1. Spirit Fanfics >
  2. Blooming For You ( TaeKook ) >
  3. De rosas a camélias

História Blooming For You ( TaeKook ) - Capítulo 13


Escrita por: e mariyona2


Notas do Autor


Olarrrrr a todxs, com ou sem quarentena! Eu não estou, porque trabalho num lugar que fornece comida/lanche, então... Preciso viver à base de álcool em gel, rs.

Antes de tudo, quero agradecer a quem leu meu aviso sobre estar mais ocupada desde fevereiro por causa desse emprego e foi compreensivo comigo. Alguns até mandaram mensagens solidárias. Vocês não sabem o quanto isso significou pra mim, principalmente quando eu ficava me sentindo mais pra baixo. Muito obrigada, de verdade. 😭😭😭😭😭💖💖💖💖💖

Esse capítulo é um dos mais especiais da história. Espero que gostem tanto quanto eu ao escrever. ✊🤧

Capítulo 13 - De rosas a camélias


Jungkook estava sentado no banco do carona, ao lado de Taehyung, que conduzia o veículo de seu carro particular. Vestiam roupas semelhantes às utilizadas para sair no dia anterior.

Embora fosse recomendável estar sempre acompanhado do motorista e de algum guarda-costas, o Kim também gostava de passear por si mesmo de tempos em tempos. Desse modo, não sentia que sua liberdade era tão podada devido à fama.

- Aonde vamos, hyung?

A princípio, depois de ficar o dia fora, Taehyung esperava passar o Ano Novo sozinho em sua casa. Isso até Jungkook aparecer. O Kim não era muito fã de refazer planos de última hora, mas, excepcionalmente nesse caso, não se incomodou nem um pouco. O único “problema”, por assim dizer, eram seus impulsos mais primitivos clamando pelo Jeon. Na piscina, horas antes, quase se rendera de vez. No entanto, talvez não fosse o melhor momento, se é que tal momento iria existir. Ainda havia a possibilidade de sua mente apaixonada lhe causar ilusões quanto à ideia de ser ou não correspondido.

- Pra um dos meus lugares favoritos de Jeju. - sorriu gentil, tentando aplacar o próprio caos interior - Eu costumo ir sozinho, mas... Será uma honra levá-lo até lá também, senhor Jeon. - fitou o mais novo, sorridente, e piscou um dos olhos.

- Pare de falar como se fosse meu motorista particular. - o outro enrubesceu, risonho - E nossa, devo me sentir honrado por te acompanhar hoje a tal lugar misterioso?

- Não há muito mistério sobre ele.

- Me dê algumas dicas.

- E se você adivinhar? Perde a graça.

- Se eu adivinhar, você me mostra um cover que ainda não postou na internet.

- Hm… Mas, se não der certo, você vai me fazer uma tatuagem grátis.

- Fechado!

Taehyung balançou a cabeça, sem acreditar que Jungkook realmente havia concordado. Bom, o espírito competitivo ainda fazia parte do rapaz. E Taehyung possuía um certo quê de ambição em sua personalidade.

Com um olho na estrada e outro no Jeon, começou:

- Bom… É um jardim secreto em Jeju que o inverno não afeta. Foi aberto há mais de trinta anos. Também é conhecido como o arboreto de…

- De…?

- Se eu falar o nome da flor, você adivinha rapidinho.

- Hm…

- Há umas 500 espécies diferentes, exportadas de mais de 80 países. Painéis descrevem suas cores, fragrâncias e tamanhos. Na natureza, uma árvore delas pode viver até 200 anos.

- Continue.

- A melhor época pra ir nesse arboreto é justamente entre dezembro e janeiro, que é quando as flores desabrocham totalmente. Mas não existe um “tempo ruim” de visitação, já que fica aberto o ano todo, com diferentes flores de diferentes estações.

- Acho que estou captando…

- Quer uma última dica?

- Sim, por favor.

- Na linguagem das flores, o significado desta que dá nome ao jardim é… “Eu amo você, e apenas você.”

Um silêncio repleto de tensão paira no ar, com a face de ambos sendo tomada por um forte rubor e seus respectivos peitos abrigando corações acelerados.

- Camélia. - Jungkook murmura, tão baixo que Taehyung não ouviria em outras circunstâncias.

- Exatamente. - o loiro confirma, encarando-o após parar num sinal vermelho.

- Você sabia que uma dica dessas me faria acertar, não sabia? - Jungkook devolve o olhar, mostrando um pequeno sorriso envergonhado - Eu que te ensinei muitos desses significados.

- E eu nunca consegui decorar todos. - riu soprado, dando de ombros - Mas esse eu… Particularmente… Sempre gostei muito.

Jungkook assentiu, parecendo curioso sobre algo, porém hesitante em prosseguir.

- Então, estamos indo pro Camellia Hill? - desviou o olhar, focando na estrada quando Taehyung voltou a dirigir.

- Sim. Lá tem muita coisa legal. Além das flores e estufas, há trilhas temáticas, lagoas ecológicas e galerias de artesanatos. Eu adoro passar pela floresta de lâmpadas, por exemplo. Também tem o que chamam de “pedras de vovô”, com rostos e braços esculpidos junto de casacos, cachecóis e protetores de ouvido. São fofos. Aí, no meio do caminho, podemos ir no Green House Cafe, onde tem chás de camélias e menus sazonais feitos com ingredientes naturais que só existem na ilha.

- Já gostei. - Jungkook sorriu outra vez, olhando Taehyung de esguelha, fazendo-o tensionar levemente por sentir que era observado - Ouvi dizer que lá também tem um “jardim secreto” por mês, onde as flores são mais abundantes, com placas avisando onde estão.

- Sim! Isso mesmo. E depois, no fim do passeio, há uma loja de produtos naturais com óleos, bálsamos, sabonetes, coisas as do tipo.

- Você virou um expert, hein, hyung?

- Pode-se dizer que sim.

Seu sorriso convencido faz Jungkook menear a cabeça, embora também sorrisse.

Minutos depois, após o breve resumo de Taehyung, os dois estavam aproveitando ao máximo o último passeio do ano.

Para evitar que fossem importunados, o Kim mantinha a máscara e o capuz como disfarces. Claro, isso não o impedia de ser reconhecido pelos fãs mais ferrenhos, mas sabia driblar a situação. Alguns deles, meio de longe, olhavam fixamente para ele e Jungkook tirando fotos, rindo alto, tocando no braço um do outro, fazendo comentários aqui e ali, como se apenas os dois existissem. Mesmo quando apreciavam os cenários em silêncio, era possível sentir uma aura diferente ao redor, fora o inegável brilho a mais que os olhos de Taehyung apresentavam nos últimos meses. Definitivamente, alguma coisa havia mudado na vida reservada do idol. Só não sabiam explicar o quê.

A dupla parou apenas para almoçar num restaurante de frutos do mar, estendendo o papo que nunca parecia ter fim, tal como os sorrisos e olhares mais demorados. Dali, os dois continuaram a visita, caminhando mais um pouco por entre as árvores e aspirando o cheiro de terra misturado a perfumes naturais. Foi quando passaram pela cafeteria mencionada por Taehyung mais cedo e avistaram a placa indicando que o jardim secreto do dia estava localizado bem atrás do estabelecimento. Correram para lá, encontrando um beco sinuoso de árvores de camélia florescendo em toda a área como um labirinto. Os dois ficam tão maravilhados que param de se mover por um instante, até que finalmente se aproximam para ver tudo de perto. E Taehyung adorava gravar em sua mente  o encanto genuíno estampado no rosto de Jungkook cada vez que tinha oportunidade. Por mais que a natureza fosse bela, para si, nada se comparava à obra-de-arte humana representada por Jungkook. Ele sempre se destacaria mais aos seus olhos, fosse como fosse.

Regressando do Camelia Hill, antes que fossem para seus respectivos quartos tomar outro banho, Taehyung resolve falar com Jungkook:

- Olha… Eu sei que disse que ficaria em casa, mas… Se você ainda quiser passar o Ano Novo lá fora, vou entender. Por favor, não se sinta preso a mim.

- Não, hyung… Nada a ver. Eu vim aqui pra ficar com você. E você ainda me convidou pra ficar na sua casa. Não vou te deixar aqui sozinho.

Taehyung evita sorrir demais, apesar da comoção evidente em seu semblante.

- Tudo bem. Então… Vamos cozinhar? Deixar tudo pronto pra ceia?

- Ué, desde quando você sabe cozinhar? Achei que só prepararia a mesa.

- Eu não sei. - deu de ombros - Quer dizer… Até sei uns pratos básicos, nada muito elaborado, mas… Quero te ajudar. Dar um apoio moral. Ou você pode me ensinar a fazer alguma coisa. - um sorriso quase infantil ilumina o rosto do Kim - Que tal?

- Hyung… Não sei se é uma boa ideia…

- Vamos tentar, Jungkookie!

A empolgação repentina de Taehyung, que ainda ousou dizer seu nome daquele jeito fofo, tornou o Jeon incapaz de lhe dizer não.

- Beleza...

 

~♡~

 

A ideia que deveria ser divertida começou a preocupar Jungkook seriamente. Ele ficava perto de Taehyung o tempo todo, conferindo se ele cortava os legumes direito e sem se expor ao perigo do manuseio da faca, mas também se assustando quando o loiro acendia o fogo muito alto, além dos ingredientes que Taehyung derrubava no chão sem querer pela falta de prática. Apesar do desespero, eles riam muito. De um jeito ou de outro, voltavam ao passado, onde não tinham maiores preocupações além da escola, do futuro profissional e de arrumar um tempinho para ficar juntos, sem os constantes julgamentos da sociedade.

Jungkook, mais do que nunca, mostrava como era protetor e gentil em relação a Taehyung, enquanto este se permitia ser mais distraído e manhoso do que mostrava diante das câmeras. Um lado seu que poucos conheciam por trás das inúmeras máscaras de "garoto popular" acostumado a usar desde cedo. Para poucas pessoas os traços mais vulneráveis de sua personalidade apareciam.

Naquele momento, portanto, não eram mais o idol V, nem o tatuador Jeon.

Eram apenas Taehyung e Jungkook no mundinho particular deles.

Após a bagunça na cozinha, Jungkook disse que ficaria de olho na comida para não queimar nada.

- Está dispensado, hyung. - girou a colher na panela - Deixa o resto comigo.

Taehyung recosta no armário perto de Jungkook, cruzando os braços, fitando o rapaz concentrado em mexer os ingredientes.

- Homens que cozinham são tão sexy… - o loiro diz de repente, num tom descontraído, porém deveras provocante.

- E você é sexy mesmo sem cozinhar. - Jungkook rebate sem pensar duas vezes.

A temperatura em volta da dupla parece aumentar conforme o ar fica mais rarefeito. Torcem internamente para que as batidas fortes de seus corações não estejam tão altas. Taehyung desvia o olhar para um ponto qualquer no chão.

- O-obrigado. - é o que o mais velho consegue responder, a voz saindo como um sopro, totalmente afetado por tudo que Jungkook representava para si - V-vou deixar a mesa posta lá na sala.

- Uhum. - o outro continua focado na panela fervente como as próprias bochechas.

 

~♡~

 

Já havia começado a anoitecer quando Jungkook desligou o fogão e tirou o avental, logo ouvindo um som de piano ecoar pela casa.

Rapidamente, reconheceu a melodia de “La Vie En Rose”.

 

Olhos que fazem baixar os meus

Um riso que se perde em sua boca

Eis o retrato sem retoques

Do homem a quem pertenço

 

Ele se aproxima da sala em que fica o objeto que mais se destaca no cômodo devido à chamativa cor lilás.

Sabia mais ou menos o que dizia a letra originalmente de Edith Piaf, sendo que a conheceu pelo cover de Lady Gaga no filme “Nasce Uma Estrela”.

 

Quando ele me toma em seus braços

E fala baixinho

Eu vejo a vida em cor-de-rosa

 

Jungkook estava deslumbrado, boquiaberto e estático. Ainda escutando, se aproxima do piano a passos lentos, absorvendo tudo que Taehyung, de olhos fechados, transmitia. Os dedos elegantes e compridos dançavam sobre as teclas, leves como plumas, mas também fortes como os sentimentos ali colocados, provocando solavancos em seu próprio coração.

 

Ele me fala coisas de amor

Palavras para todos os dias

Isso é algo que me toca

 

Mesmo não lembrando as traduções exatas de cada frase, Jungkook sentia toda a emoção que o mais velho passava em sua voz potente e grave suavizada como uma doce hipnose a arrastá-lo.

Tal como a primeira vez em que ouviu Taehyung cantar.

 

Entrou em meu coração

Uma parte da felicidade

Da qual eu sei a causa

 

A versão rock de “DNA”, ironicamente, era sobre amores de outras vidas, onde nenhum encontro seria apenas coincidência. Agora, Taehyung cantava sobre um amor que permanecia ao longo do tempo, em pequenos detalhes cativantes, pensando nos braços para onde almejava voltar.

 

Sou eu por ele, ele por mim pela vida toda

Ele me disse e jurou pela vida

 

E desde o momento em que percebi

Eu sinto em mim meu coração batendo

.

Jungkook arregala os olhos quando Taehyung, finalizando a música, repentinamente lhe lança um olhar de intensidade devastadora, estreitando-os como um felino à espreita. Suas orbes podiam ocultar tantos segredos por trás do âmbar a cobri-las e também cintilar quando a sinceridade do que sentia transbordava através das mesmas, tirando o fôlego do Jeon em poucos segundos de contato.

 

Sou eu por ele, ele por mim pela vida toda

Ele me disse e jurou pela vida

 

Então, eu sinto em mim

A vida em cor-de-rosa

 

A voz aveludada o envolvendo ao cantar a última parte acapella fez com que Jungkook, lá no fundo, quisesse acreditar que Taehyung cantava pensando nele.

Quando o mais velho acabou, se afastou no banco, pedindo para o Jeon se aproximar. Ele hesitou um pouco, mas assim o fez.

- E aí? O que achou da minha performance exclusiva? - o tom descontraído não escondia totalmente seu nervosismo ao esperar uma resposta de Jungkook - Eu estava te devendo, afinal. Perdi a aposta.

- Por que você… Nunca gravou um cover dessa música? Só coloca a versão instrumental nas suas lives?

- Bem… Eu já não sou lá muito confiante pra cantar em inglês, mesmo praticando muito… Imagina em francês? - ri constrangido - Hoje, porém… Não liguei de fazer isso sabendo que você estava aqui. Foi como se... Eu devesse mesmo cantar pra você escutar.

Jungkook respira fundo, sem saber o que fazer com tantos sentimentos e sensações digladiando em seu interior. Com Taehyung, não estava diferente; afinal, aquela não era uma canção qualquer. Esta o fazia se ver, no futuro, dedicando ao grande amor de sua vida. De preferência, após os dois andarem em Paris, tirando fotos, visitando museus e galerias de arte, subindo até o topo da torre Eiffel, comendo nas padarias… Mas não sabia se um dia isso iria acontecer.

Quando menos espera, Jungkook interrompe seu fluxo de pensamentos:

- É esse um dos seus métodos?

- De que?

- De conquista. - dá de ombros, rindo sem humor - Parece bastante eficaz. Você chama a pessoa pra sua casa e, como quem não quer nada, faz uma serenata dessas?

- Jungkook, o q-

- Foi maravilhoso, hyung. Você sabe que sempre fui seu maior fã. Mesmo a contragosto nos últimos tempos. - sorriu irônico - E confesso que… Te ouvir cantar assim de novo, tão cheio de alma, me deixou mais emotivo do que pensei que ficaria se presenciasse outra vez. Mas… - respira fundo, apertando os lábios de modo apreensivo - Não sei se eu ficaria bem com isso. 

- "Isso" o que?

- Ser só mais uma fodinha casual na sua lista.

- ...hã?

Jungkook suspira como se exalasse toda a frustração, vergonha e melancolia até então contidos dentro de si, coçando as têmporas.

- Não se faça de desentendido, hyung. Por favor.

- Mas estou realmente confuso… - cruza os braços, virando o corpo na direção do mais novo - Por que você seria só uma foda casual pra mim, Jungkook?

- Bom… - riu sem humor -  Você não deve ter desperdiçado algumas chances apenas porque guardava algum sentimento por mim. Também tive minhas aventuras, mesmo que poucas se comparadas a você. Simplesmente aconteceu. Porém, eu… Não vim até aqui pra ser mais um que você comeu ou deixou que te comesse. Inclusive, até evito pensar nessas coisas porque… Machuca. Mesmo que não faça sentido, já que não temos nada. E, se voltássemos a ter, eu nem poderia "exigir" qualquer exclusividade sua. - outro suspiro - Chovem convites de pessoas querendo ficar contigo, nem que seja por uma noite. Não sou idiota. A fama abre muitas portas pro sexo fácil. Mas nunca consegui transar com qualquer um. Tive poucas experiências. Ou seja, eu ainda seria um tédio total pra você, além da distância me impedir de estar “sempre disponível”, então… Não perca tempo comigo, ok? Deixa pra lá, e-

- Jungkook! - o loiro lhe interrompe, tocando seus ombros com delicadeza - Relaxa. Não precisa se afobar.

- Eu tenho mania de falar tudo rápido quando fico nervoso…

- Sei disso. - sorriu docemente - E sei também que… Você tinha motivos de sobra pra pensar tudo o que falou agora. Mas… - repousando a destra em seu pescoço, o afaga com o polegar - Já pensou em perguntar diretamente pra mim sobre essa parte da minha vida? Hm?

- É claro que já. - admitiu, cabisbaixo - Só que… Tive medo da resposta. Preferi focar em outros assuntos.

- E agora? Você quer saber?

- Eu… - o mais novo respira fundo, fechando os olhos por um instante até encarar Taehyung novamente - Ah, foda-se. Fale de uma vez, e não me esconda nada.

Como os batimentos cardíacos desritmados de ambos, seus olhos se conectam.

- Eu nunca transei com ninguém, Jungkook. - revelou, com as bochechas coradas - E, também... Nem lembro a última vez que peguei no pau de outro cara, nem quando fiz ou ganhei um boquete. Faz tempo.

O Jeon cerra as pálpebras lenta e seguidamente, como se tentasse absorver o que lhe foi dito.

- V-você… Está brincando, não é?

- Há motivos pra eu brincar agora?

- É que… B-bem… Eu nunca imaginei que…? S-sei lá. - balançou a cabeça, bufando em seguida - Só é difícil acreditar. Desculpa.

- Porque eu tenho dinheiro, carisma, lábia e, por alguma razão, fui eleito o homem mais bonito do mundo? - indagou retoricamente.

- Isso mesmo. - o outro é curto e objetivo, mas ri fraquinho, assim como Taehyung.

Taehyung sorri pequeno para o rapaz.

- Eu estava com saudade até das suas respostas afiadas. - falou de repente, fazendo o outro ruborizar - E acho que… Depois de tudo… Da barreira que criei entre nós… Te levei a tirar muitas conclusões precipitadas sobre meu "eu" atual. Mas não vou me desculpar de novo, senão você me bate. - zombou, conseguindo arrancar outra breve risada do Jeon em meio ao inesperado clima de tensão.

- Ainda bem que sabe disso. - arqueou as sobrancelhas - E aí? O que aconteceu? Fez voto de castidade, se traumatizou com alguma pica feia demais...?

- Jungkook! - o mais velho riu alto - Não. Não foi nada disso. Digamos que… Fazer terapia me ajudou a entender coisas mais profundas sobre mim do que eu imaginava.

- Tipo…?

Taehyung o encara seriamente.

- Eu aceitei minha homossexualidade, mas também descobri que… Sou demissexual. E dos mais seletivos.

- "Demissexual"? - Jungkook repete o termo, a testa enrugada em confusão.

- Sim. Como posso explicar… Hm… Você disse que não conseguia transar com desconhecidos, certo?

- Certo…

- Mas sentia atração sexual por eles?

- Sim. Só que eu ficava muito tímido. Se fosse só pra beijar, ou umas coisinhas a mais, até dava, mas… Aonde quer chegar?

- Pros demissexuais, a atração sexual está atrelada à ligação afetiva. Só acontece, de fato, depois que criamos laços com alguém. Pra algumas pessoas, basta uma conexão surreal ou uma amizade forte. Mas, pra outras, o tesão propriamente dito só surge se houver amor no meio. Os sentimentos impulsionam e potencializam os desejos.

- Uau… Eu não fazia ideia disso.

- A sexualidade humana é mais complexa do que as caixinhas padronizadas que nos são impostas por um mundo hipersexualizado, heteronormativo e imediatista. - explicou, e Jungkook o olhava fascinado ao vê-lo discursar daquele jeito - Há pessoas que vivem muito bem sem qualquer contato íntimo, mesmo que se apaixonem. Outras gostam do contato íntimo, mas não fazem questão dele o tempo todo. Mesmo que façam, não precisa acabar em sexo. Beijos e carinhos já bastam. E por aí vai.

- Estou chocado, mas não exatamente surpreso. Porque faz sentido. - Jungkook fita as teclas do piano - Somos pressionados desde sempre a ter sei lá quantas experiências sexuais. E eu... Conto nos dedos as que já tive. Até achei que você me julgaria por serem poucas.

- Eu não julgo ninguém que faz o que quiser com o próprio corpo, Jungkook, desde que esteja confortável com isso. E, se você nunca foi de fazer sexo adoidado por aí, tudo bem. Você respeitou seus limites.

- É… Tem razão… Já ouvi algo parecido antes.

- De quem?

- Dos meus amigos da Magic Shop. Principalmente o Yoongi-hyung. Foi com ele que… Bem… - ruborizou mais - Aconteceu de tudo pela primeira vez. Porque ele não foi um babaca, e eu estava à vontade. - sorriu pequeno - Sou grato pelo carinho que ele teve comigo. Depois de um tempo, decidimos voltar a ser amigos sem benefícios. Funcionamos melhor assim.

- Entendi… - Taehyung sentiu uma pontada de ciúme, mas a suprimiu, até porque foi ele quem afastou Jungkook de si para motivá-lo a esquecê-lo - Se foi bom, valeu a pena, eu acho. - sorriu fraco.

- Era bom. Ele nunca me destratou ou me chantageou pra apressar as coisas. Foi todo cuidadoso do começo ao fim. Mas eu sentia que… Faltava algo. Mesmo gostando muito dele, eu parecia blindado a abrir meu coração pra qualquer pessoa. Então, preferi terminar enquanto ainda dava pra manter nossa amizade intacta. Isso também aconteceu com outros amigos e amigas com quem me envolvi depois dele. - o mais novo coça a nuca - Pensando agora… Talvez eu também seja demi, mas partindo de amizades. Não preciso necessariamente amar pra atração surgir. Só preciso da tal… Conexão que uma amizade forte pode trazer. - um risinho envergonhado reverbera.

- Sim. Pode ser. - Taehyung afaga os cabelos do Jeon - Não é libertador descobrir essas possibilidades?

- Com certeza. - assentiu, sentindo falta do carinho do Kim assim que este afastou a mão - Bom... E aí? Vamos terminar os preparativos da nossa festinha de Ano Novo?

O mais velho, controlando o próprio nervosismo, sorri de canto para o Jeon.

- Essa festa vai bombar!

Jungkook ri pela empolgação de Taehyung. Este se levanta e oferece a mão para segurá-lo quando ficasse de pé. 

Imediatamente, um déja-vù acomete os dois sobre um dos primeiros contatos que tiveram na adolescência, quando Taehyung soube ler as emoções dos olhos do Jeon com uma destreza e sensibilidade que impressionaram o mais novo. Naquela época, Taehyung evitou encará-lo. Somente apertou firme a palma alheia contra sua, como se, inconscientemente, não quisesse perder o menino que mal conhecia e, de algum modo, lhe despertava pressentimentos sobre a imensurável importância que viria a ter em sua vida.

Dali, foram se arrumar. Taehyung optou por uma calça branca larga, presa na cintura por um cinto preto da Gucci, e uma camisa social branca com os dois primeiros botões abertos, revelando parte das clavículas e do peitoral. Sua pele dourada ganhava um óbvio destaque naquela cor. Nos pés, colocou sapatos pretos que logo tiraria, já que odiava ficar calçado. Penteou o cabelo de maneira despojada, fez uma maquiagem leve e, enquanto estava sóbrio, tirou uma selfie para postar no Twitter, desejando aos fãs um ótimo início de ano.

Deixou seu aposento para reencontrar Jungkook no corredor, perto da escada. Ele estava com as mãos no bolso. Fez metade de um rabo-de-cavalo nos fios negros, deixando os piercings das orelhas mais aparentes. Vestia um confortável hanbok branco por cima da calça de algodão de mesma cor. O par de tênis preto completava o visual simples, porém deslumbrante. E, quando olhou em sua direção, sorriu como se estivesse em câmera lenta. Pelo menos, foi assim na mente de Taehyung.

- Você está lindo, hyung. - elogiou quando o mais velho parou à sua frente.

- Não mais do que você. - foi inevitável retrucar, sorrindo galante ao admirar o Jeon mais de perto.

- Não vai esconder a tatuagem?

- Fiz isso só pra tirar a selfie pro Twitter. Mas queria tirar uma com você pra ficar comigo. Pode ser?

- P-pode.

Taehyung passa o braço ao redor dos ombros de Jungkook e prepara a câmera do celular, captando o sorriso de lábios cerrados do rapaz junto ao seu, além dos rostos praticamente colados.

Estavam felizes.

 

~♡~

 

A mesinha redonda da sala estava coberta por uma toalha roxa como os pratos, talheres, tigelas e panelas. Ali, acompanhando os copinhos transparentes de soju, haviam panelas cujo cheiro de comida chegava a dar água na boca. Dentre os pratos típicos do Ano Novo coreano, haviam: sopa de tteokguk (bolinho feito de arroz) tradicionalmente consumida nessa época para trazer boa sorte e prosperidade; pyogobeoseotjeon, um jeon de shitake cuja parte de baixo do cogumelo é recheada e o corte na parte de cima lhe dá um charme especial; sujeonggwa, um ponche coreano feito de canela, gotgam (caqui seco) e gengibre, bem docinho e refrescante para servir de sobremesa após a refeição.

Enquanto comiam e bebiam, a televisão ficava ligada na programação de fim-de-ano. Aguardavam um especial de música com diversas apresentações que pretendiam debater, zoar e cantar juntos, numa espécie de karaokê improvisado. Provavelmente acabariam dançando também.

Taehyung, particularmente, adoraria rever a desenvoltura de Jungkook em tal quesito. Antigamente, ele demorava a se soltar quando estavam no meio de outras pessoas, mas, sozinhos em casa, o garoto se mostrava uma verdadeira máquina de dança, talento nato que escondia por pura timidez. Contudo, diversas vezes o balançar de seus quadris levou a seduções propositais de um para o outro, que levaram a toques, depois a beijos, e depois a roupas jogadas no chão, sem que eles resistissem ou negassem o quanto se queriam.

Meneia a cabeça, saindo do transe que tais lembranças provocam junto às fisgadas em seu membro mais sensível. Focou no rapaz ao seu lado, em frente à mesa, se servindo com mais soju e gesticulando para lhe oferecer também. Esticou o próprio copo. Estavam indo para a terceira garrafa dividida.

O loiro, então, solta uma risada baixa.

- Que é? - Jungkook o olha, confuso.

- Estou lembrando da primeira vez que você bebeu. Ficou mais manhoso do que nunca. Nem disfarçou o alívio quando contei que não tinha mais nada com a Lisa, e aí, depois de falar mais umas coisinhas por "culpa da bebida", simplesmente capotou. - ri de novo, bebendo mais soju.

- Como se você nunca tivesse passado vergonha por causa de álcool, né, senhor fraco pra bebida? - o mais novo debocha, sabendo que era seu trunfo, sem notar o bico que seus lábios formaram.

Taehyung franze o cenho, lançando um falso olhar de ameaça para o rapaz adoravelmente insolente.

- Ei… Não faz esse biquinho. - inclina o rosto para o lado - Você sabe que fica fofo demais assim. Muito, muito fofo.

O rosto de Jungkook ganha tons extras de vermelho, e não era pelo álcool.

- Não acredito que já ficou bêbado com o pouco de soju que tomou...

- Não estou bêbado. Só alegrinho.

- Sei…

- É sério!

- Ok. - Jungkook toma mais um gole - Então, qual foi a coisa mais louca que você já fez, ou quase fez, depois de beber?

Taehyung o encara numa intensidade estonteante.

- A primeira vez que você viu o ensaio da Wings, fui todo zonzo te deixar no ponto de ônibus e… Quase te beijei ali mesmo. - Jungkook arregala os olhos, e suas bochechas ardem ainda mais, igual às do Kim - Era uma vontade que... Eu negava existir em mim. Estava começando a descobrir que me atraía por garotos e não aguentava mais as pessoas me empurrando pra garotas. E aí, de repente, você estava cada vez mais bonito aos meus olhos… - ri soprado - Até então, nunca precisei ter tanto autocontrole na minha vida. Porque não sabia se seria o melhor momento de tentar algo, nem queria te assustar.

Jungkook permanece em silêncio por alguns segundos enquanto fita o próprio copo em sua mão.

- Eu… Gostei de como aconteceu. Da primeira vez. - admitiu, fazendo o coração de Taehyung disparar - Mas acho que… Mesmo se eu ficasse confuso… Não conseguiria parar de pensar num beijo seu. E ia querer tentar de novo, mas com você sóbrio, é claro.

- Oh… - Taehyung não sabe se abaixa a cabeça para rir ou se sustenta o contato visual - Acho que o bêbado aqui é você pra fazer uma revelação dessas.

- Se você está “só alegre”, eu nem cheguei perto disso ainda. - pisca um dos olhos - Sabe que sou mais resistente, não sabe?

- Vai se foder.

Os dois riem em conjunto.

- Foram os hyungs da Wings que me iniciaram na bebida… - o mais novo comenta, nostálgico.

- Quer falar com eles?

- Hã?

- Quando quiser falar com eles de novo, é só me dizer. A gente faz uma videochamada. Que tal?

- Seria muita gentileza da sua parte. Mas… Eles não estão bravos comigo?

- Nem um pouco. Entendem bem a situação que você ficou. O que prevalece é a saudade.

- Hm…

- Vai chorar?

- N-não.

- Seus olhos encheram de água!

- Já disse que não, idiota!

A risada ligeiramente arrastada do Kim contagia Jungkook outra vez.

- Anda… Vamos terminar isso aqui e partir pra sobremesa. O programa já vai começar!

Pelas horas seguintes, até dar meia-noite, eles se divertiram bebendo mais soju e comendo belisquetes. O jantar foi bem-servido, então não tinham muita fome. E o álcool parecia aumentar o entusiasmo que já sentiam naturalmente por desfrutarem da companhia um do outro.

Lado a lado no sofá, os risos se embolavam, e os toques involuntários eram mais frequentes. Quando seus artistas favoritos apareciam, a dupla levantava para brindar seus copos, cantando e dançando feito loucos. Depois, se jogavam no estofado para descansar, apoiando uma cabeça na outra, mais à vontade do que Taehyung imaginou que voltariam a estar um dia.

Na hora da contagem regressiva, eles levantam de novo, dessa vez com taças de champagne, o qual Taehyung trouxera durante um dos intervalos.

- Feliz Ano Novo, Jungkook! - o loiro sorri abertamente para si enquanto o barulho de fogos de artifício reverbera do lado de fora.

- Feliz Ano Novo, hyung! - devolve o sorriso.

Sustentando seus olhares, cada um toma suas respectivas bebidas, virando tudo.

- Quer ver os fogos lá fora?

- Sim, por favor!

Eles seguem para a sacada. Fitando o céu, são iluminados por luzes multicoloridas explodindo junto ao cenário estrelado. E o olhar de Taehyung, mais uma vez, recai sobre Jungkook, que aprecia o espetáculo mais um pouco antes de também fitá-lo.

- Não queria ver os fogos?

- Te ver é melhor.

- Hyung… - ri encabulado.

- E o meu ano já se renovou antes disso.

- Hm? Como assim?

- Desde que… Você voltou pra minha vida… Foi um recomeço pra mim. - confessou, rubro e atento ao semblante graciosamente surpreso do Jeon - Obrigado.

- Er… N-não há de que. Também agradeço por… Ser paciente e compreensivo comigo. - sorri de lado - Isso nunca mudou.

- Não. Nunca.

- E não vamos culpar a bebida por nada que estamos falando, né?

- Finalmente aprendeu a lição.

- Idiota! - Jungkook ri outra vez, cutucando-o com o cotovelo. Porém, ao invés de uma risada complementando a sua, Taehyung o surpreende de novo ao enroscar seu braço com os próprios, recostando a cabeça em seu ombro.

- Queria tanto ter te levado ao baile…

- Que baile?

- De formatura.

- Oh… Era o que eu mais queria naquela época. - murmurou, com a voz meio distante, e Taehyung não sabia dizer se era o álcool afetando seus sentidos ou se o próprio Jeon preferiu falar baixo - Mas até que a gente dançou muito agora. Será que compensa?

- Não. - Taehyung negou, amuado, apertando mais os braços - E não quero que você vá embora.

- Também não quero ir.

- Sério?

- Aham.

- Bom saber.

- Cala a boca.

Taehyung solta um risinho anasalado.

- Ei…

- Diga.

- Dorme comigo?

- Q-quê?!

- É só pra dormir mesmo. - reergue o rosto, encontrando a face vermelha do Jeon - Pervertido.

- E-eu sei que é só pra dormir! Não seja besta! M-mas… Faz tanto tempo…

- Que não dorme com ninguém?

- Não foi o que eu quis dizer, apesar de que… É. Também. Mas os outros são os outros. Mesmo que eu tenha me apegado, nunca foi como… - Jungkook deixa a frase inacabada no ar, tenso demais para prosseguir.

Taehyung fica em silêncio por um instante, até que diz:

- Pode pelo menos me acompanhar até a cama, senhor Jeon?

- Só se você parar com essas frases de duplo sentido, senhor Kim.

- É mais forte que eu.

- E eu vou precisar ser forte… - murmura para si mesmo.

- Hm?

- Nada. Vamos. Você é do tipo bêbado sonolento. Daqui a pouco já capota.

- N-não é pra tanto!

Jungkook sorri diante do rostinho graciosamente indignado de Taehyung.

Em poucos minutos, estavam diante da cama do mais velho, que foi logo puxando Jungkook consigo. O rapaz relutou a princípio, mas aceitou se juntar a ele, ficando de costas para o mesmo. Taehyung se aproxima o suficiente para passar um braço em volta da cintura do Jeon, deixando uma distância mínima entre seus corpos. Respira pertinho da nuca de Jungkook, arrepiando-o da cabeça aos pés.

E, como previsto, Taehyung foi o primeiro a adormecer.

 

~♡~

 

Na manhã seguinte, Taehyung abre os olhos devagar, apertando mais forte o "travesseiro" que abraçava. Porém, quando o suposto objeto resmunga, ele praticamente pula na cama.

- J-jungkook…? O que você…? Ah! Lembrei.

O mais novo cobre a boca para bocejar, logo esfregando os olhos e se espreguiçando.

- Ai de você se esquecesse qualquer detalhe sobre ontem.

- Jamais esqueceria.

Corando, ambos desviam o olhar por alguns segundos.

- Bom… Eu vou embora depois do café… Preciso estar na rodoviária antes das duas.

- S-sim, é claro. Acordamos tarde, então…

- Te encontro na cozinha. - Jungkook anunciou, parecendo constrangido demais de repente - Vou… Tomar um banho lá na minha suíte.

- Oh, sim… À vontade.

Quando Taehyung vai ao banheiro fazer sua higiene pessoal, percebe uma ereção maior do que as que costumam surgir ao acordar. Suspirou envergonhado. Esse tipo só aparecia após eventuais sonhos eróticos com Jungkook. E, pelo visto, ter o próprio Jeon consigo, dividindo o calor de seus corpos, ainda que cobertos por roupas, poderia ter o mesmo efeito dependendo do quanto se reprimisse para não senti-lo tanto quanto gostaria. Bastava ligar os pontos.

Trocou a roupa festiva por um casaco verde de moletom, assim como a calça, e seguiu para a cozinha. Jungkook demoraria um pouco mais para descer, então adiantou algumas panquecas cobertas com mel e separou a garrafa de banana milk que o Jeon preferia tomar logo cedo, enquanto Taehyung ia nos sucos, principalmente de morango.

Em pouco tempo, Jungkook ressurgiu com o típico conjunto de roupas que usava no dia-a-dia: camisa branca de manga curta, casaco preto com capuz, calça jeans azul-escuro rasgada nos joelhos e botas pretas de cano baixo. Os cabelos arrumados, mas não tão alinhados, compunham sua aparência sutilmente rebelde e, para o Kim, absolutamente excitante.

Após a distração momentânea, pigarreou, indicando o lugar vazio ao seu lado. Jungkook assentiu, acomodando-se na cadeira.

 

~♡~

 

Aquele café-da-manhã não teve o mesmo clima animado dos demais, embora Taehyung e Jungkook tentassem disfarçar o quanto a separação iminente os afetava, ou a própria presença um do outro, com uma tensão mal-resolvida pairando no ar.

Levando Jungkook até a porta, Taehyung sorriu melancólico para o rapaz à sua frente.

- Sei que ainda vamos manter contato, mas… Vai ser estranho não ter mais você por perto.

- É… Eu sei… Você me acostumou mal em pouco tempo.

- Eu, né? Como se você não tivesse seus encantos. - riu baixinho ao focar nos olhos brilhantes que não desgrudavam dos seus - Por favor, se cuide. Boa viagem.

- Você também. - sorri brevemente - Quando volta pra Seul?

- Não tenho certeza ainda. Mas, pra esse semestre, já tenho vários compromissos marcados dentro e fora do país, então… Vou conferir depois.

- Entendo. - Jungkook abaixa a cabeça, ponderando sobre algo e apertando com força as alças da mochila em suas costas. - Hyung… Antes de ir… Posso perguntar uma coisa?

Taehyung estranha a seriedade repentina do Jeon.

- Qualquer coisa.

Jungkook torna a lhe encarar com certa relutância, até que, pouco a pouco, a determinação prevalece.

- Lá no meu estúdio… Quando você disse que "ainda me amava"... Foi em que sentido? Um amigo, um irmão, ou…?

- Em todos os sentidos. - o loiro, movido pela ansiedade, corta a fala do rapaz, que engole em seco.

- E… Que tipo de demi você é, hyung?

Mais uma vez, o Kim ruboriza, comprimindo os lábios. Logo se recompõe, com os olhos fixos naqueles que o fitavam numa expectativa gritante em meio ao silêncio.

- Do tipo que... Precisa estar apaixonado.

Jungkook sente a respiração travar, a compreensão lhe atingindo conforme os olhos dobram de tamanho e a boca parte ao meio.

- E-então… Você…?

- Sim. - Taehyung afirma antes mesmo do Jeon dizer com todas as letras - Eu só amei uma única pessoa em toda a minha vida. E ela… Está bem na minha frente agora.

Naquela hora, foi como se o mundo parasse de girar, e o tempo fosse um mero detalhe insignificante para aqueles dois. Então, Jungkook beijou Taehyung, eletrizando todo o seu corpo com um demorado encostar de lábios.

O ar desprende de seus pulmões, fazendo-o libertar um suspiro de satisfação. Entreabriu os olhos para flagrar Jungkook a fitá-lo intensamente. O peito de Taehyung queimava de afeto, desejo, saudade, com o coração atingindo velocidades insanas. Batidas audíveis, iguais às de Jungkook. Fecham os olhos para trocar mais selares, apressados dessa vez, em bocas que logo se caçam para inebriantes moldes, redescobrindo a textura macia de cada uma.

Taehyung se sentia em queda livre, mesmo firmado nos braços de Jungkook, e seus olhos guardam as lágrimas emotivas que surgem de repente. Não acreditava que estava beijando Jungkook outra vez, suspirando pelas carícias úmidas da língua dele na sua, grunhindo pelas mordidas inesperadas em seus lábios, gemendo pelos apertos possessivos em sua cintura, ambos num estado inigualável de encantamento.

Entorpecido pelo cheirinho de baunilha no qual tanto era viciado, Taehyung desfaz o contato para lamber o pescoço do Jeon, de um lado para o outro, apreciando o sabor das gotículas de suor brotando. Parou sobre a pintinha que sempre adorou mordiscar e chupar sem dó, repetindo os gestos. Jungkook geme de prazer quando sente Taehyung marcá-lo em um de seus maiores pontos fracos, e o loiro estremece de tesão ao escutá-lo assim de novo, rente ao seu ouvido. Seus dedos sobem pelos braços musculosos e alcançam a pele exposta da nuca, arranhando-a sem muita força. Jungkook ofega e se aproxima da lateral de seu pescoço, distribuindo beijos molhados até sua bochecha, depois o queixo, e então o canto da boca. Tudo enquanto invade o tecido do casaco moletom do Kim com mãos cálidas. Mãos que o haviam mapeado tantas vezes, retomando caminhos já conhecidos pela tez acobreada.

Taehyung respira sôfrego, o hálito quente refletindo sobre a marca roxa que deixara. Há quanto tempo não era tocado de um jeito capaz de lhe causar sensações deliciosamente febris, em contraste com os sopros gelados em seu ventre? Ao menor dos toques de Jungkook, sua pele formigava devido aos rastros de calor deixados por aquele homem que abalava suas estruturas como ninguém mais. Boca, língua, dentes, dedos, tudo nele tinha o dom de lhe acender, não importava quanto tempo estivesse adormecido, causando efeitos devastadores e delirantes no Kim.

Quando é preciso recuperar o fôlego, Taehyung se afasta, expirando e inspirando com dificuldade. O rosto de Jungkook reaparece em seu campo de visão. Lábios rosados com sinais de inchaço e o nariz redondinho com respiração fraca. Seus olhos grandes exalavam uma luxúria latente, além de diversos sentimentos contidos nos buracos negros de suas íris. E Taehyung queria que Jungkook transbordasse tudo sobre si.

- Eu também sentia falta. - a voz embargada do Jeon faz Taehyung paralisar por causa "também", remetendo ao que dissera mais cedo na piscina  - Sentia falta de ter você pra mim… Só pra mim... Como amigo, irmão, e... Como homem. - seus braços, hesitantes, envolvem o pescoço do Kim - Mas, por muito tempo, fingi não me importar. Fingi por acreditar que… Não tinha sido nada especial pra você. E, mesmo nos últimos meses, estava difícil acreditar.

Taehyung sorri com ternura ao fitá-lo.

- Você sempre foi especial. A pessoa mais especial pra mim. - gentilmente, afaga as bochechas do Jeon, até enlaçar sua cintura e aproximar mais seus corpos para um abraço acolhedor. Com os peitos colados, poderia mostrar a Jungkook como seu coração também pulsava forte e rápido demais. - E agora? Você acredita?

O mais novo faz uma breve pausa antes de dizer:

- Estou acreditando. Não é cem por cento ainda, mas... Digamos que… É quase isso. - apóia o queixo no ombro do loiro -  Você… Ganhou muitos pontos comigo por esses dias. - admitiu, por fim.

- Ah, é? - ri baixinho - Me sinto honrado.

- Pronto, voltou a falar como o Taehyung do Ensino Médio. - revira os olhos, numa irritação fingida que diverte o Kim - Tão metido que dá vontade de bater.

O mais velho mantém o sorriso de outrora e deposita um beijo casto na cabeça de Jungkook.

- Que esses dias juntos não demorem a se repetir. - sussurrou como uma prece.

- Está me dando falsas esperanças? - o tom sarcástico do Jeon vinha coberto por uma camada agridoce de expectativa.

- Não é pra serem falsas. É só que... Não vai ser fácil. - retrucou, cauteloso - Se você cansar depois de dias, meses ou anos... É livre pra partir e viver sua vida como bem quiser.

Jungkook afunda o rosto em seu peito, e Taehyung é surpreendido por lágrimas molhando sua blusa.

 - Se tudo o que vem me dizendo for verdade… Vamos tentar. Mesmo com a porra da distância e da mídia. Por favor. Eu… E-eu… Quero estar com você, hyung. Viver ao seu lado. Seja como for.

- Kookie... - balbucia, sentindo lágrimas comovidas embaçando sua visão, enquanto Jungkook aperta a barra de sua blusa com certa força - Independente do que acontecer com a gente, só o que te peço é… Pra ficar bem. E saudável. E feliz.

- Também quero ver você assim, hyung. E te apoiar nos dias ruins.

- Obrigado, Kookie. Também farei isso. Eu juro.

Taehyung sabia que, mais do que em qualquer outra circunstância de sua vida, deveria ser forte o bastante para suportar as consequências de sua nova escolha.

E, por mais que o medo do futuro pudesse abatê-lo de vez em quando, tinha certeza absoluta que...

O amor por Jungkook seria sua fortaleza florida.


Notas Finais


Eu costumo colocar indícios sobre personagens demissexuais nas minhas histórias, mas sempre quis abordar diretamente o assunto. E, conforme escrevia BFY, me veio esse estalo sobre os personagens. Principalmente sobre o Tae. Então... Fico feliz pela chance ter surgido! ❤


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...