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História Bloom Peters e a Ladra de Raios - Capítulo 2


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Notas do Autor


OBS.: mudei a imagem do capítulo anterior para representar a protagonista. :)

Capítulo 2 - Fiz Churrasquinho de Monstro


Fanfic / Fanfiction Bloom Peters e a Ladra de Raios - Capítulo 2 - Fiz Churrasquinho de Monstro

A expressão da minha mãe mudou imediatamente. Achei até que ela fosse chorar. Não entendi muito bem o que aconteceu, mas como minha mãe não era uma mulher emotiva, aquilo me preocupou.

— Hm… Ir aonde? — Perguntei, mas as duas ou não me ouviram ou me ignoraram.

— Ela precisa mesmo?…

— Sra. Peters, Bloom corre perigo. Uma… benevolente a atacou hoje. Sabem a localização dela. Logo vão encontrá-la.

— Mas Valtor–

— Talvez não seja suficiente. — Selina suspirou.

O olhos verdes da minha mãe pairaram sobre mim. — Bloom, faça sua mala.

Não discuti. Não era do meu fetio, apesar de bem impulsiva e reclamona, discutir com minha mãe. Claro que eu tinha várias perguntas. O que Valtor tinha a ver com aquilo? Para onde eu estava indo? Por quê? Ao invés disso, peguei uma mochila e comecei a guardar as coisas que eu achava mais importante. Selina se aproximou de mim com alguns desenhos na mão.

— Não quer levá-los?

— Pra quê?

Ela deu de ombros. — Poderia ser bacana.

Suspirei e peguei os desenhos que estavam na mão dela. Um era um dragão, que aparecia algumas vezes em meus sonhos. Outro era o ônibus da escola e o outro um robô da aula de robótica. Não fazia sentido levar um deles comigo.

— Talvez eu leve uns lápis. — Dei de ombros e depositei os desenhos na mesa.

Minha mãe saiu do quarto. Provavelmente ia dizer para aquele escroto do Valtor que eu estava partindo e que agora ele teria o apartamento só para ele. Sério, como minha mãe aguenta esse cara? Ela é tão… perfeita, e ele é tão… cuzão.

— Bloom, vamos! — Vi a cabeça ruiva da mamãe na porta. Ela nunca era de me apressar, mas estar fazendo aquilo deveria significar que algo estava muito, muito errado.

Passei por Selina e ela fechou a porta do meu quarto. Seguimos para o corredor e aquele cheiro de esgoto invadiu novamente minhas narinas. Não sei como ainda tenho olfato depois de viver mais de dez anos com esse ser horrível.

— Ah, então a Bloomzinha vai pra um internato é? Volte tarde. — Ele fez um brinde com sua cerveja para ninguém em específico. Antes que eu pudesse responder, minha mãe lançou o olhar de "por favor, não o provoque" e seguiu pelo corredor. Rosnei e saí do apartamento, batendo a porta com força.

Porra, minha mãe trabalha igual uma condenada pra pagar uma escola para alunos especiais para mim (por mais que eu tenha sido expulsa de quase todas elas). Alfea era a última chance que eu tinha aqui em Nova York, porque era a única escola que eu ainda não tinha frequentado. Agora eu tinha pisado na bola, como sempre. Mas ela nunca se importou com isso. Nunca reclamou que eu era um gasto de dinheiro desnecessário ou coisa do tipo. Ao invés disso, apenas agradava a mim e aquele babaca do Valtor.

Se ela não é um anjo, eu não sei o que é.

Entramos na perua vermelha estacionada na frente do prédio. O cheiro de bebê que o carro tinha por causa daqueles odorizadores baratos era infinitas vezes melhor do que o apartamento. E não vou negar, já dormi aqui dentro algumas vezes a ter que suportar a televisão nas alturas sendo assistida por meu padrasto às três da manhã.

— Mãe… — Comecei assim que pus o cinto. — Selina disse que eu sou uma semideusa. Que história é essa?

Minha mãe lançou um olhar quase mortal para Selina pelo retrovisor do carro, e desejei não ter a citado na frase. Ela suspirou e prestou atenção na estrada, dirigindo com pressa. — Bloom, pensei que você nunca ia precisar saber. — Percebi que seguimos pela rodovia que ia para o leste, para Long Island. — Eu… inventei essa história de seu pai ter partido quando você era bebê.

Eu mantive o olhar fixo nela. Parecia que não queria falar. Passou-se uns cinco quilômetros para ela poder continuar.

— Na realidade, ele sempre esteve aqui. Ele… ele é um deus. Por isso você é especial e–

Algo caiu no para-choque do carro. Minha mãe perdeu a direção e bateu o carro numa árvore. Os airbags foram ativados e Selina voou para frente.

Toquei minha cabeça, não muito recuperada pela pancada de mais cedo. Senti-a latejar e resmunguei. Selina se afastou imediatamente das almofadas brancas e saiu do carro imediatamente. Tirou algo do bolso, algo que eu não consegui ver direito. Minha mãe saiu rapidamente e abriu minha porta, me ajudando a ficar de pé.

Eu não sabia que estava tão abalada até a queda do objeto misterioso. Enxerguei alguns pontos pretos na minha frente. Minha mãe olhou para o monte.

— Temos que subir. É logo ali aonde preciso te deixar. — Ela disse isso com certa dor no coração, o que me deixou triste. Será que eu iria demorar para vê-la novamente?

O carro explodiu atrás de nós. Como que eu estava de costas, não pude ver o que aconteceu, mas pela cara que Selina estava fazendo, não era algo nada bom. Acabei de perceber que deixei minha mochila lá, então não tinha como eu expor meus desenhos por aí como Selina esperava que eu faria.

Ágios Días… — Apesar de ser outra língua, entendi que ela disse "Santo Zeus", o que me deixou receosa, porque eu nunca havia ouvido nada igual.

Olhei para onde a visão dela estava grudada. Um homem touro gigante estava destruindo o que restava da perua. O bicho tinha o corpo tão bombado quanto o do Arnold Schwarzenegger. Os pelos castanhos estavam bem cuidados e usava uma cueca box do Bob Esponja. Eu com certeza riria se não estivesse quase fazendo xixi nas calças.

— O Minotauro. — Minha mãe disse baixinho. — Ele possui uma visão e uma audição péssima, mas um olfato apurado. Precisamos sair daqui imediatamente.

Selina a ajudou a me carregar pela colina. Céus, minha mãe era literalmente uma deusa. Como que ela conseguia ter paciência com Valtor, trabalhar agachada ou curvada o dia inteiro construindo máquinas e no final ainda conseguir me levar para um local desconhecido com um monstro mitológico atrás de nós, eu não sei. Só sei que ela é uma mulher de se admirar.

Ouvimos passos. Engoli em seco. Selina deu uma olhadela para trás e caçou algo no bolso da calça. Tirou um… livro de bolso? Não julgando o poder da leitura e do conhecimento, mas o que um maldito conjunto de folhas escritas poderiam ajudar naquela hora?

Selina murmurou alguma coisa e sua mão se dirigiu para o solo. As poucas árvores presentes começaram a se mover e abrir os… olhos? Espera, árvores têm olhos?!

Percebi que as raízes funcionavam como pés. Ouvi os urros do touro e Selina quase caiu no chão.

— Seli! — Eu disse um pouco alto demais. Peguei minha amiga pelos ombros, ignorando a dor que sentia no corpo e comecei a arrastá-la colina à cima, minha mãe me ajudando.

As árvores monstros que Selina criou acabaram desaparecendo. Engoli em seco quando vi aquela criatura farejar o ar. Observei a única árvore que Selina não transformou e minha mente desatenciosa teve uma brilhante ideia.

— Mãe, leva Selina pro topo. Eu já vou.

— Bloom! — Ela advertiu, mas era tarde. Corri até a árvore e peguei uma pedra no chão.

— Ei, Bostatauro! Aqui! — Joguei a pedra nele, o acertando em cheio no fucinho.

Ok, talvez eu tenha exagerado, a pedra não era necessária. Ele veio correndo na minha direção com uma velocidade tão grande que se eu não tivesse pulado, teria sigo empalada no chifre daquele boi.

Cai sobre seu pescoço. Uau, eu consigo pular alto assim? Um de seus chifres acabou agarrado na árvore e ele tentava-o tirar. Apertei meus braços magrelos em volta de seu pescoço, esperando que eu pudesse fazer algum efeito. Ele rosnou alto e se soltou, o chifre ficando preso na árvore.

Ok, aquilo deve ter doído e muito. Chifres são como dentes, não são?

Ele se jogou para trás. Estava prestes a me esmagar com aqueles quinhentos quilos de músculo.

— Ei! — Ouvi minha mãe gritar e fazer barulho. Merda! o que ela tava pensando? O Minotauro parou de lutar comigo, mesmo eu ainda agarrada em seu pescoço. Ele começou até ela e antes que eu desse conta, a pegou pelo braço e a apertou, tão forte que, ela começou a… se desfazer em luz?

Não, não pode ser o fim dela, não é? Maldito Minotauro, por que foi se meter comigo?!

Senti um leve pressão na boca do estômago e olhei para meus braços em volta do touro. Estavam em chamas. E o pior é que não ardia, não me queimava, mas o monstro começou a urrar e se agitar para eu o soltar. Aparentemente, eu estava o queimando.

— Bloom! — Selina gemeu, encolhida no chão. Caí na grama salpicada. Eu não estava queimada. Não sei como me alto incendiei, mas uma fraqueza tomou conta do meu corpo. Selina usou as últimas energias que tinha para tentar me arrastar para o topo da colina.

A última coisa que me lembro é de estar caída num chão de madeira com suas pessoas me olhando: uma mulher de cabelos grisalhos extremamente familiar e um menino loiro tão bonito que parecia ter saído de um conto de fadas.

— Acho que é ela. — O loiro bonito concluiu.

— Não dá para saber se é dela que estão falando. Ela precisa se recuperar primeiro. Sky, fale para Musa que precisamos de leito na enfermaria.

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Depois disso, me lembro de ter acordado numa cama confortável, em um local onde o sol reluzia sobre mim. Lembro de ter visto o loiro novamente, me alimentando com algo que… tinha gosto de chilli, daqueles bem apimentados, meu prato favorito.

Uma outra vez, acordei com o loiro fazendo alguma coisa perto de mim. Quando ele me viu acordada, se abaixou perto de mim.

— O que vai acontecer no solstício de verão? — Ouvi-o sussurrar.

— Eu… hm… Não se– Ele encheu minha boca com pudim, que não era pudim. Era a comida com gosto de chilli. Aparentemente, alguém estava chegando onde estávamos.

Adormeci de novo.

Acordei um tempo depois, me sentindo bem e mal. Eu estava consciente, mas não conseguia ficar de pé direito. Olhei para um copo, estilo cálice, na mesa de cabeceira ao meu lado, com um canudinho. Tentei pegar o copo, mas acabei o afastando de perto de mim. Meus braços estavam moles, mal conseguia levantá-los para fazer alguma coisa.

— Bloom! Você acordou! — Selina apareceu na porta, com um sorriso no rosto. Não parecia estar abatida como eu. Usava uma blusa laranja um tanto berrante, o que não era comum dela, que sempre usava roupas escuras. Ela se aproximou de mim e percebeu o que eu estava tentando fazer. Pegou o cálice e me ajudou a beber.

— O que é isso? — Perguntei, olhando para o copo. Parecia ser suco de maçã, as pedras de gelo boiando no líquido.

— Prove. — Ela insistiu.

Eu odeio tomar o que eu não sei o que é, mas não me importei. Eu não tinha forças para discutir, então só dei de ombros e tomei um gole.

Tinha gosto de cookies & cream, meu milkshake favorito. Me assustei um pouco mas quando me dei conta, já tinha bebido tudo.

— Que gosto tinha? — Selina me perguntou, os olhos levemente alegres.

— Merda… Sel… — Me senti culpada. — Eu devia ter deixado você provar.

— Não! — Ela disse um pouco rápido demais. — Não… não posso. Seria mortal pra mim.

— O que era?

— Néctar.

— Néctar? Tipo… a bebida dos deuses?

— Sim. Como se sente?

A bebida tinha me feito recuperar as energias. Consegui ficar de pé. — Por que você não pode beber?

— Sou uma bruxa. — Ok, isso era muito estranho. — Bruxas não podem beber ou comer da comida dos deuses. Nenhum mortal pode, senão pode entrar em combustão, literalmente.

Engoli em seco. — Então… eu sou mesmo uma semideusa? — Olhei para Selina, esperando que ela risse da minha cara, mas ao invés disso, pegou algo no bolso. Percebi que tirou um chifre. Como fez isso? Não sei. Talvez os bolsos da calça dela fossem pequenos portais pra Nárnia.

— Isso é seu, talvez queira ficar com isso. — Ela entregou o corno para mim. Alguns adolescentes mais ou menos da minha idade me encaravam com aquele chifre na mão, uns surrando para mim, outros arregalando os olhos.

Poderia ser grande coisa ter um chifre do Minotauro como suvenir, mas me veio uma vontade imensa de chorar. Aquele monstro havia matado minha mãe, a reduzindo em pó. Ele não tinha esse direito. Não podia ter feito isso comigo.

Quando me dei conta, estávamos na frente de uma casa de fazenda de cerca de quatro andares e as paredes azuis celestes. Selina entrou na minha frente e eu fui atrás dela. Vi um moço levemente avermelhado com roupas de turistas praianos, o nariz avermelhado e os cabelos pretos, tão pretos que se confundiam com a cor das vinhas. O menino loiro que lembro de ter visto estava sentado na mureta da varanda, olhando para mim enquanto me aproximava. Ele era realmente bonito, parecia mais velho que eu porque já possuía músculos bem definidos. Os cabelos loiros eram curtos, ligeiramente bagunçados, lhe dando um certo charme. Usava a mesma blusa laranja que vi as outras pessoas usando, talvez um pouco justa demais para ele, porque marcava direitinho seu abdômen definido. Usava bermudas caqui e Chuck Taylors azuis. Apesar da beleza, parecendo ser um surfista ou até uma celebridade, seus olhos azuis eram intensos e frios, e sua expressão facial era séria. Aquilo me deu medo.

— Bloom, fico feliz que tenha acordado. — Uma voz familiar soou da mulher que estava de costas para mim, sentada numa mesa junto com o homem de cabelo preto. Ela se virou para mim, com um sorriso.

Meus olhos se arregalaram e cambaleei, quase deixando meu chifre cair.

— Professora Lumenia?!

— Lumenia? Foi esse o nome que você escolheu pra cuidar dessa pirralha aí? — O homem de cabelo preto resmungou, virando uma lata de coca diet. Aquilo me irritou. Já detestava ser chamada de pirralha por Valtor, agora aqui também?

— Não Bloom. Lumenia era meu nome no mundo mortal, mas me chamo Faragonda. — Ela sorriu, ficando de pé e se aproximando de mim. Percebi que não usava suas roupas escuras, e sim um blazer jeans com saias midi cinzentas. Se não tivesse cabelos grisalhos e algumas rugas, diria que ela era uma jovem adulta muito descolada. — Seja bem vinda ao Acampamento Meio-Sangue.


Notas Finais


Olá!!!

Fiquei tão feliz com a repercussão da história, não imaginava que seria bem recebida assim. Muito obrigada!❤️

Não sei quando o próximo capítulo será postado, mas não se preocupem que não demorarei. Amanhã será postado um novo episódio da Second Generation VI, então creio que a partir de quinta esta será atualizada.

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!

Beijos, GbMr ~


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