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História Black Swan - Capítulo 1


Escrita por: e _coldhead


Notas do Autor


Esta é uma collab.

:) bem vindos a uma estória fumada de animes, Séries e filmes :D sentem–se em suas poltronas e acomodem–se, leitores de primeira viagem!

Capítulo 1 - Vá, Azura;


Fanfic / Fanfiction Black Swan - Capítulo 1 - Vá, Azura;

 

━━━━━ • ❈ Azura. 

 

Com uma perna balançando para fora do galho do tronco onde eu estava sentava, observei a visão privilegiada que tinha da cabana onde eu morava com a minha tia, Chaerin, completamente afastadas da civilização da cidade de Türan. 

Elevei minha cabeça para fitar o céu azulado acima de mim, além das folhas verdes e galhos da árvore. O dia estava começando há poucas horas, mas o calor abafado já era repudiado pela minha pele aquecida. Quero dizer, dada às minhas condições, a temperatura natural da minha pele era naturalmente gélida, todavia o sol de Türan sempre era insuportável para o meu povo ㅡ aqueles cujo elemento era água. Além de desgastante, o ar e o preconceito dos cidadãos de Türan, eram simplesmente insuportáveis para pessoas como eu ㅡ descendentes. E era por isso que minha tia e eu, sem escolhas para uma vida calma, vivíamos afastadas das outras pessoas. 

━━ Azura?! ━━ o tom irritadiço despertou-me de meus pensamentos sobre paisagens mais agradáveis. Apoiei meu ante-braço em meu joelho, descendo o olhar para a mulher morena logo abaixo de mim. ━━ De novo nessa maldita árvore, garota?! Desce daí, agora! 

Reprimi um revirar de olhos, sabendo que minha tia Chaerin me recriminaria por fazê-lo; ela já me achava uma aberração por nascer uma divergente, quando toda nossa família era completamente normal. 

━━ Bom dia 'pra senhora também. ━━ murmurei baixinho, saltando com habilidade do tronco para pousar silenciosamente ao lado da mulher, no solo de barro. 

Mesmo habituada ao gênio sem paciência da mulher de quase quarenta anos, eu ainda não me acostumava com seus hábitos pela manhã. E isso significava, que eu só notara que ela havia estapeado meu rosto, quando metade da minha bochecha junto a minha orelha, estavam numa temperatura elevada ao resto do meu corpo, ardendo e formigando dolorosamente. 

Apertei as mãos contra minha orelha esquerda, arregalando os olhos para Chaerin. 

━━ Isso ━━ estreita os olhos ━━ é para te lembrar que você me deve respeito e que, acima de tudo, não deve me deixar preocupada logo pela manhã!

━━ Me desculpe, Chaerin. ━━ abaixo as mãos e a cabeça, tentando passar o arrependimento que eu não sentia verdadeiramente. Não, na verdade, eu estava estourando de desgosto por aquelas atitudes. Desgosto, nada mais. 

━━ Hm. ━━ a mulher que trajava os tons cinzentos da nação não-descendente (qual eu também era obrigada a usar), olhou em meus olhos com seriedade antes de virar as costas e começar a seguir a trilha de pedrinhas brancas, qual levava para nossa casa. ━━ Estamos sem lenha para a lareira. 

━━ O quê?! ━━ berrei involuntariamente, me encolhendo pela forma como fui encarada por ela. Apressei meus passos, seguindo-a logo atrás. ━━ Mas eu apanhei lenha anteontem, Chaerin! 

━━ Não coma duas vezes ao dia ━━ respondeu ela, usando aquele tom frio que cortava mais do quê minhas águas gélidas. ━━, e quem sabe assim teremos lenha de sobra ao final do terceiro dia. 

Murmuro um singelo pedido de desculpas, me envergonhando diante da minha tolice. 

Chaerin era irmã mais velha da minha falecida mãe, qual morreu tentando me manter segura em minha cidade natal. Chaerin era séria, raramente sorria ou demonstrava algo além de desgosto, tinha madeixas louras e olhos castanhos como lama molhada. Apesar das dúvidas quanto aos seus sentimentos por mim, dos momentos em que ela era insuportável e mandona, não era difícil estar perto dela. Ela era minha única família. 

━━ Eu devo ir atrás de outra remessa, então? ━━ questionei, coçando os pulsos de insegurança nítida. Chaerin olhou-me por cima do ombro, maneando a cabeça em confirmação. Suspirei, olhando para o chão abaixo das solas de minhas botas de couro. 

A cabana onde morávamos ocultava-se entre as árvores da floresta numa das extremidades afastadas da cidade, longe da civilização e dos portões, porém perto o suficiente para que pudéssemos ir até a feira e ao médico, quando era extremamente necessário. Normalmente, Chaerin quem ia até lá, visto que eu recentemente tinha despertado meus dons naturais, e Chaerin temia que eu nos expusesse ao público. Deste modo, eu apenas caçava, apanhava lenha, água e ajudava nos afazeres domésticos. 

━━ Você irá até o Doutor Min hoje? ━━ não aguentei a curiosidade, desviando de uma árvore de tronco levemente arroxeado para prosseguir atrás de Chaerin. Ela negou, balançando a cabeça. ━━ Entendi. 

━━ Ouvi dizerem na taberna que há um gigante nas montanhas de Tür. ━━ Chaerin comentou logo em seguida, arrepiando meus pelos ao ter a antecipação de sua ideia diante daquele serviço fofocado. ━━ Dizem que o feitor paga bem para quem lhe trouxer a cabeça do demônio. 

Engulo em seco sem conseguir dizer algo. Fitei a pele calejada de minhas mãos, relembrando de todos os animais que abati em meus quatorze anos. Não eram muitos, mas eu era boa. Porém tão boa ao ponto de matar um gigante? 

Essa raça era, como seu nome sugere, gigante se comparado ao ser humano, todavia sua dieta alimentar era completamente baseada em nós. Carne humana fresca, de preferência. Eles eram, em sua maioria, cegos, porém extremamente agressivos, rápidos e brutais. 

━━ O quê eu devo fazer? ━━ indaguei, aceitando o meu destino. Chaerin parou de caminhar e quase bati contra sua costa, fazendo careta para isso. A mulher de pele bronzeada inspira profundamente, e noto que havíamos ultrapassado a barreira mágica que circundava uma área de nosso território, servindo para mantê-lo protegido contra outros perigos. 

━━ Vá até Boram. ━━ diz ━━ Você deve partir ainda hoje, terá três dias de viagem se for pela estrada. Se tivermos sorte, chegará até lá inteira. 

━━ Sim, Chaerin. ━━ sussurrei num meio fio de voz. Se eu tiver sorte, vou voltar com alguns membros faltando, mas vou voltar viva. 

• ❈ • 

Boram era uma cidade pacata, até então, pequena se comparada ao restante em Türan. Era conhecida por ser uma das fornecedoras de algumas variedades de carne raras para o restante do reino; além de ser uma das poucas onde a floresta púrpura ainda mantinha gigantes existindo em si. 

Não era minha primeira vez viajando para outro lugar, mas era minha primeira vez indo para Boram, visando ganhar ouro sob a cabeça de um maldito gigante macho. 

━━ Vai levar isso? ━━ o tom desinteressado de Chaerin desperta minha atenção. Olho para trás de mim, sob o ombro, fitando a mulher erguer cuidadosamente minha adaga de ferro azulado no ar, pegando-a com panos para evitar queimar-se com a lâmina encantada. Era rara, leal e mágica, uma arma que ganhei de herança de meu pai, para qual eu tinha um exímio ciúmes e cuidado. 

Arrumo minha aljava atrás de mim, logo girando nos calcanhares para apanhar a adaga em minhas mãos. Chaerin me olha com curiosidade mal escondida, sempre muito surpresa pela adaga queimar qualquer um que não fosse eu; sua lealdade ia além do ceticismo de um não-descendente. 

Sorri para a cor azul-aroxeada, deslizando a mão para os escritos cravados em seu ferro. Ela brilhou, a cor esquentando por onde meus dedos passavam, e voltando ao tom frio quando meus dedos se afastavam. 

━━ É estranho. ━━ Chaerin torceu o nariz, dando-me as costas. ━━ Sugere sua raça. Principalmente esse triângulo invertido. Não deixe ninguém vê-lo, está entendendo? Ou irão desconfiar de você. 

━━ Sim, Chaerin. ━━ afirmei, embora quisesse retrucar que eu não era burra àquele ponto absurdo. Afastei o tecido grosso de meu manto negro, escondendo a adaga em minha coxa, num lugar onde eu facilmente poderia pegar. 

Com meus dedos gélidos e pálidos, arrumei minhas madeixas castanho-avermelhadas num penteado organizado, de modo a previnir que o inimigo (qualquer um) pudesse puxá-lo num ataque covarde. Chaerin se aproximou silenciosamente de mim, enfiando um delicado broxe de Adalha por entre as voltas do meu penteado, certificando-se de que estava seguro e firme. Suas mãos, longas, bronzeadas e firmes, descem até meus ombros, espalhando uma sensação rara e agradável por minha pele. Mantive-me imóvel, olhando a lareira em minha frente, qual crepitava e iluminava a quase escuridão do ambiente. 

━━ Volte viva. ━━ ela ordenou, firme e séria. E embora não fosse o quê eu desejava, eu sabia que aquilo significava um fique bem

━━ Eu vou. ━━ olhei em seus olhos, erguendo meu queixo. Chaerin agarrou minhas mãos, e selei seu dorso em sinal de respeito e submissão. Por alguns rápidos segundos, achei ter visto ela lacrimejar, mas não tive certeza, pois ela se afastou de mim com rapidez. 

━━ Vá logo, garota. ━━ sua voz grunhiu ━━ Aquele demônio não se decapitará sozinho. 

Sem dizer mais nada, puxei o capus do manto e passei pela mulher mais velha, contendo minha vontade de, ao menos, dar-lhe um abraço antes de vagar para a minha morte certa. 

• ❈ •  

Eu não possuía um cavalo, estava completamente sozinha enquanto seguia por um atalho na floresta, tendo o cuidado de escolher dar a volta, para pegar os portões clandestinos que levavam para dentro da cidade de Türan. 

Os raios solares não adentravam à floresta, e isso, ao mesmo tempo, era uma benção e uma maldição. Eu conseguia ouvir a natureza ao meu redor, com mais calma e concentração, e isso era sublime. Talvez fosse por eu, ali, não precisar esconder quem eu realmente era. 

Vagar por entre a floresta, era um hábito de pessoas suicidas, visto que era um lugar dotado de uma variedade de animais carnívoros e perigosos. Entretanto, caminhar pela cidade era ainda mais perigoso, porquê haviam outros como eu por lá. E infelizmente, muitos colocavam a cabeça uns dos outros à prêmio, por dinheiro e comida. 

Levava comigo meu arco e flecha, minha adaga e Tenebris, minha espada. Chaerin sempre reclamava sobre minha mania de dar nome a objetos, e eu sempre sorria para si, não realmente tentando fazê–la entender os costumes do meu povo e o quão importante aquilo era para mim. Minha bolsa de comida fôra preenchida com uma grande variedade de frutas, pois minha tia tinha o pensamento de que eu deveria manter uma alimentação saudável e, se eu realmente quisesse, poderia caçar minha própria carne. O problema, e ela sabia disso, era que eu não tinha paciência com isso. Eu era uma grande bagunça de emoções.

Estava quase anoitecendo quando meus olhos flagraram o pequeno portão de entrada, visível entre todo o muro de Türan, que circundava a cidade, separando–a da floresta. Perguntei a mim mesma se valeria a pena passar uma noite sob as estrelas, ou eu deveria ir reivindicar a missão para mim, afim de que não fosse roubada por outro.

Cruzei os braços, indecisa. Acima dos muros, sob torres de vigilâncias, homens do rei estavam próximos de trocar seu turno para a primeira hora da madrugada. Eu tinha apenas uma chance, se não quisesse esperar outras horas para conseguir passar sem levar uma flecha no olho. Abaixei–me por entre os arbustos úmidos e o tronco de uma árvore comum, observando os movimentos dos homens distraídos.

A lua e todas as estrelas estavam ilumindo o céu naquele segundo, e tive a impressão de que, embora tarde, toda a cidade estava cantando e festejando juntos. Mas eu tinha a certeza de que não era uma data comemorativa, nem uma festa nobre dada pelo Rei Jeon, qual tinha esse hábito de gastar ouro com banquetes luxuosos. Bem, ele não parecia ter com o quê se preocupar, já que não era o povo dele quem morria aos montes, todos os dias. Na verdade, era o meu povo quem lhe bancava.

Trinquei o maxilar, focando meus pensamentos nos homens logo mais a minha frente. A porta clandestina era mágica, servia como um escape para os divergentes de Türan, mas poucos deles conseguiam encontrá–la ou ter a chance de se aproximar de si.

Esperei, flexionando minhas pernas enquanto me preparava para avançar. Os cinco homens se reuniram, rindo como bêbados, e saíram por outro lado, desatentos enquanto um próximo grupo se aproximava para usurpar seus lugares. Não esperei para vê–los e avancei com o máximo de silêncio que possuía, usando o poder em meu corpo para deixar–me mais leve que o comum.

Os metros que separava a beira da floresta com o muro, foram percorridos com rapidez e suavidade, e quase chorei de alívio ao notar que não havia uma flecha cravada em nem um membro do meu corpo. Entretanto, puxei o capus para cobrir melhor minha face, e entrei no tunel escuro que abrigava a porta. Cravada estrategicamente na madeira grossa, estavam alguns símbolos de cada Nação, e tendo consciência exata do quê fazer, pressionei minha palma direta contra o delicado triângulo de ponta cabeça. Foi exatamente como tirar sangue, entretanto ao invés de meu sangue, sairá de mim uma pequena parcela de água, que preencheu o espaço no símbolo e girou todos os outros.

Maravilhei–me com a experiência em silêncio, observando minha palma já cicatrizada pelo pequeno corte feito. A porta brilhou e se abriu para mim, mostrando um cenário completamente diferente do quê eu achei que iria encontrar. Na verdade, a porta dava passagem para outro lugar, afim de nunca entregar sua localização facilmente. 

Passei por ela, de cabeça erguida e atenta a qualquer movimentação muito próxima. Embora feita para escapes de divergentes, a porta também era usada por não–descendentes, principalmente como entradas estratégicas de pessoas importantes para o Reino, e eu esperava, honestamente, que os tons acinzentados da minha roupa tirassem todos os olhos desconfiados de mim.

Türan era uma cidade vasta, grande e com um ar extremamente seco; os boatos era de que nunca chovia ali, e isso, embora horrível para mim, não parecia surtir efeito na população. Meus lábios estavam secos, minha garganta arranhava e o ar sufocava. Mesmo assim, prossegui o meu caminho, internamente maravilhada pela paisagem diferenciada.

As ruas de paralelepípedo subiam para fileiras de casas de dois andares, com pouco espaço entre si. Luzes douradas estavam ostentadas por todos os lados das casas, assim como feiras estavam a todo vapor. As ruas, mais para cima, pareciam lotadas. Segurei e reprimi um xingamento malcriado, sabendo que tinha mais chances de ser roubada se passasse por toda aquela gente. Mas não via outra opção. Trouxe meus pertences para mais próximo de mim, respirei fundo e comecei a caminhar, ainda maravilhada de mais pela variedade de coisas que Chaerin nunca fizera questão de contar sobre para mim.

A primeira barraca era pequena; caixas médias ostentavam bijuterias variadas, em sua maioria para mulheres. E a vendedora, uma senhora baixa, de pele bronzeada e olhos negros, quase deixou cair os dentes quando me notou apromixar de si, e prontamente passou a sinalizar os preços, na opinião dela, baratos.

Mas eu estava indo caçar um demônio apenas para pôr as mãos na recompensa, como diabos iria pagar por bijuterias? Chaerin me mataria se descobrisse que eu perdera o pouco de dinheiro que levava comigo. 

Sendo assim, me afastei rapidamente da barraca e ignorei todas as outras, mesmo que acabasse prestando atenção demais em uma ou outra. Haviam muitas variedades ali, algumas eram farsas descaradas e outras vindas do exterior. Artigos baratos e artigos de luxo. As pessoas transitavam entre si sem nenhum problema, sérias e objetivas quanto a mercadoria. Suspirei, apressando o passo. 

━━ Ei, ei, ei ━━ virei–me abrupta, focando meus olhos numa figura magricela de vestes cinzentas, o homem de penteado tigela sorria amplamente para mim. ━━ Olá, eu sou o Tyrone! Tenho um excelente desconto para a senhorita esta noite! 

Olhei–o de cima a baixo, desconfiada perante seu sorriso claramente forçado. ━━ Não estou interessada, obrigada.

O homem magricela se aproxima de mim, colocando uma mão sob o meu ombro coberto pelo manto. Forço–me a não perder o controle de mim mesma, afim de não afogá–lo por sua audácia. As pessoas de Türan não tinham percepção de espaço pessoal. 

━━ Oh, vamos lá mocinha! ━━ ele sorri perto de meu rosto, trazendo um mal hálito horrível para mim. ━━ Eu tenho certeza de que a senhorita iria adorar ter uma cama confortável para passar a noite! As noites em Türan são frias, nunca te disseram?! São sim! Horríveis! Você precisa de um lugar para ficar aquecida, ou sucumbirá ao frio da morte!

Ele não parou de falar. Estapeei sua mão de meu ombro, irritada com sua capacidade de ser inconveniente. Quem ele acha que eu era, para tentar me enganar desse modo?

━━ Não estou interessada. ━━ repeti a frase, usufruindo de um olhar frio e tom firme, qual fazem o indivíduo erguer as mãos e se afastar. Ele me xinga de grossa e me dá as costas, parando outra mulher na rua, qual sorriu dócil para ele. Tive pena dela, mas não fiz nada a respeito. Em vez disso, segui o meu caminho, me afastando da feira e sendo engolida pela penumbra das ruas. 

• ❈  • 

Não foi difícil encontrar uma taberna aberta, mesmo naquele horário. Ficava numa esquina, e a luz que vinha dela iluminava há distância, assim como a música animada e bêbada que soava de lá, era facilmente escutada por qualquer um. Quando me aproximei da entrada, desviei por reflexo de um copo de cerveja, que voara cegamente em minha direção. Expirei, desejando encontrar logo o responsável pela missão. 

Chaerin disse algo sobre ele viver em tabernas de Türan, então aquele era o primeiro lugar em que eu deveria ir procurar por ele. Mas como identificar um velho bêbado, no meio de outros velhos bêbados? 

Quando entrei, a luz foi irritável e ofuscante. A música animada era tocada por um garoto da minha idade, num instrumento que eu desconhecia, e parecia contar a história de uma lenda antiga do mundo, sobre o nascer dos Cinco Grandes. Pelo que eu soubera, falar sobre os Cinco Grandes era um dos piores tabus no reino, então me compadeci do rapaz assim que seus olhos castanhos se focaram nos meus, e ele exibiu um sorriso tímido.

Não sorri de volta, seguindo lentamente até uma mesa de madeira vazia, um tanto afastada das demais. Os homens cantavam em tons desafinados, balançando seus copos de cerveja no ar e, alguns, dançavam desajeitadamente com mulheres pagas. A maioria deles parecia ter mais de quarenta anos, cabelos entre louro e cobre, pele bronzeada e tronco musculoso. Davam duas de mim em altura. Inspirei, tentando me recobrar de que estava perdendo tempo. 

━━ Você tem idade para estar aqui? ━━ em tom enjoado, uma garota um pouco mais velha que eu, despertou minha atenção para si. Seus fios ruivos tocavam o decote sutil da vestimenta simples que trajava. E seus olhos, opacos e febris, ao mesmo tempo, mataram–me em silêncio. Ela parecia queimar, ou exalar uma áurea de chamas pura. 

━━ Isso não é da sua conta. ━━ tento não mostrar o quão impressionada estava com sua beleza natural, e fecho minha expressão. ━━ E eu também só estou procurando um homem. 

━━ Você não é daqui. ━━ ela diz em tom baixo, os olhos desconfiados fixos nos meus. Sua áurea quente, de repente, fica ainda mais sufocante, e me indaguei como eu conseguia sentir suas ondulações emocionais. ━━ Você tem uma áurea gélida, um sotaque muito diferente. Quem é você? 

━━ Isso não–

━━ Escuta aqui, estrangeira ━━ ela cuspiu a palavra, a mão batendo contra a madeira da mesa, e o rosto se aproximando perigosamente do meu. ━━ Eu não sei quem você é, mas acho bom que você saiba bem onde e com quem está conversando. 

━━ Rosé! ━━ uma voz masculina berrou, fazendo a garota ruiva torcer o nariz e se afastar de mim. ━━ Isso são modos de tratar uma cliente?! 

Um homem de roupas brancas surgiu atrás da ruiva, que não esboçou reação nem uma diante de sua bronca. O homem era tão bonito quanto a garota, e tão alto quanto nós duas. Seus olhos eram grandes e gentis, diferente do que eu esperava receber de um não–descendente. Ah, pensei ao me recordar, ele não sabia que eu era uma divergente. Ele sorriria para mim daquela maneira, se soubesse quem eu era?

━━ Por favor, me perdoe pelas atitudes grosseiras da minha sobrinha. ━━ ele olhou feio para a ruiva. ━━ Espero que eu possa me redimir por ela. Em que posso ajudá–la, senhorita... ?

━━ Estou procurando um homem. ━━ não lhe disse meu nome, e ele notou, franzindo o cenho para mim. ━━ O nome dele é Joshua. Joshua Hong. Você sabe me dizer onde posso encontrá–lo? 

O homem troca um olhar estranho com sua sobrinha, e ela se afasta, revirando os olhos. ━━ Sim, mas... Eu diria que ele não é bem um...

Antes que ele completasse, o rapaz que outrora tocava no palco mal elaborado, surgiu logo atrás dele, sorrindo sutil. Ele não era tão alto quanto o homem, mas era, sim, alto. ​━━ Senhor, Seokjin. Mandou me chamar?

Me ergui da cadeira dura, olhando para eles com a testa franzida. 

━━ Deve estar havendo algum engano. Eu procuro por um homem mais velho, que frequenta tabernas e possui um serviço de recompensa em Boram. ━━ anunciei. 

━━ Esse ━━ Rosé cruzou os braços ━━ é o seu Joshua. 

━━ Sim, ━━ o rapaz sorriu e estendeu uma mão para mim. ━━ de fato tenho um serviço em Boram. Mas você não é muito nova para caçar um gigante? 

Segurando sua mão, fiz questão de apertar firmemente, satisfeita com a surpresa em sua face. Aposto que ele esperava um aperto gentil e fraco. 

━━ Idade, tamanho e sexo não define absolutamente nada sobre uma pessoa, senhor Hong. ━━ falei séria ━━ Saiba disso. 

━━ Sabia que você era diferente ━━ Rosé diz ━━ Você é uma dessas malucas que rodam o mundo caçando para sobreviver. 

━━ Se a liberdade é uma loucura, então eu sou insana. ━━ murmurei. Me viro novamente para Joshua. ━━ Fale–me sobre o serviço, se é que está de pé. 

Ele assentiu, e puxou uma cadeira vaga em minha mesa. Me sentei enquanto observava, em silêncio, Rosé e o tal Seokjin saírem de perto.


Notas Finais


Adalha é uma flor muito bonita; era a favorita da mãe de Azura. A de Azura é mesclada em tons de vermelho e branco.


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