História BloodLycan - A Saga dos irmãos Mool - Parte 1 - Capítulo 1


Escrita por:

Visualizações 115
Palavras 4.684
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


INFORMAÇÕES

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares, eventos e incidentes são os produtos da imaginação da autora ou usados de forma fictícia. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, ou eventos reais é pura coincidência.

Início em: 2º semestre de 2009.
Concluído em: 2º semestre de 2016.

ATENÇÃO
O processo de revisão continua em andamento em todo o Livro.
Este livro contém conteúdos maduros e adultos.

Desejo uma boa leitura! :)


Copyright | Amanda Scopel.
Todos os direitos reservados.

Capítulo 1 - Os Mool's


Fanfic / Fanfiction BloodLycan - A Saga dos irmãos Mool - Parte 1 - Capítulo 1 - Os Mool's


Já amanhecia em Lakehaven — Alaska, quando Barbara terminava de preparar o café. Foi em direção as escadas que se destinava ao corredor dos quartos. Entrou sorrateiramente e escancarou as cortinas do quarto dos filhos. Estava determinada a não deixá-los faltar hoje.
— Hey queridos, acordem!
— Que horas é mãe? — perguntou John tampando o rosto devido ao aparecimento da luz da manhã.
— 06h, querido. — respondeu enquanto pegava algumas roupas espalhadas pelo chão. — E nem pensem em querer faltar! Já não foram na semana passada por causa da reunião dos professores. — Foi até a cama do outro filho e sacudiu levemente o pé dele para que acordasse. — Allec, acorda! Vocês vão se atrasar.
— Hum? — Allec resmungou.
— Vamos, levanta. Você também John. — enquanto caminhava em direção à porta para se retirar disse. — O café já está pronto, não me façam voltar aqui hein.
— Tá bem... — resmungou os irmãos.
Ambos levantaram com um pouco de desânimo devido ao sono, mas em questão de minutos já estavam bem despertos.
Os olhos de Barbara Aniery Mool lembravam um lago calmo, espelhando um denso céu azul de verão, com cabelos encaracolados castanho claro, quase dourados. Como de costume sempre disposta toda manhã a preparar o pequeno almoço do marido, que saía às 05h30min para o trabalho e também preparava o café de seus filhos. John era o mais velho com 16 anos e Allec com 7. Ambos possuíam olhos azuis semelhantes aos da mãe, porém seus cabelos eram bem lisos e negros como a cor da escuridão, no qual herdaram do pai. Mas o que seus pais haviam transmitido em comum a seus filhos era um tipo de sangue especial. A linhagem da licantropia, que significava ser descendente dos lobos, que num passado distante adquiriram a capacidade de falar a língua dos humanos e também a se transformar em um deles. Com o passar do tempo, os que herdavam os genes passaram a nascer como humanos, mas mesmo assim se sentiam mais “confortáveis” em suas formas de lobo. Os dois eram cientes disso, mas nunca haviam se transformado. Seus pais diziam que cada um teria um tempo certo, não havendo uma idade exata para a transformação.
Às 06h20min todos estavam sentados à mesa tomando café. Após o término, os garotos subiram para o quarto novamente para pegarem o material. Barbara embrulhava os lanches deles para o intervalo quando retornaram, prontos para ir.
— Aqui. São seus lanches preferidos. — deu um beijo na testa de cada um.
— Obrigado mãe. — John respondeu com um sorriso e se retirou.
— Obrigado mamãe, até mais tarde. — Allec disse indo em direção ao irmão.
— Até meus amores. — ela aguardou na porta até que eles se distanciassem de sua visão e sumissem entre as árvores.
Escola de Lakehaven — Ensino Médio e Fundamental, 07h50min.
— Hoje a gente andou rápido, né maninho? — disse Allec com um sorriso.
— Concordo. — retribuiu o sorriso. — Vamos tentar bater esse recorde na volta, porque amanhã é sábado uhuuu! — fizera um gesto triunfante com os braços.
— É haha. — disse imitando o gesto do irmão.
Os dois percorriam uma longa caminhada até a escola de segunda a sexta, mas eles não se importavam, pois seus metabolismos eram bem mais rápido do que o normal, que exigia que queimassem bastante caloria para se manterem saudáveis. 
Já na sala de aula, John encontrava-se sentado na última carteira, com seu olhar fixo no relógio, localizado no centro da sala acima da lousa. O dia escolar estava monótono e tedioso, como era de se esperar de toda sexta-feira, no qual os alunos não viam a hora do término da última aula. 
O sinal tocou e todos se levantaram ansiosos para irem embora.
“Até que enfim!” — pensou John se levantando e soltando um suspiro de alívio. Ele foi até seu armário para guardar seus livros, mas no ato foi pego desprevenido por alguns “valentões”, que esbarraram propositalmente fazendo-o derrubar os livros no chão. John abaixou para pegar os livros, mas ao fazê-lo sentiu uma queimação por todo seu corpo, como um formigamento, causado pela raiva que sentia naquele momento. Achou estranho, mas se segurou, fingindo que nada acontecia e apenas lançou um olhar ameaçador para o garoto que o importunava.
O garoto o encarou de volta com um sorriso, mas algo no olhar de John o fez sentir um calafrio na espinha. Ele ignorou este sentimento e continuou seu caminho dando um chute nos livros dizendo. — Saía da minha frente seu perdedor! 
— Seu esquisito. — disse outro garoto do grupo com um sorriso zombeteiro ao passar por ele.
John abaixou a cabeça se sentindo envergonhado e começou a juntar seus livros. Seu pai havia aconselhado para ele e Allec a não se meterem em confusão, pois naturalmente possuíam muito mais força física do que aparentavam e caso perdessem o controle, alguém poderia sair gravemente ferido. Lembrando-se disso, John se conteve e voltou a pensar no formigamento que teve há pouco.
Todos que passavam ao redor riam dele, mas isso não importava, pois seus pensamentos estavam distantes. Allec ao avistar seu irmão, correu para ajudá-lo.
— Maninho o que aconteceu?
— Nada, eu apenas tropecei, não se preocupe.
Do lado de fora da escola, alguns alunos sentados em uma mureta comentavam entre si quando viram os irmãos passando.
— Olha só, se não é a maior dupla de caipiras de toda a terra! — e o grupo começara a rir maliciosamente.
— É não sei o que estão fazendo aqui, era para estarem carpindo junto de seus pais... Hahaha. — diz outro garoto do grupo e todos foram contagiados pelo riso novamente. 
Os dois costumavam ser zombados pela maioria dos alunos que, digamos “não se interessavam em estudar” e iam para a escola apenas para matarem seus preciosos tempos com os colegas, matando aula, fazendo vandalismos, entre outras coisas, e isso tudo apenas porque moravam na floresta bem longe da civilização, em uma humilde e aconchegante casa. Os dois eram extremamente tímidos. John cursava o 2º ano e mal falava na sala de aula a não ser que seu professor lhe questionasse sobre algo. Allec estava na 2ª série do fundamental e era mais solto entre os dois na interação com os humanos. Até havia feito amizade com alguns colegas de classe.
Allec triste e constrangido foi encarar o grupo que zombavam deles, mas antes que fixasse seu olhar, John o interrompeu colocando sua mão em seu ombro e sussurrou.
— Ignore-os Allec. Eles são os perdedores aqui. — disse mantendo seu olhar firme no seu caminho para casa. Allec apenas acenou com a cabeça e ignorou o grupo de adolescentes.









19h40min.
Charles Mool encontrava-se do lado de fora pegando lenha, pois durante a madrugada a temperatura caía drasticamente, chegando a quase -2Cº. Charles era um homem alto de porte forte e pele levemente morena. Seu cabelo era negro, como os de John e Allec, porém bem comprido, encostando-se a seus ombros largos. Seus olhos eram castanhos e era dono de uma barbicha bem rala, que lhe dava certo charme.
— Amor, o jantar já está pronto! — gritou Barbara de dentro da casa.
— Já estou indo querida!
— John, por favor, vá chamar o seu irmão. — pediu Barbara terminando de arrumar os talheres na mesa.
— Tá bem mãe. — respondeu enquanto levantava do sofá e desligava a televisão. Subiu até seu quarto e entrou lentamente. 
— Allec? — perguntou hesitante, devido ao quarto escuro e não houve resposta. — A mãe preparou um jantar especial hoje... — olhou em baixo de uma das camas e perguntou. — Será que está aqui? Ou...
— Ahhhhhhhh! — gritou Allec pulando do armário em cima do irmão.
— Achei! Hahahah. — respondeu John se virando no mesmo momento e o pegando no colo, mas ambos caíram no chão rindo.
— Você está ficando bom maninho! — afirmou Allec.
— Hehe, um dia eu ti supero! — respondeu John bagunçando o cabelo dele. — Venha, vamos lavar as mãos e descer.
— Estou sentindo um cheiro muito bom! 
— É a culinária da mãe e o pai pegou um filhote de alce hoje. 
— Ebaaaa, faz tempo que não comemos carne de alce! — disse passando na frente de John em direção ao banheiro igual uma flecha, pois a notícia o deixara animado. 
— Verdade! Tivemos sorte de a manada migrar para cá outra vez! — John respondeu. 
Os lycans não atacavam humanos exceto se fossem em legítima defesa. Em suas leis era extremamente proibido provar o sangue humano, pois a reação que surtia naqueles que desobedecessem, era um vício incomum como se fosse uma droga, tornando-os cada vez mais dependentes da carne humana. Além de tal ato podendo comprometer o segredo de sua espécie e a segurança de muitas famílias, porque viviam escondidos para não atraírem a atenção de caçadores. A punição para aqueles que cometessem tal traição era a morte. Já a carne de Alces era algo que um lobo jamais poderia deixar de comer, sendo estas suas favoritas, por isso a tal motivação de Allec.
Ambos desceram até a sala de jantar, seu pai arrumava a lenha ao lado da lareira e sua mãe finalizava de colocar a comida na mesa.
— Meninos lavaram as mãos?
— Sim mãe! — afirmou John sentando-se em seu devido lugar.
— Uhum! — respondeu Allec.
Todos se sentaram à mesa.
— Como foi no trabalho hoje amor? — perguntou Barbara servindo a todos.
— Foi ótimo e tive uma bela notícia! — afirmou Charles muito contente. — Novidade garotos, na semana que vem a empresa não irá funcionar, por causa de uma revisão que farão em todos os equipamentos, então... — Charles deu uma pausa antes de terminar a frase e sorriu para os olhares ansiosos dos filhos. — Poderei ensiná-los a caçar! — Charles olhou pra Barbara em seguida que o encarava com um olhar de preocupação e lançou um olhar de “não se preocupe querida” e continuou. — Nós quatro! Poderemos derrubar um dos grandões!
— Que legal papai! — afirmou Allec animado.
— É, vai ser bom mudar a rotina um pouco — John deu um breve sorriso e abaixou o olhar. — Eu não aguento mais fingir que somos iguais a eles...
— Não fale assim querido, eles aceitaram fazer um acordo conosco e em troca nos deixam em paz. — disse Barbara se referindo aos humanos que sabiam de suas verdadeiras naturezas e viviam naquela região. Havia uma família de caçadores em Lakehaven, que eram pacíficos assim como eles.
Veio à tona as lembranças dos valentões e dos outros garotos que adoravam incomodá-lo, mesmo ele ficando sempre na dele. Sentiu um momento de raiva e disse em um tom alto — Vocês confiam demais neles! Se eu conseguisse me transformar eu acabaria com todos!
— Abaixe este tom mocinho! Você sabe que não é bem assim que funciona...
— Sua mãe tem razão John, não podemos sair por aí nos transformando próximos deles, pois você não estaria colocando apenas tu em perigo, mas sim toda a nossa espécie! — afirmou Charles com um tom autoritário e sério fazendo John abaixar a cabeça novamente. — A maior parte deles é ignorante, me prometa que nunca se transformará ou contará o que podemos fazer a eles. Prometa-me!
— Está bem pai... — respondeu emburrado desviando dos olhares dos pais, percebera que seu irmão o olhava assustado. Pensando no quanto seria perigoso para Allec, jamais se perdoaria se algo lhe acontecesse, cessando assim sua raiva. — Me desculpe, eu prometo!
— Tudo bem filho... — Charles disse num tom de alívio seguido de um suspiro e lançou um olhar para a esposa que pensou praticamente a mesma coisa que ele. — “Esta idade é complicada”.
“Hormônios!” — pensou Barbara retribuindo o olhar.
— Eu quero o maior pedaço! — disse Allec quebrando o silêncio entre os três.
— Nada disso! Eu estou em fase de crescimento preciso do maior! — disse Charles sorrindo indo em direção à carne com o garfo.
John o interrompera colocando o garfo na frente, no meio do trajeto do pai e afirmou sorrindo. — Vai sonhando pai, eu sou mais rápido!
Charles lançou um olhar de desafio para o filho e sorriu. — Essa eu quero v... — sua frase foi interrompida por sua esposa.
— Aiii — disse os três quase ao mesmo tempo surpresos pelo tabefe com o jornal que Barbara deu na cabeça dos três que se aproximavam da carne, de maneira que nem notaram os movimentos dela.
— Sem injustiças aqui! Eu divido! — disse olhando para os três com cara séria, mas por dentro estava dando risada.
— Ok. — disseram os três em derrota se entreolhando com vontade de rir.
— Aprendam uma coisa garotos... Elas mandam! Nunca as deixem irritadas, senão se torna uma luta para fazerem sex... Aiii — tomou outra pancada na cabeça de Barbara que falou baixinho. 
— Na mesa não Charles...
John soltou um sorriso de canto, pois sabia do que estavam falando.
— Fazerem o que pai? — perguntou Allec curioso, pois não tinha ideia do que se tratava.
— Er... Fazerem... Semelhante prato delicioso como este! Hehe... — disse coçando a cabeça.
— Verdade mamãe?
— É querido... Precisamos estar inspiradas para tal ato... — disse enquanto cortava a carne e colocava nos pratos, na vez de seu marido o encarou e lançou um olhar provocante e pensou. — “Seu safado! Me paga hoje à noite!” — Charles lambeu os beiços e cravou os dentes de leve como se tivesse adivinhado o que ela pensou, sem que seus filhos percebessem.
— Bem, vamos comer! — Charles afirmou em seguida em tom animado e todos concordaram e sorriram. 
Os Mool’s eram os únicos lycans que habitavam Lakehaven na época, mas eram pacíficos e agiam normalmente entre os humanos. Às vezes escutavam boatos sobre uma besta que atacava os gados, mas se passava apenas por uma lenda entre os humanos, pois a região era repleta de predadores, como ursos e lobos.
 00h45min.
Todos da casa já dormiam, exceto John, que permanecia envolvido em seus pensamentos e meio impaciente, por querer mais que tudo se transformar e provar a si mesmo o quanto era superior aos humanos. Começou a farejar o ar, apenas como um treinamento, porque tanto para ele quanto para Allec, por serem muito jovens as habilidades de licantropos não funcionavam 100%.
Ainda de olhos fechados deixou sua mente vazia. Começou a inspirar e expirar lentamente o ar para ter certeza do que farejava. Era a primeira vez que fazia isto com total concentração, para que sentisse o cheiro de tudo ao seu redor. O primeiro odor que sentira fora o de seu irmão e logo em seguida sentiu o cheiro de seus pais, não deixou passar nada, até de coisas distantes como a brisa fresca do riacho que ficava próximo a sua casa. Outro aroma familiar invadiu suas narinas, mas não conseguia se lembrar de onde havia sentido tal odor. Focou neste cheiro e finalmente veio em sua consciência o que era, suor humano. Abriu os olhos assustado, pois  estava próximo ao território de sua família. Levantou-se e foi até a janela que se encontrava no corredor na direção do fedor, ainda na dúvida, abriu a janela e voltou a farejar. Ao longe dali avistou várias luzes que pareciam vaga-lumes. Por estar sonolento não tinha certeza do que via, mas logo sua mãe surgiu ao seu lado sem que ele percebesse.
Barbara tinha sono leve e seu faro era considerado um dos melhores. — Também os farejou querido? — perguntou surpresa e orgulhosa por seu filho estar desenvolvendo uma das habilidades que era rara de se ver antes da primeira transformação.
— Sim, parece que estão vindo pra cá mãe...
Ela cerrou os olhos por um momento e começou a farejar.
— Mãe?
— Droga... Estão mesmo vindo para cá querido... E não são da região, devem ser caçadores!
John olhou assustado e hesitou em perguntar com medo da resposta. — Caçadores? Tem certeza mãe?
— Não posso confirmar, mas temos que nos precavermos, porque farejei muita prata junto deles.
— São Evis, não é? - perguntou e sentira um arrepio pelo corpo.
Desde há milhares de anos os lycans enfrentavam um determinado grupo de humanos que descobriram suas fraquezas, façanhas que os ajudavam a identificar um em meio à sociedade e como a exterminá-los. Estes tais humanos eram engenhosos e inventaram centenas de armas e balas especiais capazes de acabar com uma alcateia inteira em questões de minutos. Mas estes humanos agiam de maneira cautelosa e sempre a espreita se comportando semelhante aos lycans entre as pessoas normais, de modo a esconder o segredo de família que era passada de geração para geração. Os únicos que tinham consciência da existência dos lycans eram somente os próprios Evis, que era como os caçadores eram chamados por suas vítimas. 
— Não sei querido, mas acorde seu irmão! — disse indo em direção ao quarto dela.
— Está bem! — John se apressou até seu quarto. — Allec... Allec, acorda! — disse o cutucando de leve.
— Maninho?
— Sim, agora acorda Allec, estão vindo algumas pessoas prá cá!
— Hum? — resmungou esfregando os olhos.
— Eu os farejei!
— Sério? — Allec despertou na hora. — Que legal maninho... Sua transformação deve ocorrer em breve! Papai sempre fala dessas mudanças antes da primeira transformação...
— Uhum. — John sorrira triunfante, pois era o que mais queria.
De repente viram Charles passar apressado pelo corredor até as escadas, vestindo um casaco no caminho. 
Barbara parou na porta do quarto tentando demonstrar tranquilidade, para não assustá-los e afirmou. — Queridos, papai e eu vamos resolver um problema com os humanos, então, por favor, não saiam deste quarto até voltarmos, está bem? 
— Ok mamãe! — afirmou Allec.
— Tudo bem! — respondeu John.
— Está bem! Mantenham as luzes apagadas. — e se retirou apressada ao escutar as batidas na porta.
Como todo adolescente meio teimoso John foi até a pequena janela que ficava no corredor e ficou observando seus pais lá fora conversando com os estranhos.
— Maninho... A mamãe mandou a gente ficar no quarto! — afirmou Allec receoso, mas a curiosidade foi mais alta e seguiu seu irmão até a janela.
— Abaixa! — afirmou John escondido bem no canto tentando ouvir alguma coisa, mas em vão.
— O que vos trazem em nossas terras? — perguntou Charles para um grupo de oito homens com quatro cachorros vira-latas enormes, aparentando estarem em busca de algum lugar para acampar e caçar algum animal no dia seguinte. Deviam estar andando há horas, pois eles emanavam um fedor horrível. O que aparentava ser o “líder” estava próximo, apenas a 3 metros de distância do casal, os outros permaneciam logo atrás e dois entre as árvores segurando os cachorros que rosnavam para Barbara e Charles.
— Ouvimos boatos de que nas fazendas desta região vários animais estão sendo mortos. — disse o líder.
— Mas isto ocorre toda hora, há vários ursos e lobos na floresta! — afirmou Barbara.
— Tem razão, mas as fotos dos vestígios das carcaças demonstraram terem sido causadas por um animal bem maior e mais forte que um urso.
— E o que poderia ser? — perguntou Charles receoso segurando a mão da mulher e atento a cada movimento dos homens. A mão de sua mulher suava frio, fingiu não notar para não alarmá-los de que ambos estavam nervosos. Era óbvio que não vieram fazer o que aparentavam, pois quem iria procurar um local para acampar no meio da madrugada?
— É o que estamos tentando descobrir... — disse o homem com um olhar malicioso.
— Tudo bem, se a gente vir alguma coisa nós avisaremos! — afirmou Charles.
— Ok, obrigado pela sua atenção! — disse o homem enquanto se retirava.
O que o casal não esperava, era que aqueles homens os distraíam para de repente lançarem um líquido na direção de Barbara, que era extrato de prata.
Com o susto, ela ficou sem reação e em choque, por sorte Charles era muito veloz e a puxou para junto de si.
— O que pensou que estava fazendo? — gritou Charles entrando na frente de Barbara que deu alguns passos para perto da porta, segurando a mão de seu marido.
— Seus reflexos não são humanos, foi o que pensei... Vocês são Lobisomens!!! — gritou o líder. — Peguem eles!
— Barbara entre agora! — gritou desesperado soltando a mão de sua mulher e ao ver os homens avançando com armas brancas de prata, se transformara rapidamente em um lobo enorme de pelagem negra e marrom barro com os olhos amarelados para impedi-los de entrarem. Charles deu um salto para trás ao primeiro ataque e soltou um rosnado de fúria. Faria qualquer coisa para proteger sua família. Olhou para todos ali presentes e ao escutar Barbara arrastar o sofá até a porta para reforçar a entrada, partiu para o ataque. Lançou o primeiro homem atacante a mais de 10 metros, um segundo veio com um facão, mas Charles era muito forte e ágil e arrancou o braço deste. Um dos homens que segurava os cães soltou os dois maiores que avançaram raivosamente nas pernas de Charles enquanto ele dilacerava outro homem. Soltou um uivo de dor e em seguida abocanhou no pescoço um dos cães com suas presas enormes e o lançou na direção das árvores, no outro utilizou suas garras para repeli-lo e saltou pra trás ficando a alguns metros de todos os que restavam. Ao ver o líder bem próximo da porta, correu o mais rápido que pôde, porém ele não demonstrou sinal de agressividade ou defesa e de repente, Charles parou o ataque a apenas alguns centímetros e olhou para seu peito. Uma flecha de prata o havia atravessado. Olhou na direção das árvores para os homens dos cães e lá estava ele lançando uma segunda flecha utilizando uma besta, mirando no coração. Charles tentou dar um passo, mas em vão, suas forças haviam sido arrancadas de seu corpo e caiu morto. 
John e Allec observavam pela janela em estado de choque seu pai lutando lá fora para protegê-los, matando cinco dos homens e dois cães. Lágrimas começaram a escorrer em suas faces que nem perceberam sua mãe chegando.
— Allec, John, venham por aqui queridos... — disse desesperada levando-os até o quarto dela. 
Allec começou a chorar, John também ainda não acreditando, sentiu uma raiva enorme de si mesmo sem poder fazer nada para ajudar.
— Allec, não chore, vai ficar tudo bem... — diz abraçando ele e o ajudando a subir pelo sótão.
— Mamãeeee...
— Não chore querido vai ficar tudo bem! — afirmou enquanto limpava as lágrimas de Allec. — Venha, suba John! — ela o ajudou também.
— Mãe o papai está... — a dor da perda o atinge que não conseguiu terminar a frase.
— Eu sei querido, por favor, eu peço para que vocês sejam fortes. — foi até a pequena janela e fez um sinal de silêncio para os dois, abriu lentamente para não fazer barulho.
Os três olharam para a porta do sótão quando escutaram as batidas dos homens na porta de entrada da casa, tentando arrombá-la.
— Venham rápido! Temos que sair daqui agora! — disse Barbara os ajudando a passar pela janela para um pequeno telhado do lado de trás da casa. Barbara se transformou em uma loba de pelagem dourada, com alguns tons em preto e branco. Se agachou para que seus filhos subissem em suas costas.
— Segurem firme! — afirmou ela que começara a se levantar com Allec e John segurando em sua pelagem do pescoço que era bem comprida. Segura de que estavam firmes, saltou do telhado e começou a correr para a mata com todas as forças, sem olhar para trás. — “Adeus meu amor...” — pensou enquanto as lágrimas eram lançadas ao vento.
Já a alguns quilômetros de distância ela reduziu a velocidade. Correram mais algumas centenas de metros e começou a procurar por um abrigo farejando o ar. Eles encontraram uma árvore enorme e antiga, com uma fenda grande no meio em um lugar alto, perfeito para um esconderijo. Ela subiu nos galhos e se posicionou para que os dois descessem e se escondessem ali. Era um lugar perfeito, porém apertado demais para os três. Allec e John se espremiam um no outro para deixarem um espaço para sua mãe, mas só caberia outra criança da idade de Allec. Percebendo a situação estava decidida a proteger sua prole. Ainda nos galhos, deu uma lambida no rosto de cada um e depois levou sua cabeça entre os dois a esfregando neles como se os abraçasse.
John logo percebeu a intenção dela ao fazer aquilo. — Não mãe, por favor, não nos deixe aqui... — suplicou chorando.
— Eu preciso meu amor... Preciso despistá-los, eles não viram vocês, mas não irão parar até me encontrar.
— Mamãe, não mamãe, não vá... — disse Allec.
— Eu voltarei para buscá-los, eu prometo! — disse levando em seguida suas patas enormes e peludas ao rosto de John e o encarou. — Por favor, prometa que irá sempre tomar conta de seu irmão... E que vocês estarão sempre unidos! — abraçou ambos agora.  
— Prometo mãe. — John a abraçou com força.
— Mamãeeee... — chorou Allec.
— Eu amo vocês. — ela os lambeu e se libertou dos abraços, se preparando para saltar dos galhos, os olhou por alguns segundos e disparou para outra direção.
— Eu quero descer John! — afirmou tentando sair do esconderijo.
— Temos que ficar aqui Allec... — o puxou de volta.
— Não, eu não quero... Vamos com a mamãe! — tentou se soltar dos braços do irmão.
— A mamãe mandou, temos que ficar aqui!
A discussão dos dois cessou-se quando começaram a ouvir latidos de cães bem longe dali. Allec agarrou a camisa de John e o abraçou com medo. John começou a farejar o ar para fazer uma cobertura do local, já não chorava mais, pois seus pais o haviam deixado com uma grande responsabilidade, a de sobreviver e cuidar de seu irmão mais novo.
Barbara corria em direção a sua casa por outro percurso e encontrou os caçadores a alguns quilômetros de onde deixara seus filhos. Saltou de trás de uma árvore com os pelos eriçados e rosnando, mostrando suas presas enormes. Ficaram por um momento apenas se encarando. Seu objetivo era atraí-los para ainda mais longe de seus filhotes e dividi-los para atacar, pois em grupo eles tinham vantagem. Rosnou mais alto e saiu em disparada para o outro lado. Os homens soltaram os cachorros, que a perseguiam e a empurravam para o outro lado. De repente sentiu suas pernas ficarem suspensas no ar e uma corda puxá-la para cima, logo veio uma rede.
“Droga! É uma armadilha.” — pensou e tentou desesperadamente se soltar. — “Pensa Barbara... Pensa!” — começou a procurar alguma maneira de se libertar, mas já era tarde e estava cercada.
— Ora, ora o que temos aqui! — disse um homem se aproximando da rede suspensa com uma arma. Levantou sua mão com intenção de tocá-la, mas quase a perdeu com a dentada que Barbara lhe dirigiu, errando por muito pouco. — Vejo que esta é arisca!
— Por que tanto ódio minha querida? — disse o homem num tom de zombaria.
— Ela está com filhotes, nós encontramos um quarto de crianças e isto. — tirou uma camiseta da bolsa que pertencia a Allec. — É de sua natureza como toda mãe, ser mais raivosa e protetora!
“Essa não...” — pensou olhando para a camiseta. — “Preciso sair daqui agora...” — Foi pega de surpresa quando a corda foi solta e a fez cair com tudo no chão. Soltou um ruído de dor quando os cães começaram a mordê-la por todo o corpo. Tentou revidar, mas a rede a impedia, porque os homens puxavam-na de cada lado para mantê-la no chão, dando vantagem aos cães.
— Já chega! — gritou o líder e os cães se afastaram ao ouvirem o comando. Haviam feito um grande estrago nela, sangrava por toda parte de seu corpo, ainda viva, mas ofegava e demonstrava cansaço. Aproximou-se dela e perguntou. — Agora, me diga, aonde escondeu seus vira-latinhas? 
Ela rosnou ameaçadoramente para ele em resposta.
— Se me contar agora, ti deixo viver! — lançou um sorriso.
— Nun..Nunca ti direi! — resmungou baixo.
— Sua idiota. — deu um chute no focinho dela em seguida, que gemeu de dor. — Que assim seja, não preciso de você para encontrá-los. — fez um sinal para o homem que segurava a camiseta de Allec e chamou os cães.
— Por q.. Por que está... Fazendo isto? Nós... Nunca atacamos um humano... — disse fracamente.
— Não é nada pessoal, são apenas negócios... — fez um sinal com a cabeça para um homem que estava sobre ela agora com uma estaca de prata.
Ela não notou a aproximação dele, por estar fraca devido à essência de wolfsbane, uma planta extremamente tóxica aos lycans, no qual a corda havia sido banhada e apenas ergueu o olhar. 
“Então é assim que tudo termina? ...Me perdoem meus amores, não conseguirei cumprir a promessa.” — escorreu uma lágrima e de repente tudo ficou escuro. 
Allec e John agora estavam por conta própria, sozinhos no mundo sem ideia do que seus destinos lhe preparavam.


Notas Finais


E aí, está gostando da história? =)
Convido-o(a) a deixar um comentário! ^w^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...