História Bloom Later - Richie Tozier - Capítulo 7


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Categorias It: A Coisa
Personagens Personagens Originais, Richard "Richie" Tozier
Tags Drama, Richie Tozier, Romance
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Palavras 4.606
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - VII. Sétimo de Março


Tozier's House.
07 de março, 1991.

— MÃE! — Gritava o rapaz eufórico, os gritos roucos invadiam a casa que em um silêncio berrante fazia eco.  — MAGGIE! MÃE! — Richie berrava por sua mãe mas nenhum sinal da mesma, desceu as escadas de forma mais apressada, vendo sua mãe, Maggie Tozier sair do banheiro.

— MÃE! — Berrou novamente indo em direção a mulher mais velha, agora também mais baixa que Richie. — O que é agora, Richard? — Indagou Maggie Tozier bufando enquanto arrumava sua blusa branca para dentro de sua calça jeans azul clara.

— Preciso de dinheiro, mãe. — Disse Tozier vendo sua mãe nervosa afastar-se dele. O rapaz não desistiu e seguiu Sra. Tozier até a cozinha. — Eu tenho cara de banco, Richie? — Questionou irritada servindo seu café preto em uma xícara velha.

— Não, mas é meu aniversário e eu quero sair com os meus amigos...

— Sair que horas, Richard Tozier?

— Depois, mais tarde sei lá...

— Pede para o seu pai, agora nós vamos na igreja. — Maggie diz terminando rapidamente sua xícara de café. Finalizou seu café tão rápido que até seu filho estranhou.

— Mas mãe, a igreja é só domingo. — Disse ele seguindo a mulher novamente. — Hoje tem missa e nós vamos, põe sua roupa Richard, Wentworth já está chegando. — Fala Maggie Tozier saindo do cômodo deixando seu filho emburrado no local.

Richie bufou subindo furioso a escada em passos largos e pesados, como se fosse quebrar as tábuas de madeira com seus pés. Ele detestava a grosseria de sua mãe, ela era quase insensível. Mesmo quando Richie estava triste nunca falava ou confiara nela para nada, Richie era como um balão e o ombro de Maggie um cacto, seria muito pior pedir-lhe ajuda para quaisquer coisas mas ele sabia disso. Wentworth Tozier havia atrasado a mesada do menino e então ele correra para sua mãe. Tozier completamente irado vestiu sua roupa de ir para a igreja, um terninho cinza acompanhado de uma blusa branca por baixo e gravata. Richie estava crescendo e criando suas próprias opiniões.

O garoto já não concordava com tudo que a religião de seus pais acreditava, Richie já não queria mais terminar a Bíblia, por mais que sabia decor boa parte dela.

Tozier desceu as escadas de cabeça baixa, seu sentimento de ira agora se transformara em tristeza, pois se seu pai não lhe der esse dinheiro, o garoto não comemorará o aniversário. Hoje era um dia importante para Tozier. Richie não possuía mais costume de comemorar seus aniversários, perdeu essa tradição de comemoração quando completou 12 anos, época em que seus pais se divorciaram, desde então, Maggie nunca mais achou necessário a comemoração do aniversário do filho. Sentiu seus olhos se encherem de lágrimas mas ele não as deixaria cair, não mesmo. O carro azul de Wentworth Tozier passou pelos olhos de Richie, estacionando em frente a sua residência. Richard gostava de seu pai, sentia-se irritante com o homem as vezes, mas gostava de passar seu tempo com ele.

Wentworth era um homem com o semblante cativante, usava óculos em armação de aço e trabalhava de dentista em uma parte mais afastada da casa onde Richie vivia. Richie foi de encontro a seu pai dando um abraço no homem, o garoto agora quase da altura do mais velho se aconchegou nos braços do homem. Wentworth quase nunca via o filho, sempre que via era por pouco tempo, a não ser que ele o buscasse para dormir em sua nova e solitária casa.

— Como foi a viagem, Wentworth?

— Eu não atravessei o país, Maggie. — Rebateu o homem fazendo o filho rir. Ele abriu a porta de seu carro para a ex-esposa, Maggie entrou no automóvel e então se calou, sempre se sentia desconfortável perto do pai de Richie.

— Pai?! — Chamou o garoto olhando para o rosto do mais velho. Agora o topo de sua cabeça estava sem cabelos e o resto que lhe sobrava estava em um tom gridalho. Seu pai estava envelhecendo.

— Eu? — Respondeu Wentworth. — Preciso de dinheiro. — Richie fez uma pausa demorada, mas só para ter certeza de que seu pai lembraria o dia em que estavam. — Oh claro, parabéns filho! — Ele abraçou o garoto novamente mas rapidamente o soltou.

— Desculpe ter atrasado sua mesada este mês. Perdoe-me! Aproveite o dia com seus amigos.  — O homem entregou todo o dinheiro da mesada para Tozier de uma vez só, fazendo o garoto sorrir satisfeito, mas sua tristeza só passaria quando encontrasse seus amigos.

‹ ⁕ ›

O homem velho, com pele enrugada, vestimentas  brancas e cabelos igualmente as roupas, deu encerramento a longa e tediosa missa onde Richie não aguentava mais ter que ajoelhar-se e recitar palavras que ele nem acreditara mais, quando tudo aquilo acabou foi como se um fardo saísse das costas do garoto, um grande e gordo fardo.
Tozier andou apressadamente até o carro de seu pai, abrindo o porta-malas retirando de lá sua velha bicicleta, velha mas fiel companheira.

— RICHIE! —  O rapaz ouviu a aguda e irritante voz de Meggie soar em seus ouvidos, o menino não estava com a mínima paciência para escutar a mulher então apressou-se ainda mais para montar em sua bicicleta.

— Espero que você ande tão rápido quanto sexo de coelhos, amigona! — Tozier montou no velho pedaço de aço com rodas, pedalando o mais rápido que poderia alcançar. Os cabelos do rapaz voaram com o vento frasco de Derry. Cerrou seus cílios para tentar enchergar melhor, a luminosidade solar machucava seus olhos.

— RICHARD. — Tentou Sra. Tozier novamente mas foi em vão, o menino já estava muito longe para poder ouvi-la. — Deixa o garoto viver, Meggie. Ele só tem quinze anos. — Diz Wentworth parando seu corpo do lado da ex-esposa.

— Você se preocuparia mais se visse seu filho todos os dias. — A mulher cuspiu a frase indo de encontro a porta do automóvel, sentando sua bunda no estofado macio do banco do carro.

Enquanto isso Tozier viajava sentindo-se como se estivesse voando bem longe de tudo, embora estivesse a menos de quilômetros da sua mãe ele se sentia longe e naquele instante, se sentia livre. Livre de qualquer dever, responsabilidade, sentimento ruim, sentia-se leve, ele poderia flutuar como uma pena a qualquer momento. Richie freou sua velha bike, jogando-a mesma no chão e entrando animadamente na sorveteria. Ele estava feliz de ter encontrando os otários mas faltava uma coisa, Astrid. Ela não estava ali, Richie tentou não desfazer o sorriso que se formou em seu rosto assim que ele pôs o seu corpo para dentro daquele estabelecimento.

— Parabéns, Ri-Ri-Richie! — Diz Bill abraçando seu amigo mas logo o soltando. — Pedimos o seu sorvete favorito, Richie. — Diz Eddie mostrando o potinho para seu amigo, que sentou-se ao seu lado logo em seguida. — Obrigado, Eds. — Falou Richie pegando em seu sorvete e levando uma pequena quantidade até sua boca.

— Por que demorou, Tozier? — Indagou Bev fazendo o mesmo que Richie.

— Mãe, aí você junta falta de dinheiro e depois igreja...

— Sua mãe pagou você para ir na igreja com ela? — Perguntou Mike incrédulo. — Não cacete, tinha missa e eu tive que esperar o meu pai me dar o dinheiro para eu poder vir aqui. — Disse Richie fechando sua expressão, ficando sério, ainda não acreditava que Astrid não tinha vindo. O garoto pegou o Walkman e colocou o fone em seu ouvido, apenas um, para que ainda pudesse escutar seus amigos.

— Por que não larga esse Walkman e come? — Perguntou Stanley com um pouco de grosseria em sua voz. — Porque eu gosto de ouvir música, Stanley. Eu gosto desse Walkman, cacete.

— Do Walkman ou da dona dele? — Pergunta Michael mostrando malicia em seu sorriso, Bev cutucou o garoto por baixo da mesa, ela sabia que Stanley também tinha sentimentos por Astrid, mas Uris pareceu não ligar. O garoto judeu retirou-se da mesa  para ir ao banheiro dando espaço para o assunto Richie e Astrid.

— Qu-qual é Richie? Você tá qui-qui-quieto demais, você gosta dela.

— Abre o jogo, Rich. — Disse Beverly apoiando seu cotovelos na mesa, inclinando seu corpo para frente mostrando interesse.

— Não enche caralho, por que eu gostaria dela? — Indagou Tozier fazendo aparecer em seu rosto uma expressão de desentendimento.

— Po-po-porque ela é a ú-ú-unica que ri da suas pi-pi-piadas?

— O que? Não Billy, de modo algum, o Stan gosta dela, isso é errado. — Disse Richie parando de comer seu sorvete. — Então vo-vo-você gosta? — Perguntou Denbrough olhando fixamente para Richie. Tozier respirou fundo e pensou duas vezes antes de responder a pergunta, isso poderia arruinar o dia de Stanley e Richie não queria isso.

— Não, eu não gosto. — Disse ele voltando a comer seu sorvete, assim que terminou o mesmo, Richie bufou. Bufou por tantas perguntas, bufou pela garota não ter ido em seu aniversário, ele contava muito com isso. Tozier levantou da mesa e deixou o dinheiro necessário na mesma.

— Onde você vai, Rich? — Perguntou Bev indo atrás do garoto que montou em sua bicicleta um tanto desanimado.

— Para algum lugar que eu fique sozinho. — Richard montou na velha bike e pedalou em direção a pedreira. Sua mente em turbulência queria entender o que fez Astrid não comparecer, mas ele tinha noção que ela poderia estar passando por algo e ele só queria pode ajudar, mas nem tudo estava ao seu alcance, as coisas nem sempre são como nós esperamos e Richie queria não entristecer-se ao saber que o dia de hoje não saiu como seu esperado.

‹ ⁕ ›

O vento forte da brisa da alta pedreira fazia o rosto da garota ficar pálido, os lábios levemente arroxeados pelo frio e suas mãos quase cortantes como gelo. Sua cabeça doía, parecia que seu cérebro poderia explodir a qualquer momento matando-a momentaneamente como um tiro na cabeça.
Ainda sim, lá no fundo se tocava uma música, uma música triste, cujo Astrid nunca havia escutado antes, mas estava lá, a fazendo companhia. As lágrimas caiam sobre sua bochecha, os olhos estavam vermelhos de tanto chorar, ela queria gritar, mas quem poderia ouvi-la agora? Seus amigos estavam bem, felizes e Richie agora estava aproveitando seu aniversário, ela iria embora sem se despedir de quem amava.

Astrid abriu seus braços observando o grande penhasco a sua frente cujo apenas de levar seu olhar para baixo, lá na água azul esverdeada, lhe dava um frio forte na barriga. "A dor acaba agora." pensou ela ficando na ponta dos pés, mas sem coragem ainda de impulsionar seu corpo para a frente. Sentiu tudo a sua volta girar, uma tontura atingiu sua cabeça, agora a qualquer momento ela poderia cair lá embaixo e ver seu fim. A garota finalmente virou-se de costas para aquela paisagem paradisíaca pensando que apenas se observar pela paisagem, sua morte seria bonita, mas a vida sim, era bonita, no fundo, ela sabia disso. Abriu seus braços engolindo em seco, sentindo a brisa quase ensurdecer seus ouvidos enquanto o vento gelado tocava sua pele.

— ASTRID! — Ouviu seu nome ser chamado e sentiu rapidamente braços mais fortes que o dela mas assim tão magros quanto, abraçar seu corpo, o corpo ainda mole da garota que havia acabado de tentar tirar sua vida. Agora abrindo seus olhos pode ver o semblante de Tozier, tocou em seus cabelos macios sentindo mais lágrimas descerem de seus olhos.

— Você não vai morrer se pular daqui, cacete.— Astrid soltou um leve riso, segurando o rosto de Richie observando-o.

— Não é engraçado! Puta merda Astrid.

— Olha essa altura, Trashmouth! Meu corpo não aguentaria o impacto...

— Eu já pulei daqui com Bill e os meninos uma vez, não mata, eu tô vivo. Por que você ia fazer isso? — Indaga Richie beijando a bochecha da garota, que avermelhou-se rapidamente com o ato. — É uma longa história, Rich.

— Eu tenho tempo. Merda, eu senti tanto sua falta.

— Eu também senti, Trashmouth. — Diz Ostberg apertando forte o corpo de Richie, fazendo com que não tivesse nenhum milímetro de distância entre eles.

— Mas agora, você ainda quer pular? — Pergunta ele abrindo um sorriso, Astrid concordou soltando-se de Richie. Os dois despiram-se rapidamente e pularam juntos naquela água, que agora se encontrava um pouco morna pelo calor da luz solar que iluminava o rio.

Astrid abriu seus olhos debaixo d'água, podendo ver Richie subir novamente para a superfície ainda segurando sua mão, assim, fazendo com que Ostberg subisse junto novamente. O corpo dos adolescentes se colaram e ambos começaram a rir da cena, não era engraçado realmente, mas por que eles teriam de ficar triste o tempo todo? Astrid envolveu seus braços envolta do pescoço de Tozier e ele segurou nas coxas da garota, fazendo com que ela, envolvesse suas pernas na cintura do rapaz, dando suporte maior a ela.

Os jovens ficaram sérios, os sorrisos rapidamente desapareceram, a proximidade dos dois fazia a cor avermelhada das bochechas de Astrid aumentar e um calor no sexo dos dois levemente aparecer. Com Richie não poderia ser diferente, o garoto sentia seu coração palpitar alto, quase gritante era o ritmo frenético de seus batimentos cardíacos. Ele sentiu a garota aproximar seu rosto dele, mas não havia maliciado aquilo, uma das primeiras coisas em que o garoto não havia visto maldade.

Aquela velha vontade de colar seus lábios nos da garota havia vindo à tona, ele sentia que dessa vez não iria segurar-se tanto. O garoto tocou seu nariz no dela, fazendo os olhos de ambos se encontrarem como um ímã e céus, ele estava muito apaixonado por essa garota. Astrid fez carinho na nuca de Tozier fazendo com que ele fechasse os olhos, aproximando sua boca da dela. Ostberg surpreendeu-se soltando um pouco de ar pela boca mas logo sendo coberta quando Richie tocou seus lábios com nos dela. A garota permaneceu de olhos abertos por rápidos segundos, mas logo os fechou precionando mais sua boca na dele. O beijo terminou em cerca de seis segundos, quando
Astrid afastou seu rosto de Tozier fazendo o garoto olhá-la apreensivo.

Um sorriso largo, de orelha a orelha se formou no rosto de Ostberg fazendo Richard involuntariamente sorrir junto com ela. Aquele sorriso havia iluminado o seu dia. A garota puxou-o novamente para si cobrindo a boca de Tozier com a sua, agora ele era quem estava surpreso. Era o primeiro beijo de Richie, mas ele nunca admitiria isso, nem para si mesmo. A garota levemente abriu os lábios agora ambos trocando um beijo com um leve estalinho, a garota, ainda muito inexperiente, levemente passou
a língua sobre os lábios de Richie, fazendo um grande frio na barriga percorrer o garoto. Ele não sabia fazer aquilo, nem imaginava como funciona mas tinha plena consciência que um dia, isso iria o acontecer. Richie levemente abriu sua boca deixando a língua de Astrid invadi-la. Ambos envergonhados tentaram ritmar o mais devagar possível aquele beijo, ambos com medo de decepcionar um ao outro. A língua dos jovens se tocaram, fazendo arrepios percorrer por todo o corpo dos dois. O calor que surgiu no sexo de Astrid e Richie havia aumentado pela proximidade e as reações que o corpo dos dois tinham com aquele tipo de contato. Logo eles perderam o fôlego e agora o rosto de Richie estava totalmente vermelho e o de Astrid corado, ela sentia suas bochechas queimarem mais do que nunca.

— Desculpa se eu não me saí bem, é a minha primeira vez. — Fala Ostberg cabisbaixa, com tanta vergonha do que acaba de fazer.

— Tudo bem, Ast. Você foi muito bem. — Ao ouvir a frase, a garota sorriu tímida olhando para ele. — Você também foi. — Richie suspirou aliviado, ele queria muito agradá-la, queria muito que o primeiro beijo da garota, e dele também, fosse especial ou tão bom quanto foi para ele.

— Nós poderíamos sair da água? Está começando a ficar frio aqui. — Richie confirma com a cabeça soltando as coxas da garota. Astrid se desprende do pescoço de Richie, deixando o garoto para trás na água, subindo para a superfície em uma pedra específica. Ela torce seus cabelos para que a maioria da água escorra de seus fios enquanto Tozier, ainda bobo, se dá conta de que ele teria de sair da água também, então o rapaz o faz e senta ao lado da garota que sorri para ele timidamente.

— Feliz aniversário, Trashmouth. — Diz ela sorrindo, o que fez Richie a imitar. — Muito obrigado!

— Sabia que essa é a pedra do segredo, Rich?

— Como assim? — Pergunta o garoto confuso, olhando na direção da menina com seus cílios cerrados para que o Sol, que estava contra seu rosto, não machucasse sua visão.

— Minha mãe me disse que no verão de 67 elas e as amigas dela viam para essa pedra, quando viajaram para Derry veranear na casa da família de uma das amigas dela. Elas sempre vinham tomar banho no Barrens e dividiam seus segredos nessa pedra, os segredos nunca poderiam sair daqui, era promessa...

— E você considera esse pedaço de rocha um lugar para contar segredos? — Indaga Richie ajeitando o óculos em seu rosto, agora agradecendo mentalmente por ele não ter soltado de seu rosto no momento em que ele esteve por debaixo d'água.

— Acho que sim, por isso eu queria te contar uma coisa. — Astrid diz ficando cabisbaixa. Richie inocentemente tocou-lhe no joelho, fazendo Ostberg levar seu olhar baixo ao seu rosto. — Você pode me contar o que quiser, Ast. — Diz ele segurando a mão de sua amiga, fazendo a mesma sorrir fraco.

— Lembra que eu disse que tinha problemas com o meu padrasto?

— Lembro. — Disse ele concordando com a cabeça. — Então, isso acontece porque Meester acha que eu sou propriedade dele, ele só se casou com minha mãe por minha causa...

— O que esse filho da puta tem com você? Ele nem é seu pai. — Tozier fala num tom irritado. — Rich, ele...

— Ela faz uma pausa demorada, sentindo um nó se formar em sua garganta e as lágrimas involuntariamente darem um salto de seus olhos como atletas aquáticos pulando de um trampolim. Richie puxou a garota pela mão, fazendo ela encostar a cabeça em seu peito, envolvendo-a em seus braços deixando-a protegida.

— Ele faz sexo comigo sem minha vontade.
— Ostberg fala em meio a soluços que se intensificaram após a frase, então Richie se deu conta, a garota era abusada pelo seu padrasto. Richie arregalou os olhos segurando para não chorar também.

— Desde quando? — Questionou ele mexendo seus dedos em um leve cafuné nos cabelos escuros da garota.

— Desde que eu tinha nove anos, tudo começou quando eu completei nove anos. Ele achou que meu corpo já estava preparado para isso, ele é um maníaco, um louco. Quem faz isso com uma criança, Rich?

— Pedófilos. — Respondeu Tozier notando uma pausa de Astrid, talvez ela desconhecesse essa palavra. — Pedófilos são pessoas doentes que sentem atração sexual por crianças.

— Pessoas como Meester. — Diz ela limpando suas lágrimas com as costas da mão. — Isso!

— Sabe Richie, minha mãe nem imagina e ela é tão feliz, eu não quero estragar a felicidade dela. Um dos maiores alívios para tudo isso é ver minha mãe feliz mas como eu não aguentava mais tanta dor, eu acabei tentando me matar.

— Por que você está fazendo isso, Ast? Não faça isso. Eu te amo, você não tem que morrer. — Disse Richie podendo observar Astrid levantando de seu peito e olhando para ele com uma expressão surpresa e confusa.

— Você me ama, Richie? — Perguntou a garota olhando profundamente para os olhos de Tozier. Nesse momento o rapaz se tocou que teria falado besteira, mas não era como as besteiras que ele falara diariamente, na cabeça dele era uma besteira séria. Nesse momento, Richard sentiu seu coração parar de palpitar, um calor subiu seu rosto e ele agora tinha certeza absoluta e admitiria para si mesmo, ele estava vermelho. — S-se-se eu disse. Eu nunca fui um mentiroso.

— Eu também te amo. — Diz ela abrindo um sorriso, aquele sorriso tão sincero e puro, que Richie jurava nunca ter visto um desses na vida. A menina retirou seus fios úmidos do rosto e levou sua mão para a bochecha de Tozier quase alcançando sua orelha, deixou os dedos anelar e médio separados puxando o rosto do garoto para o seu. Em um rápido movimento Astrid colocou seus lábios ao de Richie, tocando-os com delicadeza e cuidado. Richie fechou seus olhos apenas sentido o aroma do Barrens com o vento fresco e a sensação de ter os lábios mornos de Astrid tocando-se com os seus, era tudo perfeito. Em poucos segundos o selinho acabou fazendo os jovens abrirem seus olhos, observando cada detalhe do rosto de cada um.

— Ast, eu te amo e sua mãe também te ama. Você deve contar isso a ela. Assim que senhora Ostberg souber, ela vai matar esse bunda mole.

— Você tem razão, Tozier.

— Eu sempre tenho, gata. Agora, você quer tomar um sorvete? — Indagou Richie mexendo suas sobrancelhas com um sorriso sapeca nos lábios. — Não é má ideia, Trashmouth. — Responde Ast levantando da pedra e correndo de Tozier para cima da penhasco, para que eles recuperassem suas roupas.

‹ ⁕ ›

O céu estava começando a adquirir um tom cerúleo mais escuro, o que indicava que estava chegando perto das sete da noite. Era um sinal que a noite se aproximava e que era hora dos adolescentes irem acomodar-se em seus devidas casas, jantarem e assistirem televisão com suas famílias. Edward Mãos de Tesoura, Meu Primeiro Amor e Ghost: Do outro Lado da vida, eram os filmes clássicos que não paravam de passar na TV a noite.

Richie preferia assistir a sessão da madrugada, onde sempre passava De Volta Para o Futuro, Os Goonies, Os Fantasmas de Divertem, entre outros icones dos anos 80.
Richie monta em sua velha bike e espera Astrid arrumar-se para subir em sua garupa, os jovens já deveriam estar em casa a tempos, mas era aniversário de Richie então ele poderia ficar livre pelo dia até a hora que quisesse. Porém, se chegasse em casa passando das oito e meia da noite, ele se daria mal com Meggie. Da sorveteria onde eles estavam até a casa de Richie e Astrid não demorara muita coisa, eram cerca de quinze minutos de bicicleta. Tozier pedalou rapidamente em direção a avenida, sentindo os braços de Astrid envolver-se em sua cintura apertando-o contra seu corpo. Richie não pode deixar de reparar no modo que os peitos fartos de Astrid estavam pressionados contra suas costas, ele não deixara de lembrar como eles estavam bonitos naquele sutiã rosa bebê úmido, levemente aparecendo sua aréola um pouco mais escura que a pele ficando aparente no sutiã molhado.

A bicicleta atravessou a avenida entrando no início da rua onde ambos moravam. "RICHARD" Richie ouviu a voz de sua mãe soando da varanda de madeira de sua casa.
O garoto parou a bicicleta respirando profundamente e soltando de forma pesada, já esperando um sermão da mulher.

— JÁ ENTRO, SÓ VOU ACOMPANHAR ASTRID ATÉ EM CASA...

— Entre com a sua amiga, Richie. Eu preparei biscoitos e chá gelado. — Tozier tentou olhar para Astrid que estava a suas costas, podendo enchergar apenas seu rosto.

A garota tinha medo de entrar, tinha medo de que Meester descobrisse e fizesse algo com Rich, mas ela sabia que não poderia deixar aquele homem imundo controlar sua vida. Astrid afirmou com a cabeça, descendo da bicicleta.

— Vai conhecer sua futura sogra, gata. — Fala Tozier subindo as escadas da varanda sorrindo de modo divertido. — Vai tomar no cu, Richard. — Disse Astrid depositando um soco no braço de Richie, cujo não o causou nem cosquinha.

— Mãe, essa é a Astr...

— Prazer em conhecê-la, querida. — Diz Meggie interrompendo o filho. — O prazer é meu, senhora Tozier. — Responde Astrid sorrindo tímida mas um tanto simpática.

— Quer, querida? — Pergunta Meggie Tozier com doçura, mostrando para Ostberg uma bandeja de suculentos biscoitos de chocolate.

— Obrigada, senhora Tozier. — Diz Astrid pegando um da bandeja. Richie imitou-a, sorrindo com os dentes sujos de farelo de biscoito. "Que nojo" sussurrou a menina rindo.

— Tá uma delícia, mãe! — Disse Tozier com a boca cheia, fazendo Astrid segurar-se para não rir histericamente do jeito idiota de Richard.

— Que bom, filho! — Meggie responde servindo o chá gelado em copos com coloração esverdeada, fazendo o líquido amarronzado escurecer o vidro do copo. Levou os chás para os jovens ouvindo um "obrigada" baixo e tímido de Astrid, a mais velha sorriu admirando o jeito doce da garota. Meggie sempre quis ter uma menina, uma menina que pudesse lhe pentear os cabelos, usar enfeites rodados e que ela pudesse entender. Ostberg olha em direção a sua casa vendo pela janela do quarto de sua mãe, a silhueta elegante da mulher que tanto amava. Sorriu ao lembrar-se da mulher, mas se recordou também de que estava escuro e de que era hora de ela estar em sua casa.

— Richie! Senhora Tozier! Eu preciso ir, minha mãe deve estar preocupada.

— Tudo bem, querida. Richie, leve sua amiga até em casa. — Ordenou Meggie fazendo Richie assentir. Tozier entrou em casa sumindo da visão das mulheres sentadas em sua varanda. O rapaz correu até seu quarto pegando alguns CDs dos quais Astrid o emprestou para usar no Walkman. Ele voltou rapidamente de encontro as duas e entregou para Astrid, fazendo a mesma concordar com a cabeça sorrindo tímida.

A garota despediu-se de Meggie Tozier deixando a mulher parada na varanda da casa, então ela e Richie começaram a mover suas pernas em direção a residência dos Ostberg. Os dois foram andando até lá com passos lentos e sem dizer uma sequer palavra, só ouviam os barulhos dos carros que ecoavam na avenida movimentada e não na rua onde moravam. Richie só conseguia se recordar do dia que teve, ele estava contente apesar de tudo, ele a viu novamente. Seus pensamentos foram logo interrompidos quando Astrid parou em sua frente e ele se deu conta de que, os dois, estavam parados em frente a porta.

— Boa noite, Trashmouth.

— Boa noite, gata. — Respondeu ele entregando o Walkman para a garota, sorrindo como se dissesse "valeu por isso". A garota virou-se de costas para ele, segurando a maçaneta da porta preparando para girar ela e abrir a porta de casa, mas Astrid foi surpreendida quando Richie virou ela na direção dele novamente a assustando.

— Ast... — Diz Richie fazendo uma pausa dramática entre a frase, mas apenas para tomar coragem de dizer tal coisa. A mesma, o vislumbrou, dando a entender de que ele poderia prosseguir com o que estava falando.
— Eu não acredito que ninguém sinta o que eu sinto por você agora. — Um sorriso largo e apaixonado formou-se nos lábios de Astrid. A garota sentiu-se derreter ao ouvi-lo dedicando seus sentimentos a ela com a letra da música de Wonderwall.

— Talvez você será aquele que me salva e no final de tudo, você é meu protetor. — Disse ela fazendo o sorrir como ela nesse momento. Richie colou seus lábios nos de Astrid, beijando-a apaixonadamente. Como sempre e de esperado, os dois inexperientes separaram-se rapidamente. Então Astrid abriu a porta de casa.

— Até mais, Richie Tozier!

— Até mais, Astrid Ostberg. — Ela fechou a porta encostando suas costas na mesma. Astrid fechou seus olhos suspirando longamente, assustando-se assim que ouviu a voz de sua mãe na cozinha.

— Ast?! Oi filha, como foi seu dia? — Grace envolveu a filha em seus braços, num abraço aconchegante e depositando um beijo estalado na bochecha de Ast.

— Foi bom, mãe. E eu tenho que lhe contar uma coisa séria.

— Quer conversar filha? — Indagou a mulher mostrando extrema preocupação com sua menina. Astrid concordou mas logo respondeu:

— Quero sim, mamãe mas amanhã. Hoje eu estou exausta.

— Tudo bem, vá tomar um banho a janta está quase pronta! — Fala Grace dando um tapa na bunda de Astrid, que resmunga mas sai sorrindo da brincadeira da mãe. Então Ostberg entra no banheiro e Grace volta para a cozinha finalizando seu prato especial.


Notas Finais


FINALMENTE CAPÍTULO NOVO, NÃO É MESMO?
Gente eu tô muito orgulhosa desse capítulo porque ele ficou exatamente como eu imaginei desde o início. Sério, tô muito orgulhosa da narração, minha escrita e eu espero que vocês tenham gostando tanto quanto eu né?
ENTAO, todos comentários são bem-vindos, eu amo vocês! Obrigada por todo o suporte, não esqueçam se quiserem falar comigo é só chegar no Twitter (@stanfwolfhard) beijos flutuantes! ATÉ A PRÓXIMA.

VOTEM POR FAVOR! https://twitter.com/stanfwolfhard/status/1027030923823460352?s=19


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