História BloodLycan - A Saga dos irmãos Mool - Parte 2 - Capítulo 9


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Palavras 5.023
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Primeiramente quero agradecer por você ter chego até aqui \^___^/!
Sobre este Capítulo Bônus, a história se passa alguns anos antes dos irmãos John e Allec nascerem. Sem mais delongas, vamos ao capítulo!
Desejo uma boa leitura! ;)

Capítulo 9 - Bônus: O Início do Raio de Sol


Fanfic / Fanfiction BloodLycan - A Saga dos irmãos Mool - Parte 2 - Capítulo 9 - Bônus: O Início do Raio de Sol


Era primavera por volta de 17h00. Charles corria com uma lebre em sua boca em direção a seu grupo há alguns quilômetros de distância. Era aventureiro e gostava de caçar sozinho algumas vezes. No caminho farejou algo diferente na região e seguiu o odor que o levou até um barranco, cercado por densas árvores e arbustos. Assustou-se ao encontrar uma fêmea de pelagem dourada, pendurada de cabeça para baixo inconsciente e desidratada.
Charles largou a lebre e se aproximou da fêmea analisando a armadilha que prendia a pata esquerda dela. Ela aparentava ter lutado bastante para se soltar e deviam fazer várias horas de que estava ali pendurada. Chegou bem próximo e ficou sobre duas patas, alcançando por muito pouco a corda que a prendia e começou cerrá-la com suas garras.
A loba despertou ao senti-lo bem próximo e quando se virou deu de cara com o abdômen dele. No susto rosnou e o empurrou para longe, o fazendo cair de costas no chão.
— Hey, qual o seu problema mulher? Estou tentando ajudá-la se não percebeu...
— Para mim parece que tentava algo mais, seu pervertido!
— Pervertido? Você não me conhece madame, se eu quisesse tentar algo já teria feito! — tentou se aproximar dela novamente, mas ela rosnou em alerta. — Se vai continuar agindo assim, tudo bem, não é da minha conta mesmo se você fica ou não pendurada aí até os caçadores aparecerem... — disse indo até a lebre e se preparando para ir embora. 
— De qualquer modo, desejo boa sorte! — deu as costas para ela.
— Espere! — o chamou com um olhar de clemência e desculpas.
— Não me deixe aqui... Por favor, me ajude...
— Olha só, então a senhorita tem bons modos... — ele largou novamente a lebre no chão e se aproximou.
— Me desculpe por antes, você me assustou... — ela disse desviando o olhar.
— Tá tudo bem, só aviso que precisarei tocá-la e segurá-la para não balançar a corda... Com o seu consentimento é claro...
— Ok.
Ele a virou de maneira que ficou de costas contra o corpo dele. Mesmo sem encará-la, pôde senti-la incomodada e envergonhada. Chegou bem próximo e continuou a rasgar a corda. Quando ela foi cair, ele a segurou pela cintura e a colocou no chão calmamente.
— Obrigada...
— Não é nada... — foi até a lebre e a jogou pra ela. — É melhor comer isso...
Ela farejou a lebre. — Tem certeza?
— Sim, não se preocupe, eu arranjo outra depois.
— Obrigada! — agradeceu e devorou o animal, porque fazia aproximadamente um dia que não se alimentava.
— Você não é daqui, é?
Charles perguntou intrigado, pois nunca a havia visto na região. Ela apenas acenou negativamente enquanto mastigava a carne e continuou.
— A propósito, pode me chamar de Charles... Charles Mool...
— Barbara Aniery... — ela respondeu e o encarou surpresa.
— Por que essa cara de surpresa?
— Já ouvi falar sobre o seu clã, é um dos clãs milenares, não é?
— É, tamo aí na luta... Lamento não dizer o mesmo, mas sua família é de onde? Pois é um clã novo para mim...
— Meu clã é da Itália, migramos pra cá há algumas décadas, mas somente eu e meu pai estamos na região.
— Entendi, e por que ele não veio caçar contigo?
— Ele anda meio doente… E onde estamos morando a caça está muito escassa, pois algo afastou os animais de lá… Como tive que procurar em uma distância maior, achei melhor ele ficar descansando e vir sozinha…
— De que local exatamente estamos falando?
— A aproximadamente 15 quilômetros daqui em direção ao sul…
— Você aparenta ter andando bem mais do que isso… — ele disse desconfiado.
— É que… Eu acabei me perdendo… — ela disse desviando o olhar e abaixando as orelhas.
— Como assim se perdendo? Utilize seu olfato oras… — se levantou e andou em volta dela.
— Eu… Eu ainda estou aprendendo… — ela colocou a cauda entre as pernas.
— Desculpe a pergunta, mas quantos anos tem Barbara?
— 18…
— E ainda não aprendeu a farejar uma trilha? — sentou-se de frente pra ela, que apenas acenou negativamente sem encará-lo. 
— Quando foi sua primeira transformação?
— Há três semanas mais ou menos…
— Que curioso… É a primeira lycan que conheço que se transformou em idade avançada…
— Falando assim até parece que sou uma idosa… — resmungou cabisbaixa sem encará-lo.
— Não foi o que eu quis dizer raio de sol, você está muito bem e é atraente aos meus olhos… — percebeu o que havia acabado de dizer e ambos coraram e disfarçou mudando de assunto. 
— Bom, vamos então…
— Como assim?
— Vamos, eu te levo pra casa! 
— Sério? — ela perguntou abanando a cauda enquanto o seguia.
— Quem seria eu se deixasse uma criança à deriva na floresta?
— Falou aí o ancião! — ela resmungou e riu.
— Ancião não, tenho apenas 23 anos minha jovem…
— Só é alguns anos mais velho e por que tá me tratando feito criança agora?
— Chega de perguntas e acelere o passo raio de sol que em breve irá anoitecer hehe…
Alguns quilômetros depois eles encontraram uma lareira e Charles disse.
— Vamos descansar aqui por esta noite, porque caminhar durante o dia é mais seguro nestas montanhas…
— Ok… — ambos se aconchegaram a uma distância de um metro um do outro.
Charles demorou a pegar no sono, pois vigiava ao redor e farejava o ambiente. Hora ou outra seus olhos se prendiam na loba dourada e ficava hipnotizado perdido em seus pensamentos. Quando finalmente veio o sono, Charles despertou novamente ao escutá-la tremer devido a baixa temperatura, que caía drasticamente durante a noite. Se levantou e deitou-se ao lado dela. O calor de seu corpo começou a esquentá-la e logo ela parara de tremer e adormeceu junto a ela.
Na manhã seguinte, Barbara acordou com a luz do sol em seu rosto. Olhou ao redor e observou a folhagem ao seu lado, que indicava que ele havia dormido ali. Ficou corada e não sabia o que pensar.
— Charles? — se levantou e começou farejar o ar em busca do cheiro dele.
Seguiu por um caminho em direção a uma pequena nascente e do topo do barranco o avistou. Escondeu-se atrás de uma árvore ao notar que ele estava nu e em sua forma humana. Charles mergulhava a cabeça e lavava o rosto juntamente do cabelo longo, metade de seu corpo estava coberto pela água, mas conseguira avistar os músculos bem definidos daquele macho atrevido que a surpreendeu dizendo.
— Gosta do que vê raio de sol? — perguntou ainda de costas para ela e continuou se banhando na nascente.
— Pode olhar, eu não me importo... 
Ela não respondeu e pressionou seu corpo contra uma árvore e seu coração disparara.
— Não precisa se esconder raio de sol, eu sei que está aí! — se virou na direção dela e continuou. 
— Venha se banhar, eu já estou de saída...
— Nem pensar! Eu sei que você vai me espiar! — ela gritou ainda atrás da árvore.
— Heheh... O que foi que eu te disse? Se eu quisesse tentar algo já teria feito... Nós lycans jamais voltamos atrás com nossa palavra e se eu digo que não vou, não irei te espiar. Fico de costas pra você saber onde eu estou o tempo inteiro se quiser... — começou a se transformar e quando ficou na forma de lobo saiu da água. — Venha logo e pare de frescura, você tá precisando de um banho!
Ela saiu de trás da árvore após o tom de voz autoritário e avistou o lobo já fora da água sentado entre as roxas na margem. 
— Você promete?
Ele bufou e riu. — Você ouviu o que acabei de dizer, não ouviu?
Barbara acenou positivamente e se aproximou da nascente sem tirar os olhos dele.
— Olha, ficarei sentado aqui para você saber onde estarei o tempo todo! — sentou-se de costas para o riacho e continuou após ouvi-la entrar na água. 
— Recomendo você se banhar em forma humana, é bem mais rápido e prático...
— Tá bem, obrigada... — ela seguiu seu conselho e alguns minutos depois o assustou ao se secar de maneira lupina e bem próxima, voando toda a água nele.
— Se sente melhor? — ele perguntou rindo, se levantou e chacoalhou os pelos novamente para tirar a água.
— Uhum, obrigada...
— Eu te disse que precisava de um banho! Hehe... — Charles riu e continuou seguindo seu caminho.
— Você diz isso a todas as fêmeas do seu clã? — retrucou.
— É claro que não, somente aquelas que realmente precisam e também as crianças teimosas que não gostam de banho heheh...
— Hey! Pro seu governo eu gosto de tomar banho sim!
— Deu pra ver, até parecia que era um riacho banhado a prata por ter hesitado tanto...
— Não fala besteiras eu até...
— Shhh... — ele a interrompeu e começou a andar abaixado entre os arbustos.
— O que foi? — ela sussurrou, mas não obteve resposta. Barbara o imitou e se assustou quando ele saiu em disparada em uma direção e alguns metros depois conseguira abocanhar uma lebre. Permaneceram em silêncio e ele começou a devorar o animal. Ela manteve certa distância e quando menos esperava um pedaço da lebre fora jogado entre suas patas.
Ele piscou para ela enquanto ainda lambia os beiços e disse. 
— Vai fundo raio de sol...
— Obrigada... Você é um ótimo caçador!
— Obrigado, mas isto é apenas prática... Se quiser posso te ensinar qualquer hora... — se levantou e continuou a caminhada.
— Eu adoraria! — afirmou corando, pois ficava cada vez mais fascinada por aquele lobo.
3 horas após se alimentarem, eles corriam através de um campo florido e Barbara sorria enquanto dizia.
— Como assim eu não farejei este lugar maravilhoso? É tão perto de onde eu moro...
— Hehe... Você tem muito a aprender raio de sol...
Os dois pararam e Barbara o desafiou.
— Eu aposto que ganho de você em uma corrida até o outro lado, Sr. Ancião!
— Ora, ora, não faça apostas que não possa ganhar!
— Ora digo eu, está com medo de aceitar é?
— Não tenho medo, só gostaria de saber o que vou ganhar, pois você irá perder com certeza...
— É mesmo? Veremos!
Ela o surpreendeu e disparou em meio ao campo florido.
“Garota esperta! Distraiu-me pra sair na frente... Não por muito tempo heheh...” — pensou.
Barbara era rápida, mas devido às pernas mais longas do macho, ele conseguira alcançá-la e quando eles estavam chegando ao final do campo, ele a pegou pela pata traseira e ambos rolaram entre as flores.
— Hey! — ela resmungou e ficara debaixo dele.
— É, pelo visto deu empate... O que eu ganho agora princesa?
— Nada porque você trapaceou! — ela o distraiu com seus hipnotizantes olhos da cor do céu e o empurrou para o lado, ficando sobre ele.
— Por essa eu não esperava hehe... 
A loba ficara vermelha feito uma pimenta e congelou quando ele levou uma de suas patas em seu rosto.
— Onde você esteve por todos esses anos?
— O que quer dizer Charles? — ela se sentou e levou sua pata esquerda sobre a dele.
— Mal nos conhecemos, mas estive procurando uma fêmea à sua altura raio de sol...
Ela quase desmaiou de nervoso e se arrepiou quando ele disse.
— Acho que estou apaixonado por você...
— Você não pode! — ela disse nervosa e se afastou sentando-se a cinco metros de distância de costas pra ele.
Ele se aproximou e cochichou em seu ouvido. 
— Tem razão, eu não posso evitar o que estou sentindo por você exatamente agora...
— Não é isto que quero dizer...
— Eu sei o que quer dizer Barbara...
— Não sabe não!
— Você fala demais sabia? — ele a puxara suavemente para trás, de maneira que a deitou sobre as flores e ela não reagiu.
— É mesmo? Pensei que fosse ao contrário! — ela riu e o empurrava com as patas traseiras, mas sem fazer força o suficiente.
— Engraçadinha... — Charles lentamente agachou sua cabeça em direção ao focinho da fêmea que resistia a seus encantos. Chegou a aproximadamente 10 centímetros de distância e a sentiu tapar sua boca com as duas patas, interrompendo o que ele pretendia fazer.  Encarou a confuso e ela disse.
— É melhor pararmos, estamos indo rápido demais, você não acha?
Charles desviou o olhar e se soltou das patas dela ao virar seu corpo e caminhar em posição oposta, totalmente perdido em seus pensamentos.
— Charles? — ela se levantou indo atrás dele. — Está tudo bem?
— Olha raio de sol, me desculpe se a forcei fazer algo que não queria ok? Eu devo ter compreendido errado seus sinais, pois pensei que estivesse a fim também...
— Espera, por favor... — ela correu e entrou na frente dele que parou imediatamente. — Você está absolutamente certo sobre o que eu quero, é só que... Estou apenas pedindo para que possamos nos conhecer melhor antes de realmente firmarmos isto...
Charles a encarou sério e logo seu sorriso surgiu. 
— Sabia que você fica uma graça pedindo as coisas? — comentou e voltou a caminhar.
— Ora seu ancião, eu aqui tentando me desculpar e você aí fazendo piadas! — ela o seguiu.
— Não é piada, você realmente fica uma gracinha hehe…
Os dois se entreolharam e sorriram.
— Você, com essa pinta de galã... Quem me garante que não é nenhum lobo psicopata?
— Sua imaginação é incrível princesa hehe... Mas te garanto, está em boas mãos...
— Bom, então me conte mais sobre você Charles Mool!
— Bem, por onde eu começo… 
Eles caminharam aproximadamente 2 horas até chegarem na fazenda onde Barbara morava e descobriram diversas coisas um sobre o outro, mas os risos cessaram-se ao avistarem a casa onde o pai dela deveria estar.
— Ai meu Deus… — Barbara observou assustada com sua casa, que havia sido queimada e apenas escombros restavam no local. 
— Papaiiiii!!! — ela correu até o local gritando e Charles a seguiu em silêncio e olhava ao redor em busca de alguma emboscada, mas o cheiro dos humanos que passaram por ali já era fraco. — Cadê você papai? — ela começou a chorar e revirar os escombros carbonizados. Farejou o sangue de seu pai no local onde era a sala de estar e começou a revirá-la dizendo. — Onde está? Aonde… 
Charles prendeu-a por trás e a abraçou firmemente, pois sabia que os caçadores da região levavam os corpos junto deles.
— Aonde… — ela começara a chorar e tentava se soltar dos braços dele para que continuasse sua busca, mas fora perdendo a força até que parara de se mover.
— Sinto muito, mas não irá encontrá-lo por aqui…
— Como sabe disso?
— As famílias destes caçadores são cruéis… E...
— Preciso encontrá-lo… — ela o interrompeu. — Por favor, me leve até eles Charles, ele ainda pode estar vivo!
Ele acenou negativamente, pois não queria dar falsas esperanças.
— Sinto muito Barbara, mas a chance disso ser verdade é praticamente zero…
— Você não sabe! — ela começou a lutar para sair dos braços dele, que resistia para segurá-la. — Me solta!
Ele a soltou e disse.
— Pare com isso, você só irá se tortura deste modo...
— Você só pode estar mentindo! — ela rosnou. — Como pode saber de uma coisa dessas? 
— Eu... Eu... — lembranças ruins vieram à tona e Charles apenas desviou o olhar.
— Tudo bem se estiver com medo, eu agradeço a ajuda por me trazer até aqui...
— Não é isto Barbara, eles são muito perigosos, eu só ti peço para que não vá atrás deles...
— Você não entende, eu preciso vê-lo... — começou a chorar ao lembrar-se de seu pai.
— Eu sei como se sente, mas não vai gostar do que encontrará...
— Muito obrigada pelo seu otimismo! — ela rosnou nervosa.
— Será que não vê que estou tentando ajudá-la desde que nos conhecemos? Acredite em mim, não vá até eles, são muito perigosos!
— Eu já entendi, mas é melhor você ir embora agora, não quero envolvê-lo nisso.
— Deixe de ser teimosa mulher! — Charles rosnou e ela retribuiu o gesto.
— Não se intrometa!
— Se quer assim então beleza, estou indo nessa! — o lobo dera as costas para Barbara.
— Ok então, adeus! — ela rosnara e saiu correndo.
Durante o caminhar de volta a montanha Charles ficou pensativo.
“Você acaba de encontrar a mulher que tanto ansiava e vai simplesmente deixá-la ir? Acorda seu imbecil!” — disse a si mesmo e se virou, mas Barbara já havia sumido.
Começara a chover, mas as marcas dos pneus ainda estavam recentes. Andou por um longo tempo na estrada de terra que era pouco movimentada. Alguns quilômetros à frente, a trilha automobilística mudara radicalmente em direção as árvores mais densas do bosque.
Barbara sentia que eles se aproximavam e seu coração acelerou. Hesitante, continuou seguindo o barro, que já formavam pequenas poças de água, devido à chuva que ficara mais densa. A loba pareceu não se incomodar e já estava encharcada. Há aproximadamente cem metros avistou luzes, naquele oceano cinzento, sendo transformado pela pequena neblina que se formava. Observou todos os ângulos e quando foi correr, sentiu alguém tapar sua boca e a puxar para trás.
— Shhhhh... Sou eu Barbara! — sussurrou Charles. Ele pôde senti-la acalmando-se ao reconhecê-lo e continuou sussurrando.
— Vou te soltar agora...
— O que está fazendo aqui? — questionou rosnando.
— Vim te ajudar, oras... Afinal eu os conheço melhor do que você...
— Não precisava ter vindo, eu sei me virar sozinha! — ela disse lhe dando um pequeno empurrão com sua pata direita.
Ele deu de ombros pegando a pata que lhe empurrara e a direcionou a 25 cm do chão. Ficando a alguns centímetros da armadilha, que possuía um tipo de sino pendurado em uma linha amarrada entre duas árvores e retrucou. 
— Deu pra ver, se não fosse eu, já teria chamado a atenção de todos do acampamento. — Barbara assustada, se dava conta que havia diversos alarmes ao seu redor.
Barbara rosnou para as armadilhas e em seguida voltou a encarar o lobo encabulada e agradeceu. 
— Obrig...
Ele a interrompera tapando a boca dela dizendo. 
— Não me agradeça ainda, somente depois que estivermos em um lugar seguro... — ela assentiu com a cabeça e ele continuou. 
— Vamos chegar mais perto para tentar avistá-lo e depois eu os afastarei para que se aproxime de seu pai... Me siga! — ordenou e foi andando lentamente observando cada canto entre as árvores.
— Ficou maluco Charles? Isso é suicídio! 
Ele a encarou brevemente e sorriu dizendo. 
— Não esquenta raio de sol, eles não vão me pegar! Só me siga, tá bem? — e pensou voltando a caminhar. — “O que não fazemos pelo amor, hm?”
Andando em linha reta eles se depararam com cinco armadilhas. Há 9 metros do acampamento, eles avistaram uma espécie de mural encostado em um caminhão. Mesmo com a chuva, Barbara jurou ter avistado orelhas e pelos lupinos atrás daquela parede úmida e sinalizou com os olhos para Charles, que apenas acenou positivamente e foi para o outro lado. Ali ela permaneceu agachada entre a folhagem dos arbustos e em silêncio. Por volta de três minutos depois escutou uma sequência de sinos do outro lado do acampamento. O barulho chamara a atenção dos cães, que foram soltos pelos caçadores e saíram em disparada ao ruído.
Barbara, lentamente caminhou até seu alvo e observava todos os lados. Notando que a presença de caçadores era praticamente zero, correu até o mural que transbordava um cheiro familiar. A pequena esperança que nela havia, a chuva levara embora no momento em que fitara o corpo de seu pai mutilado. Estava pendurado com pregos e cordas, como uma espécie de troféu ou isca. 
— Papai? — Suas palavras mal saíram e hesitante o tocou na face. — Ai meu Deus, o que fizeram com você? — Tocou a pele gelada, já fazia algumas horas que a vida havia sido extinta daquele corpo e ela começou a chorar. Voltou a si quando escutou os latidos dos cães se aproximando e pensou o tocando pela última vez.
“Sinto muito... Adeus papai...”
Quando virou para seguir o mesmo caminho, dera de frente com um caçador e ambos se assustaram o fazendo disparar duas vezes a arma, porém no segundo disparo fora derrubado pela loba que pulou por cima dele e sumira na mata. Barbara correu com todas as forças e pegou uma distância considerável do caçador, mas começara a sentir sua visão turva. Suas patas dianteiras se enfraqueceram repentinamente devido a uma ardência e dor no seu peito a fazendo tropeçar. Havia sido baleada. Tentou se levantar mais duas vezes, mas voltou ao chão se sentindo mais fraca e já perdia a consciência.
“Preciso sair daqui...” — pensou e avistara dois olhos amarelos na escuridão, vindo a seu encontro. — “Será meu fim?” — e apagou.
— Barbara! — Charles farejou que ela estava ferida. Havia despistados os cães, mas mesmo com a chuva eles sentiam seu cheiro e o som deles ficava cada vez mais alto. — Acorda Barbara! — ele mexera em seu ombro, mas ela não respondeu. — Droga! — resmungou e olhou para trás, esperando visualizar um de seus inimigos, mas em vão. Enfiou sua cabeça abaixo da pata esquerda da fêmea e com um movimento a colocou em suas costas. Foi em direção a um barranco a cerca de 100 metros que dava em um riacho. Carregou-a com dificuldade, por causa da água no terreno que ficara escorregadio, chegando a cair junto dela uma vez, mas precisou se apressar. Já bem próximo a beirada do barranco pensou.
“Não há outro meio...” — analisou a altura que era em torno de 10 metros. Olhou para trás ao escutar os latidos que ficavam cada vez mais altos. — “É agora ou nunca.” — levantou a loba e a segurou firme por trás. — “Aguente firme raio de sol...” — pensou se jogando abraçado da loba e caíram na água.
Alguns quilômetros riacho abaixo, Charles conseguiu arrastá-la para a margem. Encontrava-se em uma região de seu território. Checou o pulso da fêmea, cada vez mais fraco. Já parara de chover e ele soltara um uivo alto. Em seguida a colocou em suas costas e começou a carregá-la. Segundos depois ouviu dois uivos em resposta e continuou caminhando. Charles havia batido a cabeça entre as rochas e se sentia zonzo, mas fez seu máximo para prosseguir. Ao avistar alguns lobos de pelagem escura se sentiu aliviado ao se aproximarem e falou fracamente.
— Adonias, Bianca, Marley, me ajudem a levá-la para aldeia, por favor... E rápido! Ela foi ferida com uma bala de prata... — E os lobos sem pensarem duas vezes já foram ajudando os dois e Charles também acabou desmaiando no caminho.
Barbara acordara de repente, mas não se moveu. Sentiu uma leve pontada no peito e levou sua mão até o local, que já havia cicatrizado. Notara que estava em forma humana e olhou ao redor. Era uma espécie de cabana bem reforçada feita de madeira. Sentou-se na cama, com uma espécie de camisola branca e perguntou baixinho.
— Onde eu estou? — continuou observando o local e ao olhar para a porta que se abrira, notou uma criança sorrir surpresa ao encará-la e correu novamente para fora. Em seguida olhares curiosos e tímidos espiavam pela porta entre aberta, até que Charles chegou.
— Barbara! Que bom que acordou!
— Charles! — ela exclamou sorrindo e corou ao olhar novamente para as pessoas da porta fixadas nela e o sorriso cessou-se, se enfiando um pouco abaixo da coberta.
Charles sentiu o desconforto dela e disse.
— Vamos pessoal, dêem um pouco de espaço pra ela, assim que ela se sentir a vontade, todos a conhecerão melhor! Irei fechar agora, com licença... 
Comentou enquanto encostava a porta e ambos puderam ouvir os cochichos dizendo sobre o quanto ela era bonita.
O macho se aproximou timidamente de Barbara encabulado, devido aos comentários e disse. 
— Me desculpe por isso... Hehe...
— Tá tudo bem...
— Posso? — questionou gesticulando em direção a cama.
— Claro! 
Ele sentara aos pés de Barbara, ainda cobertos e perguntou. 
— Obrigado. Como está se sentindo raio de sol?
— Bem, eu acho... Onde estamos e o que aconteceu?
— Aqui é seguro, não se preocupe! Estamos na aldeia da minha alcateia... E você foi baleada e ficou inconsciente por dois dias...
— Entendo... — ela levou sua mão até o local da cicatriz. Lembranças de seu pai começaram a invadir sua mente e começou a chorar.
— Raio de sol, o que foi? — se levantou e chegou mais perto para consolá-la. — Vamos, me diga! — pegou nas mãos dela após limparem as lágrimas.
— Me desculpe...
— Pelo quê?
— Eu devia ter te ouvido... O que fizeram com ele... Foi horrível! 
Ele a abraçou e disse.
— Sinto muito Barbara pela sua perda... — ela retribuiu o abraço e ficaram em silêncio por alguns segundos. Ele se soltara do abraço e continuou. — Não sei se serve de consolo, mas uma coisa eu sei sobre eles... Seu pai não sofreu...
— Como pode saber de uma coisa dessas?
— Eu hesitei em ir com você porque... Porque quando mais novo eu... — ele suspirou e continuou. — Eu os vi acabarem com meus pais e irmãs...
— Meu Deus, eu sinto muito Charles! 
— Tá tudo bem, já faz um bom tempo... Eu era apenas um garoto na época... Mas impotentemente eu assisti a execução deles, minha mãe havia me escondido no piso de madeira, que era pequeno demais para esconder a todos... Eles executaram cada um deles com uma bala na cabeça, mas as atrocidades que fizeram nos corpos deles foram apenas depois das almas já terem partido... Acredito que seja o método deles... — se levantou e a encarara, notando certa expressão de que ela iria cair em lágrimas a qualquer momento. 
— Sinto muito raio de sol, não devia ter tocado no assunto... É só que...
— Tudo bem Charles, eu entendo o que está tentando fazer... Muito obrigada... Se não fosse por você eu não estaria aqui hoje... Eu só não faço ideia do que farei agora... — começara a chorar.
— Não tenho mais ninguém, estou sozinha de agora em diante... 
Barbara levara as mãos no cabelo e Charles pegara uma delas.
— Deixa de falar besteiras raio de sol, você não está sozinha... Tem a mim e a todos deste bando, se quiser morar conosco é claro, mas em especial comigo... — ele pegara algo do bolso. 
Ela o encarou surpresa ao ver o anel que ele erguera com a mão livre. Era simples e de madeira, mas com alguns detalhes esculpidos a mão. 
— O que é este anel Charles?
— Estou te pedindo em casamento sua boba...
Ela corara e pegara o anel por alguns segundos e logo o colocou nas mãos dele novamente.
— Não posso aceitar...
— Por que diz isso? — a encarou triste.
— Você merece coisa melhor, eu não sou digna de fazer parte de sua família...
— Você só pode estar brincando, certo? — ele a puxou pelas duas mãos e a encarou dizendo. — O que está escondendo raio de sol? Se acha que vou deixar a mulher da minha vida sair facilmente de minhas mãos? Só se for por uma boa razão! Então comece a falar... Por favor...
Ela deixara escapar algumas lágrimas e começou a falar baixinho, pois os dois estavam bem próximos.
— Lembra quando eu disse que migramos para cá há algumas décadas?
— O que tem isso?
— Minha família é fugitiva, Charles, há diversos históricos de lobos que atacaram humanos desde há algumas centenas de anos... Os primeiros a experimentarem o sangue deles devem ter passado algo para as demais gerações agirem semelhantes. Somos uma família nômade e grande parte de nós são caçados e eliminados tanto por lobos quanto por humanos graças aos nossos ancestrais... O que quero dizer é que meu sangue não é puro como o de vocês...
Ele a surpreendeu dando lhe um beijo e disse.
— Acha mesmo que eu me importo com isso? O que me interessa é você raio de sol, independente de onde tenha vindo...
— Por que é tão bom comigo? — ela começou a chorar. 
— Eu já disse que estou apaixonado por você! — ele lhe direcionara o anel novamente e ela o colocou no dedo em seguida o puxou para um beijo e disse.
— É sim!
Os dois aprofundaram-se no beijo e acariciavam o corpo um do outro. Barbara sentou-se no colo dele. Os corpos de ambos ansiavam algum tempo por aquele momento e com a ajuda dela, Charles abrira sua calça e ali mesmo concretizaram sua união.
Alguns minutos depois com ambos ofegantes ele disse.
— Você é minha agora e eu sou todo seu! Eu te amo Barbara...
— Também te amo!
Os dois se beijaram e sorriram.
Alguns anos depois.
Era de manhã, por volta de 6h40min e o dia estava fresco.
Barbara caminhara para fora de casa, com seu filho de dois anos e meio em seu colo. Andara por volta de 5 minutos dentro da floresta que rodeava sua casa até chegarem a um campo aberto. Ali ela se sentou em uma rocha e aguardou. John brincava com as flores próximas a eles, até que escutou um uivo longo e olhou para sua mãe afirmando contente.
— Papai!
— Sim querido, vamos até ele? — disse se levantando e lhe estendera a mão.
— Sim! — respondeu e correu até sua mãe.
— Que tal avisarmos que estamos aqui? — ela perguntou a John que afirmou com a cabeça e começou a uivar desajeitado e fora acompanhado de sua mãe com outro longo e alto uivo.
Outro uivo veio em resposta e Barbara afirmou.
— Muito bem meu amor, ele nos ouviu! — mãe e filho foram caminhando ainda mais pra clareira e alguns minutos depois da resposta do último uivo, Charles surgira e corria até sua família.
— Papai! — John começou a correr em direção a ele. Quando se aproximou o suficiente, pulou em cima daquele lobo enorme que se jogou no chão ao mesmo momento, fingindo ter sido derrubado pelo filho.
— E aí campeão! Não devia estar dormindo? — Charles perguntou encarando seu filho que brincava na pelagem de seu tórax.
John apenas acenou negativamente com a cabeça e sorriu.
— Estávamos sem sono e ansiosos pelo seu retorno... — Barbara disse chegando perto dos dois e agachou para ficar na mesma altura de todos.
— Oi amor! — disse levando seu focinho ao colo dela que o acariciou e a surpreendeu com uma lambida. Ainda de barriga pra cima, Charles comentou agora encarando seu filhote.
— Parabéns pelo uivo garotão, está melhorando a cada dia, todos da matilha conseguiram ouvi-lo. John apenas sorriu em resposta e antes que sua mulher pudesse perguntar, Charles continuou.
— Pegamos um dos grandes hoje, querem ir vê-lo?
— Sim! — afirmou John pulando quando seu pai o colocara novamente ao chão e Barbara assentiu sorrindo.
— Todos a bordo! — disse Charles se ajeitando de maneira que sua esposa e filho pudessem subir em sua costa.
— Pronto amor! — Barbara afirmou segurando firmemente na pelagem dele e em John.
— Vamos lá então! — e correram ao encontro da matilha desaparecendo entre as árvores.


Notas Finais


*************************
FIM

Mais uma vez agradeço por você ter disposto seu tempo na leitura de BloodLycan, Muito obrigada! ^w^
Espero que tenham gostado! <3 *abraça*


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