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História Black Moon - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá bruxinhas, olha só quem voltou.
Queria agradecer pela interação de vocês no último capitulo, me deixou muito feliz.
Como eu tinha dito, esse capítulo também trás mais uma explicação de como as coisas chegaram até o ponto em que a história principal da fanfic vai decorar.
Espero que gostem. Qualquer dúvida só falar comigo ta?

Capítulo 2 - A ascensão


Fanfic / Fanfiction Black Moon - Capítulo 2 - A ascensão

A medida que Regina crescia, ainda mais protetoras e cuidadosas Cora e Eva se tornavam. O que não deveria ter passado de um abrigo para um parto que precisava ter acontecido as escondidas, acabou por se tornar o lar das três, que conseguiram criar não só um ambiente seguro, mas uma família para a sua pequena menina. 

Convencida de que a manteria afastada de todo e qualquer assunto que envolvesse as bruxas ou a realeza de Snowfall, Cora nunca havia nem se quer citado sobre o acampamento, ou sobre os poderes os quais certamente  sabia que Regina possuía. 

Contraria as ideias de Cora, Eva sempre havia acreditado que o melhor a ser feito seria educa-la em relação aos seus poderes, e também sobre a guerra que fervia ao seu entorno, mas nunca houve permissão para que isso acontecesse.

Por outro lado, divergente a toda paz que a família Severo Luna havia conquistado em seu pequeno abrigo na floresta, Snowfall passava por momentos de tripulação, quando, assustado com a possibilidade de um outro herdeiro do trono se apaixonar por uma bruxa, o rei havia decretado que todo herdeiro ao trono que nascesse homem deveria ser sacrificado, como forma de proteger a dinastia da família Locksley. Por isso, no mesmo dia em que Regina celebrava o seu décimo terceiro aniversário, o segundo filho de Gilda, a atual rainha de Snowfall, havia sido decapitado.

- Parabéns, minha filha. – Cora beijou o topo da cabeça da menina, que estava em cima de uma cadeira e inclinada sobre a mesa, para que pudesse soprar as pequenas velas que repousavam em seu bolo.

- Feliz aniversário, meu amorzinho. – Eva também beijou a criança, que assim que terminou de soprar, se prontificou em rapidamente pegar uma faca, antes de virar para as mães com carinha de pidona.

- Eu posso cortar? 

- Hum... só não vai destruir o bolo todo. – Eva entregou a ela um pratinho para que pudesse colocar o pedaço.

- Eu prometo que não vou. – sorriu triunfante.

- Nós temos um presente pra você. – Cora disse, oferecendo-a uma pequena caixa na cor rosa com detalhes florais. Regina pegou o embrulho, abrindo-o com certa ansiedade para checar o que havia dentro. Assim que havia aberto o suficiente, um pequeno colar dourado apareceu em sua visão, acompanhado de um delicado pingente em formato de coração.

- Meu Deus, é lindo! – os olhos da menina brilhavam enquanto admiravam o presente.

- Que bom que gostou. – Eva abraçou-a, colocando então o colar ao redor de seu pescoço. 

Elas comeram e conversaram em clima descontraído, num momento de pura felicidade que quase foi capaz de tirar a preocupação das mais velhas. Regina havia notado que elas estavam esquisitas naquele dia, bem mais tensas do que o normal, enquanto não paravam de cochichar pelos cantos. Mas foi somente quando Cora saiu correndo da sala aos prantos, que a mais nova percebeu que de fato havia algo de errado.

- Mamãe, o que está acontecendo? 

- Vem aqui. – Eva pegou a morena pela mão, sentando as duas no pequeno sofá. – Os dias não estão fáceis querida, e eu e a sua mãe vamos precisar que você seja muito forte. Talvez nós tenhamos que nos afastar por um tempo, como uma medida de proteção.

- Como assim nos afastar? – disse com os olhos arregalados.

- Eu ainda não posso te explicar muita coisa, - ela passava os dedos pelos cabelos longos e escuros de Regina. – mas você sempre soube que nós vivíamos aqui escondidas não é? – a criança afirmou com a cabeça. – Então, talvez não seja mais tão seguro estar aqui como nós imaginávamos. Talvez seja melhor mudarmos de esconderijo. E em prol de deixar menos rastros possíveis, eu e sua mãe decidimos que amanhã logo cedo eu devo partir, sendo que você e ela devem ir a tarde, pra um lugar diferente.

- Lugar diferente? Então a gente vai ficar sem te ver?

- Sim... mas é só por um tempo, só até a gente ter certeza que é seguro novamente.

 - Mas eu não entendo... Por que a gente tem que viver fugindo? 

- Oh meu amor, - depositou um beijo estalado na bochecha da menina. -, tem tanta coisa que você precisa saber. 

☾☾☾☾☾

- Regina... querida, acorde. – Regina abriu os olhos para se deparar com o espanto estampado no rosto de sua mãe.

- O que está acontecendo? – a menina perguntou, assim que Cora lhe puxou pelo braço, forçando-a se levantar. Elas andaram mais um pouco, caminhando as pressas até a entrada secreta do porão. A mais velha abriu a passagem que se escondia no próprio chão, liberando para que as duas entrassem. Regina percebeu que a mãe tremia, ao passo que podia sentir seu próprio coração acelerar, e a tensão começar a percorrer por seu corpo.

- Mamãe, eu estou com medo. O que houve? – Cora, depois que já havia entrado com a menina no local, abaixou para conseguir olhá-la nos olhos.

- Estão aqui minha filha, nos descobriram. – seus olhos começaram a encher de água, ao passo que, mesmo com todo o seu esforço para segurar, as lágrimas começaram a despencar sobre o rosto da morena. – Eu preciso que você preste muita atenção no que eu vou te dizer agora, tudo bem? – a mais nova apenas confirmou com a cabeça, com o olhar atento na mãe. – Você vai ficar aqui embaixo e não vai fazer nenhum barulho até eu voltar para te buscar entendido? Eu preciso que você fique bem quietinha, não importa o que você ouvir. 

- Tudo bem, mamãe. – a criança sentiu seus olhos arderem e lágrimas surgirem. Ela não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas a dor e o desespero eram perceptíveis pelos olhos da mãe.

- Meu amor, eu fiz o que pude pra te deixar longe de tudo isso, fiz o que pude pra não deixar que você se envolvesse, mas talvez eu tenha feito tudo errado. Talvez Eva estivesse certa e eu deveria ter preparado você, mas agora não há mais tempo. – ela pegou a menina pela mão, fazendo-a sentar a sob uma pequena cama improvisada. – Eu vou apagar as luzes, então vai ficar bem escuro, mas não precisa ter medo, eu vou voltar logo. -dentro do coração de Cora, ela sabia que a hipótese de que talvez nunca voltasse era real, e ao mesmo tempo que não queria assustar a criança, sabia que precisava instruí-la para caso o pior acontecesse. – Mas minha filha, se eu não voltar, eu preciso que você tenha coragem. Primeiro eu quero que saia daqui, procure outro reino, vá para longe. Você sabe aonde guardamos o nosso dinheiro certo? Então pode usar ele todo pra você. Segundo, saiba que você tem dentro de si um poder imensurável querida, e que muitas pessoas vão te perseguir por isso, mas meu amor, nunca se esqueça de qual lado você deve lutar. A guerra nunca é a solução pra nada. – Corra sentiu um nó se formar na garganta, ao passo que as lágrimas se tornavam mais fortes. Ela sabia que deveria subir, sabia que era hora de deixar sua filha e lidar com o mundo que a esperava, mas se permitiu olhar para menina por mais alguns minutos, como se para que pudesse extrair forças daquele pequeno e angelical rosto. – Eu te amo, e o amor é a chave pra tudo, meu bem. Nunca se esqueça disso. – disse antes de se virar com pressa, apagando a luz e saindo do porão, deixando uma Regina encolhida e aos prantos no canto do local.

☾☾☾☾☾

Regina passou pelo que pareceram horas dentro daquele pequeno cômodo. Durante muito tempo ela pôde ouvir gritos, barulhos de móveis indo ao chão e flechas sendo atiradas. Todo o seu corpo doía pela tensão de seus músculos contraídos de medo, enquanto tentava manter o choro silencioso, mesmo diante ao desespero. Contudo, o pior fora quando os barulhos sessaram, e mesmo assim, sua mãe ainda não havia aparecido. Ela não sabia o que fazer, não sabia se deveria sair e checar o que estava acontecendo, ou esperar um pouco mais, uma vez que as mães poderiam estar apenas se dedicando a colocar a casa no lugar, pra que ela não se assustasse com os rastros que haviam sido deixados pelo o que quer que tivesse acontecido no andar de cima.

Assim, guiada pelo medo, ela resolveu esperar mais um pouco. Porém, quanto mais o tempo passava, mais assustada e inquieta a pequena menina ficava. Já estava prestes a se levantar e se aventurar pelo mundo fora do porão de sua casa, quando o barulho do que pareciam ser salto altos finos estalarem sob sua cabeça, a fez recuar, e voltar encolhida para o canto em que estava. 

Logo percebeu que a entrada do sótão havia sido aberta, trazendo uma claridade que denunciava que o dia já havia raiado do lado de fora. Seu coração se encheu de esperança quando as luzes do porão se acenderam, e ela já estava a um passo de abrir os braços e correr para abraçar a mãe, quando percebeu que a pessoa que entrava no porão era muito diferente de Cora.

Uma mulher magra, de pele branca e cabelos tão loiros que pareciam cintilar em sua cabeça, apareceu no campo de visão de Regina, fazendo seu sorriso que recentemente havia aparecido, ir embora de uma vez por todas. 

- Oh meu Deus... Você ficou presa aqui sozinha esse tempo todo? – a mulher agora exibia em sua feição um teor de pena, enquanto se aproximada da morena.

- Quem é você? – Regina disse recuando.

- Calma, não precisa ter medo. Eu me chamo Ingrid, e estou aqui pra ajudar. 

- Cadê as minhas mães? Por que elas não vieram me tirar daqui?

- Oh minha querida... – Ingrid se aproximou mais uma vez, e só então Regina pôde perceber que lágrimas brilhantes enfeitavam o rosto da mulher. A criança por sua vez, pôde sentir lágrimas percorrem pelo próprio rosto. Nada mais precisava ser dito, ela já havia entendido tudo. – Os humanos eles... Eles as pegaram. Não foi uma luta fácil, suas mães fizeram o que puderam, mas aparentemente estavam em minoria, então elas... elas estão mortas.

Regina sentiu as pernas ficaram bambas, ao passo que a visão pareceu escurecer enquanto uma forte náusea invadia seu corpo. Ela queria gritar, queria ir atrás de quem quer que tivesse tirado a vida de suas mães e acabar com eles, mas a única coisa que toda a fragilidade do momento lhe permitiu fazer foi cair no chão, sentindo as lágrimas tomarem ainda mais intensidade, ao passo que nada mais parecia fazer sentido.

- Eu sinto muito. – Ingrid disse, abraçando a menina que se desabava no colo da loira.

☾☾☾☾☾

Depois de uma certa relutância da parte de Regina, devido ao fato de que Cora havia sido extremamente rigorosa em suas recomendações para que ela se afastasse dali, Ingrid conseguiu convence-la a ir até o acampamento das bruxas, que mais tarde a morena passou a reconhecer como Hidewitch, para ao menos se alimentar e se acalmar do trauma, e então assim pensar mais claramente sobre o que queria fazer.

A menina estava em sua barraca de madeira, ainda encarando o pacote de biscoitos salgados e a maça, que haviam sido deixados ali para que ela se alimentasse, sem que se quer conseguisse cogitar colocar os alimentos na boca. Seu estômago parecia revirar com a possibilidade, ainda fechado devido a tamanha tristeza.

Revirou-se em seu pequeno colchão, sentindo seu corpo ser acariciado pelo gostoso tecido da manta, enquanto as lágrimas molhavam seu travesseiro sem que ao menos ela percebesse. Sua mente divagava sobre o que deveria fazer. Ao mesmo tempo que os conselhos de sua mãe ainda martelavam em sua cabeça, o medo de ter de se aventurar sozinha para um reino distante, fazia seu coração implorar para que ela ficasse.  

A morena queria dormir, suas pálpebras pareciam pesar enquanto ela encarava o teto, mas se assimilava ao impossível conseguir relaxar o suficiente para que o sono chegasse, já que o barulho dos gritos da noite que havia se passado ainda ecoava em sua mente. Naquele momento, a sua imaginação sobre o que poderia ter causando aqueles gritos era infinitamente mais amedrontadora do que quando de fato os ouviu, ao passo que sua mente cruel trazia para sua cabeça imagens de suas mães mortas estiradas no chão da sala de estar. 

Ela estava prestes a levantar, rendendo-se ao fato de que não conseguiria a mínima paz para dormir, quando o barulho de uma batida na porta a fez desistir de calçar as pantufas, voltando para cama enquanto gritava que a pessoa poderia entrar.

Ingrid se pôs lentamente dentro do quarto, sentando na beirada da cama, como os olhos presos nos da menina.

- Não conseguiu comer? – desviou os olhos rapidamente para os alimentos que ainda repousavam sobre a pequena mesa ao lado da cama. Regina apenas balançou a cabeça negativamente como resposta, ao passo que a loira se aproximou um pouco mais dela. – Vejo que não conseguiu parar de chorar também não é? Seus olhinhos estão bem inchados. – a mais velha acariciou o rosto da criança a sua frente, trazendo instantaneamente lágrimas aos olhos da mesma, uma vez que, mesmo que tão recente, já sentia falta desse tipo de afago vido por parte das mães. – Você não precisa partir, sabe disso não sabe? Eu posso te ajudar a passar por esse trauma. Não precisa enfrentar toda a dor sozinha. 

- Eu não sei o que eu preciso fazer, Ingrid... A minha mente não para de pensar sobre isso um minuto, e eu só queria que a minha mãe estivesse aqui. – permitiu que seu rosto se afundasse em suas mãos, a medida que sentia as lágrimas grossas molharem suas palmas. – Eu não entendo... Por que a mamãe também não morava aqui? Por que não me pediu para que viesse pra cá se acontecesse alguma coisa? 

- Meu amor, as suas mães tinham uma forma diferente de ver o mundo do que nós daqui de Hidewitch. Elas não acreditavam na guerra, não acreditavam que as coisas deveriam ser resolvidas desse jeito. Eu tentei tanto convence-las a ficar, porque, é um jeito lindo de ver o mundo, mas foi exatamente o que causou as suas mortes. Provavelmente elas não queriam que você fizesse parte do movimento, não queriam que se envolvesse na revolta, mas você consegue perceber tudo o que esses humanos nojentos são capazes de fazer? Eles não tem alma, não tem escrúpulos. Tratam-nos como se não tivéssemos sentimentos, como se não fossemos dignas de nenhuma misericórdia.

- Mas por que? Por que eles nos odeiam desse jeito? 

- Sua mãe nunca lhe contou? – perguntou, e diante da resposta negativa da menina, passou a contar detalhadamente toda a historia que envolvia a guerra entre homens e bruxas. Regina pôde sentir um ódio acender em seu coração, a medida que percebia que suas mães não haviam sido as únicas, que os humanos já haviam aterrorizado e matado muitas delas. 

- Eles... eles são como monstros. – sussurrou.

- Sim, eles são... É por isso que você deve ficar. – Ingrid segurou as mãos da criança. – Você pode nos ajudar a derrota-los de uma vez por todas, pode vingar a morte de suas mães e ainda por cima, evitar que mais mortes aconteçam entre nós. – a mente da morena parecia raciocinar a mil por hora, enquanto tentava decidir qual seria a escolha certa. Podia ver, no brilho dos olhos de Ingrid, uma chance de uma vida diferente da miserável que provavelmente teria, se resolvesse partir, e acima de tudo, via uma chance de fazer aqueles que a fizeram sofrer tanto, pagarem por cada lagrima derramada. – Fique conosco, querida. Nós iremos treinar você para ser uma bruxa excelente, terá alimento e moradia pelo resto de sua vida e eu prometo, que pessoalmente, serei sempre responsável pelo seu bem-estar. Você já passou por muito, e por isso eu vou fazer tudo o que estiver dentro do possível para te proteger. Será como a filha que eu nunca tive... – Ingrid sentiu seus olhos arderem e lágrimas se formarem ali, enquanto Regina mantinha os olhos fixos na loira. – Me desculpe, eu não quero parecer insistente demais. – se afastou. – Não precisa decidir agora, mas tente pensar logo. Amanhã será a noite da ascensão, se tiver decidido ficar, como já tem mais de dez anos, poderá participar, para que assim possamos saber sua casa e seu poder, para te treinarmos melhor. Mas sem pressa, no seu tempo. – Ingrid deu um leve abraço na menina e caminhou até porta. – Não esqueça de se alimentar. – disse antes de sair do local, deixando a pequena bruxa sozinha e novamente perdida em mil pensamentos que pareciam gritar dentro de sua cabeça. 

☾☾☾☾☾

NOITE DA ASCENSÃO 

- Eu estou tão feliz que decidiu ficar. – Ingrid parecia sorrir de orelha a orelha enquanto arrumava a beca roxa que cobria o corpo de Regina, preparando-a para a cerimônia. 

- Eu também, Ingrid... acho que foi a escolha certa.

- Sem dúvida foi... Agora deixa eu te explicar algumas coisas sobre como funciona Hidewitch e como a cerimônia vai acontecer. – A loira sentou com a criança na cama dentro de sua barraca, enquanto a menina a olhava atentamente. – Você já sabe que nós somos agraciadas com um dos quatro poderes elementares certo? – Regina balançou a cabeça em afirmativo. – De acordo com as personalidades de vocês, serão escolhidas pelos deuses. Se você for escolhida por Yan, você terá o poder sobre o ar e pertencerá a casa Breezefair, que é marcada pelas cores branco e prata. Normalmente as pessoas dessa casa são as mais inteligentes, que tem a mente mais aberta pra novas ideias e aprendem as coisas com mais facilidade. As bruxas dessa casa sempre foram as escolhidas para montar os planos de ataque. Se for escolhida pela deusa Zoe, terá poderes sobre a terra e pertencerá a casa Goldrose, que é marcada pelas cores rosa e dourado. As bruxas dessa casa são as mais bondosas entre todas, e a maioria das que são escolhidas para serem mães vem dessa casa. Era a casa da sua mãe Cora, inclusive. – um sorriso melancólico surgiu no rosto de Regina ao imaginar que sua mãe, em algum momento de sua história, deveria ter vestido uma beca como a qual a que ela usava, e sentido o nervosismo de ter o futuro de seus poderes definidos. – Se for escolhida pelo deus Yron, terá o domínio sobre a água e pertencerá a casa Sliverwatter, que é marcada pela cor azul. As bruxas dessa casa normalmente são mais flexíveis e justas, sendo elas as escolhidas para julgar o certo ou o errado diante de um conflito. Se um acordo verbal com os humanos fosse possível, elas certamente estariam na linha de frente. E por ultimo, se for escolhida pela deusa Zamalaf, terá o poder sobre o fogo, e pertencerá a casa Fireheat, que é marcada pela cor vermelha. As bruxas dessa casa são conhecidas por serem destemidas e corajosas. Alguns dizem que nós, as escolhidas de Zamalaf, somos as de pior temperamento, mas eu discordo. – disse dando uma piscadela para a pequena. 

- E como eu vou saber se algum deles me escolheu? 

- Acontece sempre na última lua cheia do mês. Nós te levaremos para frente de um palanque, aonde estarão expostos os brasões de cada casa, e então, como eu sou a líder do conselho das bruxas, de cima do palanque falarei o seu nome todo, e logo em seguida, a lua vai apontar pra onde deve ir.

Ingrid seguiu explicando mais alguns quesitos para Regina, que assim se sentiu pronta, saiu de sua barraca e foi levada pela loira até o encontro de um grupo de meninas, todas usando a mesma beca que ela, esperando em fila indiana.

De onde ela estava conseguiu observar o palanque, exibindo grandiosas bandeiras com desenhos que entendeu ser os brasões das casas que Ingrid havia explicado. Pôde perceber que de cada lado do pequeno palco haviam sido montadas duas arquibancadas, sendo no total quatro delas. As bruxas se organizavam-se entre elas de acordo com seus poderes, usando assim as cores que os representavam. Do lado direito, as arquibancadas eram ocupadas por pessoas usando, na primeira rosa, e na segunda branco, ao passo que a esquerda, estavam as de vermelho e azul. 

Depois de um tempo, o nome de várias meninas começou a ser chamado, fazendo Regina sentir suas mãos suarem em nervosismo diante do momento que estava por vir. 

Mil coisas se passavam pela cabeça da morena, a duvida se havia tomado a decisão correta, a saudade de suas mães, a vontade de que elas estivessem lá para orienta-la e medo do rumo que sua vida tomaria a partir daquela decisão. Ela sabia que precisava se vingar, sabia que não poderia deixar que a morte de suas mães passasse em branco, e tal fato, dava-lhe um pouco mais de coragem para seguir em frente.

- Regina Severo Luna. – suas pernas pareciam não estar fortes o suficiente para mantê-la de pé, mas assim que ouviu o seu nome ser pronunciado em alto e bom tom por Ingrid, sabia que era capaz de fazer aquilo. 

Se aproximou lentamente do palanque, observando atenta a imagem dos quatro brasões a sua frente, ansiosa pela resposta da Lua. Qualquer que fosse, ela esperava que pudesse dar direcionamento a sua vida, pudesse guia-la, tornar o obscuro claro outra vez e quem sabe, fazê-la se sentir em casa. O tempo parecia ter parado no aguardo, ao passo que sentia que já estava ali de pé por horas, até que um pequeno raio de luz começou a apontar, enchendo o seu corpo com adrenalina.

Contudo, algo de estranho aconteceu. 

A luz da Lua parecia iluminar igualmente todos os quatro brasões, distribuindo uma igual atenção para todos eles. A criança, confusa diante da situação, buscou no rosto de Ingrid uma resposta, porém encontrou a mesma expressão de surpresa que depois de olhar ao redor, pode perceber que se estampava no rosto de todos ali presentes. “Céus, o que está acontecendo?”,a menina pensou em um momento de desespero.

- Meu Deus... então é real... é você... – Ingrid parecia ter dificuldade de formular frases completas.

- Nenhum deles me escolheu? Eu não tenho nenhum poder? – disse alto o suficiente para que a loira pudesse ouvir.

- Pelo contrário minha querida... Você tem todos eles.

☾☾☾☾☾

Regina tentava manter a respiração equilibrada e segurar as lágrimas dentro da sua pequena barraca. Logo depois do ocorrido na ascensão, Ingrid havia pedido para que ela voltasse para o quarto e esperasse a cerimonia acabar, para que depois as duas pudessem conversar a respeito do que tudo significava. Ao mesmo tempo que uma certa excitação corria pelas veias da criança, já que tinha criado expectativas em relação aos seus poderes, de certo modo se sentia desapontada. O que ela esperava ter sido um guia para sua nova vida, uma resposta para tantas perguntas, acabou por abrir ainda mais dúvidas. 

- Ei, como você está? Foi bem intenso lá fora hein? – Ingrid adentrou no quarto semi-iluminado pela luz de um pequeno abajur em forma de Lua.

- Nem me fale... Eu não estou entendo nada...

- Você lembra da lenda que eu lhe contei, sobre os humanos, as bruxas e então o aparecimento da Lua Negra? – a loira sentou na beirada da cama, ao lado da criança, que balançou a cabeça em afirmativo. – Zara havia feito um juramento de que nenhuma bruxa poderia nascer durante a noite de uma lua negra, e seguiu assim por anos. Porém havia uma profecia antiga, cujos versos não consigo me lembrar muito bem, que previa que uma bruxa nasceria em uma delas, e que a escolhida teria poderes absolutos, sendo como a imagem de Zara na Terra. Por muitos anos isso permaneceu apenas nas cantigas antigas, de modo que a maioria das bruxas já lidava com isso como um mito. Contudo, no noite em que sua mãe deixou o acampamento, uma grande e imponente Lua Negra brilhava no céu, o que gerou uma certa especulação a respeito de que o motivo pelo qual ela havia fugido, fora porque estava dando a luz a filha da Lua Negra. Os boatos enfraqueceram, e com o tempo, todos haviam esquecido dessa história até o dia de hoje, quando a luz mostrou para nós quem você realmente é.

Regina tentava digerir o que Ingrid lhe dizia, ao passo que não conseguia acreditar que justo ela, uma menina que havia crescido longe de qualquer magia, seria de fato a escolhida. 

- Isso é uma coisa boa, certo? – a morena perguntou, ainda com medo do que tudo aquilo representava.

- Boa? Querida, isso é a coisa mais maravilhosa que nos aconteceu em muito tempo. – ela sorria animada, o que gerou um certo conforto no coração da mais nova. – Com você conosco, teremos mais forças contra os humanos do que jamais tivemos. Poderíamos ir pra batalha assim que você estivesse treinada, mas não... não é assim que vamos fazer.

- E como vamos fazer? – Regina disse, interessando-se com a ideia. Era óbvio que, para ela, a ideia da guerra ainda era terrível, mas o que fizeram com suas mães fora algo mais terrível ainda, e não existia espaço em seu peito para misericórdia, não diante de toda dor. Se a lenda que Ingrid contou era de fato verdade, os humanos arrancavam as vidas de bruxas há anos sem sofrerem as consequências, e ela estava disposta a cobrar por cada uma delas. Ainda era nova, sabia das suas limitações e todo o seu coração ainda estava partido, mas naquele momento, ela se sentia mais forte do que nunca. – Eu estou com vocês, vou lutar da forma com que precisarem de mim.

- Eu já tinha pensado em um plano antes, mas eu precisava de alguém poderoso e com determinação o suficiente para que eu permitisse que se infiltrasse com os humanos durante tanto tempo sem se deixar envolver. Você acha que consegue Regina?

- Eu tenho certeza que sim. – disse de forma incisiva. 

- Então que comece uma nova era. 


Notas Finais


E ai? O que acharam?
De qual casa vocês gostariam de ser? Acho que a minha seria Goldrose kkkk
A partir do próximo as coisas vão fluir mais tranquilas, eu acho.
Espero que tenham gostado e estou sempre aberta a opiniões.


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