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História Bloody Mary ERERI - Capítulo 11


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Capítulo 11 - Capítulo 11


"Eu posso explicar!" implorou quando foi arremessado na direção de sua mesa, o que fez várias coisas caírem no chão com o impacto.

"Eu pedi somente uma coisa. Uma única coisa, e mesmo assim não conseguiu cumprir! Por acaso você é um inútil?!" gritou Levi, sua voz ecoando por toda a sala fez com que Kuchel tremesse de medo do lado de fora da diretoria.

Empurrando a cadeira que os separava para longe de si, Levi deu um passo em frente, sua feição se tornando ainda mais sombria pelo choramingado incessante do homem aos seus pés. "Eu preciso dos mais capacitados para proteger o meu homem, e é isso que têm a me oferecer?! Caso sua respostas não seja convincente, já sabe... Não é?" ao dizer isso, ele ergueu sua mão, deixando amostra as unhas que brilhavam na ponta de tão afiadas que estavam.

"Eu falhei, Lady Mary. Eu sinto muito, e peço perdão por não ter protegido o Lord Jaeger." disse sem sequer conseguir manter contato visual com o garoto em sua frente, que transbordava uma aura incrivelmente obscura. "Mas... Eu posso me redimir."

Erguendo uma sobrancelha, Levi permaneceu em silêncio ao cruzar os braços sobre seu peitoral, esperando com bastante impaciência pela continuação. Depois de tudo isso, ele tinha que ir ver o Eren ainda! Claro, quando chegar lá, ele cuidará bem dele. Mas para isso, ele tinha que resolver um dos grandes problemas que havia aparecido.

"Reiner Braun." falou, engolindo em seco com o olhar sombrio do outro. "Dezessete anos, filho único."

"E daí? Quer que eu o mate? Está me dizendo o que devo fazer?" segurando-o pelo ombro, Levi se inclinou em sua direção, deixando um sorriso sádico aparecer quando enfiou suas unhas na pele do homem.

Quando estava prestes a gritar de dor, foi contido pela mão fria do Levi. Suando frio pelo medo e aflição, ele tentou o máximo manter a calma, enquanto Levi parecia se divertir com toda a situação. "Surpreenda-me." ordenou ao puxar sua mão de volta, não se importando com a quantidade de sangue que saía da ferida causada ou do sangue que pingava pelo chão através de suas unhas, apesar de odiar sujeira.

"Eu o deixei numa sala com um pequeno espelho." falou rapidamente, tentando conter o sangramento ao segurar o local. "Peço que use isso ao seu favor."

Uma rápida curiosidade passou pelo olhar hostil do Levi, que ao ouvir isso, sorriu. "Como farei isso? Algum palpite?" provocou, encostando-se na mesa ao lado do homem.

Procurando rapidamente um pequeno espelho dentro das gavetas, logo quando o encontrou, entregou-lhe. "Use-o."

Olhando para seu reflexo no pequeno objeto que era menor que sua mão, Levi deixou com que um sorriso maligno aparecesse quando uma ideia surgiu. Dando umas tapinhas no topo da cabeça do homem, ele afastou-se da mesa um pouco mais alegre. "Nunca duvidei de sua capacidade."

"Vá somente na direção do Eren, Lady Mary. E após se aproximar dele, fique por lá. As câmeras não o pegarão da maneira que a senhora planeja."

Virando-se para encará-lo, Levi parou próximo da porta, sorrindo por ver a feição dele cheia de temor. "Eu sei disso." riu.

Com isso, ele simplesmente saiu e fechou a porta. E Kuchel, ao sentir a sua presença, logo voltou sua atenção para ele. "O que devo fazer?"

"Fique aqui e o ajude. Dei um toque nele para que não erre nunca mais. Irei até onde o Eren está agora." foi a única coisa que disse antes de sair com passos longos, deixando a mulher para trás.

Desviando seu olhar do filho, ela respirou fundo ao tomar coragem o suficiente para entrar na sala. Não mentiria que estava com medo do que veria depois de tanto barulho lá dentro. Quando sua mão entrou em contato com a maçaneta e que ela abriu, de imediato arregalou seus olhos ao ver a quantidade de sangue no ombro do diretor. Por pouco não tinha atingido um local mortal. Levi apenas o feriu, mas sem ter intenção de matá-lo. Isso ela reconhecia muito bem.

E enquanto ela ia na direção do diretor para fazer um curativo, Levi andava com passos longos pelos corredores. Por um momento, ele havia realmente esquecido do que estava prestes a fazer em prol de ter a certeza de que Eren estava bem. Se alguém de fora o visse, não notaria outra coisa senão a mais pura preocupação. E pelo ritmo que ele seguia, seu cabelo negro balançava de acordo com cada passo, uma cena linda, embora o olhar do mesmo demonstrasse o contrário. Seu coração apertava somente em pensar como Eren estava, mas sua mente era tão clara quanto a luz. Ele mataria quem o machucou.

Conforme se aproximava da enfermaria, ele teve que se acalmar o máximo que podia, escondendo bem o brilho em seu olhar quando adentrou o local. Ao olhar em volta, ele franziu o cenho em irritação por a maioria das camas estarem sendo escondidas por meio de cortinas brancas, o que o deixou ainda mais ansioso. Por mais que odiasse ter que admitir isso para si mesmo, saber que Eren estava machucado o assustava muito e sempre o deixava sem chão, o que fazia ele agir por impulso muitas vezes.

"Tsk."

Estalando sua língua em irritação, ele olhou em volta mais uma vez antes de seguir o primeiro corredor de camas, abrindo as cortinas de uma em uma em busca do seu Eren. E quando estava prestes a perder sua paciência ao não tê-lo encontrado em nenhuma, ouviu de longe a voz daquela sua prima, que nem sequer tinha se dado o trabalho de decorar o nome, e do namorado dela. Claro, eles tinham que estar lá. Depois de tudo, eram amigos. Pensou com desânimo. E apesar da falta de vontade de querer ver os dois, ele se viu tomando uma profunda respiração antes de seguir na direção do som. Ele estava lá pelo Eren, não por eles.

Quando se aproximou de uma determinada cama, ele pôde ver as figuras altas da Mikasa e do Armin através das cortinas, e isso o fez suspirar. Eles realmente tinham que estar vivos? Depois de tudo, Eren só ficou irritado com ele por causa deles. Isso pode significar que eles estejam entrando em seu caminho... Não. Eles não o machucaram. Ele tinha que se lembrar, seus inimigos são quem tenta machucar o Eren. Aqueles dois idiotas eram seus amigos, pessoas importantes para ele. E se eram pessoas importantes para o seu Eren, ele podia suportá-las facilmente.

Estendendo sua mão, ele abriu a cortina, o que fez Armin e Mikasa voltarem suas atenções para a nova abertura, vendo a figura assustada do Levi em troca.

"Levi? O que faz aqui?" perguntou Armin, tentando não parecer rude apesar de guardar rancor pelo acidente com a Mikasa, que por sinal, desviou o seu olhar para não ter que manter contato visual com o primo.

"O-o diretor..." falou em um tom vacilante, então forçou uma tosse para continuar. "Ele ligou lá para casa, já que a senhora Carla e o senhor Grisha estavam no trabalho. Aparentemente, mamãe é uma pessoa extra que ele pode recorrer."

"Tudo bem a tia Kuchel vim, faz até sentido e tudo mais. Mas e você? Por que veio?" questionou Mikasa, e por um momento Levi teve que se controlar.

"E-eu... Gosto do Eren. Ele é meu amigo. Não posso deixar de vim vê-lo. Mesmo que ele não queira me ver." admitiu em um tom cabisbaixo, que demonstrava toda a sua amargura em relação a separação repentina deles.

"Você deslocou meu pulso, o que queria? Eren é do tipo protetor com seus amigos."

Franzindo o cenho, Levi não conseguiu se impedir de revidar: "A culpa não foi minha se você é fraca e não conseguiu me conter." cruzando seus braços sobre o peito, ele virou o rosto para o lado. "E outra, estou aqui por ele, não por vocês."

"Ah, sua víbora...!" antes mesmo que ela pudesse fazer algo, um tosse seca veio do Eren, como se ele estivesse tentando respirar melhor.

"Eren!" chamou Levi por impulso, passando entre os dois sem dar importância alguma, e quando parou ao lado do mesmo na cama, logo segurou em sua mão. Amaldiçoando-se internamente por não ter estado lá no momento para protegê-lo. E agora, vendo todos aqueles machucados, ele não conseguiu se impedir de chorar. Ele havia falhado outra vez.

Abraçando-se à ele, Levi chorou baixinho enquanto dizia em voz baixa o quanto sentia muito por não ter estado lá para protegê-lo de tudo isso. Com toda a certeza de todos os seus anos de vida, aquele maldito do Reiner irá pagar pelo que fez ao seu amor. Levi não deixaria isso passar de modo algum. Seu pobre Eren... Estava tão machucado!

Armin, que por mais irritado que estivesse com o Levi, acabou se sensibilizando ao contrário da Mikasa, que permaneceu irritada com ele. Ao vê-lo chorar como se Eren estivesse morrido, Armin franziu o cenho e permaneceu em silêncio. Levi realmente tinha tanto medo assim de perder o Eren? Se esse fosse o caso, ele poderia muito bem conversar com a Mikasa e dar uma volta nessa situação toda de uma maneira pacífica e sem brigas. Pensou consigo mesmo. Com um suspiro baixo, ele tocou no ombro da mais alta, chamando a atenção dela para si. E quando a mesma olhou em seus olhos, ele simplesmente disse: "Vamos sair um pouco."

A princípio, ela iria negar apenas por birra, mas acabou concordando somente pelo olhar determinado que Armin lhe dava. "Tudo bem." falou, o que fez Armin sorrir aliviado.

Pegando em sua mão, ele deu um leve aperto antes de puxá-la na direção das cortinas. "Vamos."

Virando-se antes de atravessar a cortina, ela franziu o cenho ao ver que Levi ainda não tinha parado de chorar somente por causa de uma tosse. "Eu volto." fez questão de dizer, mesmo que algo dentro dela soubesse que não. E após isso, ela se deixou ser levada de bom grado pelo Armin para fora da enfermaria.

E enquanto o casal se afastava, Levi voltava a olhar com atenção para o rosto adormecido do Eren. Com bastante cuidado, ele fez um carinho em seu rosto, colocando uma mecha atrás de sua orelha antes de depositar um longo beijo em sua testa. Quando se afastou, ele enxugou algumas gotas de suas lágrimas que haviam molhado o rosto do outro e permitiu que um pequeno sorriso triste aparecesse.

"Eu prometi te proteger, mas falhei dessa vez. Mas agora... Nada, nunca mais, passará por mim. Eu morro, mas você ficará bem, meu amor. Eu juro." dito isso, ele deu um beijo bem próximo da boca do outro, quase como um meia-lua.

Afastando-se novamente, ele se sentou na cama e continuou observando-lhe com bastante carinho. Para sua surpresa, em um ato de reflexo, Eren movimentou a mão e pegou a sua, dando um aperto consideravelmente forte. O que Levi entendeu como um pedido silencioso para não ir. E com esse pensamento, novamente as lágrimas vinheram. "Eu não vou ir embora outra vez, Eren. Eu prometo que ficarei ao seu lado até o fim dos meus dias nessa vida." sorriu

Olhando em volta, ele pegou o pequeno espelho de dentro do bolso de seu vestido e o encarou de uma maneira fria. Fechando seus olhos, ele se deitou lentamente ao lado do Eren, tomando cuidado para não acordá-lo ou então magoar ainda mais seus machucados. Já deitado, ele apoiou sua cabeça no peitoral do maior, ouvindo seu coração bater. E após alguns segundos daquele jeito, ele sorriu de uma maneira involuntária por tal contato extremamente novo. Inclinando sua cabeça, ele olhou novamente para a feição do Eren, como se tivesse medo de poder esquecê-la outra vez.

"Eu te amo, Eren." disse em um tom baixo, corando fortemente quando ele mexeu um pouco seu rosto.

Mordendo seus lábios pela timidez, ele voltou a apoiar sua cabeça no peitoral do Eren. Implorando mentalmente para que ele não tivesse ouvido isso e o achasse estranho. E enquanto seu coração ia a mil com o calor corporal do Eren contra o seu, sua mente o forçava a lembrar do que teria que fazer. Do canto de seu olho, ele notou só naquele momento que havia uma câmera gravando cada movimento seu e isso o fez franzir o cenho. Era isso que o diretor comentou? Caso seja, seria muito fácil. Com esse pensamento, ele olhou para o pequeno espelho em sua mão e após alguns segundos observando seu reflexo, logo a escuridão o consumiu e ele dormiu.

Quem assistisse as gravações das câmeras espalhadas por toda a enfermaria, veria que Mikasa e Armin haviam saído há um bom tempo, que as enfermeiras estavam tomando café em sua sala de descanso, e que Levi havia caído no sono ao lado do Eren, o que não atrairia a atenção de ninguém. Afinal, fora a ocorrência de mais cedo, o dia estava sendo extremamente calmo e nada fora do comum. Bem, isso até que a câmera que filmava a maca onde Reiner estava deixasse de funcionar de repente, como se tivesse sido quebrada a força bruta.

Saindo da escuridão que era o mundo através dos espelhos, Levi olhou para seus pés e franziu o cenho com as marcas que seus passos deixavam no chão. Erguendo sua mão, ele arrancou o caco que estava preso em sua garganta enquanto ia na direção de onde Reiner estava deitado. Com cada passo dado, o rastro de sangue deixado para trás aumentava, principalmente quando ele parou de andar, o que fez uma poça se formar ao redor de seus pés.

Abrindo seus olhos lentamente, Reiner sentiu como se o mundo ao seu arredor girasse devagar. Ele podia sentir bem sua cabeça latejar, e isso o lembrou de mais cedo, o que fez seu sangue ferver. Ele tinha que acabar com a raça podre daquele gayzinho de merda. Franzindo o cenho em irritação, ele piscou uma e outra vez, tentando se acostumar com a claridade do lugar. Por algum motivo, ele via o reflexo de uma figura parada bem do seu lado e isso fez seu sangue gelar. Eram seus pais?! Quando sua vista finalmente se acertou e ele pôde ver melhor quem era, a primeira coisa que ele teria feito seria zombar do garoto travesti de sua sala. Mas tudo desapareceu de sua mente quando ele notou uma coisa, por que diabos ele estava ensopado de sangue? Olhando para o garoto, ele notou o quão pálido ele estava e ao ver a perfuração em sua garganta, ele acreditou que estava louco. Talvez ele tenha subestimado a força do Gayguer, e agora ele esteja vendo coisas por causa da batida.

Quando Levi ergueu seu braço para segurar Reiner no lugar, o mesmo arregalou seus olhos ao ver o corte profundo que havia em seu braço. "O Q-" antes mesmo que pudesse terminar de falar, Levi tampou sua boca facilmente, segurando-lhe no lugar somente com uma mão.

Arregalando seus olhos em pavor, Reiner gritou de dor quando as garras do Levi perfuraram seu rosto. Levi, por outro lado, não demonstrou nada em relação aos gritos abafados de terror e dor. "Está com medo?" questionou de uma maneira monótona, ganhando em troca um olhar apavorado e cheio de lágrimas. "Que bom." sorriu

Sem sequer pensar duas vezes, Levi cortou a garganta do Reiner com sua mão livre, não sentindo exatamente nada ao ver a vida se esvair do garoto da sua idade. Soltando o rosto dele, Levi estendeu sua mão em sua própria direção, lambendo o sangue dele por motivo nenhum.

"Até mesmo o seu gosto é horrível. Você é sem graça. Nem mesmo sua morte me divertiu." com cada frase dita, ele dava um passo para trás, indo na direção de onde havia saído. "Você foi uma péssima maneira de perder meu tempo. Mas espero que sua morte seja um aviso para nunca mais mexerem com o meu amor."

Virando-se para encarar o pequeno espelho que havia sido deixado bem escondido ao lado do criado mudo que ficava próximo da cama, Levi olhou para seu reflexo antes de fechar seus olhos, não querendo ter essa imagem por mais tempo. Longe dali, Armin e Mikasa se encontrav voltando para sua sala de aula, já que agora que Eren iria embora, eles não precisavam mais ficar na enfermaria.

"O que foi isso de repente?" perguntou Mikasa após um bom tempo pensando sobre a ação do companheiro.

"Há algo no Levi que me deixa inquieto. Pode parecer besteira, mas para mim, têm algo à mais no Levi. Algo que não podemos saber, se é que me entende."

"Por que? Digo, se têm tanta desconfiança nele, por que o deixou com o Eren?"

"Porque sinto que Eren é o único que ele não pode perder."

"Você parece bem avoado, Armin. Não está falando coisas com sentidos. Até porque é meio óbvio que eles estão se interessando um no outro. Você viu como Eren ficou nas últimas semanas, certo? Sem contar que... Você viu as olheiras no Levi? Acho que ele não estava muito bem nas últimas duas semanas. Assim como o Eren."

"Você não está entendendo onde quero chegar. Quer dizer, nem mesmo eu entendo. Parece loucura, mas há algo que me diz para não abaixar a guarda para o Levi. Tipo, não que ele seja alguém que possa ser uma ameaça para nossas vidas ou algo do tipo. Eu somente sinto isso. E eu quero entender o que é isso que estou sentindo."

"Seja o que for, estarei do seu lado." disse Mikasa ao olhar dentro dos olhos azuis do namorado, "Depois de tudo, ele deslocou meu pulso e jogou a culpa em mim. Só ficarei satisfeita quando eu colocá-lo contra a parede."

"Não é bem vingança o que eu quero, sabe? Mas se é isso que te fará investigar junto a mim, eu posso aceitar." sorriu, rindo baixinho logo depois pelo fato da namorada estar realmente irritada mais pelo fato do comentário do Levi do que o ferimento em si. "Orgulho frágil. Esse é um bom apelido para você." provocou

"Creio eu que um apelido perfeito para você seria bebê chorão, já que ficou chorando o tempo todo na ambulância."

"Ei! Você também chorou!"

"Eu estava com dor, e você? Você é a famosa Maria vai com as outras. Assim que me viu chorar, chorou também de besta que é."

"Não é realmente minha culpa ser sentimental, Mikasa!"

Enquanto Armin parecia bastante ofendido, Mikasa sorria ao revirar os olhos, amando a maneira como deixava o namorado sem chão somente com alguns comentários por sua sensibilidade com tudo. Após mais alguns passos, eles pararam em frente a porta. "O bebê chorão primeiro?"

"Vai se foder." foi a única coisa que ele disse antes de entrar primeiro, o que fez Mikasa rir e entrar logo depois.

Já na sala do diretor, Kuchel terminava de costurar os cortes após tê-los desinfectados um por um. "Sinto muito. Não consigo controlar o Levi quando o assunto envolve o Eren. Ele simplesmente fica fora de si, e nada consegue pará-lo."

"Tudo bem, Senhora Ackerman. Eu entendo a ira da Lady Mary. Eu, como um humilde servo, falhei logo de cara em proteger o Lord Jaeger." falou, franzindo o cenho quando ela furou sua pele outra vez com a agulha. "Nunca pensei que aquelas unhas pudessem ferir tanto."

"Levi me contou uma vez que as usa para cortar suas vítimas. São como garras, servem para estraçalhar suas presas com facilidade. E por causa disso, elas se tornaram amareladas, como se estivessem podres. Por isso ele só pinta de cores escuras. Ele quer escondê-las do Eren."

Cortando a linha, ela terminou de costurar, e antes que cobrisse com o gaze, ela usou um spray anti-bacteriano. "Espero que isso resolva seu problema." dito isso, ela se afastou.

Colocando outra blusa social, já que sua antiga estava rasgada e ensanguentada, ele se levantou da cadeira e moveu com cuidado o ombro. "Está ótimo. Não sei como agradecer tamanha ajuda, Senhora Ackerman."

Olhando para ele com seriedade, ela foi logo no ponto ao dizer: "Apenas não falhe novamente. Desculpa dizer, mas é a felicidade do meu filho que está em jogo. Mal ou não, é o meu filho. Por tudo o que ele já passou, ele merece uma vida boa e feliz agora. Então, não falhe."

Engolindo em seco com o olhar frio da mulher em sua frente, ele apenas assentiu. "Entendo. Não falharei novamente."

"Acho bom mesmo. Senão, da próxima vez, farei questão de nem tentar mudar a cabeça do Levi para ouvir alguma desculpa." dito isso, ela deu as costas e saiu da sala sem sequer olhar para trás. Ela só tinha um objetivo em mente, encontrar o Levi e o Eren e levá-los embora.

Já na enfermaria, Levi ainda não havia recobrado a realidade, o que rendeu ao Eren a vista do outro dormindo abraçado a si. Piscando uma e outra vez, Eren sentiu seu coração bater acelerado com o peso do outro em seu peitoral. Ele havia vindo vê-lo? Mesmo depois de ter gritado com ele, ele ainda veio? Droga, Eren queria chorar. Como ele podia ser alguém tão desprezível? Seu coração apertava com tal pensamento. Ele odiava pensar que o magoou de alguma maneira, e vê-lo todo encolhido ao seu lado só aumentou a sua vontade de guardá-lo num potinho onde só ele o teria.

Levantando-se com cuidado, ele se sentou na cama, deixando Levi continuar dormindo em seu colo. Olhando em volta, ele suspirou ao recordar o que havia acontecido. Mordendo sua bochecha interna, ele se encolheu com o pensamento das pessoas zoarem ele ainda mais por ter comprado briga com Reiner e ter apanhado feio. Voltando seu olhar para o Levi, ele torceu para que ele não sentisse vergonha em estar ao seu lado. Afinal, ele era um inútil que sempre era espancado pelos corredores.

Suspirando com o que havia acabado de pensar, Eren corou fortemente logo em seguida quando Levi esfregou sua cabeça inconscientemente na parte de frente de sua calça. Tirando o Levi com cuidado de onde estava, ele o deixou deitado com a cabeça apoiada nos travesseiros antes de sair com cuidado, sentindo todo seu corpo doer quando pôs os pés no chão. Apoiando-se na cama, ele respirou fundo ao fechar seus olhos, esperando que a tontura diminuísse.

"E-eren..."

Assustando-se, ele se afastou da cama o mais rápido que pôde, temendo que Levi descobrisse o que havia acontecido de alguma maneira e ficasse com raiva. Mas para sua surpresa, Levi continuava dormindo e pelo que havia acabado de perceber, estava sonhando com ele. Com um pequeno sorriso doce, ele se aproximou novamente, inclinando-se em sua direção para poder ver os detalhes da feição suave que o outro tinha ao dormir. Porra, ele queria beijá-lo.

Como se algo o atraísse cada vez mais, ele se viu aproximando-se do rosto do outro até que pudesse sentir a respiração dele contra a sua. Mordendo seus lábios, ele tentou conter a vontade de beijá-lo, mas a tentação só aumentou quando Levi abriu seus olhos, despertando-se lentamente.

"Huh? Ere-"

Arregalando seus olhos, Levi segurou nos ombros do maior quando ele puxou um beijo. O que tinha feito? Eren simplesmente o beijou do nada! Ele estava feliz! Fechando seus olhos, ele deu seu máximo para conseguir acompanhar o ritmo que Eren havia posto. E quando o mesmo subiu na cama e ficou sobre ele, Levi mal conseguiu conter sua animação e medo. Isso havia sido muito próximo.

Gostando de saber que Levi havia retornado com a mesma intensidade, o medo de uma possível atração unilateral foi desfeito em segundos, o que fez Eren ter um pouco mais de confiança. Ele não era do tipo que ficava com qualquer garoto que se atraía, mas havia algo em Levi que o fazia entrar em combustão e querer sempre ele. Cada vez mais, nunca o suficiente. Eren precisava de mais.

Quando o ar se fez necessário, Levi rompeu o beijo bastante ofegante. Virando seu rosto para o lado, ele mordeu a mão numa tentativa de conter um gemido quando Eren beijou seu pescoço antes de mordiscá-lo. Ele podia sentir a mão dele entrando por de baixo do seu vestido, e isso o assustou.

"E-Eren..." chamou com apreensão. Ele não estava gostando desse ritmo. "E-espera."

Eren estava tão perdido em seus pensamentos, que quando a voz do Levi ecoou em sua mente, ele já estava terminando seu primeiro chupão. Afastando-se dele, ele ficou de joelhos em sua frente, corando igualmente como o menor. Ao ver Eren de joelhos em sua frente, Levi juntou suas pernas com força ao se afastar um pouco dele. Ele podia sentir suas bochechas esquentarem cada vez que olhava nos olhos do Eren, e isso o fazia se sentir muito envergonhado com tal situação.

"L-Levi..." chamou Eren, sentindo um enorme medo crescer em seu interior. Ele havia ultrapassado a linha que Levi colocou em seu próprio corpo? Não era sua intenção deixá-lo sem jeito ou forçá-lo a algo. Ele só... Ele só queria sentir mais de sua pele que acabou perdendo a noção. "Eu sinto muito, Levi. Eu não queria forçá-lo."

Estremecendo quando o maior estendeu o braço em sua direção, Levi fechou seus olhos com força. "Não toca em mim." pediu com a voz falha, o que fez Eren se auto amaldiçoar.

"Eu sinto muito, Levi. Eu realmente não queria forçar você ou algo do tipo."

"Eu sou virgem." foi a única coisa que Levi conseguiu pensar em dizer, e ele esperou que Eren entendesse a sua situação.

Ao ouvir isso, Eren deu um tapa bem forte em sua própria testa. Perfeito. Um virgem e você o faz entrar nesse tipo de situação constrangedora na enfermaria do colégio. Parabéns, Eren. Você é o cara mais imbecil que já pôde nascer. Ele se auto xingava mentalmente, e o seu silêncio fez a cabeça do Levi dar várias voltas.

"Vocês já fazem sexo?"

Sentindo suas bochechas esquentarem, ele logo tratou de explicar toda a situação. "Digamos que... Nessa época, os adolescentes fazem sexo."

"Antes do casamento? E os pais não ligam?" perguntou novamente, dessa vez parecendo bastante conflituoso com a nova informação obtida. Não quer dizer que em sua época não tinha isso, pelo contrário, na época dele tinha sim, mas as mulheres que transavam antes do casamento não eram bem vistas pela sociedade.

"Depende da pessoa. Mas, voltando ao tópico principal, eu realmente não quer-"

"Você já transou?"

"Digamos que... Por que quer saber?"

"Eu... Eu... Eu..." por mais que tentasse formar uma frase, o olhar do outro em si sempre o fazia esquecer o que iria dizer, deixando-o feito um idiota.

"Tudo bem, eu respondo. Somente três vezes."

"Ah." olhando para suas unhas, Levi começou a observar suas cutículas quando o clima entre eles ficou estranho. "É bom?"

Eren, que não o encarava mais pela vergonha que estava sentindo, voltou sua atenção novamente para ele. "O que?"

"Você sabe o quê. É bom como dizem?"

Sentindo-se afoito de repente, Eren deixou com que um pequeno sorriso de lado aparecesse. "Posso te mostrar, o que acha?"

"E-eu não sei como fazer as coisas... Eu nunca fiz." Ele não mentia nisso. Claro, em sua vida passada, havia noites que ele cuidava de suas necessidades e tudo mais, mas faz tanto tempo que ele teme não lembrar de como se vazia. Até porque, desde que acordou nessa vida, ele não teve um tempo só para si. Era tudo sobre o Eren, então ele nem sequer quis 'perder' o seu tempo.

"Eu posso te ajudar." sorriu, "Mas só se você quiser mesmo."

"Eu... Eu acho melhor não." resmungou, "Eu acho que... Deveríamos fazer isso quando temos certeza do nosso sentimento pela pessoa, não acha? Eu não quero ser uma diversão para você. E outra, têm uma câmera apontada diretamente para nós."

"Ah, claro. Realmente, Levi. Eu não sei o que deu em minha cabeça mesmo. Eu só... Agi por impulso." disse sem jeito, claro, por partes ele dizia a verdade. Mas grande parte do que disse, ele não pensava. Ele não sabia ao certo o que sentia pelo garoto em sua frente, e também não queria magoá-lo. Talvez ele tenha começado de uma maneira bastante errada.

E enquanto Eren entrava num conflito interno, Levi sentiu seu coração apertar com o que foi dito. Ele queria chorar por um momento, mas se manteve forte. Ele sempre soube que se um dia reencontrasse o Eren, teria que fazê-lo se apaixonar por ele novamente. Mas ele simplesmente não se via preparado para dar um pulo tão grande de se deitar com ele somente para atraí-lo. Sexo não era tudo. Poderia ser muito bom, mas não era tudo. Levi prezava por certas coisas do passado, onde o amor era uma das coisas mais importantes que existia. Por isso havia recuado. Ele não queria ser só uma diversão para o Eren, ele queria ser o seu amor.

Percebendo que o menor estava se entristecendo, Eren sentiu como se estivesse sendo esmagado pela sensação de inutilidade. Ele não queria ver aquela pessoa triste. Pelo contrário, ele queria ver Levi realmente feliz. Coçando sua nuca, ele forçou uma tosse, lutando contra a sensação do seu rosto esquentando. "Eu não sei como te dizer isso..."

"Eu sim." cortou Levi, "Eu tenho nutrido sentimentos por você, Eren. Mas se não sente da mesma forma, eu entendo." sua última frase fez Eren, por um momento, sentir o peso que Levi carregava em suas costas.

"Eu não sei o que realmente sinto por você, Levi. Por isso iria propôr para que nos conhecêssemos melhor. Tipo... Ficantes, sabe? Iríamos saber tudo sobre o outro e talvez, se tudo der certo, um namoro."

É melhor que nada, pensou Levi de uma maneira triste. "Eu aceito sua proposta, Eren." sorriu

Antes que Eren pudesse dizer algo, Kuchel adentrou pelas cortinas e com um suspiro de alívio, ela disse: "Encontrei vocês. Vamos?"

Em uma troca de olhar, tanto Eren quanto Levi saíram da cama, e como Kuchel já tinha a bolsa do Eren, só fizeram sair da enfermaria com a intenção de irem para casa em paz. Sendo o último a sair, Levi olhou para trás e sorriu com o cheiro de sangue que só ele sentia, após isso, ele voltou a sua atenção para o Eren que o esperava mais a frente.

"Vamos?" chamou com um pequeno sorriso doce ao estender sua mão na direção do Levi.

Devolvendo seu sorriso, Levi pegou em sua mão com carinho. "Vamos."



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