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História Blood Stone - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Reunião inesperada.


Coreia do Sul, tempos atuais.

Com certeza, Jungkook amava ler. Essa era uma das coisas que mais gostava de fazer em sua vida. Ser levado para outras realidades, esquecer do mundo real e das coisas ruins que tinham nele. Era incrível a magia que o fazia navegar por universos desconhecidos e mágicos. O que poderia dizer, Jungkook realmente viajava na maionese quando o assunto era leitura.

Mas a atenção de Jungkook se prendia a cada acontecimento de House of night¹, a cada ação que ocorria no livro de capa escura. E parecia bobo pensar nisso, mas estranhamente, Jungkook gostaria de viver um romance vampiro, em uma escola feita para vampiros, misturado a lendas gregas, assim como o livro retratava. A atmosfera sombria e aterrorizante do local em que se passava os acontecimentos, era realmente excitante.

Ouvindo seus próprios pensamentos, ele ri de si mesmo, se achando extremamente louco e estúpido, ao se quer considerar a ideia de que vampiros existam.

- Aish, acho que os filmes que Yoongi assiste estão me enlouquecendo - Colocou o marcador na página em que pausa a leitura e bagunça o cabelo com a mão.

- Jungkook? - Ouve sua mãe lhe chamar do outro lado da porta.

- Sim? - Respondeu ao mesmo tempo em que pergunta, olhando para o teto.

A Jeon mais velha abre a porta lentamente e vaga o olhar pelo quarto organizado do filho, vendo inúmeros livros em cima da cama.

- Já fez os deveres da faculdade? - O mesmo assente.

- Já.

- Venha me ajudar na cozinha, por favor - A mesma dita e o filho logo se levanta da cama, para realizar os deveres domésticos da casa.

A aparência de Haneul poderia ser distinguida como severa e fria, para quem não a conhecesse. Mas a Jeon era uma mulher alegre, doce e que estava sempre de coração aberto. Porém, como qualquer mãe rígida, alguma orelha sempre era puxada quando não seguiam as suas ordens. Não estava mais que certa, obviamente. Acima de tudo, exigia respeito e consideração na casa, afetos que sempre recebia dos filhos.

De fato, estava imensamente feliz por seu filho mais velho estar estudando fora da Coréia, e mais feliz ainda pelo mesmo ter conseguido tal feito com o próprio suor. Com certeza, Jonghoo estaria muito feliz e Haneul acreditava que ele olhava para eles, lá de cima, todos os dias.

- Quando que Jooheon vai voltar para casa? - O caçula pergunta, enquanto assistia televisão na sala, assim que vê a mãe descer com o irmão.

- Logo, logo, meu bem - A mãe sorri.

- Ele falou que ia trazer presentes para mim - Fez beiço.

- Ele vai é se espantar quando te ver com janelinha - Jungkook disse rindo, e o irmão pegou o travesseiro e jogou em si.

- Mamãe disse que isso é charme - Cruza os braços.

- Charme? - Jungkook olhou para a mãe, que lhe deu um tapa no braço.

- Sim, isso é charme - A mesma afirma.

- Ele não vai ser tão charmoso, quando eu disser a Jooheon que ainda faz xixi na cama - 

Riu mais ainda, ao ver o outro reclamar.

- Garoto, vai lavar as verduras. Eu hein - Haneul expulsa o filho da sala de estar.

Ainda rindo de seus comentários ao irmão caçula, Jungkook vê algumas batatas em cima da pia e uma faca ao lado. Pegou as verduras e, cuidadosamente, as lavou, para depois tirar toda a casca e começar a picar as mesmas em uma bacia de plástico.

Mas nesse momento, o telefone da cozinha começa a soar pelo ambiente e o rapaz vai até o aparelho e atende a chamada, mas não sem antes secar as mãos no pano de prato.

- Alô?

- Oi, a Haneul está? - A voz masculina soa no aparelho e Jungkook franze a testa.

- Quem está falando? - Pergunta curioso, querendo saber como aquela pessoa sabia o nome de sua mãe.

- Ah, eu... - Haneul aparece rapidamente na cozinha e pega o telefone das mãos do filho, rudemente.

Jungkook arqueia a sobrancelha e olha para a mulher, que parece evitar seu olhar, ao mesmo tempo em que fala com alguém no telefone.

- Sim, eu... Te ligo depois - Desliga o telefone e o coloca no lugar.

- Quem era? - Jungkook indaga, olhando curiosamente o rosto da mulher.

- Ninguém - Ela sorri e sai da cozinha, deixando seu filho com uma pulga atrás da orelha.

.

- Eu não sei Yoongi, foi muito estranho - Os dois veteranos, estavam sentados em uma das mesas do refeitório. Yoongi coloca o cotovelo no queixo.

- Jungkook, você 'tá paranoico, irmão.

- Ela nunca esconde nada da gente, sempre nos diz tudo.

- Esse é o problema, ela é a autoridade da casa, então, não deve satisfação para vocês - Tomou o resto do suco e deu de ombros.

- Mas era um cara Yoongi, nenhum cara nunca ligou lá em casa perguntando pela minha mãe - Jungkook falou, exasperado.

- Você acha que...

- Eu acho - Disse, com toda certeza.

- Jungkook, olha, talvez a sua mãe queira um romance de novo, ninguém consegue ficar sozinho para sempre, cara. 

- Eu sei disso - A conversa foi interrompida quando Luhan, um calouro, apareceu na mesa deles.

- Oi gente - Falou tímido.

- Oi - Respoderam em uníssono.

- Hum... Jungkook, você ainda pode me ensinar aquelas notas? - Pergunta, com o rosto fervendo.

- Ah... Luhan, eu estou bem ocupado ultimamente - Deu um sorriso sem graça.

- Eu preciso muito aprender aquelas notas, se não irei reprovar o semestre - Falou, com os olhos brilhando. 

- Eu... Só vou ter um tempo livre na semana que vem - O semblante de Luhan logo se ilumina.

- Então... Pode ser na quarta? 

- Hum... Sim - Sorriu forçado.

- Obrigado Jungkook, tchau Yoongi - Sai andando.

- Cara, ele 'tá muito na sua - Yoongi ri.

- Cala a boca Yoongi, Luhan é só um amigo.

- Você não viu a cara de choro dele quando você falou que estava ocupado? 

- Nada a ver.

- Você só não quer ver os fatos, meu amigo. 

- Que horas começa aquela palestra estúpida? - Tenta mudar de assunto.

- Daqui a pouco e ela não é estúpida. 

- Vem, vamos pegar logo os nossos lugares - Jungkook puxa Yoongi para longe dali.

.

De pouco a pouco, o auditório da faculdade foi enchendo, mas o bom, era que Jungkook e Yoongi ficaram nas primeiras cadeiras, perto do palco, tudo por causa da insistência do baixinho. As pessoas conversam de forma alta e logo o local foi ficando mais barulhento.

- Ele não vai chegar não? - Jungkook pergunta, impaciente.

- Ai, calma Jungkook - Yoongi disse, mexendo no celular. 

Jeon bufa e olha para todos os lados. 

Pega o telefone e manda uma mensagem para sua mãe, pois a mais velha, às vezes, ficava bem paranoica quando os filhos atrasavam um pouco.

Eu

Vou chegar um pouco tarde, estou assistindo uma palestra na faculdade.

16:30 p.m 

Omma

Ok, me liga quando sair. Bjs 

16:30 p.m 

Eu

Tá bom, bjss. 

16:31 p.m 

De repente, quando ia desligar o celular, uma voz grossa interrompe todo o raciocínio de Jungkook, além da conversa paralela que estava ao fundo.

- Boa tarde, eu sou Kim Taehyung e vou ser seu palestrante - Jeon imediatamente sente um puxão, como se fosse um corrente elétrica contínua passar por suas veias. 

Seus olhos se encontram com o rosto do palestrante, que estava em pé no palco e olhava para a plateia com um sorriso. 

- O cara da sorveteria - Jungkook fala baixinho.

- O quê? - Min pergunta.

- Nada - Volta a olhá-lo. 

Os mesmos olhos sombrios, enigmáticos e misteriosos, ainda estavam ali, lhe dando um ar de superioridade, fato que o deixava ainda mais atraente - Na concepção de Jungkook, que parecia vidrado - Os cabelos pretos ondulados, caíam como cascata por sua testa e os óculos lhe deixavam mais sexy do que já era. A blusa vermelha contrastava com a calça colada preta, que definia - E muito bem - Suas coxas grossas.

- A baba 'tá escorrendo, cuidado para não se afogar - Yoongi disse.

- O quê? 

Yoongi apenas riu.

Uma sensação arrebatadora passa como vulto por seu corpo, quando os olhos enigmáticos encontram os seus e se fixam ali, como se quisessem se banhar na imensidão de Jungkook. Ambos estavam perdidos em lugares desconhecidos por eles mesmos. 

Jungkook parecia estar hipnotizado pelo homem que lhe olhava no palco, este que não desgrudava seus olhos de si de forma alguma. 

- Ei, Jungkook? - Yoongi deu um beliscão em seu braço o fazendo pular na cadeira e desviar os olhos de Taehyung.

- Ai!... - Massageia o local. - Que merda Yoongi. O que foi?

- Para onde você está olhando? - Jungkook cora e não responde, porém, Yoongi segue o seu olhar e sorri maliciosamente.

- Hum... Kim Taehyung, né? - Empurra Jungkook, que revira os olhos.

- Sai fora - Jungkook abaixa o rosto, com o mesmo queimando de vergonha.

- Quem diria hein, Jeon Jungkook - Min riu alto e o Jeon cubriu o rosto com as mãos.

- Vai se catar. Olha, já vai começar, silêncio - Yoongi bufa, mas fica quieto no final.

.

- Para quem não queria vir, você parece ter gostado bastante - Jungkook o ignora.

Sim, havia gostado bastante da palestra que Taehyung dera no auditório. De fato, tinha ficado fixado em suas palavras hipnotizantes e bonitas. Taehyung falava de uma forma suave e calma, fato que mais encantou a Jungkook. E o amigo percebera os olhares que o palestrante soltava em direção a Jungkook, que ficava corado a todo momento. 

- Vai cuidar da sua vida Yoongi - Diz, irritado.

O citado apenas riu e ficou calado, antes de retornar a falar. 

- Me leva para o ponto de ônibus?

- Não - Jungkook disse.

- Por favor, Kookie - Min falou manhoso. 

- Se vira - Disse e andou para o outro lado. 

- Você vai ver Jeon Jungkook! - Grita. Jungkook solta uma risada.

Enquanto andava pelo corredor, Jungkook deixa sua mente flutuar pelas palavras sábias de Taehyung. Aqueles olhos tão profundos, o sorriso de lado ao falar sobre o universo, o cabelo ondulado que ele, constantemente, tirava dos olhos com um charme que Jungkook ficou impressionado.

Seus passos pesados ecoavam pelo corredor vazio. Porém, ao longe, uma voz rouca e calma o chama.

- Jungkook? - Confuso, se vira para o fim do corredor, onde, por acaso, encontra Kim Taehyung vindo em sua direção.

Inexplicavelmente, seu coração começa a bater mais rápido e fortemente contra o peito. Sua respiração para por alguns segundos. 

Taehyung sorriu discretamente, podia ouvir o bater rápido do coração do Jeon. Isso o deixou feliz. 

- S-sim? - Sua voz falha no meio da sentença. 

O Kim levanta a mão direita para si e nela estava um broche seu. O broche do Homem Aranha.

- Aqui - Quando Taehyung chegou em sua frente, estendeu o broche redondinho.

- Ah, obrigado... - Pegou o objeto e sorriu, ato que fez Taehyung sorrir junto ao outro. - Como?...

- Seu nome está atrás - Jungkook virou o broche e seu nome estava lá, desde quando o colocou ali, quando tinha dezesseis anos. - Ah, bom, obrigado.

- Não há de quê - O Kim começa a se desesperar quando percebe que Jungkook está prestes a ir embora. - Por quê você usa essas coisas? 

Jungkook se surpreende com a pergunta.

- Hum... Não sei, eu gosto - Disse simplesmente.

- Eu nunca tinha visto essas... Coisinhas - Jungkook não se segura e começa a rir. Taehyung franze o cenho.

- O que há de tão engraçado?

- Cara, em que mundo você vive? 

- Bem, eu vivo em um mundo muito complicado e perigoso para você Jungkook - Taehyung o olha tão intensamente, que o Jeon cora de vergonha.

- Esse seu mundo tem que ser bem estranho para nunca ter visto esses broches que quase todo mundo usa hoje em dia - O mais novo disse brincando. 

- Você não imagina o quanto - Ficaram em silêncio.

Jungkook estava se sentindo tão bem ao lado do Kim, nem parecia o garoto de minutos atrás que parecia querer desmaiar. Taehyung estava no mesmo barco, conversar com esse novo Jungkook estava sendo tão libertador e fantástico para si, pois após seiscentos anos, ele reencontra seu falecido marido, agora mais jovem, alguns anos, do que o outro. O sorriso de coelho ainda era o mesmo, as rugas quando ele sorria, ainda estavam ali. Nada nele mudara, a não ser a personalidade. Mas Taehyung gostava desse novo Jungkook.

- Bom, obrigado Kim Taehyung, mas agora eu preciso ir - Taehyung achou que cairia ali mesmo só de ter ouvido seu nome ser pronunciado pelos lábios vermelhos do outro. Até ofereceria uma carona, mas iria parecer um esquisito.

- Só Taehyung, por favor. E não foi nada... Hum, até mais Jungkook - Sorriu de leve e voltou a andar pelo caminho que tinha vindo. 

Jungkook sorriu e saiu dali, sentindo um sentimento estranho preencher seu peito no mesmo instante.

.

Felicidade.

Um simples sentimento humano, que parecia preencher o mundo de Taehyung de uma forma avassaladora no momento. A euforia corria por suas veias, como um carro de corrida em alta velocidade. O sorriso, que antes era raro de se ver, estava estampado no rosto, demonstrava tamanha felicidade que sentia no momento.

Conversar com Jungkook o fez se sentir melhor, tirou um peso enorme dos seus ombros e só de ouvir aquela risada uma outra vez em sua vida, sentia que tudo poderia da certo. E ele faria dar certo.

- Não Hobi, comprei um apartamento aqui perto, não quero atrapalhar nem você e nem Sooyeon - Dizia ao telefone, minutos depois que chegara em casa.

- Ah, por favor Taehyung, você sabe que nunca atrapalha, seu burguês safado - O outro ri, enquanto é acompanhado pelo amigo.

- Olha quem fala.

- Hum... Espera aí, eu escutei Kim Taehyung rir? É isso mesmo? O que houve? Quero saber os mínimos detalhes - Taehyung revira os olhos.

- Eu falei com Jungkook hoje - Sorri ao se lembrar do acontecimento.

- Sério?! Me conta tudo.

- Bom, nada de mais, ele só... Ele estava lindo, como sempre, não mudou nada.

- Mas e aí? Você vai aceitar a proposta da faculdade? Isso tem a ver com o Jungkook, não tem?

- Você sabe que sim Hoseok, agora que o encontrei, não posso simplesmente ir embora. Não agora, não depois de tanto tempo.

- Mas Tae, você já pensou na possibilidade de Jungkook estar com alguém? - O outro questiona, receoso.

- Eu sei que ele não tem Hoseok, você tinha que ouvir como o coração dele bateu assim que me viu. Foi incrível - Sorria abertamente.

- Bem, se é isso o que você quer, então vou te apoiar.

- Obrigado Hobi, de verdade.

- Ah, o quê é isso, Taehyung? Quando foi que você ficou tão sentimental? - Brinca.

- Idiota.

- Ok, ok, estou ocupado agora, mais tarde falo com você. Se cuida.

- Você também - Desliga o celular e o coloca na cômoda.

Estava prestes a se levantar para ir ao banheiro tomar um banho, quando uma dor imensa atravessa seu estômago o fazendo se apoiar nos móveis.

A dor era forte e insuportável. Taehyung sabia o por que.

Ainda se apoiando nos móveis que estavam em seu caminho até a cozinha, Taehyung, com bastante dificuldade, abre a porta no freezer, encontrando lá as bolsas de sangue que havia encomendado. Agarra a primeira que aparece em sua frente e a rasga, agressiva e desesperadamente, fazendo o líquido ferroso e doce descer por sua garganta.

E novamente, o mesmo sente suas forças sendo revigoradas.

.

House of Night é uma série de livros de fantasia urbana criada pela autora norte-americana P.C. Cast¹



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