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História Bloodshot Eyes - Capítulo 8


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Notas do Autor


Olás! Sinto muito pela demora eu estava enfrentando uma crise de bloqueio criativo somada a falta de tempo devido as aulas teóricas da autoescola que eu comecei com um bônus do completo descontentamento com a season finale de Arrow. Eu espero que vocês gostem desse capítulo, tenham uma boa leitura!

Capítulo 8 - Im not a good guy


I've been roamin' and strollin' all of these streets

(Eu tenho perambulado e andado por todas essas ruas)

Burnin' my eyes red, not slept for weeks

(Queimando meus olhos os deixando vermelhos, não dormi por semanas)

Tested with torment, my future is bleak

(Testado com tormento, meu futuro é sombrio)

Insomnia — ZAYN

 

Oliver Queen

 

O líquido frio saia cristalino da torneira, havia espuma branca na pia que era levada para o ralo pela água incolor. Embaixo dela eu esfregava minhas mãos uma contra a outra com a maior força e velocidade possível. Elas precisavam estar limpas. Eu precisava sentir que elas estavam limpas.

Aquela não era a primeira vez que matava alguém, eu vinha fazendo isso com uma frequência assustadoramente grande. Mas era diferente atirar flechas contra homens armados que não pensariam duas vezes antes de me matar e atirar flechas contra uma criança. Eu não sabia o nome daquele garoto, tão pouco queria saber. Tudo o que eu queria era esquecer a expressão de dor e medo que tomou conta do rosto dele quando percebeu que iria morrer.

Quando percebeu que eu o tinha matado.

Aquela imagem não sairia da minha cabeça tão cedo, eu tinha certeza disso. Seria mais um dos muitos fantasmas que eu carregaria comigo para o resto da minha vida.

— Ollie? — Ouvi minha irmã me chamar.

Levantei o rosto e encarei seu reflexo no espelho. Ela tinha um semblante preocupado e receoso e me encarava com os olhos tristes.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntei, virando-me para encará-la.

— Roy me contou sobre ontem — ela respondeu. — Quer falar sobre isso?

— Não há o que falar, Speedy — afirmei. — O que está feito, está feito. Não posso mudar o passado e não posso mudar o que eu sou.

— E o que você pensa que é Oliver? — Thea se aproximou de mim de forma cuidadosa, seus olhos agora além de tristes estavam amedrontados.

— Eu sou um matador, Thea. — Assumi derrotado. — Sou um Capitão Bratva e faço o que preciso fazer para proteger a minha família e a irmandade. Foi para isso que fui criado a minha vida toda, não posso fazer diferente. Não sei fazer diferente. Não importa o quanto eu queira.

— Isso não é verdade, Ollie. — Minha irmã segurou meu rosto entre suas mãos me obrigando a encará-la. — Você pode fazer diferente. Você já está fazendo diferente. Se não fosse por você eu estaria a caminho da Rússia nesse exato momento para me casar com um velho decrépito. Você me deu a chance de viver a minha vida da maneira que eu quero mesmo que de uma forma limitada.

— Fiz isso porque você é minha irmã e eu iria até o inferno para manter você a salvo.

— Tudo bem, mas e Sara? Você a mandou para negociar com Ra’s Al Ghul, porque não quer se associar aos Nevsky. Porque sabe o que eles são e o que eles fazem.

— A aliança com Ra’s é uma forma de mostrar a nossa mãe que ela não pode me controlar.

— Quer prova maior de que você pode fazer as coisas de maneira diferente que essa? Dona Moira sempre apreciou o poder e nunca se importou com a forma de consegui-lo, ela venderia seus filhos para se manter em uma posição de destaque e segurança. Ela nos vendeu, Ollie. Ela não respeitou o desejo do papai.

Desviei meu olhar do dela.

— Eu sei que Robert Queen não foi o melhor pai do mundo para você. Eu sei que você não queria ter ido para Rússia. Eu sei que você não queria ter passado por tudo o que passou. Mas Oliver, ele sempre acreditou em você. Sempre. Ele tinha certeza de que você seria capaz de encontrar uma forma de levar os negócios da maneira menos sangrenta e mais justa possível. 

— Eu nunca quis fazer parte disso, Thea. Só que agora é muito tarde para querer alguma coisa. Eu sou o que sou. E eu faço o que fui instruído a fazer.

— Você pode até tentar se convencer disso, mas no fundo você sabe que eu tenho razão. Você é diferente, Ollie. E vai provar isso para todos nós. Não vou te dizer que vai ser fácil ou que você vai conseguir manter suas mãos limpas, mas você vai conseguir tornar o dano o menor possível. Eu acredito em você. E espero que você também possa fazer isso um dia.

— Quando foi que você virou a especialista em conselhos? — Soltei um pequeno riso.

— Eu tive um excelente professor — ela me dirigiu uma piscadela. — Um professor cabeça dura, mas excelente.

Thea se afastou de mim e passou pela porta me deixando sozinho novamente. Voltei a encarar a água caindo da torneira para o ralo. Talvez minha irmã tivesse razão eu pudesse mesmo tentar tornar as coisas mais justas e menos sangrentas. Fechei a torneira e encarei o espelho mais uma vez, eu precisava deixar esses pensamentos de lado. O Oliver CEO tinha trabalho a fazer ele já tinha problemas o suficiente para não precisar dos problemas do Oliver Capitão Bratva perseguindo-o.

Sai do quarto e desci as escadas, passei pelo corredor e avistei minha mãe e Helena tomando café da manhã na sala de jantar. Cumprimentei-as rapidamente e sai da mansão. Encontrei Diggle encostado no carro me esperando. Ele tinha uma expressão parecida com a da minha irmã, o que já era esperado. John não estava envolvido diretamente nos negócios da máfia. Ele era apenas o motorista dos Queen, mas seria impossível manter-se no cargo por tanto tempo sem saber dos segredos sujos que a nossa família guardava.

Assim como eu, Diggle era um sucessor. Seu pai havia trabalhado para o meu pai e depois que se aposentou ele assumiu o posto. Dig era pelo menos dez anos mais velho que eu e estava sempre disposto a me dar conselhos e a me ouvir. Ele não me julgava ou criticava, apenas dizia o que acreditava ser o certo fazer e eu geralmente o escutava.

— Bom dia — cumprimentei-o rapidamente e entrei no carro.

— Pelo visto sua noite não foi tão boa assim — ele retrucou entrando no carro.

— Por favor, Dig. Não quero falar sobre isso.

— Oliver existe uma grande diferença entre não querer e não precisar. Você pode até não querer falar, mas está na sua cara que você precisa.

— Podemos deixar isso para outra hora? Já tenho problemas demais para lidar na empresa.

Seguimos o caminho em silêncio. Outra coisa que eu — nem sempre — gostava em Dig era o fato de ele me conhecer muito bem e por isso respeitava o meu desejo de ficar em silêncio. Ele não concordava, era óbvio, mas respeitava.

— Oliver. — Dig me chamou antes que eu fechasse a porta do carro. — Se esconder sob os papéis da Queen Consolidated não vai mudar o fato de que você precisa por pra fora o que está remoendo — alertou-me. — Mas se você não quer falar comigo eu entendo. — Ele tinha um tom que me fazia lembrar o meu pai nos poucos momentos que tínhamos juntos. — Talvez Tommy seja um melhor ouvinte e conselheiro nessa situação. Ou talvez você precise falar com alguém que esteja de fora de toda essa bagunça. Independentemente de quem for, apenas fale, Oliver. Vai te fazer bem.

Fechei a porta do carro sem dizer nada a ele. Não porque me faltavam palavras, mas porque eu simplesmente não queria tocar naquele assunto. Passei pela recepção da empresa e cumprimentei alguns funcionários e empresários enquanto andava em direção ao elevador. Para minha sorte ele estava vazio, a última coisa que eu queria naquele momento era ter que manter um diálogo com alguém.

— Segure a porta! — Alguém gritou do lado de fora e eu obedeci instintivamente. — Obrigada.

Levei meus olhos até o rosto da pessoa e encontrei Felicity sorrindo para mim.

— Bom dia, chefe — ela disse rindo.

— Bom dia — respondi lhe dirigindo um pequeno sorriso.

— Você está estranho. — Felicity me encarava com uma expressão singular, sua testa estava franzida e suas sobrancelhas arqueadas de uma forma engraçada.

— O que quer dizer com isso? — Questionei e percebi tarde demais que eu deveria apenas ter negado sua acusação.

— Quero dizer que seu sorriso morreu antes de chegar aos seus olhos, portanto é um sorriso forçado e falso — explicou.

— Você deveria imaginar que eu não sou uma pessoa de sorrisos — dei de ombro.

— Eu sei disso, mas todas as vezes que eu vi você sorrindo eles eram de verdade. Aconteceu alguma coisa?

— Nada que valha a pena contar a você.

— Tudo bem. Você não precisa me contar. Eu sou só uma funcionária, mas tenho certeza de que John enquanto seu amigo e motorista não se importaria de ouvir você.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa a porta do elevador se abriu e Felicity saltou para fora da caixa de metal. Suspirei derrotado. Eu havia sido grosso com ela e ainda a fiz pensar que estava se metendo onde não devia.

Assim que cheguei ao andar da presidência Raíssa, minha ex babá e atual secretária, veio ao meu encontro.

— Tem um homem estranho te esperando na sua sala, Oliver — ela anunciou.

Olhei por cima de seus ombros e encarei a figura de Ra’s Al Ghul olhando a cidade  pelas janelas de vidro. Ele usava a armadura da Liga dos Assassinos e algo me dizia que aquela visita repentina não era um bom sinal.

— Tenha cuidado, menino. — Raíssa disse chamando minha atenção. — Esse homem não tem uma energia boa.

— Não se preocupe, Raíssa. — Tentei tranquilizá-la, mas tinha certeza de que não funcionaria. — Eu sei me cuidar.

Ela assentiu em silêncio e me deu passagem para que eu seguisse para minha sala.

— Ra’s — cumprimentei-o entrando no cômodo. — A que devo a honra de sua visita?

— Oliver Queen — ele pronunciou me encarando seriamente. — Devo admitir que você é um homem muito inteligente e ambicioso. A proposta que sua amiga Sara me levou era realmente tentadora.

— Por que eu suspeito que há um mas vindo em seguida. 

— Como eu disse, — retomou ele —  era uma proposta tentadora, mas impossível de ser aceita.

— Impossível? — Tentei entender a posição dele.

— Oliver eu conheço as filhas que tenho. — Ra’s declarou. — Thalia mataria você antes mesmo de ouvir a proposta.

— E Nyssa?

— Nyssa aceitaria o casamento — alegou. — E então mataria a nós dois e se tornaria a nova Cabeça do Demônio.

— Não acredito que você tenha vindo aqui apenas para rejeitar a minha proposta, Ra’s. — Eu tinha certeza de que ele queria algo de mim, só precisava saber o que era e se poderia usar isso a meu favor. — O que quer?

— Eu quero um novo sucessor, isso é óbvio — reconheceu. — Mas neste momento não seria inteligente escolher um dos homens da Liga para esse lugar. — Informou ele, me deixando confuso.

— E porque não?

— Eu suspeito que há uma conspiração surgindo contra mim, uma conspiração liderada por minha própria filha, Thalia. — Ra’s tinha um tom pesaroso que me surpreendeu mais que a revelação que ele havia feito. — Eu não posso permitir que ela consiga o que quer. Thalia é uma pessoa instável e perigosa, mais perigosa que qualquer outro membro da Liga. Se ela assumir o poder eu temo pelo que ela é capaz de fazer. — Justificou ele. — Por isso eu vim até aqui, para lhe fazer uma contraproposta: venha para Nanda Parbat, treine comigo e seja o próximo Ra’s Al Ghul.

— Eu sou um Capitão Bratva, você sabe muito bem que não posso sair de Star City e abandonar a irmandade. — Lembrei-o tentando não soar rude. Ra’s não era alguém que eu quisesse como inimigo, portando falar com ele era como pisar em ovos: qualquer mínimo deslize colocaria tudo a perder.

— Imaginei que diria isso. — Ele riu sem humor. — É uma pena, mas eu entendo. Você é um homem de honra, Oliver Queen. E sendo um homem assim cumprir com as suas obrigações e deveres, faz parte da sua natureza. É a verdade incontestável. — Alegou ele me encarando. — Eu tenho consciência de que seu interesse pela Liga é apenas porque não quer se aliar aos Nevsky e acredite quando eu digo que admiro sua coragem e honestidade. Mas já que não faremos negócios, eu voltarei a Nanda Parbat. — Anunciou ele andando em direção à saída da sala. — Espero que tenha sorte e consiga uma solução para escapar das garras de Aleksandr Gorkov. — Ele me encarou e abriu a porta em seguida.

— Ra’s — chamei-o. — E quanto à Sara?

— Sara Lance é nossa convidada — declarou. — Ela demonstrou ser uma pessoa tão honrada quanto você e eu ofereci a ela a chance de treinar com a Liga. — Ele explicou tranquilamente. — Ela pode voltar a Star City quando quiser, mas acho que ela prefere ficar em Nanda Parbat por enquanto.

Ra’s saiu de minha sala e eu me joguei em minha cadeira. Minha tentativa de evitar o acordo com os Nevsky tinha falhado. Eu precisava de um novo plano. Não iria me casar com Susan Williams e definitivamente não iria deixar minha família nas mãos do irmão dela.

Senti o olhar de Raíssa sobre mim do outro lado do vidro, ela se aproximou e entrou na sala. Ainda mantinha uma expressão preocupada.

— O que aconteceu? — perguntou. — Quem era aquele homem? O que ele queria com você?

— Não se preocupe, Raíssa — pedi tentando tranquilizá-la. — Era apenas um negócio que não consegui fazer com que desse certo.

— Um negócio negócio ou um negócio? — Ela me encarou profundamente.

— Eu não entendi o que você quis dizer — soltei um pequeno riso.

— Não se faça de desentendido, eu sei que bem que a sua mãe queria que você assumisse o lugar do seu pai em todas as ocupações dele.

— Não faz diferença agora, Raíssa. — Suspirei derrotado. — Não deu certo. Preciso pensar em outra saída.

— Você sempre foi um garoto bom, Oliver — lamentou ela. — É uma pena ver o que a sua família e os negócios dela fizeram com você.

Assisti Raíssa sair da sala em silêncio. Ao mesmo tempo em que queria ter uma resposta para dar a ela, sabia que nada jamais soaria verdadeiro. Não quando eu tinha consciência de que ela estava certa. Os negócios dos Queen não tinham afetado apenas a vida de Thea como eu gostava de fazer as pessoas ao meu redor pensarem. Eles também tiveram uma grande influência sobre o que eu gostaria de ter feito e o que eu realmente fazia.

Era óbvio que eu preferia manter essa informação em segredo. As únicas pessoas com quem eu costumava dividir esse fardo eram Diggle e Helena. Ele porque era sem dúvidas o meu melhor amigo e mais sábio conselheiro, nem mesmo Tommy era capaz de me passar a confiança e a segurança que John passava. E Helena porque como ela mesma dizia representávamos o mesmo lado de moedas de troca diferentes, fomos criados para sermos aquilo que a família exigisse de nós.

Por quanto tempo iríamos sobreviver a essa condição era um grande mistério. No entanto a maior de todas as incógnitas era saber o que sobraria de nossas almas quando tudo chegasse ao fim.

Se é que um dia isso teria fim.

— x — 

— Posso entrar?

A voz de Felicity surgiu na sala me obrigando a tirar os olhos da pilha de papel a minha frente e fixá-los em seu rosto. Quando nos encontramos pela manhã eu mal pude reparar no quão bonita ela estava. Seus cabelos presos em seu habitual rabo de cavalo permitiam uma visão mais clara de seu rosto. Eu não saberia dizer se ela estava maquiada ou não, mas o tom rosa vibrante que cobria seus lábios parecia convidativo. O vestido branco de corte reto e sem decote tinha uma faixa preta em cada lateral e era preso por um cinto fino da cor do batom.

— Claro, por favor. — Respondi torcendo para que o tempo que eu gastei analisando-a não tivesse sido longo demais.

— O Departamento de TI recebeu um chamado da presidência — contou ela. Os saltos pretos batendo no chão enquanto ela caminhava em minha direção e parava entre as cadeiras que ficavam do outro lado de minha mesa. — Um chamado bem específico exigindo a minha presença aqui.

— Eu queria me desculpar — declarei de uma só vez.

Felicity arregalou os olhos surpresa com a minha fala. Ela demorou um pouco para assimilar minhas palavras e reagir a elas.

— Desculpar?! — Repetiu confusa. — Pelo quê?

— Pela forma como falei com você hoje mais cedo — lembrei-a. — Eu não queria ter sido grosso, eu apenas não queria despejar meus problemas em cima de você.

— Tudo bem, Oliver. Você não precisa se desculpar por isso. — Felicity suspirou pesadamente. — Eu realmente só queria ajudar. Você parece precisar de ajuda.

— É uma situação complicada. — Senti meu rosto se contorcer em uma expressão de desgosto involuntária assim que as memórias me vieram à mente.

— Por que não saímos para almoçar e você me conta? — Ela sugeriu de repente, num tom animado. — Ou não me conta — emendou. — Pelo menos vai servir para distrair um pouco a sua mente.

— Você está me chamando para almoçar depois de ter negado todos os meus convites? — Ergui uma sobrancelha encarando-a. — O que a faz pensar que eu vou dizer sim, senhorita Smoak?

— O fato de você ter me convidado para sair com você por pelo menos sete vezes desde a sua festa de posse? — Rebateu ela com um olhar presunçoso.

— Culpado. — Um sorriso inconsciente escapou pelos meu lábios.

— Finalmente um sorriso de verdade — exclamou satisfeita. — Completamente diferente daquela coisa que você me dirigiu hoje de manhã.

— Vamos almoçar, Felicity. — Levantei-me, cortando o assunto antes que ela se estendesse. — Antes que você mude de ideia.

Saímos de minha sala sob o olhar atento de Raíssa e entramos no elevador. Ela acenou positivamente para mim antes de a porta fechar. 

— Onde vamos almoçar? — perguntei encarando-a.

— No único lugar nessa cidade em que eu poderia pagar um almoço pro meu chefe. — Felicity respondeu sorrindo antes de prosseguir em tom de mistério: — Big Belly Burger.

— Você não precisa pagar o meu almoço — afirmei.

— Se fosse o contrário, eu aceitando um convite seu para almoçar você não iria querer pagar o meu almoço? — Retrucou ela cruzando os braços.

— Sim, mas…

— Não me venha com “mas”, Oliver! — Ela levantou a mão direita me interrompendo. — Quem convida paga esta é a minha regra.

— Devo supor que você vai rejeitar todos os meus futuros convites apenas para não me deixar pagar a conta?

— Você é um homem muito esperto, senhor Queen. — Ela me dirigiu uma piscadela.

— Nesse caso eu terei que recusar seus futuros convites também. — Dei de ombros.

— Quem garante que eu vou repetir o convite? — Felicity riu. — Eu nem sei se você é uma companhia agradável para uma refeição.

— Eu sou uma companhia agradável para qualquer coisa, Smoak — garanti. — Tenha certeza disso.

O Big Belly Burger não era longe da empresa como eu havia imaginado. Estava localizado na rua de trás e parecia vazio para o horário do almoço.

— Você acreditaria se eu dissesse que nunca tinha vindo aqui antes? — Contei analisando o local.

— É claro que eu acreditaria, o que Oliver Queen faria em um Big Belly? — Felicity zombou.

— Aparentemente, almoçar com Felicity Smoak.

Uma garota se aproximou de nós e anotou nossos pedidos. Contrariando a todas as minhas expectativas Felicity pediu um dos maiores lanches da casa. Ela riu da minha expressão de surpresa e debochou do fato de eu esperar que ela fosse pedir uma salada ou algo do tipo em uma rede de fast food.

— Vai me contar o que deixou você chateado? — Perguntou Felicity depois de um tempo. — Foi algo com a empresa? Com sua família?

— Não — afirmei. — Foi algo comigo.

— Aconteceu alguma coisa? Você está doente? Ameaçaram você? — Felicity deixou seu sanduíche no prato e me encarou preocupada.

— Felicity, calma — pedi sabendo que seria em vão. — Foi algo que eu fiz. — Suspirei pesadamente. —  Algo ruim, muito ruim. Eu não deveria ter feito. Eu queria não ter feito, mas eu fiz.

— Fez o quê Oliver? — Seus olhos azuis estavam cravados nos meus e eu era capaz de ver a aflição e o cuidado que eles expressavam.

— Não posso dizer — declarei. — Não quero que as coisas entre nós fiquem estranhas. — Era verdade, a última coisa que eu desejava era colocar Felicity no meio dos meus problemas, ela era uma das poucas coisas normais que eu tinha. Não me atreveria a perdê-la. — Apenas acredite quando eu digo que me arrependo profundamente de ter feito.

— Eu acredito — declarou ela. — Você é um bom homem, Oliver. O que quer que você tenha feito tenho certeza de que era sua única opção. 

— Você realmente acredita isso? — questionei esperançoso.

— Isso o quê?

— Que eu sou um bom homem?

— É claro que sim. — Felicity sorriu genuinamente. — Você foi gentil comigo quando ninguém mais tentou. Você me socorreu e me levou para o hospital, pagou a conta e ainda me deixou em casa. Sem contar que conseguiu fazer com que eu não perdesse o meu emprego. — Ela mantinha os olhos fixos nos meus enquanto trazia de volta as memórias de quando nos conhecemos. — E o mais importante de tudo: não olhou para a minha calcinha enquanto eu estava toda desengonçada no chão.

Soltei um pequeno riso ao ouvi-la dizer a última frase. Era estranho pensar que uma coisa tão simples como agir com educação e respeito aparentava ser de outro mundo e me fazia parecer uma espécie diferente de homem.

— Eu vejo que você se arrependeu — continuou num tom doce. — Isso só mostra que você é uma pessoa que está disposta a fazer o possível para não repetir os mesmos erros. Não fique remoendo essas coisas, tire delas lições para seguir em frente e ser melhor.

— Obrigado — agradeci verdadeiramente. — Eu realmente acredito que precisava ouvir isso de alguém. Minha vida tem sido tão conturbada nos últimos meses que eu acho que me esqueci de que eu também sou um ser humano propenso a cometer erros.

— Sempre que precisar de alguém para te lembrar disso pode contar comigo. — Felicity declarou.

— Só se na próxima vez você me deixar pagar o almoço — brinquei para amenizar o clima tenso.

— Posso pensar no seu caso, Senhor Queen. —  Prometeu ela sorrindo abertamente.

Eu sabia o que estava acontecendo. Naquele exato momento eu podia ouvir as paredes ao meu redor ganharem rachaduras profundas. Felicity Smoak estava batendo contra elas de forma violenta e não fazia ideia do perigo a que iria se expor caso elas viessem ao chão. Eu precisava ser forte e me manter firme e resistente às suas impensadas investidas. 

No entanto, eu me conhecia bem o suficiente para saber que eventualmente ela iria transpor todas as minhas defesas. Eu precisava me preparar para isso, para protegê-la do meu mundo e principalmente do verdadeiro Oliver Queen.


Notas Finais


Agora com a volta da faculdade talvez eu só consiga postar um capítulo por semana, mas pretendo postar toda semana sem falta. Vejo vocês no próximo capítulo!


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