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História Bloodline - Capítulo 15


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Notas do Autor


Olá, queridos! Espero que estejam bem. Estava com saudades de postar, fico feliz por finalmente trazer mais um capítulo para vocês que eu particularmente gostei muito... se passa no mesmo domingo do capítulo anterior (e também na segunda-feira), porém com foco nos Dragneel e também na Mira, pela primeira vez.

Me digam depois se gostaram também. Boa leitura. ❤️

Capítulo 15 - Amor e cuidado.


Se havia alguém que valia qualquer sacrifício para Levy, essa pessoa era Natsu. Amava o primo como um irmão. Crescera ao seu lado, acompanhando os altos e baixos de sua vida, e exatamente por conhecê-lo tão intimamente, possuía todos os motivos válidos para se preocupar com a saúde mental do rapaz.

Certamente estava muito melhor do que no ápice de sua profunda depressão de três anos atrás, motivada pelo incidente que o impossibilitou de continuar a praticar basquete, mas Natsu estava em uma situação potencialmente perigosa. No ano anterior, se demitira do trabalho e agora sua matrícula no curso de Direito estava trancada.

Com tanto tempo livre, não seria difícil voltar a dar ouvidos aos piores pensamentos e isso a deixava apreensiva. Esperava que ele estivesse dizendo a verdade quando falava que queria apenas “dar um tempo”, e não desistir de tudo. Não suportava pensar na possibilidade de que ele fizesse algo contra si mesmo outra vez. Não podia perdê-lo, de jeito nenhum.

Era por isso que faria o que pudesse para ajudar o primo a se sentir um pouco melhor, mesmo que isso significasse não ver Gajeel naquele dia, nem pelos próximos dois finais de semana graças às restrições estúpidas de seu pai. O sucesso no esporte de seus antigos companheiros inevitavelmente o abalava. Tão promissor, era doloroso saber que poderia ter conquistado muitas coisas. Era impossível não se sentir injustiçado enquanto todos falavam até mesmo sobre Luke, um dos jogadores mais fracos no início do ensino médio, e como ele era o orgulho do time com o qual jogava no exterior. Se sentia péssima pelo primo.

Vestindo um conjunto esportivo, Levy dirigia até a Mansão para buscar Natsu. Iam à academia que pertencia a dois bons amigos que concordaram em abri-la especialmente naquele dia para que se exercitassem juntos. Não contou nada ao rapaz, embora ele provavelmente soubesse quando ela lhe pediu para vestir roupas confortáveis e prometeu que suariam muito. Queria que fosse uma “surpresa”, e estava feliz porque no fim Natsu tinha concordado. Não que tivesse lhe dado escolha. Faria bem a ele rever Zeref, um amigo mais velho de quem gostava e respeitava o suficiente para considerar seus conselhos. Levy também ficaria feliz ao reencontrar Mavis e colocar a conversa em dia enquanto se divertiam. Todos só tinham a ganhar.

Na Mansão, Olivia observava o filho encher a garrafa d’água na cozinha, contente por vê-lo arrumado e disposto a sair para algo que não fosse uma festa à noite. Ele a olhou de volta, erguendo as sobrancelhas. Sempre que a mãe o encarava daquela maneira embasbacada, já sabia o que ela diria a seguir, com aquele tom admirado:

— Você é tão bonito, meu filho. 

— Hum. — respondeu simplesmente, enroscando a tampa da garrafa. — Obrigado.

A mulher se aproximou dele, tocando seu rosto. Queria lhe dizer muitas coisas, mas se limitou a sorrir enquanto o acariciava. Natsu percebia as emoções daqueles olhos de um verde frio, porém cheios de afeto e preocupação. Olivia o abraçou e o rapaz prontamente retribuiu o carinho.

— Tudo bem, mãe? — perguntou.

Ela fechou os olhos, se acalmando com o som das batidas de seu coração, sintonizando seus próprios. Natsu era uma parte de si, a melhor de todas. Nenhuma palavra podia descrever adequadamente o amor que sentia desde a primeira vez em que o segurou nos braços, vinte anos atrás. Mesmo agora, ele ainda era seu precioso bebê de quem não desejava se separar jamais. Toda vez que precisava “soltá-lo” era como se seu coração rachasse um pouco mais, prestes a quebrar em um milhão de pedaços. Detestava pensar que um dia ele se desprenderia dela, de uma maneira ou de outra.

— Sim, querido. — Olivia ouviu o celular dele vibrar sobre a mesa. — Será que a Levy chegou?

 — É ela mesmo. — constatou Natsu, apanhando o aparelho. Atendeu a ligação segurando a mão da mãe. — Oi, tô indo.

Olivia o acompanhou porta afora, aproveitando para cumprimentar a sobrinha com beijos no rosto e sorrisos, grata por tudo o que fazia pelo rapaz. Desejou que se divertissem e depois que o Porsche amarelo chamativo não estava mais à vista, fez o caminho pelo jardim de volta à casa. Era um lindo dia, para quem fosse capaz de apreciá-lo.

Lenta e silenciosamente, abriu a porta do escritório do marido sem receber resposta após bater, constatando que ele não estava ali. O encontrou no quarto, sobre a cama, tão atento à tela do leitor eletrônico que sequer lhe olhou quando adentrou o cômodo. Frágil, a mulher se sentou na beirada da cama e comprimiu os lábios, tentando conter o choro; insuficiente, baixou a cabeça e começou a chorar.

Igneel percebia como ela estava instável nas últimas semanas, com pesadelos e crises de choro frequentes. Tomava medicamentos controlados, mas infelizmente isso não impedia suas fases ruins, algo com o que ele particularmente detestava lidar. Não era como se tivesse escolha, de qualquer maneira. Olivia era sua mulher.

— Tenho medo. — ela apertou sua mão, trêmula.

Igneel a envolveu com os braços, com a mão sobre sua cabeça.

— Está tudo bem. — disse ele.

— Não... — sussurrou Olivia, fechando os olhos com força. Se segurou nele como se ele estivesse prestes a desaparecer. — Eu tenho muito medo. Não me deixe.

— Eu não vou a lugar algum, querida. — o homem a assegurou, gentilmente. — Não se preocupe.

Olivia ofegava, à beira de uma crise nervosa. Falava com ansiedade, incapaz de conectar duas frases. Em um momento, estava falando de suas aflições em relação a Natsu e de repente mudava o assunto para Igneel, as mesmas reclamações que ele já estava cansado de ouvir: solidão, desconfiança, acusações de que não se importava com o filho o suficiente.

— Eu não poderia estar mais infeliz com a situação dele. — Igneel se defendeu, desconsiderando os sentimentalismos típicos da esposa. Tudo o que pensava era na vergonha de ser pai de um adulto que, atualmente, não contribuía com a sociedade. — Nunca concordei com isso, Olivia. Mas você me pediu...

 — Ele pediu um tempo. — choramingou ela, arrependida. — Deus, eu sou uma completa idiota. Tudo o que eu faço é errado.

 — Isso não é verdade. Você notou algo diferente? Ele disse algo? — perguntou o Dragneel. Acariciou seu rosto e a viu negar com a cabeça. — Confie em Natsu. Ele lhe deu sua palavra.

Olivia se lembrou de quando segurou a mão do amado filho quando ele estava em uma cama de hospital, consciente após o ato de desespero que quase tirou sua vida, tão preciosa. Não o perdera por muito pouco, e apesar da promessa feita mais de uma vez de que nunca mais faria algo como aquilo, havia dias em que se perdia em pensamentos atordoantes, intoxicada pelo temor que a dilacerava por dentro. Era tão cruel que pudesse se apegar somente a palavras, juramentos que no fundo não eram garantia de coisa alguma.

— Quero acreditar nele. — disse, por fim, encontrando refúgio em seu abraço.

As lágrimas cessavam aos poucos, enquanto Olivia cedia à sensação aconchegante do contato com o corpo do marido, caloroso e forte como uma rocha, inabalável. Igneel era o único capaz de lhe proporcionar tanta segurança. Como poderia viver sem ele? Era impossível.

— Me perdoe, amor.

Ele a beijou em resposta, pressionando o corpo delicado contra o seu, lhe arrancando um suspiro que assoprou sua pele, arrepiando-o.

— Sempre. — respondeu antes de retomar a carícia mais intensamente, desejoso. Assim como você sempre me perdoou, disse em seus pensamentos.

A sentia quente, o que o estimulava a provocá-la com beijos e leves mordidas no pescoço e na orelha, que sabia que ela adorava. Roçando em seu membro rijo, Olivia competia com ele para removerem a roupa um do outro em meio aos murmúrios de prazer que expressavam a tensão crescente pela vontade de se tornarem um; não somente um desejo, mas uma necessidade.

Igneel se colocou sobre ela, acariciando a parte interna de suas coxas bem torneadas, a mão deslizando com facilidade pela pele hidratada; ia e voltava, a provocando sem encostar em sua intimidade, mordendo o lábio com a bela expressão de impaciência, as bochechas normalmente pálidas agora em um tom avermelhado.

Sedenta, Olivia cravou as unhas em suas costas e o arranhou, rebatida com um chupão dolorosamente prazeroso na lateral do pescoço que a fez arquear as costas; os gemidos altos ecoaram pelo cômodo quando se esfregou nele, estimulando os mamilos e seu sexo cujo interior se dilatava e lubrificava para acomodá-lo. Ele a adentrou, envolto por seu calor e umidade; a mulher choramingou, o prazer mal cabendo em si ao ser preenchida pelo membro bem-dotado.

Quando Igneel começou a se movimentar, massageando o ponto interno, a deixando ainda mais molhada, ela não conseguia pensar em mais nada. Seu homem era esplêndido, o melhor de todos, a libertando de todas as preocupações. Era maravilhoso.

— Você está me apertando tanto, Olivia. — ele falava ao pé de seu ouvido, a penetrando mais rigorosamente. Suas paredes estremeceram. — Caralho.

Olivia puxou os cabelos róseos com força para fazê-lo sentir dor, emitindo sons eróticos e animalescos, fora de controle. Movia os quadris em uma tentativa desesperada de fundir o corpo ao dele; suavam com o esforço físico intenso, quase sem ar, ofegando enquanto murmuravam obscenidades.

— Tão fundo, porra... — gemeu ela, já rouca. Era um crime que fosse tão bonita, Igneel pensou enquanto a admirava se contorcer dramaticamente. — Eu vou morrer... ah... eu vou morrer...

Ele sorriu de canto, doído. Precisava gozar. Felizmente, Olivia logo chegou ao limite; intensa, se contraindo completamente, a anunciar a força de seu orgasmo com aquela bela voz que o levava à loucura. Respirou aliviado após os segundos em branco, buscando seus lábios; o casal se beijou docemente e ela pediu que fechasse as cortinas. Ambos concordavam que era o momento perfeito para um cochilo.

De volta à cama, Igneel se deitou de frente para ela e estremeceu quando ela tocou suas costas repletas de arranhões.

— Hum... me desculpe. — disse Olivia, sujando o dedo com uma pequena quantidade de sangue. Não tinha notado quanta força aplicara... era maior do que parecia enquanto faziam amor. — Deve estar doendo.

— Não é nada demais.

— Eu já volto. — seus joelhos quase falharam quando se levantou, mas conseguiu alcançar o robe pendurado no cabide. Vestida, foi atrás do kit de primeiros socorros que ficava guardado no andar de baixo.

Quando retornou, pediu que ele ficasse de barriga para baixo e ligou a luminária, visualizando o estrago feito. Se lamentou, exageradamente sensibilizada com feridas superficiais.

Ela soava realmente emotiva e Igneel queria rir, mas se manteve impassível, sentindo seu carinho ao aplicar o antisséptico e anestésico, secando um ferimento para então colocar um curativo como se fosse a coisa mais necessária do mundo. Sua mulher era, de fato, incrível. Estava muitíssimo bem cuidado.

— Muito obrigado, enfermeira. — ele finalmente deixou um pequeno riso escapar, inevitavelmente a imaginando em uma fantasia bastante sexy que adoraria que se tornasse realidade. Em breve, provavelmente faria algumas compras importantes em uma loja adulta. — Tens mãos de fada.

— Pare com isso. — disse Olivia, sorrindo, reconhecendo aquele tom discreto. Não a surpreendia nem um pouco que pensasse bobagens em um momento que deveria ser apenas doce. Maldito. — Não fale.

— Repouso, certo?

 — Absoluto. — ela deixou o kit sobre a mesa ao lado da cama e deslizou para perto dele no colchão; deitados de lado, o homem a abraçou por trás, as mãos grandes aquecendo seu baixo ventre. Olivia suspirou, contente. — Boa noite.

Os dois logo caíram em um sono tranquilo, deliciosamente anestesiados. Apesar de todos os seus problemas, naquele momento eram apenas um casal amável a cochilar em uma tarde de domingo, com os corações batendo no mesmo ritmo sossegado.

Mesmo no domingo, um dia de folga, Mirajane não parava para descansar. Depois de uma limpeza geral na cozinha apertada da casa onde vivia com sua família, a albina preparou um pequeno lanche para a irmã mais nova; seu chá gelado preferido, um pedaço do bolo feito pela avó naquela manhã e uma maçã vermelha.

Pôs tudo sobre a bandeja de plástico cor-de-rosa e subiu as escadas após passar pela sala em que os avós assistiam à televisão com as pernas estiradas, segurando a mão um do outro. Era o casal mais adorável que conhecia e sonhava com o dia em que teria um momento como aquele em sua vida, mas parecia apenas uma ideia distante conforme os anos se passavam.

Com vinte e oito anos de idade, via tantos ex-colegas de escola se casando e tendo filhos, sem fazer ideia de quando chegaria seu momento de sorte de encontrar um bom homem para si, uma agulha em palheiro. Talvez ela mesma fosse o problema, intensa e impulsiva. Começava com grande paixão, mas depois que a chama se apagava, não era capaz de oferecer algo como uma verdadeira entrega emocional no amor. Era uma questão delicada.

O andar de cima possuía, além de um banheiro, dois quartos: um para os avós e outro que pertencia a seu irmão Elfman. O cômodo onde dormia com Lisanna era menor, porém perfeitamente aconchegante. Mirajane bateu na porta antes de adentrá-lo, colocando a bandeja sobre a mesinha que a irmã utilizava para fazer as lições de casa e estudar. Dedicada como era, estudava até mesmo em um domingo ensolarado ao invés de se divertir com os amigos na rua. Não gostava disso, mas não estava com vontade de discutir com ela.

— Obrigada, Mira. — disse Lisanna, bebericando o chá. Seria idêntica à irmã caso deixasse os cabelos crescerem, mantendo-os curtos por conta própria.

Mira espiou a apostila que ela estava lendo, sem se surpreender ao constatar que era da matéria de Biologia.

— Será que teremos a primeira bióloga da família? — perguntou a mais velha, lhe fazendo um carinho na cabeça. — Ah, me enganei, uma veterinária!

— Uma médica.

— É mesmo? — Mirajane arqueou uma sobrancelha, surpresa. Quando foi que ela tinha mudado de planos? — Pensei que você quisesse ser veterinária.

Lisanna suspirou.

— É... melhor assim. Um veterinário é bem pago, mas um médico é muito mais.

— Ah. — Mira comprimiu os lábios, nostálgica ao relembrá-la brincando de veterinária com os cães quando era menor. Sempre tinha sido o seu desejo, um sonho que a fazia feliz. — Bem, você ainda tem muito tempo para pensar nisso, mas deve fazer o que realmente quer.

A mais nova fingiu concordar, mas não acreditava que tivesse escolha. Não queria medir esforços para ser útil para a família no futuro e um salário de médica ajudaria muito a pagarem as contas e guardar o dinheiro que sobrasse. Desistir de um sonho não seria um sacrifício tão grande desde que seus avós e seus irmãos sorrissem.

— Vou deixá-la agora. Estude bem.

— Não vai descansar um pouco? — perguntou Lisanna. — Acho que deveria...

Mira piscou.

— Mais tarde. — disse, fechando a porta.

Foi até o quarto de Elfman e endireitou os lençóis, procurando por alguma outra coisa que estivesse fora do lugar. Ele se esforçava para arrumar a cama e manter o cômodo minimamente organizado, mas se atrapalhava, uma das sequelas da overdose que sofrera há um tempo.

Era um milagre que estivesse vivo e sem consequências graves, apenas pequenas limitações que não o impediam de continuar a vida. Lutando para permanecer afastado das drogas, trabalhava e tinha uma namorada, com quem estava naquele momento. Ela lhe fazia bem e era ótimo vê-lo feliz e motivado a melhorar constantemente.

A albina sorriu de canto, direcionando os pensamentos aos falecidos pais que perdera em um trágico acidente; era um hábito que a ajudava a sentir que estavam por perto, embora não pudesse enxergá-los. Esperava que estivessem orgulhosos de seus irmãos e pedia que lhe perdoassem por não ser a irmã mais velha perfeita como desejavam, embora se esforçasse tanto.

— Que saudade de vocês... — murmurou, passando a mão pelo porta-retrato da foto em família quando Lisanna ainda era uma criança pequena. — Mãe, pai.

Quando a noite chegou, Natsu estava sonolento, porém de bom humor como não sentia há tempos. Suas pernas doíam de tanto chutar e a garganta estava desgastada por seus gritos graças a Zeref, que propositalmente o aborreceu ao máximo para que ele liberasse a pilha de depressão e ressentimento que acumulava dentro de si. Se exaltou tanto que acabou derrubando o amigo, que apenas sorriu, satisfeito.

Para Zeref, um pouco de dor não significava nada desde que fizesse um amigo como Natsu se sentir melhor. Ainda tinha muita consideração por ele e o sentimento era mútuo, embora estivessem um pouco afastados devido aos estilos de vida distintos. A diferença de idade era pequena, mas o Dragneel alternava entre a maratona de festas e jogos online, enquanto Zeref tinha se tornado o adulto ideal, plenamente inserido na sociedade: casado, interessado em seu negócio próprio e novos investimentos, arriscando um futebol no final de semana com sua turma de amigos “adultos” ou uma noite tranquila em um bar pouco movimentado.

Talvez devesse se espelhar nele para finalmente viver decentemente como todos esperavam que fizesse, mas não queria pensar no assunto naquele momento. Por que se aborreceria justo agora, se sentindo tão bem e pronto para uma partida do videogame de tiro com Gray e outros jogadores? Apenas uma, e então dormiria como uma pedra.

— Natsu, sabe a Lucy? — disse Gray, após alguns minutos de jogo. — A amiga da Erza. Ela estava no meu aniversário.

— O que tem?

— Vi ela hoje no Jardim. — comentou o amigo, bufando ao lembrar do quão bonita ela estava. Era frustrante que não fosse ele a acompanhá-la, e principalmente, a falta de oportunidade de conversarem adequadamente em pessoa. — Com Sting.

Sem nada a dizer, apenas sinalizou que estava ouvindo e esperou que ele continuasse.

— Fiquei curioso para saber de onde eles se conhecem. É estranho.

— Vai saber, cara. — Natsu rapidamente desviou o assunto, atento ao barulho de passos de um adversário. — Tá vindo aí.

Enquanto esperavam para abater o inimigo, o rapaz pensava em como seria o momento de Gray descobrir que Lucy não era quem ele imaginava. Por que diabos Erza, que era amiga dos dois, não lhe dizia de uma vez? Talvez a própria Lucy não quisesse, mas isso era apenas adiar o inevitável; de qualquer modo, não podia julgá-la por se sentir desconfortável.

Desde criança, via pessoas maltratando outras simplesmente por sua condição social. Não fazia ideia do que era sofrer por isso. Ao menos, Lucy não precisava se preocupar em relação a Gray. Ele certamente ficaria surpreso, mas jamais a desprezaria e o conhecendo tão bem, podia imaginá-lo ainda mais motivado para se tornar seu “amigo” após vê-la de uniforme.

Na tarde do dia seguinte, a situação se concretizou em circunstâncias que nenhuma das partes envolvidas teria imaginado. Lucy saiu da Mansão carregando dois sacos de lixo reciclado, um pouco pesados, mas podia levá-los sozinha sem problemas. Trocou olhares tímidos com Sting ao atravessar o jardim, sorridente, desejando que pudessem se sentar e conversar como no dia anterior.

A loira caminhou portão afora em direção à lixeira que ficava na rua, notando a presença de um homem cambaleante que se parecia com um andarilho. Nunca tinha visto alguém como ele pela vizinhança antes e esperava que estivesse apenas de passagem. Prendendo a respiração, se moveu na velocidade da luz para abrir o cadeado do lixo antes que o desconhecido chegasse mais perto, mas para seu desespero, a chave emperrou.

Um carro parou em frente a Mansão. Era Gray que decidiu visitar Natsu, o avisando do fato apenas quando já estava lá, aguardando a abertura do portão. Com a janela aberta, olhou para o lado e não pensou duas vezes antes de sair do automóvel para ajudar uma garota que parecia estar com problemas, sozinha, abordada por um andarilho. Ela usava uma roupa de empregada como a de Mira, mas não era a albina. O homem a segurou com força, a derrubando assim que ela gritou; Gray correu em sua direção e percebeu que ele não portava qualquer tipo de arma, o imobilizando com facilidade. Parecia completamente alterado.

— Que porra, cara? — rosnou Gray com a veia da testa saltada. Ataques a mulheres o tiravam completamente do sério, mas seu tom mudou quando percebeu que conhecia aquela pessoa. Merda. — Vai embora daqui. Rápido.

O rapaz ouviu a voz de outro enquanto expulsava o agressor, o irmão mais velho de um ex-aluno de seu colégio, próximo de Natsu, mas os dois se afastaram após o agravamento dos problemas com drogas de Marcus.

Transtornado, Fullbuster ouviu a garota chorar e se deparou com Sting a amparando. Com a respiração descompassada, ele se aproximou, em choque ao enxergar o rosto dela claramente.

— Está tudo bem, Lucy. — disse o loiro, a erguendo devagar. Ficou vermelho de raiva ao ver o andarilho indo embora, pronto para mandá-lo para um hospital, mas não podia deixar Lucy. Por que é que aquele playboyzinho não fazia algo?

— Lucy. — Gray piscou, sentindo a cabeça ferver enquanto tentava processar os fatos, absolutamente confuso. Nada parecia fazer sentido.

Quando seus olhares se encontraram, a loira abaixou a cabeça, desejando desaparecer da face da Terra com todas as forças. Chorou mais silenciosamente, sem saber o que sentir primeiro; apenas se permitiu ser conduzida com a mente em branco.

Dentro da Mansão, as vozes de todos se misturavam em um zumbido que a aborrecia profundamente. Lhe faziam perguntas e diziam coisas uns para os outros em tom hostil. Sua cabeça doía. Por que simplesmente não paravam de falar?

— Parem com isso! — a loira fugiu e se trancou no banheiro, lavando os ferimentos nos braços enquanto chorava. Céus, tinha realmente elevado a voz...

Aborrecido com todo aquele escândalo, Natsu ordenou que Mira e Sting voltassem ao trabalho e disse a Gray que o esperasse no andar de cima, ríspido. Não suportava mais nenhum deles. Seu humor estava péssimo. Enquanto Mira e Sting tentavam falar com Lucy, que sequer parecia ouvi-los, Gray tinha dito que Marcus era o responsável por machucar a garota. Que diabos aquele maluco queria, se não se falavam há mais de um ano? Finalmente retribuir um dos socos que recebera? Honestamente, não dava a mínima, apenas precisava mantê-lo longe de sua casa. Com calma, em outro momento, resolveria aquilo em definitivo.

Se lembrando do estado dos joelhos de Lucy, o Dragneel apanhou o kit de primeiros socorros e a encontrou saindo do banheiro com os olhos inchados. Ela tinha parado de chorar, mas ainda tremia.

Obrigada. — disse em um sussurro, quase derrubando a pequena maleta ao tentar pegá-la, tamanho era seu nervosismo. — Eu... eu sinto muito.

Natsu a fez esperar em uma cadeira enquanto lavava as mãos. Quando retornou, a loira corou ao vê-lo se ajoelhar, prendendo a respiração quando ele aplicou o antisséptico. Seu coração estava absurdamente acelerado, a fazendo se sentir estranha.

— Senhor. — balbuciou, apoiando as mãos sobre o colo. — Eu posso fazer isso depois.

— Não seria bom demorar. — disse o rapaz, sem desviar o olhar do que estava fazendo. Como era cuidadoso... com suas mãos grandes... e bonitas?

Seu tom e sua expressão estavam nitidamente mais suaves do que de costume, evidenciando as perfeitas proporções do rosto que podia ver de perto. Meu Deus, ele era lindo. Já sabia disso, então por que estava se agitando tanto como se fosse algo importante? Seu toque a estava deixando sensível.

 Mira apareceu com um copo d’água para ela, surpresa com a dedicação de Natsu a um simples curativo, com Lucy. Será que estava perdendo alguma coisa, ou ele estava apenas a ajudando por ajudar?

— Nos desculpe pela bagunça, Lucy. — disse a albina, se sentindo parcialmente culpada por estressá-la. — Eu fiquei nervosa também. Ouvi você gritar.

— Escutem, caso minha mãe pergunte, alguém estava andando de bicicleta e derrubou a Lucy. Aquele pirralho que às vezes passa por aqui, isso vai servir. — ele se levantou, garantindo que a mãe não se preocuparia à toa ao chegar em casa depois de uma sessão relaxante com a esteticista. Olivia estava radiante e não permitiria que isso fosse arruinado por causa de um imbecil como o ex-amigo.

As duas assentiram e Natsu subiu para o quarto, se preparando para lidar com a indignação de Gray. “Por que você não me contou, cara?”, já podia o ouvir dizer.

Lucy se sentia grata por Mira não a pressionar a contar detalhes sobre o ocorrido, principalmente porque achava que não deveria revelar a ela que o andarilho conhecia Natsu de alguma maneira, em seu entendimento. Não articulava uma única frase, mas ela o ouviu dizer seu nome claramente. Temia pela segurança do rapaz e de todos na Mansão, portanto falar com ele a sós quando houvesse oportunidade parecia pertinente.

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Lucy estava passando o espanador nos delicados itens de decoração do corredor quando Gray saiu do quarto com dois copos de plástico na mão. Seus olhares se encontraram e ela não conseguiu retribuir o sorriso.

— Oi, Lucy. — ele falava mais baixo do que o habitual, um costume quando os pais de Natsu estavam em casa. Detestaria perturbá-los de alguma maneira, embora já tivessem garantido por diversas vezes que jamais fora um incômodo.

— Como posso ajudá-lo? — a loira respondeu com a expressão impassível, porém tensionando os ombros.

— Ah, eu gostaria de saber se você está se sentindo melhor.

Ela assentiu com a cabeça. Gray a olhava de maneira atenciosa enquanto lhe dirigia a palavra, tão agradável quanto nas outras duas vezes em que se encontraram, o que diminuía seu desconforto aos poucos. Nada parecia ter mudado.

— Sou grata pelo o que fez por mim, sr. Gray. — Lucy corou ao se dar conta da própria falta, fazendo uma reverência. Antes que Sting chegasse para ajudá-la, ele a tinha protegido. — Por favor, me perdoe por não o agradecer antes.

O rapaz sentiu as bochechas queimarem.

— Fico feliz que você esteja bem. — respondeu ele. — Vamos conversar mais em breve, Lucy. Não quero atrapalhá-la no trabalho. Nos vemos por aí... certo?

— Certo. — a loira lhe mostrou seu sorriso mais alegre, realmente contente. Gray era uma pessoa boa de verdade, com potencial para se tornar um amigo. — Senhor.

Ele queria dizer que não havia necessidade do tratamento formal, mas dentro daquele contexto, Lucy estava correta. Esperava que pudessem se aproximar e falar um com o outro normalmente quando ela não estivesse de uniforme, o que de certa forma era uma pena, se pudesse ser honesto; ela ficava adorável vestida de criada. Era quase desconcertante olhá-la. Cobiçava a sorte de Natsu, que a via durante toda a semana.

Por fim, desceu para buscar mais refrigerante e a loira prosseguiu com o serviço, murmurando uma canção, o que não acontecia todos os dias. Normalmente, era bastante silenciosa, mas estava muito feliz com aquele desfecho e ansiava por dias mais pacíficos dali em diante.


Notas Finais


💕 O que acharam? Podem me contar, viu? Beijinhos! Nos vemos de novo em breve. 💕


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