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História Blood Link - Capítulo 4


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Notas do Autor


voltei bem rapidinho <3
obrigada pelos comentários, favoritos, e lista de leitura! fico feliz pelo feedback ^^
boa leitura!!

Capítulo 4 - O Impostor.


O IMPOSTOR





— Espere, tem alguma coisa errada aqui. — O Lee pediu.

Juyeon parou de caminhar e olhou para os lados, ele parecia tentar compreender o que significava a sensação que teve repentinamente. Não conseguia descobrir o que era, seu corpo se tornava o seu maior inimigo quando tentava usar seus sentidos a seu favor. Estava longe de se acostumar com o quão apurado estava tudo ao seu redor, ainda não havia dominado as novidades existentes em seu novo corpo.

Apesar disso, três de seus sentidos estavam agitados. Sentia um cheiro estranho e ouvia vários demônios falando ao mesmo tempo, e os seus dedos formigavam com o ar pesado do inferno.

Não sabia se podia fazer algo contra aquela situação caótica em seu próprio corpo, mas sabia que não era algo normal. Se fosse normal, Juyeon teria entrado nesse estado assim que chegaram no inferno. Mas toda a bagunça começou de repente, tinha que ter algo de muito errado ali.

— Você está…tremendo? — O loiro perguntou confuso, ao ver as mãos mãos do maior. — Suas orelhas estão vermelhas também, Juyeon, seus sentidos já não haviam despertado? Está acontecendo agora?

— Eles já haviam despertado, seja lá o que isso signifique. — Juyeon respirava com dificuldade conforme falava. — Você sente isso?

— Não. — Sohn respondeu assustado. Pela ligação de sangue, Eric deveria sentir o que o outro tinha, mas ele não sentia nada naquele momento. — Venha, sente aqui por um instante. — Ele disfarçadamente guiou o maior até um beco vazio e o sentou no chão.

Preferiu levá-lo para um lugar sem ninguém, não sabia se o maior sairia de controle e se saísse o melhor era que ninguém visse. Mesmo demônios genuínos tinham dificuldades para dominarem os seus sentidos, levam anos até serem completamente controladores de si mesmos, Eric não sabia o que acontecia com Juyeon se ele ficasse fora de controle.

Ele foi um humano por toda a sua vida, e de uma hora para a outra, tornou-se um demônio. Nem o seu corpo e muito menos a sua mente haviam se adaptado com a sua nova realidade.

Juyeon disse que já havia tido seu despertar, mas Eric duvidava que o que ele teve fora realmente um. Provavelmente o moreno teve o início de um, mas não despertou de fato.

O despertar de um demônio era algo similar aos dos anjos, mas enquanto os puros apenas sentiam seus sentidos mais fortes e intensos, os dos impuros era doloroso e perigoso. Os infernais sofriam quando o olfato, o paladar, a audição, o tato e a visão despertavam. Era um mistério até mesmo para os demônios a razão para ficarem tão violentos quando o despertar acontecia.

— Juyeon, sua visão e seu paladar também estão agitados?

O maior se concentrou em si mesmo por um curto período de tempo, e constatou que esses dois sentidos estavam normais. Quietos e pacíficos, como sempre foram.

— Não.

— Não? — Eric murmurou, ficando mais perdido. Então não era o despertar. — Eu não sinto nada, eu deveria sentir tudo o que você sente-

— Isso não importa agora. — O moreno o interrompeu, levantando o olhar para encarar os olhos azuis do demônio. — Tem algo de errado, mas não é comigo. Eu sinto algo estranho ao redor de todos. Algo como uma presença perigosa, entendeu?

— Um pouco. — O loiro suspirou audível, porém, seu corpo se enrijeceu quando sua audição ouviu algo. Eric escutou os sussurros de todos os que estavam na capital naquele momento, deduziu que era aquilo que Juyeon estava escutando também. — Droga, eu não consigo entender o que eles estão falando! — Resmungou irritado.

— Está escutando agora? — Eric assentiu em resposta. — Isso dói, minhas orelhas ardem mais que esse maldito inferno e meus dedos parecem que vão rasgar de tanta dor.

Uma ideia passou rapidamente pelos pensamentos do Sohn, ele poderia tentar dar belladonna ao Lee. Mas e se isso o matasse ao invés de passar a sua dor? Era arriscado demais, e ao mesmo tempo, uma única dose de chá da planta seria o suficiente para que ele não sentisse mais aquelas dores em seu corpo.

Eric então entendeu que Juyeon não iria despertar como os outros demônios, seus sentidos estavam acordando aos poucos. Ele era instável, qualquer um facilmente lhe definiria como um defeituoso. O Sohn era o único que não o achava um ser falho, apesar de não gostar de Juyeon – o que o loiro sentia beirava a algo como uma inimizade –, não era como se o odiasse.

Ele queria ajudar. Eric queria mesmo ajudar.

— Ei, Eric! Me solta! — Juyeon exclamou, quando o loiro agarrou seu braço e o puxou para o fim do beco, o deixando escondido atrás de algumas caixas. — O que está fazendo? Vai me largar aqui?!

— É claro que não, quer parar de pensar o pior de mim? — Eric bufou cansado, se agachando na frente do Lee. — Eu preciso procurar algo nas barracas dos C que te ajude. Você não vai melhorar sem um remédio, e eu não vou arriscar a te dar belladonna. Entende porque preciso ir e não posso levar você?

— Levando em conta que eu sou tecnicamente um E aqui e que serei um servo considerado defeituoso se me verem nesse estado, me deixar aqui esperando você voltar é de longe o único ato de bondade honesta que você fez até agora. — Juyeon surpreendeu o loiro quando lhe respondeu, Sohn não imaginou que eles estavam pensando a mesma coisa. — Pra quem disse que precisava de pelo menos cem anos até começar a se importar com a minha existência, você até que se importa muito comigo. — O sorriso sarcástico no rosto do Lee fez Eric corar, de vergonha e irritação.

— Você é um idiota! Como eu não me vou preocupar, quando você não sabe cuidar de si mesmo? — O demônio desconversou, levantando e virando as costas para o outro. Não queria que ele visse seu rosto. — De qualquer maneira, não saia daqui. Estou indo, farei o possível para retornar logo.

Não esperou a resposta do Lee, o deixou ali no final daquele beco frio e partiu em direção às barracas na praça central da cidade.

Se alguma coisa viesse a dar errado com o Lee, Eric torcia para que soubesse imediatamente. A ligação de sangue que os unia havia falhado dessa vez, mas o loiro guardava as palavras do ex-caçador em sua cabeça para se tranquilizar sobre a força de estarem ligadas um ao outro. Algo estava errado, mas não era com Juyeon. E se esse era o caso, o problema também não estava na ligação de sangue.

Eric precisava investigar, saber o que levava Juyeon a sentir que havia uma presença perigosa ao redor de todos. E também precisava entender o motivo pelo qual os sentidos do moreno estavam agitados e com despertares lentos, algo lhe dizia que não era apenas uma bagunça causada pela mudança de espécie repentina.

Isso na cabeça de Eric era apenas uma porcentagem mínima do problema imenso que ele e o ex-caçador carregavam nas costas. O loiro se perdia entre barracas e tentativas falhas enquanto pensava até sua cabeça parecer que iria explodir. Além de não ter conseguido encontrar um remédio para Juyeon, ainda não havia encontrado uma resposta para as reações dos sentidos do moreno.

Tudo estava tão malditamente bagunçado.

Eric parou por um instante em meio aos cidadãos que passavam pela praça central naquele momento. Precisava de ar, precisava respirar fundo e se acalmar o mais rápido possível. Ainda havia um idiota em um beco escuro precisando da sua ajuda. Não sabia se Juyeon sentia como ele estava desesperado por respostas, mas não queria que ele sentisse. O que menos precisava era do ex-caçador sorrindo sarcasticamente para si e falando coisas igualmente sarcásticas.

Mestre Jeno?

Eric sentiu calafrios ao escutar alguém lhe chamar assim, atrás de si e com uma voz confusa. Ouviu passos apressados, porém não tinha coragem para se virar. Estava completamente congelado. Um demônio surgiu em sua frente, que o Sohn supôs ser um mordomo do clã Lee, e sorriu feliz quando viu o rosto do loiro.

— Mestre Jeno! Nos separamos por um instante e você já veio se misturar com os plebeus? Mestre, não faça algo assim!

Aquilo era, realmente, a cereja do bolo. A coisa que lhe faltava para completar a situação caótica em que Eric e Juyeon estavam metidos. Agora o Sohn tinha certeza de que o ex-caçador podia sentir o seu desespero, mas ele não era mais por respostas para as suas perguntas.

O verdadeiro Jeno estava ali. O bolo de problemas iria cair a qualquer instante. Eric realmente soava de nervosismo quando aquele mordomo – que não parecia ter mais que vinte anos – lhe olhava tão amigavelmente e esperava a sua resposta. Como o loiro poderia lhe responder? Se falasse algo estaria perdido, sua voz com certeza era diferente da voz de Lee Jeno.

Não queria nem imaginar o que os nobres e a guarda real fariam consigo – e com Juyeon – caso descobrissem a verdade. Seriam jogados no ergástulo e pela eternidade seriam punidos pelo crime que cometeram. Ninguém daria ouvidos ao loiro mesmo se ele perdesse sua voz em explicações sobre os motivos que o faziam mentir sobre sua identidade ao entrar na capital do inferno.

Eric era um E. Mais do que ninguém ele sabia o que significava ter sua existência invalidada e considerada como nada além de uma serventia. Ele conhecia bem a verdade suja por trás do teatro que a família real e a nobreza apresentavam para os plebeus.

E o antigo rei demônio também sabia.

Mas no momento, aquele não era o pior cenário. O mordomo ainda esperava ansiosamente pela sua resposta. O que faria? O que faria?

— Jaemin!

A sorte veio a favor de Eric quando alguém exclamou pelo outro demônio, soube que aquele era o seu nome porque o garoto de cabelo azul na sua frente se virou para ver quem havia lhe chamado. Sohn não precisou pensar duas vezes antes de tomar a decisão de dar meia volta e sair dali às pressas.

— Renjun, o que houve? — O garoto perguntou ao outro mordomo, sem notar que Eric já havia ido embora.

— O mestre Jeno estava na confeitaria com o mestre Jisung. — O garoto de fios loiros respondeu, seu rosto indicava um notório cansaço, provavelmente por estar procurando Jaemin. — Mark os encontrou e me pediu para chamar você.

— Mas o mestre Jeno está aqui comigo… — Jaemin falou e se virou, mas não encontrou ninguém atrás de si. — Eu juro que ele estava aqui agorinha mesmo, Junnie!

— Você ficou maluco? Não tem como ele estar em dois lugares ao mesmo tempo, Jae. — Renjun riu do amigo, o abraçando pelos ombros. — Agora vamos nos juntar aos nossos mestres, sim?

Jamin assentiu e mesmo confuso, seguiu Renjun para encontrar Jeno e Jisung. O servo do verdadeiro herdeiro do clã Lee sabia que havia conversado com alguém, sabia que algo não se encaixava ali. Um suposto Jeno que havia ficado estranhamente nervoso quando lhe chamou por esse nome.

Se aquele não era o seu mestre, quem era?




[ ... ]




Eric já estava longe quando sentiu outro calafrio. Por ora preferiu deixar isso de lado e buscou andar normalmente, o rosto agora estava levemente escondido pelo capuz de sua roupa. Não queria arriscar ser visto novamente.

Em seu bolso estavam guardados frascos de remédios, que ele sinceramente não havia lido antes de pegá-los, mas torcia para que algum deles pudesse ajudar Juyeon. Eles precisavam sair da capital o quanto antes, voltar para a verdadeira terra natal de Eric e se manter longe da capital do submundo por um bom tempo.

Como pôde esquecer que o inferno estava em época de festas? Os sete feriados infernais iriam acontecer nos próximos dias, era por essa razão que haviam tantos nobres andando pela cidade para cima e para baixo, com seus servos carregando suas compras.

Era a época de festas do chamado semana do orgulho demoníaco, uma semana em que os demônios comemoravam e lembravam dos seus feitos na antiga guerra entre as espécies, celebravam suas vitórias em sete feriados. Sete dias de festas, a capital estaria cheia de nobres. A família real estaria presente nos feriados infernais.

O loiro odiava a semana do orgulho demoníaco. Enquanto todos os demônios louvavam seus antepassados, Eric assistia em silêncio e sabia o que realmente significavam aqueles sete feriados. Era apenas um nome elegante para disfarçar uma verdade suja, uma verdade triste.

A semana do orgulho demoníaco era uma estratégia do Estado para convencer os plebeus de que os demônios eram os seres mais fortes entre as espécies. O Estado iria sim exaltar os impuros mais importantes na história do inferno, mas fariam isso menosprezando os outros. Fariam isso de forma que mostrasse humanos, anjos e anjos caídos como fracos. E Eric sabia o que os demônios iriam pensar.

“Se nós somos os mais fortes,
nós deveríamos ter tudo.”

O Estado estava fazendo a sua armadilha. E com isso, uma nova guerra iria se iniciar. Por essa razão Eric detestava os feriados do inferno, não era realmente uma celebração.

Era uma lavagem cerebral feita pelos nobres.

— Juyeon! — Eric o chamou baixinho, mais uma vez ficando agachado em sua frente. O Lee estava pior do que antes, a vermelhidão que antes cobria apenas suas orelhas agora também estava em seu rosto, ele estava tão corado. A ponta dos dedos do ex-caçador, no entanto, não tremiam mais. O seu tato havia se acalmado, pelo menos isso. — Precisamos ir embora agora.

— Não me diga que descobriram a sua mentira. — O moreno murmurou arrastado. — Algo aconteceu na praça central, não foi? Me diga o que houve.

— Como você sabe que aconteceu algo? — Eric perguntou surpreso.

— Senti aqui. — Juyeon pôs sua mão sobre o seu lado esquerdo do peito, se referindo ao seu coração. — Acelerou demais por instante e eu senti desespero, apesar de estar calmo. Não era algo comigo, era com você, não é? Eric, o que aconteceu?

O loiro escondeu o rosto entre suas mãos e soltou um suspiro cansado, seu corpo enfraqueceu e ele acabou de sentando no chão. Eric estava desgastado em tantos sentidos que nem conseguia resolver seus problemas.

— O verdadeiro Jeno está na capital. Eu estava na praça central quando um servo do clã Lee me parou e me chamou de mestre Jeno. Felizmente consegui fugir desse mordomo, mas a situação não é das melhores. — Eric respondia, o ex-caçador se manteve em silêncio enquanto o loiro falava. — A capital tem dois portões de entrada, então se nós entramos por um, ele entrou pelo outro. Precisamos sair antes que os guardas percebam que dois caras com o mesmo passaporte de identificação entraram na cidade.

— Você tem algum mapa da cidade? — Juyeon perguntou.

— Tenho, por que?

— Você esqueceu que eu sou caçador? Montar estratégias é algo que eu faço perfeitamente, isso inclui planos de fuga.

— Mas você está fraco agora, não deve fazer esforço, deve descansar. — Eric falou o óbvio, recebendo um revirar de olhos do ex-caçador em troca.

— Se eu descansar agora a sua cabeça vai ser cortada em uma guilhotina, e aí eu vou sentir uma dor absurda no meu pescoço e vou acabar morrendo também. O melhor para nós dois é que eu monte um plano para irmos embora agora.

— Consegue mesmo fazer isso em alguns minutos?

Juyeon mesmo que estivesse em um estado de fraqueza, parecia confiante de que conseguiria traçar um plano para que eles fugissem em segurança.

— Não duvide de um caçador, Eric.

— Não estou duvidando. — O loiro se defendeu. — Mas não conheço lhe o suficiente para confiar em um plano que você faça.

— Me poupe dessa conversa, eu sei como ela vai acabar. — Juyeon mais uma vez revirou os olhos, em um visível cansaço. — Deixe para decidir se confia ou não em mim depois que sairmos daqui, me dê logo esse mapa e me diga o posicionamento dos guardas da cidade. Claro, se você souber pelo menos isso.

— É claro que eu sei! — Eric exclamou, parecia ter se ofendido com a última fala do Lee. O loiro tirou do bolso interno de sua roupa um mapa, o entregando para o moreno. — Espero que seu plano funcione.

— Vai funcionar se você ficar quieto e me obedecer.

Eric nada mais falou após Juyeon resmungar isso.



— Entendeu o plano? — Juyeon perguntou, finalmente encarando o de olhos azuis. Mas Eric estava inexpressivo, não prestou atenção em nada que o moreno havia falado. — Seria ótimo se você colaborasse e me ouvisse atentamente. Não é a minha cabeça que está em perigo, lembra?

Eric pareceu voltar a realidade ao ouvir o maior.

— Pode repetir? — Eric pediu, ouvindo um suspiro exausto de Juyeon de volta. — Desculpe…

O murmúrio do Sohn surpreendeu o Lee.

 — Pelo o que?

— Por não ter prestado atenção.

— Não se preocupe com isso. — Juyeon falou, encarando o Lee. — Eu não sei o que você está pensando agora, mas dá para sentir o seu pessimismo. Olha, nós vamos sair daqui, entendeu? Eu vou nos tirar dessa cidade infernal.

— Falando assim faz parecer que você se importa comigo.

— Não se engane. — O Lee semicerrou os olhos. — Eu odeio você. Estou salvando a sua pele dessa vez, não espere que isso aconteça novamente, porque não vai.

— Eu sei. — Eric encarou o outro seriamente. — Você provavelmente tem em mente que se alguém um dia vier a me matar, essa pessoa tem que ser você, não é?

Juyeon assentiu devagar, Eric sorriu pela sua honestidade.

— Me parece justo. Mas vamos focar em fugir daqui, outra hora falamos sobre você e essa sua vontade de me matar. — O Sohn mudou de assunto rapidamente. — Qual é o plano de fuga?

O maior esticou o mapa no chão, ele havia feito anotações e haviam linhas feitas por uma caneta vermelha, ligando um ponto específico ou outro. Depois daquilo, Eric daria a Juyeon aquele mapa sem pestanejar, havia visto que o ex-humano não brincava em serviço. Já eram os primeiros 10% para que confiasse no Lee, mesmo que ele quisesse a sua cabeça rolando no chão frio.

— Agora são exatamente duas horas e meia. — Juyeon apontou para o sol, se referindo à tarde. — De acordo com o que você me disse, as lojas de roupas abrirão às três horas e com isso a praça ficará mais movimentada, então o movimento na guarda da cidade vai ser alterado. Hoje a capital está cheia de nobres, eles irão protegê-los, haverá poucos guardas nos portões da capital. Esse beco… — O Lee tocou o mapa com o dedo indicador, em um ponto que havia circulado. — Ele fica perto daqui e se conecta a todos os outros becos, você me disse que não há guardas nessa parte da cidade. Se o melhor é não sermos vistos, devemos ir para esse beco e seguir nele até chegarmos no portão que entramos.

— E como sairemos? Ainda haverá guardas nos portões, mesmo que poucos.

— Você vai armar uma confusão nas barracas no início da cidade, os guardas terão que sair dos seus postos e irem resolver o problema. — Juyeon respondeu simples, Eric no entrando, franziu o cenho incomodado.

— É a minha cabeça que está em perigo e você me usa de isca?

— Antes você do que eu, não estou em condições de fazer isso. Eu seria preso imediatamente, você sabe disso.

Realmente. Juyeon provavelmente cairia exausto no chão, o seu corpo ainda estava fraco pelos seus sentidos estarem bagunçados. Eric sussurrou uma concordância, repentinamente se sentindo mal por ter ficado contra o plano do Lee, quando ele estava cuidadosamente tentando lhes tirar da capital infernal. Para a sua vergonha pessoal, se sentiu ingrato diante a ajuda que Juyeon estava dando.

— Quando os guardas chegaram nas barracas, você vai sair por esse beco. É o mais próximo do portão, eu estarei esperando você no fim do corredor e por fim, nós sairemos da cidade. Entendeu o plano?

— Entendi.

— Ótimo, então partiremos imediatamente. Já se passaram cinco minutos explicando o plano novamente, para chegarmos ao fim dos becos será preciso em torno de vinte minutos, e depois esperamos o horário da guarda da cidade mudar de posição. Está pronto, Eric?

O demônio loiro ajudou Juyeon a se levantar, o encarando firmemente em seus olhos castanhos.

— Estou pronto, Juyeon.




[ … ]




Sétima flor*, às 15h00min.


As lojas abriram às três em ponto. Às três em ponto, Eric deixou Juyeon no final do beco e partiu em direção às barracas dos C. Às três em ponto, Juyeon sentou no chão e para a única língua que conhecia, rogou orações para que o Sohn conseguisse fugir em segurança.

Três ironias feitas pelo Lee.

Nunca pensou que iria rezar pela vida daquele que odiava, nunca pensou que iria ajudar o loiro de olhos azuis, e a maior de todas: não fazia sentido rezar por um demônio, a menos que fosse matá-lo. Humanos caçadores geralmente faziam uma oração antes de decapitar demônios, achavam que assim poderiam enviá-los ao chamado julgamento final de forma mais limpa.

Mas lá estava Juyeon. Mesmo sabendo que nenhum anjo protegeria a vida de um demônio, ele ainda estava com as mãos fechadas uma a outra e pedindo pela vida de Eric. Era tão ridiculamente incomum, o Lee nem mesmo tinha fé nos costumes cristãos de seus irmãos humanos.

De alguma maneira, o moreno apenas queria que Eric voltasse a salvo. Seria péssimo se ele fosse preso, porque se isso acontecesse, Juyeon acabaria sozinho no inferno sem saber o que fazer. E se matassem o Sohn, o ex-humano só saberia quando a morte batesse na sua porta e levasse sua vida embora, junto a do loiro. Eric precisava voltar são e salvo, Juyeon ainda precisava buscar uma maneira de se separar do demônio sem ter que matá-lo, e morrer em consequência.

Tirar a vida de Eric estava fora de cogitação.

Enquanto Juyeon se perdia em orações desajeitadas, Eric brincava com sua própria sorte nas barracas dos C. O Lee havia lhe dito para armar uma confusão, e a maneira mais rápida de fazer isso para o Sohn era colocar um dono de barraca contra outro, em acusações de roubo.

Claro, quem estava roubando as barracas era Eric, mas isso ninguém precisava saber.vSeu rosto estava coberto por um pedaço de pano escuro, e sua cabeça estava coberta pelo seu capuz. Ele era o único que parecia realmente suspeito, mas os C estavam ocupados demais brigando uns com os outros para perceberem que era Eric que estava os roubando.

Olhando para o céu, o loiro percebeu que alguns minutos já haviam se passado. E ao olhar para trás, Eric viu que a guarda real estava se aproximando para ver o que estava acontecendo entre os C.

— Hora de ir embora… — Eric sussurrou em um cantarolar feliz, o plano estava dando certo.

O Sohn se misturou aos que passavam pela rua, sendo eles servos carregando as compras de seus mestres e os comerciantes ambulantes, que lutavam por um pouco de atenção dos B. Conseguiu sair dali antes que os guardas chegassem, e querendo sair da capital o mais rápido possível, Eric foi até os becos interligados e correu para encontrar Juyeon.

Estava tudo dando certo, o plano do ex-humano estava seguindo conforme fora traçado. Agora havia mais outros 10% depositados em confiança sobre Juyeon. Quando saíssem da capital infernal, Eric faria o possível para que o ex-humano não sentisse mais dores em seus sentidos. Ele tinha salvado a sua vida, sentia-se em dívida com o Lee.

Os remédios para Juyeon ainda estavam em seus bolsos, juntamente com moedas de prata e ouro. Se precisassem ir para outra região antes do lugar que Eric planejava levar o ex-humano, pelo menos agora tinha moedas para pagar uma estadia em algum lugar decente para dormirem.

Quando estava quase chegando no final do beco, Eric sentiu seu corpo bater contra o de outra pessoa ao virar uma esquina. Seu corpo e o do desconhecido foram de encontro ao chão. Em seus pensamentos o Sohn praguejou maldições sobre a pessoa que havia lhe atrapalhado, e consequentemente atrasado a sua fuga e o seu encontro com Juyeon. Mas ao abrir os olhos e levantar o olhar para a pessoa a sua frente, Eric desejou ter sido suficientemente inteligente para cobrir seus olhos.

— Oh, desculpe! Você está bem?

Não, não, não, não, não.

Jeno hyung!

Não, não, não. Mil vezes não.

— Desculpe, Sungie. Me perdi de Renjun e Jaemin durante a confusão. — Ele se levantou. Educado como apenas um nobre de verdade saberia ser, estendeu a mão para Eric. — Deixe-me ajudar você a levantar. Se machucou em algum lugar? Eu tenho um pouco de belladonna aqui se precisar.


Sétima flor, às 15h10min.


Eric congelou em desespero. No fim do beco, Juyeon novamente teve seu coração acelerado por medo. Pela ligação que os unia, o ex-humano sentiu o pavor do impuro loiro. E por essa mesma razão, o Lee levantou e correu em encontro ao seu falso meste.

Para salvá-lo mais uma vez.


Notas Finais


— Flor: é assim que os dias são chamados no inferno no universo de Blood Link :))

O dream aparecendo e o encontro dos verdadeiro e do falso Jeno...fogo no parquinho!!
Até a próxima ^^ <3


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