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História Blood Obsession - Interativa - Capítulo 24


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Capítulo 24 - Cap;; 1.14;; Tout vas bien


31 de Outubro, Montroir

Hector

Era impressionante o quanto de roupa se conseguia economizar considerando o quão pouco havia trazido para a viagem. Mesmo que muitas de suas coisas estivessem consideravelmente maiores do que quando havia chegado ou estragadas depois de tudo aquilo. Quem poderia culpá-lo por emagrecer depois de tudo aquilo? Se esquecer de comer se viu como um hábito indesejado. Assim como um constante trabalho com que não se tinha forças para se executar. Ao menos aquilo havia acabado. Ao menos agora teria paz, ou era isso que ele precisou dizer a si mesmo enquanto terminava de fechar a bolsa em cima da cama no quarto do hotel escuro. Sua atenção foi roubada quando o felpudo e preguiçoso gato pulou na cama.

“Eu odeio esse quarto.” Raven miou para seu bruxo, enquanto afofava ao travesseiro branco sobre o terrivelmente feio cobertor verde e felpudo.

“Não se preocupe, vamos voltar para casa o quanto antes.” Hector assegurou, fazendo uma carícia gentil na cabeça do familiar. Raven apenas ronronou com o afago. Ele não disse uma palavra sequer, o que poderia dizer? Afague atrás da orelha? 

“A intenção é continuarmos lá?” O gato questionou, se distraindo com um fio que saia do travesseiro branco  recém saído da lavagem. “Sabe… Você não está mais exilado.”

“Eu tenho uma vida em Paris, Raven, estive fora por muito tempo…” Ele murmurou em um sussurro, balançando a cabeça para afastar os pensamentos. “Além de que, podemos voltar nas férias, quando o clima esquentar novamente.” Ele suspirou baixo. “Depois disso tudo, eu e você merecemos férias. Quem sabe eu não lhe dou um arranhador novo de presente?”

“Para que? Eu tenho o sofá, tá de bom número pra mim” O gato perguntou.

“Sabe, agora que eu sei que você pode falar, me faria o favor de parar de destruir a mobília? Você não é um gato, é um espírito, não precisa sair quebrando coisas e outras coisas que gatos normais fazem.” Ele falou, colocando irritado uma camisa dentro da bolsa, sendo completamente ignorado pelo familiar que se pós a lamber o próprio pelo, miando ao final como se estivesse pagando de desentendido. “Você é um demoniozinho mesmo.” Ele resmungou, antes de ouvir uma batida suave na porta. Hector sequer teve tempo de abrir a porta por inteiro antes da figura pular para dentro, abraçando-lhe o pescoço, quase como um coala, e no caso Hector descobriu de uma forma não muito agradável que coalas abraçam forte.

“Infernos, Selene, a ideia era fazer uma surpresa, não matar ele.” Allistair deu de ombros, entrando no quarto com um cigarro de chocolate na boca. “Puta merda esse lugar parece meu quarto na faculdade, e isso não é um elogio.”

“Definitivamente não é.” Storm protestou, tapando o nariz ao entrar no quarto. O cheiro não era o dos mais agradáveis para alguém acostumados a lugares que cheiravam a riqueza. 

“O que vocês estão fazendo aqui?” Hector riu, levantando com dificuldade assim que Selene, talvez por misericórdia, optou por o soltar, deixando-o recuperar o fôlego perdido.

“Viemos dizer adeus, achou que iriamos te deixar aproveitar o dia em paz?” Jacob perguntou, inclinado junto à porta. “De jeito nenhum.” Ele alegou, com um meio sorriso no rosto.

“Vocês podiam ter esperado a hora do trem sair” Ele riu de volta, se sentando na cama. “Bem… parece que é isso. Meu último dia na cidade. Eu me sinto em um programa adolescente idiota onde eu vou ter que passar por uma despedida fofa e voltar na metade do caminho.” Ele gargalhou, passando a mão pelo cabelo ao olhar em volta. Para ser franco, ele esperava partir da cidade da mesma forma que havia chegado. Em silêncio e furtivo.

“Você sabe que não precisa ir.” Selene falou. E por um segundo se houve silêncio. Como se não houvesse mais ninguém no quarto, mesmo que  ela apenas tivesse dito o que eles não tinham coragem para comentar. A wiccana olhou para baixo um tanto quanto envergonhada. “Digo… Você sabe que pode ficar aqui se quiser.”

“Eu tenho que voltar… Eu já fiz tudo que tinha que fazer por aqui.” Ele disse em um tom paciente. “E eu irei voltar o quanto antes possível para as férias e coisas do tipo. Eu… vim para cá para dizer para meu pai que não queria o dinheiro dele e acabei aqui, meses depois colocando fogo na bruxa mais poderosa do mundo. A vida é cheia de surpresas” Ele riu.

“Bem, pelo menos foram meses a quais não poderá se referir no futuro como sendo entediantes.” Storm ponderou, reencostado em uma mesa de centro. “Bem… Eu acho que é hora de falar sobre o elefante na sala… Vocês acham que acabou?”

“Eu diria que se não acabou eles ao menos estão fracos demais e com estamina de menos.” Hector o respondeu, pensativo. “A Deusa deles está queimada, maioria do culto foi preso ou executado, Tomoe desapareceu e Jane… vocês sabem o que aconteceu com ela… Mesmo que o culto não tenha acabado, eu acho que agora que eles não acham que tem um Deus na terra, acho que vão se acalmar. Eles ao menos não vão mais dar dor de cabeça. Bem” Ele balançou a cabeça, afastando os pensamentos negativos que ainda não queriam parar de remoer sua mente. “Eu não sei vocês, mas eu preciso de um poutine com bastante molho antes de ir” Ele sorriu, olhando para os presentes. Mesmo que logo o assunto tivesse mudado para algo repentinamente mais confortável, uma questão ainda incomodava completamente a mente de Hector, muitas para ser franco, mas aquela, aquela estranhamente o preocupava. Mas o que a Linnara quis falar, naquela noite de tempestade, antes de morrer?

Carlos

O brasileiro suspirou ao se sentar em meio a varanda, a xícara de café quente a seu lado enquanto via as gotas de chuva caírem sobre o mar de folhas alaranjadas que cobriam o chão. Poucas foram as vezes em que Kerl se manifestava em momentos de plenitude e calma como aquela. Mas lá estava ele. Em pé junto a uma das pilastras de madeira, encarando o nevoeiro que cercava as casas, era como estar sozinho em meio ao nada. A um nada calmo demais para ser visto como um incômodo.

O curativo feito no rosto de Carlos ainda doía, embora ao menos  tivesse uma cicatriz legal na boca; Carlos, por fim, percebeu que Kerl tinha muitas coisas o que falar. Ele o conhecia como a palma da sua mão, eram apenas duas faces da mesma moeda, e como não saber o que você mesmo está sentindo?

“Sabe o que eu sinto saudades de casa?” Kerl começou, em um suspiro baixo. “Eu lembro como eram os jardins lá em casa… Sabe, o cheiro de terra quando o Marcos voltava com as mãos cheias de lama” Ele riu-se baixo. “Aqui tudo parece tão igual…”

“Você tem razão…” Ele respondeu. Sem um pingo de pressa na voz ao tomar outro gole longo. “Mas não é isso que você queria perguntar.” Ele disse, de forma suave, notando a inquietude de Kerl.

“Por que não disse para ninguém que não matamos Tomoe.” Ele dessa vez foi direto, sem um pingo de vontade em procrastinar. Mas outra pergunta completou a sentença. “E por que não me deixou matá-la? Você queria isso.”

“Seria mais seguro para ela se  achassem que matamos e demos o corpo para algum animal na floresta.” Ele disse, olhando para sua ‘outra metade’. Ele pensou por um tempo antes de ter certeza que aquelas eram mesmas suas palavras. “E eu sabia que não era o certo a se fazer… Eu derramei muito sangue para tentar provar para minha família alguma coisa, e Phryne foi a única mulher a me ver e não ver um monstro ou um instrumento. Se eu fizesse algo a Tomoe… Eu não estaria falhando comigo apenas, estaria falhando com ela. E nem ela nem o bebê tem culpa de nada… Eu não quero apenas mover a roda de ódio."

“Mas você queria machucar ela. Pelo que ela fez conosco! Então… Então por quê não o fez?” Kerl perguntou. Frustração parecia evidente em sua voz, mas Carlos apenas parecia tranquilo demais para se preocupar com aquilo.

“E faria alguma diferença enforcar ela ou não? Querer e poder algo não significa que eu deva fazer.” Ele respondeu, em uma voz limpa. E para sua surpresa, Kerl apenas gargalhou, como se tivesse escutado a melhor das piadas depois de anos

“Essa garota realmente conseguiu te mudar.” Ele disse, antes de deixar seu sorriso morrer novamente. 

“Não. Eu diria que ela só me ajudou a ver que eu não precisava continuar me banhando em sangue.” Carlos respondeu. “Eu me deixei levar por tanto tempo em rancor que eu criei irá por nada.” Ele proclamou, com um suspiro antes de dar de ombros. Segurando com cuidado a caneca. “Eu decidi que vou me converter… Eu acho que eu tá na hora de eu fazer uma faxina na minha vida… E mandar a família se foder.” Ele gargalhou, notando o estranho olhar de Kerl, que subitamente sorriu.

“Eu tô orgulhoso." Kerl riu, se sentando ao lado de sua outra metade. “Eu esperei muito tempo até você ganhar alguns neurônios descentes. Não ouse perder ela.” Ele falou se referindo a Phryne. “Eu finalmente tenho que ir.”

“Para onde você vai?”

“Embora… Você não precisa mais de mim.” Kerl disse simplista. “Eu simplesmente sou você Carlos, a metade da moeda que fizeram você acreditar que tinha que ser. Você finalmente cresceu, seu merdinha.” Ele riu baixo, colando a cabeça no ombro do companheiro. “Eu achei que eu estaria com medo… Mas parece mais com acordar.”

“Eu não quero que vá embora.” Carlos disse,  em uma tonalidade preocupada. “Eu preciso de você.”

“Eu sempre vou estar aqui, idiota.” Ele disse, dando um soquinho no ombro de Carlos. “Sempre que ouvir aquela voz chata na consciência, ou ficar mal ou até mesmo quando finalmente tomar coragem de chamar Phryne pra sair, eu vou estar aqui. Você não precisa de mim, por que você sou eu, e eu sou você.” Ele disse, em um tom relaxado. E assim ambos permaneceram em silêncio, vendo a chuva cair, enquanto pouco a pouco Kerl simplesmente evaporou no ar, como flocos de neve quando a primavera se aproximava. Carlos apenas tomou um gole longo do café, enquanto o espaço a seu lado se tornava vazio, como se jamais tivesse sido ocupado, e novamente, o brasileiro apenas se permitiu observar em silêncio a chuva cair. Kerl era apenas uma parte de si criada por ódio. Contudo, naquele momento, Carlos não sentia mais ódio.

A porta atrás dele se abriu, e em silêncio, uma phryne simplesmente se sentou ao seu lado, trazendo uma coberta de crochê, sentado ao lado do homem e colocando sua cabeça ao ombro dele.

“Vamos para dentro… Podemos fazer pipoca e ver algum filme… Que tal?” A mais jovem perguntou, se deixando acomodar no calor provindo do corpo do brasileiro, aconchegante quanto ao vento que soprava a dupla, indiferente ao vento e à neblina. 

“Só preciso de um tempinho aqui.” Ele falou, deixando um beijo na testa da canadense, levando a mão de forma suave à cintura da moça, trazendo-a para mais perto. “E… Phy? Obrigado por não ter me entregado aquele dia.”

“Bem… Eu também fico feliz que Selene tenha me convencido a não te entregar.” Ela sussurrou, dando um beijo demorado na bochecha do brasileiro. E por um longo tempo permaneceram ali, sentados na sacada, canecas em mãos e cobertor nos ombros, com nada mais do que a chuva e o calor um do outro, Carlos sequer notou o tempo passar. O sentimento de paz era atemporal, cada segundo poderia demorar anos, e cada ano poderia levar uma hora, mas Carlos não poderia se importar menos com isso. Quando Carlos já estimou estar de tarde, ele simplesmente se levantou, com o cotoco de pessoa nos braços, e juntos voltaram para o aconchego da residência, onde Phryne pode finalmente descansar em paz, e Carlos suspirar, livre das preocupações que o atordoavam. E em um ato de liberdade, se conteve em se jogar ao sofá, não demorando para cair no sono. 

Safiya

“Se você tiver se machucado, sabe que pode falar comigo, eu posso quebrar qualquer um na porrada.” Andromeda pigarrou, enquanto terminava de encarar preocupado ao curativo na bochecha da bengalesa, que apenas riu suave. Sentada em uma cadeira de madeira na cafeteria próxima do centro da cidade, a dupla de moças se viam naquele lugar a talvez pouco mais de meia hora. O brownie de matchá pela metade no prato da advogada.

“Eu estou bem.” A moça confirmou com uma risada, um tanto quanto nervosa pelo pseudo encontro com sua crush. Era um encontro formal por assim dizer. Andromeda havia disfarçado a situação sobre o pretexto de que precisavam discutir questões importantes.  Mesmo que Dantes Blanchard tivesse aparecido na hora planejada, e sem eles haveria consideravelmente maior derramamento de sangue, mas mesmo assim, ainda ficou recaido sobre o colo de Safiya, decidir o que recairia sobre Dantes, em punição a sua traição sobre a cidade. “E você? Eles machuraram você? Você está bem?!” Ela perguntou euforica

“Hey, eu tó bem” Ela falou, com as bochechas um tanto vermelhas quando notou que a moça segurava gentilmente sua mão, Safiya tendo um pequeno gay panic ao notar o que estava fazendo, afastando quase que rapido demais a sua mão da de Andromeda, deixando a sensação de dedos quentes e rudes com calos para trás.

“Bem… Temos que manter o foco,não?” A moça murmurou, envergonhada passando gentilmente uma mecha de cabelo por trás de sua orelha.

“Bem. Se você quer ir logo para o elefante na sala… Não podemos fazer nada com Dantes sem causar revolta. Querendo ou não, sem a ajuda dele estariamos fodidos. Além de que, poderiamos causar algum atrito. A soberba ainda é o clã mais poderoso e com mais contatos.”

“Então resumindo… Não podemos fazer nada.” A Bengalesa murmurou, massageando as temporas, sabendo que por infortuno do destino, Andromeda tinha razão. Dantes ainda era a pessoa mais poderosa daquela cidade, e Safiya pessoalmente não era a mais apta para atribuir punições, ela era advogada, não juíza, aquilo deveria ser atribuido a alguém como Jane, mesmo que soubessem que seu veredito seria tedensioso, porém, sequer isso se mostrava viavél, considerando que a mulher simplesmente aparentou desaparecer. Roupas e bem pessoais levados deixavam a entender que ela havia deixado a cidade e retornado para inglaterra, e nesse momento deveria estar bebendo chá em Bristol enquanto aproveitava a paz angariada em esforço. “Eu… Não realmente sei o que podemos fazer.”

“Poderiamos empurrar ele da escada e fingir que ele tropeçou.” foi a sugestão de Andromeda antes de notar o olhar de um Safiya que evidentemente não faria aquilo. “Estou apenas brincando… Você é a senhora direito, por fim eu comia ele no cacete, ele não aguenta dez minutos de porrada comigo.”

“Não vamos fazer isso por varios motivos, Andy.” Safiya alegou, vissivelmente preocupad com o descontrole da crush, mas se contendo em limpar a garganta e tomar um gole do seu chá de bolhas. Céus era terrivel o fato de que o primeiro encontro que teria com a Andy seria daquela forma, mas são os ossos do oficio. “Podemos… Pedir que ele se afaste da gestão do clã. Mesmo que temporariamente, talvez como uma advertência ou tempo para pensar no que ele anda fazendo.”

“Estariamos praticamente dando ferias a ele.” Ela disse, dando de ombros ao olhar para a bengalesa. “No primeiro momento ele voltava, isso se ele não estiver de saco cheio e aproveitar para descansar, o que não vai nos ajudar em nada.” 

“Eu sei, mas não temos ideia melhor.” Ela suspirou. Não é como se realmente pudessem fazer muito na situação, se contendo em apenas tomar um gole da bebida fria, como se tentasse afogar sua inquietude em algo adocicado para quebrar a acidez que borbulhava em seu estomago. Ela pensava em mil coisas ao mesmo tempo, parecia genuinamente preocupada com tudo aquilo, afinal, havia sido praticamente atirada naquela zona onde nenhuma pessoa parecia realmente interresada em lidar no momento. Contudo, a sensação da mão rude de Andromeda tirou-a desse curto devaneio, Safiya levantando um pouco os olhos para encarar a californiana.

“Hey… Eu sei que isso não é a melhor coisa do mundo, e sei mais ainda que é uma merda não ter ideia melhor.” Ela falou, tentando timidamente se por no lugar da moça. “Mas você já está fazendo mais que metade dessa cidade que está mais preocupada com os proprios ovos e com quem vão transar agora que tem mais tempo… Você está fazendo um bom trabalho.” Ela assegurou, com um meio sorriso no rosto. Safiya devolveu ao mesmo, e ambas permaneceram por um bom tempo como duas idiotas se encarando, confortáveis demais para dizerem algo.

“Bem… Eu…” Andromeda murmurou, tentando manter a pose de durona, antes de limpar a garganta. “O que você me diz de, sabe, depois dessa reunião, eu e você irmos ver um filme? Sabe pra tirarr isso da cabeça.” A estadunidense sugeriu, dando um meio sorriso.

“Eu adoraria.” Ela falou, se levantando prontamente de sua cadeira. Talvez um tanto quanto ansiosa. “Então está decidio… A punição de Dantes por seus crimes contra a paz na cidade serão afastamento da direção do clã.”

“Sem uma gota de sangue derramada” Andromeda completou, quase que em um lamento, quando seguiu ao ato de sua companhia e se pondo de pé, suspirando ao encarar a janela a alguns metros de onde estavam sentadas. Uma parte de Andromeda cismava em a lembrar que aquela era uma decisão da qual possivelmente iriam se arrepender posteriormente. Aquilo era suave demais, e o medo de que Dantes saisse lucrando em sua punição eraa algo real, além de que, quem iria o suceder? um fantoche? uma eleição? Bem, ela optou por não esquentar a cabeça com aquilo, não hoje pelo menos. E assim ambas sairam, lado a lado e enquanto riam vez ou outra pela conversa que ia e vinha sem real assunto direto. Ambas apreciaram ao tempo de paz e a tarde que havia passado. Em um estalo de dedos amigável. Que poderia ter durado anos se perguntassem a Andromeda ou a Safiya.

Sextus

“Eu agradeço pela ajuda… Eu sou terrivel com isso.” Sextus riu-se baixo, limpando com o antebraço a rosto sujo de farinha, enquanto conferia a receita anotada no velho e bem conservado livro de capa vermelha, conferindo se o peso dos ingredientes para o recheio estavam correntos. “Minha tia fazia a melhor torta de abobora do ocidente, pena que ela parou com a cozinha e eu nunca tive jeito… E sem querer ser rude, mas como aprendeu a cozinhar tão bem sendo cego?”

“Quando se cuida de um monte de crianças ao mesmo tempo e seus olhos são um cachorro, você acaba pegando o jeito.” O homem disse com um dar de ombros, sequer dando atenção ao comentario enquanto terminava de sovar a massa para a torta. “E acima de tudo eu não podia deixar você leva uma bomba de esterco para o baile de halloween da Zarina, ela possivelmente iria te matar.”

“Ninguém mandou ela convidar um Balaur que não sabe cozinhar.” Ele disse, enquanto despejava a nos moscada na mistura, pegando uma pequena colher de sobremesa e a levando para perto de Wakhan. “Diga ‘ah’ ” ele sorriu.

“Precisa de mais gengibre.”

“É uma torta, não pastilha para tosse.” Ele retrucou, pegando uma colherada e dando para Maokai que se sentiu terrivelmente satisfeito em ajudar na degustação. “E mais uma coisa… Por que você parou de me odiar tão repentinamente?” Ele perguntou, logo notando a demora do homem para responder, como se pensasse bem em sua resposta. Sextus se contentou a encarar o belo especime. Cabelo preso em um rabo de cavalo mal feito, um suete dobrado nas mangas e um avental branco, ele poderia ser um policial muito irritante, mas ao menos tinha uma boa aparencia, e sua presença era estranhamente reconfortante.

“Eu acho que… Meu odio por você nasceu por muitas coisas. Você é superficial, elitista, um babaquinha arrogante, é um tanto quanto estupido, além de que sua voz é muito irritante…”

“Ok caralho já entendi.” O bruxo resmungou, dando um murro no braço de Wakhan, sabendo que possivelmente ele não teria sentindo nada.

“Mas acho que em partes ele também nasceu do meu amor por Linnara… Eu era devoto a ela a ponto de te odiar simplesmente por odiar ela, e acho que depois de tudo isso, valeria a pena dar um tiro no escuro.”

“Uma decisão terrível, na verdade.” Sextus disse, com a maior naturalidade do mundo, antes de soltar um riso baixo, olhando para o recheio alaranjado. “Mas… Eu fico feliz que tenha tomado essa decisão”

“Eu também.” Ele respondeu. Aquela foi a primeira vez que Sextus viu Wakhan sorrir, mesmo que apenas por um instante, antes de ambos voltarem a trabalhar em paz, quase que em um ritmo cincronizado enquanto logo o cheiro da torta iria impestar a cozinha. Tempos se passaram antes de que a dupla pudesse ver a perfeita obra de arte alaranjada fora do forno e posta para descansar sobre a bancada. Eles até que conseguiam fazer alguma coisa descente quando não estavam brigando.

“Hi five?”

“Nem fodendo.” Wakhan respondeu, emburrado, mas logo levantou a mão. “... Hi-five” Ele sorriu ladino.
 

Hector

“Você está pronto?” A voz de Dantes chamou a atenção do moreno, acordando-o de seu pequeno transe. O moreno se virando para trás a fim de encarar seu progenitor, ele concordou em silêncio. Era estranho entrar naquele escritorio, havia lhe sido roibido a entrada desde de que se conhecia por gente, e mesmo assim, havia sido pedido para que entrasse. Ele não sabe por quanto tempo ele encarou a fotografia antiga.

“Sim… Eu só estou dando uma olhada.” Ele respondeu, quando o homem parou a seu lado. Encarando a fotografia da familia, era antiga, e ele conseguia ver muito todos perfeitamente alinhados. “Aquele terninho era insuportável.”

“Eu sei, era impossivel manter você naquilo.” Ele riu baixo, por pouco tempo, antes de limpar a garganta. “Quando você chegou na cidade você veio atrás de uma coisa… E eu não acho que seria certo você ir embora sem.” O homem disse, levantando um envelope amarelo para o rapaz. “Você agora está independente Hector… Não vai mais precisar disso, ou ter que me aturar.” Ele murmurou, recebendo um rapido olhar do homem a seu lado. Dantes esperou para que ele pegasse ao pedaço de papel, contudo ele apenas sorriu de forma suave, voltando sua atenção a fotografia.

“Quando eu cheguei aqui… Eu realmente teria adorado pegar esse envelope e ir embora, mas… mas eu não vejo mais necessidade disso.” Hector disse, calmamente. “Eu achava que esse pedaço de papel seria meu passaporte para a independencia. Saber que não precisaria mais vir para cá, ou ver você. Fugir dos meus problemas ou mudar a atenção para outra coisa. Mas… Eu entendi que isso seriam só folhas de papel… Eu não preciso disso.” Ele disse, devolvendo calmamente o envelope para a bancada. “Eu não quero saber que minha independencia partiu de você.”

“Isso é um presente… Não sua independencia… Considere como meu pedido de desculpas.”

“Dantes Blanchard pedindo desculpas? O que deu em você?” Ele gargalhou baixo, encarando a estante de livros, os olhos passando por cada fotografia e lembrança. “Por que você me odiava tanto?” Ele perguntou, calmo, Dantes estranhou a suavidade e calma em sua voz, mas logo ele dobrou os braços, enconstando-se na mesa

“Eu não te odiava… Não de verdade pelo menos.” Ele disse, pensativo. “Você sempre foi muito para mim, você e seu irmão… Eu tinha medo.” Ele murmurou, chamando a atenção de Hector. “Eu fiquei tão cego pelo medo de achar que eu havia feito algo errado para que você não tivesse poderes que achava que tinha que descontar em você. pensava que se pressionasse o bastante, talvez uma hora acontecesse… A verdade é que eu sou um velho covarde, Hector. E no fundo eu achava que estava fazendo pelo seu bem, mas estava fazendo pelo bem do meu proprio ego. Eu esquecia que você era meu filho… E eu sinto muito pot isso”

“Você… Falando que está errado?” Ele perguntou, depois de um breve silêncio, com certeza ele havia apanhado ou algo assim. Contudo Hector se conteve a soltar um suspiro longo. “Eu não culpo você… Eu me achava quebrado por tanto tempo, e tudo me machucou por muito tempo. Mas eu agradeço que tenha sido sincero comigo. Eu não posso simplesmente falar que está tudo bem… Você é meu sangue, mas não significa que tudo pode ser justificado… Mas saber que você se arrepende, é um bom primeiro passo.” O parisiense sorriu, e ambos ficaram ali, emergidos em silêncio por alguns poucos instantes antes de irem embora, e pela primeira vez em muito tempo, Hector não havia sentido medo de seu pai.

 

Hector demorou mais no abraço do que havia planejado, mas estava longe de ser sua culpa se Selene era tão boa em abraçar. Um sentimento nostalgico passou pela espinha de Hector ao olhar em volta. Quando havia chegado ele se recordava muito bem de apenas seu tio estar lá, agora ele se via se despedindo de mais de dez pessoas, e aquilo era de alguma forma ua sensação boa, que fazia seu peito borbulhar em uma sensação aconchegante. Mas Hector sabia que Coral não estaria ali… Hector também não reclamaria.

Nas semanas que procederam seu despertar no hospital, Hector teve que descobrir da pior maneira possível que havia sido uma moeda de troca, em uma carta deixada por Magnus antes dele supostamente ter se enforcado e sido encontrado alguns dias depois. Desde aquele dia, Coral e Hector não se viam mais com frequencia, Hector, frustrado e se sentindo usado, logo partiu da casa de seu antigo professor, sem sequer se despedir. Hector poderia passar mais tempo descansascando aquela ferida rescente, se não tvesse sido acometido por um choroso Allistair que praticamente se jogou em seus braços, aos prantos, enquanto o trio de homens mais altos não sabiam se ajudavam o amado a parar de chorar ou se correriam o risco de perderem a mão no processo.

“Você precisa ir mesmo?” Ele murmurou choroso, saindo de cima do moreno e limpano o nariz e os olhos. “Merda… Eu não to chorando, foi só a opressão da burguesia sobre o proletariado que caiu no meu olho.” Ele resmungou, olhando ameaçador para uma senhoria que pareceu tocada com a emoção do britânico, foi precisa muita força para não mandar aquela mulher a merda.

“Eu preciso… Mas eu prometo que volto logo.” Ele assegurou, abraçando carinhosamente a figura, que apenas se cedeu a retribuir ao ato. O rapaz finalmente deu espaço para que as demais despedidas acontecessem, era um sentimento estranho dizer adeus, mesmo que fosse algo temporario, eram palavras tão estranhas para algué que nunca havia precisado se despedir.

“Vê se lembra de ligar.” Jacob sorriu, dando um soquinho fraco no ombro de Hector. “Eu acho que não vamos ter tanta animação sem você. Só lembra de avisar antes de termos que enfrentar uma Deusa sobrenatural” Ele gargalhou, antes de suspirar alto, bagunçando o cabelo do moreno. “Da proxima vez que vier, a gente vai estar aqui.”

“Obrigado…” Ele sorriu de volta, vendo Zarina se aproximando

“Eu não podia deixar você com essas comidas de lugares estranhas.” A mulher fungou. “Achei melhor preparar algo para sua viagem querido.” Ela disse, beijando a testa do rapaz ao entregar uma travessa coberta. “Boa viagem querido.” Ela sorriu doce. O ultimo a se despedir foi Eros, embora, pouco antes de Hector subir no trem, tivesse sido abordado pelo homem, que lhe fizera estranhas perguntas sobre coisas como o sonho que havia comentado ter tido sobre a cidade em chamas e sobre cores.

“Uhm… E tinha um arbusto de mimo de venus.” Ele comentou, pensativo.

“Você não quer dizer macieira ou algo assim?” Ele o questionou, vendo o rapaz simpesmente negar a com a cabeça.

“Não, era mimo de venus, com certeza.” Ele disse, sem realmente entender a pergunta, logo subindo no trem. Estava no auge da noite quando Hector viu a cidade se afastando de vista, enquanto tudo terminava da mesma forma que começou. Ao som de metal friccionado e o frio pairando no ar.

Eros

“Nós não podemos ir para casa? Eu quero transar!” O britânico murmurou manhoso e impaciente, se jogando em uma mesa próxima, puxando uma risada de Eros que logo se viu arrumando o casaco sobre uma cadeira. “Tá tarde, e eu quero sexo selvagem e depois comer bolinho!” O britanico xingou, fazendo cara de birrento que Eros sinceramente achou ua coisa adoravél.

“Eu só preciso terminar de catalogar uma coisa e eu juro que vamos para casa.” o blackwood sussurou, dando um celinho demorado nos lábios do britanico que apenas o encarou focar atenção no trabalho. “Zarina pediu para que eu terminasse de arquivar o caso da Linnara caso fosse necéssario… Eu tenho que guardar a autopsia com as fotos e textos que encontramos, e por isso precisava de um depoimento de Hector sobre a ultima coisa que faltava.” Ele explicou, enquanto conferia a resma de papeis a sua frente, os dedos longos e claros alcançando a pasta azul, ele agradecia a si mesmo tão ter jantado ainda quando abriu-a para conferir as fotos. Contudo algo lhe chamou atenção.

“Que estranho…” Ele murmurou a si mesmo, passando os olhos pelas fotos. “Parece que as fraturas foram feitas com espaço de tempo…” Ele murmurou, chamando indiretamente atenção de Allistair que levantou a cabeça.

“Tipo uma pedra caiu nela ou um bicho torceu?” O britanico sugeriu, sentando em cima da mesa no centro da biblioteca para prestar melhor atenção.

“Não, mas como se tivessem sido… como se tivessem sido propositalmente demorados.” Ele praticamente arfou a sentença, olhando confuso para Allistair. 

“Você está dizendo que a anticristo lá… foi torturada?”

“Pelo que parece… A fratura nas pernas e nos braços foram mais antigas, mas esse corte no estomago...apesar de profundo e visivelmente doloroso, parece que houve outro corte superficial por cima… mais antigo do que o dos braços e pernas. Alguém tentou abri-la viva.” Ele arfou, sentindo seu estomago se revirar, aquilo era doentio.

“Isso não faz sentido… Ela mais do que qualquer um poderia se defender de qualquer coisa, e se o corte foi antes das pernas e dos braços, ela poderia simplesmente ter comido a pessoa no cacete… Ela estava drogada ou dopada?”

“Não, não parece haver nada de errado com ela… mas como aqui diz, ela foi praticamente drenada… Puta merda isso fica cada vez pior.” Ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha, antes de dar uma olhada em algo que lhe chamou atenção. Parecia uma pequeno bilhete, escondido em meio as folhas, pequeno demais para poder ser visto, uma pequena sentença de palavras. “Isso é estranho…”

“Tem algo nisso que não pareça estranho?”

“Não é isso… É que bem, parece que cogitaram fazer um exame para saber se houve algum tipo de violência sexual… Mas parece que de algum forma as genitalias dela… simplesmente apodreceram?” Ele deu em ombros. “E um tipo bem avançado de decomposição.” 

“Eca.”

“Bem. E pela dificuldade em…” Ele começou, parando ao notar algo. “Allistair, faça um favor e pegue aquele livro de biologia… Por favor?” Ele murmurou, apontando tremulo para a estante, Allistair não conseguia compreender, mas Eros parecia terrivelmente amedro, e Allistair não queria discutir com ele assim, então logo foi atrás do velho livro avermelhado, colocando-o na mesa. Eros o folheou quase que desesperado. Colocando o polegar em uma pagina. Ele ficou mais branco do que já era. “gonadotrofina coriônica… Haviam pequenos resquicios de gonadotrofina coriônica no corpo dela.”

“Tá mas pode traduzir? Eu não entendi porra nenhuma, parece nome de remedio pra gonorreia.”

“Significa que ela estava gravida, Allistair.” Ele disse, quase que incredulo de suas proprias palavras. “Ela estava gravida quando foi torturada e morta, e arremesada naquele buraco.” 

“Mas… O que aconteceu com o bebê?”

“Eu não faço ideia mas… Muito dos orgãos dela sumiram o que deixa a desejar que foram roubados ou….”

“Ou?”

“... Ou quem fez isso com ela, comeu seus orgãos… E muito provavelmente o feto também.” Ele murmurou. “E pela forma como as cisas aqui dentro estão… Quem matou ela estava procurando alguma coisa. Eu… Eu acho que ele estava procurando exatamento o feto.”

“Isso é doentio… Mas por que alguém faria isso?”

“Eu não faço ideia.” Ele disse. Até que uma ideia indesejável surgiu em sua cabeça. “E se… tivermos entendido tudo errado?”

“Uhm?”

“Esse tempo todo nos achavamos que Linnara era realmente o anticristo… mas e se ela fosse só uma bruxa poderosa?”

“Isso não faz sentido, nos dois vimos ela e o fogo no parquinho que ela fez.”

“Nos vimos que ela voltou, mas não fisicamente… Ela não realmente voltou da vida.”

“E?”

“E se ela não fosse o principe das trevas em si… Mas estivessem carregando ele no ventre?” Ele perguntou, o rosto de Allistair murchou. “Quem melhor para carregar o principe das trevas do que a bruxa mais forte do mundo? Ninguém poderia suportar isso fora ela. Ela disse que tinha algo para falar com a antiga governanta antes de morrer, e se ela quisesse fazer isso? Avisar que estava gravida?”

“Mas se isso fosse verdade… Ninguém conseguiria tocar no bebê, além que Lúcifer está sumido a muito tempo, o anticristo deveria ser filho dele.”

“Não necessariamente… O principe das trevas deveria ser filho de um espirito poderoso, qualquer demonio de alta patente em tese poderia tentar isso, mas seria a pior afronta e declaração de guerra contra todos… Por isso foi feito em segredo, o progenitor do bebê manteve tudo em segredo para não chamar atenção, enquanto possivelmente se prepara para a guerra.”

“Mas quem? Quem poderia fazer isso?” Ele perguntou, euforico enquanto encarava ao Blackwood que pensou por um tempo em silêncio. “Eros… E se o sonho que o Hector teve… tiver relação com isso? E se ela estivesse tentando nos dizer quem era?”

“Não faz sentido, nenhum demonio tem mimo de venus como… nenhum demonio tem mimo de venus como simbolo… por que é o simbolo de um dos sete arcanjos.” Eros murmurou, correndo rumo a estante e puxando violentamente um livro velho, o pondo sobre a mesa. “A cidade em chamas… a estatua de sal… a cor rosa… São simbolos de um dos inimigos jurados do inferno… Hector não estava sonhando com Montroir… Linnara estava mostrando Sodoma. . Linnara estava falando de Samuel ”

“Quem?” Allistair perguntou, confuso. Vendo Eros ler a descrição escrita no livro.

“Das sete virtudes capitais. Aquele que procura Deus e que ama acima de todos, O Arcanjo Samuel do Amor. Aquele que destruiu sodoma… Isso significa que quem criou o anticristo era Asmodeus, indo contra a sua neutralidade… E ele acaba de declarar guerra contra todo o inferno. Ele não estava neutro, ele estava apenas esperando a hora certa” Ele murmurou. “Samuel e Asmodeus são nemesis por representarem coisas contrarias, um representa o amor incodicional e o outro a lúxuria unicamente carnal… Samuel foi o arcanjo encarregado de destruir o reino de Asmodeus quando o falso Deus considerou a cidade podre..”

“Linnara não tinha peões no inferno… Ela que era o peão de Asmodeus… E esse tempo todo ela tentou avisar que tinha algo maior por trás!”

“E mandamos ela de volta para o inferno… No dia com maior concentração de poder mágico… Nos temos que contar para Zarina, para não fazer a festa e nos preparar para o pior!” Eros exclamou, levantando e andando rapido em direção a sua bolsa, atrás de seu celular, apenas para ver a tela piscar freneticamente e uma voz sem animo pairar pelo ar. O barulho das portas fechando com um estrondo.

“Vocês não vão a lugar nenhum… Está quase na hora do grande show de halloween.” A voz que pairou no ar logo foi reconhecida por Eros. Era a voz de Linnara



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