História Blood Prince - Capítulo 21


Escrita por: ~

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Categorias EXO, Lu Han
Personagens Baekhyun, Lu Han, Sehun, Suho
Tags Era Vitoriana, Exo, Hunhan, Luhan, Sehun, Selu, Starlotus2017, Vampiros
Visualizações 208
Palavras 3.565
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá.

Deixei o link da música do capítulo nas notas. A letra é linda e tem muito em comum com esse selu maravilhoso. ♥

Boa leitura!

Capítulo 21 - Um Tom Profundo de Vermelho


Notei uma leve mudança na aparência de SeHun, a pouca luz dentro da carruagem poderia complicar minha exata percepção, mas vagamente o via um pouco incomodado e sua pele ganhava um aspecto de palidez preocupante. “Está tudo bem?” Eu perguntei, mas estava claro que nada estava certo com ele naquele instante. Sentado ao seu lado levei uma das mãos ao seu rosto e estava gelado, isso não tinha nada a ver com o exterior congelante. “Não está bem para ir à bailes nesse estado.” SeHun riu com minha preocupação, sem proferir palavra alguma deitou a cabeça em meu ombro, apesar de seu corpo se tornar mais cadavérico, envolvi os meus braços o quanto pude ao seu redor.

Era possível que estivesse se privando de matar pessoas, não sabia muito de suas andanças pela madrugada, afinal. Vampiros ainda era uma completa incógnita, a sua função de sobrevivência e como se nutriam do veludo vermelho que tanto conspurcavam dos mortais. Seu ar casquilho estava diminuído, isso nos aproximava de algo mais íntimo e singular. “Você não tem se alimentado? Necessita fazê-lo outra vez?” SeHun não respondia nenhuma pergunta, um reflexo seu e o rosto tinha sido posto contra meu pescoço, ali bem escondido, justamente em seu lugar de maior perdição. A ponta gelada do seu nariz desfilava como se me cheirasse, ou apreciasse, na região em questão. O toque despertava cócegas, não conseguia inibir espasmos involuntários de meu corpo por isso.

“Você é tão sensível.” Ele disse com a voz embargada de erotismo, mas não o polido de sempre, sentia a sua besta interior tomá-lo aos poucos. Acima de minha compreensão se fazia a necessidade de assistir sua forma bestial mais uma vez, nem mesmo sentia medo caso provasse de suas presas de anjo da morte. “Não estou em minha melhor forma, Lu. Acho que deve ter notado isso, afinal, minha aparência sadia se esvai muito rápido quando passo muito tempo em jejum.” Meu coração estava acelerado com cada palavra que saia dele, eu poderia afirmar que sua condição fazia que me sentisse energizado por algo emocionante e proibido.

“O que fará?” Eu perguntei. “Não sei como poderei ajudá-lo.” O vampiro desvencilhou-se de meu abraço e suas mãos pálidas foram ao seu rosto dando um suspiro resignado. Passávamos por uma rua deserta, acabamos caindo em um silêncio soturno de negligência. SeHun, repentinamente, bateu na estrutura da carruagem três vezes, assim, Mihael parou e o trote dos cavalos sumiram. Uma garoa fina caia deixando a rua com um reflexo esbranquiçado das lâmpadas públicas que iluminavam o lugar com dificuldade. “Desça, mas ande dez passos atrás de mim.” SeHun disse firme e saiu da carruagem, o sobretudo negro esvoaçava contra o vento gélido. Suspirei fundo e tomei coragem de segui-lo, eu sabia que mostraria seu lado vampírico para mim finalmente.

Minhas mãos suavam.

Via-o tirar as luvas de couro dos bolsos de sua vestimenta, a forma que as vestia nas mãos era delicada, algo tão sutil como uma folha verde caindo por si mesma. As pontas de meus dedos adormeciam, ao contrário dele, eu não tinha o mesmo zelo em sair portando luvas de pelica. Fazia uma concha com minhas mãos ao redor da boca e as assoprava com meu hálito afim de deixa-las aquecidas, o silêncio daquela rua larga e sombria arrepiava todos os pelos de meu corpo, o calor chegava a ser imperceptível. Tentei equilibrar o espaço que foi pedido por ele, não queria desobedecer isso, os números de um a dez se repetiam em meus pensamentos, cada número contato era uma batida de coração dada. O vampiro atravessou a rua e o segui, logo mais a frete avistei um nicho de prostitutas, imaginei que seria uma delas a sua vítima.

Estava enganado.

Passei pelo grupo de mulheres um pouco depois dele, nem mesmo ouvi duas insinuações, não queria perder SeHun de vista. Ouvia o badalar de sinos de uma igreja, o buchicho de mulheres ficava cada vez mais evidente, ele parou atrás de um poste como se tivesse escolhendo muito bem a sua caça, ainda mantinha nossa distância estipulada. Uma donzela virava a esquina da igreja em direção do vampiro, a bíblia apertada em seu peito mostrava a devoção que tinha com sua fé, as luvas de renda afagavam o seu bem sagrado. Eu seria capaz de assistir aquela bela moça morrer nos braços de SeHun? A donzela caminhava na direção do vampiro, o meu peito apertava tanto que sentia um grande nó na garganta. Ele começou a acompanhar ela, não ouvi o que disse em seu ouvido, mas a garota não parecia estar com medo ou algo do tipo.

SeHun parecia cortejá-la, enquanto o seguia ouvia risinhos da donzela e a distância entre eles se estreitava. Em uma certa altura os dois pararam, o vampiro colocou uma mecha do cabelo da moça atrás de sua orelha e afagava seu rosto com ternura, não sabia se conseguia notar minha presença, já que eu tentava ficar escondido a cada parada sua. A proza com troça de carícias não tardou tanto, os dois caminharam juntos para uma viela entre dois casarões e sumiram na penumbra. Meus pés se recusavam a segui-lo, o aperto em meu peito era maior que antes. Pedi por aquilo, não poderia dar uma de maricas e fugir. Respirei devagar e fechei os olhos durante, dei o meu primeiro passo às cegas e segui o caminho que SeHun fez. Chegando próximo mal podia sentir meus pés pisando no chão, o último relance de coragem foi dado quando o fitei escondido atrás parede embolorada. Não sabia se me sentia traído ou enojado.

A pouca luz que iluminava aquela viela permitia ver que SeHun a beijava, os dois estavam tão envolvidos que pareciam amantes de anos. Por que meus olhos se enchiam de lágrimas? Por que ver aquilo doía? Ele continuou, apesar de sentir seu olhar cair sobre mim, e suas mãos deslizavam pelo corpo da moça com maestria. Os seus lábios foram para o pescoço da donzela, a mesma parecia enfeitiçada por seus encantos, o rosto do vampiro sumia nas curvas delicadas de sua vítima. Podia vê-lo a beijar com desejo e sabia que logo terminaria o seu ritual, uma mão afundava nos cabelos da nuca da garota e a outra estava firme no centro de suas costas. O vampiro parecia insistir para que eu visse todos os detalhes do seu ato, o corpo da moça não mostrava desconforto, mas sim uma grande ira de prazer descomunal com cada toque recebido. Senti um calafrio quando vi os lábios de SeHun abrirem o suficiente para conceber uma mordida na pele imaculada da pobre jovem, não era um ato espalhafatoso, remetia à uma mordida dada por um amante mais fervoroso, quais dele já recebi durante as noites que profanamos juntos nossos corpos.

A mulher apertava os braços do vampiro, mas não parecia querer sair de seu domínio, os corpos se moviam com necessidade, aquilo era um ato íntimo e derradeiro para os dois. SeHun bebia de seu néctar precioso, e aquela moça, bem, provava de seu último prazer em vida. A donzela desfalecia nos braços do vampiro, o seu sono profundo havia começado para a sua eternidade do outro lado do plano terreno. SeHun havia terminado, claro, os seus lábios escarlates não derramaram uma gota de sangue sequer, o que restou na pobre moça foi dois furos no pescoço profanado pelo anjo da morte que a pôs no chão com os braços cruzados sobre o peito. Agora, o anjo sem asas vinha em minha direção, a sua pele já tinha ganhado o rubor sadio de antes, a vitalidade roubada já fizera efeito. Frente a mim, o vampiro observava minha frágil existência com temor, qual seria minha reação afinal? Nem mesmo eu sabia. Lágrimas caíam silenciosas por minhas bochechas geladas, só agora compreendia o motivo de sua tamanha relutância em presenciar esse ato macabro.

Quando levantou a mão para tocar o meu rosto, desviei. Dava passos para trás e cada vez mais longe dele, só desejava chorar sozinho em qualquer canto escuro. Ele chamou o meu nome inúmeras vezes, mas não o queria perto. Virei de costas e corri com toda a força restante em meu corpo, a minha falta de cuidado surtiu em um tombo feio. Cai batendo as costas no chão e minha nuca, a dor foi tamanha que não pude levantar. SeHun surgiu em meu campo de vista e ajoelhou-se ao meu lado, o meu medo não poderia ser julgado por ele.

Foi um choque, sentia-me traído. “Ah, não.” Ele falou quando passou a mão na região da minha cabeça que foi em encontro ao chão, a sua luva tinha ficado úmida. Repeti o mesmo e vi sangue vivo em meus dedos. “Você tinha que fugir dessa maneira? Eu sabia que ia dar algo errado! Sabia que não aguentaria assistir aquilo! Maldita seja a sua teimosia!” Ele bufava enquanto tentava fazer que sentasse, a minha cabeça doía tanto que uma vertigem forte fazia que tombasse para um lado. Não me recordo de mais nada após isto, minha lucidez parecia ter sido dragada para a escuridão sem volta.

 

Recobrei a consciência e imagens de um quarto estranhos surgiram, a cama e os papéis de paredes em cores pálidas e delicadas. Só poderia ser o quarto de uma dama, ainda que minha cabeça doesse muito tentei erguer o corpo, mas não havia ninguém no cômodo além de mim mesmo. Toquei minha nuca e sentia nos dedos pequenos esporões de ferro fechando o corte que havia no couro cabeludo, o comprimento era quase de um dedo médio, o que me fazia sentir como a Criatura de Mary Shelley.

Minhas roupas eram muito largas para a estatura física que tinha, o que podia acusar que alguém havia me trocado. Sentei à beira da cama e esperei a vertigem passar para tentar um primeiro passo. Relances de memórias retornavam e todos sobre SeHun, não estava arrependido por ter visto tal coisa, acredito que o susto foi uma reação natural de qualquer ser humano teria. Queria me desculpar mesmo assim, já esperava que ele estivesse chateado, eu pedi para ver aquilo, não o culparia se me repreendesse.

Tentaria não ser um homem chato e indeciso, não era hora para mais lamúrias. Eu precisava agir para tirar essa maldição de minha vida; maldição, agora estava claro as tantas vidas e mortes que atravessei. O mundo é repleto de segredos com faces horríveis, apenas há beleza na mentira, mas não era isso que eu procurava agora. Iria a fundo para descobrir a feiura das minhas verdades, a real face das mentiras que sustentam minha existência. Eu chorava, o alívio que corria através dos meus olhos aliava as águas negras das angústias represadas em meu âmago mais indefeso.

Acho que havia perdoado a mim mesmo sobre minhas fraquezas e, principalmente, desculpado minha covardia para enxergar o óbvio; não existia mais um horizonte são e salvo, não se eu não lutasse. Não acreditava que poderia ser possível alguém como eu, tão comum igual a tantos outros, ter um objetivo tão difícil e importante como esse que começava a descobrir. Seja lá o que fosse a minha maldição, eu não iria desistir de ser liberto desse fardo.

 

“Como se sente?” Perguntou a voz conhecida, nem precisei me virar em direção a porta para reconhecer SeHun.

“Sinto-me bem, eu acho.” Respondi, ainda sem jeito por minha estupidez ter lhe causado tanto problema. “Desculpe pela reação estapafúrdia que tive, acho que atrapalhei seus planos.” Senti a sua presença a se aproximar, então sentou ao meu lado.

“Acredito que não exista mais dúvidas em relação à minha natureza.” Mesmo de cabeça baixa podia notar que SeHun não me olhava em nenhum momento.

“Você está com raiva de mim? Estraguei o combinado de ir atrás de Louis, não queria causar problemas.”

“Isto não vem ao caso agora. Iremos achar outros meios para saber a fundo de toda essa trama, então, agora o que resta é esperar. Deite-se e descanse, LuHan.”

SeHun havia esfriado, não me tocou e nem olhou, na verdade, agora parecia evitar qualquer aproximação minha, visto que no momento que levei a mão para segurar sua, ele a afastou.

“Pode me falar, ao menos, aonde estamos?”

“Casa de Lady Julianne. Você foi cuidado aqui por um médico vizinho, antes de partimos amanhã pela manhã ele virá ver os pontos dados em sua nuca por precaução.”

“Mudará comigo, SeHun?” Levantei, ainda que tonto, e fui até o vampiro. Obriguei que olhasse nos meus olhos, apesar de sua expressão de descontentamento extrema. “Eu espero que não me deixe sozinho no meio desse pesadelo.” Ele tentou desviar o olhar, e com as mãos em suas bochechas, impedi que isso acontecesse. 

“Não irei mudar. Estou perturbado! Seus olhos cheios de medo não me deixam em paz. Prefiro morrer outra vez do que o ver com medo de mim, LuHan.”

“Estou aqui, ao teu lado, não? Estou bem aqui! Veja! Não nego que fiquei assustado, mas isso não irá mudar o que nutro por você. Somos dois amaldiçoados que precisam ir atrás de suas redenções, então, por favor, fique ao meu lado. Não me abandone, não deixe de me amar. Preciso de você, SeHun. Eu preciso muito.”

“Tens razão.” Ele me envolveu em um abraço, ainda que muito cuidadoso se atrevia a dar beijos de carinho sobre meus cabelos. “Pensei que iria me querer longe, após tudo o que viu, isso causou uma sensação terrível. Aqui dentro.” O meu rosto estava deitado em seu peito enquanto escutava atento suas palavras, amava o seu cheiro e o frescor sobrenatural que sua presença causava em mim próprio. “Agora durma.” Ele disse em tom terno, então, de fato, acabei sentindo uma sonolência agradável.

 

Na manhã seguinte fui acordado por ele que estava na companhia de um médico, o senhor de idade fora muito cuidadoso e deu instruções a SeHun para que o ferimento não inflamasse, o que era corriqueiro. Meu estômago doía de fome, assim que o médico deixou o cômodo apressei os passos para me vestir, as roupas estavam secas e bem dobradas, imaginei que tinham sido enxutas com a ajuda do ferro a carvão. SeHun arrumava a cama em que estava deitado, a visão foi engraçada, ao meu ver, a sua imagem remetia a um mordomo prendado. “O que foi, LuHan?” Ele perguntou afofando os travesseiros.

“Vê-lo fazer um serviço doméstico é engraçado, não sei explicar.” Ele sorriu e alinhou o objeto amaciado na cama, então veio até mim e ajudou que fechasse os botões da camisa. “O que faremos agora?” Fui ajudado por ele com o resto das vestimentas, seus dedos passaram suaves pela minha testa alinhando os meus cabelos desgrenhados.

“Precisamos pensar bem antes de dar qualquer passo. Com o restante dos vampiros, mesmo que pouca, ainda teremos alguma vantagem. Voltaremos para a casa de Nicholas e por hora, creio eu, não faremos nada. Aproveite essa folga de finais de semana para conseguir se recuperar, afinal, ainda tem um compromisso a cumprir com Erin.”

“Concordo. Visto tudo o que anda ocorrendo, nada irá se resolver de uma hora para outra.” Eu falei. “Estamos juntos, correto?” Ele assentiu à minha pergunta.

 

Durante o caminho até o andar inferior da grande mansão, não deixava de observar o quão belo era sua decoração. Fiquei quase petrificado quando avistei uma bela moça na sala de estar, ela parecia uma boneca de porcelana chinesa, os seus traços eram delicados e graciosamente esculpidos. O vestido azulado enfeitado com rendas e babados era uma obra de arte a parte, ela levantou de onde estava quando me aproximava junto a SeHun.

“Fico feliz que esteja bem!” As mãos enluvadas em uma renda delicada chamaram a minha atenção quando as levou para frente dos lábios demostrando estar mesmo aflita. “Perdoe minha indelicadeza, mas não sou adepta de etiquetas, cavalheiro.” As bochechas redondas ganhavam um tom rosado magnifico, queria falar que estava tudo bem, mas o vampiro tomou a palavra por mim.

“Lady Julianne, eu espero que seus pais não descubram que dois homens estiveram aqui em sua ausência, mas se descobrirem, diga a eles que podem vir falar comigo pessoalmente. Irei esclarecer qualquer dúvida. Aliás, quando eles retornam da América?”

“Oh, não imagino. Dois ou três meses, não sei ao certo. Se arrumarem um pretendente para mim antes disso, talvez retornem mais cedo.”

“Irá casar?” Eu falei, meio sem pensar. “Perdoe-me, isso não é de minha conta.”

“O meu plano com Lorde Oh não surtiu efeito, eles querem mesmo me ver longe daqui e com um marido rico. Grandes coisas um casamento!” Julianne disse e pude ver que se entristecia, eu gostaria de fazer algo, mas não passava de um desconhecido.

“LuHan e eu iremos para casa, eu agradeço muito que tenha nos acolhido em tal situação. O que era para ser uma ajuda nas vestimentas para um baile, se tornou um caso de vida ou morte. Bem, iremos agora.”

 

Ele não deu brecha para que me despedisse ou dirigisse a palavra à moça devidamente, não queria acreditar que fosse um caso de possessão sobre mim. Quando perguntei se ela sabia de sua natureza vampírica, SeHun negou. Imaginei que, por sua recusa de firulas, Lady Julianne tivesse uma personalidade marcante, tal que não aceita as regras injustas em sua visão.

Não citamos nada do acontecido na viela durante a viagem até a casa de Nicholas, não era preciso, não havia nada a ser declarado. O chacoalho da carruagem causava um desconforto descomunal na região do corte em minha cabeça, o vampiro então pediu para que sentasse ao seu lado e que permitisse que me abraçasse, assim aliviava o tranco entre uma pedra e outra que por má sorte encontravam as rodas.

Quando chegamos no devido lugar fui levado de imediato para a cozinha onde estava servido quitutes matinais. Encontrei Lucca que comia proseando com a cozinheira gentil. Me juntei à conversa sobre o país de origem da senhora, o País de Gales. Era agradável ouvir histórias de mortais como eu, a sensação se diferia da realidade incumbida a mim nos últimos meses.

 

Estaria tudo bem, se não fosse um alarde de vozes enfurecidas vindo da biblioteca.

 

Não queria ser intrometido nos assuntos dos outros vampiros, a discussão aumentava de uma maneira que conseguia me tirar sustos, mas permaneci onde estava. “Você não pode fazer tudo sozinho, grande idiota!” Reconhecia a voz furiosa de Matteo, nem poderia imaginar o que o enfureceu, ou poderia, se a briga fosse com SeHun. “Terá que obedecer minhas ordens, eu te criei! Olhe para mim!” Após exclamar, ouvi um ruído alto vir do cômodo como se algo pesado tivesse sido jogado contra a parede. Precisava ver do que aquilo se travava, levantei e pedi para que Lucca permanecesse na cozinha.

 

Caminhei cauteloso até a porta da biblioteca, agora podia ouvir melhor o que falavam. Comprovei a presença de SeHun no lugar ao ouvi-lo.

Saí com LuHan como dois mortais. O que há de errado nisso? E sobre o corte em sua cabeça, não me contive durante o ato libidinoso e acabei sendo feroz demais.” O vampiro mais velho riu em escárnio, a sua voz era suave e muito bela, como a de um orador experiente.

Você nunca poderá esconder nada de mim, Grigore! Desgraçado fora seu pai, o maldito Vlad Tepes, que o diabo o tenha! Os dois eram mentirosos o suficiente para dizimar toda a uma raça para seu próprio interesse. Acha que não suspeito dos seus sumiços? Você é egoísta! Egoísta como seu maldito pai! Não duvido que vá nos entregar com as cabeças em uma bandeja para qualquer um que possa salvar teu amado chinês dessa maldição!”

“Não me chame por esse maldito nome!” SeHun parecia ter se descontrolado a primeira vez, os seus gritos tremiam. “Se encostar um dedo em LuHan, Matteo, eu estraçalho a sua garganta. Corto a sua cabeça e o empalado como o meu maldito pai, como tu diz, fazia.”

LuHan sabe do seu passado, Grigore? Contou para ele das crianças que enfiava nos espetos de madeira e as crucificava como demônios? Ele sabe do cemitério que há sobre seus ombros? Você matava para mero prazer, adorava uma carnificina. Eu estava do seu lado! Lembro de tudo!

Todos nós, vampiros, possuímos passados nojentos. Contei parte da minha história para ele quando acordei daquele fatídico ato. Não se intrometa entre LuHan e eu, Matteo.”

 

Após isto, nada mais ouvi. Decidi voltar para a cozinha e o nome verdadeiro de SeHun dito por Matteo não parava de ecoar em minha cabeça, agora nutria uma certa curiosidade para saber de tudo o que fez em vida mortal.

Bem, SeHun era o meu mais interessante manuscrito indecifrável.  

O vi de longe abrir a porta da biblioteca e se dirigir para as escadas subindo como um tufão para o andar superior. Já o vampiro mais velho parecia ter permanecido no cômodo, imaginei que Nicholas logo entraria lá para o fazer companhia, não deu um bocado de tempo e o rapaz loiro adentrou o lugar fechando a porta com sutileza.

Não conseguia sentir nenhuma ameaça vindo das coisas que ouvi, muito pelo contrário, apenas aguçava minha curiosidade e vontade de ir mais a fundo em toda essa grande areia movediça. O antigo eu, sem dúvidas, estaria cheio de caraminholas enchendo sua cabeça de dúvidas. Agora, eu sabia que tinha mudado em algumas partes dentro do meu peito.

 

A covardia não iria calcificar meus passos. Nunca mais. 


Notas Finais


Música do capítulo, SID - Garasu no Hitomi: https://youtu.be/gPa7_B4FEPs

FMV de Blood Prince: https://youtu.be/uMPdV5ABFIU
Tumblr: http://itsbloodprince.tumblr.com/
Playlist no Spotify: https://goo.gl/pviYMC


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