socializar. — Falou como se conhecesse Tobias há tempos. Foi aproximando a mão descaradamente, e tocou na coxa do ruivo. — Não sabe oque é dar em cima de alguém?

Tobias não sabia direito como reagir diante do que foi dito, mas gostou que a mão boba tocou ali. O baixo ventre do jovem universitário foi ficando quente, para o deleite do desconhecido que o cantou.

— Você é bonito e tudo mais, mas... Eu não posso. — Tobias não precisava de mais um sinal óbvio pra entender o que estava rolando. Mas a insegurança falava mais alto. — Eu tô esperando alguém.

O homem misterioso chegou perto de Tobias, e acariciou seu rosto com a mão livre, enquanto a outra deslizava para mais perto da virilha.

— Por que se acorvardar agora? Não queria esquecer o Gabriel? Não veio aqui pra isso? — Disse baixinho, quase sussurrando.

Tobias já não entendia mais nada. Por um momento, viu os olhos do estranho ficarem rosa, talvez estava começando a ver coisas por causa da bedida. "Como ele sabe sobre o Gabriel?" Se perguntava.

A única coisa que tinha certeza era de que havia ganhado uma ereção, mesmo com o estranho nem chegando a tocar seu membro. Ele tinha razão. Aquela era a chance perfeita para esquecer suas mágoas passadas, o momento era tão propicio que parecia estar combinado. Não tinha motivo para recuar. Aquela parecia ser a melhor decisão para ser tomada, na visão de Tobias, que abandonou seu lado racional.

Um tanto confuso e tonto, Tobias apenas assentiu com a cabeça, sentindo a respiração do homem em sua bochecha, as bocas próximas. O ruivo estava morrendo de desejo para beijá-lo, mas para sua surpresa, ele se afastou e levantou do assento, segurando sua mão para fazer o mesmo.

— Vamos para um lugar mais reservado. — Deu mais um sorriso encantador.

Os seguiram em direção a saída do estabelecimento, com Tobias sendo guiado por ele. Do lado de fora, foram até um carro de luxo, de uma marca estrangeira que nem o ruivo reconhecia.

Após entrarem no automóvel e seguirem pela rua, Tobias teve um momento de lucidez. Acabou de aceitar uma bebida de alguém que não conhecia, quase se beijaram e ele entrou num carro que nem sabe pra onde vai. Foi a maior loucura que cometeu em sua vida toda, nem pensou nas consequências.

Tobias encostou a cabeça na janela, observando a vista daquela noite gelada. Não sabia explicar direito como, mas bateu uma sensação de segurança ao pensar novamente no homem, tanto que nem se preocupou em perguntar para onde iriam. Fechou os olhos e quase se perdeu no pensamento, mas suas angústias foram interrompidas pelo desconhecido, que tocou em seu braço.

— Chegamos. — Falou com a voz leve, saindo de dentro do veículo.

— Quê? Como... — Tobias se recompôs, olhando ao redor. Estava num bairro que não fazia ideia qual era.

O ruivo não entendia. Há dois minutos eles estavam saindo da boate, mas foi só fechar os olhos e abrir em seguida que estavam em um lugar totalmente diferente. Se perguntava se havia dormido e não conseguia lembrar, mas tinha quase certeza de estar lúcido.

— Onde estamos? — Abriu a porta.

— Minha casa.

Os dois entraram pelo portão preto, com interfone e bem decorado. O lugar tonha um jardim extenso e bonito, com vários arbustos podados em formatos exóticos, igual aquelas casas de rico nos filmes que Tobias assistia.

Andaram mais um pouco pelo caminho de pedra, e finalmente chegaram na porta da casa, que foi destrancada pelo dono. O ruivo analisava tudo calado, pensando que aquele homem era podre de rico e excêntrico, tipo um Christopher Gray da vida.

— Qual é a pegadinha aqui? — Tobias cruzou os braços, vendo ele trancar a porta novamente.

O desconhecido apenas o olhou em confusão, não entendendo a pergunta, mas achou graça.

— Isso tá perfeito demais. Você é bonito, abusado, e me trouxe pra sua casa que mais parece uma mini mansão. — Isso o fez sorrir de lado, enquanto se aproximava mais e mais de Tobias. — E agora vai vir uma consequência, né? É essa a hora que você vai me mostrar seu hobby peculiar, igual aquele cara sadista lá do filme?

A ironia não durou muito tempo. Sentiu dois braços fortes pegarem em sua cintura, com os corpos se colando. Foi lhe dado um selinho no pescoço, e palavras sussurradas bem perto da orelha logo em seguida.

— Eu mordo só se você quiser, ruivinho. — O hálito quente batendo na pele pálido de Tobias o enlouquecia.

E esse foi o gatilho necessário para atiçar ambos. A ereção do universitário continuava presente, esquecida por um tempo mas ativa, e foi pega pelas mãos do outro.

Um beijo de língua foi iniciado, mostrando que não tinha mais volta. Tobias se assanhou, colocando a mão dentro da blusa do homem. O gesto foi retribuído. A bunda do mesmo também foi devidamente apalpada, com apreço.

Não tinham pressa nas preliminares. A temperatura foi aumentando, e as blusas não tardaram de serem arrancadas. O ruivinho sentiu um toque na coxa, indicando que era para ele subir no colo. E assim foi feito, com o estudante sendo carregado pela parte traseira, os dois foram andando pela casa, sem quebrar o contato.

Quanto mais perto chegavam do destino, mais a intensidade da pegação aumentava. Os membros se esfregavam, a calça jeans molhada com o pré-sêmen.

Não foi na cama, nem sofá, mas sim da mesa de jantar que o ato ocorreria. A cadeira atrapalhando o caminho foi empurrada com tudo para o lado. Tobias foi deitado contra a madeira, de pernas abertas e dobradas, com o estranho no meio delas. Ficou mais excitado ainda com a posição, e gemeu ao sentir a fricção do pênis dele na sua bunda.

A mesa era extensa no comprimento, permitindo que o sexo ali feito fosse possível. As frutas que a enfeitavam também foram descartadas para longe.

Tobias não precisou agir muito a partir daquele momento. A calça do sardento foi tirada sem dificuldade pelo outro, com a cueca indo junto, de uma vez só. O membro ereto foi revelado, estremecendo um pouquinho por causa do frio, chegando a ser masturbado sutilmente pelo dono da casa. O ruivinho amava ser mimado nessas situações.

Antes que prosseguissem, o resto da roupa do desconhecido também foi retirada. Tobias assistiu com deleite o pênis enrijecido saltando da cueca.

E os dois voltaram a se unir novamente. Totalmente despidos, o estranho foi distribuindo beijos pela pele branca e cheia de sardas, sendo facilmente marcada. Foi começando na orelha, indo até o pescoço e descendo no peito. Formou uma trilha pela extensão do abdômen, com o corpo do ruivinho estremecendo aos toques.

Chegando no baixo ventre, brincou um pouco com a ereção. Lambeu a glande antes de colocar tudo na boca, e a mão esquerda acariciando as bolas. O prazer foi imediato. Simultaneamente, dois dedos foram massageando a entrada de Tobias, circulando e ameaçando entrar. Ele ousou ainda mais, colocando um pouco do pré-gozo no dedo e continuando a ação, fazendo o deslizar ainda mais gostoso.

A fricção lá em baixo era tão boa, que ele não se conteu em pedir por mais, perdido no tesão que tomou sua mente. Algo gelado, um líquido, foi tocando sua fresta, fazendo um dos dedos entrar com facilidade. Tobias realmente não estava a fim de saber como ele pegou um lubrificante com as duas mãos ocupadas, no momento apenas focava em se sentir bem.

Funcionou com o segundo e o terceiro. A dor era praticamente inexistente. O pênis gotejava bastante, e quando Tobias iria gozar, o desconhecido parou a ação. Afinal, a melhor parte ainda estava por vir.

Ele provocou um pouco o parceiro, esfregando o próprio órgão na entrada por alguns segundos, deixando Tobias sem paciência. Precisava de mais, necessitava dele dentro de si.

E assim foi feito, de uma vez só. Com força e indelicadeza, tendo a proeza de encostar na próstata do passivo. Tobias não era do tipo escandaloso, mas os gemidos arrastados e a respiração descompassada eram involuntários.

As estocadas começaram brutas, e o ritmo foi aumentando violentamente, causando um pouco de ardência no sardento. Tobias, como um masoquista não assumido que era, amava quando o parceiro tinha uma pegada forte e certa.

Certamente ele já se encontrava nas nuvens, vendo estrelas a cada metida. O barulho da bunda e a coxa se batendo dava um "quê" a mais de excitação na transa. O membro latejante do homem desconhecido, de um tamanho acima da média, atingia forte o ânus do passivo. Tobias soltava palavras esdrúxulas sem o menor pingo de vergonha, com seu interior piscando cada vez que um tapa contra seus glúteos era desferido. A marca vermelha das mãos calejadas na coxa do branquelo podia ser sentida pelo mesmo.

Tobias reclamou por um beijo, tocando no braço do parceiro, e seu desejo foi prontamente atendido. As línguas dançavam em desarmonia total pelos baques de ida e volta das medidas, mas não deixavam de ser menos excitantes por isso. Pelo contrário, atiçava ainda mais a luxúria. O pescoço do ruivo também foi atacado por chupões e mordidas, como um predador avançando na presa. Um coyote devorando a carne macia da raposa.

Depois de tanto copularem naquela mesma posição, resolveram trocar. Tobias ficou de quatro, com a bunda virada para o homem que tanto desejava. Novamente, outra estocada realizada sem dó nem piedade para dentro do ruivo ofegante, que se arragava na toalha de mesa, não conseguindo controlar seus dedos, tamanho o prazer.

Foi quando o ricasso começou a masturbar o pênis gotejante de Tobias, no mesmo ritmo das estocadas. A bunda dele tinha pré-gozo espalhado nela, e de tempos em tempos era apalpada e acariciada com deleite. Sincronizados, os dois sentiam o climáx chegando. Bastou mais uma metida, e ambos se desfizeram, ali mesmo. O jato quente foi despejado dentro de Tobias, que se curvou com o ato.

Aquela foi, de longe, o melhor sexo que já tinha feito. Nunca tinha transado sem camisinha, uma experiência nova que adorou. O gozo do mesmo manchou a toalha, mas isso não era relevante no momento.

Cansado e sem fôlego, Tobias não tinha mais forças para se manter de quatro, e foi pego pelos braços do parceiro, antes que pudesse cair. Um sono bateu, naquele lugar confortável em que estava. Foi lhe dado um selinho singelo na testa, piscando os olhos lentamente, até que perdeu os sentidos e os fechou por completo.

 

 

 


                                      °                 .∆.               °

 

 

 

A luz do sol infiltrada pela fresta da persiana bateu com tudo no rosto de Tobias, que meio confuso, acordou. Todo descabelado e sem saber muito bem o que tinha acontecido, bocejou, esfregando os olhos.

Se sentou na cama, olhando ao redor, em busca do celular. Pegou o aparelho que estava em cima da cabeceira, conferindo a hora. Já era tarde para acordar, onze e cinquenta, quase meio-dia. Mas para seu alívio, era sábado.

Desbloqueou e navegou um pouco, conferindo nove ligações perdidas de Gabriel, e quase vinte mensagens recebidas dele no WhatsApp. Não acreditava que aquele babaca ainda tinha coragem de tentar algum tipo de contato com ele, mesmo depois de ser flagrado pegando uma garota da mesma turma deles por Tobias.

O namoro de três anos foi por água abaixo naquele momento. Tobias optou por não fazer um escândalo, apenas viu a cena e foi embora despercebido. Foi como um tapa na cara da senhora realidade. Pior que isso aconteceu na segunda-feira, e foram o assunto do campus pelo resto da semana.

A pior parte foi descobrir de terceiros que aquele não foi a primeira vez. Houveram outras. Alice. Giovana. Maria. E mais outros nomes que nem conseguia lembrar no momento. Todo mundo sabia, todo mundo. Menos ele. O namorado que era corno, a piada do grupinho. Uma facada nas costas de Tobias.

Por uma semana faltou a faculdade, ficava só em casa, com sua irmã o visitando para tentar o tirar daquele abismo, antes que uma tragédia acontecesse. Mas ele foi chamado por um colega para uma noite na balada, e sua irmã o encorajou a ir para desencanar daquela melancolia.

Um lapso de consciência atravessou os pensamentos de Tobias naquele momento. De fato, Leaonardo tinha o chamado para sair.

Todas as memórias daquele homem desconhecido vieram a tona. Ele lembrava vividamente de ter encontrado com ele no bar, transar na casa dele. Mas... Tobias estava ali, tendo acabado de acordar na cama do dormitório.

Se apressou para ligar para Leonardo. Um arrepio correu sua espinha, tudo estava muito estranho. Não demorou um minuto e foi atendido pelo colega.

— Alô?

— Oi Leonardo, é o Tobias.

— Tobias? — Disse em tom de dúvida, dando uma pausa. — Ah, sei sei, o ex do Gabriel.

A menção foi indelicada, irritou um pouco o ruivo, mas continuaram.

— Então, você me deu bolo ontem né. — Queria confirmar a situação.

— Bolo? Do que você tá falando?

— É, a gente marcou de se encontrar lá na Black Betty.

— Você deve estar me confundindo com outra pessoa, eu nunca fiz isso não.

— Oi? Mas, eu tenho as mensagens aqui... — Deixou no viva-voz e foi procurar o aplicativo de mensagens. Mas a conversa entre ele e Leonardo estava vazia. — Como...

— Olha cara, eu tô ocupado aqui e tenho mais o que fazer. É um mal-entendido isso aí. Tchau. — Desligou.

A ficha de Tobias ainda não tinha caído. Não fazia sentido, foi tão real para ter sido um sonho.

Ele correu, parando em frente ao espelho, em busca de alguma marca no corpo. Mas não tinha nada. Tudo lisinho. Tobias desistiu de achar alguma evidência, e no final considerou tudo isso um sonho bem doido mesmo.

Pelo menos ele sentiu que o aperto no coração desapareceu, e finalmente se considerou pronto para seguir em frente. Gabriel já não reinava mais seus pensamentos.

Em direção ao banheiro, indo escovar os dentes e tomar banho, bloqueou e deletou o contato de Gabriel sem receios.

Ao colocar o celular na cabeceira novamente e tirar a calça jeans no qual dormira, o ruivinho mal imaginava que no bolso da mesma a pulseirinha de identificação da Black Betty estava dobrada e despercebida.

Dentre milhares de pessoas, Tobias com certeza foi o mais memorável dos humanos que a entidade zombeteira resolveu brincar até o momento. Quem sabe, um encontro futuro entre o ruivinho e o Coyote não estivesse tão distante.


Notas Finais


Acho que eu fumei muita banana antes de escrever essa one, mas foi divertido fazer ela. Espero que tenham gostado!


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