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História Blood Obsession - Interativa - Capítulo 6


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Notas do Autor


»» Olá a todos, e bem vindos ao primeiro Cap de BO. Antes de começarem a leitura, gostaria de agradecer @Benzodiazepine pelo trabalho de betagem e por todas as pessoas que panfletaram BO e tiveram a paciência para me aturar e aos meus surtos. Sem mais delongas, roda o capítulo producão :D

Capítulo 6 - Capítulo;; 1.1 ;; Les morts ne peuvent pas pecher


Fanfic / Fanfiction Blood Obsession - Interativa - Capítulo 6 - Capítulo;; 1.1 ;; Les morts ne peuvent pas pecher

É fácil a descida para o inferno. 

21 de junho, Montroir

Hector

Quando Hector era criança, ele recordava-se de ouvir as histórias que sua mãe contava junto à lareira, parentes velhos ocupavam a maioria do tempo nos contos. Se para uma pessoa oito anos pode aparentar ser muito, imagine a confusão de uma criança ao imaginar pessoas de trezentos? Hector lembra de achar que seriam que nem as múmias dos filmes que ele via escondido com Cedric quando seus pais dormiam. Hoje, Hector tinha a certeza que aquelas múmias eram melhores do que as que ele conhecia. Ao menos as múmias deveriam conseguir tomar café.

Era o início da manhã de 21 de junho. Era cedo, deviam ser no máximo sete horas da manhã quando os Blanchards se reuniram na mesa da sala de jantar. Os pratos do café da manhã, mesmo que entupidos com comidas de aparência apetitosa e dos mais variados gostos, se mantinham intactos. Hector até tentou forçar-se a comer algo, a fim de não parecer um ingrato quanto a Zarina, que havia surgido pelo início da manhã. Talvez ela soubesse que os Blanchards fariam jejuns prolongados ou apenas esqueceriam de comer. Mas sua garganta estava fechada e seus estômago embrulhado demais para isso. O clima na mansão Blanchard era, no mínimo, tenso.

Robert, de pé e junto à janela, encarava a estrada do lado de fora, as mãos dentro dos bolsos da calça social em um tom suave de bege. Ele não ousava dizer uma palavra. Dantes, que se encontrava na pequena sala ao lado da sala de jantar, estava recostado em sua poltrona de couro enegrecido. Ele folheava o jornal, embora todos o conhecessem o suficiente para saber que ele não lia a uma palavra sequer, o café frio em sua xícara. Zarina, sentada de frente para Dantes, comia com o mínimo de ânimo uma fatia de bolo.

Hector se encontrava sozinho, sentado à mesa. Raven, em seu colo, aproveitava um cochilo, mesmo que a única coisa que o gato tivesse feito durante o dia anterior fora dormir e brigar contra uma almofada, e ele impressionantemente perdeu. Talvez a única pessoa que parecesse não se importar com a densa névoa que se alastrava por cada canto da cidade fosse Cedric. Não que o moreno não se importasse com o velório de Linnara, que calúnia. Não dá para ver como ele está acabado? Alexa, play Despacito. Entretanto, ouvir Carlos Oliveira chorando e insultando no telefone não tinha ajudado muito Cedric a se dar ao luxo de estar abalado.

Falando no diabo, Cedric não tardou a descer a escadaria, com passos calmos, nem um pouco preocupado com um desconfortavelmente irritado Big D.G pela lentidão com a qual o seu bruxo seguia. Nenhuma palavra sequer se fez audível quando Cedric entrou no salão. Se alguém levantasse a faca de manteiga, poderia facilmente cortar a tensão que pairava quase sólida no ar frio do casarão. E Hector sabia que a situação apenas tenderia a piorar, por isso, tratou de se forçar a enfiar uma torrada goela abaixo e tomar o resto do chá quente.

Quando os Blanchard e Zarina se puseram do lado de fora, as malas de Hector já haviam sido jogadas no porta malas da forma mais rude que Dantes conseguiu arremessar. Aquilo foi suavizado apenas nos momentos que Zarina saía e voltava para conferir se tudo ia bem. Embora fosse difícil passar pela porta com o bufante chapéu de plumas negras que a italiana usava, Zarina não tiraria aquele chapéu nem que Johanne a ameaçasse de fogueira. Felizmente, aquele chapéu era imune ao recalque. 

Por fim, os quatro puderam seguir viagem. Talvez ela tenha durado horas, talvez minutos, ou talvez Hector apenas estivesse distraído demais para notar o tempo de viagem enquanto observava as gotas de chuva deslizando pela janela conforme o carro seguia pela estrada de pinheiros altos. A viagem passou em um instante, porém, a surpresa de Hector foi quando o carro estacionou em frente a uma luxuosa construção em arquitetura vitoriana. O mar de tijolos tinha um tom enegrecido e acinzentado de bege e longos tecidos negros trêmulos nas janelas do segundo andar. Pessoas trajando as mais elegantes roupas, negras como uma noite sem lua, marchavam espaçadamente entre si por cima do pesado tapete de veludo avermelhado. Eram a elite de Montroir, abutres carniceiros pairando sobre o cadáver de Linnara. E apenas havia um lugar onde se poderia encontrar tais pessoas reunidas. O Clube Duncan.

“Achei que estávamos indo para o velório.” Enunciou um confuso Hector ao sair do carro, arrumando o Blazer ridiculamente folgado que lhe foi emprestado de seu irmão. Os presentes se entreolharam.

“E estamos, meu querido.” Começou Zarina. A melodiosa e doce voz da mulher se assemelhavam a notas suaves de uma música. Contudo isso não foi o suficiente para saciar a confusão de Hector e os presentes estavam cientes disso, não que Dantes realmente pudesse se importar menos. 

“Por Satã, você achou que iríamos para a igreja ouvir um desnutrido pedófilo falar sobre arrepender-se de pecados e sairmos cantando músicas de louvor para o falso Deus?” Questionou o líder da Soberba, recebendo um tapa na nuca vindo de Zarina como resposta.

“Vocês simplesmente sequestraram um cadáver para não irem a uma igreja?” Perguntou Hector, seu tom de voz um tanto exasperado parecia se adequar perfeitamente a situação. “O que tinham na cabeça? O que vai acontecer quando descobrirem que o caixão não tem um cadáver?”

“Não precisa se preocupar com isso, ao menos não agora, Hector.” Assegurou o tio, andando até o sobrinho e pondo a mão sobre seu ombro. As feições de Robert se contraíram em um sorriso suave, um sorriso sem dentes na face acastanhada. “Além de que como não está viva podemos contar como um furto, não um sequestro.”

“Se preferir, vá andando até a igreja humana. Estar aqui é um privilégio que você não parece querer. Deveria estar honrado por sequer pisar aqui.” Desta vez, foi Dantes quem se pronunciou. Tinha um tom de desgosto, como se não lembrasse que Zarina se encontrava logo atrás dele. A morena o encarou, incomodada. “Você está no peito do meu clã, mocinho, um privilégio que não é para pessoas da sua laia. Acho bom manter isso em mente e lembrar que se planejar algo, ou fizer qualquer besteira, eu mesmo te jogo do alto do Mont Noir. Eu fui claro?”

“Eu realmente acho que você tem algum problema com essa frase. Você parece só conhecer ela’ foram as palavras que passaram pela mente de Hector, e as bestas sabem o quanto ele precisou de força para não falá-las. Por fim, o Blanchard mais novo apenas fez uma menção positiva com a cabeça, se arrependendo no momento que viu o sorriso brotar no rosto de Dantes. 

O grupo por fim se permitiu voltar a andar, seguindo o caminho de tecido vermelho que tantos outros seguiram no início daquele dia, importantes demais para sujarem seus sapatos de terra. 

“Foi um porco.” Cochichou Zarina para Hector que a encarou confuso. “O cadáver… Nós o trocamos por um porco… Feitiço de ilusão.”  Disse, antes de voltar ao passo normal, parando ao lado de Dantes deixando um perplexo Hector para trás

Garnet

Garnet estava acostumada com violência e agressividade, eram, afinal de contas, coisas bastantes comuns em sua profissão. Em especial contando que seu colega de trabalho e parceiro, Wakhan, nunca havia sido um poço de gentileza. Mas foi naquele dia que Garnet realmente cogitou pôr uma coleira elizabetana no pescoço do estadunidense enquanto seguiam rumo ao velório, apenas para evitar que ele e seu familiar tentassem dilacerá-la ou capotar o carro, coisa que considerando os ânimos recentes do homem, não seriam de se surpreender. E para melhorar mais ainda, o albino estava menos comunicativo do que nunca. Ao menos, Garnet não considerava xingamentos em inuíte como comunicação, efetivamente falando.

A egípcia entendia, claro. Wakhan tinha inúmeros motivos para estar irritado, mas ela pretendia não morrer hoje. Ela ficaria muito irritada se morresse por um acidente de carro causado por um surto do homem. Ao menos, ele parecia ter ficado minimamente mais calmo, o suficiente para a morena conseguir tirar da cabeça a ideia de morrer naquele dia. Not today, satan.

“Você dirige mais devagar que meu pai. E ele não dirigia.” Foi a primeira coisa que o estadunidense falou em francês desde que entrou naquele carro. “Até eu, que não enxergo, dirijo melhor.”

“Ah! Ótimo, lembrou como se fala.” Respondeu, não se dando ao esforço de olhar para o lado, embora conseguisse imaginar a cara séria que lhe seria lançada. Não conseguiu evitar que um sorriso surgisse em seu rosto. “Você não vai perder o…”

“Agatha levou os documentos da autópsia e nos deu migalhas.” Retrucou ele, cortando a fala de Garnet. Mais um motivo para o homem de longos cabelos brancos estar irritado. O husky na parte de trás do carro rosnou alto ao ouvir o nome de Agatha.

“Oh, então é por isso que está xingando sem parar por mais de quinze minutos.” Disse, em tom suave.

“Com certeza é apenas por isso.” Respondeu, em um tom áspero e frio que teria machucado pessoas não acostumadas com os modos rudes do homem. Mas Garnet estava acostumada, ao menos era o que ela acreditava. Wakhan nunca foi a pessoa mais fácil do mundo de se lidar. Era uma pessoa que muitos comentavam como sendo distante, bruto, e que muitos evitariam, com exceção dos ansiosos que procuravam a cama do homem, apenas para quebrar a cara. “Eu soube que vão passar o caso para algum bruxo nojentinho de nariz empinado” 

“Eu sinto muito, Wakhan… ” Comentou a wiccana, olhando para o homem, a mão pousando sobre a palma fria do homem.

“A cada dia que se passa eu tenho mais e mais vontade de estourar a cara dessa mulher,” balbuciou, apoiando o rosto no braço. “Ainda vai demorar muito para chegarmos?”
“Tempo o suficiente para você continuar xingando.” Riu-se a egípcia ao ouvir o homem retrucar. O silêncio se arrastou por longos minutos, confortáveis minutos de paz, sem xingamentos, sem insultos e sem palavras que fariam Garnet achar que estava sendo azarada ou amaldiçoada pelo parceiro. A viagem pôde se seguir sem nada que fizesse a mulher achar que passaria por riscos. Mas o silêncio não durou Para ser específico, durou apenas o suficiente para o carro estacionar a alguns metros da igreja de arquitetura gótica. Um monstro de detalhes minuciosos que se distinguia do ar moderno e elegante que a cidade exibia em seu total. Humanos tinham facilidade em destruir equilíbrios, sejam visuais ou não.

“Nós… Podemos ficar mais um pouco se precisar criar coragem.” ponderou Garnet, olhando para o lado de fora, a aglomeração de pessoas trajadas de preto marchando em um fúnebre silêncio para dentro. Wakhan negou com a cabeça.

"Não vamos prolongar mais as coisas." Respondeu, um cansaço em sua voz que fez com que Garnet se sentisse pesada, como se tivesse acabado de dobrar de peso ou apenas se sentindo desconfortável demais para cogitar se mover. Segundos pareciam durar horas, foi o necessário para que ambos saíssem do carro. Com o mesmo ânimo em que estavam dentro do carro, andaram a passos lentos em direção à entrada. Eles quiseram parar, dar meia volta e seguir rumo ao carro para saírem dali. Mas não o fizeram, seus pés nunca lhes permitiriam esse privilégio.

Garnet não era católica, que a Deusa Mãe lhe livrasse da ideia de se submeter aos costumes e normas daquele credo. Mas ela acreditou saber o suficiente para entender que aquilo duraria tempo o suficiente para ela lamentar terrivelmente de não ter convencido Wakhan de fazer os ritos funerários apropriados em casa, sob a luz da Mãe e sob a visão do Deus Cornífero, como havia sido feito por Selene e Phyrne. Ela não estava ali por mais de quinze minutos e já lamentava sua decisão, completamente exausta e entediada com o prolongado discurso feito pelo magro pastor sobre algo como a penitência da alma ou algo do gênero. Para dizer a verdade ela não poderia se importar menos com o que o religioso dizia.

Minutos pareciam horas naquele lugar, e a voz arrastada e lenta do pastor funcionava melhor que qualquer sonífero, chegando ao ponto em que ela se vira cochilando várias vezes, acordada pelos sons do coral ou de alguma velha senhora berrando ao fundo coisas como ‘aleluia senhor, aleluia’. Deusa Mãe, se a senhora não estiver muito ocupada, me tira daqui. Os olhos da egípcia rondaram a igreja, e tudo que ela conseguia ver era a massa de humanos em vestes pretas com lágrimas de crocodilo. Sem bruxos. Ela sabia que os humanos dali pouco deviam conhecer Linnara. Ela também não conhecia, mas estava ali por um motivo completamente diferente. Contudo, os olhos de Garnet se prenderam a uma atrasada e cambaleante figura. Era difícil não o notar. Com os fortes cabelos loiros em ondas perfeitas tão amarelas quanto o sol e a pele clara e leitosa mostrada pelo terno mal arrumado e os olhos em um azul cristalino puro. Era como ver um anjo andando apressado pelo monte de humanos de indiferentes à sua presença.

“Desculpem o atraso.” Murmurou Narcisse, a voz melodiosa do loiro em um timbre baixo ao tomar assento no meio de ambos, um sorriso branco de bochecha a bochecha. O sorriso não durou o suficiente, sendo derrubado por um suspiro baixo de Wakhan. Narcisse era outro coitado que não tinha motivos para estar ali. Ao menos ela não passaria por aquela tortura sozinha. 

Os ritos se estenderam por mais tempo do que se planejava, talvez o único motivo de Garnet não ter dado o fora dali foi que não aguentaria o peso em sua consciência. O clérigo parecia não se lembrar de metade do seu discurso. Mas os presentes tinham a habilidade sobrenatural de sorrir e fingir que entendiam algo e que de alguma forma aquilo ajudaria a alma de Linnara a seguir para os pós vida. Garnet temia que Linnara morresse de tédio se estivesse viva. Ou talvez os presentes morressem se falassem que a alma da loira agora já estava marchando para o inferno.

Por alguns minutos a wiccana encarou Wakhan. Minutos relativamente dolorosos. Wakhan nunca foi uma pessoa de chorar, ou que mostrasse como estava se sentindo, mas aquilo era demais para ele, de forma que Garnet não ficou surpresa ao notar as gotas cristalinas descendo dos olhos cegos do homem. Eram linhas molhadas que deslizaram silenciosas pelas bochechas do rosto rude do homem, pingando de seu queixo e sumindo em direção ao chão. Não houve  o alarde de cair aos prantos, ele não tinha o direito de fazê-lo. Garnet não era próxima a Linnara. Sequer a conhecia. Mas sabia o quanto Wakhan a admirava, sabia o quanto ele a desejava. Mas não poderia negar a marca negra e áspera que ele havia deixado em Linnara. Mas por infortúnio do Wiccano, a morte havia levado-lhe a luz de sua existência. 

Jacob

Ser filho do xerife tinha inúmeras vantagens, como por exemplo receber carona no colégio em viaturas, não ir para a prisão quando era pego no meio da noite depois de quebrar algo, além de que Jacob conseguiu um lustroso quantitativo de algemas. Mas, como tudo, ele também estava acostumado com consequências e coisas ruins, e quando seu pai é o xerife de uma cidade pequena depois de um assassinato violento, paz era um luxo que a família não poderia receber. Isso ficou claro no momento em que os Steins puseram os pés para fora do carro, o frio incomum para a época do ano se apossando do cenário junto ao som do vento varrendo as folhas para longe, além da distonia causada pelos flashs das câmeras dos repórteres que começavam a se aglomerar na porta da igreja.

Herbert ainda teve a insuficiente ideia de fazer com que Isabelle e Willy fossem na frente, a fim de entrarem o mais rápido que conseguissem na igreja, deixando a barra dos repórteres para ele e Jacob. Afinal, haviam revisado por horas. A polícia não tinha pistas dos suspeitos até o momento, mas as buscas não cessariam. Era engraçado como o único momento em que Jacob podia realizar algo com o pai no âmbito policial envolvia problemas. Além de que fora proibido terminantemente de comentar qualquer coisa sobre o caso em seu blog. Ao menos, por alguma intercessão divina, a família conseguiu chegar intacta. Apenas para ser alvo dos olhos desgostosos dos presentes, que os observavam como se fossem animais para o abate, ou melhor, como como os que não conseguiram impedir o abate.

Jacob seguiu a família a passos calmos. O som dos movimentos ecoava pela igreja enquanto o padre ainda falava sem parar. Deus, havia chegado ao ponto onde os presentes possivelmente já haviam começado a rezar que ele fosse o próximo a cair duro no chão. E uma das pessoas que já estava no topo da lista era sua mãe. Isabelle nunca havia sido a queridinha da igreja da cidade para início da conversa — afinal, como pode alguém que usa cristais e tem 'visões do futuro' não ser mais do que uma pagã blasfemadora. Logo atrás dela, estava Safiya. Jacob mal sabia como agradecer à amiga por ter aceitado acompanhá-lo naquilo.

Por fim, após seus intermináveis discursos, o clérigo idoso finalmente permitiu que os presentes postassem suas homenagens à mulher. Uma extensa fileira se fez da mais variada mistura de pessoas. Misturas de lamentos e choros se fizeram audíveis quando Jacob e Willy se aproximavam do caixão. Jacob sentia os espinhos da rosa branca em seus dedos arranharem sua pele, mas ele não parecia se importar com isso, ao menos ele conseguia sentir algo. Ao menos ele estava vivo. Ele não poderia dizer o mesmo sobre ela. Linnara parecia em paz. Se é que essa história de paz existia. Ela estava trajada com um delicado vestido de linho branco, a feições suavemente maquiadas e o cabelo loiro como ouro em uma cachoeira bem arrumada. Jacob não tinha um discurso a fazer, por isso simplesmente pousou a rosa sobre o peito da loira, passando a mão gentilmente por sua testa.

"Tenha um bom descanso, Linnara…" murmurou, a voz em tom baixo. Ele teria dito mais coisas, se soubesse o que dizer naquela situação. Nunca havia esperado aquilo, não para ela. Contudo, algo chamou sua atenção. Willy rabiscava algo no caderno que sempre trazia consigo. A palavra porco em letras vermelhas.

Regina

Talvez no quinto copo de gim desde que se fez presente no clube Duncan, Regina precisava de álcool para aguentar permanecer ali, mesmo que sorrisse simpática a todos os abutres e falsos que lhe dirigiam a palavra em cumprimentos fingidos e olhos de choro, causado vez ou outra por colírio. Estava ali por pura formalidade, a grande Regina precisava manter sua fama de pessoa simpática, mesmo considerando que raras foram as vezes em que tivera o mínimo de contato com a morta. A espanhola estava particularmente aérea aquele dia, tanto que levou um susto ao ouvir o copo de Magnus pousar sobre a bancada.

“Olha eu também não era amigo dessa garota, mas isso não é motivo para você me deixar falando sozinho,” retrucou o alemão, jogando os longos cabelos castanhos para trás. Os olhos castanhos de Regina encontraram os olhos azuis de Magnus. 

“Continuem falando assim, como se eu fosse uma parede, e eu coloco veneno na bebida de vocês.” Cortou Coral antes de Regina poder responder. O homem alto de cabelos acastanhados e olhos azuis encarou os dois, enchendo novamente o copo de Magnus com uísque.

“Em momento algum prometi que prestaria atenção no que você dizia.” respondeu, no tom mais gentil que conseguiu, mesmo que não tivesse o mínimo de ânimo para isso, principalmente se tratando de Magnus. 

“O único motivo de eu ter te chamado para vir junto comigo foi para não ter de ficar matando meu fígado sozinho com o Coral, de quem, a propósito, só estou falando por ser o único com o tipo de uísque que eu gosto nessa espelunca de clube.” Pigarreou, tomando um gole de sua bebida.

“Da próxima vez, o Jesus satanista aqui pode transformar sua própria água em vinho.” Respondeu, indiferente, o bruxo da gula, arrumando o suéter castanho. Magnus murmurou um xingamento ao ouvir o apelido, Regina por outro lado não evitou uma gargalhada, sorrindo  para Coral que brindou ao ato. Bebendo com um gole só o líquido âmbar que desceu rasgando sua garganta.

“Bem… Como eu estava falando. Quem vocês apostariam que matou a garota?” Perguntou, sentado em sua cadeira da forma mais esnobe que conseguiu, arrumando as vestes da mais cara seda que era possível imaginar. Magnus era, afinal, um duque, mesmo que seu título não valesse nada na atualidade .

“Eu apostaria uma grana preta que isso tem dedo do saco de ossos da Johanne.” Comentou Coral, se apoiando no balcão para encarar a velha senhora, sentada afastada dos demais e encarando o absoluto nada, visivelmente ansiosa para voltar para casa. “Essa mulher não é de Lúcifer. Ela teria cara de quem faria isso.”

“Não seja idiota, ela não tem forças pra andar meio quilômetro sem começar a reclamar de dores.” Retrucou Magnus, tomando um gole de seu copo. “Isso parece ter vindo do William. Quem mais teria tanta brutalidade quanto ele?”
“É sério que os dois estão fazendo um bolão da morte?” Regina questionou, olhando para os dois apenas para receber um dar de ombros. Ela suspirou, às vezes era um trabalho bem difícil ser a mais sensata daquele trio. Por fim, ela respirou fundo. “Agatha. Eu aposto no Agatha.” Respondeu, olhando de soslaio para o homem da Soberba.

“Vocês estão esquecendo que estamos falando de alguém fisicamente forte? Afinal, quem fez isso tem de ser forte. Que tal o Ivor?” Sugeriu Magnus, olhando para o membro do clã da preguiça. Ivor era para os padrões comuns um quase gigante, uma montanha loira de músculos exagerados e de olhos azuis. Vestido com moletons, o gigante tirava um confortável cochilo em uma das poltronas do local.

“Ele é um covarde. Além de que ele precisaria estar acordado para fazer isso. A única coisa que ele deve conseguir fazer é dormir.” Respondeu, indiferente, Coral.

“É uma pena, eu adoraria poder dar utilidade para aquela bunda, um desperdício passar o dia todo dormindo.” Lamentou Magnus, olhando para os lados. “Que tal fazermos apostas de quem vai ser o próximo ou a próxima?”

“Você parece um sádico fúnebre. Você seria capaz de matar alguém só pra falar que eu e a Regina estamos errados.” Protestou Coral, preocupado unicamente com a possibilidade de perder, principalmente para Magnus. “Ok. Eu aposto que a próxima pessoa deve ser o Cedric.” Comentou.

“Uhm… Eu acho que algum Wiccano.” Comentou Magnus. “Só não seja uma maldita pessoa que me devia dinheiro… E você, Regina? Em quem vai seu voto?”

Regina pensou, dois minutos no máximo, mordiscando o lábio inferior. Os olhos correram pelo recinto, parando sobre a recém chegada Andromeda. Acompanhada por Sextus.

“Sextus. Eu voto no Sextus.”

Carlos

Carlos era uma pessoa orgulhosa. Isso era um fato de conhecimento geral. De fala mansa, ações ‘nobres’ e modos de um cavalheiro, Carlos seria o que se esperaria de um cavaleiro medieval, mesmo que sua personalidade tendesse para um garanhão cafajeste do século XXI. Trajado de forma elegante e chamativa, Carlos era o tipo de pessoa que ia para todos os lugares para chamar atenção, mesmo que esse evento fosse o velório da mulher que ele desejava a seu lado.

Contudo, uma coisa boa ainda pairava em sua mente. Lembrava da noite anterior, de ter sido chamado no meio da madrugada à academia a chamado do tribunal. ‘O caso é seu’, anunciou William. ‘Não deixaremos humanos resolverem questões bruxas’. Agora, Carlos tinha carta branca para quebrar até o último osso da pessoa que havia feito aquilo. E seu suspeito número um finalmente havia dado as caras no recinto, com o sempre esnobe nariz empinado. 

Devíamos estourar a cara dele na parede, esse lugar precisa de mais vermelho.” Sugeriu uma voz próxima ao ouvido de Carlos, apoiando o braço no ombro dele. Kerl às vezes era uma pessoa sensata. Mesmo que fosse apenas um alter ego de Carlos. Ou uma segunda personalidade. Carlos nunca soube ao certo.

“É uma ideia ótima,” murmurou, discretamente, escondendo os lábios por trás de uma taça de vinho tinto. “Podemos enquadrar ele depois… Bater nele até ele confessar.” Comentou, a ideia de quebrar Sextus na porrada até ele confessar parecia-lhe mais do que apetitosa. E com isso, ele andou em direção ao Balaur. 

Sextus

Estar no enterro de Linnara não estava na sua lista de planos de como aproveitar seu domingo. A situação teria sido minimamente aceitável se tivesse conseguido levar os mariachis que havia contratado, contudo, Andromeda havia falado que se ele não os mandasse embora ela mesma enfiaria a trombeta de um deles em um lugar bem desconfortável sem uma quantidade grande de lubrificante. Ao menos ainda podia encher a cara.

Parado junto a Andrômeda, próximos a uma grande estátua do Senhor das Trevas, Sextus estava acostumado a receber olhares. Claro, geralmente de inveja, vez ou outra de desejo, coisa que até hoje fazia seu estômago revirar. Mas o que ele sentia sobre si era diferente, era pesado. Talvez fosse com todos, ou apenas a situação. Não, Sextus sentia a sensação de ser fuzilado. Cada segundo a sensação se intensificava, até que finalmente pode ver a origem disso, uma inconveniente origem trajada de vermelho e chegando rápido. 

“Ah Satã…” murmurou, olhando para Andrômeda, tomando o último gole de sua taça. Virou-se para Carlos com o sorriso mais irônico que seu rosto conseguiu fornecer, o que considerando que a pessoa era Sextus, foi um bom trabalho. “Detetive Oliveira, não sabia que você vinha para cá.” Disse, em um tom de indiferença.

“Você deve ser muito corajoso ou cínico para dar as caras aqui hoje.” Respondeu, parando de frente para Sextus, os olhos do brasileiro fuzilando-o com imensurável raiva.

“Se vai continuar me encarando vou começar a cobrar ingressos, apenas vim fazer companhia a Andrômeda, senhor intrometido.” Respondeu, levando a mão ao bolso e tirando dele um cigarro para levá-lo aos lábios. Não muito depois, soltava uma tragada do cigarro recém aceito no rosto de Carlos, que se encontrava pronto para pular no pescoço do Balaur.

“Como você ousa…” Murmurou, puxando Sextus pelo colarinho. Andrômeda se virou para Carlos enquanto Sextus pôs um sorriso no rosto.

“Como ouso o quê? Que eu lembre, essa é a sede do meu clã, eu posso estar aqui o tempo que eu desejar.” Respondeu, com um dar de ombros. “Agora, que tal me soltar para eu não dar um jeito de transformar você no selvagem desmiolado que você é?”

“Sextus Balaur. Está preso pelo assassinato de Linnara Wizenberg.” Anunciou, alto, num dos desafortunados momentos em que o salão estava em silêncio o suficiente para que a atenção dos presentes caísse sobre a cena. Sextus riu alto e sarcástico.

“Ah é mesmo? E que provas tem além das vozes em sua cabeça, hein, seu lunático?” Perguntou o Balaur, apenas para receber como resposta ser arremessado contra a parede, seu rosto pressionado contra a tinta escura. 

“Você tem o direito de ficar calado ou eu quebro cada osso do seu corpo!” Ameaçou. William observava a tudo de longe, bebendo de seu copo de Uísque. “Você matou a mulher que eu amava… Eu vou fazer você sofrer… Por muito tempo antes de cortar sua garganta.” Praticamente rosnou a sentença, apenas para receber uma risada sarcástica em resposta.

“Amar? Você só queria colocar o pau dentro dela e está frustrado que ela morreu antes de poder fazer isso. Quem sabe se você correr ainda encontra o corpo quente o suficiente para tentar algo?” Riu. Carlos borbulhou de ódio e levou o punho em direção ao rosto de Sextus, pronto para acabar com a raça dele. Contudo antes que pudesse o fazer, Andromeda puxou o pulso dele.

“Encoste um dedo nele de novo e eu juro que vou arrancar seu braço.” Ameaçou, de forma séria, puxando Sextus para mais perto de si. “E acredite, eu posso ser bem pior do que você.”

“Não se meta em assuntos do meu trabalho, Andromeda. Esse verme merece enfrentar a fogueira pelos crimes que ele cometeu!” Protestou, irritado, estalando as juntas dos dedos.

“Você não tem provas de que Sextus fez nada.” Respondeu no mesmo tom, entregando sua taça ao Balaur. “Vou ter de repetir o que acontece se encostar um dedo nele?”

“Está me ameaçando, Andrômeda?” Questionou. A tensão crescia no ar.

“O que pensam que estão fazendo?” A voz de Dantes cortou o recinto como um raio. O líder da Soberba entrou na frente dos dois. “Isso é um funeral. Tenham o mínimo de respeito com os mortos.” Vociferou, fitando Carlos e Andrômeda. Os olhos frios do homem se voltaram para Carlos. “Senhor Oliveira. Lembre-se de se controlar. E você. Andromeda.  Não transforme meu clube em um dojo.”

Ambos concordaram em silêncio, olhando para o bruxo mais velho. Assistindo tudo a distância, Lanore McLlavre apenas conseguia pensar em quanto tentar passar pano para Sextus era uma coisa difícil. Se despedindo da forma mais educada que conseguiu, ela andou até ele, que passava a mão nas marcas vermelhas em sua nuca.

“Você não toma jeito mesmo, né? Você podia ter se machucado!” Falou, visivelmente preocupada. Tomando o braço dele para si, marchou em direção à saída. Sextus revirou os olhos, sorrindo.

“Eu não ia perder a oportunidade de expor esses apaixonadinhos pela Linnara. Lúcifer sabe o quanto desses gados só queriam trepar com ela.” Declarou, passando a mão pelo cabelo para arrumar os fios. “Além de que eu não ia perder a oportunidade de alguém me segurar pelo pescoço.”

“Você é tão engraçadinho! Sextus, você não deveria debochar de assuntos do coração.” Rebateu, um tom agitado em sua voz que fez Sextus gargalhar de forma animada.

“Ele não ia me matar. Isso se ele não quiser que minha família mexa uns pauzinhos lá na capital para garantir que a família dele continue só com essa fama de traidores que tem.” Respondeu, junto a um dar de ombros, ignorando o comentário sobre o coração.

“Ai, ai, esse Sextus é tão brincalhão,” riu, num tom quase nervoso. Contudo ela apenas pagou de sonsa e fingiu que ele não falava sério, mas ele não poderia estar mais sério.

“Bem, vamos sair daqui… Que tal irmos comer algumas panquecas? Eu pago.” Respondeu, finalmente saindo juntos do local.As conversas voltaram a se espalhar por entre o salão enquanto Hector observava as coisas em silêncio. Bruxos eram seres estranhos. Mas ele não tinha tempo a perder ocupando sua mente com outra coisa. Ele tinha trabalho a fazer. Com passos silenciosos, o nascido sem magia saiu do Clube. Havia pedido a Robert que comunicasse a seu pai que estava indo embora, agora ele precisava correr, o tempo era seu inimigo.

Hector

Ele não era acostumado com florestas, nem com o ar livre da cidade e em geral ele possivelmente teria se perdido se não carregasse consigo um mapa, encantado por Robert para mostrar sua localização exata. Magia era muito útil às vezes, ou sempre. As florestas de Montroir eram densas e grandes demais para pessoas que nunca haviam as explorado, ser proibido de sair de casa não era lá de grande utilidade nessa situação.

Estava um pouco mais quente do que no início da manhã, porém, o céu ainda estava nublado e ventando o suficiente para fazer Hector precisar segurar com força seu casaco. Faltava um quilômetro e alguns metros até poder chegar a seu destino. O terreno ao menos era plano, ou foi o que o pensou antes de ter de se ver pulando pedras e tentando escalá-las. As árvores eram altas e escuras e pareciam mais sinistras a cada passo que dava.

Finalmente, ele pôde se ver próximo à vala. Grama cinza e morta cercava sua entrada. Hector sentia cheiro de podridão, isso se fosse possível descrever com precisão o que aquele cheiro era. O moreno engoliu em seco, sentia o corpo pesado quando se aproximou alguns passos, o vento varrendo as folhas próximas. Algo naquele lugar deixava Hector apreensivo, talvez o fato da bruxa mais poderosa do mundo ter morrido ali dentro fosse um dos motivos, vai saber ao certo.

Hector se agachou, pegando um punhado de grama. O que diabos poderia ter acontecido ali para apodrecer o solo?

“Linnara… Com o que você se meteu…”  Murmurou, encarando o vazio. Um arrepio passou por sua nuca ao pensar nas coisas que poderiam ou que possivelmente aconteceram em sua ausência. Contudo, seu tempo de reflexão acabou ao ouvir o som de passos próximo a ele.

“Hector… Faz bastante tempo.” Proferiu a pessoa, com a mão nos bolsos, encarando o Blanchard. 

Pós-Capitulo

Alfred Bishop era faxineiro do cemitério de Montroir por mais de trinta anos, não que fosse um trabalho gratificante, ou que ele gostasse de trabalhar tarde da noite varrendo um local escuro e assustador como o cemitério. Era uma situação de aproveitar o que se tinha. Era um salário mixuruca, exaustivo, mas ao menos ele conseguia trabalhar em paz e beber em mais paz ainda.

Aquela noite foi a mais tranquila dos últimos meses. Ele havia tomado o último turno da noite e estava sozinho no escuro escritório no território do cemitério. As gavetas de ferro fechadas em fileiras recém limpas reluziam na luz das poucas lâmpadas do local. Alfred fazia um bom trabalho, no final das contas.

Em cima da maca de ferro, o corpo da falecida dourada repousava, emergido em silêncio. Ela havia chegado no final da tarde, as roupas e a maquiagem impecáveis, era realmente uma pena ela precisar ser cremada. Uma beleza como aquela deveria ser digerida pela terra com o tempo, não se consumir em brasas e virar entulhos cinzentos. Mas não era ele quem decidia isso, sua única função era limpar o local e sair. Ele já estava no último canto do escritório quando ouviu o barulho de algo caindo no chão. Não era um som estrondoso, mas mesmo assim, o homem de idade não lembrava de ter deixado nada em algum local que pudesse cair. Com passos lentos ele andou para de onde havia escutado o som. Próximo ao cadáver de Linnara, um saquinho de couro, pouco maior que o punho de um bebê, se encontrava no chão. Ele parecia estranho, de aparência velha, e amarrado com o que parecia ser uma pequena e estranha corda.

 

O homem, a contragosto das dores em suas costas, se agachou para o pegar. Era de alguma forma gosmento. Ao aproximar um pouco mais de seu rosto, o homem conseguiu ver o que amarrava o saco. Era cabelo. Fios loiros de cabelo. O saco foi jogado com nojo no chão enquanto o homem passava a mão em seu macacão a fim de limpá-la, correndo o mais rápido que pôde em direção a pia, a água fria descia por sua palma embora ele ainda sentia a sensação do material em suas mãos.

Enquanto estava de costas, ele ouviu outro barulho, um arrepio correndo por sua espinha o fazendo travar nos pés e não ter coragem de olhar para trás. Ele não era pago para essa merda. Ele se pôs a andar rápido em direção a porta, não ficaria um segundo sequer naquele lugar, mas antes que pudesse chegar à porta, ele parou. Sentindo algo em seu pescoço, olhou lentamente para o espelho ao lado. Algo deslizava por baixo da sua pele, ele tentou berrar mas não tinha coragem ou forças para isso. Ele sentia aquilo sobre seu pescoço. Correu o mais rápido que pode por entre as mesas de metal. Em seu desespero, dedilhou por todos os instrumentos que viu em sua frente, pegando uma afiada e longa tesoura. Os olhos corriam desesperadamente, a tesoura tremendo em sua mão enquanto procurava.

 Ele passou a lâmina desesperado pelo pescoço. Achando o desnível, o homem tentou abrir um corte, errando e xingando. Uma dor dilacerante lhe sendo sentida, ele novamente o tentou. O corte por infortúnio foi profundo. Profundo demais. O homem tombou no chão em um baque. O líquido rubro se espalhando pelo chão. O silêncio voltou a imperar. Não havia nada em sua garganta.

Minutos depois, contudo, passos calmos quebraram o silêncio. Duas pessoas trajadas de mantos e capuzes vermelhos entraram na sala, encarando o cadáver do homem em silêncio.

“Tirem-no daqui… Façam parecer que se matou.” Promulgou a pessoa mais alta, a mão passando por cima do corpo do homem, o sangue recuando lentamente a seu pescoço.

“Sim, grand sacerdotes.” respondeu a companhia.

“E tirem-na daqui… Falta muito pouco para acontecer… Precisamos estar prontos. Nada pode ficar em nosso caminho.”



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