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História Bloom Peters e Os Olimpianos - Capítulo 33


Escrita por: e GbMr2


Capítulo 33 - Invasão de Pôneis e Feiticeiras


Fanfic / Fanfiction Bloom Peters e Os Olimpianos - Capítulo 33 - Invasão de Pôneis e Feiticeiras

— Mano a mano. — Desafiei Diaspro. — Do que você tem medo?

Diaspro franziu o lábio. Os soldados que estavam prestes a nos matar hesitaram, aguardando as ordens dela. Antes que ela pudesse dizer alguma coisa, Agrio, o homem-urso, irrompeu no convés levando um cavalo voador.

Era o primeiro pégaso robô que eu já vira, a superfície completamente feita de bronze celestial, as ferraduras revestidas de prata, as asas perfeitamente desenhadas. Quem a visse, suspeitaria que era um pégaso de verdade banhado em bronze.

O robô pégaso empinou e relinchou. Pude entender seus pensamentos. Ela estava chamando Agrio e Diaspro de nomes tão feios que Faragonda teria lavado seu focinho com sabão para selas.

Talvez eu entendesse por que era um cavalo robô. Não exatamente robô, porque pensava por si mesma, fazia as coisas que estava programada para fazer. Me perguntou o porquê de Diaspro pedir um pégaso robô ao invés de um de verdade.

— Senhora. — Bradou Agrio, esquivando-se dos cascos do pégaso. — Seu corcel está pronto!

Diaspro manteve os olhos fixos em mim. — Eu lhe disse no último verão, Bloom. — Disse ela. — Você não pode me atrair para uma luta.

— E você continua evitando uma… — Reparei. — Com medo de que seus guerreiros o vejam ser derrotada?

Diaspro lançou um olhar para seus homens, e viu que eu a tinha pego numa armadilha. Se ela recuasse, pareceria fraca. Se me enfrentasse, perderia um tempo precioso em sua caçada à Icy. De minha parte, o melhor que podia esperar era distraí-la, dando aos meus amigos oportunidade de escapar. Se alguém pudesse pensar em um plano para tirá-los dali, seria Sky. O lado negativo era que eu sabia o quanto Diaspro era boa em esgrima.

— Vou matá-la rapidamente. — Decidiu ela, e ergueu sua arma.

Cortacabeças era meio metro mais longa que a minha espada. Sua lâmina reluzia com uma luz maligna cinza e ouro, onde o aço humano fora fundido com o bronze celestial. Eu podia sentir a lâmina lutando contra si mesma, como ímãs de pólos oposto amarrados juntos. Não sabia como a lâmina tinha sido feita, mas senti algo trágico.

Alguém morrera no processo.

Diaspro assobiou para um dos seus homens, que lhe jogou um escudo redondo de couro e bronze. Ela me lançou um sorriso maligno.

— Diaspro… — Disse Sky. — Pelo menos dê a ela um escudo.

— Sinto muito, Sky. — Ela deu de ombros. — Nesta festa, a gente traz o próprio equipamento.

O escudo era um problema. Lutar com as duas mãos segurando apenas uma espada nos dá mais força, mas lutar com uma das mãos e um escudo nos dá melhor defesa e versatilidade. Há mais movimentos, mais opões, mais maneiras de matar. Pensei em Selina, que me dissera para ficar no acampamento não importasse a que preço, e aprendesse a lutar. Agora ia pagar por não lhe ter dado ouvidos.

Diaspro quase me matou na primeira investida. Sua espada passou embaixo do meu braço, rasgando minha camisa e roçando minhas costelas. Pulei para trás, contra-ataquei com Fotiá, mas ela desviou minha lâmina com o escudo.

— Ora, Bloom… — Ela caçoou. — Você está fora de forma.

Ela avançou de novo com um golpe na altura da minha cabeça. Eu me defendi e devolvi com uma estocada. Ela desviou facilmente para o lado.

O corte nas minhas costelas doía. Meu coração estava disparado. Quando Diaspro investiu de novo, pulei para trás, para dentro da piscina.

Eu estava perdida.

De repente, a água explodiu em cima dela. Olhei para Aisha, que possuía a testa franzida e cheia de suor. Aparentemente, o uso de seus poderes desde que chegamos à Miami estava a fazendo perder energia, o que era triste, mas fiquei extremamente grata por ela ter me ajudado.

A força da água derrubou Diaspro, a fez cuspir, sem enxergar. Mas, antes que eu pudesse atacar, ela rolou de lado e se pôs de pé novamente. Ataquei e cortei fora a beira de seu escudo, mas aquilo não a intimidou. Ela apagou as poucas chamas que tremularam em seus dedos na calça. Imagino que minha espada não estivesse no modo de Fogo Grego agora.

Ela se agachou e investiu contra as minhas pernas. De repente minha coxa ficou em chamas, com uma dor tão intensa que desabei. Meus jeans estavam rasgados acima do joelho. Eu estava ferida. Não sabia com que gravidade. Diaspro deu um golpe para baixo e eu rolei para trás de uma espreguiçadeira. Tentei me levantar, mas minha perna não suportava o peso.

— Bloom! — Selina se exasperou.

Rolei de novo quando a espada de Diaspro partiu a espreguiçadeira ao meio, com os tubos de metal e tudo. Arrastei-me em direção nenhuma, tentando desesperadamente não desmaiar. Eu nunca conseguiria. Diaspro sabia disso. Ela avançou devagar, sorrindo. O fio de sua espada estava tingido de vermelho.

— Uma coisa que eu quero que você veja antes de morrer, Bloom. — Ela olhou para o homem-urso Oreios, que ainda estava segurando Aisha e Selina pelo pescoço, e para outro capanga, com Sky nos braços. — Você pode comer o seu jantar agora, Oreios. Bon appétit.

— He-he! He-he! — O homem-urso ergueu minhas amigas e mostrou os dentes. O outro capaganda parecia ansioso para ver Oreios devorar Sky.

Foi quando o Hades inteiro foi libertado.

Uma flecha com penas vermelhas brotou na boca de Oreios. Com uma expressão surpresa na cara peluda, ele desmoronou no convés.

— Irmão! — Gemeu Agrio. Ele afrouxou as rédeas do pégaso apenas por tempo suficiente para o corcel dourado escoiceá-lo na cabeça e escapar voando, livre, sobre a baía de Miami. Por uma fração de segundo os guardas de Diaspro ficaram atordoados demais para fazer qualquer coisa a não ser olhar para os corpos dos gêmeos ursos se dissolvendo em fumaça. Então se ouviu um coro selvagem de brados de guerra e um estrépito de cascos contra metal.

Uma dúzia de cavalos irrompeu da escadaria principal.

— Pôneis! — Pisquei. Minha cabeça teve dificuldade de processar tudo o que vi. Faragonda estava no meio da multidão, montada em um cavalo preto, completamente puro, e seus parentes não pareciam quase nada com ela.

Eram feiticeiros completamente variados, com as cores de cabelo e estilo dos mais impressionantes. Alguns usavam camisetas de cores vivas com letras fosforescentes que diziam MAGOS DE FESTA: DIVISÃO DO SUL DA FLÓRIDA. Alguns estavam armados com arcos, alguns com bastões de beisebol, alguns com pistolas de paintball. Uma tinha a cara pintada como uma guerreira comanche e agitava uma enorme mão de isopor mostrando um grande Número 1. Outro estava de peito nu e inteiramente pintado de vermelho. Uma terceira usava óculos com olhos vesgos presos a molas, balançando para cima e para baixo, e um daqueles bonés de beisebol que têm latas de refrigerante com canudinhos penduradas dos dois lados.

Eles estouraram no convés com tamanha ferocidade e tanto colorido que por um momento até Diaspro ficou atordoada. Eu não sabia dizer se eles tinham chegado para comemorar ou atacar. Tudo levava a crer que as duas coisas. Enquanto Diaspro erguia sua espada para convocar as tropas, um centauro disparou uma flecha diferenciada, com uma luva de boxe na ponta. Ela atingiu Diaspro na cara e a mandou para dentro da piscina. Seus guerreiros se espalharam por todos os lados. Eu não podia culpá-los. Enfrentar um feiticeiro montado à cavalo já é bastante assustador, mas sendo ele várias Faragondas, armadas com um arco e aos gritos, usando um chapéu com latas de refrigerante, até o mais bravo dos guerreiros bateria em retirada.

— Venham, acertem alguns! — Um homem de cabelos grisalhos gritou, um com aparência festeira.

Eles mandaram ver com suas pistolas de paintball. Uma onda de azul e amarelo explodiu contra os guerreiros de Diaspro, cegando-os e emporcalhando-os da cabeça aos pés. Eles tentaram correr, apenas para escorregar e cair. Faragonda galopou até Sky e Aisha, pegou-os com facilidade do convés e os colocou nas costas de seu cavalo. Tentei me levantar, mas minha perna ferida ainda parecia estar em chamas. Diaspro se arrastava para fora da piscina.

— Ataquem, seus idiotas! — Ela ordenou às suas tropas.

Em algum lugar sob o convés um grande sino bateu. Eu sabia que a qualquer segundo seríamos esmagados pelos reforços de Diaspro. Seus guerreiros já estavam se recuperando da surpresa, avançando para os feiticeiros com espadas e lanças erguidas.

Selina fez meia dúzia cair com um tapa mágico, derrubando-os por cima da amurada na baía de Miami. Porém mais guerreiros vinham subindo pelas escadas.

— Irmãos, retirar! — Faragonda gritou.

— Você não vai escapar dessa impune, mulher maldita! — Diaspro berrou. Ela ergueu a espada, mas levou um murro na cara em outra flechada de luva de boxe, e caiu sentada numa espreguiçadeira.

Um feiticeiro árabe me içou para seu lombo. — Gata, chame sua amiga bruxa!

— Selina! — Gritei. — Venha!

Selina largou os dois guerreiros que estavam prestes a amarrar em um nó com trepadeiras e correu atrás de nós. Ela pulou para o lombo do centauro. — Segurem-se, gatinhas!

Os guerreiros de Diaspro estavam se organizando em uma falange. Mas quando estavam prontos para avançar, os cavalos dos feiticeiros já tinham galopado para a beirada do convés e pulado sem medo por cima da amurada, como se aquilo fosse uma corrida de obstáculos e não dez andares acima do chão.

Tive certeza de que íamos morrer.

Despencamos para o cais, mas os cavalos atingiram o asfalto praticamente sem um solavanco sequer e saíram galopando, os feiticeiros bradando entusiasmados e gritando provocações para o Princesa Andrômeda enquanto galopávamos para as ruas do centro de Miami.

Não tenho idéia do que os moradores de Miami pensaram quando passamos galopando. Ruas e edifícios começaram a se tornar indistintos enquanto os cavalos ganhavam velocidade. A sensação era de que o espaço estava se compactando, como se cada passo deles nos levasse por quilômetros e quilômetros. Num piscar de olhos, deixamos a cidade para trás. Disparamos por campos pantanosos, capim alto, lagos e árvores anãs. Finalmente, estávamos em um acampamento de trailers à beira de um lago. Os trailers eram todos puxados por cavalos, incrementados com televisores, minigeladeiras e mosquiteiros. Era um acampamento de feiticeiros.

— Cara! — Disse um dos feiticeiros de festa enquanto descarregava seu equipamento. — Você viu aquele sujeito urso? Parecia que estava dizendo: "Epa! Tem uma flecha na minha boca!"

A com os óculos de olhos vesgos riu. — Aquilo foi fantástico! Trombada de cabeça!

Os dois feiticeiros investiram um contra o outro com força total e bateram as cabeças, depois saíram cambaleando um para cada lado, com sorrisos bobos na cara. Faragonda suspirou. Desceu de seu cavalo magnífico e pôs Sky e Aisha sobre uma toalha de piquenique ao meu lado.

— Preferiria que meus primos não batessem as cabeças. Eles não têm neurônios sobrando.

— Faragonda… — Eu disse, ainda surpresa com o fato de ela estar ali. — Você nos salvou!

Ela me deu um sorriso seco. — Bem, eu não poderia deixar que morressem, especialmente por terem limpado meu nome.

— Mas como sabia onde estávamos? — Perguntou Aisha.

— Planejamento avançado, minha querida. Eu calculei que vocês seriam trazidos pelas águas para perto de Miami, se conseguissem sair do Mar de Monstros vivos. Quase tudo o que é esquisito é trazido para Miami pelas águas.

— Puxa, obrigada. — Selina murmurou.

— Não, não! — Disse Faragoda. — Eu não quis dizer… Ah, não importa! Eu estou contente em vê-la, querida bruxa. A questão é que consegui bisbilhotar a mensagem de íris de Bloom e rastrear o sinal. Íris e eu somos amigas há séculos. Pedi a ela que me alertasse sobre quaisquer comunicações importantes nesta área. Então não foi preciso grande esforço para convencer meus primos a vir em sua ajuda. Como vêem, nós, feiticeiros, somos capazes de nos deslocar bem depressa quando queremos. A noção de distância de nossos cavalos é diferente da dos seres humanos.

Olhei para a fogueira, onde três feiticeiras de festa usavam armas de paintball, mirando em algumas garrafas de bebida alcoólica ali dispostas. Torci para que soubessem no que estavam se metendo.

— Então, e agora? — Perguntei à Faragonda. — Simplesmente deixamos Diaspro ir embora? Ela está com Cronos a bordo daquele navio. Ou partes dele, de qualquer modo.

Faragonda se ajoelhou, dobrando cuidadosamente as pernas dianteiras embaixo de si, parecendo ter medo de sujar suas botas Miu Miu de cano alto. Abriu a bolsa de remédios em seu cinto mágico Gucci e começou a tratar meus ferimentos.

— Infelizmente, Bloom, aconteceu hoje uma espécie de empate. Nós não tínhamos vantagem numérica para tomar aquele navio. E Diaspro não estava suficientemente organizado para nos perseguir. Ninguém venceu.

— Mas nós temos o Velocino! — Sky disse, mais otimista. — Icy está agora mesmo voltando com ele para o acampamento.

Faragonda assentiu, embora ainda parecesse inquieta. — Vocês todos são heróis de verdade. E assim que deixarmos Bloom em condições, vocês devem voltar ao Acampamento Meio Sangue. Os meus primos poderão levá-los.

— Você também vem? — Perguntei.

— Ah, sim, Bloom! Ficarei aliviada em ir para casa. Os meus irmãos aqui simplesmente não apreciam a música de Paul McCartney. Além disso, preciso trocar algumas palavras com o senhor D. Temos o restante do verão para planejar. Muito treinamento para fazer. E eu quero ver… estou curiosa a respeito do Velocino.

Eu não sabia exatamente o que ela queria dizer, mas aquilo me deixou preocupado com o que Diaspro dissera: Eu ia deixar você levar o Velocino depois que eu tivesse terminado com ele. Ela estaria simplesmente mentindo? Eu aprendera com Cronos que sempre há um plano dentro de um plano. O senhor titã não era chamado de O Tortuoso à toa. Tinha meios de conseguir que as pessoas fizessem o que ele queria sem sequer se darem conta das verdadeiras intenções dele.

Junto à fogueira, as feiticeiras estavam à vontade com sua pistola de paíntball. Um projétil azul explodiu contra um dos feiticeiros, arremessando-o de costas para dentro do lago. Ele saiu sorrindo, coberto de lama do pântano e tinta azul, e com as duas mãos fez sinal de positivo para a irmã que havia atirado.

— Aisha… — Disse Faragonda. — Quem sabe você, Sky e Selina poderiam ir tomar uns refrigerantes e tirar aquelas garrafas de cerveja de perto dos meus primos antes que eles, ahn, ensinem maus hábitos demais um ao outro?

Sky e Selina olharam-a nos olhos. Houve algum tipo de entendimento entre eles.

— Claro, Fara. — Disse ele. — Venha, cabeça de alga.

— Mas eu não gosto de paintball! — Aisha reclamou.

— Sim, você gosta.

Eles seguiram em direção à fogueira. Faragonda acabou de enfaixar minha perna.

— Bloom, tive uma conversa com Sky a caminho daqui. Uma conversa sobre a profecia.

O-oh, pensei. — Não foi culpa dele! — Fiquei nervosa. — Eu o fiz contar.

Seus olhos pestanejaram com irritação. Tinha certeza de que ela iria me dar uma bronca, mas então seu olhar demonstrou cansaço. — Acho que não poderia mantê-la em segredo para sempre.

— Então sou eu mesma na profecia?

Faragonda enfiou as ataduras de volta na bolsa. — Eu gostaria de saber, Bloom. Você ainda não tem dezesseis anos. Por ora, devemos simplesmente treiná-la o melhor possível, e deixar o futuro para as Parcas.

As Parcas. Eu não pensava naquelas velhas senhoras fazia um bom tempo, mas assim que Faragonda as mencionou, a ficha caiu em minha cabeça.

— É isso que aquilo significava!

Faragonda franziu o cenho. — É isso que o quê significava?

— No último verão. O agouro das Parcas, quando as vi arrebentar a linha da vida de alguém. Pensei que significasse que eu ia morrer imediatamente, mas é pior que isso. Tem algo a ver com sua profecia. A morte que elas previram… vai acontecer quando eu tiver dezesseis anos.

Faragonda engoliu em seco. — Minha menina, você não pode ter certeza disso. Nós nem sabemos se a profecia é sobre você.

— Mas não existe nenhum outro meio-sangue filho das fagulhas!

— Que nós saibamos.

— E Cronos está retornando. Ele vai destruir o Monte Olimpo!

— Ele vai tentar. — Ela concordou. — E a civilização ocidental junto, se não o detivermos. Mas nós vamos detê-lo. Você não estará sozinho nessa luta.

Eu sabia que ela estava tentando me fazer sentir melhor, mas me lembrei do que Sky contara. Caberia a um só herói. Uma decisão que iria salvar ou destruir o Ocidente. E eu tinha certeza de que as Parcas me deram algum tipo de aviso sobre isso. Algo terrível iria acontecer, ou para mim ou para alguém próximo de mim.

— Eu sou apenas uma criança, Faragonda. — Eu disse, sem forças. — De que adianta uma heroínazinha de nada contra uma coisa como Cronos?

Faragonda conseguiu sorrir. ― De que adianta uma heroínazinha de nada? Joshua Lawrence Chamberlain me disse algo parecido certa vez, pouco antes de, sozinho, mudar o curso da Guerra Civil. — Ela puxou uma flecha de sua aljava e girou a ponta afiada como navalha de um jeito que a fez brilhar à luz da fogueira, um líquido escuro cintilando na ponta, creio que fosse veneno. — Bronze celestial, Bloom. Uma arma imortal. O que aconteceria se você disparasse isto contra um ser humano?

— Nada. — Disse eu. — Passaria através dele.

— Certo. — Disse ela. — Os seres humanos não existem no mesmo nível que os imortais. Eles não podem nem mesmo ser feridos pelas nossas armas. Mas você, Bloom… você é parte deusa, parte humana. Vive em ambos os mundos. Pode ser ferida por ambos, e pode influenciar ambos. É isso que torna os heróis tão especiais. Você transporta as esperanças da humanidade para a esfera do eterno. Os monstros nunca morrem. Eles renascem do caos e do barbarismo que sempre fermentam embaixo da civilização, o próprio material que torna Cronos mais forte. Precisam ser derrotados de novo, e de novo, mantidos encurralados. Os heróis personificam essa luta. Você enfrenta as batalhas que a humanidade precisa vencer, a cada geração, a fim de continuar sendo humana. Entende?

— Eu… eu não sei.

— Você precisa tentar, B. Porque, seja você ou não a criança da profecia, Cronos acha que você pode ser. E, depois de hoje, ele finalmente desistirá de levá-la para o lado dele. Essa é a única razão de ele ainda não tê-la matado, você sabe. Assim que ele tiver certeza de que não poderá usá-la, irá destruí-la.

— Você fala como se o conhecesse. 

Faragonda franziu os lábios. — Mas eu o conheço.

Olhei para ela. Eu às vezes me esquecia de como Faragonda era velha.

— É por isso que o senhor D culpou você quando a árvore foi envenenada? Por isso disse que algumas pessoas não confiam em você?

— Sem dúvida.

— Mas, Fara… Quer dizer, ora vamos! Por que eles haveriam de pensar que você iria trair o acampamento por Cronos?

Os olhos dela eram de um azul profundo, cheios de milhares de anos de tristeza. — Bloom, lembre-se de seu treinamento. Lembre-se dos estudos de mitologia. Qual é a minha conexão com o senhor titã?

Tentei pensar, mas minha mitologia sempre foi toda confusa. Mesmo ali, quando ela era tão real, tão importante para minha vida, eu tinha problemas em guardar direito todos os nomes e os fatos. Sacudi a cabeça.

— Você, ahn, deve a Cronos algum favor ou coisa assim? Ele poupou sua vida?

— Bloom… — Faragonda murmurou, a voz inimaginavelmente suave. — O titã Cronos é meu pai.


Notas Finais


Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!!!

Beijos, GbMr ~


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