História Blood, sweat and tears (Yoonmin) - Capítulo 17


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink
Personagens Jennie, Jeon Jeongguk (Jungkook), Jisoo, Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Lisa, Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys, Bts, Chefe, Jikook, Namjin, Sugamin, Vhope, Vkook, Yoonmin
Visualizações 129
Palavras 6.804
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


02:14 da madrugada, alguem vai ler isso? mds
6800 palavras, alguem vai ler isso?

Então, aquela ladainha de sempre. Vcs já estam ate cançados né? Mas vcs são maravilhosos então oque eu posso fazer. Muitoooooooo obrigada pelo apoio a fic, sem palavras para descrever o amor que eu sinto por voc^s;

(para vocês terem noção quando a minha psicologa me perguntou sobre uma coisa que me deixava feliz, mas só podia ser uma coisa só.... eu falei de vocês)

Quando eu falo que vcs são importantes para mim é pq são importandes para krlh <3 Por isso eu estou aqui essa hora inves de estar domindo.

Estou adiantando o capitulo do domingo
Na 16 eu postei o dia do Yoon então toma o do jimin.......o Kiss ta muito proximo, 6 não tem noção;

Capítulo 17 - Capitulo 17


08/04/18

Jimin

 

O que é sonho? Como saber se estou sonhando ou não? Se sonhos são um conjunto de imagens que se apresentam enquanto a pessoa dorme, a escuridão que eu via podia ser classificada como sonho? Ou será que eu estava acordado e não sabia?

De dentro da escuridão alguém me encarava. Eu não via a pessoa nem seus olhos, só sentia sua presença, sabia que estava lá, em algum lugar. Era normal se sentir acuado em uma situação como aquela, mas eu não tinha medo. Não sabia quem era o meu observador, mas sabia que não tentava me fazer mal.

Encarei o escuro, onde sabia que estavam seus olhos. Era estranha a sensação de saber que algo estava ali, mas não poder ver. Mesmo no escuro, uma silhueta ia se formando pouco a pouco. Talvez fosse minha imaginação, não tinha nem uma claridade ali, como podia estar vendo algo? — ridículo— pensei sobre mim mesmo, mas continuei encarando aquela parte da escuridão. Eu finalmente reconheci a silhueta ...

CRÁCK

Com o barulho de algo se quebrando eu acordei. Parede cinza gelo, tapete felpudo branco, cerâmica branca... Estava na sala.

Puta merda. — Alguém xingou baixinho.

Pisquei umas duas ou três vezes para ver se estava realmente acordado. Quando me levantei do sofá em que estava deitado, me sentando nele, Jin-hyung não estava mais ao meu lado. Ao invés disso seu colo havia sido substituído por uma macia almofada, gorda o suficiente para me poupar um torcicolo. Senti algo escorrer de meu corpo, conforme me sentava. Um cobertor felpudo rosa bebe se encontra, agora, caído entre o sofá e o chão. Aquilo certamente era de Jin.    

Oh, desculpe, não queria te acordar. — A voz vinha de Namjoon, que estava na cozinha. A seus pés e na pia estavam minúsculos caquinhos de vidro, pertencentes a metade do copo que residia intacto na mão do garoto. Como ele estourara a metade de baixo do copo?

— Nam... Namjoon? — Esfreguei meu olhos me acostumando com o ambiente. Minha voz estava mais afável do que normalmente seria. — Ai meu Deus! Namjoon! — Me levantei com presa e ainda tonto de sono. A coberta se enrolara no meu pé me fazendo retornar de bunda ao sofá. — Não acredito, você já está aqui? Estou muito atrasado! — Estava tão desesperado que não tive tempo de ficar envergonhado com o tombo.

— Não, não. — O garoto fazia um sinal com a mão para que eu falasse mais baixo. — Não está na hora. — Ele olhou para a janela. — Na verdade, acho que não esta nem perto ainda.

Fiz o mesmo que o garoto. Do lado de fora do apartamento o céu se tornara preto como piche, não havia estrelas e a lua era encoberta por nuvens densas de chuva, que por sua fez finalmente estava diminuindo. Agora garoava.

— Eu já estava aqui. Eu achei melhor te acordar para ir para cama, esse sofá doí demais. — Ele fez uma careta de desgosto ao desviar o olhar para o móvel. Já deveria ter dormido ali. — Mas o Jin disse que você precisava dormir... Falando no Jin, pode... pode não contar que eu quebrei isso? — Ele balançou a metade do copo de sua mão.

— Claro. — Disse com uma risadinha que rapidamente sumiu enquanto minha mente era tomada pelas lembras da “noite” passada (ou dessa madrugada).

Um rosto pálido se formara em meus pensamentos, seus olhos refletindo uma carência, antes muito bem escondia, que agora era ficara perceptível perante as rachaduras de seu rosto impávido. Senti, como a horas atrás havia sentido, uma pontada no peito ao perceber uma leve tristeza má encoberta por um sorriso forçado.

Era surpreendente, de modo ruim, a sensação de angustia que aquilo me passava. Sim, eu sempre fora empático, e saber que eu era causador de tais sensações em outra pessoa era algo péssimo, mais ainda sabendo que a minha vitima havia me proporcionado uma noite muitíssimo alegre, e que apesar de todos os árduos que me causara, eu realmente não me arrependia dela. A minha falta de relevo naquela noite havia sido irresponsável, isto era fato, mas também tinha sido libertadora.

Namjoon deixara a cozinha, indo até o banheiro, e retornara rapidamente, trazendo consigo uma vassoura de pelo e uma pá de plástico. Observei do sofá, ainda da mesma forma que o tombo me havia feito ficar, o moreno ajuntar os cacos de vidro no chão. Na verdade, não estava prestando tanta atenção. Em minha cabeça, minha mente voava por milhares de pensamentos.

Não significou nada. —  Minha própria imagem idiota dizia. E agora? Como será daqui para frente? Eu aguentarei o peso que tal desculpa me trará? Aliás, qual peso que isso me trará?  E, também, se eu não mentisse, o que eu falaria? Não, a realidade era que eu não falaria nada, porque não teria coragem para simplesmente declarar o que havia sentido na tal infeliz noite.

— Jimin... — A voz de Namjoon soou, me tirando do meu transe.

Hã? — A coisa mais inteligente que consegui responder ao ser arrancado de repente de minha própria mente.

— Aconteceu algo? — Tentou o garoto, apoiando o cabo da vassoura na mármore da pia. Em sua mão a pá de plástico estava cheia de cacos de vidro. Ele não me encarava enquanto falava, era algo claro, o sentimentalismo da relação havia ficado reservado apenas a Seokjin — Eu sei que não somos assim tão amigos, mas se precisar de alguém para, sabe? Conversar e tal, pode contar...

PÁF.

O garoto pisou no abridor da lixeira de metal ao lado da pia, que consequentemente bateu no cabo da vassoura, a levando ao chão com um barulho alto no silencioso apartamento.

— Namjoon o que você quebrou agora?! — A voz de Seokjin soou em um grito sussurrado. Era uma chamada de atenção entre dentes como um murmuro. O garoto provavelmente achava que eu ainda dormia.

A tentativa de aproximação, já meio falha, que eu não descartava a possibilidade de ter cido requisitada pelo namorado do garoto, fora completamente destruída com a chegada de Jin num pijama xadrez branco e vermelho ferrugem.

— Eu não quebrei nada. — Falou o garoto, levantando a vassoura e pondo propositalmente encima dos cacos que ainda restaram no chão.

— Xiu, fala ba... ah, acordou? — Interrompeu seu próprio pedido de silencio. — Namjoon o acordou com barulho não foi? Ai, mas você não é possível, Kim Namjoon.

— Não. — Menti. — Eu estava acordo. Estávamos conversando, aproposito.

— Esta vendo! — Disse o namorado de Jin. — A vassoura só estava aqui e caiu.

— Joonie... — Seokjin falou com uma voz arrastada, levemente irônica, indo até o garoto. —  Eu arrumo esta casa todo dia, meu amor. Você acha que eu não sei onde eu deixo cada coisinha? — Ele apanhou, de dentro da pia, um pequeno caco que Namjoon ainda não havia jogado no lixo.

— É que eu vim beber agua... Serio eu não faço ideia de como isso quebrou...

— Está bem. — Disse com um suspiro. — Porque não volta pro quarto? Daqui a pouco eu vou.

O moreno saiu do cômodo rapidamente, querendo se livrar da situação o mais rápido possível. Antes de sair, sussurrou alto o suficiente para que eu o ouvisse “valeu cara, te devo uma”. Seokjin o acompanhou com um olhar bem sério, mas sua expressão mudou quando o garoto passou pela porta, sumindo para dentro do quarto. Com um sorrisinho de canto ele sussurrou algo como sobre não tomar jeito, e então se voltou para mim.

Calmamente ele se sentou ao meu lado no sofá. Suas mão deslizaram na minha franja, nos fios da lateral que já estavam grandes demais, e os deixou cair levemente sobre minha orelha. Yoongi havia feito o mesmo ato em seu escritório, mas havia diferenças gritantes entre as duas cenas, mesmo o cenário sendo o mesmo. Havia algo malicioso no movimento de Yoongi, uma pretensão no jeito que encarara meus lábios, algo como ... posse... no jeito que havia deslizado dos dedos pelo meu rosto, como se tivesse total direito de fazer o que fazia. A mão de Jin fazia um afago em meu cabelo, um gesto protetor e suave que percebi, ao senti-lo, que estava precisando.  

— Você esta bem? — Perguntou decentemente.

— Uhum. — respondi assentindo com a cabeça.

— Tem certeza disso?

— Sim, tenho.  — Mentiras estavam fluindo de mim tão facilmente que me deixavam enjoado. Enjoado pela minha facilidade em mentir, enjoado com o cheiro podre que vinha de minha boca. A primeira vez que perguntei sobre o tema “mentira” à minha mãe, estávamos numa catedral, com meus avos, ainda em Busan.

O pai da mentira é o diabo.” Disse minha mãe. “Quando mentimos, Deus tampa o nariz pois nossa boca fede.”

Eu ri. Minha mãe havia feito uma careta cômica ao falar da frase. Só depois, enquanto o tempo passava por mim e a adolescência chegara, entendi que a frase era só uma maneira simples de uma mãe religiosa explicar a seu filho de 6 anos o porque ele não deveria mentir. Era o mesmo que dizer para as crianças se comportarem, pois, o papai Noel não traria presentes para os meninos malvados.

Meus avós maternos faziam parte dos pouquíssimos 10% da população coreana adeptos ao catolicismo. Minha mãe, consequentemente, seguira a religião dos pais e tentara fazer o mesmo comigo. Eu nunca havia sentido um chamado de Deus ou de quem quer que fosse, mas seguia regularmente as missas com meus avós e mãe, pois havia sido ensinado que aquele era o certo. Também, não acreditar em Deus não me impelia a não seguir suas regras, ate mesmo porque a educação que minha mãe me ensinara, as noções sobre certo e errado que ela me passava, foram adquiridas com base numa educação religiosa que a mesma havia aprendido dos pais. Talvez por esse motivo a boca da minha mãe fedia tanto naquela época.

— Tudo bem, não vou te forçar a falar o que não quer. Só quero que saiba que eu estou aqui, entendeu? Conte comigo sempre. — Respondeu Seokjin não acreditando em minha afirmação.

— Eu estou bem Hyung. — Falei tentando pôr um pouco mais de segurança em minha voz. — Só estava com saudade de casa. — Menti novamente vendo a cara de descrença de Jin.

— Esta bem, esta bem... — Ele retirou a mão de cabelo e devolveu-a com força, num tapa em minha cabeça.

— Ai hyung! — Gritei. Não havia sido tão doloroso, mesmo assim não era esperado.

— Porque não atendeu minha ligação?! — O carinho de sua voz desaparecera completamente. — Eu já não disse que não é para me deixar preocupado?!

— Mas eu te mandei mensagem! Você que não respondeu.

— Eu vi depois! — Esbravejou ele. — Aí eu te liguei e liguei e nada de você me atender.

— Ue — Me afastei de outro tapa. — Meu telefone não tocou Hyung!

— Não tocou o caramba!  Que desculpa esfarrapada, chamou ate cair na caixa postal! — O garoto desferiu o terceiro e ultimo tapa em minha cabeça.

— É sério, será que ficou sem som?

Comecei a caçar meu telefone em meus bolsos, primeiro nos de trás depois nos da frente, então novamente nos de trás ao ver que ambos estavam vazios. Então com um desespero me lembrei de algo. Eu havia posto o celular sobre a mesa do bar esperando que Jin respondesse minhas mensagens e lá mesmo ele tinha ficado depois que Hoseok me pedira para ir embora. 

Ai meu Deus.

— O que foi? — Perguntou Seokjin vendo meu desespero.

— Hyung, pode ligar para meu número? — Perguntei, me agarrando a possibilidade inexistente do celular ter caído entre as almofadas ou estar perdido em algum canto do apartamento. Enquanto Jin ligava, eu escutava atentamente os sons ao meu redor, esperando o toque do telefone. Nada.

Eu estava balançando o cobertor felpudo rosa pela terceira vez, quando Jin me disparara uma serie de tapinha indolores no ombro. Ao olhar para o garoto, vi que ele apontava, com a mão livre, para o próprio telefone em sua orelha. Haviam atendido a ligação.

Alo? — Disse uma voz um pouco receosa. Reconheci aquele timbre de imediato.

Tae? — Claro! Me toquei. Taehyung trabalha no bar.

Ei! Oi...er — Disse ao telefone. Sua voz mudara o tom perceptivelmente, não precisava estar vendo o garoto para saber que tinha em sua face um dos seus sorrisos retangulares.

— Jimin. — Completei. Pelo que parecia ele também tinha reconhecido minha voz assim como eu reconhecera a dele, mas ao contrario de min, ele não sabia meu nome. 

— Jimin. — Repetiu ele. — Sabe de quem é esse telefone? Estava na sua mesa a umas horas. Eu guardei para dar a Lisa, mas não parava de tocar então...

— Não, tudo bem, é meu. — Eu estava realmente aliviado. — Ainda bem que atendeu, eu iria surtar já, já.

— Imagino! Meu celular é parte de mim! — Vociferou com um riso. — Então, o que faço? Deixo com Lisa amanhã?

— Não — Respondi sem pensar muito, mas de qualquer forma eu não iria conseguir ficar bem com meu celular com outra pessoa. Afastei o celular de Jin do rosto e puxei a tarja de notificação para baixo, conferindo a hora. — Ainda está no pub? Talvez eu possa ir buscar...

— Nada disso! — Gritou Jin. Revirei os olhos e ignorei.

— Bem, meu turno acaba daqui apouco, mas como eu vou fechar tudo, posso esperar um pouco mais. — Respondeu do outro lado da linha.

Nem pense nisso!

— Tudo bem hyung, eu passo aí. — Tive o celular arrancado de minha mão assim que encerei a ligação.

— Você é louco ou acha que eu sou? — esbravejou Jin. — São três e quarenta cinco da madrugada! Não é meia noite, não é uma hora, são três e quarenta, Tre-is. Você vai lá amanhã de manhã, agora não.

— Hyung — falei calmamente. — É um bar, não abre de manhã.

— Passa lá de tarde. — Disse sem se importar.

— De tarde você sabe que não dá, trabalho. Sem contar que de tarde ele trabalha no mercado.

— Esse garoto trabalha num mercado e até uma hora dessas num bar? — Finalmente demonstrara uma reação. — Isso é muito pesado para uma pessoa só, quantos anos ele tem?

— Não sei, não o conheço tão bem. — Disse, sem conter um sorriso no rosto, resultado da frase de Jin. Seokjin era simplesmente maravilhoso, nem conhecera o rapaz e se preocupara com seu bem-estar. — Hyung, o bar é aqui perto. Não se preocupe comigo, já cuidou de mim bastante para um dia só. Va se deitar, esta tarde.

Antes que Jin pudesse pensar bem, e não me deixar sair de dentro do apartamento, eu passei apressado pela porta. Por um lado, eu não entendia a preocupação de Jin, o nobre bairro em que morávamos tinha câmeras de vigilância a cada quarteirão e em cada prédio um segurança devidamente treinado. Por outro lado, era compreensível, eram quase quatro da manhã, as ruas estavam vazias e silenciosas. As poucas pessoas que passavam por elas eram más encaradas ou cheiravam a puro álcool e fumo.

Mas havia um terceiro lado, um lado meu que ia se desfazendo pouco a pouco, a cada coisa que passava nos últimos dias. Um lado que acreditava que estivéssemos onde quer que estivéssemos coisas ruins (e boas) sempre poderiam acontecer. Este lado dizia: O que tiver de ser, será.

Mas agora, enquanto sentia a madrugada fria e um tanto assustadora, era impossível não me questionar: Será que isso estaria acontecendo se eu estivesse em Busan?

É errado o fato deu ambicionar algo tão grande — a ponto de mudar de cidade e abandonar aqueles que me criaram— e tudo o que vem me acontecendo é o karma que estou atraindo? Essas coisa ruins, essa má sorte, é somente eu colhendo o que estou plantando?

Dobrei a esquina que levava ao pub com uma resposta a meus pensamentos.

Provavelmente sim, estou colhendo o que eu planto, afinal, não estou fazendo o mesmo que minha mãe havia feito? E olha o final que o destino à reservara. —Eu era, assim como minha mãe havia sido, o filho prodigo, e devia retornar ao ceio familiar antes que desgraça maior se abatesse sobre mim.

O bar não mantinha a aparência de bordel quando estava vazio, parecia mais algo como motel chinfrim. As luzes apagadas escureciam o lugar, mas o carpete vermelho ainda era muitíssimo visível. As mesas estavam sujas e o balcão grudento, mas, provavelmente, limpar o lugar não era tarefa de Tae.

Um relógio de ponteiro pendurado na parede de madeira acabara de virar de 3:59 para 4:00. Taehyung não estava em nem um canto do bar, mas como o lugar ainda estava destrancado supus que o garoto ainda se encontrava no estabelecimento. Me sentei num dos bancos do balcão, tomando cuidado para não encostar na área melada.

Me peguei a observar cada canto do lugar, desde as manchas de vinho no carpete até as lâmpadas presas no teto, e cheguei a conclusão de que eu sentiria falta do bordel-restaurante. A minha frente, fosse por coincidência ou obra do destino, se encontrava a parte da estante de bebidas destinada as garrafas de soju. Uma onda de raiva me invadi-o e facilmente me deixou, mas não impediu que eu amaldiçoasse todas as marcas que fabricavam a tal bebida alcoólica.

— Quer uma dose? Por conta da casa. — O tom grave da voz de Tae me fez pular. — Meu dever é cobrar, mas, meu expediente acabou — O garoto checou o relógio enquanto falava, andando até o lado de dentro do balcão. — e você parece precisar.

Tae vinha na direção contraria a qual Hoseok havia me arrastado, o banheiro masculino. Estava completamente diferente. Seu cabelo, úmido, estava penteado e arrumado, o avental preto tinha sumido, deixando visível a roupa, que havia sido trocada. Só então percebi algo estranho que não havia notado no garoto. Assim como Jin, Tae se vestia e andava com muita elegância, e apesar de não usar dialogo formal, a forma clara e firme com que falava deixava evidente sua educação. Isso, obviamente, não tinha nada de errado, o estranho era que se Tae tivesse tido uma criação no mínimo parecida com a de Jin o menino não necessitaria estar agora se matando entre dois trabalhos de meio período.

— Eu não bebo, achei que já havia lhe dito isso, Taehyung-Ssi.

— Você disse. —  Falou inclinando levemente a cabeça parecendo pensar. — Mas ainda sim comprou vinho.

— Ei, não era para mim.

Ele balançou os ombros amigavelmente. — Eu podia ter passado aqui à tarde e deixado com a Lisa, não seria nem um problema. — O garoto falou puxando meu celular do bolso e o estendendo para mim. — Você trabalha com a amiga dela, não é? Ou seu turno é outro?

— Não. — Suas perguntas, por mais que pudessem parecer, não soavam evasivas ou curiosas, eram somente uma forma de prolongar a conversa, algo que aceitei de bom grado. — Meu turno é o mesmo que o dela.

— Lisa fala muito dela. Jennie pega cedo no trabalho, não era para você estar descansando então? Mas um motivo para ter deixado o celular com Lis.

— Não posso viver sem meu celular! — Exclamei, arrancando um sorrisinho do garoto. — E de qualquer forma, eu acho que não vou para o trabalho hoje.

— É. — O menino se virou apanhando a garrafa de soju e um copo. — Você precisa mesmo de uma dose. O que aconteceu? Posso perguntar?

 — É complicado. — Respondi o vendo encher o copinho e empurrar em minha direção com o gargalo da garrafa. Eu não bebo, minha mente quase me fez dizer novamente, mas o garoto sabia e estava enchendo o copo mesmo assim, então nada que dissesse adiantaria.

— Olha, eu trabalho aqui a uns quatro meses, e você não vai nem imaginar o quanto de historias complicadas eu já ouvi nesse balcão. 

Ri abertamente, nada poderia ser mais complicado do que as coisas que eu pensava e sentia. — Tenta uma. — Desafiei.

— Hm... — Ele pensou. — Em cliente marcou de encontrar a namorada aqui, e ficou a esperando a noite toda.

— Isso não tem nada de complicado.

— Até aí não, o complicado foi quando ela chegou... Ele estava com outra.

— O que? — Vociferei confuso. — Por que ele marcaria de encontrar a namorada no mesmo lugar que estava com outra?

— Eu o perguntei isso, ele disse “eu não tinha coragem de terminar. Achei mais fácil pegar minha prima na frente dela”. E aí, qual sua história complicada?

Segurei o copinho com liquido transparente que o barmen de dera. Será que eu deveria beber? — Eu sou um filho prodigo. — Respondi por fim, observando a sobrancelha franzida de Tae.

—  Filho prodigo? Como no conto? — Ele balançou a cabeça como se já entendesse toda história. — Entendo, entendo. Acho que também posso ser considerado um filho prodigo. Mas diga-me, porque não irá ao trabalho?

 — Porque vou estar em Busan. — Disse pondo em palavra meus pensamentos. — Vou voltar para casa.

— Eu já pensei em voltar para casa — Tae falou não parecendo surpreso com meu comentário. — As coisas seriam muito mais fáceis.

— Por que não voltou? — Perguntei curioso.  

— Bem... — Ele olhou para o teto por um segundo, então soltou um suspiro e retornou a falar. — Eu sai por um motivo, não quero voltar como um cachorrinho com rabo entre as pernas...

Senti um tapa sem mão em meu rosto perante as palavras de Tae, era exatamente aquilo que falariam de mim.

— ... Outro motivo é o fato de que fugir dos problemas não resolve eles.

— Sim, não resolveria nada — Citei, concordando em parte com ele. — Mas eu não teria mais que lidar com Yoongi-Ssi.

— E ele é o seu problema? E o motivo de você quer voltar para casa? — Perguntou atento.

— Uhum... — Murmurei. — Meu chefe.

— E por que você tem medo dele?

— Como? — perguntei confuso, de onde ele tirou aquilo. — Eu não tenho medo dele.

— Qual seria então o outro motivo de não querer lidar com ele? Veja, quando evitamos algo é porque tememos uma determinada situação ou reação.

Olhei-o sem saber o que dizer ou fazer. Sua face tinha uma expressão seria e inteligente, como a de um professor, sem sinal de ternura. Não sabia o que se passava comigo, Taehyung se apresentava a mim como um gênio da lâmpada, tendo a resposta de meus problemas na ponta de sua língua. Ele falava como um velho que já tinha passado por todas aquelas citações, e eu, como um menininho tolo, escutava atentamente suas palavras.

— Entendeu? — Perguntou ao ver meu silencio. Assenti com a cabeça esperando que continuasse. — Ótimo, então próximo passo, porque tem medo dele? De um modo geral, ninguém deve ter medo de ninguém. Quando tememos a alguém é porque demos a esse alguém algum poder sobre nós. Esse Yoongi-Ssi tem poder sobre você?

— Claro! — Exclamei. — Ele é meu chefe.

— Não é isso. Olha, se o Chefe Y pede para o funcionário X matar a pessoa Z, o funcionário deve só abaixar a cabeça e cumprir o que foi mandado?

— Óbvio que não! — Onde Tae queria chegar?

— Pois então um chefe não tem poder sobre um funcionário! Se você tem medo dele, você deu esse poder a ele, mas agora, por que? — Ele esperava minha resposta, mas eu não respondia, nem eu mesmo sabia o que temia em Yoongi. — Ele é uma ameaça de alguma forma? Ele te intimida? — Ele tentava, mas eu simplesmente balançava a cabeça em negação. — Hm, então o seu medo não é dele. — Falou simples.

— Como assim?

— O temor que você sente não é desse Yoongi, e de si próprio. Não quer lidar com ele não por esperar algo ruim dele, mas sim por esperar algo de si mesmo.  

— Não estou entendendo... — Fui interrompido.

— É simples. Ele causa em você alguma reação que te assusta. Você não quer lidar com ele não por medo de como ele vai agir, mas por medo de não saber como você deve agir... Não está apaixonado, não é?

— O que? — Olhei-o exasperado. — Apaixonado? Pelo Yoongi? Está doido?

— Oque? Não aceita sua sexualidade? — Tae me estudou com os olhos atentos.

— Eu aceito muito bem minha sexualidade, esse não é o problema. Se apaixonar por Yoongi seria o cumulo da loucura. — Aquela simples hipótese havia me perturbado tanto que simplesmente peguei a dose de soju e virei-a na garganta. Taehyung era o gênio mais doido que existia.

— Talvez você seja louco. — Murmurou o garoto pegando o copo vazio e pondo embaixo da bancada. — De acordo com todas as historias que já escutei neste bar, paixão é a única coisa que nos faz agir desta forma, mas se acha que não é isso, por que não prova para si mesmo e para mim que é capaz de lidar com esse Yoongi-Ssi novamente. Invés de ir para casa como um gato assustado, vá trabalhar.

— É que vou fazer. — Murmurei me levantando do banco.

— Ei, aliás, o que faz você decidir voltar para casa, filho prodigo?

— Como assim? — Nós não estávamos conversando exatamente sobre aquilo?

— Você “lidou” com ele até um ponto, não é? O que exatamente te fez querer desistir?

— Ah. — Soltei entendendo a pergunta. Uma frase rodou em minha cabeça. “Nós nunca nos conhecemos”. — Estou vendo a vida da minha mãe se repetir na minha...mesmo que de forma diferente, é a mesma coisa. Não quero isso.

O garoto pôs um meio sorriso no rosto antes de falar. — Te entendo. Te entendo mais do que possa imaginar.

Observei bem o garoto e a expressão em seu rosto, algo me dizia que era verdade, ele realmente entendia. — Tchau Taehyung-Ah.

— Me chame de Hyung. — Pediu e involuntariamente eu ri.

— Okay, mas é Tae-Hyung ou Taehyung-Hyung?

O sorriso de Tae se desfizera. — Eu não acredito que está fazendo piada com meu nome. — Ele me encarrava com uma seriedade falsa.

— Até mais Hyung! — Gritei para o menino, rindo, enquanto saia do Pub e voltava para meu apartamento. Vi pelo vidro o seu sorriso se abrir, retangular e brilhante como da primeira vez que o vira no mercado. Estranhamente, senti uma sensação de dejavu.  

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Acordar cedo para ir trabalhar na manhã que se seguia não havia sido nada difícil. Eu já estava acordado quando o despertador tocou, e estava acordado uma hora antes e na hora antes dessa também. Eu tentei dormir de todas as formas, desde contar carneirinhos a fazer um chá horrível de maracujá. Nada funcionara, o sono simplesmente não vinha. Por fim, só puis o fone no ouvido, dando play em uma música calma e me entreguei a letra, cantando-a baixinho.

Perdi-me na quantidade de vezes que a música havia se repetido assim como perdi-me em meus pensamentos. Pensava na “conversa” que havia tido com Yoongi e com Taehyung (que mais havia parecido uma consulta com um psicólogo). Precisava analisar as coisa e entende-las, nada melhor do que aproveitar e fazer isso com cabeça no travesseiro.

Na conversa de Tae o que mais me incomodara não era o fato de o mesmo ter proposto uma suposta paixão minha em relação a meu chefe, não, aquilo era uma loucura sem fundamentos que eu preferia nem pensar sobre. O que realmente me chamara a atenção fora a dedução correta de Tae. Você tem medo de não saber como você deve agir, havia dito o garoto. Realmente, eu não conhecia Yoongi direito, não sabia como lidar com ele.

Namjoon havia o descrito como impaciente e irritadiço e Jin sempre o chamara de “Criança teimosa”, ambos porem conviviam muitíssimo bem com o garoto e tal como meus hyungs eu também poderia convier em harmonia com o CEO, parar de mentir e assumir que de fato o conhecia já havia sido um passo importante. De agora em diante eu iria tentar uma convivência pacifica com Yoongi.  

Infelizmente essa minha força de vontade foi se esvaindo a cada passo que eu dava em direção a sala dele. Eu não tinha a essa dose toda de coragem (ou de falsidade) para o encarar como se o dia de ontem não houvesse acontecido, com se os outros dias também não houvessem acontecido. Assim, peguei-me sem conseguir erguer os olhos dos meus pés. Eu sentia enorme vergonha por ter mentido e me faltava a cara de pau para o encarar como se eu não tivesse gritado com ele no meio da rua ou como se eu não fosse o responsável pelo olhar triste no rosto do menino. Não, naquela madrugada nossa “relação” havia mudado e não poderíamos simplesmente fingir que não havia acontecido.

Quando passei pela sala de dança onde J-hope coreografava, pensei em entrar e ensaiar com o garroto, porém, percebi, ali com ele, a figura de um homem com um corpo tão juvenil quanto o nosso, mas as feições em seu rosto indicavam uns 10 anos a mais. Hobi também me viu, pelo vidro, mas não parou sua dança para me cumprimentar. O homem o avaliava, ele não podia se distrair e mostrar alguma falha. Apesar de estar realmente focado em me dar bem com Yoongi eu não podia me esquece do motivo principal deu ter aceitado esse emprego. Assim, ao invés de apertar o botão do 4º andar e retornar a cozinha, apertei o do segundo, onde as primeiras salas estavam.

O segundo andar, onde as salas dos iniciantes se encontravam, era bem diferente do andar onde Hoseok ficava. Para começar, as paredes de vidro que existiam nas salas do 10º e 11º andar não se encontravam no 2º andar. O único meio de ver dentro da sala era por um vidrinho retangular na porta, como em portas de colégio. Outra coisa notória era o som, a ausência de números nas portas e a quantidade de pessoas.

Na sala de Jhope o garoto tinha que gritar para podermos escutar fora da sala, o isolamento acústico funcionava bem. Já no corredor que me encontrava agora varias vozes e musicas se misturavam, era uma confusão de ”1 e 2 e 3 e 4” com “e puxa, vira, no três tem um pulo e as mãos vão para a direita, entenderão?”

Também não havia indicações numéricas nas portas indicando um nível, ali todos eram iguais. O que mostrava bem isso era o fato de ter uns 25 garotos e garotas na mesma sala. Depois de olhar o quinto retângulo de vidro, encontrei Jeon Jungkook, a quem procurava, uma sala onde o professor-coreografo gritava “Vocês querem ser idols? É isso o que chamam de esforço? Desistam logo agora e poupem meu tempo e o de suas famílias! Quando eu voltar quero a coreografia aprendida! Do início!”.

Entrei na sala, assim que o professor saiu, tentando não chamar a atenção das outras pessoas. O rosto de Jungkook não parecia muito contente. Parecia quer esganar alguém. O vi pegar uma garrafinha de água das muitas que estavam no canto da parede, aproveitei para me aproximar.

— Olá, cookie. —  Falei atrás dele. O garoto engasgou e involuntariamente comecei a rir.

— Que susto Jimin-hyung! — O menino sorriu depois de se recuperar da crise de tosse. — O que fiz aqui?

— Eu trabalho aqui esqueceu?

— Não, estou falando de “aqui na sala”.

— Ah, sim...hm, vim te ver! Por que, não posso? — Brinquei.

— Claro que pode, é ate melhor, você me acalma. — Falou com uma careta.

— Oque foi? — Perguntei, me referindo a expressão de raiva que antes dominava seu rosto. — Primeiro dia não tão legal?

Não tão legal? Isso daqui é o inferno, Hyung! — Exclamou exasperado. — Eu nunca pensei que pudesse odiar dança!

— Ei! Dançar é maravilhoso! — Respondi.

— Não é mais. — Disse contragosto. — Quando Jennie disse que eu ia entrar como traineer pensei que seria de canto!

— Alias, como Jen consegui isso? — Estava realmente curioso sobre.

— Ah, ela tem uma amiga que eu acho que é amiga do dono. —  ele falou apontando para o teto, indicando os andares superiores. — Ela é modelo, Jisoo. Devem ser bem próximos. Jen falou com ela, mas eu não esperava que eu fosse ter que dançar.

— Deixe de implicar com a dança, Kook. Vá, me amostre os passos que ensinaram. — Pedi-lhe e o garoto deu uns passos para o lado, se dando espaço.

O menino ficou parado e então juntou as duas mão na frente da cintura, então levou a mão esquerda para trás e a direita em direção ao chão abaixando lentamente junto com o braço. O garoto fez um movimento em formato de Z contrario e depois puxou as mãos para baixo a apoiando no joelho. Jungkook tinha jeito para dança. Seu corpo não era duro e estático mas estava visível que não queria estar dançando oque tirava toda a beleza dos movimentos. Eu conhecia a coreografia, era da mesma musica que havia tocado no mercado.

Rapidamente me pus ao lado de Jungkook, repetindo a coreografia em passos mais lentos para seguir o ritmo do garoto. Pelo que parecia o professor havia feito algumas mudanças na dança, a fazendo ficar um pouco mais puxada, mas não estava tão difícil de pegar. Só me dei conta de que Jungkook havia parado de dançar quando terminara a coreografia. Antes que pudesse lhe questionar o porquê de ter saído do meu lado, notei que mais pessoas, além de Jungkook, estavam me encarando.

Timidamente disfarcei que estava com sede e fui pegar uma das garrafinhas no canto, aproveitando para puxar Jeon e lhe perguntar o que havia acontecido.

Você. — Respondeu boquiaberto. — Você aconteceu.

— Como? — Perguntei-lhe confuso.

— Você dança muito bem, Jiminnie! — Se entusiasmou. — Onde aprendeu a dançar assim?

— Não sei. — Respondi-lhe rindo. — Eu sempre amei dança e tentava imitar qualquer movimento que alguém fizesse. Na escola que eu frequentava aqui em Seul tinha aulas de dança.

— Aqui em Seul? — Perguntou enquanto voltávamos para posição anterior. — Pensei que você era novo na cidade.

— Morei um tempo aqui. — Respondi simples, não era hora para assuntos tristes. — Cookie. — O chamei depois de um tempo. Havíamos continuado a treinar a coreografia. — Você não tem vergonha de cantar em público, tem?

— Não. — o menino franziu o cenho. — Por que?

— Por que parece que você tem vergonha de dançar em público... — Comentei.

— Ah. — Pareceu constrangido. — Na verdade, tenho um pouco sim. — Não havia entendido. Qual era a diferença se ambos se tratavam do público. — Eu também não entendo. — continuou vendo minha cara de confuso. —Mas é diferente, hyung! Sabe, se eu errar uma letra o público completa como um corro e se eu errar um movimento? Vou estragar a coreografia toda!

— Ei calma. Olha, se se preocupar demais em errar vai acabar realmente errando por distração. — Tentei. — Primeiro se preocupe em saber todos os movimentos.

— Eu sei todos os movimentos. — Me assegurou.

— Ótimo então! Agora os esqueça. — Ordenei.

O que?!

— Exatamente você ouviu. — Ri da cara estranha que ele fizera. — Olha bem, dança se trata de musica e musica se trata de sentimento. Consegue cantar bem algo que você não goste?

— Não... — Murmurou intrigado.

— Não, ou mesmo que consiga, não ficara a mesma coisa que as outras, porque você não tem o mesmo sentimento. É o mesmo com a dança. Coreografia é importante, mas o essencial é sentir a música.

— Então... eu não tenho que aprender a coreografia. — Ele ainda parecia confuso.

— Sim, claro que tem... Okay, vamos usar o exemplo do seu violão. Se eu te der uma tablatura, você consegue toca-la?

— Sim... bem, antes eu preciso que você me de tempo da música, ou ouvi-la uma vez para saber o tempo.

— É exatamente o que eu quero dizer, Cookie. Você precisa saber a coreografia para dançar assim como precisa da tablatura, mas se não sentir a música não vai dançar bem, assim como uma tablatura sem tempo, entende?

— Você complica muito as coisas, Jimin-hyung. — ele riu e se colocou ao meu lado, ficando na posição inicial da coreografia. — Mas pior que eu entendi.

— Então vamos de novo? Tente esquecer o resto da sala, se foque apenas em mim e na música. — à musica na caixa de som tocava seus últimos versos. — Consegue fazer isso?

— Me concentrar em você? — Ele deu um sorriso me encarando pelo espelho. — Mas é claro. — pelo vidro era visível ver minhas bochechas rosas.

A musica terminara e esperamos, na mesma posição, que ela reiniciasse. Jungkook estava levando muito a serio o focar em mim. Ele não movia os olhos para outro canto do espelho sem ser a minha imagem. A musica reiniciara e nossos movimentos começaram. Senti um certo orgulho de mim mesmo ao ver que Jeon dançava muitíssimo melhor que antes, de fato o garoto só precisava ignorar a vergonha para conseguir se soltar.

A musica foi desligada quando estávamos repetindo a coreografia pela terceira vez seguida. Uma alegria profunda havia se manifestado em mim quando percebi que ele ainda me olhava. Ficamos tão inertes na música que não havíamos percebido que outra pessoa havia entrado na sala.

— Quem é você? — Perguntou o professor, retornando a classe. — Eu não havia o visto antes... Ah! Não importa. Diga, qual seu nome? — Ele perguntou conferindo a ficha em sua mão.

— Ahn... er...eu... — Eu não sabia oque falar. Se ele soubesse que era o nutricionista da empresa eu seria reportado por estar onde não devia e se não lhe respondesse nada poderia passar por um qualquer que estava se fingindo passar por um traineer cadastrado.

— Ele é novo, também! — Disse Jungkook, dando dois passo e ficando protetoramente em minha frente.

— Dois novos na mesma classe? — Murmurou para si. — Qual seu nome?

— Jimin, Park Jimin. — Respondi baixinho. Eu estava ferrado.

Park...Park...Park Minho...Park. — Ele ia folheando a lista. — Seu nome não esta aqui, ainda não deve ter caído no sistema. — Ele deu de ombros. — Você é bom rapaz, venha quero que fique na frente da fila. — Ele me empurrou nem tão carinhosamente para o lugar mais visível, atrás dele e na frente da turma. — Voltem a dançar, do início. Quero mais pessoas do lado do Park.

Jungkook estava realmente se empenhando para avançar algumas fileiras, e eu me recuso a pensar que era para ficar novamente próximo a mim. Senti algo vibra em meu bolso e simplesmente desliguei, sem deixar que o professor me visse no celular. Eu sabia que era o despertador de uma hora antes do almoço de Yoongi. Dessa vez eu não precisava me preocupar, havia deixado a comida pronta e dentro da panela. Quando chegasse a cozinha era somente requenta-la, por na marmita e a levar ate Yoongi. Havia pensado que o difícil seria sair da sala, mas um tempo depois vi que isso também não causaria dor de cabeça. Os alunos foram liberados para o almoço e eu ficara livre para ir calmamente ate o refeitório, acompanhado de Jungkook.

Seguindo exatamente o plano, esquentei a comida, pus no pote e me dirigi ao elevador. Pelo que parecia Namjoon realmente não iria voltar a buscar as refeições. Levei um susto a ver minha imagem no espelho do elevador. Eu não podia entrar daquele jeito no escritório do meu chefe. Segurei o pote com uma mão e me coloquei a secar meu suor com a manga da mão livre, dei também uma arrumada no cabelo que felizmente cooperou comigo. Tudo estava correndo bem. Ate que entrei no escritório de Yoongi.

— Oque acha que está fazendo? — Perguntou o CEO.

Veja bem, eu simplesmente entrei no escritório. Eu não bati na porta, eu não pedi permissão. Só entrei.

Oh deus, não sei se tu existes, mas se existes porque me fizera tão burro pai?! Por acaso os anjos do céu se alegram em ver minha desgraça?

— Eu posso... — Fui interrompido e então percebi que a pergunta não havia sido direcionada a mim.

— Ai Yoon! Vamos por favorzinho! — Uma garota estava sentada no braço da cadeira de Yoongi. — A quanto tempo não passamos um tempinho só nos dois, Yoon! — A menina envolvera seus braços envolta do pescoço do CEO, deslizando-os até o peito do garoto, enquanto seus dedos conscientemente deslizavam pelos os buracos entre os botões na blusa de Yoongi.

Eu já cansara de ver a tal garota na TV em revistas. Kim Jisoo, a modelo em ascensão. A garota pedia algo, perto do ouvido de Yoongi, num tom manhoso quase em gemidos. Senti uma coceira perto da orelha enquanto uma irritação repentina preenchia meu peito.

Onde eles pensam que estão? Num motel?! — Minha mente gritava.

COF COF Tosi o mais alto que pude para conseguir a atenção que queria e então murmurei. “Perdão, volto depois.”

— Ei! — Yoongi chamou. — Pode colocar a marmita na mesa. Está vendo Jisoo, infelizmente não posso sair com você, Jimin já preparou uma refeição completa, seria muita desfeita. — Ele levantou da cadeira, caminhando até a mesa de centro, mas a garota o seguiu.

— Hm... Esta cheirando muito bem! — Disse Jisoo. — Talvez então possamos dividir?

— Se você... —parei, percebendo que falava em voz alta. Percebendo que esperavam que eu terminasse minha frase eu continuei. — Digo, infelizmente só tem porção para uma pessoa e o Senhor Min precisa de vitaminas. — Eu queria mesmo era ter falado Se você tocar na minha comida eu lhe enfio o hashi.

A garota soltou uma bufada de ar e revirou os olhos. Apontando o dedo para Yoongi ela falou com um sorriso “Da próxima vez você não escapa.” E saiu do escritório. Aproveitei a saída da menina para me retirar também.

— Sr. Min. — Disse numa reverencia simples e singela com a cabeça e sai antes de ser respondido, indo de volta a sala onde Jungkook dançava.


Notas Finais


Como falei, são 2 da manha, acabei de escrever e não deu para checar os erros de ortografia. NÃO RELEVEM ELES, escreva para mim onde ta escrito errado para eu poder mudar;

Vc já sabe oque vem agora
SEÇÃO MINDIGAÇÃO!
Se vc gostou favorita a fic, pra receber notificação, deixa seu comentario, critica ou sugestão, Tudo é bem vindo. Me segue no Twitter @Lahagomez para conversa comigo. <3 Bejios byy


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