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História Bloodborn - Legion - Capítulo 33


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Notas do Autor


As decisões e escolhas que cada um toma, são inteiramente e apenas da própria responsabilidade de quem as toma, independente de qual decisão seja, é necessário assumir as consequências que virão, e Leon, está preparado para assumir tais consequências.

Capítulo 33 - Decisão


Fanfic / Fanfiction Bloodborn - Legion - Capítulo 33 - Decisão

NORTREND – COROA DE GELO – PALÁCIO DOS REIS

 

Ele matou cada um deles, não sobrou nenhum para contar história. Os cavaleiros precursores se foram, e você está sozinha, a Legião se foi, você não tem mais para onde voltar, Harald a deixou para trás, e você não tem mais alguém para chamar de pai, você está sozinha, Grão Mestre precursora Asia.

 

Você chegou tarde no campo de batalha, todos eles já estavam mortos, você não pôde salvar ninguém.

 

A jovem grão-mestre acorda, soada e descabelada. Um pesadelo sem fim foi o que teve, por algum motivo acabou por ceder ao sono, e dormiu mesmo ainda sendo de tarde.

 

Asia com mais frequência ouvia as vozes da personalidade adaptativa do caos, a desordem, falando em seu ouvido. Sua cabeça estava cheia de sussurros demoníacos, e quanto mais tentava esquecer do que aconteceu durante a batalha, mais visíveis ficavam todas aquelas cenas que ela queria de todas as formas esquecer. O raio negro caindo do céu, e dizimando os cavaleiros precursores, incinerados, queimados vivos.

 

- Eles foram bons companheiros. – Asia leva ambas as mãos ao rosto, e pressiona contra os olhos, estava com problemas para respirar corretamente, as lágrimas só desciam a todo momento. – Cada um deles, cada um foi importante, éramos como uma família, mesmo que não fosse de sangue, essa família... Essa família era tudo o que eu tinha. – As lágrimas caíam incessantemente, e sem parar Asia soluçava, incontrolável, em sua cabeça cada um deles aparecia, sorrindo ou falando algo que marcou em sua mente. – Graham. Eu ainda lembro até hoje de quando disse que quando a guerra acabasse iria me desafiar e tentar tirar meu título de grão-mestre. – Onde as lágrimas caíam na cama começava a ficar úmido. – Yaze, querido, você não pode mais acabar com a guerra que assola sua terra, perdão, mas eu acho que desde o começo você nunca pôde. – Harald prometeu a Yaze um poder grande o suficiente para acabar com a guerra das terras orientais. – Eldria, você foi uma das poucas que me mostrou o que era a amizade de uma mulher, nos demos bem mesmo que tenhamos tido pouco tempo.

 

A dor, o rancor, a culpa, são sentimentos extremamente dolorosos, difíceis de lidar, difíceis demais para apenas deixar para lá, lutar contra aquilo que não conseguimos vencer ou derrotar, é como lutar em uma guerra que nunca acaba, quanto mais você tenta, mais percebe o fracasso que você é.

 

E por não ter sido forte o suficiente, rápida o suficiente, Asia você não tem mais o que fazer além de deixar que esses sentimentos se apossem de você, apenas aceite o peso dessas mortes e transforme em poder para si própria. Deixe que a desordem e o caos se espalhem, e a escuridão se estabeleça.

 

- Não. – Asia limpa as lágrimas levanta da cama, e olha através da janela, para o horizonte. – Em vez de tentar vingá-los, vou tentar viver por eles, esse é o peso que vou carregar. É melhor viver a vida tentando superar o passado do que viver em prol dele.

 

Mesmo que alguém esteja na beira do abismo, é escolha dessa pessoa segurar na beirada ou cair de uma vez por todas, cedendo as pressões nela colocadas. Ao contrário de Leon, que cedeu à um instinto agressivo e segundo ele protetor, Asia decidiu seguir em frente não por vingança, mas para pagar sua sentença. Cada pessoa escolhe sua motivação, é claro que as vezes não há escolha a não ser seguir o caminho que se tem, mas talvez Asia tenho percebido que não havia apenas um caminho para trilhar, e isso fez dela uma pessoa ainda mais forte.

 

- Preciso enxugar meu rosto. – Asia pega o cobertor e enxuga o rosto molhado das lágrimas. - *A simpatia que eles demonstraram comigo, mesmo sendo inimiga... É algo que não vou encontrar em lugar algum fora daqui, em Nortrend, os nórdicos certamente são pessoas formidáveis e invejáveis*. – A jovem é retirada de seus pensamentos ao ouvir batidas na porta. – Um momento. – Enxugando completamente seu rosto, ela amarra seu cabelo e vai em direção à porta azulada que emanava um frio confortável, ao abrir se depara com Shu.

 

- Vim ver se precisava de algo, a princesa Gwendolyn me pediu para trazer roupas para a senhorita. – Shu entrega algumas roupas nas mãos de Asia. – Espero que encontre alguma que possa lhes servir, vocês devem ter a mesma idade eu creio.

 

- Mesma idade?

 

- Sim.

 

- Obrigada, eu vou procurar alguma roupa que fique bem em mim, eu agradeço pela gentileza.

 

- Mocinha, não precisa se preocupar, nem agradecer, esse é o mínimo que podemos fazer por alguém como você. – Shu dá as costas para Asia já quase descendo as escadas para voltar a sala do trono, mas antes de ir fala. – Sei que deve ser difícil, dias atrás estávamos em guerra, buscávamos um a cabeça do outro, nossos países nem de longe possuem alguma forma amigável de resolver as coisas, você perdeu muitas pessoas queridas e deve estar triste e também com ódio por isso, não tiro seu direito de pensar em vingá-los, mas sabe, nós também perdemos pessoas queridas, mas não podemos nos dar ao luxo de ser como animais, nós acolhemos você, você que perdeu tudo, que foi abandonada por Harald. – As palavras duras de Shu, faziam Asia chorar novamente. – Você não tem mais nada e nem ninguém, mas se conseguir superar tudo o que aconteceu, o que sim é uma tarefa difícil, você poderá viver em comunhão conosco e quem sabe, se quiser chamar esse lugar de lar. Eu não sou nórdico, eu vim do oriente, mas eu posso te afirmar, os nórdicos são acolhedores e um povo que preza pela sua família, você perdeu sua primeira família, mas se quiser fazer daqui uma casa e fazer parte da família, você é mais que bem vinda, perder a batalha não é perder a guerra, mas perder tudo e achar que sua vida não vale mais nada e buscar apenas a vingança é o certo, então você está jogando fora a segunda chance que teve e os outros não. Grão mestre, não, Asia, pode ficar o tempo que precisar, pode ficar, pode ir, mas lembre que sempre terá um lugar aqui conosco, mesmo que nós tenhamos destruído tudo o que você tinha, e o oposto também, ainda assim, terá para onde voltar, você não está sozinha, só não percebeu ainda.

 

CONTINENTE DE HELDHEIM – OS ERMOS

 

A noite havia caído sobre Heldheim, os ermos, pareciam um local obscuro e solitário, desértico como o próprio nome já sugere, os ermos de Heldheim eram uma junção de trilhas e árvores que se direcionavam para uma montanha alta que dividia aquela parte do continente.

 

Foram longas horas de caminhada, e o cansaço e a exaustão muitas vezes falaram mais alto, mas agora eles chegaram onde deveriam no tempo necessário, passando dos ermos poderiam ir até o Rio Whessaut, e atravessar para o Vale da morte de Asavala, eles armaram o acampamento e se juntaram perto da fogueira para conversar e comer.

 

- Acho que dessa vez eu cheguei ao meu limite. – Fala Haruna esparramada no tronco de madeira, exausta.

 

- Todos chegaram no seu limite jovem. – Até mesmo Uldred que era um cavaleiro divino estava acabado.

 

- Bem rapazes, vou dormir, por agora não tem muito o que fazer além de esperar amanhecer e continuarmos nosso caminho. – Haruna se despede de todos e vai para o seu saco de dormir, perto da fogueira.

 

Uldred pegou seu alaúde e começou a tocar uma música calma que combinava com o chacoalhar das folhas e o balançar das árvores, o vento frio da noite batia sobre a clareira que estavam, o clima parecia agradável perfeito para dormir. Leon estava contemplando o céu estrelado e pensando no que iria fazer daqui para frente, havia tanta coisa para fazer e tão pouco tempo para tudo isso. Percebendo que aquele que um dia já foi seu subordinado em batalhas passadas Argneir chega até o tronco que Leon estava.

 

- Que cara de merda é essa?

 

- Estava pensando tem tanta coisa acontecendo em tão pouco tempo, é como se o destino quisesse guerra a todo momento. – Os olhos de Leon brilhavam olhando para as duas grandes luas que iluminavam os céus.

 

- Garoto, a guerra é inevitável, você deve saber disso que enquanto houver formas de poder o homem estará sempre lutando para tê-lo, essa guerra é o fruto do desejo e da cobiça de dois homens. – Argneir encara o céu também. – Não podemos fazer nada além de lutarmos por nossas vidas e pela esperança de um dia melhor.

 

- Argneir. – Naquele momento é como se as árvores parassem de balançar e o vento cessasse, Uldred já não estava mais lá, provavelmente em algum outro lugar sentado, vendo o brilho das estrelas, fez se um silêncio ensurdecedor para os ouvidos, o brilho no olhar de Leon some, e sua expressão era de desespero e dúvida, como se não soubesse o que estava fazendo, como se todo esse tempo, a criança que ele é se escondesse atrás do homem que precisava ser devido os tempos difíceis, Leonhart, estava perdido. – O que eu devo fazer? Quem são nossos inimigos?

 

Naquela noite, Argneir não conseguiu dormir, ele apenas via a todo momento em sua frente o semblante confuso de Leon lhe suplicando por ajuda, já passou, não havia mais nada para falar, Leon deveria trilhar esse caminho sozinho, Argneir sente que deveria ter dito algo mas não conseguiu, já não dava mais para voltar atrás.

 

Antes ainda naquela conversa. Argneir estava receoso e preocupado, logo a copa das árvores volta a chacoalhar e o vento começa a bater e soprar, fazendo um ruído. Leon se ergue, olhando para o horizonte, e diz.

 

- Eu perdi muita coisa até chegar aqui, o que eu devo fazer com todo esse espaço em branco que ficou aqui? – Leon toca no seu peito e olha para Argneir. – Já perdi muita coisa para arriscar aquilo que sobrou, Argneir. Não desistirei de tudo mesmo que eu tenha que abrir mão de mim mesmo.

 

Essa foi a última frase que saiu da boca de Leon naquela noite, e durante toda a incursão rumos as terras desconhecidas de Asavala. Ao amanhecer eles levantaram, o semblante de Leon havia mudado, ele parecia tranquilo, como se a conversa de ontem a noite não tivesse acontecido, como se os problemas que ele tem no momento não fossem nada, ele até sorri quando Haruna brinca com ele, dizendo que o cabelo dele já estava maior que o dela.

 

- Preciso fazer algo quanto esse cabelo. – Ele amarra em um rabo de cavalo simples, e olha para Argneir. – Você lidera.

 

- Sim. – Sem muito o que fazer ou o que falar, Argneir apenas assume a liderança mais uma vez.

 

As horas passavam, os pássaros surgiam junto com o raiar do amanhecer, cantarolando e animando o dia, mas Argneir permaneceu preocupado com Leon aquele tempo todo, com aquele rapaz que parecia se forçar a fazer algo, que parecia se forçar até mesmo a sorrir.

 

Eles vão então para a fronteira, rumo ao rio conhecido como Whessaut que divide naturalmente Heldheim de Asavala. Seria uma caminhada de aproximadamente um dia até chegar lá, mas chegando em Whessaut faltaria bem pouco.

 

NORTREND – COROA DE GELO – PALÁCIO DOS REIS

 

Gwendolyn estava sentada no trono, lendo o livro que Harlet havia deixado com ela, quando Jana surge com um semblante sério, e provavelmente elas iriam discutir como de praxe, mas agora era algo realmente importante.

 

- O que você quer? – Indaga a princesa visivelmente entediada.

 

- Parece entediada.

 

- Sua presença me causa isso.

 

- Então deixe-me lhe falar logo isso, assim não preciso aturar sua cara também.

 

- Faça o favor.

 

- Aqui. – Jana se aproxima de onde Gwendolyn está e abri o feitiço do espelho, era Argneir.

 

- Argneir?

 

- Ele não vai ouvir, foi uma espécie de magia de cópia, ele falou isso ontem pela noite aparentemente, ele apenas quer reportar algo que ao meu ver é trivial.

 

- Então isso não está acontecendo agora, não é?

 

- Não, veja, é noite lá. Isso foi horas atrás.

 

- Garota, o pirralho cometeu um assassinato. – Ao ouvir isso Gwen assusta-se. – Bem, não foi um assassinato em si, ele apenas matou um ladrão de estrada, mas eu não acho que esteja certo, matar alguém que se rendeu e pediu para não morrer, ele sequer se arrependeu, e também não mostra qualquer remorso por tal ação, Leon está mudando, ele parece não ter qualquer apreço pela vida, ele está diferente.

 

O feitiço se desfaz, e Jana fala:

 

- Isso lhe diz algo? Eu não acho que seja válido chamar de assassinato, matar um ladrão que mataria sem hesitar.

 

- Também não acho, mas o caso aqui é que ele se rendeu e clamou pela vida, Leon não era assim.

 

- Ao meu ver, Leonhart, apenas amadureceu e viu que o mundo não é um bom lugar para se viver.

 

- Esse é o problema, Leon nunca viu o mundo como um lugar assim.

 

- As pessoas mudam com as perdas, traumas e com a própria guerra.

 

- Leon. – Gwendolyn olha através do vidro da janela da sala do trono. – Onde quer que esteja, fique bem. – Gwen olha para o pequeno espelho que catalisava o feitiço nas mãos de Jana. – Você pode conjurar esse feitiço de novo?

 

- Sim, só preciso de mais algum tempo para conjurar novamente.

 

- Preciso entregar uma mensagem para Leon.


Notas Finais


Até breve.


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