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História Blinding lights - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Uma dica: os lugares que eu mencionei no capítulo são reais, então se vocês quiserem dar uma pesquisada para terem noção visual, fiquem a vontade.

Capítulo 4 - Maybe u can show how to love


Deslizei o dedo pela tela do celular e junto as fotos que tirei naquela noite se moviam, de vez em quando vinham alguns vídeos. Karin estava radiante e seu sorriso demonstrava a mais pura felicidade, e tenho certeza de que se tivessem tirado também de mim, estaria na mesma situação.

As próximas fotos que vieram foram nossas na pizzaria. Kurosaki, como sempre, superou todas as minhas expectativas. Por alguma razão – realmente não sei o porquê – achei que devido ao nosso beijo ela agiria tímida e contida para comer as pizzas, iria tentar parecer fofa. Ledo engano. Ao final daquela noite a morena foi quem ganhou o prêmio de quem comeu o maior número de fatias. E diferente de muitos caras que desprezam esse tio de atitude das meninas, aquilo só me fez gostar mais dela.

Duas semanas após aquele teste físico, Karin entrou de férias, assim como todos da academia. Ela ficou em casa por um mês e meio e aquele tempo foi um dos melhores da minha vida. Estávamos em uma espécie de namoro sem cobranças, mas nunca houve pedido, na verdade ela não parecia se importar e eu também não. Eram apenas uns beijos aqui, outros lá, raramente uma mão mais boba.

Nossa rotina consistia em encontros quase diários, sobretudo a noite – horário que eu não estava trabalhando e de dia ela geralmente treinava -, e muitas vezes íamos para aquele mesmo campo de futebol quando tinha jogo para podermos participar. Descobri que ela era excepcional no esporte, o que não era tanta surpresa assim, visto que várias de nossas conversas eram sobre ele. Após as partidas, enrolávamos um pouco – se é que me entendem – antes de leva-la para casa.

Meu estômago protestou por estar tomando algo tão ácido com ele vazio, mas eu não queria pedir algo para comer daquela lanchonete. Se o café já era duvidoso, imagino a comida. Já não me basta todos os sentimentos ruins que rondavam naquela noite, uma intoxicação alimentar era demais.

Desviei os olhos do celular para o balcão e espiei a garçonete, ela continuava a atender os homens presentes ali, mas de vez em quando me dava uns olhares furtivos. Pelo visto ela nunca desistia, parecia estar no cio e, agora reparando bem, vi uma marca de sol em seu dedo anelar esquerdo. Ela era casada e era mais velha que eu. Nem se eu tivesse mais idade faria alguma coisa.

Isso me lembrava que daqui a uma semana era meu aniversário e, ao que tudo indica, eu passaria de um modo bem diferente do ano passado.

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- Toush, quando é o seu aniversário? – Ouvi sua voz e senti seu corpo se mexendo contra o meu, mas continuei de olhos fechados.

- 20 de dezembro. – Respondi de maneira preguiçosa.

- Mas é daqui a três dias! – Ela exclamou alto, parecendo chocada.

- E daí?

- E daí que daqui a três dias você vai fazer 24 anos. – Pelo seu tom de voz, ela parecia estar falando de algo óbvio, e realmente era. – Nós temos que comemorar.

- Eu não ligo para aniversários.

Finalmente abri meus olhos e a primeira coisa que vi foi seu rosto emburrado próximo ao meu. Estávamos nós dois deitados por cima do que parecia ser um lençol de piquenique, que Kurosaki havia trazido, e nos encontrávamos em uma área verde naquele parque do campo de futebol. Hoje não teria jogo por causa do frio, a previsão anunciava neve para os próximos dias, então decidimos simplesmente relaxar ali. Era meio dia e pouco, meu horário de almoço, e eu aproveitava o tempo com ela, nesse dia ensolarado, mas frio.

Eu estava deitado de costas, com os dois braços embaixo de minha cabeça como apoio. Karin estava ao meu lado, também deitada, mas agora ela se encontrava de barriga para baixo e apoiava seu tronco em seus cotovelos – o direito já estava quase todo curado – para poder olhar para o meu rosto.

- Mas eu ligo, você goste ou não. – Disse incisiva, olhando-me nos olhos.

- Não quero festa, ou alguma merda assim, Karin. – Agora era eu quem estava mal humorado.

- Não precisa ser uma festa, mas pelo menos poderíamos fazer algo diferente. – Sugeriu. – O que você quer, Toush?

- Passar mais tempo com você. – Respondi a primeira coisa que me veio à cabeça.

Ela pareceu chocada com o que falei, mas logo se recuperou. Sorriu brilhante para mim e não me segurei ao levantar o rosto e lhe roubar um singelo selinho. Apesar da vontade de estender o contato, sabia que estávamos em um ambiente público e cheio nesse horário.

- Se a gente puder simplesmente passar o dia juntos, já estaria ótimo. – Voltei à minha posição original, fechando os olhos novamente, e me deleitei com a última visão que tive: Karin atônita, com as bochechas levemente vermelhas.

- Eu vou planejar o melhor aniversário de todos, então fique livre nesse dia. – Sua voz parecia determinada, e eu acabei por sorrir com isso.

 

...

 

Acabei por conversar com o meu chefe naquela mesma tarde e pedi para que transferisse o pequeno período de folga que teria entre o Natal e ano novo para antes, começando dia 20 – uma segunda feira – e fosse até o dia 27. Ele aceitou depois de bastante negociação. Então naquela semana estava livre para Karin na hora que ela quisesse.

Eu ainda pensava o que queria fazer em meu aniversário, mas particularmente não havia nada de especial, a não ser por uma coisa. Duvidava que ela aceitaria, pois envolveria um pouco do financeiro, mas mesmo assim decidi propor. Estávamos naquela mesma noite conversando sobre o que iriamos fazer pelo celular. Karin parecia muito animada. Decidimos não nos encontrar pessoalmente, visto que estava congelando do lado de fora.

- Fala! Mesmo se for estranho eu quero saber. – Ela insistia para saber o que eu queria.

- Eu quero ir para as montanhas. – Falei por fim, já esperando sua rejeição.

- Algum lugar particular em mente? – Sua resposta me chocou. Ela não vai nem querer saber quanto custaria?

- Saporro.

- Bom, a gente pode ver sobre isso e planejar. – Karin parecia positiva de telefone e eu acabei ficando um pouco também

 

...

 

Do final de sexta até domingo nosso principal foco era o planejamento daquela rápida viagem. Karin pediu para seu pai a passagem de trem e a diária do hotel como presente de Natal. Claro que ele se preocupou com quem ela iria, mas no fim acabou confiando em sua filha e permitiu que fosse.

Para não ficar muito apertado para mim e para ela (no caso, seu pai), pesquisamos incansavelmente hotéis, pousadas e passagens baratas, além dos possíveis gastos com a alimentação e atrações. No fim não ficou tão barato por ser próximo do feriado, mas conseguimos um preço melhor que imaginávamos. Iriamos dia 20 de madrugada e voltaríamos dia 21 a noite, assim pagando apenas uma diária.

Segunda de madrugada– e dia do meu aniversário -, fui busca-la às 3 horas. Nosso trem sairia às 4 horas e eu queria estar na estação com alguns minutos de adianto, para eventuais problemas que poderiam surgir. Porém dessa vez não consegui escapar e tive que conhecer o pai de Karin, já que todos da casa estavam acordados para se ‘despedir’ de Karin.

Kurosaki Isshin era um homem engraçado e nada do que eu esperava como pai de uma menina como Karin. Ele era praticamente seu oposto em quase tudo, mesmo que fisicamente fossem bem semelhantes, mas o que ambos tinham em comum era a ferocidade para proteger sua família. Desde que parei a moto em frente à sua casa, ele me olhava de maneira cômica, em uma tentativa frustrada de parecer intimidador, e apenas parou quando sua filha lhe empurrou, pedindo que parasse com aquilo. O olhar de cachorrinho perdido que ele fez para ela foi hilário e quase não consegui segurar a risada.

Karin não deixou que ele trocasse palavras comigo, sempre o atrapalhando quando tentava fazer isso, mas não impediu que Yuzu se aproximasse de mim com uma caixa de cupcakes de chocolate para me desejar feliz aniversário. Senti-me extremamente grato, principalmente quando percebi fora ela quem os fizera. Guardei em minha mochila de modo que não os amassasse.

Em poucos minutos, depois de muito drama por parte de seu pai para Karin, saímos dali em direção à estação de Karakura e chegamos até antes do previsto. Aguardamos por mais ou menos vinte minutos antes que a chamada para nosso trem surgisse no telão e nos apressamos para irmos ao terminal.

Como nossas bagagens eram poucas, decidimos não colocar no bagageiro e entramos rapidamente no nosso vagão. Ao acharmos nossos lugares – um ao lado do outro -, sentamos rápido e eu preferi deixar minha mochila entre meus pés ao invés de colocar no suporte acima de nossas cabeças. Desse modo eu evitaria que o presente de Yuzu fosse amassado.

Quando o trem começou a se mover, nós dois já estávamos acomodados. Karin me deu o lugar da janela, alegando que aquele dia era meu e eu aceitei de bom grado. Em poucos minutos de viagem, a morena já apoiava a cabeça em meu ombro, mas não dormia, jogava um jogo em seu celular e de vez em quando eu a ajudava em uma fase ou outra. Meu celular estava com o fone conectado e cada um ficou com um lado para ouvirmos música. Claro que eu e ela não tínhamos exatamente o mesmo gosto musical, porém conseguimos achar algo que agradasse a ambos.

A viagem duraria sete horas e meia até a cidade que iriamos passar aquele dia, então aproveitei para comer os cupcakes que ganhei de presente, assim como Kurosaki, que estava entretida em seu jogo, e depois tirei um cochilo – na verdade entrei em coma -. Acordei não sei quanto tempo depois com a garota balançando meu ombro, estava um pouco atordoado, mas logo entendi que chegamos. Pelo que vi de seu rosto amassado, ela fez a mesma coisa que eu.

O ar frio entrou em meus pulmões assim que saímos do trem e era absolutamente delicioso. Apressamo-nos para a saída da estação de Saporro, a capital da ilha de Hokkaido e conhecida como a cidade da neve, e lá entramos em um táxi que já estava ali esperando que um passageiro chegasse. O caminho de carro até a pousada foi rápido e nesse tempo aproveitei para apreciar a cidade. As calçadas estavam cobertas com uns 10 centímetros de neve e as ruas pareciam ter sido limpas recentemente para permitir a passagem dos veículos.

Karin estava sentada ao meu lado e sua mão estava junto da minha apoiada no banco. Sentia seus dedos levemente gelados em contato com os meus e ela os mexia bastante. Pelo visto estava inquieta. Desviei meus olhos da janela para seu rosto e pude confirmar minha hipótese. Ela olhava distraída para a janela do lado oposto, mas não parecia realmente estar prestando atenção na paisagem. Apertei sua mão entre as minhas na tentativa de chamar sua atenção e funcionou, virou-se para mim e pude ver que suas bochechas estavam levemente avermelhadas.

- O que foi? – Sussurrei para evitar que o motorista ouvisse.

- Nada não. – Deu-me um sorriso sem graça e voltou seu olhar para a paisagem.

Eu sabia que tinha algo, mas decidi deixar quieto. Ela me contaria quando se sentisse confortável. Apesar do tempo congelante, o céu estava limpo e o sol ajudava a nos esquentar, mesmo que não fosse muito. Parecia perfeito para um dia para um passeio.

O centro da cidade estava cheio e as luzes de Natal dominavam quase toda a paisagem, além da neve. O hotel que ficamos não era exatamente um hotel, estava mais para uma pousada pela sua simplicidade, contudo, seu quarto era bem confortável. O espaço não era grande, mas parecia ser do tamanho ideal. Uma cama de casal se encontrava no centro do cômodo e ao lado dela, contra a parede perpendicular à dela, havia um pequeno guarda roupa que continha umas roupas de cama e um espaço para colocarmos nossos pertences. Em frente à cama, encontrava-se uma televisão média apoiada em um móvel que era um pouco mais alto que meu quadril e haviam algumas gavetas vazias nele. Além disso, ao fundo havia uma porta – que logo descobrimos que era o banheiro –, uma porta de vidro para uma pequena varanda (que nem cabia direito uma cadeira) e um aquecedor.

Parecia tudo perfeito, já que o nosso planejamento era ficar ali apenas para dormir. Provavelmente nem ligaríamos aquela TV. Arrumamos rápido nossas coisas e pegamos o que precisávamos para um pequeno passeio de antes e depois do almoço, que, por acaso, já estava no horário da refeição, então também procuraríamos um lugar para comer.

Antes de sairmos, Karin seguiu em direção à pequena varanda. Segui-a e, quando ela se recostou na grade que impedia que caíssemos, cheguei por trás, colocando minhas mãos em sua cintura, mas sem encostar meu torso no dela, e apoiei meu queixo em seu ombro, em um leve contato. Ouvi quando suspirou ao se deliciar com a pequena troca de calor e aprovou o estranho abraço. Nessa posição pude sentir o cheiro de seu shampoo e era delicioso. Fechei os olhos para aproveitar o momento.

-Toush?

- Hum? – Respondi apenas com um resmungo, ainda de olhos fechados.

- Você me acha bonita? – Sua voz estava baixa e parecia vacilante. Apenas soltei o ar pelo nariz em uma espécie de risada.

- Tá brincando, né? – Perguntei olhando para seu agora e ela negou com a cabeça, séria. Virei-a em meus braços, fazendo com ficasse de frente para mim, e minhas mãos continuavam em sua cintura. – Quando você tá feliz e animada seus olhos brilham, parecem duas pedras ônix, e eu nunca consigo me desviar deles. Cada vez que prende seu cabelo, tenho vontade de parar esses momentos apenas para admirar como eles escorrem entre seus dedos, talvez tocar e mexer também. Mesmo quando você tá toda suada depois de uma partida de futebol, quero apenas te puxar e beijar até o mundo todo desparecer. Adoro seu sorriso quando me desafia em alguma coisa, e a cara que você faz se vence, me faz perder feliz.

Percebi que me empolguei, mas tudo que despejei era a mais pura verdade.

- Enfim, você é linda, Karin, e nunca deveria duvidar disso.

Falei tudo olhando para seus olhos e desejando que ela percebesse o quanto aquilo tudo era a mais pura verdade. Eles iam mudando conforme ia falando e vi quando eles marejaram levemente com última parte, porém ela não soltou as lágrimas, apenas me abraçou e afundou seu rosto em meu peito. Retribui de imediato, dando carinho em suas costas.

- Obrigada, cabeça de algodão. – Disse assim que se soltou do abraço.

Ela sorriu divertida pela careta que fiz quando soltou o apelido idiota, contudo logo desfiz a expressão e a Kurosaki voltou a falar normalmente comigo. Não sei qual era seu conflito interno, mas aparentemente minha resposta ajudou a resolvê-lo. Alegrou-me que pude ajudar, mesmo de forma indireta, com seu problema.

Karin levou sua mochila, porém deixou quase todas as roupas no hotel e deixou apenas um casaco extra, nossas carteiras e nossos celulares dentro. Além do básico, peguei um cachecol verde, que vestia no momento. Como dentro da bolsa haviam coisas de nós dois, combinamos que revezaríamos quem a carregaria durante o dia. Naquele momento era eu quem fazia isso.

A pousada se localizava um pouco afastada do centro, mas não tanto a ponto de não podermos ir a pé. Em menos de 15 minutos já estávamos andando pelas ruas lotadas de turistas. Diversas pessoas de todo o tipo passavam por nós animados, alguns com sacolas nas mãos, muitas delas com a família inteira e crianças agitadas. O frio característico da região já não era tão intenso devido à aglomeração e naquele horário havia parado um pouco de nevar, mas, de acordo com as notícias, ao final da tarde voltaria.

Encontramos um restaurante cheio, mas barato de comida tradicional da região. Pedimos o famoso miso ramen, alegadamente criado naquela cidade, de carne de porco e nos sentamos em um espaço que batia um pouco de sol, já que a morena estava um pouco incomodada com o frio. Estávamos de frente um para o outro e no tempo esperávamos nosso pedido, ela ia repassando a programação de hoje. Nossas mãos estavam juntas em cima da mesa e eu tentava acompanhar o que falava, mas, por estar muito animada, dizia tudo muito rápido.

Nossa comida chegou soltando fumaça, pela aparência parecia estar deliciosa, e realmente estava. Comemos rápido para podermos realizar que estava programado para hoje de tarde, mas ainda deu tempo de saborearmos devidamente nosso almoço. Ao final de tudo, dividimos a conta - mesmo sob reclamações de Karin, que queria me dar o almoço de presente – e pagamos, saindo dali imediatamente.

Quando foi quase uma da tarde, com a ajuda do celular, pegamos o ônibus para o Parque Moerenuma. O parque era enorme e, como era muito grande, haviam bicicletas para alugar logo na entrada. Decidimos alugar duas delas por três horas. Não saiu barato, mas também não foi tão caro. Boa parte do parque estava coberto pela neve, praticamente só as pistas para os turistas estavam sem o gelo. Andamos um ao lado do outro, de vez em quando disputando quem ia mais rápido, até a tão famosa pirâmide de vidro. Era uma réplica da pirâmide do museu do Louvre, em Paris, porém não deixava de ser impressionante. Deixamos as bicicletas na porta e entramos.

Dentro do monumento também funcionava um museu, contando mais com obras locais. Várias estátuas e pinturas preenchiam o local e suas cores impressionavam qualquer um que as via. Vou admitir, não era muito ligado em arte e parecia que Karin também não, mas estar ali cercado por tudo aquilo, não importava se você gostava ou não. Era impressionante.

Apesar da estrutura de fora, por dentro não era tão grande, então conseguimos andar por quase tudo em meia hora. Pegamos nossas bicicletas de novo e continuamos nosso passeio pelo parque. Descobrimos que não era só no museu que haviam esculturas e peças artísticas, na verdade elas estavam espalhadas pelo espaço a céu aberto inteiro. Inclusive perto do lago que havia ali. Passamos por pracinhas e brinquedos voltados para crianças durante todo o caminho.

Entramos em uma pequena floresta cheia de árvores sem folha devido ao inverno e no meio dela a trilha continuava. Encontramos pequenos animais como esquilos e algumas aves, provavelmente devem ter mais, mas talvez esse não seja um horário para encontrar com eles.

Havia nevado de manhã, mas agora o sol batia forte em nossos rostos, mesmo que um vento frio insistisse em nos gelar. Contudo só esse momento de céu aberto já fazia com que a neve começasse a derreter e em alguns locais já era visível a lama que a água derretida estava criando. Na entrada nos recomendaram a não desviarmos da trilha para evitar que as bicicletas atolassem na terra úmida, então tentávamos respeitar, mas muitas vezes íamos a pé – sujando nossos tênis – aos pontos fora do caminho que achávamos bonito.

Tiramos várias fotos com as esculturas do local e a parte natural. A que eu mais gostei foi a que Karin se aproximar de um esquilo no chão e se agachou em sua frente, porém antes eu conseguisse tocá-lo, fugiu. A foto era ela abaixada olhando para o animal e ele olhando de volta. Desde que começamos nosso relacionamento, praticamente todas as imagens na galeria, desde então, eram dela e a maioria era tirada sem que percebesse.

Mesmo parando bastante para vermos as atrações do parque, chegamos à famosa colina presente em quase todos os álbuns de fotos dos turistas que passavam por ali. Nossas bicicletas não eram capazes de subir então tivemos que fazer a pé. Não que fosse muito complicado, porque havia uma escada larga que acompanhava sua elevação. Poderíamos subir pela grama, mas a neve cobria boa parte dela e o que não cobria havia virado lama.

A visão do topo era espetacular e dava para ver quase o parque inteiro. Os ventos frios se intensificaram pela altitude, mas isso não importava, tanto para nós, quanto para os outros turistas ali presentes. Vi quando Karin estremeceu pelo tempo gelado e puxou o casaco de dentro da mochila. Com duas blusas para lhe esquentar, ela estava adoravelmente fofa – no sentido mais denotativo da palavra –, por isso soltei uma risada e a puxei para um abraço.

- Eu não entendo como você não sente frio. – Ouvi sua voz próximo a minha orelha.

- Será que não é você que é muito frienta? – Perguntei sarcástico.

- Ridículo.

Soltou-se emburrada do abraço, afastou-se para a borda da estrutura que havia no topo, sentou no último degrau da escada e me chamou com a mão, pedindo que eu tirasse uma foto sua. Ficamos apenas alguns minutos no alto da colina e depois descemos para voltarmos a entrada do parque, aquele ponto era o último lugar para visitarmos ali.

Quando saímos já era quatro da tarde. De acordo com o planejamento de Karin, iriamos apenas para mais um local antes de voltarmos para o hotel, trocarmos de roupa e ir para o passeio noturno, além de – claro – descansar um pouco. Voltamos ao ponto de ônibus para pegarmos o que seria nosso destino: Kaitaku-no Mura.

Era uma viagem um pouco mais longa, duraria 40 minutos, talvez um pouco mais, pois tinha começado a nevar novamente. Nesse meio tempo vimos as fotos que tiramos – e Karin mandou várias para sua irmã – e conversamos, sobretudo, sobre o que iriamos fazer amanhã antes de partir. Ela planejou um passeio em uma montanha perto daqui que tem um espaço para esquiar e bastante neve. O mais caro desse passeio seria a diária dos hotéis ao redor, porém não iriamos passar a noite lá.

Chegamos quando o Sol já estava bem baixa no que também é conhecido como a Vila histórica de Hokkaido. É um dos poucos pontos da ilha que a cultura do povo que ali vivia foi preservado e era diferente da ilha principal. Sua estrutura preservava a arquitetura das antigas casas, museus, igrejas e até a Prefeitura. Vou admitir, era um pouco assustador ver todas aquelas antiguidades, várias vazias, junto daquele clima frio e neve, mas isso que tornava tudo ainda melhor.

Visitamos várias das casas vazias e algumas delas ainda estavam mobilhadas e decoradas com utensílios típicos daquela cultura. Além disso, algumas viraram pequenas lojas para venda do artesanato local. Kurosaki comprou três caixinhas de lembrança, sabia que duas delas eram para Yuzu e Isshin, já a terceira eu não sabia, mas também não era da minha conta, talvez fosse para alguma amiga.

Paramos em um restaurante na vila e pedimos um dos pratos tradicionais do lugar que daria para comermos rápido, visto que nosso objetivo não era demorar muito ali. Após comermos, pegamos o bonde histórico que passava por quase todo o espaço e chegamos ao que seria o centro. Havia uma enorme prefeitura com tudo dentro preservado e junto havia um pequeno museu com várias fotos, pinturas e utensílios do povo que ali vivia, alguns deles remontam de séculos.

Quando acabamos tudo, as ruas da vila já estavam todas iluminadas artificialmente pelos postes e a lua brilhava no céu. Olhamos no relógio e já era quase 19 horas. Não deu para visitar tudo, mas esse também nunca foi nosso objetivo. Já sabíamos que pelo curto tempo teríamos que deixar muita coisa de lado.

A viagem de volta para o hotel foi silenciosa. Karin estava visivelmente cansada e eu também, mas bem menos pelo fato de ter dormido bastante quando pegamos o trem. Ela não dormiu durante o tempo no ônibus, apenas ficou com a cabeça apoiada em meu ombro. Nós dois olhávamos a paisagem do lado de fora, que começava a tomar diversas cores por estarmos voltando para o centro da cidade.

Assim que chegamos na pousada, a morena apenas tirou os sapatos e foi direto para a cama, deitando nela. Deixei que ela aproveitasse esse tempo e, para tornar o clima confortável, liguei o aquecedor. Enquanto ela dormia, fui tomar banho para caso ainda quisesse sair hoje à noite quando acordasse e fiquei mais ou menos arrumado.

Meia hora depois ela acordou disposta e fez o mesmo processo que eu para se arrumar. Não demorou muito e nós dois estávamos prontos para sairmos de novo. Dessa vez com roupas mais ‘sofisticados’, uma vez que durante o dia priorizamos o vestuário confortável para as atividades e decidimos levar nossos celulares e carteiras nos bolsos. Era raro ver Karin mais arrumada, com o cabelo solto e roupas mais justas como estava naquele dia e eu fiquei hipnotizado por ela na maior parte do tempo.

Nossa segunda rodada do dia começaria pelo Monte Moiwa. Para chegarmos ao topo da montanha teríamos que pegar um teleférico que saia da base. Tinha a opção de fazermos um caminho alternativo a pé ou de bicicleta, contudo, obviamente, estávamos nada a fim desse esforço. À medida que subíamos, a cidade ia ficando menor e podíamos ver cada vez mais dela pela janela. A mão da garota estava junto da minha e eu fazia um leve carinho nela, mesmo por cima das luvas. Aquele passeio, pelo visto, seria bem mais romântico que os anteriores.

No alto da montanha a neve caia mais intensamente que lá em baixo e o frio seguia de maneira proporcional, mas aquele branco que cobria a maior parte do chão fazia parte da beleza do local. Havia uma pequena capela – descobrimos que aquele era um ponto famoso que casais noivos iam procurando sorte no casamento - no espaço reservado para o comércio e algumas lojas para vendas de lembranças, porém o ponto principal era a beirada que dava para a vista de toda a cidade de Sapporo. As luzes das ruas, prédios e casas pareciam distantes daquela altura e quase se assemelhavam a uma pintura em conjunto dos flocos brancos que caiam. Era realmente lindo e valia cada hora de viagem.

Empolgado com aquela vista, trouxe Karin para perto de mim a fim de dar um leve beijo, nada muito escandaloso por estarmos em local público, porém quando toquei seu pescoço, a sensação gelada me incomodou e quebrei o contato para passar o meu cachecol verde, que usava desde cedo, ao redor dele. Ela ficou surpresa, mas disse nada, apenas o ajeitou melhor, parecendo até gostar. Não ligou se aquela cor combinaria com sua roupa, ou não.

Aquela pequena ação pareceu ligar algo em mim e eu a puxei para um lugar um pouco mais escondido, atrás das lojas, e a empurrei contra a parede para em seguida atacar sua boca. Fora nosso primeiro contato daquele tipo - mais intenso - desde o começo do dia e todo aquele clima ameno e romântico que o monte proporcionava, instigou-me. Ela não brigou, ao contrário, correspondeu da mesma maneira e colocou as mãos em minha nuca para acariciar meus cabelos.

Minhas duas mãos desceram para sua cintura e a apertava bem forte contra a parede. Nossas línguas dançavam ferozmente em contato uma com a outra e seus dedos puxavam os meus fios de cabelo de forma estimulante, que me atiçava cada vez mais. Deslizei meus lábios pela sua bochecha quando nos separamos em busca de ar e ele foi direção ao lóbulo de sua orelha esquerda. Já havia percebido que aquela era uma área bem sensível pelas nossas carícias anteriores.

Eu ouvia sua respiração acelerada e arfante, enquanto deixava uma trilha molhada entre a sua orelha e o seu pescoço. Tive que tirar uma das minhas mãos de sua cintura para desatar um pouco do cachecol que estava ao redor dele, assim me dando a possibilidade de explorar aquela área. Sua voz agora estava misturada aos sons que fazia e saia como um baixo gemido. Gemi também contido por estar com minha boca muito ocupada.

Uma das mãos dela deslizaram um pouco pela minha nuca até chegar na beirada da blusa, ainda naquela região e passou a arranhar – ou pelo menos tentar, porque a luva não deixava que isso acontecesse – o começo da minha coluna. Claramente já havíamos perdido o controle daquilo, porém tivemos que retomá-lo quando ouvimos vozes próximas que se aproximavam de maneira rápida. Separamos arfantes e ajeitamos nossas roupas da melhor forma que pudemos.

Karin estava com as bochechas vermelha, passava a manga da blusa nas áreas que lambi na tentativa de secar e respirava pela boca para recuperar o fôlego. Olhei admirado pelo que fiz nela e um sentimento de orgulho cresceu em mim por ter sido o responsável por deixa-la assim, tão desconcertada. Passei as mãos no cabelo para colocar no lugar o que havia sido bagunçado, porém ela levantou as suas para fazer isso também e, enquanto arrumava para mim, soltou a frase mais surpreendente desde que tudo entre nós começou.

- Vamos voltar para o hotel.

Nada mais precisava ser dito, tudo estava subentendido. Pelo nosso planejamento, ainda daríamos uma volta pelo bairro de Susukino, que era onde se encontrava a maior parte da vida noturna de Sapporo, mas ela ignorou e eu também faria isso.

A volta para a pousada pareceu demorar um século e fizemos isso quietos. Durante todo o percurso as bochechas dela permaneceram vermelhas, acredito que as minhas também. Estávamos visivelmente inquietos e, por baixo da minha luva, minha mão suava, mas eu não queria tirar para que ela não percebesse.

Assim que abri a porta do nosso quarto, foi ela quem me atacou dessa vez, empurrando-me para a parede ao lado da entrada. As mãos dela – já sem luvas - percorreram meus ombros na tentativa de tirar rápido meu casaco, ajudei-a e joguei ele para um canto qualquer. Karin se separou de mim para fazer o mesmo nela própria e eu pude deslumbrar o estado em que se encontrava. Estava afoita, seus olhos espremiam toda a luxúria que a dominava e estava apressado para se livrar daquelas camadas de roupas.

Após o seu casaco ter o mesmo destino que o meu pai e decidi agir e foi a minha vez de a encurralar. Empurrei-a para mais dentro do quarto e ela bateu contra o móvel da TV, eu passei um dos meus braços pela sua cintura e outra mão colocou em sua coxa no intuito de a impulsionar para cima. Com Kurosaki sentada naquele pedaço de madeira, seu rosto ficava só um pouco acima do meu.

A mão que estava em sua coxa permanecia lá, acariciando-a, a outra passou para a barra de sua blusa e levantei um pouco para que eu pudesse ter contato direto com sua pele. Puxou-me pelos ombros para poder continuar o beijo e as pernas se enrolaram ao redor dos meus quadris para que pudéssemos ficar ainda mais colados. Desse modo nossos sexos se conflitavam por baixo do tecido das calças que os separavam e ela se remexia na tentativa de aumentar o atrito. Gemi entre o beijo e com isso ela pareceu ficar mais desesperada.

Suas mãos deslizaram pela minha blusa, puxando-a para cima, claramente para tirá-la e eu adiantei seu trabalho. Separei minha boca da sua, mas não nossos corpos, eu mesmo tirei minha camisa e a joguei, também, em um canto qualquer do chão. Com esse ato foi a vez dela de me avaliar e parece que eu agradei, já que ela deu um sorriso de canto de boca e me puxou de novo em direção a sua boca.

O contato direto de seus dedos na minha pele me arrepiava e me excitava cada vez mais. Eles deslizaram pelas minhas costas e suas unhas curtas me arranhavam à medida que se moviam. O roçar das nossas calças aumentou e eu estava louco para tirar tanto a minha quanto a dela, mas decidi demorar um pouco mais naquela tortura inebriante. Uma de minhas mãos foi parar em seu cabelo e eu os puxei levemente para trás para inclinasse a cabeça e eu tivesse pleno acesso ao seu pescoço. Ela gemeu com o ato.

Minha língua deslizava pela pele fina do pescoço deixando um rastro brilhante de saliva. Senti-a estremecer quando cheguei próxima a área de sua orelha e sua respiração ficou mais acelerada. Gastei mais tempo naquela área entre a mandíbula e seu lóbulo, dos dois lados, pois sabia que gostava. Nisso minha mão que estava por baixo de sua blusa, em sua cintura, iam subindo até chegou na barra de seu sutiã. Esperei por alguma reação negativa, mas recebi o oposto disso, ao ouvir um baixo gemido. Com sua permissão implícita, apertei seus seios por cima da última peça de roupa que os separava de meus dedos e seu gemido foi mais alto.

Para explorar melhor aquela área, tirei sua blusa também. Olhei admirado para seu tronco. Por treinar bastante e por ser naturalmente magra, Karin tinha quase nada de gordura e seus músculos bem definidos apareciam por debaixo da pele. Pelo que pude reparar, seus seios eram pequenos mesmo por baixo do sutiã branco simples. Já esperava isso, mas eles pareciam encaixar perfeitamente em minhas mãos.

Meus lábios deslizaram mais para baixo, em direção de sua clavícula e eu demorei mais um tempo explorando aquela área entre o pescoço e o ombro. Minha mão que estava em seu cabelo desceu, voltando para suas coxas e, assim como antes, decidi me arriscar e subi um pouco para o cós da sua calça até alcançar os botões. Novamente ela não pareceu se importar, então mesmo com dificuldade, soltei-os e deslizei o zíper para baixo, porém, ao invés de tocar a parte da frente, enfiei meus dedos na parte de trás, agora mais frouxo.

Senti a barra de sua calcinha e afundei mais meus dedos por cima dela, mas dentro da calça, dando um aperto do jeito que a posição me permitia em sua bunda. O fato dela estar sentada atrapalhava meu acesso, então agora com as duas mãos ali, segurei-a no colo e a levei para a cama. Deitei-a no colchão macio e rapidamente cobri o corpo dela com o meu. Já estávamos longe demais, mas não custava perguntar.

- Tem certeza que quer fazer isso hoje? – Indaguei, olhando para seus olhos. Eu estava realmente pronto para parar caso a resposta fosse negativa, mas ela me olhou feroz.

- Tenho.

Naquela noite eu amei Karin como jamais tinha amado ninguém e eu posso afirmar, com toda a certeza do mundo, que foi divino.


Notas Finais


NÃO ME MATEM, SEUS TARADOS
Subiu um calor né? Se subiu, então eu consegui descrever bem essa última cena. Quando a escrevi ainda tava pensando nessa fic como uma one shot, então eu não quis colocar um hentai no meio. Eu sou muito detalhista com algumas coisas e provavelmente ficaria enorme, mas agora que se transformou em uma long (não quero dar muitas esperanças) to pensando seriamente em escrever um extra sobre essa noite, só que seria na visão da Karin. Tenho até uma música que se encaixa. MAS É TUDO HIPÓTESE.
Até logo <3


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