História Blood Ties - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Bruxa, Drama, Lobisomem, Mistério, Original, Penny Dreadful, Sobrenatural, Supernatural, The Originals, The Vampire Diaries, Vampiro
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Palavras 5.201
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oie, nem acredito que tenho atualizado tão rápido (bem mais do que eu esperava, pelo menos) e com um padrão de número de palavras. me perdoem por qualquer erro :)

Capítulo 11 - Dez


Fanfic / Fanfiction Blood Ties - Capítulo 11 - Dez

Maya acordou no susto, como quando se está dormindo e seu corpo tem um espasmo pois parecia que você estava caindo. Ela não tinha noção de muita coisa, mas estava deitada em uma cama uma cama grande e confortável, o teto acima de si tinha arabescos e alguns desenhos pintados à mão. Na janela o sol começava a nascer pintando o céu de um rosa alaranjado, assim ela soube que hoje choveria.

Ao prestar atenção nas pinturas no teto do quarto ela percebeu que contava uma certa história, talvez fosse algo dos contos clássicos como Helena e Paris ou Tristão e Isolda. Havia o desenho de uma mulher olhando para um horizonte na praia, em outro ela pôde entender uma mulher e um homem ligados pelas mãos por um laço dourado. Haviam desenhos de cálices também, muitos deles.

- Senhorita, bom dia! – uma voz feminina pôde ser ouvida após delicadas batidas na porta. Maya tentou lembrar de quem era aquela voz, mas sua cabeça doía bastante, ela tinha a memória meio enevoada. – Os festejos começarão assim que a senhora estiver pronta.

Mas que merda estava acontecendo?

Voltaram a bater na porta devido à ausência de respostas, dessa vez Maya respondeu:

- Esse casamento não acontecerá sem mim. Tenho certeza de que podem esperar. – ela gritou, não que fosse realmente seu desejo fazer aquilo, mas sentia como se estivesse repetindo um script, como algo que você já ensaiou ter dito e na hora apenas sai de você. Ela tinha uma incômoda sensação de déjà vú. – Entre logo.

Ela levantou-se da cama quando a porta foi aberta e uma multidão entrou em seu quando, todos vestidos como em um episódio de Outlander: vestidos, as mulheres com aquelas toucas nos cabelos, os homens com roupas sociais ainda que fosse de algodão e lã. Aquilo era tão esquisito.

Em um canto do cômodo no qual ela acordara havia um manequim feito de arames, e no manequim, um vestido, estupidamente glamoroso, com rendas e pedrarias. A garota sentiu seu coração apertar. Era um vestido de noiva.

 

(...)

 

James sentia os olhos pesarem, mas sabia que não dormiria. A poltrona para acompanhantes no quanto de internação era confortável, na medida do possível, mas não para se passar horas seguidas sentado ali.

- Oi, chegamos. – Zoey abriu a porta do quarto, Juliet entrou atrás dela. A ruiva carrega uma mochila nas costas e um copo de café em cada mão, deu um deles ao garoto. – Demoramos muito?

- Não. – James pegou o copo dando um longo gole na bebida quente. Ele se levantou da poltrona e Zoey colocou a mochila onde ele estivera sentado. – Obrigado por ligarem, eu tive que deixar a festa mais cedo, tive um problema.

- Sem problemas, James. Não precisa se explicar, não é como se fosse sua culpa. – Zoey sorriu compreensiva para o vampiro. Ele não exatamente achava que era sua culpa, mas talvez pudesse ter ajudado mais de não tivesse deixado-a para trás, ainda mais depois de terem se beijado. – Você deveria ir em casa, tomar um banho talvez. E trocar de roupa.

James ainda usava o terno do baile, mas agora não vestia mais o paletó, apenas a calça e a camisa que tinha as mangas arregaçadas desleixadamente, gravata festava frouxa e torta em seu pescoço.

Ainda assim, ele negou.

- Eu não vou deixar ela. Não se preocupem comigo.

Zoey suspirou.

- Eu achei que fosse dizer isso, por isso trouxe uma muda de roupas para você. Sobre seu banho, eu não posso fazer nada. – ela abriu a mochila mostrando as roupas, haviam roupas femininas ali também, para Maya. – A médica deu mais detalhe do que aconteceu?

James deu de ombros.

- Ela disse que aparentemente Maya teve uma crise respiratória, asma, eu acho. Ela disse que a saturação do oxigênio nos pulmões é de 82. – James repetiu conforme lembrava. Zoey suspirou olhando para a irmã mais nova ainda desacordada na maca.

- O quão ruim isso é? – Juliet perguntou à melhor amiga e Zoey balançou a cabeça negativamente.

- O mínimo esperado é de 92. – a ruiva mordeu a parte interna da bochecha nervosa. – Maya não costuma ter crises, mas das vezes que isso aconteceu costumaram ser muito sérias. Vovó geralmente dava a ela algum tipo de remédio de ervas, mas eu nem tenho mais acesso a isso, faz tanto tempo que ela não tem nenhum problema desses.

- Nós voltaremos para casa assim que ela sair desse hospital, não se preocupe. – Juliet passou um braço pelos ombros agora caídos de Zoey, para abraçá-la. – Jasmine poderá nos ajudar.

Zoey assentiu positivamente.

- Alguma notícia de Valentim, James? – a bruxa perguntou ao garoto de pele morena, ele não respondeu, apenas balançou a cabeça negativamente. – Ok... então quando ela será liberada?

- Bem, eles deram um sedativo leva a ela, para que ela possa dormir por um tempo maior e ele normalizarem o fluxo do oxigênio do sangue dela. A médica disse que assim que ela acordar serão feitos os exames para conferir o estado dela, e então algumas horas de observação para garantir que não irá se repetir. – James explicou. – a previsão é que amanhã de manhã estejamos todos livre disso.

- Então só resta esperar.

 

(...)

 

Maya ofegou sem ar, se apoiava na penteadeira de madeira maciça, para não cair com os puxões da empregada nos cordões de seu espartilho. Deus, aquilo estava a machucando demais, haviam ferros espetando suas costas e barriga, sem falar que não conseguia respirar.

- Está perfeito. – disse à mulher que amarrou os cordões. Logo em seguida ajudaram-na a vestir aquele vestido do manequim. Era lindo, mas assustador ao mesmo tempo. Haviam alguns detalhes azuis por toda a parte de cima em seu decote, ela havia percebido que haviam detalhes azuis por tudo que usaria hoje, desde os sapatos até suas joias.

Sentiu-se caminhando para a morte quando depois de devidamente arrumada foi levada até uma carruagem, aqueles sapatos de salto era tão incômodos quanto a sensação de repetição a qual ela ainda não se acostumara. Era um sonho?

O aperto em seu coração ficou ainda pior quando viu a igreja se aproximar. De arquitetura gótica, o templo tinha algumas pessoas esperando em sua porta, havia decoração com flores e faixas de tecido.

- Até que enfim, achamos que você tinha fugido. – Zoey sorriu quando ela desceu da carruagem, com ajuda de empregados, é claro. Ela não conseguia se mexer sem que alguém a ajudasse, aquele vestido era infernal.

Aquela não era Zoey, pra falar a verdade. Quando Maya prestou mais atenção podia-se ver algumas diferenças. Mas a semelhança daquela mulher com sua irmã era assustadora.

- Holly, será que você pode se mexer logo daí? Seu pai quer entrar logo. -  mulher apressou-a apesar de estar despreocupada. Ela parecia até mesmo entediada. Maya não se chamava Holly, seu nome era Maya. Não era? – Eu sei que você está assustada, mas quando antes começarmos mais cedo isso tudo acaba. Confie em mim.

Ela pegou sua mão, puxando. A falsa Zoey tinha os cabelos tão pretos que chegavam a brilhar, assim como seus olhos. Ela vestia um vestido sóbrio e elegante, preto com alguns detalhes verde musgo, com certeza menos desconfortável que o seu vestido de noiva.

- Teresa, eu não estou com medo. Só... nervosa. – Holly/Maya respondeu, seu nariz se contorceu, havia desdém em sua expressão. – Eu só estou sendo forçada a casar com um garoto, um cavalariço.

- Um garoto que possui um futuro brilhante como mordomo de Valentim, a renda de você será agradável. Você poderá visitar Londres quando quiser, poderá ter bons vestidos e joias e eu tenho certeza que ele lhe fará muito bem. – Teresa e ela caminhavam até a entrada da igreja calmamente. Holly/Maya bufou.

- Mas ainda é um garoto.

- Garota, você só tem 16, devia estar agradecendo a Deus por não ser um velho com o dobro da sua idade. – Elas chegaram até a grande porta de madeira da igreja e Teresa soltou-a, dirigindo-lhe um último sorriso. – Um garoto que poderá comer na palma da sua mão se você fizer tudo certo. Homens são bobos Holly. Se não fosse por esses malditos espartilhos, nós já teríamos dominado o mundo há muito tempo.

Ela riu e Teresa colocou o véu sobre sua face.

- Boa sorte, não que eu ache que você irá precisar.

Foi a última coisa que ela disse antes das portas se abrirem e um homem vir e oferecer-lhe o braço. Maya, no entanto não conseguiu se mexer.

No alta estava James, perfeitamente arrumado em um conjunto chique negro. Olhando para ela assustado.

 

De repente a cena mudou. Ela estava em uma sala de estar.

Valentim estava sentado em uma poltrona arfando, ele estava completamente sujo de sangue. Assim como a sala.

- Valentim, nós chegamos... – James entrou despreocupado na sala mas parou quando viu a cena. – Ah, Val, o que você fez?

Haviam corpos pela sala, muitos deles. Assim como sangue. Havia sido uma carnificina, como se um animal tivesse atacado a casa ou algo do tipo. Em um sofá uma mulher loira estava jogada o sangue ainda saia do ferimento aberto em seu pescoço manchando seu vestido rosa pastel. Maya sentiu seu estômago embrulhar.

Um arquejo pôde ser ouvido, atrás de James estava o vampiro original, Louis. Eles vestiam um traje completo com casaco e um lenço em volta do pescoço, enquanto Valentim usava só uma blusa branca de algodão um pouco transparente e uma calça de lã preta. Ele estava descalço.

- Teresa. – Louis chamou correndo até um corpo no chão, mais perto de Valentim do que os outros. Era a mulher parecida com Zoey, que levou-a até a porta da igreja. Seus olhos, antes brilhantes, estava opacos em sua cor preta, voltados para o vampiro paralisado na poltrona, Maya pôde ver uma lágrima escorrer por sua bochecha magra se misturando com o sangue por sua face pálida. O vampiro original ajoelhou-se ao lado do corpo da mulher morta e pegou a no colo. Havia uma séria de mordidas por seu colo, mas a que provavelmente causara sua morte era dilaceração em seu pescoço, talvez Valentim tivesse rasgado alguma artéria pois Teresa possuía sangue por toda camisola branca que vestia. Até mesmo seus cabelos cor de petróleo estava empapados pelo fluido carmesim e viscoso. – Teresa, não...

Uma série de choramingos estrangulados saíram nos lábios de Louis que chorava desesperadamente, agarrado ao corpo inerte da mulher morta. A cabeça dela parecia estar em um ângulo estranho... os olhos sem vida abertos eram muito assustadores.

James não saiu do lugar, atônito.

- Louis, eu... – Valentim tentou dizer algo depois de longos momento de choro e agonia de Louis. O vampiro original levantou-se indo para cima de Valentim, mas James se colocou entre os dois segurando o louro com a maior força que conseguia.

- Não diga nada sua criatura asquerosa! – Louis berrou. – Que merda você fez! Você assassinou sua melhor amiga e mais toda a casa.

- Eu não queria, eu me descontrolei... – Valentim tinha a cabeça baixa, olhando para Teresa, no chão.

- Não tente se explicar. – Louis berrava, ele conseguiu se soltar facilmente do aperto de James lançando a uma parede, agora partindo livremente para cima de Valentim. Ele iria começar uma briga, mas não conseguiu, voltando a chorar. – Deus... eu só... te odeio tanto.

O mais velho segurava Valentim pelo pescoço agora no chão, enforcando-o.

- Eu te odeio, Valentim Stain. – ele repetiu entredentes, seus olhos azuis celestes gelados e cortantes enquanto enforcava seu velho amigo. Mas de repente, ele parou e relaxou o aperto em suas mãos. Ele tremia de ódio. – Eu poderia arrancar seu coração agora mesmo, sei que você não se oporia a isso, não é mesmo, Val? Mas então será fácil demais. Assim como foi fácil para você matar o amor da minha vida. Não. Eu vou garantir que você permaneça vivo hoje, mas escute bem o que eu vou te dizer agora.

Ele se baixou aproximando-se os ouvido de Valentim, que permaneceu imóvel no chão sob Louis. James ainda assistia tudo, impotente, após ser jogado contra a parede.

- Você não terá paz, Valentim Stain. – Louis sussurrou cheio de ira. – Eu vou fazer da minha missão de vida pelo resto da minha eternidade atormentar a sua eternidade. Você sempre foi bom em fazer isso comigo, não? Mas acima de tudo, haverá um dia no qual você terá esquecido de mim, dessa promessa que estou lhe fazendo, e você se apaixonará novamente. E, então, eu farei questão de mover céus e terra para destruir tudo aquilo pelo qual você presa. Por que hoje você finalmente conseguiu quebrar seu brinquedinho, você finalmente conseguiu matar Teresa.

Louis se levantou limpando as mão sujas de sangue na roupa, assim como as lágrimas que caíam de seus olhos. Foi até James e levantou-o. O garoto foi até a mulher no sofá, assustado.

Valentim tentou de levantar, mas Louis não deixou pressionando a sola da sua bota contra o peito alheio.

- James, com seu fiel cachorrinho, permanecerá com você, eu suponho. – Louis já não tinha nenhum resquício de qualquer choro, sua expressão era dura. – Sempre limpando sua sujeira. James!

- Senhor? – James respondeu, ainda diante da mulher loira morta. Maya sentiu um estalo, aquela era Holly, ela havia acabado de sonhar ou o que quer que aquilo fosse com um casamento e morte daquela mulher. James havia sido casado. Aquilo era tão esquisito.

- Cuide de tudo isso, por favor. Me deixe saber quando o mausoléu estiver pronto. Teresa merece um sepultamento decente. – Louis ordenou e James apenas assentiu, sem expressão, Maya nunca havia visto ele assim tão mal. O original voltou-se para Valentim sob seu pé calçado novamente. – Enfim, eu te desejo boas-vindas ao inferno. Espero que aproveite, Valentim.

Louis levantou o pé, para descê-lo novamente sobre o rosto de Valentim, que então perdeu a consciência com o chute.

 

 

Maya arfou pulando sobre a maca do hospital. Ela estava sozinha e era bem cedo de manhã julgar pelo céu ainda escuro lá fora. Ela estava tão assustada que foi muito difícil segurar as lágrimas. Que merda tinha acabado de acontecer?

- Ah, parece que a bela adormecida retornou ao mundo dos vivos. – James entrou no quarto sorridente, mas mudou completamente sua expressão ao vê-la chorar. Maya, ao vê-lo só conseguiu chorar ainda mais. – Ei, o que aconteceu?

- Nada. – ela respondeu em um ganido, ele se apressou em ir até ela para abraçá-la. A garota lembrava da noite em que ela havia dormido junto a ele depois do acontecimento da boate, ele havia abraçado-a desse mesmo modo. Maya se forçou a engolir o choro. – Não é nada, eu acho que tive um pesadelo. E acordar sozinha não ajudou em nada.

- Ah, May... – eles se separaram e James sentou-se na borda da cama ainda segurando suas mãos, ela tentou secar as lágrimas teimosas que ainda caíam. – Me desculpe, eu fui até a cafeteria comer algo, a médica disse que você não acordaria tão cedo então eu pensei que poderia fazer uma pausa.

- Tá tudo bem. Eu só fiquei um pouco assustada. – ela fungou e tentou sorrir para ele. Eles ficaram em silêncio por um tempo, olhando um para o outro, sem saber o que dizer. Obviamente pensavam sobre a mesma coisa: o beijo, muito superficial, para falar a verdade. Mas havia sido uma ocasião ruim apenas. Bem, uma hora eles teria de conversar sobre isso. – E minha irmã onde está?

James pareceu pensar.

- Eu acredito que esteja arrumando as malas, partiremos assim que você receber alta.

Maya suspirou feliz, James se esticou até a cabeceira para acionar o botão que ergueria a parte superior da cama. Maya agradeceu, recostando-se aqui.

- Fico feliz que você vá passar o feriado com a gente. Juliet e Zach, sempre usam o suéter combinando e Luke chora de rir toda vez que vê os dois tendo que mandar uma foto para os pais em Liverpool. – ela contou sentindo-se mais confortável só de lembrar de todos os natais deles juntos. Fechou os olhos conseguindo visualizar todos aqueles anos. Jasmine adorava tê-los em casa. – Jasmine vai gostar de te conhecer, ela ficou preocupada quando Zoey contou que havia salvado Valentim aquela vez, acho que ela não gosta muito de vampiros, mas tenho certeza que quando conhecer você ela vai mudar de ideia.

James deixou os lábios se esticarem suavemente em um sorriso sem dentes, o sol já nascia e a enfermeira logo chegaria para checar o estado dela.

- Acho que precisamos conversar. – ele aproveitou a deixa. Maya abriu apenas um olho para observá-lo. James pigarreou ajeitando a postura, nesse momento ela percebeu que ele era muito mais velho que aparentava, no entanto, ele sempre teria o rosto de um adolescente. – Eu gostaria de me desculpas, ontem eu a desrespeitei, não deveria ter beijado você, não daquela maneira. Ainda mais sem ao menos saber se você sentia o mesmo. Por isso, eu peço que me perdoe se eu te desrespeitei de qualquer forma.

Ele soltou as palavra em um só fôlego, não era um assunto tão complicado assim. Maya permaneceu em silêncio por um longo momento, enquanto ele falava ela havia fechado os olhos de novo. Ficou em silêncio por tanto tempo que ele achou que ela havia dormido, mas para seu alívio ela finalmente respondeu:

- James, você fala demais algumas vezes. – foi apenas o que ela disse. James fez uma careta confusa, a garota abriu os olhos e riu, bem alto. – Droga, você não me desrespeitou. É claro que foi inesperado, você roubou meu primeiro beijo, mas não que eu fantasiasse muito essa ocasião.

- Oh, meu deus foi seu primeiro beijo? – James parecia espantado. – Eu deveria tê-la perguntado antes. Ah, não, a sua honra! Eu não quero que você tenha problemas com seu pai ou Zoey. Me perdoe por...

O que quer que fosse dizer ele havia sido interrompido. Maya havia puxado-o pela gola da camisa, até que ficasse com os rostos tão próximos que seus narizes se tocavam.

- Não tem problema, foi uma boa surpresa. Mas acho que você me deve um beijo de verdade agora. – ela esclareceu, com um meio sorriso travesso. James sentiu alto quente em seu peito. Talvez fosse seu coração, derretendo. Ele estava tão perdido nela que ele foi guiado até seus lábios macios. Dessa vez para um beijo de verdade.

Era de verdade pois Maya tinha a mão direita sobre a bochecha dele e ele tinha a mão direita pousada sobre a esquerda dela fazendo carinho ali, curiosamente aquilo era o que ela sempre havia fantasiado. Não em uma cama de hospital, mas calmo, privado e carinhoso.

Eles estavam concentrados em si mesmo que ao menos ouviram quando o aparelho que media os batimentos cardíacos dela aceleraram a níveis um pouco preocupantes, muito menos ouviram os vários passos se aproximando do quarto. Por isso, tiveram de se separar vergonhosamente quando a porta foi aberta, ou melhor escancarada.

Uma mulher negra de jaleco e um homem de roupas azuis estava parados na porta do quarto, os olhos arregalados. A mulher que deveria ser médica tinha um tubo nas mãos assim como luvas de látex e o homem, o enfermeiro, empurrava um carrinho com um desfibrilador. O pior mesmo foi ver Zoey, Juliet, Zach e até mesmo Valentim atrás dos profissionais do hospital. A ruiva estava vermelha tentando prender a risada, assim como Zach, Juliet tinha a boca aberta em espanto e Valentim tinha apenas uma sobrancelha erguida em questionamento.

- Muito bem, senhorita Summers. – a médica deu o tubo e as luvas para o enfermeiro que saiu do quarto com certo sorriso no rosto. – Parece que acordou mais cedo, e já está muito bem, não? – a mulher tinha os cabelos crespos presos em uma espécie de rabo de cabalo com bastante volume no alto de sua cabeça, Maya pôde notar que ela usava um leve camada de maquiagem, a cor de seu batom era magnífica. Ela chegou perto de si para checar os dados no monitor ao lado de sua cama, onde seus batimentos iam se normalizando. – Foi graças a você, senhor beijoqueiro?

Zoey não conseguiu mais segurar-se e soltou uma gargalhada. James abriu a boca algumas vezes, tentando encontrar algumas resposta, mas apenas não sabia o que dizer. Maya nunca havia visto ele tão embaraçado.

- Ele é mesmo um príncipe encantado. – a voz rouca de Valentim pôde ser ouvida, o que fez Zoey rir ainda mais. A médica dirigiu um sorriso discreto para Maya e piscou para ela.

- Como se sente, Maya?

- Bem. – foi o que ela conseguiu responder. – Bem melhor do que ontem.

- Sim, você teve uma crise de asma. Uma das feias. – Susan Leeroy, como dizia seu crachá, explicou examinando a garota. – Vou diminuir seu tempo em observação só porque você acordou mais cedo e isso mostra que você realmente se recupera rápido. Mas, por enquanto, eu evitaria emoções muito fortes. – a médica chegou mais perto dela para sussurrar. – Eu sei que ele é lindo, mas se ele estiver impedindo você de respirar corretamente você provavelmente terá de receber uma nova ajuda para voltar a respirar novamente.

- Tenho certeza que ela ficará feliz com respiração boca a boca. – Foi a vez de Zach contribuir para que a situação ficasse ainda pior. Zoey chorava de rir, apoiada a Juliet, ainda boquiaberta.

- De qualquer forma, evite fortes emoções se você não estiver com o remédio por perto. – a médica aconselhou, já fazendo o caminho para sair do quarto. – Se sua situação continuar estável, receberá alta até o fim da tarde. Seu café da manhã chegará em alguns minutos, se precisar de algo chame um dos enfermeiros. Tenha um bom dia, senhorita Summers.

- Hã... – James foi andando um pouco desajeitado até a poltrona pegando um copo com estampa de joaninhas, o copo de Maya. – Eu vou pegar um pouco de água para Maya.

- Sim! – Maya reagiu exageradamente, não que ela conseguisse assumir controle de suas ações nesse momento. – Eu sinto como se tivesse plantado uma árvore na minha boca.

James assentiu e saiu do quarto, o vampiro mais velho suspirou.

- Eu vou com ele.

Restaram Zoey e Juliet no quarto. E Zach. Mas não por muito tempo, já que as duas lançaram um olhar que possuía uma mensagem bem clara para ele.

- Eu... acho que vou com eles. – Zach coçou a cabeça se apressando em sair do quarto.

Enfim as meninas ficaram sozinhas. Maya queria se esconder, mas é claro que Zoey e Juliet não deixariam que isso fosse esquecido nem tão cedo.

- Não precisamos nem pedir para você explicar tudo.

- Ai. Meu. Deus. – Juliet concordou com a amiga. Ela eram quase cinco anos mais velhas que Maya, mas naquele momento pareceram tem quinze anos. Maya fingiu se contrapor a elas, mas por dentro dava pulos de alegria, como uma verdadeira garota de quinze anos.

(...)

 

Maya havia sido mandada para casa naquela mesma tarde. Zoey e Valentim ainda não se falavam, mas agora pelo menos aceitavam conviver. Maya havia ouvido Zoey contar para Juliet sobre a noite que o vampiro havia passado com Evelyn, ele havia se alimentado dela deliberadamente, mas teve de fazê-la esquecer tudo, obviamente.

Zoey não queria mais desculpas, não sabia nem se queria um relacionamento com ele (a quem ela queria enganar? Ela queria tudo que envolvesse ele! É uma pena que ele estivesse explicitamente longe dela) e o vampiro mais velho estava mais silencioso do que nunca, Maya sempre achara tanto mistério um pouco cansativo, ao passo que Zoey sentia-se atraída por esse fato nele de maneira inexplicável. A irmã mais nova apenas observava, do banco de trás, o ex-casal (eles podiam ser considerados um casal? E ainda por cima ex? eles ao menos tiverem algo que não fosse beijos e algumas vezes de quase sexo, mas não havia compromisso ou rótulos.) em silêncio na frente, Valentim no volante e Zoey no banco do carona. Maya estava deitada no banco de trás com a cabeça no colo de James que fazia um leve carinho em seu cabelo, quase levando-a ao sono mais uma vez. a garota não sabia se o silêncio entre os dois na frente era pesado, tenso ou desconfortável, mas para ela? Aquele silêncio na parte de trás do carro era o mais confortável possível. Uma música qualquer tocada na rádio só aumentava o clima de tranquilidade e sonolência para Maya, ela poderia fazer os olhos um pouco e talvez tirar uma soneca durante a o percurso até sua casa. Sua cidade natal. Ela tinha plena certeza de que James não pararia de fazer carinho em seus cabelos nem por um segundo, isso era muito otimista.

De qualquer forma, antes que ela pudesse finalmente cair no sono, sentiu um estalo: e se ela sonhasse daquele jeito novamente? A garota abriu os olhos, arregalados. Ela havia realmente se assustado com aqueles sonhos, pareciam mais pesadelos. Muito vividos, por sinal.

Ela era muito criativa e tinha imaginação fértil, mas havia ficado surpresa com aquele último sonho. O casamento, a conversa com a tal Teresa (ela ainda sentia certa dor, dos ferros do espartilho) e então aquela cena horrível de Valentim e o Original.

Parecia tudo tão real.

A irmã mais nova se levantou, sentando-se novamente. A estrada ainda estava limpa, ainda que o inverno se aproximasse, não havia neve. Maya não conseguia ver muita coisa da janela devido a velocidade acelerada e ao fato de que estava escuro já, eles haviam decidido viajar de madrugada, por isso mesmo Valentim dirigia.

Maya sentiu-se um pouco mal novamente, mas dessa vez um calafrio lhe atingiu, era uma sensação fria que escalava por sua espinha paralisando-a momentaneamente.

- Ei, está tudo bem? – James perguntou preocupado, Zoey voltou-se para ela imediatamente, com medo e uma nova crise.

Maya assentiu positivamente entes de responder:

- Acho que sim. – mentiu. – Acho que é só um enjoo pela viagem.

- Podemos parar se você quiser. – sua irmã assegurou.

- Ei, eu estou bem. – Maya tentou reforçar, mas Zoey nem deu-lhe ouvidos

- Nós vamos parar. – pela primeira vez na noite ela se dirigiu ao vampiro no volante. Ele assentiu desacelerando levemente.

- Há um posto de gasolina daqui a alguns metros em uma das saídas. Pararemos lá. – ele respondeu, sem olhar para a bruxa no banco do carona. Seus mãos magras e um tanto ossudas estavam no volante, por alguns segundos ele olhou para Maya no retrovisor. Seus olhos acinzentados tinham aquele brilho impertinente, mas se podia ver esse brilho tremular, como se ele estivesse sentindo dor. O vampiro mais velho deu-lhe um olhar significativo, o primeiro de todos. Maya só conseguiu sentir outro calafrio.

Ela estava começando a acreditar que tudo aquilo não havia sido um sonho.

 

 

Alguns metros depois eles estavam parados em um posto de Gasolina, Valentim aproveitara para completar o tanque, James correra até a loja de conveniência e Zoey se afastar um pouco falando no telefone, provavelmente com Juliet para explicar porque haviam parado. Maya ao menos saíra do carro, apenas abrira a porta do seu lado e colocou as pernas para fora ainda sentada no banco estofado do carro. Ela sentiu o vento gelado e já cortante atingi-la, respirou fundo sentindo o cheiro de terra molhada misturado ao de viciante gasolina. Na estrada carros passavam casualmente, não havia trânsito.

Ela pensava sobre seu não mais considerado sonho quando sentiu alguém se recostar na lataria preta do carro, bem ao seu lado. Ela abriu os olhos encontrando James que lhe estendeu um pacote de jujubas, ele tinha um meio sorriso em seus lábio rosados, mas seus olhos cor de chocolate também lhe sorriam cálidos.

Ela aceitou o saquinho pescando uma jujuba as jujubas amarelas (suas preferidas) e James alargou mais seu sorriso.

- Eu estou feliz que paramos o carro, achei que ele pudesse explodir de tensão. – ele comentou com humor.

- Eu sei, mas não queria nos atrasar.

James estalou a linga no céu da boca.

- Isso não é nada demais, Juliet e Zach podem esperar. – James deu de ombros com indiferença. Zoey ainda estava no celular, falando. Enquanto Valentim mantinha sua pose soturna recostado no capô do carro, alheio a tudo.

- James. – ela chamou e ele olhou-a, mastigava algumas jujubas. – Qual é a de Valentim? Há, sei lá, um mês ele estaria de joelhos ao lado de Zoey.

James pensou por um tempo antes de empurrá-la para dentro do carro.

- Ok, você precisa saber isso. Vampiros, ao que parece, são um tipo geneticamente modificados de pré-adolescentes, ou seja eles vivem tudo com muita intensidade. Você tinha que me ver quando... – ele falava descontraído daquela maneira, até se interromper de repente, levantou os olhos para ela. – Enfim, essa fica para depois. Mas eu dizia que sentimos tudo ao extremo, amamos com muita intensidade, ficamos triste e com raiva com muita intensidade. Eu não seu explicar, é como se pudéssemos sentir mais coisas sob o nosso tato e isso mexe com você, sabe?

Maya balançou a cabeça negativamente, um pouco perdida.

- Valentim tem uns sérios problemas, acho que tem tantos pecados em suas costas que se olhasse para trás seria fuzilado. Mas... o Senhor Stain é um cara legal, só foi muito mimado e isso estragou-o completamente, para falar a verdade. – James continuou, seus olhos estavam longe. Ele não havia percebido mas havia chamado Valentim de senhor, dava para notar que não havia sido uma piada, mas um ato falho. – Ele não cresceu com os devidos limites, tomos muitas decisões erradas como alguém de sua idade, mas não tinha noção de que para tudo há uma consequência. E que as consequências dos seus abusos e erros também pode afetar os outro.

- Uau. – Maya estava sem palavras. Fazia muito sentido observá-lo assim, ainda mais depois de seu sonho.

- Sim, há um erro que o perturba até hoje. Eu acredito que ele esteja se afastando de Zoey por causa disso, esteja com medo de apenas repeti-lo mais uma vez.

- E isso tem a ver com Louis, o original. Eles eram amigos?

James olhou-a mais uma vez, seus olhos se apertaram.

- Sim, muito amigos. Por que a pergunta? – ele sondou com os olhos apertados e o cenho franzido. Maya forçou um sorriso.

- Nada, mas deve ser por isso que Valentim não nos quer perto de Louis e porque eles estavam discutindo no baile. Louis é bonito. – ela deixou escapar.

James arregalou os olhos, chocado.

- Eu nunca tinha pensado sobre Louis desse jeito.

- Bem, você é muito bonito também. – ela sorriu e o vampiro de aproximou.

- Sou? – ele também sorria, se aproximando. Maya assentiu. – Mais bonito do que ele, na sua o opinião?

- Se eu disser que sim você me beija de novo? – ela foi atrevida, estava gostando do que estava rolando entre eles, mesmo que não tivessem a privacidade que ela desejava. Ele escancarou um sorriso aproximando ainda mais, mas seus olhos se desviaram.

- Eu até beijaria, mas sua irmã quer continuar a viagem. – ele encostou os lábios nos dela, quando não podendo senti-los. – Talvez mais tarde.

Eles se afastaram assim que todos estavam no carro mais uma vez, para enfim seguir viagem.


Notas Finais


é isto, espero que tenham gostado, me deem o biscoito de cada dia para me deixar feliz. pra quem quer que leia, beijos de luz :)


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