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História BloodLycan - A Saga dos irmãos Mool - Parte 1 - Capítulo 1


Escrita por: amandascopel

Notas do Autor


INFORMAÇÕES

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares, eventos e incidentes são os produtos da imaginação da autora ou usados de forma fictícia. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, ou eventos reais é pura coincidência.

Início em: 2º semestre de 2009.
Concluído em: 2º semestre de 2016.

ATENÇÃO
O processo de revisão continua em andamento em todo o Livro.
Este livro contém conteúdos maduros e adultos.

Desejo uma boa leitura! :)


Copyright | Amanda Scopel.
Todos os direitos reservados.

Capítulo 1 - Os Mool's


Fanfic / Fanfiction BloodLycan - A Saga dos irmãos Mool - Parte 1 - Capítulo 1 - Os Mool's



Já amanhecia em Lakehaven — Alaska, quando Barbara entrou sorrateiramente no quarto dos filhos e escancarou as cortinas. Estava determinada a não deixá-los faltar hoje.
— Hey queridos, acordem!
— Que horas é mãe? — perguntou John tampando o rosto, devido ao aparecimento da luz da manhã.
— 06h, querido. — respondeu enquanto pegava algumas roupas espalhadas pelo chão. — E nem pensem em querer faltar! Já não foram na semana passada por causa da reunião dos professores. — foi até a cama do outro filho e sacudiu levemente o pé dele para que acordasse. — Allec, acorda! Vocês vão se atrasar.
— Hum? — Allec resmungou.
— Vamos, levanta. Você também John. — enquanto caminhava em direção à porta para se retirar disse: — O café já está pronto, não me façam voltar aqui hein.
— Tá bem... — resmungou os irmãos.
Barbara se retirou após vê-los se levantando com desânimo, mas presumiu que em questão de minutos estariam bem despertos.
Barbara Aniery Mool, como de costume sempre disposta toda manhã a preparar o pequeno almoço do marido, que saía às 05h30min para o trabalho e também preparava o café de seus filhos. John era o mais velho com 16 anos e Allec com 7. Ambos possuíam olhos que lembravam um lago calmo, espelhando um denso céu azul de verão, semelhantes aos da mãe, porém seus cabelos eram bem lisos e negros como a cor da escuridão, no qual herdaram do pai. Mas o que seus pais tinham transmitido em comum a seus filhos, era um tipo de sangue especial. A linhagem da licantropia, que significava ser descendente dos lobos, que num passado distante adquiriram a capacidade de falar a língua dos humanos e também a se transformar em um deles. Com o passar do tempo, os que herdavam os genes passaram a nascer como humanos, mas mesmo assim se sentiam mais “confortáveis” em suas formas de lobisomens. Este tipo sanguíneo também proporcionava uma capacidade de cura mais acelerada do que o normal. 
Os Mool’s quando transformados, possuíam metade das características dos humanos e lobos, como um focinho e cauda, com o corpo coberto de pelos e de alta estatura*. Os dois irmãos eram cientes disso, mas nunca haviam se transformado. Seus pais diziam que cada um teria um tempo certo, não havendo uma idade exata para a transformação.
Às 06h20min todos estavam sentados à mesa tomando café. Após o término, os garotos subiram para o quarto novamente para pegarem o material. Barbara embrulhava os lanches deles para o intervalo quando retornaram, prontos para ir.
— Aqui. São seus lanches preferidos com patê de carne e maionese. — deu um beijo na testa de cada um e os acompanhou até a porta.
— Obrigado mãe. — John respondeu com um sorriso e se retirou.
— Obrigado mamãe, até mais tarde. — Allec disse indo em direção ao irmão.
— Até meus amores. — ela os observou se distanciarem e sumirem entre as árvores da floresta que os cercavam.
Escola de Lakehaven — Ensino Médio e Fundamental, 07h50min.
— Hoje a gente andou rápido, né maninho? — disse Allec com um sorriso.
— Concordo. — retribuiu o sorriso. — Vamos tentar bater esse recorde na volta, porque amanhã é sábado, uhuuu! — fizera um gesto triunfante com os braços.
— É! — disse imitando o gesto do irmão com entusiasmo.
Os dois percorriam uma longa caminhada até a escola de segunda a sexta, mas eles não se importavam, pois possuíam um metabolismo mais acelerado do que o normal e consumiam muita energia através de uma boa alimentação para se manterem saudáveis.
12h29min. John encontrava-se sentado na última carteira, com seu olhar fixo no relógio, localizado no centro da sala e acima da lousa. O dia escolar estava monótono e tedioso, como era de se esperar de toda sexta-feira, no qual os alunos não viam a hora do término da última aula. 
O sinal tocou e todos se levantaram ansiosos para irem embora.
“Até que enfim!”, pensou John se levantando e soltando um suspiro de alívio. Ele foi até seu armário para guardar seus livros, mas no ato foi pego desprevenido por alguns “valentões”, que esbarraram propositalmente, fazendo-o derrubar os livros no chão. John abaixou para pegar os livros, mas ao fazê-lo sentiu uma queimação por todo seu corpo, como um formigamento, causado pela raiva que sentia naquele momento. Achou estranho, mas se segurou, fingindo que nada acontecia e apenas lançou um olhar ameaçador para o garoto que o importunava. Por um momento sentiu Jack acuado pelo seu olhar, mas que logo retomou a compostura de babaca e com um sorriso estampado no rosto, continuou seu caminho chutando os livros dizendo:
— Saía da minha frente seu perdedor! 
— Seu esquisito. — disse outro garoto do grupo com um sorriso zombeteiro ao passar por ele.
John abaixou a cabeça se sentindo envergonhado e começou a juntar seus livros. Seu pai havia aconselhado para ele e Allec a não se meterem em confusão, pois naturalmente possuíam muito mais força física do que aparentavam e caso perdessem o controle, alguém poderia sair gravemente ferido. Lembrando-se disso, John se conteve e voltou a pensar no formigamento que teve há pouco.
Todos que passavam ao redor riam dele, mas isso não importava, pois seus pensamentos estavam distantes. 
Allec caminhava pelo corredor naquele instante, quando avistou seu irmão catando os próprios livros e correu para ajudá-lo.
— Maninho o que aconteceu?
— Nada, eu apenas tropecei, não se preocupe.
Após pegarem todos os livros do chão e guardarem no armário, puseram-se a caminhar para fora da escola, e lá foram alvejados por alguns alunos sentados na mureta, que cochichavam:
— Olha só, se não é a maior dupla de caipiras de toda a terra! — e o grupo começara a rir maliciosamente.
— É não sei o que estão fazendo aqui, era para estarem carpindo junto de seus pais! — afirmou outro garoto do grupo e todos foram contagiados pelo riso novamente. 
Os dois costumavam ser zombados pela maioria dos alunos que, digamos “não se interessavam em estudar” e iam para a escola apenas para matarem seus preciosos tempos com os colegas, matando aula, fazendo vandalismos, entre outras coisas, e isso tudo apenas porque moravam longe da cidade, em uma humilde e aconchegante casa. Os dois eram extremamente tímidos. John cursava o 2º ano e mal falava na sala de aula a não ser que seu professor lhe questionasse sobre algo. Allec estava na 2ª série do fundamental e era mais solto entre os dois na interação com os humanos. Até havia feito amizade com alguns colegas de classe.
Allec triste e constrangido foi encarar o grupo que zombavam deles, mas antes que fixasse seu olhar, John o interrompeu colocando sua mão em seu ombro e sussurrou:
— Ignore-os Allec. Eles são os perdedores aqui. — disse mantendo seu olhar firme no seu caminho para casa. Allec apenas acenou com a cabeça e ignorou o grupo de adolescentes.

 


19h40min. Residência dos Mool’s.
Charles Mool encontrava-se do lado de fora cortando lenha e já havia perdido a noção do tempo. Seus compridos cabelos negros grudavam em sua testa de pele levemente morena. Enquanto coçava sua rala barbicha, que lhe dava certo charme, analisou se a quantidade de lenha cortada era suficiente para aquela madrugada, mas teve seu pensamento interrompido ao escutar o grito de sua mulher vindo da janela da cozinha.
— Amor, o jantar já está pronto!
— Já estou indo querida!
Após a resposta de seu marido, Barbara levou a panela com os grandes pedaços de carnes até a mesa de jantar, localizada no centro da cozinha e pediu a seu filho, que assistia televisão na sala.
— John, por favor, vá chamar o seu irmão.
— Tá bem mãe. — respondeu enquanto levantava do sofá e desligava a televisão. Subiu até seu quarto e entrou lentamente. 
— Allec? — perguntou hesitante, devido ao quarto escuro e não houve resposta. — A mãe preparou um jantar especial hoje... — olhou em baixo de uma das camas e perguntou. — Será que está aqui? Ou...
— Ahhhhhhhh! — gritou Allec pulando do armário em cima do irmão.
— Achei! — respondeu John se virando no mesmo momento e o pegando no colo, mas ambos caíram no chão rindo.
— Você está ficando bom maninho! — afirmou Allec.
— Um dia eu te supero! — respondeu John bagunçando o cabelo de seu irmão. — Venha, vamos lavar as mãos e descer.
— Estou sentindo um cheiro muito bom! 
— É a culinária da mãe e o pai pegou um filhote de alce hoje. 
— Ebaaaa, faz tempo que não comemos carne de alce! — disse passando na frente de John em direção ao banheiro igual uma flecha, pois a notícia o deixara animado. 
— Verdade! Tivemos sorte de a manada migrar para cá outra vez! — John respondeu. 
Os Mool’s eram os únicos lycans que habitavam Lakehaven na época, mas eram pacíficos e agiam normalmente entre os humanos. Os lycans não atacavam humanos, exceto se fosse em legítima defesa. Em suas leis era extremamente proibido provar o sangue humano, pois a reação que surtia naqueles que desobedecessem, era um vício incomum como se fosse uma droga, tornando-os cada vez mais dependentes da carne humana. Além de tal ato podendo comprometer o segredo de sua espécie e a segurança de muitas famílias, porque viviam escondidos para não atraírem a atenção de caçadores. A punição para aqueles que cometessem tal traição era a morte. Também não tinham o hábito de se alimentarem de animais domésticos, exceto se a caça estivesse escassa e fosse extremamente necessário. Já a carne de alces era algo que um lobo jamais poderia deixar de comer, sendo estas suas favoritas, por isso a tal motivação de Allec.
Ambos desceram e caminharam até a mesa de jantar, seu pai arrumava a lenha ao lado da lareira e sua mãe finalizava de colocar a comida na mesa.
— Meninos lavaram as mãos?
— Sim mãe! — afirmou John sentando-se em seu devido lugar.
— Uhum! — respondeu Allec.
Todos se sentaram à mesa.
— Como foi no trabalho hoje amor? — perguntou Barbara servindo a todos.
— Foi ótimo e tive uma bela notícia! — afirmou Charles muito contente. — Novidade garotos, na semana que vem a empresa não irá funcionar, por causa de uma revisão que farão em todos os equipamentos, então... — Charles deu uma pausa antes de terminar a frase e sorriu para os olhares ansiosos dos filhos. — Poderei ensiná-los a caçar! — Charles olhou pra Barbara, que o encarava com um olhar de preocupação e lançou um olhar de “não se preocupe querida” e continuou: — Nós quatro! Poderemos derrubar um dos grandões!
— Que legal papai! — afirmou Allec animado.
— É, vai ser bom mudar a rotina um pouco... — John deu um breve sorriso e abaixou o olhar. — Eu não aguento mais fingir que somos iguais a eles.
— Não fale assim querido, eles aceitaram fazer um acordo conosco e em troca nos deixam em paz. — disse Barbara se referindo aos humanos que sabiam de suas verdadeiras naturezas e viviam naquela região. Havia uma família de caçadores em Lakehaven, que eram pacíficos assim como eles.
Veio à tona as lembranças dos valentões e dos outros garotos que adoravam incomodá-lo, mesmo ele ficando sempre na dele. Sentiu um momento de raiva e disse em um tom alto: — Vocês confiam demais neles! Se eu conseguisse me transformar eu acabaria com todos!
— Abaixe este tom mocinho! Você sabe que não é bem assim que funciona...
— Sua mãe tem razão John, não podemos sair por aí nos transformando próximos deles, pois você não estaria colocando apenas tu em perigo, mas sim toda a nossa espécie! — afirmou Charles com um tom autoritário e sério fazendo John abaixar a cabeça novamente. — A maior parte deles é ignorante, me prometa que nunca se transformará ou contará o que podemos fazer a eles. Prometa-me!
— Está bem pai... — respondeu emburrado desviando dos olhares dos pais, percebera que seu irmão o olhava assustado. Pensando no quanto seria perigoso para Allec, jamais se perdoaria se algo lhe acontecesse, cessando assim sua raiva. — Me desculpe, eu prometo!
— Tudo bem filho... — Charles disse num tom de alívio, seguido de um suspiro e lançou um olhar para a esposa, que pensou praticamente a mesma coisa que ele: “Esta idade é complicada. Hormônios”.
— Eu quero o maior pedaço! — disse Allec quebrando o silêncio entre os três.
— Nada disso! Eu trabalhei demais hoje e preciso repor as energias, além de que estou em fase de crescimento, então preciso do maior! — Charles afirmou ironicamente sorrindo e indo em direção à carne com o garfo.
— Vai sonhando pai, eu sou mais rápido! — afirmou John também direcionando o garfo ao maior pedaço.
— Aiii! — disse os três quase ao mesmo tempo de susto, devido ao barulho que Barbara fizera ao cravar o facão com tudo na carne, que também balançara todos os objetos na mesa.
— Sem injustiças aqui! Eu divido! — disse olhando para os três com cara séria, mas por dentro estava dando risada.
— Ok. — disseram os três em derrota se entreolhando com vontade de rir.
— Aprendam uma coisa garotos... Elas mandam! Nunca as deixem irritadas, senão se torna uma luta para fazerem sex... Aiii! — levou um chute por debaixo da mesa de Barbara, que falou baixinho: 
— Na mesa não Charles...
John soltou um riso de canto, pois sabia do que estavam falando.
— Fazerem o que pai? — perguntou Allec.
— Er... Fazerem... Semelhante prato delicioso como este! — afirmou rindo e coçando a cabeça.
— Verdade mamãe?
— É querido... Precisamos estar inspiradas para tal ato... — disse enquanto cortava a carne e colocava nos pratos, na vez de seu marido o encarou e lançou um olhar provocante. Charles lambeu os beiços e cravou os dentes de leve, retribuindo o mesmo olhar para Barbara, sem que seus filhos percebessem.
— Bem, vamos comer! — Charles afirmou animado.
— Mas antes, eu também tenho uma novidade pra vocês... — Barbara fitou os olhares curiosos de sua família e continuou: — Em breve vocês dois terão mais alguém pra brincar...  — disse encarando os dois filhos e em seguida o marido: — E você amor, vai ser papai de novo.
Houve um momento de silêncio e os três pareciam estar em estado de choque, até que Allec quebrou o silêncio.
— Vamos ter um novo irmãozinho?
— Ou irmãzinha! — completou ela. De repente foi surpreendida por Charles, que correu até ela em um abraço, chegando a levantá-la do chão, enquanto dizia sorrindo:
— Que notícia maravilhosa!
Os irmãos se entreolharam animados e se juntaram ao abraço familiar.
— Podemos ajudar com o nome? — perguntou John gargalhando, enquanto seu pai também o levantava do chão ao abraçá-los. Os pais concordaram e todos sorriram.

 


00h45min. 
Todos da casa já dormiam, exceto John, que permanecia envolvido em seus pensamentos e meio impaciente, por querer mais que tudo se transformar e provar a si mesmo o quanto era superior aos humanos. Ainda deitado em sua cama, começou a farejar o ar, apenas como um treinamento, porque tanto para ele quanto para Allec, por serem muito jovens as habilidades de licantropos não funcionavam 100%.
Ainda de olhos fechados deixou sua mente vazia. Começou a inspirar e expirar lentamente o ar para ter certeza do que farejava. Era a primeira vez que fazia isto com total concentração, para que sentisse o cheiro de tudo ao seu redor. O primeiro odor que sentira fora o de seu irmão e logo em seguida sentiu o cheiro de seus pais, não deixou passar nada, até de coisas distantes como a brisa fresca do riacho que ficava próximo a sua casa. Outro aroma familiar invadiu suas narinas, mas não conseguia se lembrar de onde havia sentido tal odor. Focou neste cheiro e finalmente veio em sua consciência o que era, suor humano. Abriu os olhos assustado, pois estava próximo ao território de sua família. Levantou-se e caminhou até a janela, que se encontrava no final do corredor e próxima da escada. Abriu a janela e voltou a farejar. Ao longe dali, mesmo com as enormes árvores centenárias e densos arbustos presentes ao redor de sua casa, que obstruíam levemente sua visão, conseguiu avistar várias luzes que pareciam vaga-lumes, porém de uma tonalidade alaranjada. Por estar sonolento não tinha certeza do que via, mas logo sua mãe surgiu ao seu lado, sem que ele percebesse.
Barbara tinha sono leve e seu faro era considerado um dos melhores. — Também os farejou querido? — perguntou surpresa e orgulhosa, por seu filho estar desenvolvendo uma das habilidades que era rara de se ver antes da primeira transformação.
— Sim, parece que estão vindo pra cá mãe...
Ela cerrou os olhos por um momento e começou a farejar.
— Mãe?
— Droga... Estão mesmo vindo pra cá querido... E não são da região, devem ser caçadores!
John olhou assustado e hesitou em perguntar com medo da resposta. — Caçadores? Tem certeza mãe?
— Não posso confirmar, mas temos que nos precavermos, porque farejei muita prata junto deles.
— São Evis, não é? - perguntou e sentira um arrepio pelo corpo.
Desde há milhares de anos os lycans enfrentavam um determinado grupo de humanos, que descobriram suas fraquezas, façanhas que os ajudavam a identificar um lycan em meio à sociedade e como a exterminá-los. Estes tais humanos eram engenhosos e inventaram centenas de armas e balas especiais, capazes de acabar com uma alcateia inteira em questões de minutos. Mas estes humanos agiam de maneira cautelosa e sempre a espreita, se comportando semelhante aos lycans entre as pessoas normais, de modo a esconder o segredo de família, que era passada de geração para geração. Os únicos que tinham consciência da existência dos lycans eram somente os próprios Evis, que era como os caçadores eram chamados por suas vítimas. 
— Não sei querido, mas acorde seu irmão! — disse Barbara indo em direção ao quarto dela.
— Está bem! — John se apressou até seu quarto. — Allec... Allec, acorda! — disse o cutucando de leve.
— Maninho?
— Sim, agora acorda Allec, estão vindo algumas pessoas prá cá!
— Hum? — resmungou esfregando os olhos.
— Eu os farejei!
— Sério? — Allec despertou na hora. — Que legal maninho... Sua transformação deve ocorrer em breve! Papai sempre fala dessas mudanças antes da primeira transformação.
— Uhum. — John sorrira triunfante, pois era o que ele mais desejava.
De repente viram Charles passar apressado pelo corredor até as escadas, vestindo um casaco no caminho. 
Barbara parou na porta do quarto tentando demonstrar tranquilidade, para não assustá-los e afirmou: — Queridos, papai e eu vamos resolver um problema com os humanos, então, por favor, não saiam deste quarto até voltarmos, está bem? — os irmãos assentiram.
— Está bem! Mantenham as luzes apagadas. — e se retirou apressada ao escutar as batidas na porta.
Como todo adolescente meio teimoso, John foi até a pequena janela, que ficava no corredor e ficou observando os estranhos lá fora conversando entre si.
— Maninho... A mamãe mandou a gente ficar no quarto! — afirmou Allec receoso, mas a curiosidade foi mais alta e seguiu seu irmão até a janela.
— Abaixa! — afirmou John escondido bem no canto e tentando ouvir alguma coisa, mas em vão.
Charles aguardava por sua mulher perto da porta de entrada ainda fechada e com as luzes do ambiente apagadas. Quando ela se aproximou, ele lançou-lhe um olhar de preocupação e Barbara assentiu com uma expressão de “tenha cuidado”. Com o casal bem próximo da porta, a segunda batida na madeira os surpreendera. Charles sentiu sua esposa segurar sua mão esquerda, enquanto sua outra mão girava a maçaneta. Abriu lentamente a porta e observou a todos com um olhar desgostoso e caminhou alguns metros para o lado de fora da casa, junto de Barbara.
— O que vos trazem em nossas terras? — perguntou Charles para um grupo de oito homens, com quatro cachorros vira-latas enormes, aparentando estarem em busca de algum lugar para acampar e caçar algum animal no dia seguinte. Deviam estar andando há horas, pois eles emanavam um fedor horrível. O que aparentava ser o “líder” estava próximo, apenas a três metros de distância do casal, os outros permaneciam logo atrás e dois entre as árvores segurando os cachorros, que rosnavam para Charles e Barbara.
— Ouvimos boatos de que nas fazendas desta região, vários animais estão sendo mortos. — disse o líder de porte físico forte, com cabelos e olhos castanhos, que vestia roupas escuras iguais aos demais do grupo.
— Mas isto ocorre toda hora, há vários ursos e lobos na floresta! — afirmou Barbara.
— Tem razão, mas as fotos dos vestígios das carcaças demonstraram terem sido causadas por um animal bem maior e mais forte que um urso.
— E o que poderia ser? — perguntou Charles receoso segurando a mão da mulher e atento a cada movimento dos homens. A mão de sua mulher suava frio, fingiu não notar para não alarmá-los de que ambos estavam nervosos. Era óbvio que não vieram fazer o que aparentavam, pois quem iria procurar um local para acampar no meio da madrugada?
— É o que estamos tentando descobrir... — disse o homem com um olhar malicioso.
— Tudo bem, se a gente vir alguma coisa nós avisaremos! — afirmou Charles.
— Ok, obrigado pela sua atenção! — disse o homem enquanto se retirava. O casal sentiu-se aliviado, mas ao abaixarem a guarda focados no líder que se afastava, um  homem ao lado direito do grupo, os surpreendera  ao avançar abrindo uma garrafa prateada e lançara um líquido na direção de Barbara, que era extrato de prata. Charles num movimento veloz, a puxou para junto de si.
— O que pensou que estava fazendo? — gritou Charles entrando na frente de Barbara, que deu alguns passos para perto da porta, ainda segurando sua mão.
— Seus reflexos não são humanos, foi o que pensei... Vocês são Lobisomens! — gritou o líder. — Peguem eles!
— Barbara entre agora! — gritou desesperado soltando a mão de sua mulher.
Ao ver os homens avançando com armas brancas de prata, se transformara rapidamente em um lobo enorme de pelagem negra e marrom barro, com os olhos amarelados para impedi-los de entrarem. Charles deu um salto para trás ao primeiro ataque e soltou um rosnado de fúria. Faria qualquer coisa para proteger sua família. Olhou para todos ali presentes e ao escutar Barbara arrastar o sofá até a porta para reforçar a entrada, partiu para o ataque. Lançou o primeiro homem atacante a mais de dez metros, um segundo veio com um facão, mas Charles arrancou o braço deste. Um dos homens que segurava os cães soltou os dois maiores, que avançaram raivosamente nas pernas de Charles, enquanto ele dilacerava outro homem. Soltou um uivo de dor e abocanhou um dos cães no pescoço com suas presas e o lançou na direção das árvores, no outro utilizou suas garras para repeli-lo e saltou pra trás, ficando a alguns metros de todos os que restavam. Ao ver o líder bem próximo da porta, correu o mais rápido que pôde, porém ele não demonstrou sinal de agressividade ou defesa e de repente, Charles soltou um ganido e parou o ataque a apenas alguns centímetros ao sentir uma dor cruciante em seu peito. Uma flecha de prata o atravessara. Olhou na direção das árvores para os homens dos cães e lá estava o atirador, se preparando para lançar uma segunda flecha, utilizando uma besta. O corpo de Charles estremeceu e pensou: “Amor, crianças...”, tentou dar um passo, mas suas forças haviam sido arrancadas de seu corpo ao ser atingido pela segunda flecha e caiu morto. 
John e Allec observavam tudo que acontecia do lado de fora pela janela e ficaram em estado de choque quando viram seu pai cair. Charles havia matado cinco dos homens e dois cães. Lágrimas começaram a escorrer em suas faces, que nem perceberam sua mãe chegando.
— Allec, John, venham por aqui queridos... — disse desesperada, levando-os até o quarto dela. 
Allec começou a chorar, John também ainda não acreditando, sentiu muita raiva de si mesmo sem poder fazer nada para ajudar. 
Barbara subiu em sua cama para alcançar uma pequena alavanca, que abria uma passagem no teto, ao pressioná-la para baixo, uma escada  dobrável surgiu com quatro degraus firmes. Se virou para seus filhos e abraçou Allec, o pegando no colo e subindo os degraus da escada do sótão junto dele, enquanto dizia:
— Allec, não chore, vai ficar tudo bem.
— Mamãeeee...
— Não chore querido, vai ficar tudo bem! — afirmou enquanto limpava as lágrimas de Allec. Barbara olhou para o filho que a aguardava e lhe estendera a mão dizendo: 
— Venha, suba John! — ela o ajudou também.
— Mãe o papai está... — a dor da perda o atingia tão forte, que não conseguiu terminar a frase.
— Eu sei querido, por favor, eu peço para que vocês sejam fortes. — Barbara pressionou uma outra alavanca, para que o compartimento das escadas do sótão se dobrassem novamente, fechando assim a passagem do qual vieram. Ela caminhou alguns metros até a pequena janela empoeirada, sendo acompanhada por seus filhotes e fez um sinal de silêncio para os dois, abriu lentamente para não fazer barulho.
Os três olharam para a passagem do sótão fechada, após escutarem as batidas dos homens na porta de entrada da casa, tentando arrombá-la.
— Venham rápido! Temos que sair daqui agora! — afirmou Barbara os ajudando a passar pela janela para um pequeno telhado do lado de trás da casa.
Barbara se transformou em uma loba de pelagem dourada, com alguns tons em preto e branco e se agachou para que seus filhos subissem em suas costas.
— Segurem firme! — afirmou ela, que começara a se levantar com Allec e John segurando em sua pelagem do pescoço, que era bem comprida. Sentiu que estavam firmes, saltou do telhado e começou a correr para a mata com todas as forças, sem olhar para trás. “Adeus meu amor...”, pensou enquanto as lágrimas eram lançadas ao vento.
Já a alguns quilômetros de distância, ela reduziu a velocidade. Correu mais algumas centenas de metros e começou a procurar por um abrigo farejando o ar. Eles encontraram uma árvore antiga, com uma fenda grande no meio e em um lugar alto. Ela subiu nos galhos e se posicionou para que os dois descessem e se escondessem ali. Era um lugar perfeito para um esconderijo, porém apertado demais para os três. Allec e John se espremiam um no outro para deixarem um espaço para sua mãe, mas só caberia outra criança da idade de Allec. Percebendo a situação, estava decidida a proteger sua prole. Ainda nos galhos, deu uma lambida no rosto de cada um e depois levou sua cabeça entre os dois, a esfregando neles como se os abraçasse.
John logo percebeu a intenção dela ao fazer aquilo e suplicou chorando:
— Não mãe, por favor, não nos deixe aqui...
— Eu preciso meu amor... Preciso despistá-los, eles não viram vocês, mas não irão parar até me encontrar.
— Mamãe, não mamãe, não vá... — disse Allec.
— Eu voltarei para buscá-los, eu prometo! — afirmou levando suas patas grandes e peludas ao rosto de John e o encarou. — Por favor, prometa que irá sempre tomar conta de seu irmão... E que vocês estarão sempre unidos! — abraçou ambos agora.  
— Prometo mãe. — John a abraçou com força.
— Mamãeeee... — chorou Allec.
— Eu amo vocês. — ela os lambeu e se libertou dos abraços, se preparando para saltar dos galhos, os olhou por alguns segundos e disparou para outra direção.
— Eu quero descer John! — afirmou tentando sair do esconderijo.
— Temos que ficar aqui Allec. — o puxou de volta.
— Não, eu não quero... Vamos com a mamãe! — afirmou tentando se soltar dos braços do irmão.
— A mamãe mandou, temos que ficar aqui!
A discussão dos dois cessou-se quando começaram a ouvir latidos de cães, bem longe dali. Allec agarrou a camisa de John e o abraçou com medo. John começou a farejar o ar para fazer uma cobertura do local, já não chorava mais, porque seus pais o deixaram com uma grande responsabilidade, a de sobreviver e cuidar de seu irmão mais novo.
Barbara corria em direção a sua casa por outro percurso e encontrou os caçadores a alguns quilômetros de onde deixara seus filhos. Saltou de trás de uma árvore com os pelos eriçados e rosnando, mostrando suas presas para os caçadores. Ficaram por um momento apenas se encarando. Seu objetivo era atraí-los para ainda mais longe de seus filhotes e dividi-los para atacar, pois em grupo eles tinham vantagem. Rosnou mais alto e saiu em disparada para o outro lado. Os homens soltaram os cachorros, que a perseguiam e a empurravam para o outro lado. De repente sentiu suas pernas ficarem suspensas no ar e uma corda puxá-la para cima, logo veio uma rede, que havia sido banhada com essência de wolfsbane, uma planta extremamente tóxica aos lycans, com a capacidade de minar suas habilidades e dependendo da dosagem até ser fatal. Ao passar dos anos, os Evis desenvolveram diversas armas adaptadas para o uso de wolfsbane, podendo a essência da planta ser utilizada tanto em seu estado líquido ou gasoso.
“Droga! É uma armadilha!”, pensou e tentou desesperadamente se soltar. Começou a procurar alguma maneira de se libertar, mas já era tarde e estava cercada.
— Ora, ora o que temos aqui! — afirmou um homem se aproximando da rede suspensa com uma adaga de prata. Levantou sua mão com intenção de tocá-la, mas quase a perdeu com a dentada que Barbara lhe dirigiu, errando por muito pouco. — Vejo que esta é arisca!
— Por que tanto ódio minha querida? — disse outro homem num tom de zombaria.
— Ela está com filhotes, nós encontramos um quarto de crianças e isto. — comentou uma mulher do grupo ao tirar uma camiseta de sua bolsa, que pertencia a Allec e continuou: — É de sua natureza como toda mãe, ser mais raivosa e protetora!
“Essa não... Como fui me esquecer que talvez notariam os objetos dos meninos?”, pensou se sentindo frustada ao olhar para a camiseta e continuou: “Preciso sair daqui agora!”, ainda lutava para se soltar da armadilha, mas foi pega de surpresa quando a corda foi solta e a fez cair com tudo no chão. Soltou um ruído de dor quando os cães começaram a mordê-la por todo o corpo. Tentou revidar, mas a rede a impedia, porque os homens puxavam-na de cada lado para mantê-la no chão, dando vantagem aos cães.
— Já chega! — gritou o líder e os cães se afastaram ao ouvirem o comando. Haviam feito um grande estrago nela, sangrava por toda parte de seu corpo, ainda viva, mas ofegava e demonstrava cansaço. Aproximou-se dela e perguntou: — Agora, me diga, aonde escondeu seus vira-latinhas? 
Ela rosnou ameaçadoramente para ele em resposta.
— Se me contar agora, te deixo viver! — lançou um sorriso.
— Nun... Nunca te direi! — resmungou baixo.
— Sua idiota! — deu um chute no focinho dela, que gemeu de dor. — Que assim seja, não preciso de você para encontrá-los. — fez um sinal para a mulher, que segurava a camiseta de Allec e chamou os cães.
— Por... Por que está... Fazendo isto? Nós... Nunca atacamos um humano... — disse fracamente.
— Não é nada pessoal, são apenas negócios. — fez um sinal com a cabeça para um homem, que estava sobre ela agora com uma estaca de prata.
Barbara sentiu o homem pisar em seu ombro, se preparando para cravar a estaca e aquela sensação angustiante a fez cair em lágrimas, enquanto as imagens de seus filhos e marido invadiam sua mente, pensou: “Me perdoem meus amores, não conseguirei cumprir a promessa.”, de repente tudo ficou escuro. 
Allec e John agora estavam por conta própria, sozinhos no mundo sem ideia do que seus destinos lhe preparavam.


Notas Finais


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