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História Black Canary - Capítulo 14


Escrita por:


Notas do Autor


Fiquem seguros, meus amores. Maratonem séries, leiam livros e fanfics, joguem, desenhem... Fiquem seguros 💜

Capítulo 14 - A primeira vez para algumas coisas


15 anos


"...posso fazer, Joyce? Ela não deixa eu me aproximar!"

"Se você se esforçasse mais um pouco ela deixaria, Jim. Agora, como ela vai deixar você se aproximar se você sequer troca meia palavra com ela?"

"E sobre o que diabos eu poderia conversar com ela? Sobre o violino dela?"

"Sim?! Sobre a mãe dela?! Não sei! Dê o seu jeito! Ela tem quinze anos, Jim, o tempo está passando, logo ela vai embora daqui e não vai olhar para trás porque não vai ter nada para olhar."

Bem, isso não é inteiramente verdade, Joyce, pensou com um suspiro pequeno. De fato, El não considerava mais ir embora sem olhar para trás. Por mais que fosse contra os objetivos iniciais dela, ela havia criado algumas poucas raízes em Hawkins e sabia que em alguns anos estaria disposta a voltar e passar algum tempo com essas raízes.

Joyce. Will. Jonathan. Max. Holly.

(Mike. Mike. Mike. Mike)

Boas raízes, pessoas por quem ela sabia que sua eu do futuro aprovaria e não hesitaria em deixar que permanecessem na vida dela.

Aparentemente, Joyce tanto não sabia disso quanto queria que Hopper se tornasse uma das razões para El voltar para Hawkins. Laços paternais parecia que eram a solução de Joyce. Ela não via que ela mesma era a solução da questão.

"Só... Me prometa que vai tentar, Jim. Você é um pai amoroso com Sarah, tenho certeza que pode ser também com ela."

Silêncio. Ou uma resposta baixa demais para ela ouvir já que agora está ocupada encarando o par de sneakers que estacionou ao lado dela.

Will, carregando tanto a mochila dela e a dele nos braços, rosto amassado e ruborizado, a encara com confusão.

"O que tá rolando?"

Deu de ombros.

"Apenas sua mãe tentando convencer meu pai a fazer algo que ele não pode" Se levantou, pegando a mochila das mãos de Will. "Obrigada. Ei, Mike vai passar aqui hoje antes da escola?"

O rosto confuso de Will se ilumina imediatamente a menção do melhor amigo, olhos verdes ficando brilhantes e cheios de malícia. Aparentemente ele havia superado os ciúmes acerca do não relacionamento de El e Mike (não era um relacionamento se eles não o davam uma nomenclatura, certo?).

El ruboriza um pouco, se odiando por fazer isso. Ruborizar significava que ela estava demonstrando mais coisas do que queria.

"Não. Nancy vai levar ele para a escola." Will diz, estourando com sua agulha invisível o balão de esperança invisível que flutuava na cabeça da irmã. "Foi mal. Mas Dustin, Lucas e Max vem, isso é bom, certo?"

"Claro que sim. Max e eu estamos pensando em pintar o cabelo de preto como o da garota do Evanescence. O que você acha?"

"Que as duas vão ficar parecendo siamesas vampiras. Mas o dinheiro é de vocês, então... Boa sorte."

Revirou os olhos. Pintar o cabelo era mais uma ideia de Max, não dela e pintar o cabelo de preto não era algo que ela estaria fazendo de fato. Ela só estava falando aquilo para aliviar a tensão, para desviar o foco de Mike e sua ausência (que Will sequer explicara o motivo).

Além do mais, pintar o cabelo era algo que ela pretendia fazer no futuro e ela não queria gastar essa cartada agora. Principalmente se a tinta era preta. Pintar o cabelo de preto era coisa que geralmente fugitivos faziam na tv. Ela não queria. Se fosse para pintar o cabelo algum dia seria de loiro. Loiro ficaria bonito nela. As poucas mechas loiro natural que ela tinha eram prova disso.

"Sempre bom contar com seu apoio, William."

"Sempre bom lhe dar apoio, irmãzinha." Will dá um soquinho no ombro dela. "Vamos..."

"WILL, EL! HORA DO CAFÉ! EL, SEU PAI QUER CONVERSAR COM VOCÊ!"

Olhou para Will e depois para o relógio que ele tinha no pulso. Quase oito horas, em cima da hora para eles se atrasarem. Isso significava que eles não teriam muito tempo para o café, mas que teriam tempo o suficiente para o pai dela tentar fazer o que Joyce o incentivara a fazer.

Oh-oh.

"Rouba uma maçã para mim, sim? Não diz que é pra mim. Faz isso e consigo um encontro para você com aquele seu crush supremo. Josh, certo?"

Will gagueja, horrorizado. Ele ainda não havia se assumido gay oficialmente, mas, ei! El não precisava que ele se assumisse. Ela podia ver ele soltando olhos de coração toda vez que garotos bonitinhos passavam por ele.

"Agora é o Leon Campbell da aula de literatura. Seu pai... Hopper quer falar com você..."

"Eu sei. Leon Campbell. Ele faz aulas de música comigo. Encontro totalmente marcado. Te espero na garagem."

"Mas..."

"Leon é um gatinho. Pense nisso e na minha maçã." Piscou para o irmão, descendo as escadas apressadamente e o mais silenciosamente possível.

Joyce queria que ela e Hopper criassem laços.

Hopper e El claramente não estavam confortáveis com isso. Fugir era um favor que ela estava prestando a si e ao pai.

Wil trás para ela uma maçã, suco de laranja industrializado e uma sacolinha que provavelmente é o almoço dela. Sorriu. Aparentemente o novo crush de Will valia muito a pena se ele havia se arriscado a sair de casa rebocando aquilo tudo. Paixonite fofa. Ela com certeza estaria conversando com Leon sobre um possível encontro com o irmão dela.

Exceto que Will não queria isso.

"Como assim você não quer?" Horrorizou-se, guardando o almoço na mochila. "Ele é uma gracinha, então o quê?"

"Ele gosta de meninas."

"Bissexualidade é uma opção, dã?" Sorriu em apoio ao irmão. "Vai, William. Ele pode achar garotas bonitas e garotos também. Eu acho."

Will, que estava erguendo a bicicleta do chão, faz uma pausa.

"O quê?" Ele esganiça. Mais ao fundo, Max, Lucas e Dustin surgem em suas bicicletas. "Você gosta de meninos e meninas?"

"Sim, eu acho? Nunca beijei uma menina, mas estou aberta a isso. Meninas são bonitas. Meninos também."

"Mas você atualmente gosta do Mike."

Agora que ela estava se dando conta de quão perigoso era aquele assunto. Eles estavam saindo dos sentimentos de Will e partindo para os dela.

Perigo. Falar dos sentimentos dela nunca era seguro. Os sentimentos mais profundos dela deviam permanecer dentro de um pote no peito dela, escondidos.

"Will..." Advertiu com os olhos semicerrados. "Não..."

"Okay, okay! Entendi!" Will ergue as mãos, voz baixando para um sibilar quando Max e Dustin se aproximam, Lucas ficando para cuidar das bicicletas. "Não quero um encontro. Só..."

"Quer ficar olhando?" Completou com bondade, agora que o assunto não era mais ela estava mais fácil. "Tudo bem. Amanhã tenho aula de música. Venha assistir como meu convidado. Ele vai estar lá."

"Sério?"

"Totalmente."

Estendeu a mão e Will imediatamente bateu ali, sorriso alegre quando os gritos de Dustin e Max se faziam ser ouvidos até mesmo por um surdo. Ela via Will e Jonathan fazendo isso antes e experimentar essa parceria conjunta no simples ato de um high five ainda desajeitado era acolhedor.

(Kali nunca havia feito um high five com ela)

Eles estão rindo da falta de jeito de El no quesito high five quando, sem aviso prévio, Dustin os agarra e Max puxa as bicicletas para fora da garagem, ambos resmungando sobre estarem atrasados demais para aquele momento doce de irmãos.

Como se a ausência de Mike não pudesse ser sentida por alguns instantes (muito embora ocasionalmente um deles fizesse algo que levava aos outros falar o nome do amigo e perceber que ele não estava ali), o pequeno grupo de agora oficialmente diante dos olhos da sociedade de Hawkins ria desenfreadamente. El, ela tinha que admitir, era uma das que mais ria.

Aqueles idiotas faziam bem a ela. Lucas sendo duro por fora e mole por dentro, Dustin com suas piadas sem graça que de fato a faziam rir (quem é o rei dos queijos? É o requeijão), Will e seu jeito tímido que a fazia se sentir tão acolhida quanto Jonathan fazia e Max que a fazia sentir o gosto da liberdade que ela não sabia que podia ter até se afastar de Chicago.

A saudade de Chicago estava ficando cada vez menor. Estava fazendo quase sentido estar ali em Hawkins. Ela estava quase, a pouquíssimos passos de se permitir soltar os sentimentos que mantinha completamente presos dentro do pote que estava no peito dela.

Hawkins talvez fosse um bom lugar para permitir-se ser mais livre sentimentalmente, para ser quem quer que o padrasto dela havia forçando-a a reprimir e apagar.

Lamentavelmente, todos esses pensamentos iriam recuar e murchar nas próximas semanas. Tudo por culpa do destino e suas piadas sem graça.
 

Ela só encontra com Mike depois do almoço, quase na última aula do dia. Ele está sentado rigidamente em sua cadeira, cabelos negros bagunçados e bochechas rosadas. Nunca deixaria de ser encantador a forma como ele ruborizava — tão naturalmente que raras vezes que dava conta de que o estava fazendo.

Dessa vez ela não acha tão encantador. O rubor dele parece aos olhos de El desconcertado, desconfortável naquelas bochechas sardentas. Talvez seja porque Gabrielle Bennington estava inclinada sobre a mesa dele, usando seu melhor sorriso encantador e torcendo um de seus fios delicadamente lisos entre seus dedos na tentativa de fazer um cacho e também parecer sedutora.

Engraçado. Ela não parecia sedutora aos olhos de El. Gabrielle certamente havia alcançado o auge de sua beleza adolescente aos quinze anos, mas algo nela não parecia certo o suficiente para ela ter algo de sedutor dentro de si. Desajeitada demais. Pouco sabia. Nunca tinha saído de Hawkins. Tinha como base apenas as mulheres da televisão e seus flertes baratos para se basear em seu próprio flerte. Sim, pois ela estava claramente flertando com Mike.

El se sente estranha com aquilo, mas não interfere. Quem era ela para interferir, afinal? Além do mais, Mike não parecia muito interessado em Gabrielle. Se alguma coisa, mais parecia que ele estava prestes a vomitar nela. Isso, isso seria interessante. Mike nunca havia tido tal aparência quando ela estava jogando charme para cima dele. Aparentemente, o único charme não bem recepcionado ali era o de Gabrielle. Coitada.

Aproveitando-se que ninguém a percebera, El toma um lugar no fundo da sala e abre o livro na página que o professor escrevera previamente na lousa. Ela não lê, no entanto. O que ela faz é rir silenciosamente dentro de sua mente. Rindo daquilo tudo. Eram os hormônios atacando, não eram? Com certeza sim. Gabrielle e nenhuma garota há menos de um ano dariam qualquer coisa por Mike, mas agora ali estava a coisa toda. Hormônios. Hormônios e desespero para ter alguém que pudesse chamar de namorado. El nunca iria compreender essa necessidade.

"Pensa rápido: Ross Geller!"

"Dinossauros."

Ela respondeu porque supôs automaticamente que era Mike quem estava fazendo aquilo. Nunca passou pela mente dela que esse garoto, olhos azuis e cabelos loiros, fosse quem estivesse abordando-a com tanta intimidade.

Desconhecido não tão desconhecido assim. O menino que sentava no fundo da sala sempre. Ela nunca havia interagido com ele por sempre se sentar perto dos meninos e Max, que sentavam na frente. Mas aqui estava ela, afastada de seu lugar habitual para não atrapalhar a conversa dele com Gabrielle, perto do menino loiro.

O garoto pisca os olhos azuis para ela. Duas lagoas translúcidas que não oferecem nenhum tipo de ódio.

"Boa resposta." Ele cumprimenta se sentando ao lado dela. "Esse cara só pensa em dinossauros, estou te dizendo."

"Por que... O que está acontecendo aqui?" Pestanejou lentamente, a certeza que uma pálpebra estava realizando a ação mais tardiamente que a outra.

"Estamos conversando. Você é fluente em espanhol, certo?"

Então era isso, certo? Dustin e Lucas haviam espalhado por aí sobre a fluência dela em uma segunda língua e as pessoas costumavam se aproximar para pedir ajuda com o dever de espanhol.

Isso explicava muita coisa.

"Sou. Quer ajuda com a atividade de espanhol? Ou vai querer ajuda com a entonação que precisa usar para pronunciar as palavras?"

"Não faço espanhol. Estou na sua classe de Francês. Queria saber se você entende direitinho as novelas mexicanas. Sabe, sem legenda. No idioma."

Okay, tudo bem. Outra pane mental. O quê?!

"O quê?!" Esganiçou-se alto demais, o suficiente para Mike finalmente a perceber. "Quer dizer, sim, eu entendo. O quê..."

O garoto ri, jogando o cabeço para longe dos olhos.

"Maneiro." Ele estende a mão. "Meu nome é Tobias Morisse. Pode me chamar de Toby. Enfim, esse fui eu fazendo amizade com você."

"Amizade? Isso foi bizarro. Eu podia ter te dado um soco na cara."

Isso não faz Toby recuar. De forma alguma. Ele ri, caindo sobre a mesa.

"Mas você não deu. Deveria ter dado. Meu pai é machista, ele ia se orgulhar porque ia achar que eu entrei em uma briga." Ele conta ainda sorrindo. Sorriso maníaco. "Ei. Seu namorado está vindo aí."

"Eu não tenho..."

"El? Por que você sentou aqui atrás? Você está sentindo alguma coisa? Quer que eu ligue para o seu irmão?"

El esquece o tal Toby, sorrindo quando Mike, agora definitivamente menos parecido com um tomate prestes a explodir e mais parecido com o menino que ruborizava após um beijo, se aproxima dela. Ele parece preocupado, pronto para ser prestativo.

E talvez um pouco ciumento. Mas essa última parte pode ser coisa da cabeça dela.

Uma rápida olhadela para o lugar onde Mike estava indica que Gabrielle não só ainda está por lá como ela está ocupando o lugar que El geralmente ocupava, o assento ao lado da cadeira de Mike. Ops. Parece que hoje nenhum risinho seria trocado entre os dois.

"Estou bem, Mike. Só... Parece que meu lugar está meio ocupado hoje."

Mike segue o olhar dela, revirando os olhos ao ver Gabrielle arrumando caderno e livro sobre a mesa.

"Ela simplesmente ocupou seu lugar, acredita?" Ele conta com ar de irritação. "A mãe dela pediu hoje de manhã para Nancy me deixar dar aulas de reforço para ela de vez em quando e agora ela está assim."

"Bom. Espero que essas aulas deem certo."

"E eu espero que ela não te agarre e abuse de você." Toby se intromete no assunto. "Aquela garota está tãooo afim de você, cara."

O casal de amigos [coloridos?] se entreolha diante da intromissão. Ninguém antes, que não fosse do grupinho deles, havia se intrometido nas conversas deles sem que tivesse maldade envolvida.

"Você acha?" Mike parece cruel e verdadeiramente chocado. Fala sério? Ele não sabia reconhecer quando uma garota estava dando em cima dele?

"Com toda certeza." Toby confirma.

"Mas eu não gosto dela. Não desse jeito." Ele olha para ela quando fala as próximas palavras: "Gosto de outra pessoa."

E desta vez ela cora. Como uma estúpida menina de livro romântico que cai de quatro aos pés do cara, ela ruboriza sob o olhar de Mike Wheeler. E ele parece satisfeito com isso já que seus lábios se curvam num sorriso cercado por sardas.

A professora entra e Mike é obrigado a ir se sentar em seu lugar de sempre, deixando-a lá atrás. Mas isso não significa que ele acabou com ela, que o assunto dele estaria morrendo tão facilmente. El está no processo de anotar febrilmente tudo o que o que era escrito no quadro quando sente uma leve vibração vinda do celular. O aparelho vibra duas, três vezes seguidas.

Mensagens de Mike. Ou, como estava salvo nos contatos dele, garoto das sardas.

Então
Estive pensando
Quer sair comigo depois da escola?

El esconde o sorriso atrás do livro.

Nós sempre saímos juntos depois da escola, Wheeler.


Só nós dois.
No Benny's Burger.

Ora, ora, ora, pensou consigo mesma. Parece que alguém que estava ficando mais atrevido.

Sim.
Quero.


Me encontre lá então.

E então, sem saber, no meio de uma ligeiramente monótona aula de biologia, El Hopper estava marcando seu primeiro fisco em forma de encontro.
 

Um refrigerante pequeno. Um pequeno pote de sorvete. Uma pequena porção de fritas. Isso foi o que custou o tempo de espera de El Hopper por Mike Wheeler no Benny's Burger. Sentada em uma mesa perto da janela, a menina olha com desalento para a paisagem pouco vistosa, tentando enxergar no meio das pessoas que passavam por ali um garoto alto em sua bicicleta.

Nada. Já haviam se passado três horas depois do final das aulas e até agora nada sobre Mike. Nenhuma ligação. Nenhuma mensagem. Era como se ele nunca tivesse dito para eles irem se encontrar lá, mesmo que a mensagem no celular prestes a descarregar dissesse o contrário.

A resposta final para tudo isso era simples: ele havia dado um bolo nela. Era isso e ele sequer se dignara a mandar uma mensagem de aviso.

Enquanto cutucava raivosamente uma batata frita inocente, El só podia pensar em como ela se odiava — se odiava por se dignar a deixar aquilo acontecer, por deixar um menino dar o bolo nela, por deixar ela ficar esperando por ele como se não tivesse mais o que fazer.

Ela também se detestava por ter ruborizado, por ter gasto o rubor dela com um menino. Com alguém. Estúpida. Ruborizando por ai, deixando um menino (Mike Wheeler) pensar que podia deixar ela esperando sem receber as consequências.

Ou talvez ela só estivesse fazendo uma tempestade em copo de água de forma desnecessária. Quer dizer, Mike e Nancy agora praticamente eram sozinhos para cuidar de Holly quando não era dia dela ir cuidar da pequena. Era coerente que Mike tivesse se distraído com a irmã pequena ou com alguma emergência familiar.

Era coerente também que ela fosse embora dali pois Mike, com ou sem emergência familiar, certamente não estaria chegando.

Tendo como único espectador de seu miserável e falho primeiro encontro o dono da lanchonete, El se dirige a ele. Só agora, depois de passar infindáveis minutos afundando em autopiedade e talvez um pouco de raiva de Mike, é que ela percebe como o lugar está vazio.

"Decidiu ir embora?" O homem grande, provavelmente o dono do lugar, pergunta abaixando seu jornal. "Seus pais devem estar preocupados."

"Garanto que não." Pescou dentro da mochila o que devia. "Aqui parece meio parado. Poucos clientes."

"Da sua idade? Com certeza. Da minha idade? Alguns clientes na parte da manhã. Vocês crianças não sabem apreciar um bom lugar."

Olhou ao redor. O lugar não era dos piores, mas não tinha nada de atrativo para pessoas da idade dela. Era calmo demais. Apagado demais.

"Talvez você devesse investir mais aqui." Sorriu. "Sabe, dizem que nós jovens somos o futuro."

O homem arqueia a sobrancelha para ela.

"Ah, é, baixinha?" Ele para de contar o troco dela. "E o que você sugere?"

"Karaokê? Alguma coisa que nos dê a sensação de estarmos sendo rebeldes, mas que não faça você desobedecer a lei?" Deu de ombros. "Não é muito difícil agradar a plateia aqui de Hawkins. Essa cidade precisa de mais movimento."

"Vou anotar sua sugestão, baixinha."

El realmente não percebe o tom de verdade no tom do homem grande. Ela está ocupada com a pontada de esperança que surge dentro dela quando o sininho da porta de entrada da lanchonete tilinta.

A mente dela grita Mike e o coração Wheeler. Ambos estão enganados.

Para a decepção dela, quem atravessa a porta, com seu corpo grande (e ela tem que concordar com Joyce) necessitado de uma dieta para melhora de seu coração entupido de gordura, é o pai dela. Hopper parece tão surpreso quanto ela ao vê-la ali, seus olhos claros se arregalando ao pouco com a visão da filha.

"Eleanor?" Ele diz se aproximando com cautela. Sempre cauteloso com ela. "O que você está fazendo aqui? Já passou da sua hora de estar em casa."

"Eu estava conversando com esse senhor." Apontou para o homem barbudo. Sem chance de ela contar para Hopper. "Bem legal ele."

"Obrigada, baixinha."

"De nada, desconhecido que aparentemente não é um predador sexual, mas que se fosse eu certamente iria saber me defender."

Hopper bufa. Ele geralmente fazia isso quando El falava assim, mais desinibidamente e ousadamente que o normal. Era a forma dele falar que não aprovava, mas que não estaria tomando atitudes a respeito.

"Conhece a baixinha, Jim?"

"Minha filha mais nova, Benny. Eleanor." Hopper responde apoiando uma mão no ombro dela.

O rosto do homem barbado se ilumina completamente.

"Oh, a de cabelo colorido que você tinha me falado antes." Ele diz olhando El com claro nova opinião. "Caramba, garota. Você devia ter me dito que era filha do Jim. Eu não teria cobrado você."

Como alguém que degusta e absorve o sabor de seu sorvete preferido, El absorve as informações que Benny passa a ela. Hopper, aparentemente, andava falando sobre ela. Surpreendente para dizer o mínimo.

Benny e Hopper riem entre si, alguma piada interna rolando. El odeia não saber que piada é essa ou se ela é a piada.

Novamente o sininho da porta de entrada tilinta e dessa vez ela estava tão ocupada que não o ouviu ou pensou na possibilidade de ser Mike Wheeler. Não quando ele claramente não estava vindo.

Mas é quando menos se espera que o universo te surpreende e de fato era Mike dessa vez.

"Eu sinto muito, muito, muito mesmo pelo atraso, El" Ele diz, correndo e agarrando os braços dela. "Foi mal. Foi péssimo. Minha irmã inventou de conversar com a mãe da Gabrielle sobre as aulas, ela disse que eu podia..."

Desalinhado. Bochechas vermelhas pelo esforço de pedalar até ali. Cabelo um ninho de passarinhos. Respiração ofegante. Arrependimento e irritação. Medo de ter irritado ela.

El pensa que talvez ela pudesse dar a Mike um desconto já que ele estava em estado tão deplorável. Mas, pensou sentindo os olhos de Hopper e Benny sobre eles dois. Vamos fazer isso depois.

"Tudo bem, Mike. Eu já estava indo embora mesmo. Depois a gente marca outro dia para estudar juntos." Sorriu, achando interessante a forma como o olho direito do garoto piscou nervosamente ao ver o pai dela. "Eu... Já vou embora. Meu pai veio me pegar. Certo, Hopp... Pai. Certo, pai?"

Ela só estava tentando ajudar a todos eles. Tentando tirar a todos eles daquele momento constrangedor — ela e Mike, o pai dela e o amigo dele vendo tudo. Essa falta de privacidade a estava matando.

Mike não entende assim. O tique no olho direito dele parece piorar um pouco. O pai dela engasga um "vai?" chocado com a afirmação dela e Benny é o único a dar risinhos divertidos.

"O quê? Você está com raiva... Eu..."

"Só falei que marcamos para outro dia, Wheeler. Relaxa um pouco."

"Isso, garoto. Relaxa." Hopper diz se aproximando um pouco mais. El sente algo perigoso na voz dele. "Vocês se falam depois. Vamos, Eleanor. Tchau, Benny."

"Mas..."

"Até mais, Hopper. Até mais, Eleanor."

"Mas..."

"Te mando mensagem depois, Mike." El fala em uma tentativa de aliviar o rosto decepcionado de Mike. "Tchau."

Acompanhou Hopper, se sentindo péssima por Mike. Pobre Mike. Ele parecia chateado. Tadinho.

Engraçado, riu para si mesma enquanto Hopper, depois de prender a bicicleta dela ao teto do carro, acelera pela estrada. Mike foi quem se atrasou e eu quem estou sentindo pena dele.

Na escuridão do carro, ao som de uma música pop que ela não reconhece, Hopper pigarreia.

"Então..." Ele está claramente procurando as palavras certas para pisar no terreno incerto que estava adentrando. "O menino Wheeler está te chateando? Precisa que eu assuste ele ou fale com a irmã dele? Posso fazer isso."

As sobrancelhas castanhas de El se unem. Mais estranho que a concepção de Hopper conversando com Nancy sobre Mike ser invasivo era essa pergunta. Essa tentativa dele de mostrar que se lembrava dela como filha.

"Não precisa."

"Certeza? O garoto parecia estranho." Hopper para um pouco. "Esse moleque está te perseguindo? Ele parece o tipo de cara que persegue garotas."

"Está tudo bem, Hopper." Não 'pai' como ela havia falado anteriormente. Havia sido uma falha social, apenas um momento em que havia se deixado ser levada pelo que a sociedade esperava. "Mike é um cara legal. Não precisa de nada disso."

A música ecoa pelo carro.

El cantarola, pensando no fato de que talvez Hopper falasse sobre ela com alguns dos amigos dele. Isso, por algum motivo, a agradava.

"Precisa de alguma coisa, Eleanor?" O pai dela investiga avidamente. "Quer comprar comida japonesa?"

"Só... Não me chama de Eleanor." Suspirou. "Me chama de El. Todo mundo me chama assim, acho que já deu para perceber."

Hopper acelera o carro.

"El. Certo. El, vai querer comida japonesa?"

"Sim."

Primeiro encontro falho.
Primeiro diálogo real com Hopper.
(Primeira vez que ela o chamou de pai de coração)
Muitas primeiras vezes estavam pela frente.



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