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História Blackout - Capítulo 5


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Notas do Autor


Oi gente! Desculpem a demora!
Espero que estejam bem e que curtam o capítulo!

Boa leitura!

Capítulo 5 - Thursday


Quinta-feira: Um dia antes do Blackout. 

Alex não sabia muito bem o que vestir para a reunião e seu nervosismo não a estava ajudando a pensar com clareza. Depois de tirar milhares de peças de seu guarda-roupas, se resolveu por um vestido preto justo. Não tinha erro: básico e elegante. Já eram quase sete da noite, Tasha havia passado o endereço da casa do Sr. Larry, como ele havia pedido, e Alex notou que não era muito longe dali. Por volta de sete e meia ela já estava pronta. Se olhou no espelho a fim de conferir seu visual e sorriu nervosamente para seu reflexo. Seria pedir demais que Piper Chapman não estivesse lá? Ah, com certeza! Aquilo era impossível. Ao observar a maquiagem suave e perfeita em seu rosto, teve que admitir para si mesma que esperava encontrá-la. Até ansiava encontrá-la. 

“Merda...” - Ela resmungou, pegando sua pequena bolsa que continha apenas um pen-drive com seus projetos mais recentes e suas chaves. Tentou distrair sua mente durante o curto trajeto ouvindo um de seus álbuns favoritos do Queen e quando se deu conta, estava com o carro parado em frente ao prédio. Suspirou e recostou a cabeça no banco. Estava nervosa. Ainda faltavam dez minutos e ela resolveu esperar ali, controlando sua respiração a fim de se acalmar e ouvindo as batidas de Bohemian Rhapsody. Lembrou-se então de Sylvia. Havia a conhecido em uma noite como aquela... uma noite agradável de sexta. Ela estava saindo de uma exaustiva semana de provas na faculdade, de forma que decidira conferir um tributo a banda Queen que aconteceria em um bar das redondezas, bastante conhecido e frequentado pelos estudantes. Sylvia cursava medicina e ela havia se encantado com a pequena mulher à primeira vista. Sua delicadeza e a forma como andava chamara sua atenção, e quando viu seu sorriso quando a abordou, ela soube que seus dias de conquista haviam acabado: soube que iria querê-la pelo resto de sua vida. Infelizmente, ela pensou enquanto desligava o rádio com certa raiva e saia do carro, as coisas não tinham saído conforme o planejado e ela sentia vontade de chorar sempre que se lembrava da decepção que fora vê-la com outro na casa que era delas. Jurara jamais se permitir sentir aquela dor novamente e agora, quase dois anos após o divórcio, continuava com o pensamento firme de que não se casaria novamente. Viveria sua vida e não se apegaria a ninguém. E isso voltava a Piper. Até a segunda-feira, Alex vinha vivendo uma vida de muitos romances de uma só noite, mas a atração que sentira pela mulher era diferente. Desde o dia na cafeteria, quando a loira sorriu para ela, soube que havia algo errado. Tirando aqueles pensamentos da cabeça, se dirigiu para a portaria do prédio, deu seu nome e sorriu de volta para o simpático porteiro que já esperava sua chegada. Enquanto subia até a cobertura do Sr. Bloom, observava as luzes da cidade do elevador com vista panorâmica. Aos poucos, o nervosismo foi dando lugar a segurança que sempre tinha quando se tratava de sua vida profissional. Sabia o que tinha ido fazer ali e apresentar seus projetos era sua especialidade. Ela sabia vender seu trabalho como ninguém e seu chefe sabia muito bem disso. 

Quando chegou a cobertura, se surpreendeu ao ser recebida por Larry em pessoa. De alguma forma, esperava que algum empregado a recebesse.  

“Srta. Alex...” - Ele caminhou até ela com um enorme sorriso. Vestia um terno preto e tinha duas taças na mão. - “Sempre pontual.” - Estendeu uma a ela, que a aceitou de bom grado. 

“Eu tento.” - Ela sorriu, tentando absorver de uma só vez a elegância do local. Estavam na área externa do sofisticado apartamento e a sacada de vidro a fazia sentir um pouco nauseada. Nunca fora uma fã de altura. Larry a direcionou pela iluminada varanda até a porta de sua sala de estar, onde dois homens e uma mulher conversavam em tom cordial. Os investidores, Alex imaginou. 

“Tenho certeza de que dá conta do recado.” - Larry sussurrou quando os dois chegaram à sala. - “Está pronta?” 

Ela assentiu.  

“Muito bem.” - Ele disse em voz alta, chamando a atenção dos três que logo voltaram o olhar para Alex. - “Essa é a Srta. Alex Vause, nossa melhor designer.” - Alex sentiu seu rosto corar com aquela apresentação. - “Vou dar a palavra a ela, por favor, fiquem à vontade.” - Ele se sentou no sofá, indicando que os outros fizessem o mesmo.” 

Nesse momento, Piper adentrou a sala. Teve que conter o sorriso ao perceber o quanto Alex havia ficado desconcertada e de certa forma, se sentiu mal por tê-la atrapalhado. Mas sua reação não demorou mais que dois segundos. Alex logo se recompôs e, apresentando o trabalho da editora (que Piper sabia, em grande parte se dava a suas maravilhosas ilustrações), fazia brilhar os olhos dos investidores. Ela por si só estava um espetáculo. Piper não se sentou. Ficou de pé na penumbra, um pouco mais retirada, observando as reações de Larry. Ele estava orgulhoso e não sem razão. Alex brilhava, e quando terminou sua apresentação, recebeu aplausos. Piper sorriu quando o olhar dela encontrou o seu, tentando transmitir o quanto ela havia ido bem. Sentiu um friozinho na barriga quando Alex sorriu de volta, corando levemente. Aquilo fora inesperado. A loira logo se endireitou, caminhando até o bar e se servindo de mais uma dose de vinho branco. Respirou fundo. Esperava não pisar na bola naquela noite.  

 

Depois de receber elogios dos investidores, Alex se retirou para a varanda, deixando-os a sós, como Larry pedira. Sentada em um dos sofazinhos, observou as estrelas. Seu coração batia tão forte que ela podia jurar que se alguém estivesse ao seu lado naquele momento, seria capaz de ouvir. Sabia que tinha ido bem na apresentação e não era isso que a estava deixando nervosa, mas a mulher. Olhou brevemente para trás, onde a loira agora conversava com o grupo. Sua expressão era séria e transparecia a mulher de negócios que ela era, o que de certa forma atraía Alex embora seu cargo não a impressionasse. Era algo na forma como se portava, a segurança com que falava com os outros que a ouviam atentamente. Ela estava linda, em um vestido vermelho que contrastava com sua pele branca e seus cabelos loiros. Alex se obrigou a voltar o olhar para frente, e observando novamente a sacada de vidro, se levantou e se aproximou um pouco mais, recostando com cuidado excessivo os cotovelos sobre o parapeito. O terror ameaçou invadi-la, mas ela se controlou, respirando fundo, e logo só o que tinha em sua mente era a maravilhosa vista do mar, que mesmo a noite se fazia notar. Não sabe quanto tempo ficou ali, observando as ondas quebrarem ao longe, mas em algum momento, sentiu que alguém se apoiava no parapeito ao seu lado. 

“Parabéns, você conseguiu.” - Piper disse, recostando um dos cotovelos no parapeito e entregando uma taça a ela. Alex pensou duas vezes antes de pegar, mas não aceitar seria rude, então estendeu sua mão para ela. 

“Bom para a senhora, imagino.” - Ela disse, séria. Não queria dar confiança para a mulher. 

Piper riu, dando um gole em sua bebida. 

“Você é sempre assim?” - Ela perguntou, mais solta do que de costume. - “Durona?” 

Alex quase riu. Quase. Mas então, manteve a seriedade e deu de ombros. 

“Eu diria profissional.” 

“Hum.” - Piper murmurou. Alex podia sentir seu olhar sobre ela e aquilo a estava matando. Ela estava linda e... perto demais. - “Vause...” - Ela começou. - “Olhe para mim.” 

Alex relutou por um instante, mas algo a fez virar-se de frente para ela. Talvez a bebida a estivesse deixando mais relaxada, ela não sabia. A olhou nos olhos e nada disse. Eles eram ainda mais azuis tão de perto e de alguma forma ela parecia mais delicada ali, não a mulher de negócios que estava a pouco discutindo com os novos investidores. 

“Por que não aceita o meu convite?” - Piper perguntou, sem desviar o olhar. Alex olhou para a sala, viu Larry conversando animadamente com seus agora parceiros e voltou o olhar para ela. 

“Não suporto traição.” - Ela disse de uma vez, dando um gole em sua bebida. - “Por um acaso já foi traída, Sra. Chapman?” 

Piper ficou em silêncio por um tempo, olhou para Larry, depois para Alex. 

“Não que eu saiba.” - Ela disse. 

“Eu não desejaria isso a ninguém.” - Alex disse com sinceridade, voltando o olhar para o mar novamente. - “Não me envolvo com mulheres casadas.” 

Piper ficou em silêncio e Alex já estava começando a achar que o assunto estava dado por encerrado quando ouviu sua voz doce. 

“Vause...” - Ela disse em uma voz baixa, muito diferente do que a que costumava usar no seu dia a dia na empresa. - “Um jantar, e só.” - Ela continuou e Alex podia sentir o olhar sobre ela, o ressoar das palavras bem próximas ao seu ouvido. Teve que se conter para não fechar os olhos. - “Vamos jantar, conversar.... e se disser que não.” - Ela suspirou. - “Juro que te deixo em paz.” 

Alex respirou fundo. Tudo que seu corpo pedia era que aceitasse, que se rendesse ao convite daquela mulher que a fazia passar suas noites em claro. Mas não o faria. O Sr. Larry (na verdade, ninguém) não merecia aquilo. 

“Por favor, não insista...” - Ela disse, com certa raiva. Sentia raiva da mulher por insistir no convite, e raiva de si por cogitar aceitar.  

“Pense na minha proposta.” - A loira disse. - “Só um jantar, Alex.” - E então a deixou ali, sozinha. 

Alex sentiu seu coração acelerar. Era a primeira vez que a ouvira pronunciar seu primeiro nome (a não ser em seus sonhos) e ela queria se esganar pelo quanto havia gostado da sensação. Fechou os olhos. Estava perdida. 

 

Já em casa, tirou seu vestido e se jogou de calcinha e sutiã em sua cama, enrolando os cabelos em um coque. Pegou o celular e rolou até o contato de Nicole. Precisava falar com alguém sobre o assunto e apesar de saber que a amiga tinha a boca maior que o próprio corpo, não pode se conter. 

“Alex?” - A amiga atendeu ao segundo toque.  

“Nicky...” - Ela suspirou. 

“Que voz é essa? Como foi a reunião?” 

“Conseguimos.” 

“Porra! Eu sabia! Você arrasa! Parabéns grandona!” 

Alex riu com aquele apelido. Fazia tempo que Nicky não se referia a ela daquela forma, desde a época da faculdade. 

“Você devia estar feliz.... O que houve?” 

Ela respirou fundo. 

“Nicole, preciso te contar uma coisa.” 

“Ai porra, o que foi? Não me diga que está grávida...” 

Alex gargalhou. 

“Vai se foder!” - Ela ouviu o riso da amiga. - “É a Sra. Chapman...” 

“O que tem ela?” 

“Ela me chamou para sair.” 

Nicky ficou em silêncio por alguns segundos. 

“Nicky, está aí?” 

Nicole por fim respondeu, a voz incrédula. 

“Nem fodendo.” 

“Pois é...” - Alex brincou com a fronha de seu travesseiro. 

“E você aceitou?”  

“Acha que sou louca? É claro que não!” 

“Mas cogitou?” 

Ela suspirou. 

“Eu estaria mentindo se dissesse que não.” 

“Al... isso é furada...” 

“Eu sei, só precisava colocar pra fora.” 

Nicky ficou em silêncio e Alex podia vê-la assentindo, da forma como fazia quando estavam conversando sério sobre algo. 

“Tem pensado nela?” - Ela perguntou depois de algum tempo. 

“Um pouco, talvez?” 

“Um pouco quanto?” 

Alex fitou o teto. Estava arrependida de ter começado aquela conversa. 

“Deixe isso para lá, Nicole.” - Ela ignorou quando a outra insistiu. - “Vamos sair amanhã? Preciso me distrair.” 

“É claro! Finalmente amanhã é sexta-feira, mas Al....” 

“Não, Nicky.” 

Ela ouviu a outra suspirar e sorriu. Sabia que ela estava revirando os olhos. 

“Está bem Vause...” - Nicky murmurou. - “Boa noite, então.” 

“Até amanhã, Nichols.” 

E então desligou o telefone. Continuou fitando o teto. Pensou no livro que tinha concluído no dia anterior, esquecera completamente de mencionar o fato ao Sr. Larry. Gostaria de ter um final daqueles. Um final feliz. Mas tinha sido traída e agora estava louca por uma mulher casada. Nada daquilo podia estar mais distante do que um dia sonhara para si. 

 

Em sua cama, Piper pensava... e pensava. Havia conseguido não fazer merda, o que era ótimo. Mas a morena era difícil e ela sabia que estava dando murros em ponta de faca. Não podia se sentir mais frustrada. Suspirou. Lembrou-se dos seus cabelos negros voando contra o vento que soprava lá fora, tão perto dela, mas ao mesmo tempo tão longe. Reconhecia agora que jamais desejara alguém como desejava Alex Vause e ao mesmo tempo sabia que era improvável que conseguisse convencê-la. Mas que improvável: era impossível. 


Notas Finais


É isso! Não devo demorar com o próximo já que estamos quarentenados! rs
Se possível, comentem o que estão achando.

Beijo!


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