História Bling Bling, you did well - Capítulo 4


Escrita por: e Ikki030820

Postado
Categorias SHINee
Personagens Jonghyun Kim
Tags Bling Bling, Jonghyun, Kim Jonghyun, Kim Jonghyun Forever, Shinee, You Did Well
Visualizações 34
Palavras 5.275
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá my stars! Turu bom com vocês? Espero que sim. Sou a dongsaeng Biazinha botando na pista mais um capítulo pronto para vocês. Primeiramente, obrigado á todos que deram fav estamos com 23 favoritos!! Queremos agradecer a vocês por este projeto maravilhoso estar evoluindo de maneira brilhante. Eu e minha Unnie estamos mais do que agradecidas porque nossa estrelinha tem muito a que brilhar ainda ;3!!!

Recomendo ouvirem White T-shirt porque é uma música maravilhosa que ajuda no desenvolvimento dos dois personagens. Enfim, aproveitem e tenham uma ótima leitura <3!!!

Capítulo 4 - Camisa branca


Fanfic / Fanfiction Bling Bling, you did well - Capítulo 4 - Camisa branca

 

“Você é tão Rock and Roll

 Ela está murmurando uau

Me fazendo dizer uau

Ao seu redor, vou por aí

Esquecendo onde eu deveria estar

Meus pés estão te seguindo

É tudo sobre você, você, você...

Seu estilo casual te faz parecer ainda mais especial

Sua silhueta provoca minha imaginação

Seu cabelo levemente bagunçado

Seu corpo se destaca ainda mais

É a sua camisa branca.”

JongHyun - White T-Shirt

>O<

Uma gota molhada cai vagarosamente pelo rosto da nossa querida estrelinha, que logo depois escorreu para o lado molhando ainda mais a parte seca. JongHyun foi obrigado a apertar os seus olhos, já que a marca molhada da gota desconhecida o fez despertar daquela imensidão letárgica. Por instinto tateou as costas das mãos no fino gramado de seu jardim que pinicou ao ponto de surgir uma coceira inoportuna deixando-o irritado. As costas doíam pelo chão duro, as pernas relaxadas e esticadas expressavam sua preguiça interminável, seus pés sentiam a ventania os gelar fazendo todos os nós dos dedos se fecharem para ter pelo menos um pequeno resquício de calor. 

Queria ter dormido mais, mesmo que aquele chão térreo fosse duro ainda sim estava bom. Se sentia descansado após longas noites em claro tentando resolver as questões idiotas de cálculos matemáticos que eram a sua vida. Se sentia exausto cada vez mais por causa dos trabalhos escolares, era um líder nato que tinha muitas tarefas para serem resolvidas e colocadas a limpo.

Abriu um dos olhos, mantendo o outro ainda fechado e forçado. Moveu sua cabeça para o lado, dessa vez identificado o local em que tinha desmaiado de sono: Seu próprio jardim. Deu um suspiro pesado esfregando a palma de sua mão na testa. Tentou mover seu outro braço mas algo já o ocupava, um peso mantido que o mantera aquecido de toda aquela ventania.

Droga, era logo ela, a encrenqueira que com os seus cabelos negros e sedosos, espalhados pelos lados e principalmente perto de suas narinas, conseguira grudar seu cheiro vicioso em sua camisa nude da cor bege.

As gotas da chuva, assim ele as deduziu e acertou muito bem, começaram a cair em formas grossas molhando as costas de sua mão estendida que antes coçava como nunca. A garota não se mexia em nenhum momento, parecendo uma pedra em pleno Mar Iroise que quando suas ondas continuam sendo violentas as pedras continuavam a ficar intactas.

– Jae, Jae.. – Com o ombro tentou chamar a atenção da garota, mas foi em vão quando a mesma se remexeu e abaixou a cabeça até abaixo de seu queixo.– Sharon.. Ah, droga. 

Praguejou baixinho, ouvindo o ronronar da sua colega de classe, bom, era até onde se lembrava. Ao sentir a chuva se fortificar e jorrar suas gotas até o solo fértil de seu jardim, devagar se sentou colocando o braço de Jae envolta de seu pescoço dolorido que até agora só era esmagado pelo peso do outro corpo.

Iria leva-lá para dentro da casa, já que o seu despertador natural parou num momento digamos errado para a ocasião.

Botando suas mãos e antebraço debaixo das pernas da garota, conseguiu surpreendentemente levantar e sustentar o peso da mesma. Por um segundo suspeitou que ela fosse um pouco mais pesada, porém se enganou ao analisar o quanto era leve em seu peso corporal.

– Entre relâmpagos e trovões, a minha pequena rosa não despertara tão cedo. Ohhh, o que farei?– Ditou JongHyun tentando ironicamente fazer uma frase poética naquele momento estranho, enquanto ouvia atentamente Jae resmungando baixinho e se remexendo em seu peito. Parecia uma criança querendo colo, e provavelmente era dentro daquela casca de noz que envolvia seu coração. 

Ao entrar pela sala com Jae, conseguiu coloca-lá no sofá e pensando primeiramente na sua tenda que querendo ou não deveria tira-lá do quintal molhado e maltratado pela chuva intensa.

 

10 minutos depois... 

 

Após fechar a janela aberta de seu quarto, observou a chuva forte dançar entre as árvores lá fora, ás vezes era gentil mas apertava bravamente com o passar do tempo. Seus olhos castanhos seguiam as gotas grudadas firmemente no vidro que caiam lentamente para baixo, porém outras eram consideradas rebeldes e faziam ao contrário sendo aceleradas demais para o globo ocular capitá-las. Relâmpagos pintavam o céu, e isso o fez lembrar das curiosidades ágeis de JaeHwa na aula de literatura. 

Não! Um conjunto de descargas elétricas duram cerca de 2 segundos, mas se for composto por uma, dura no exato 0,1 segundos. A formação de um raio parece sim ser feita por um dedo mas a contagem exata não dura dois segundos e sim um.”

Gentilmente levou a ponta do indicador à janela molhada pressionando-o logo em seguida sentindo toda a umidade cercá-lo aos poucos em sua parte digital seca. E ao captar um dos brilhos feitos pelo relâmpago foi o suficiente para perceber o quanto a sua Sharon estava certa. Não conseguiu mover o dedo, a luz era cegante como um flash de uma câmera profissional que era capaz de absorver cada detalhe feito. Contou os segundos das luzes e fez com o dedo cada movimento deles! Era digno de aprovar que a garota estará certa esse tempo todo!

Olhando em seu relógio de pulso as horas passavam devagar, poderiam ser uma hora e meia da manhã porém não ligava muito, sua insônia era capaz de perturbá-lo quando quisesse e apenas um horário não atrapalhava em nada. Sentiu inveja de Jae por um instante, ela conseguia dormir muito bem não importando o local e a hora, e ele não, o que dava um pequeno incômodo dentro de seu interior conturbado. Bagunçou o cabelo esbelto mais uma vez saindo da posição em que se situava encostado e indo em direção a sua cama enorme, encontrando lá a garota relaxada. Ao vê-la encolhida tratou-se de entender o que se passava: Frio. JongHyun capitou a mensagem facial da garota e foi até o seu guarda roupa tentando felizmente achar alguma blusa sua que servisse de conforto, já que a chuva tinha esfriado bastante o ambiente de sua casa. 

Ao se deparar com as peças embaralhadas, lembrou-se que nem arrumou os cabides tendo a maioria fora de lugar ou até caídas. Ele tinha a absoluta certeza que tinha arrumado aquelas blusas, mas vendo bem, nada estava em seu devido lugar. Ah, se o poder da telecinese fizesse o bem agora ele agradeceria eternamente a Ravena por isso. Observou bem com os olhos as camisas e achou uma que por ironia situava-se enfiada no cabide e não amassada como as outras demonstravam estar.

Sua camisa branca e bem limpa que comprou há dois anos atrás e usara num momento especial. O cheiro do perfume impregnado na camisa passava um ar nostálgico de anti-ontem, onde bebeu e se divertiu com os seus amigos da antiga escola. 

E não, não ficou bêbado porque se estivesse não teria conseguido voltar para casa e se perderia em uma cidade qualquer, digno de uma perda de direção que obtinha como dom heroico desde o seu nascimento.

Deu um suspiro fraco e optou por esta, já que era a única disponível em seu guarda roupa bipolar que uma hora estava arrumado e outrora bagunçado. Sentou-se na cama e segurou o tronco friento de Jae que se tremia por inteiro parecendo uma britadeira fora de controle, mas acabou conseguindo coloca-lá sentada obtendo assim o sucesso que queria. O cropped que a garota usava era sem dúvidas curto, realçando seus seios e não trazendo utilidade nenhuma para aquecer seus braços descobertos e barriga delineada. Corou ao reparar na fisionomia física de Jae, desviando os olhos para o seu objetivo que era sua camisa branca. Teria pegado-a porém os olhos da garota em sua frente infelizmente se abrem por um breve momento, inconsciente pelo sono seria a palavra certa porque nem conseguia raciocinar o quanto seu rosto encontrava-se perto do dele.

– O quê...? – Falou ela olhando para baixo, tentando entender a aproximação. JongHyun sabia que a garota não estava em seu estado consciente, e resolveu ignorar já que o susto foi algo normal feito pela parte interna do cérebro. Pegou a camisa pronto para coloca-lá, só que Jae abraçou o tronco do garoto deixando-o claramente assustado pela ação repentina.– Quero carinho.– Ela tirou a blusa de suas mãos a jogando para algum lado daquele extenso colchão, pegando-as e colocando em sua cabeça querendo mais contato.

Sinceramente, ele achou isso fofo e se pudesse gravaria para assistir trezentas vezes em seu telefone, contudo preferiu deixar isso registrado em sua memória, não queria estragar o momento. Resolveu entrar na brincadeira, sabendo que logo depois ela não se lembraria de nada.

– Não, pegue a blusa de volta.– Falou, ela negou veemente.– Então, sem carinho.– Os olhos dela quase se fechavam por completo e ainda sim queria se manter acordada mesmo não podendo pelo cansaço extremo. Devagar pegou a blusa e a estendeu para ele.

– Toma, seu dinossauro estranho.– Segurou o riso por um momento, se identificando com o apelido Dino que seus amigos o chamavam, pensando que só eles o achavam daquela maneira. Parou de pensar naquilo por um momento e conseguiu vestir a camisa nela, com nenhuma dificuldade ficando um vestido longo ao ser colocada. Ajeitou os cabelos gigantescos dela novamente, vendo-a erguer o rosto ficando assim próximos demais. Sentiu a respiração doce dela por um momento graças ao seu perfume venenoso deixando-o desarmado pela primeira vez. Só agora viu cores em sua visão incolor, os batimentos soaram como música em seus ouvidos dessa vez ficando em primeiro lugar virando a sua favorita numa playlist qualquer. As mãos pararam os seus movimentos ficando petrificadas, os seus olhos focaram nos esverdeados acinzentados de Jae tentando identificar uma emoção acessa dentro deles, a respiração descompassada o fazia ficar tonto mas nada que pudesse fazê-lo realmente desmaiar. Todas aquelas sensações voltaram a tona lembrando da época em que ele se sentia vivo e feliz! Tudo era um mar de cores vividas e feitas de bom agrado. Admitiu para si mesmo que ficou assustado mas acabou se recuperando desse tombo fazendo um sorriso nervoso brotar em seu rosto.

– Não acha que está na hora de voltar a dormir? – Perguntou rapidamente, embolando as palavras uma atrás da outra. Jae ficou confusa pelo embolo só que acabou concordando ao analisar bem o principal ponto da interpretação da frase: Dormir.

– Dormir? É,  vou dormir sim...– Aconchegou a cabeça em seu peito, onde provavelmente iria ouvir as batidas loucas de um coração descontrolado, onde JongHyun não tinha controle para frea-ló.– Não consigo Dinossauro, seu coração bate muito nos meus ouvidos parece até um martelo! 

– Yah! Só durma, okay? E deite na cama e não no...– Novamente ela encostou sua cabeça cansada em seu peito, dessa vez ficando em silêncio. O ronronar era ouvido, sendo que ela o agarrava querendo mais contato humano vindo dele. 

Era uma raposa desesperada por atenção, isso quando dormia porque acordada chegava a ser bastante esperta e manipuladora. Droga, como chegou ao ponto de associa-lá com um animal? Era um tolo ao pensar daquela maneira, ou não já que gostava de raposas. 

Revirou os olhos pelo pensamento infantil e resolveu colocar Jae na cama mas quem disse que ela deixava? Agarrava com os dedos a barra de sua camisa, querendo se sentir confortável. Geralmente quando dormimos e agarramos os nossos travesseiros, significa que sentimos falta de alguém e parece que JaeHwa tinha já que mais cedo contara a história de sua mãe para ele. 

Sem escolhas, e não querendo entrar ou pensar naquele assunto por ter um certo respeito em relação aos sentimentos da garota, Dino resolveu se deitar com ela e ficar viajando por ai olhando o seu teto branco e vazio com os seus olhos focados e cansados. 

Todo dia era assim, mais uma vez não conseguiria cair no sono. Uma mente conturbada para um ser tão gentil... Chegava a ser doloroso, não?

>>O<<         

A falta do calor corporal foi um dos três motivos que JongHyun levou segundos para despertar. O sol escaldante e rigoroso da primavera chegara com toda a força, aquela que levaria os raios de luz além da superfície de tão fortes que eram. Ainda de barriga para baixo vira o rosto para o outro lado querendo recompor o sono perdido e assim não ligando para mais nada a sua volta.

Relógio, conhecido por ser o maior inimigo de Dino desde os primórdios de sua existência, um medidor mecânico destinado a medir intervalos de tempo e lembrar assim por dizer de compromissos extremamente importantes, provocou uma onda de sentimentos nada agradáveis para a nossa estrelinha jurássica que se manteve calmo até aquele instante... 

Grunhiu de raiva ouvindo a batida de jazz em seu aparelho. O saxofone irritava profundamente seus tímpanos silenciosos fazendo de tudo para deixá-lo animado naquela hora da manhã. Desistindo da ideia de ignorar os sons e voltar a dormir, se vira novamente para a posição anterior pegando o seu objeto tecnológico com a mão vaga. Finalmente tinha cessado aquilo que apelidara de tortura matinal, nunca que em sua vida achou jazz uma coisa tão chata quanto hoje. Decidiu por 5 minutos tirar um cochilo antes de se levantar, esticou o braço para fora da cama e assim ficou por um determinado tempo... teria ficado mais se não fosse pelo maldito toque novamente... 

– Yah! Yah! Já vou, que saco!– Exclamou se reerguendo e deitando agora as costas no colchão. Após desligar, dessa vez na configuração do telefone, o alarme quebrador de audições, resolveu mexer no celular um pouco decidindo se ia ou não para a escola. Respondia com calma algumas mensagens e após isso navegava pelo twitter em busca das novas fotos da sua cantora favorita IU. 

Tantas faltas em seu boletim escolar, tantos dias tentando entender sua existência nesse planeta minúsculo ou o que sentia em relação a si mesmo. Perguntas reflexivas que cabulavam sua mente perturbada. Essas que provavelmente traziam solidão em seu respectivo lar.

Esfregou a mão em seu rosto espantando os males das poucas remelas que habitavam em seus olhos grandes. O celular já jogado em seu lado não fazia um sequer barulho, um dos braços jogados para o lado novamente expressava sua letargia inquestionável... Como estava cansado e tão indisposto... 

Já foram 26 faltas, huh? Que tal 27?– Sussurrou baixo para si mesmo, lembrando-se perfeitamente de seu boletim daquele semestre. Quantas reclamações da direção já tinha levado por causa disso? E as matérias perdidas? Sinceramente, ele não ligava. Suas notas estavam em dia e cada 100 vindo delas eram uma faculdade de bom porte. O único problema era a matemática deixando-o literalmente frustrado quando rolava exercícios em sala de aula.

Precisava de alguém para ensina-lo e pensando bem Jae era a única pessoa que poderia fazê-lo muito bem. A garota já chegou a fazer cálculos gigantescos em um só quadro e isso chegava a ser espetacular no seu ponto de vista. Ao olhar para o lado notou que ela tinha ido embora, e recusou totalmente a ideia de segui-lá mais uma vez. Esse sentimento chegava a brincar com ele e por isso resolveu se segurar por um momento. A órbita teria que parar seu movimento por enquanto se não com toda a certeza do mundo iria ser atraído por ela novamente. 

Resolvendo sua vida pacata, que no caso era faltar aula nessa sexta feira nada emocionante, acaba virando para o lado querendo assim retornar ao sono que o despertador tinha o tirado completamente de seu corpo alarmado. 

>>>O<<<

Rebobine, rebobine, rebobine...

O que quer que eu faça, o tempo passa

Estou cansado, me deixe pegar um copo d’água

O que quer que eu faça, o tempo passa

Estou cansado, tem alguma coisa no chão

O que quer que eu faça, o tempo passa

Está molhado, eu deveria limpar

O que quer que eu faça, minhas pálpebras estão pesadas

Ficarei alerta, então foquem também... Rebobine...”

JongHyun - Rewind

8:23 da manhã

O que podemos dizer dos erros? São ações onde nos empenhamos a achar que estamos certos, um orgulho indefinido que nunca pode em hipótese alguma ser recusado ou ferido. Associamos erros com escolhas afiadas e cortantes, perigos dos mais diversos ou até um cálculo falho. Uma consequência que poderia gerar uma catástrofe horrenda: O efeito borboleta. 

Podemos dizer que quando erramos queremos sempre rebobinar e encontrar o defeito exato para consertarmos. Algo que poderia ser mudado e colocado em prática em um novo caminho, um rumo sem dores ou prejuízos para as pessoas em nossa volta. Resolver palavras ditas sem nenhum consenso, impedir uma perda importante em nossas vidas. Mas, o que seria de nós sem os nossos erros? Eles fazem aquilo que nós somos hoje e de forma alguma poderíamos mudá-los.

Mas a nossa estrelinha, cujo Kim JongHyun, não entendia nada do que lhe é dito. Otimismo a partir de erros? Não, ele se recusava acreditar em algo tão falso. Erros são falhas imperdoáveis onde não podemos cometer. São ações que machucam nossos corações, não mudaria nada o nosso modo de ser já que o mundo continua sendo o mesmo desde as eras passadas. 

Ele queria rebobinar tudo, seus erros e aquela rotina tão sufocante em que vivia. O quão cansado se sentia fazendo as mesmas coisas e vendo o tempo passar lentamente pela janela de seu quarto. Odiava o tédio e cada vez mais se arrependia de ter vindo para essa cidade tão calma... Mas ele precisava estar ali, um objetivo tinha que ser cumprido não importa quantas tentativas ‘falhas’ fossem necessárias para isso. 

O seu chá com leite, composto por vitaminas tão saudáveis quanto os legumes de sua geladeira, exalava sua fumaça quente e bem reconfortante além dos raios solares que ultrapassavam as janelas pequenas de sua cozinha espaçosa. JongHyun permanecia sentado, pensando várias vezes na palavra “erro” e o quanto ela era refletida em sua mente complexa. Talvez estivesse mais cansado que o normal, e com a ideia mínima de que estaria pirando por estar dando tanta importância para um significado tão simples. Era só uma palavra, pra quê aquilo tudo? 

Se sentia sendo observado pelos quadros enormes, aqueles onde sua mãe insistiu de serem colocados e bem arrumados, eram três na sala de estar e olha que se não fosse por ele teria mais de nove. Achava realmente icônico gostar imensamente de artes sendo que odiava aqueles quadros estranhos, tão abstratos e sem um pingo de originalidade. O relógio com um símbolo de uma raposa fazia seu som único e peculiar, onde os ponteiros se ajustavam num movimento harmônico expressando as horas seguintes. O líquido preenchia sua garganta formando um sabor relaxante e doce, os dedos aquecidos ao segurar o seu copo de porcelana vermelho trazia aquela sensação de paz, essa que não poderia ser tirada por ninguém...

Ah, esquece, Sharon entrou em seus pensamentos novamente... Céus! O que aquela garota tinha feito com ele? Suspirou e balançou a cabeça veemente, tentando dispersar a imagem de Jae em sua cabeça. Precisava se distrair, de uma forma ou outra.

09:35 da manhã

Mais um acorde tinha sido desafinado em seu violão, cada vez mais precisava de cordas novas para ele e isso era deprimente já que não tinha o necessário para comprar. Não que fosse caro, contudo precisava juntar e por momentos de subsistência não estava conseguindo o suficiente. Em sua cama, onde diversas folhas encontravam-se espalhadas em sua frente, os acordes eram tocados com convicção só que acabavam espontaneamente sendo soltos no ar buscando uma continuação inexistente. Após um banho para relaxar seus músculos tensos, resolveu se achar na música que era em si uma de suas paixões além dos livros empoeirados de sua estante.

You’re so Rock and Roll!– Tentou novamente, se lembrando nas palavras certas. Ficou triste ao perceber que pelo violão o ritmo não ia ser o mesmo. Precisava de um instrumento maior, pesado, com notas baixas... Poderia ser o baixo? Ah, tinha deixado com Onew um dia desses. Que tal um teclado? Não, Taemin só o tinha conectado em sua casa e não se encontrava nem um pouco afim de ir até lá, era longe comparado a moradia dos seus outros amigos. Droga, ficava cada vez mais sem opções que pudessem resolver seu problema... – A-Ah! Por que tão difícil?! – Se perguntou ao se esticar pela vigésima vez, seus ossos não estralaram por estar tão cansados dos movimentos repetitivos. Deu um suspiro resolvendo que aquela música chamada White T-Shirt não iria resolver em nada, até porque não pensará em nenhum instrumento que pudesse combinar com ela. Aquele momento onde seus amigos mais próximos poderiam ajuda-lo, graças aos estudos foi difícil manter a vida social muito menos a comparecer as festas do pijama onde Key dava na maioria das sextas. Minho tentava a todo custo fazer uma dessas na casa de JongHyun porém só era para jogar bola no seu jardim espaçoso e acreditando ou não, ele amava tudo que era redondo e vê-lo desmontando a grama seria um baita trabalho complicado. 

Sentia saudade dos seus amigos, e isso o deixava triste por não poder visita-los. 

Se deixou ser vencido pelos pensamentos nostálgicos dessa vez jogando seu tronco no colchão macio e cheio de papéis nada confortantes para o seu estado confuso atual.

11:08 da manhã

Cantarolava uma música qualquer com sua voz melódica estalando os dedos de acordo com o ritmo que sua mente a propagava aos poucos. Montava seu *Bibimbap com maestria, o ovo frito foi bem colocado no centro do prato enquanto esperava a carne esquentar em sua frigideira novinha e folha. Os legumes bem cortados no prato fundo esperavam, ainda bem aquecidos, a carne para ser colocada. Após alguns minutos resolveu de uma vez montar sua refeição que até agora estava perfeita, e bastante reforçada. Se sentou no sofá e colocando logo depois o suco na mesinha da frente para não derramar. 

Novamente o tédio acabou tomando conta de si. O que ele faria agora? 

Com o controle em mãos mudava de canal sem parar, até chegar em um de receitas qualquer, um canal de variedades diversas onde lembrara sua mãe que os via sem parar quando pequeno. As falas das apresentadoras ao ensinar algum prato estrangeiro era sem dúvidas hipnótico porém nem tanto quanto Sharon... Olha só, mais uma vez pensando na noite de ontem. Se perguntava onde ela estaria e o que fazia agora, já que saiu sem deixar respostas e isso acabava sendo frustrante para ele. 

Bufou novamente se sentindo um otário completo por pensar nela em um programa de variedades. Agora Sharon não passava de uma comida maravilhosa por JongHyun. Um Kimchi muito bem preparado e feito por... Vamos esquecer os detalhes. 

Pegou o seu celular e ligou para o seu dongsaeng mais sincero e irritante do mundo: Taemin. 

Ele é conhecido por ser tapas a caras, um ótimo dançarino nas horas vagas e... Puxa saco de todo mundo. O fato de ser o mais novo era estupidamente incrível, porque por mais que ele seja ainda sim continuava sendo maduro em certas ocasiões. Com uma voz boa e bem melódica assim como a de JongHyun, um garoto incrível que entrou na vida dele para ficar e simplesmente fazê-lo mudar de uma hora para outra. 

– Não queria me ocorrer a isto só que certas coisas me fizeram entrar em colapso e preciso da sua maravilhosa companhia. – Falou avistando o rosto de Taemin na chamada de vídeo. Bem, na verdade só o teto já que ainda estava acordando do seu estado sonolento. – Bom dia para você também.

– Hyung, por que me acordaste?– JongHyun era uma influência maravilhosa para o nosso Maknae. As leituras de gibis e principalmente Hamlet fizeram o seu vocabulário crescer involuntariamente. – Faltou a aula novamente? 

– Digamos que só procrastinei novamente, vamos colocar essa palavra em prática mesmo. –Falou JongHyun abrindo os hashis de madeira. – Quer assistir de novo Toy Story  comigo? 

– Com que dinheiro eu vou? – Falou pegando o celular com a mão e finalmente trazendo sua beleza para o celular. – Dino eu não vou andando. 

– Tem certeza? Nem pelo seu melhor amigo? 

– Depois de seu Bibimbap ser a única preferência da casa não estou nem um pouco afim. – Dino abriu a boca indignado, e obviamente cruzando os braços pronto para se explicar e defender a sua comida quentinha. 

– Seu Bibimbapfóbico! Essa coisa maravilhosa que você chama de “Troço” é extremamente gostosa, tá? Ai Taemin, magoou meus sentimentos. – O mais novo riu enquanto ajeitava o cabelo rebelde que caia constantemente em um dos seus olhos. – Silver tape está faltando na sua casa?

– Eu não sei, está? 

– Claro, quando eu fizer uma visita pode ter certeza que nem comer você vai. Está precisando tapar essa língua afiada. 

– Nossa, não sabia que era tão agressivo por causa de um Toy Story. 

– Corrigindo: O melhor desenho da Disney inteirinha. – Deu uma mordida na carne enquanto observava o rosto de nojo de Taemin. – O que foi?! Só é um prato de comida descente. 

– Prefiro o meu rámen mesmo. Enfim, como você tá? 

Uma pergunta tão simples que fazia toda a diferença numa conversa. Seria tão errado dizer não? O mundo seria bem diferente se cada “Tudo bem” virasse um “Não, não estou bem.” JongHyun sabia com vapor o quanto as palavras tinham poder e o quanto elas geravam atitudes precipitadas e ás vezes sem nexo algum. Querendo ou não sua vida encontrava-se de cabeça para baixo e nem por isso seria melhor se expressar da maneira certa que queria e muito menos preocupar os outros com isso. 

Estou bem, tudo bem. E você? Treinando bastante? 

– Não me lembra disso, estou com bolhas nos pés de tanto me cobrar. Espero passar para a faculdade de dança com todo esse esforço.– Rolou os olhos e se levantou da cama para se comunicar melhor com o seu Hyung.– Eu sei, você vai dizer de todas as formas que fracasso é acima de tudo uma melhora drástica só que... Eu não consigo me imaginar sem estar lá, sabe?

– Acho que você deveria agradecer as falhas que comete.– Taemin abaixa as sobrancelhas.– Com Albert Einstein eu aprendi que graças as falhas dos nossos antepassados somos o que somos hoje. Uma falha simples pode acabar virando um grande estopim para algo novo e extremamente abundante. Deveria pensar nisso ao invés de se cobrar tanto, não gosto de vê-lo assim. 

– Okay, vou tentar.– Abriu um sorriso fraco atendendo o pedido de Dino.– Cheguei da escola cedo só por causa da dor nas costas que eu estava sentindo. 

– Se prometer ver Toy Story comigo talvez eu chegue a massagear aonde dói. Certo?– Tentou mais uma vez, chantagear o seu amigo.– Por favor, deixo até a video chamada na frente da TV só pra você ver comigo. 

– Desculpa mas treino é prioridade. 

– Não fale mais comigo. Não acredito que está me trocando pelo sapateado. JongHyun não gostar de ver Toy Story sozinho. 

– Já disse que você fica fofo falando em terceira pessoa? – Falou Taemin enquanto pegava roupas limpas em seu armário. – Desculpa Dinossauro, Not Today. 

– Vai virar o Bob Esponja de tanto dançar, aproveite.– Falou JongHyun colocando praga no amigo, além de seu prato vazio na mesinha de centro.- Enquanto isso vou pensar na sua traição quando o Woody brigar com o Buzz Lightyear no filme. 

– Sério? Eu só disse que...

– Olha só, será que o *Hwarang está passando na TV? Talvez ver o Kim Taehyung do BTS dançando com uma espada seja a melhor forma de esquecer uma traição. Ignoro mesmo, tchau Taemin-traidor-de-Toy-Story’s!

 

[...]

16:35 da tarde

Automaticamente o seu corpo se movimentou para a porta de entrada ao passar pelo corredor gigantesco. Dino se sentiu estranho por um momento e todos os seus pensamentos chegavam a ser voltados só para Jae Hwa, sua colega de classe do sexto ano e encrenqueira de primeira. 

Muitas vezes já a observou roubando lojas de conveniência, pichando muros com seus desenhos delicados e até usando seu linguajar nada agradável para conseguir ás coisas. Era deprimente vê-la estragando sua pouca bondade com essas pequenas atitudes, Albert Einstein dessa vez estava certo em relação aos nossos antepassados. Aqueles erros a fizeram o que é hoje, os atos que as pessoas cometeram com ela a tornaram daquele jeito, o caminho que ela percorrera foi uma escolha porém nem tudo foi com base do que ela imaginou. 

Pensar dessa forma era sem dúvidas reconfortante e com isso pensou em ajuda-lá. Vai que conseguiria?

E assim mais uma vez ele ficou preocupado com a garota, não por ter saído sem rastros de sua casa e sim a forma como ela se acabava aos poucos com seus atos doloridos. Poderia muito bem entendê-la e assim ajuda-la em algo que ela precisasse. Esse seria o certo? Seria bom colocar em prática. 

O garoto sabia exatamente por onde começar, seguir o fluxo dos sentimentos era a ideia principal...

>>>>O<<<<       

– É aqui que você vem quando quer desestressar? Não sabia que era importante ao ponto de faltar todas as aulas existentes da escola. – Falou ao olhar a garota sentada na calçada. Percebeu que a sua camisa branca ficara longa nela e como ela ainda não percebeu que estava com a mesma. JongHyun não contava que Jae sentia uma raiva enorme dele, por um motivo digamos aceitável. 

Desde o começo ele acreditava que ela estaria ali: Num muro de um ferro-velho pixando qualquer desenho que satisfazes-se seu gosto.

– JongHyun, eu não quero conversar sobre isso. – Falou a garota com a cabeça abaixada, como se estivesse triste com algo. 

– Fiquei preocupado, só isso. 

– Do jeito que você leva as papeladas de representante a sério eu duvido muito.–  O desdém proferido na frase fez o garoto de cabelos bagunçados ficar confuso. Uma confusão interna por se sentir ofendido com aquilo. – Além de me fazer perder o emprego ainda quer vim aqui discutir comigo sobre os meus gostos pessoais? Sinceramente, dá o fora. 

– Emprego? O quê? 

– ISSO MESMO QUE OUVIU!– De repente ela se levantou e o olhou com fúria, quase arrancando os olhos dele com as mãos.– Graças ao seu grandioso trabalho sobre Edgar-não-sei-quem eu perdi a única coisa que me mantinha viva. Como eu vou alimentar a minha irmã agora?! Com papelão?– Se segurou para não surtar, a raiva era tanta que o sentimento chegava a ser assustador. Dino não sabia o que dizer mas ao mesmo tempo sabia o que pensar, era complexo analisar aquilo de perto.

– Isso não seria um erro seu? Só fiz o que me mandaram fazer que era lhe auxiliar nas tarefas. Você mesma está se atrapalhando e sabe disso, só não aceita.– Ditou sincero mesmo sabendo que aquilo o machucava por dentro.

– Para de me julgar! Eu sou assim e pronto!– Falou a garota cruzando os braços de forma defensiva.– Gosto de fazer o que me agrada e só por causa disso todos apontam o dedo pra mim como se eu fosse uma ameaça ao governo? Esperava mais de você.

– Não estou julgando e sim ajudando. Quero que abra os olhos é diferente. 

– Só se for os seus que ainda sim continuam me vendo como uma rebelde sem educação. – Os olhos dela marejavam prontos para dar um longo passo e virar lágrimas doloridas.

Aquilo apertou o coração de Dino, depois de ontem que ouviu atentamente sua história acabou tomando cuidado no que diria daqui para frente. Jae era uma garota muito machucada e com isso era melhor não se precipitar tanto.

– O que eu posso fazer pra te convencer que estou dizendo a verdade? – Tentou fortemente defender sua tese já que a garota não era nada calma com os seus sentimentos turbulentos.

– Nada. Só sai daqui e me esquece.- Enxugou uma lágrima brutalmente de seu olho esquerdo enquanto esperava o representante de sala sair de cena e abandona-la ali mesmo. 

Droga, o que ele faria agora?


Notas Finais


Bibimbap é um prato coreano feito com vegetais, arroz, ovo e carne.
*Hwarang um dorama maravilhoso com Kim Taehyung do BTS e na moral, recomendo a vocês porque é bom demais é isto ksksksksk.

Eu não ia colocar de maneira alguma a Rewind mas acho que explicar como funciona a depressão foi a letra mais eficaz e interessante de se botar. Bom, admito que entendo desta doença porque infelizmente eu a tenho,e nada mais justo que fazer as pessoas entenderem um pouco mais como ela funciona. Se estiver precisando de ajuda, converse e não se sinta envergonhado nunca, porque você não está sozinho.

Espero que tenham gostado, principalmente essa interação do Taemin kkkkk que meu deus ri demais ao editar, e comentem bastante para nos motivar a continuar postando ksksksksks. Bjsss minhas estrelinhas e até a próxima <3!!


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