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História Blood - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Sete


Fanfic / Fanfiction Blood - Capítulo 7 - Sete

O  centro de treinamento da Irmandade era um bunker de última geração, de cem mil metros quadrados, com instalações e equipamentos muito melhores do que o do governo.

Localizado no subsolo e protegido por um sistema de portas mais seguro e mais intimidante, que parecia gritar "fique longe daqui". 

O lugar estava fora dos limites para vampiros, humanos ou Lessers. Além dos recrutas que estavam tecnicamente autorizados a estar ali.

No último mês os recrutas se reuniram em lugares designados em Caldwell e seus arredores. O passeio dessa noite durou cerca de vinte e cinco minutos, nos quais Peyton esteve olhando um buraco no crânio de Payne.

Todos os outros estavam cuidando de seus próprios negócios. Novo tinha seus tiros a frente. Boone estava lendo, seja lá o que fosse. Paradise e Craeg estavam negociando um Iphone de ida e volta, como se estivessem procurando pokeparadas  no Pokemon Go e recebendo recepção ruim.

Peyton, por outro lado, parecia não ter nada melhor pra fazer do que jogar vapor como merda de cachorro sobre a neve. Payne era muito bom em ignorar os olhares e mantinha sua expressão dura como uma parede, sem emoção nenhuma detectável. Poderia fazer isso a noite toda.

__ Preciso dizer uma coisa. - Peyton exalou.

__ Isso é mesmo necessário? - Payne murmurou entediado - você já deixou claro seu ponto e , se me lembro bem, eu concordei com você. Fim do drama!

__ Você só fala merda!

__ Foda-se! Quer que eu repita? - Payne nem se abalou - ok, eu posso repetir: Não vou tocar seu precioso primo.

__ Então por que seguiu Zayn ontem?

__ Eu só precisava de um pouco de ar fresco, cara. E seu primo estava parado lá na calçada...era uma rua pública, santo Deus!

__ Estou falando sério, Payne...

__ Quer saber? Eu não tenho sido um viciado em sexo por toda a minha vida, sabia? Eu costumava ser um drogado, que se especializou em assentir na frente da TV. - Payne disse encarando o outro com seriedade e certo deboche em cada palavra que saia de sua boca - e você vai fazer um favor a nós dois e deixar essa merda pra lá. Vira a porra da página e para com essa ladainha. Não vou sair com seu primo puro como a neve. Não vou tocar aquela criatura imaculada. Ele nem é o meu tipo!

Ok, vamos ser honestos aqui. Havia uma vozinha gritando dentro de Payne, dizendo que ele poderia ter passado o dia todo olhando para o teto, revivendo o jeito como Zayn havia olhado pra ele naquela calçada. Como falou com ele, com tamanha petulância.

Aquele garoto daria trabalho, não facilitaria sua vida de forma nenhuma, não seria submisso. E sim, poderia ter sido muito interessante. Mas tinha sido um caso de reação permanente para ambos. 

Mas isso não era sobre ele. Não! Zayn estava muito além de seu alcance e isso era apenas um sinal de que precisava passar muito mais tempo no The Keys, para manter sua sede sexual sob controle.

Quando chegaram ao destino, Payne foi o primeiro a ficar de pé e saltar para fora. havia algumas lombadas e buracos no asfalto, mas Liam jamais se incomodou com eles, porque mesmo que tivesse permissão para dirigir, não era como se ele tivesse um carro ou qualquer perspectiva de conseguir um.

Em seu mundo, não havia dinheiro para nada, além das roupas em seu corpo e os impostos sobre a propriedade humana, da casinha que seu pai havia construído para uma mulher, que nunca tinha dado uma merda por ele.

Sobrava alguns trocados para seu macarrão lamen A eletricidade havia sido desligada novamente e desta vez, nem se preocupou em pagar a conta. Não se importava de viver no escuro porque era melhor do que bater no centro de treinamento, como um humano desabrigado.

Além disso, gás e esgoto eram municipais, então ele tinha água quente e as lareiras funcionavam bem o suficiente para mantê-lo aquecido.  Ele ria sobreviver!

__ Boa noite. - a porta de aço reforçada se abriu, apresentando o Irmão Butch - estamos na primeira sala de aula.

Payne assentiu e caminhou pelo comprido corredor, passando pelas salas de interrogatório e outras áreas de ensino, depois o novo laboratório onde estavam , literalmente, soprando merda.

A sala de aula que usavam era uma configuração típica, ou pelo menos o que ele via na TV. Havia duas filas de longas mesas com pares de assentos, voltados para um quadro antigo. As luzes acima eram fileiras fluorescentes.

Não havia leitura, escrita e rítmica ensinada aqui. Aprendiam a teoria do combate mão a mão, manobras militares, primeiros socorros básicos, dinâmicas de grupo.

Payne sentou-se na parte de trás, agradecendo todos os deuses pelo fato de Peyton escolher os primeiros assentos.

__ Essa noite... - começou o Irmão Butch - vamos revisar o quão ruim cada um de vocês se saiu no simulado de ataque. O que nos levaria a oito ou doze horas de análise. Então, se houver tempo, continuaremos com venenos, com foco em aerosóis e venenos de contato. Mas, primeiro, tenho uma oportunidade de trabalho para alguém.

Payne franziu a testa. E franziu o cenho, pensando...talvez devesse se candidatar, o dinheiro parecia bom e ele precisava de mais dinheiro e menos tempo livre para fazer merdas.

__ A posição oferecida requer a máxima discrição e tato. - o Irmão dirigiu um olhar mortal para todo o grupo - além de um conhecimento íntimo de defesa pessoal.

        

Harry odiava a clínica de Havers mais do que podia dizer. Sim, a instalação subterrânea era segura. E embora não gostasse do tipo, ninguém podia discutir com o tratamento do curador de seus pacientes.

Mas Harry estava sentado naquele corredor, fora da sala de exames, onde Louis e Morgan tinham entrado, no que parecia séculos atrás e por conta disso, quase tudo ali o estava pondo nervoso.

Em primeiro lugar, odiava aquele aroma sintético  limpo. Era falso fedor de desinfetante de limão, que se cravava em suas narinas e o deixava atordoado.

Demônios! Era horrível ficar imaginando que tipo de diminutos minions amarelos, com picaretas e garrafas de spray de merda, prestando atenção pessoal às regiões do nariz.

Em segundo lugar, o silêncio, os sussurros...tudo o incomodava, mesmo que fosse indiscutivelmente uma coisa boa. Todos os sapatos de sola macia se arrastavam, as vozes tranquilas, os carros de suprimentos médicos e equipamentos que, sussurravam ao longo do corredor.

Mas o pior? O que realmente não podia suportar era a atenção que recebia, apenas estando parado ali. Não era como se as enfermeiras estivessem estourando seus jalecos e caindo sobre seu colo. Mas parecia uma maldição todas aquelas olhadas persistentes e os desnecessários multi passeios pelo corredor, cheios de risadinhas .

Já havia lidado com versões de tudo durante toda a vida. Pelo menos desde a segunda fração que tinha conseguido através de sua transição. 

Na fase antes de Louis, ele aproveitou a atenção sexual até o ponto em que deixou uma reputação tão grande quanto uma religião de foda.

Na fase pós Louis, não tinha interesse nenhum em outras fêmeas ou machos. Não tinha olhos para mais ninguém. Na verdade, havia começado a pensar em seu rosto e corpo, como um doce chicote no traseiro que seu cérebro conduzia.  Seu núcleo, sua alma, seu coração, sua casa era apenas Louis.

 E ainda tinha a questão de que sua filha estava do outro lado daquela porta fina, vestida com uma camisola ridícula de hospital, pequena e frágil. Os olhos grandes e largos do medo atual e do trauma passado. Seu espaço pessoal e seu corpo sendo invadido por terceiros...

A última coisa que precisava agora era de pessoas o olhando como se fosse um deus da beleza ou algo assim. Talvez  apenas devesse colocar um saco de papel sobre a cabeça...

Uma mão caiu sobre seu ombro e ele pulou, chocado ao encontrar Zsadist sentado ao seu lado, no piso duro do corredor.

V e Lassiter estavam do outro lado do corredor, discutindo ainda sobre hóquei. V colocou um cigarro laminado entre os lábios e depois o sacudiu, lembrando que não podia acender ali. O anjo, sem prestar muita atenção nisso, continuava falando sem parar.

Harry não tinha energia e nem foco para colocar sobre eles. Tudo em que conseguia pensar era...

__ Morgan já sofreu o suficiente. - ouviu-se dizer frustrado - Deus...há quanto tempo estão lá dentro?

Olhando os olhos de seu Irmão, ele viu que, em vez daquele olhar ser amarelo, os olhos de Zsadist eram negros.

E sim, Harry estava sendo muito chato. Ele estava falando sobre o mesmo por quanto tempo agora? Não era de se admirar que o Irmão tenha ficado frustrado com ele.

__ Desculpe. - Harry esfregou o rosto - sei que preciso calar minha boca que não para de reclamar. Não quero te chatear Z.

Zsadist o olhou como se lhe tivesse brotado um chifre de unicórnio no meio da testa.

__ Não é você, Harry. Eu só quero desenterrar aquele pai dela e matá-lo novamente. - Zsadist disse sombrio - se Nalla tivesse sido abusada assim? Tendo os ossos cheios de rupturas passadas?

E então parou de falar naquele momento e Harry sentiu vontade de vomitar novamente. Aquilo não estava sendo fácil para nenhum deles.

__ Quando são seus filhos, é um nível completamente diferente - Harry começou a bater a cabeça contra a parede e logo preocupou-se que isso pudesse perturbar os médicos ou Morgan - Você sabe que eu não estava preparado pra isso. Quero dizer, eu pensei que a parte mais difícil de ser pai, seria os argumentos, como se Morgan trouxesse um garoto pra casa sem esperar que eu lhe corte as "joias de família" e enterre em algum canto do quintal por desejar safadeza com minha pequena. Mas isso aqui? Eu queria poder estar lá dentro e passar por tudo isso no lugar dela. Não é justo!

__ Você é um tremendo pai, está se saindo melhor do que imagina, Harry. - Zsadist tinha um olhar firme ao dizer isso - Você realmente se importa com ela e Morgan te ama.

__ Eu sinto que estou falhando com ela. - Harry olhou para longe rapidamente, engoliu o nó se formando em sua garganta - não acho que esteja sendo tão bom pai como ela merece.

__ Você está com ela quando Morgan mais precisa de você. Está fazendo o melhor que pode!

__ Não! Para fazer isso direito, eu teria que estar naquela mesa de exames. - Harry negou frustrado - teria que ser meu corpo lá e não o dela.

__ Isso não é possível e você sabe disso. - Zsadist parecia meio frustrado com isso também - a coisa mais difícil de ser pai é não ser capaz de fazer tudo certo e mais fácil pra eles. As vezes, o melhor que você pode fazer é simplesmente estar perto.

__ Tem que haver algo melhor do que isso.

__ Se houver, quando descobrir, me avise.

__ Você é o melhor pai que eu já vi.

__ Tenho que confessar que passo algumas noites acordado, pensando em como eu poderia ter arruinado muitas coisas.

__ Mas é diferente pra você.

__ Por que? - Zsadist o encarou e Harry mordeu os lábios sem dizer nada - está dizendo isso porque Nalla é biologicamente minha? Vamos, coloque em palavras! Porque quando ouvir essa merda sair da sua boca, vai perceber o quão estúpido isso é.

__ Eu só...fico me perguntando se eu faria melhor se...se realmente fosse o pai dela.

__ Como seu pai biológico, quer dizer? Como o filho da puta que a colocou naquela mesa? Você quer ser como ele? Sim, essa é uma verdadeira melhoria e relação a um cara que esteve aqui nesse corredor, parecendo que está passando por uma cirurgia de coração aberto, sem anestesia, porque sua menina está passando por um momento difícil. - Zsadist não foi nada delicado ao dar essa bronca em Harry.

__ Você nunca entenderia. - Harry esfregou os cabelos com tanta força que seus dedos ficaram distorcidos quando parou - você nunca vai estar no meu lugar.

__ Estou apenas mostrando o meu ponto de vista. Se você teve uma mão no parto ou se voluntariou para criá-los, estamos todos no mesmo barco aqui. - Zsadist disse ainda sério - ser pai não é apenas colocar no mundo. Ser pai é amar, proteger de forma incondicional. E é isso que você está fazendo pela Morgan.

__ Estou com medo,Z. - Harry olhou para a porta fechada diante de si - eu estou apenas malditamente assustado. E se tiver algo errado de forma definitiva? Eu sei que é isso que está preocupando a  Doc. Jane, sabe? Ela está preocupada de que a transição de Morgan arruíne seus braços e pernas tanto...que terão que amputá-los.

A imagem de Morgan dançando através do vestíbulo fez seus olhos arder. Ela estava  tão ativa agora...não podia imaginá-la em uma cadeira de rodas, que era operada por ela soprando em um tubo. Essa simples imagem quase acabou por matá-lo.

__ De que diabos está falando? perguntou Zsadist.

__ Algo a ver com placas de crescimento. Houve fraturas que ocorreram ao longo das placas de crescimento de Morgan...coxas, antebraços e panturrilhas...e isso não fui curado de forma correta. Então, quando a mudança a atingir, é provável que se abram e sejam irreparáveis.

__ Puta merda!

__ Louis ainda não sabe disso. - Harry estava novamente repuxando seus cabelos - e sim, eu deveria ter dito a ele antes de tudo isso, mas simplesmente não sabia como fazer. Eu disse a Doc. Jane que faria, mas eu sou um  puto covarde, quando se refere a esses dois. Eu estava esperando...por boas notícias, mas quanto mais tempo passam lá dentro, mais penso no tamanho do estrago que isso vai causar.

Nesse momento a sala se abriu e Doc. Jane saiu. Bastou um olhar para o rosto dela e Harry sabia que a pior das hipóteses havia acontecido lá dentro.

__ Quão ruim é isso? - Harry grunhiu, ficando de pé em um salto - há algo que possamos fazer?

 


Notas Finais


Liam vai aceitar o emprego porque precisa de dinheiro, mas sequer desconfia que esse trabalho vai colocá-lo perto de Zayn novamente kkkk
O que acontece com a pequena Morgan agora?
Comentem e me deixem inspirada para continuar escrevendo.


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