História Blonde Rosé - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Tags Aluna, Hentai, Nalu, Professor
Visualizações 81
Palavras 5.056
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Festa, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Primeiramente... O capítulo não deveria ficar tão imenso! Como eu havia dito, não era meu propósito escrever essa história feito uma bíblia, mas isso é aparentemente mais forte que eu.

Segundo que eu estava sentindo falta dessa belezinha. Estou meio apertada na rotina, mas tenho tantas ideias para essa história que está impossível deixar de publicá-la. Espero que estejam gostando tanto quanto eu. (づ ̄ ³ ̄)づ

Desculpe se deixei passar algum erro e boa leitura!

Capítulo 3 - O Professor Particular.


Fanfic / Fanfiction Blonde Rosé - Capítulo 3 - O Professor Particular.

B L O N D E  R O S É

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Capítulo 3 - Professor Particular

 

Você deve saber como o papel hormonal durante a adolescência é facilmente comparado à uma avalanche. Uma vez havendo a existência de um monte nevado, a possibilidade de ocorrer um deslizamento é de nove em dez casos. Minha atuação no teatro da realidade condizia com uma montanha de neve e, quando meu olhar caiu sobre o de meu mais novo professor, minha tacha hormonal irrompeu numa avalanche. Intensa, destruidora e imensa.

— Você é Lucy Heartfilia, correto?

Seu timbre argumentador não foi apto a despertar-me para a realidade; a repercussão foi contrária, devo ressaltar. Eu fui uma jovem observadora desde a minha ingenuidade da infância, e essa característica, como muitas outras, não caiu ao esquecimento com a chegada da minha puberdade. Logo, analisá-lo de forma atenta não me pareceu estranho ou ligeiramente anormal naquele momento —  para ele deve ter parecido bizarro, porque lembro-me de tê-lo visto franzindo as sobrancelhas, de modo que elas ficassem quase unidas.

— Seus pais estão em casa? — insistiu na conversação.

Eu pigareei, aprumando-me no lugar e finalmente revelando que eu não era surda ou algo semelhante. Todos adolescentes sentem-se oprimidos perante a presença devastadora de algum adulto supostamente dominante e profissional? Desconheço a resposta, mas sei, por experiência própria, que eu sentia-me feito uma barata diante uma sola de um sapato.

— Não, eles não estão, sinto muito — eu havia sido capaz de contradizer, enquanto fazia força para que a voz saísse mais grave do que uma boneca infantil falante — E sim, sou Lucy.

Ele riu, moderado. Espiou de forma discreta o interior da casa e ajeitou-se em seu lugar, suspirando e voltando a me encarar. Natsu Dragneel, detentor de uma influência forte — a mesma que fazia com que eu me sentisse um inseto insignificante — fez-me ter ciência de que ele gostava de olhar dentro dos olhos alheios. Isso me desconcertava. Sempre detestei e venerei esse seu hábito e, naquele instante em que eu não estava acostumada a sustentar seu olhar, olhei para meus pés descalços como se fossem mais interessantes.

— Acho mais apropriado eu entrar na presença de seus pais — ele garantiu, fazendo menção de retirar-se.

— Eles já estão para voltar. Posso fazer uma ligação agora.

Aquilo, em caso algum, seria atitude mais sensata a se proceder. No entanto, se ele fosse de fato contratado para ser meu professor, eu deveria me acostumar com sua presença em minha casa na falta de meus pais, que provavelmente estariam trabalhando no decorrer das aulas que viriam. Sem faltar o detalhe de que, claro, um deles me ligaria a cada quinze minutos para ter noção do meu bem-estar.

Natsu adentrou a sala e aspirei o seu cheiro. Ele emanava a fragrância daqueles perfumes masculinos, sabe? Exatamente aqueles fortes que deixam resíduos em todo canto. Nas roupas, em pessoas aleatórias, no ar, em objetos, em almas penadas... Era refrescante e isso dava a ideia de que ele havia acabado de tomar banho. Eu gostava, porém, cessei meu farejo no ambiente para que ele não notasse e se recusasse a lecionar na comparência de uma aluna insana.

Sugeri que ele se sentasse, e Natsu o fez. Polido e aplicado, sacando o celular do bolso e rolando os olhos sérios na extensão de alguma mensagem. Aquilo fez com que eu me recordasse de ligar para os meus pais. Avisei-os da presença do meu professor, bronqueei com relação ao fato de que eles não haviam me avisado sobre a ocorrência de sua vinda e instiguei que viessem sem demais atrasos. Dessa maneira, cogitando oferecer um copo de água, comecei a trabalhar mentalmente quanto ao fato de que Sting estava recluso em meu quarto. Entretanto, seria um ultraje abandonar Natsu na sala de estar.

— O senhor quer água? — eu havia comentado — Também há café, suco, vinho...

— Não se dê o trabalho. Obrigado — ele replicou, ainda analisando a tela do celular antes de voltar-se para mim. Ele franziu a testa, segurando o riso — Realmente acha que aparento ser velho o bastante para ser chamado de senhor?

— É questão de respeito, sinto muito — rebati, envergonhada e indignada em proporções iguais. Ele balançara a cabeça negativamente, sorrindo e fitando a televisão, que só naquele momento notei estar desligada.

Natsu simplesmente assentiu, metódico. Sua imobilidade me incomodava. Era como se ele não me notasse de forma real e me visse unicamente como um cachorro que era coagido a adestrar. Isso comprovava seu profissionalismo e maturidade, circunstância que havia me afetado e tentado a questionar até onde ia o bom-senso daquele homem que exibia-se tão sóbrio.

Eu estava sentindo seu olhar — inegavelmente não perverso ou com fins maliciosos — pesar sobre minha face quando assentei-me em um dos braços do sofá, numa distância segura e longe de ser suspeita dele. E, teclando no celular de modo ligeiro, redirecionei uma nota para Sting, solicitando sua saída pela janela guilhotinada do meu quarto, visto que meus pais viam-se próximos de chegar e seria uma calamidade caso quisessem fazer um tour pela casa e o notassem em meu quarto, certamente esparramado sobre meus lençóis feito uma estrela e com a barraca armada, aguardando minha chegada que nunca aconteceria.

— Talvez não seja o assunto mais interessante para uma primeira impressão, mas talvez as coisas fiquem menos complicadas se irmos agilizando com algumas delas — Natsu dissera, e custei a acreditar que eu era única pessoa do cômodo a quem ele poderia estar puxando conversa — Você poderia começar me dizendo o que gosta de fazer e, depois, passamos ao pior assunto, que é sua média escolar. O que acha?

Eu havia mordido o lábio em precipitação, olhando-o de esguelha por entre minha cortina de cabelos que soltavam-se do nó malfeito e pouco atraente. Ele deveria saber, a menos que fosse tão tapado quanto uma porta, de que é parcialmente impossível responder algo deste gênero. Deixe-me explicar melhor: É como se algum infeliz te fitasse dentro dos olhos, indagando a pergunta mais enfadonha de todas; "Fale-me um pouco a respeito de você."

— Acho um tanto quanto menos complicado se começarmos com as minhas médias, embora eu tenha certeza de que meus pais já deduraram em relação a elas para você — eu replicara, apoiando os pés desnudos no estofado do sofá — Não penso em mim mesma o bastante para saber algo interessante para te contar.

— Isso já é algo sobre você — Natsu retorquiu, brando, e eu não o encarava para ter ciência de sua expressão — Tudo bem, vou dizer coisas sobre mim mesmo e depois você segue o roteiro.

Recordo-me de vê-lo ajeitar-se no sofá, de modo que ficasse mais espontâneo e foi inevitável eu mesma não sentar-me de forma apropriada, abrindo mão do meu lugar no braço do assento. Desse modo, quando ficamos sutilmente mais próximos, ele passou a promover sua biografia própria.

Escutando-o de maneira atenta e envolvida, pude ver Natsu sorrir, ponderado, enquanto ditava ser péssimo acerca de qualquer tipo de interação social. Por esse motivo e muitos outros, ele havia concluído alguns semestres no curso de psicologia antes de trancá-lo e focar-se unicamente no objetivo de lecionar. Isso fez com que eu ficasse receosa, temendo que ele pudesse me analisar quando bem entendesse.

Descobri, também, que Natsu possuía um fraco por mirtilos e, para piorar tudo, ele amava quando sua noiva preparava-os com calda de açúcar pela manhã. Imediatamente tratei de examinar suas mãos e notei uma aliança, a qual ele girou no dedo ao notar meu olhar sobre ela. Alguma esperança sem bom senso que eu havia criado — embora nem soubesse o momento onde ela havia surgido — morreu naquele mesmo instante, e tratou de reaparecer quando ele revelou que possuía tatuagens pelo corpo todo. Fiquei tentada a vê-lo nu para analisar cada uma delas, no entanto, ele somente puxou a gola da camisa levemente e revelou o inicio de uma delas, começando no ombro e certamente serpenteando do peito aos braços.

Eu havia precisado de cerca de meia hora para começar a sentir-me a vontade. Desse modo, passei a questioná-lo. Queria absorver o máximo de informações que podia e, em um dos meus questionários, descobri que ele era o cão durante o colegial e por pouco não reprovara duas ou três vezes por falta de responsabilidade. À vista disso, ele havia se submetido a um vício durante a adolescência e o carregava até nessa época. Era submisso ao tabaco e, tirando sarro de sua desgraça própria, Natsu chamou-se de Pulmão Bronzeado. Eu estava gargalhando acerca disso quando meus pais finalmente chegaram e encararam, pasmos, a intimidade que eu já havia criado com o sujeito que havia conhecido uma hora antes.

— Vejo que já são amigos — minha mãe comentou, despejando as recém compras sobre a mesa da cozinha e dirigindo-se a Natsu para cumprimentá-lo.

Eu era uma tola, hoje posso assumir, mas admito que fiquei enciumada quando notei que Natsu havia voltado todo seu foco — que antes era somente meu — aos meus pais. Estavam dialogando acerca de orçamentos, quantidade de aulas semanais e estimativas de quando seria o encerramento delas. Meus pais estavam gostando dele, eu conseguia notar. Todos fascinavam-se por ele e eu, infelizmente, acabei por também afogar-me em seu encanto.

Fui totalmente ignorada por quase uma hora inteira, tempo suficiente para que eu verificasse minhas mensagens e confirmasse se Sting havia deixado meu quarto.

"Ainda estou duro, loirinha. Isso não se faz, sabia? [16:34]

Hahahaha, vejo que vou ter que cuidar dos meus problemas sozinho. Vou pensar em você. [16:34]

Estou saindo. Quando seus pais saírem de novo, me avise. Quero terminar o que começamos. Mais tarde ligo pra você. [16:35]"

Voltando à lista de conversações, havia uma nota de Erza.

"— Vamos ao pub hoje. Jellal, amigo de Gajeel, é maior de idade e vai acompanhar. Bora? [16:56]"

 

+++

 

Garanto que a atitude mais sensata a se tomar seria manter minha presença em casa, especificamente dentro do quarto e sob a imensidão de atividades de álgebra, fervendo os neurônios em irritabilidade e frustração por não ser inteligente o bastante. Certo?

Errado.

Perante o crepúsculo de fim da tarde, onde o laranja pincelava a superfície sutil dos céus, eu me enfiava no aperto de uma calça, milimetricamente acompanhada por uma blusa de algodão.

Depois de minha ferrenha insistência, — honestamente, eu havia vindo ao mundo para viver da advocacia — eu havia conseguido suprir meu desejo de bater perna novamente, ante a presença de meus amigos, após até mesmo derramar lágrimas derradeiras aos meus pais. A propósito, poucas horas antes, Natsu havia, infelizmente, — para a minha completa e genuína desgraça — deixado minha casa.

Sério, acredite em minhas palavras, até aquele momento, eu não havia despertado em meu âmago qualquer resquício de sentimento por ele —  até porque era Natsu quem tomaria meu tempo nas próximas tardes com fórmulas e atividades. Uma calamidade — mas sabe quando, ao notar e interessar-se sexualmente por alguém evidentemente atraente e sensual, você quer manter-se próximo ao felizardo?

Esse era o meu caso, admito. Eu ainda estava tentada a espiar suas tatuagens e descobrir se ele possuía algo digno de meu interesse no resto do corpo —  e eu sabia que ele possuía.

Você pode me julgar, porque eu havia convidado Sting a me acompanhar no pub, a fim de findar meus desejos insanos isentos de castidade. Não era bem usá-lo, veja bem, ele também queria. No entanto, Sting me queria, e eu estava salivando por outro.

— Lucy, sua loira falsificada, desça logo! — o timbre de Juvia eclodiu, ao passo que esta berrava aos quatro ventos, especificamente diante minha janela. Nós tínhamos campainha, mas ela aparentemente não concedia créditos a isso.

Eu havia descido a escadaria de forma veloz, tropeçando em meus próprios calcanhares e ponta dos pés, temendo que meus pais tivessem mudado de ideia e sugerissem — ou ordenassem, com um chinelo de borracha em riste — que eu fosse procurar algo melhor para fazer.

Do lado externo de minha moradia, um homem conduzia um Honda. Um Honda Civic, porra. Ele era tanto quanto formoso, contudo, detentor de alucinógenos e peculiares cabelos de cor azul. E, como se seu complexo afamado de madeixas coloridas em cores vibrantes não fosse suficientemente chamativo, possuía uma tatuagem vermelha no contorno de um dos olhos, de forma que a pele fosse ladeada com as formas sem sentido.

Presumi que ele era Jellal, o homem maior de idade, que detia uma parceria com Gajeel. Em outra situação, dias após o ocorrido, Erza viria a declarar sua paixão unilateral recentemente descoberta, voltada à ele. Não era eu a pessoa mais apta a julgá-la, meu status pessoal não diferia-se tanto, visto que meus mais impuros sonhos convergiam a um sujeito de cabelo rosa, este espetado para todos os lados, ainda por cima.

Nossa entrada no pub foi relativamente descomplicada, visto que não havia um problema digno de cautela uma vez que não bebêssemos. Eu estava fervendo, transpirando todas as minhas cotas de água corporal, após sair do ardente aperto do carro. Todos nós estávamos espremidos nos bancos momentos antes, urrando de forma vergonhosa e estrondosa a letra de alguma música qualquer que não condizia com nosso idioma, certamente nos levando a fazer alguma oração satânica sem que notássemos. Eu não ficaria surpresa caso topasse com o cão naquela mesma noite. Eu só esperava que isso não viesse a acontecer quando eu me deitasse para hibernar horas mais tarde.

— Sting não vem? — Levy questionara, serpenteando até minha dianteira e tomando minha mão com a sua própria.

Naquela noite, eu havia vindo a ter noção de que ficaria a ver estrelas. Sting havia mandado um áudio alegando sua ausência, devido a um infortúnio imprevisto, mencionando que sairia para um jantar em família, de modo que ocorrido fosse ocupar-lhe todo o tempo que poderíamos estar perdendo num boteco pomposo. Sting encaminhara até mesmo uma foto, onde ele sorria, exibindo o polegar erguido e seus pais ao fundo, olhando para o lugar errado, sorrindo aleatoriamente enquanto caçavam o foco da câmera.

— Não podemos comprar nada, vão solicitar nossa identidade — Gray declarou, insinuando-se de modo sutil a Jellal, generalizando uma súplica muda. Este que, por sua vez, piscou e ergueu um dedo, erguendo-se e articulando antes de sumir do alcance de minha vista: Só uma. Todos festejaram, gratos, quando ele retornou com uma garrafa larga de cerveja e a descansou sobre a superfície da mesa redonda. Eu realmente não identificava-me com aquela bebida, uma vez que minha opinião sobre ela convergia sobre ser algum produto espumante tóxico ruim e muito amargo, então fui a única a permanecer acima do muro quando Juvia ofereceu um copo.

— Aqui tem licor, por que não pede para ele? — Erza sussurrara ao pé do meu ouvido, pendendo a cabeça em direção ao seu objeto de adoração de cabelo azul.

— Não inventa.

Erza riu e ergueu o copo de cerveja para mim, depois ao centro da mesa, onde foi acompanhada por todos os outros, bravejando em um uníssono sonoro e infeliz: "Um brinde à freira Lucy". Nesse instante, esfregando os braços para me livrar da recente friagem noturna, espreitei as proximidades, a fim de confirmar se alguém nos olhava e cogitava contatar funcionários de algum sanatório para nos recolher. Imaginei que estivesse realmente com um parafuso frouxo, porque, ao longe, ninguém menos do que meu professor particular ria com o que eram, aparentemente, seus colegas.

Lembro-me de ter puxado o ar com tanta força que meu dorso inflou-se, provocando um som, no mínimo, esganiçado e pouco charmoso. Virei-me depressa, fitando a mesa e esperando que minha falta de movimentação fosse capaz de livrar a atenção dele de mim. Portanto, estática e frustrada com a possibilidade de Natsu pensar que sou uma cachaceira de mão cheia — não era como se ele não fosse um — aguardei e supliquei à todas as divindades existentes e não-existentes que ele não reparasse na cabeleira loira e estremecida a menos de dez metros de distância.

— O que houve? — Erza questionou, crispando os lábios carnudos saturados em espuma, formando um indelicado e branco bigode molhado — Por favor, não me diga que viu uma aparição. Eu venho tentando levar meu conceito ateísta a sério.

— Atrás de mim, há um homem de cabelo rosa — ela franziu a testa, quase desfazendo-se num riso e cogitando a ideia de sua melhor amiga ser uma inescrupulosa — Ele é meu professor particular, aquele que cheguei a comentar. Olhe devagar.

Então, tão lentamente quanto um leopardo e tão delicada quanto um coice, Erza entortou-se na direção estipulada. Tão logo quando notei, chutei sua canela, que por acaso não era dela, e sim de Gray, que soltou um berro indignado, batendo o joelho sob a extensão plana da mesa e derrubando a garrafa de vidro, vazia, de cerveja aos ares. Juvia gritou, Levy espantou-se e seguiu seu exemplo. Lembro-me de ter soltado um muito pouco refinado "puta que pariu", e então todos remanescentes naquele meio social vontavam-se à mesa ocupada por uma congregação de imbecis. Inclusive ele, que olhou dentro dos meus olhos e demorou-se um pouco a sorrir. Um sorriso isento de cortesia, mas atulhado em sarcasmo.

Sendo uma adolescente isenta de qualquer origem de soluções para problemas como aquele, ponderei de forma atormentada se deveria sustentar o olhar de Natsu ou virar-me, de modo com que eu negligenciasse sua existência. Ele encerrou sua análise sobre mim e se voltou à mesa de bilhar, a qual utilizava com seus amigos, e cogitei a possibilidade d'ele estar cismando em ignorar minha presença, da mesma forma que eu pensava em fazer segundos antes. Eu não o culparia caso o fizesse.

Natsu inclinou-se sobre a superfície da bancada, manipulando o taco e acertando um conjunto de bolas após uma minuciosa inspeção a respeito da jogada que, posteriormente, rendeu um resultado satisfatório, uma vez que ele sorriu após tê-la feito. Segurou o taco, pousando-o no chão, fitando o movimento do próximo jogador e bebericando algo antes de voltar-se para mim outra vez. Seu olhar, tão intenso, consolidou-se em meu rosto e desconfiei de sua ausência de expressão enquanto ele finalizava com o que quer que estivesse em seu copo. No entanto, tão rápido quanto seu olhar chegara, este mesmo se foi quando algum sujeito de cabelos negros tocou-lhe o ombro e o chamou para outra jogada.

— Você vai falar com ele? — Erza questionou, enrolando um laço de cabelo nos dedos.

— Nem pensar — rebati, afoita — Será que se eu o ignorar, ele vai falar para os meus pais que estive aqui?

— É uma possibilidade. Se ele é seu professor, deveria zelar por sua estabilidade mental, não é? E não é enchendo a cara que você vai ficar sã. Talvez ele dedure você.

Fazendo jus à minha imaginação ilimitada, passei a teatrar mentalmente o que ocorreria caso eu fosse até ele, visto que não seria a tarefa mais fácil de todas se considerasse que ele estava acompanhado. Meus devaneios trouxeram a memória de que Natsu possuía uma noiva, então minha vista tratou de sondar os arredores a procura de alguma mulher teoricamente mais íntima a ele e, após falhar, passei a meditar sobre o que falaria.

Oi, tudo bem? Veja bem, estou com problemas em álgebra. Se não for um incômodo, o senhor poderia me explicar sobre?

Acredite, não há uma lista muito vasta acerca do que se dialogar com seu professor de exatas.

Querendo transcorrer a noite de forma que minha atenção inteira não fosse unicamente voltada à Natsu, tratei de me redimir com Gray após golpeá-lo de forma tão descarada. Todos do círculo desfaziam-se em risos devido à minha imensa gafe, e não vi problema algum em acompanhá-los. A insistência que tive quanto às incontáveis tentativas para me manter compenetrada perante a presença dos meus amigos é algo que ainda venho a admirar, uma vez que, rindo de alguma conversa mole ocasional, eu era incapaz de desmemoriar meu professor que jogava tempo fora tanto quanto eu. Negligenciá-lo assemelhava-se a ignorar a presença de uma serpente inofensiva à suas costas; ainda que eu soubesse que ele não daria o bote, era incabível relevar sua existência.

Natsu era comprometido, um homem feito e integralmente equilibrado acerca de todos os sentidos da vida. Eu, contudo, via-me como uma colegial beirando uma adolescente inescrupulosa, afogada em problemas patéticos e juvenis. E, para complementar o senso do ridículo, parecia uma garota molhada pelo primeiro namorado. O modo com que eu me sentia imbecil cobria todos os outros pontos sensatos da racionalidade, portanto, disposta a provar a mim mesma que eu não era tão idiota assim, custei a olhá-lo de forma direta, a fim de comprovar de que desejá-lo estava fora do aceitável e correto.

Natsu ria, moderado, do papo furado que o homem de cabelos negros fazia tanta questão de proferir. Vê-lo vestido de forma tão impessoal permitiu que eu analisasse de forma mais viável sua estrutura, a qual eu já havia me pego incontáveis vezes imaginando. Devido ao que sua postura indicava, ele havia parado de jogar e somente apreciava o instante de descanso de suas responsabilidades, o que quer que fosse cada uma delas. Eu não era tão inconveniente para importuná-lo num momento como aquele — uma vez que eu também ficaria zangada se alguém me aborrecesse em meus momentos de folga — então busquei não o atormentar. Não foi como se meu plano tivesse dado certo, visto que, captando meu olhar sobre si, Natsu voltou-se para mim outra vez. Ainda penso que talvez ele estivesse farto das minhas insistentes olhadelas, porque simplesmente ergueu a mão e chamou-me para acompanhá-lo com um jeito.

Segurei a respiração, e esbugalhando os olhos para Erza, lancei a notícia muda e agradeci quando ela compreendeu sem maiores explicações. Todos, inclusive você — ainda que seja o maior impopular do mundo — deve possuir algum colega como ela. Erza apartou os lábios cheios num recatado "o" e agitou-se, sussurrando de forma pouco discreta: vai lá!

Ajeitei a pequena bolsa no ombro, lutando bravamente para que minhas tentativas de ordenar o cabelo em desalinho tenham sido modestas, na medida do possível.

Estava desconcertada quando finalmente o alcancei — ainda mais porque, além dele, todos os seus amigos fitavam-me como quem quer resolver uma incógnita — e forcei o sorriso mais verdadeiro que podia. Todos sorriram de volta, e isso foi o bastante para que eu não me sentisse o pedaço estranho daquele amontoado de gente.

— Não acreditei quando te vi aqui... — Natsu indagou, fazendo uma pausa, a qual completei:

— Lucy.

— Sim, Lucy — riu, pousando uma de suas mãos infinitamente maiores quanto as minhas em meu ombro. Apresentou-me de forma breve, bronqueando, divertido, quando seu colega promoveu uma cantada espontânea. Não dei-lhe créditos, e fitei Natsu, mexendo na alça da bolsa de forma inquieta, quando nos vimos perante um silêncio tangível. Natsu sempre teve o costume de não dar-se conta da minha inaptidão para puxar conversa, e sempre fazia uso dessas situações para analisar-me. Aquela era a primeira vez que exibia esse seu hábito, este que deixou-me quente de constrangimento da cabeça aos pés.

Olhando para baixo, a fim de igualar sua vista com minha altura tampouco valorizada, seu olhar vagou sem precisão pelas extensões de minha estrutura. Por fim, depois de observar intensamente meu rosto pelo tempo que achou necessário, ditou:

— Então, o que faz aqui?

Ignorando o quê de provocação que seu tom emitia, expondo claramente que minha presença naquele estabelecimento era ilegal, dei de ombros ao retorquir:

— Quando me chamam para qualquer lugar, eu vou. Com você não é assim?

Natsu ergueu as sobrancelhas, incrédulo. O sorriso ligeiro que ostentou fez-me sentir tentada a socá-lo por ser detentor de uma presença tão influente, e assisti-o voltar a pegar o taco e esfregar giz em sua extremidade.

— Eu trabalho e estudo. Ter tempo livre é uma raridade.

Fiz uma careta, ciente de que, assim como ele, eu estaria em um emprego e na faculdade num espaço de tempo não muito longe da realidade. Embora a estranheza natural de recém-conhecidos fosse palpável, eu sentia que Natsu esforçava-se para deixar o clima descontraído entre nós. No entanto, nunca ultrapassando o limite da decência. Ele zelava para que nossa relação fosse o mais banal possível, passando longe da linha tênue de interesses impróprios, uma vez que, além do meu posto de menor de idade, ele era comprometido.

E, claro, eu me sentia a pior pessoa do mundo por não ser tão sensata quanto ele. Há uma distância muito grande entre pensar em algo e realmente fazê-lo, portanto, convicta de que se minha atração repentina por ele se mantivesse reclusa em meus pensamentos, não haveria nada a se temer.

Desferindo conversas triviais, acabei por descobrir que o sujeito de cabelos negros era seu irmão mais velho, que chamava-se Zeref. Irredutivelmente simpático — ainda mais que o próprio irmão caçula — acompanhado de sua companheira. Eles haviam começado com amassos ao meu lado quando optei por me afastar, e sendo alvo do toque mais ousado de toda aquela noite vindo de Natsu, senti-o passar o braço em meus ombros.

— Eu aguento isso todos os dias — fingiu sussurrar, aproximando a boca do meu ouvido de forma inocente, mas que fez-me estremecer — Sabe como é, não é? Os dois, bem do meu lado, os estalos...

Eu ri enquanto me soltava dele, depreciando a reverência que minha pele submetia-se ao seu calor. Cuspi algo semelhante a "que horror!" e, quando meu intuito racional começou a agir, já disputávamos uma partida de sinuca sem fins lucrativos, como qualquer aposta.

Naquela noite, eu havia passado a questionar minha concepção acerca do significado de professor. O inimigo natural de toda a minha carreira estudantil agora me obrigava a rever meus conceitos. Eu andava de um local para o outro, dando-lhe atenção e ainda focando em meu grupo, fazendo questão de não deixá-los para o churrasco.

— Você tem quem te leve para casa? — escutei Zeref questionar como quem conversa com uma criança perdida e quase expeli um riso com escárnio. Desviei o foco do jogo de bolas brancas sobre a mesa para ele, e maneei a cabeça na direção do local onde Jellal estava.

— Podemos levar você.

Estaria mentindo se não dissesse que não achei incabível tamanha atitude. Venderei sua gentileza — sim, gentileza, não havia segundas intenções nas entrelinhas —, mas achei incomum propor carona à uma forasteira. Sendo franca, sentia-me mais como uma folgada sem igual em cogitar assentir com a sugestão; meus pais haviam me ensinado boas maneiras, e deixá-las de lado não fazia parte do meu roteiro.

Neguei, agradecida, pousando o taco num dos cantos no estabelecimento, denunciando minha desistência no jogo que gritava com todas as letras que não fazia parte da minha lista de talentos. Natsu conversava com um de seus colegas, e quando fiz menção de visitar a turma a qual eu pertencia, ouvi-o chamar-me pelo nome.

— Sabe que não há problema nenhum que eu te leve, não sabe? Você parece constrangida. Lembre que vai ver minha cara por dias a fio durante meses.

Sua constatação havia me atiçado a fantasiar em devaneios tão ilusórios quanto contos de fadas. Ainda assim, eu claramente seguiria o que a compostura exigia. Ou não.

De fato, não absorvi o instante que concordara com a oferta, porque quando notei estar dentro do carro ㅡ que certamente não era o que eu deveria estar ㅡ, este se encontrava agitado demais para que eu parasse para ponderar em quaisquer circunstâncias.

Natsu situava-se perante o volante, usando-o como uma bateria ao golpeá-lo ao ritmo da música que tocava no rádio, ao passo que Zeref, seu irmão, localizava-se no banco do carona, cantando a letra ágil com maestria e diversão. Perseverei em manter meu estereótipo de boa moça, simulando não notar todas as situações em que os braços de Natsu flexionavam quando manuseava o câmbio.

ㅡ Seus pais te falaram que as aulas vão começar pela segunda? ㅡ Natsu alertou, os olhos brilhantes pela iluminação dos outros veículos adiante.

ㅡ Você estragou a surpresa. ㅡ respondi, acomodando a alça da bolsa bolsa miúda por sobre o ombro ao observá-lo dar a seta ao virar-se rumo à quadra que contia minha moradia. Zeref, como sempre, tracejou por sobre a boca fina um sorriso gentil em prol à despedida, murmurando "até mais ver". Natsu, por seu lado, suspirou ao deter o carro defronte minha porta e virar-se, a fim de sustentar o meu olhar.

ㅡ Foi um prazer te encontrar hoje.

Não era como se Natsu, naquela época, soubesse a queda recente que eu vinha nutrindo. Seja dito de passagem, talvez ele até tivesse notado. Não era burro. Contudo, poderia ter cogitado ignorar o infortúnio na esperança de que este se dissolvesse, tal como se fosse um momentâneo episódio de excitação adolescente. Isso não vem ao caso agora, não quando, inclinando-se na minha direção, fez menção de tocar a bochecha na minha. Veja bem: meu hábito condizia com outra maneira de cumprimento, não era minha intuição tirar uma casquinha. Isso não fazia parte do meu feitio. Porém, não sendo capaz a coordenar os meus movimentos com os dele — e abruptamente espantada com sua investida — agi de mesmo modo com que fazia com todos. Beijei-o. Foi a linha tênue entre a bochecha e seus lábios, suficientemente distante para não conceituar-se um beijo decente, mas nitidamente inapropriado, se julgar a situação até então saudável que possuíamos.

Eu havia conseguido sentir a textura de uma das laterais de sua boca, quase desesperando-me ao constatar a gafe a qual eu havia me metido. Natsu, por sua vez, detiveu-se no lugar. Seus olhos caçaram os meus, e eu procurava ferrenhamente a resposta para a seguinte questão: deveria rever meu erro e me redimir, ou dissimular a realidade?

— Até segunda — foi o que decretou, o fio de voz que lhe sobrara denunciando que havia retido o ritmo da respiração. Seus olhos, tão intensos, fitaram de maneira ágil minha boca trêmula de constrangimento e observei-o fechá-los com força, voltar velozmente ao banco e pressionar a ponte do nariz com os dedos.

Deixei de respondê-lo, saindo do carro com pressa e forçando um sorriso amarelo à Zeref, alheio à toda situação e acenando da janela. Dessa maneira, entrando em casa e ocultando os lábios com o dorso da mão, desfiz-me do torpor que me roubava a consciência e subi as escadas até o quarto, correndo enquanto meus pais perguntavam como havia a procedência do passeio.

Assim, não sozinha, mas com a presença das pernas bambas, arrastei o carvão por sobre uma folha imaculada de papel, retratando à rabiscos o único responsável pela minha recente intimidade ardente e taquicardia.

 

 


Notas Finais


Eeeh, foi uma belezinha aderir tanto o Natsu no decorrer do capítulo! hahaha
Estou indo agora responder os comentários do capítulo anterior. Ainda assim, se você gostou, deixe uma notinha aqui embaixo. (• ◡•)
Até o próximo capítulo, espero que tenham gostado!
xoxo


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