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História Blooming in the Desert - GaaHina - Capítulo 18


Escrita por:


Notas do Autor


Olá!
Quem diria, é a segunda vez que estou atualizando Blooming neste mês e cá entre nós, há um motivo bem especial!
No dia 19 de Julho a fanfic completou um ano! Queria ter atualizado na data, não deu, mas... Ao menos cheguei a tempo de fazê-lo no mês correto!
Espero que gostem deste capítulo, o escrevi com muito amor!

Boa leitura e... Por favor, leiam as notas finais, tem uma novidade para vocês!

Capítulo 18 - Entre irmãos


Gaara havia cumprido o que prometera a Hinata.

Após mais de uma hora de conversa — que, de tão agradável pareceu ter durado apenas instantes — a Hyuuga começou a enfim se render a todo o sono que sentia. Seus olhos pesaram e mantê-los abertos se tornou um verdadeiro desafio, até que a garota acabou por adormecer.

Um pouco incerto se deveria de fato fazer aquilo, o jovem Sabaku pegou a morena cuidadosamente e se levantou do sofá com ela em seus braços. Não pode deixar de perceber o quão confortável era sensação de tê-la aninhada. Aquilo era algo que, inexplicavelmente, parecia algo carregado de suavidade e calor. Entretanto, Gaara não compreendeu precisamente o motivo daquele gesto lhe soar tão agradável.

Tentou apenas ignorar aqueles pensamentos, talvez não fossem algo realmente relevante.

Ele a havia levado consigo e agora estavam ambos no quarto de Hinata. A garota já estava acomodada sobre a cama, uma colcha lhe cobria o corpo de maneira desajeitada. Gaara, por sua vez, estava sentado sobre o parapeito da janela arredondada enquanto observava a morena dormindo. Ela tinha uma expressão relaxada e parecia estar completamente entregue ao conforto da cama. O Sabaku suspirou, sequer tinha consciência de que um discreto sorriso lhe tomava os lábios naquele mesmo instante.

Por um lado, ele sabia que não deveria estar ali e tinha total ciência de que se a Hyuuga acordasse, ficaria no mínimo incomodada com sua presença, ou até mesmo algo pior...

No entanto, estar no quarto da Kunoichi era algo inevitável naquele momento.

Gaara era o tipo de pessoa que sempre preferia estar a sós, apenas aproveitando a própria companhia e afogando-se em seus silenciosos e profundos pensamentos. Mas aquela era uma noite estranha, recheada de eventos inesperados e ele também estava um tanto esquisito, começando pelo simples fato de que havia participado ativamente de uma festa de proporções homéricas e que fora completamente organizada por ele. Não bastasse isso, também discursou diante de uma densa multidão de rostos desconhecidos e após tudo isso, conversou por algumas horas com uma garota que, até então, lhe era apenas uma distante conhecida, até servira a ela como conselheiro, por livre e espontânea vontade.

Em um gesto rápido, direcionou seu olhar ao lado de fora, observando distraidamente as luzes coloridas que vinham do centro de Suna, desejando profundamente desligar-se do ambiente no qual se encontrava. A mente do Kage ainda vagava nos ocorridos daquele dia e ele logo percebia que, mesmo que tudo aquilo estivesse fora do que costumava considerar como sua zona de conforto, Gaara não havia achado de todo ruim.

Fizera uma nova amiga, tinha muito a aprender, e estava disposto a se dedicar ao máximo para que todo aquele esforço valesse a pena.

Ouviu o suave som de tecidos roçando, o que foi suficiente para arrancá-lo de suas reflexões. Sentindo um leve receio olhou para trás. Desejava com todas as suas forças que Hinata não tivesse despertado e acabou suspirando em completo alívio quando constatou que ela ainda dormia. Por mais deprimente que fosse, decidiu naquele momento que deveria deixar a garota a sós. Mal haviam se tornado amigos, não seria e melhor coisa do mundo se ele já desse a ela, motivos para voltar atrás naquela aproximação.

O Sabaku levantou-se do parapeito em silêncio, seus gestos eram contidos e cautelosos. Qualquer passo em falso poderia fadá-lo à desgraça. Furtivamente, caminhou para perto da cama de Hinata, lançando um último olhar à expressão serena da amiga que fazia o ato de dormir parecer tão agradável. No fundo, Gaara a invejava por conseguir repousar com tanta facilidade e tranquilidade. Por alguns instantes, perguntou-se se um dia conseguiria adormecer de tal maneira.

Aproximou sua mão do rosto da Hyuuga em um gesto impulsivo, mas não chegou a tocá-lo. Felizmente, ainda lhe restava um pouco de sanidade que o impedia de cometer qualquer uma daquelas incompreensíveis e irracionais idiotices que invadiam sua mente, cada vez com mais frequência. Fechou os olhos com força e inspirou profundamente, na intenção de que retomasse o controle de seu corpo e de suas ações por completo.

Quando tornou a abrir os olhos, ajeitou a colcha de Hinata de um jeito mais asseado e foi invadido por uma agradável sensação de satisfação quando a ouviu suspirar confortavelmente.

Finalmente saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Passou algum tempo parado em meio ao corredor circular enquanto tentava assimilar o esquisito turbilhão que o atordoava. Sabia bem que havia algo de muito errado se passando consigo, a incapacidade de interpretar seus pensamentos e seus atos o frustrava e, pouco a pouco se via ser guiado para algo próximo de um estado de insanidade.

Poderia ir para seu quarto tentar descansar, mas se conhecia bem o suficiente para saber que não conseguiria repousar. Já não o fazia em dias comuns, e muito menos o faria em uma noite na qual viu-se coberto de novas experiências. Sua mente trabalhava de maneira incessante sobre as incógnitas que o incomodavam naquele momento e não havia previsão de que tais reflexões viessem a parar tão cedo.

Gaara precisava de respostas e estava mais que disposto a tê-las ainda naquela madrugada, porém sabia que, para chegar aos seus objetivos, precisaria despir-se de alguns bloqueios, e este detalhe o incomodava de forma particular.

Ainda assim, estava firme em suas decisões e faria o que fosse necessário para que sua mente pudesse enfim encontrar um pouco de paz.

 

[...]

 

Já havia passado de quatro horas da manhã quando Kankuro finalmente decidiu retornar para casa. Havia permanecido no festival até que este começasse a acabar e jamais se arrependeria de suas escolhas: aproveitara aquela noite comemorativa ao máximo!

Depois de ter aproveitado um tempo agradável e regado de conversas casuais com Kakashi e Naruto, o Sabaku mais velho partiu para a caça e para a sua sorte, não demorou muito até encontrar uma nova acompanhante para sua noite: era uma linda garota chamada Minako, vinda do país da grama especialmente para apreciar o Festival de Suna. Puderam conversar bastante e Kankuro não economizou no charme, nos galanteios e no bom humor durante todo o tempo que estiveram juntos. O clima entre eles era agradável e a atração era algo quase palpável. Não demorou muito até que o moreno a convencesse a beberem juntos algumas doses de Sake, até que finalmente partiram para os beijos e algumas carícias um pouco mais ousadas. Estavam tão entregues ao momento que sequer se importaram com a multidão que por ali passava.

O titereiro chegou a cogitar a possibilidade de ter aquela noite inteira ao lado da bela moça e até mesmo teria tentado chegar um pouco mais longe do que apenas aqueles beijos e mãos bobas, mas para sua infelicidade, o pai de Minako apareceu para levá-la de volta à hospedaria na qual estavam instalados durante aqueles dias. Entretanto, Kankuro não desistiria tão facilmente: arriscaria a sorte e procuraria a jovem de belos cabelos loiros mais tarde, antes que ela partisse de Suna e retornasse para seu lar.

Um pouco alterado pela bebida, o rapaz parou diante da porta de casa e vasculhou seus bolsos procurando pelas chaves. Não demorou muito para que as encontrasse, mas acertar o buraco da fechadura foi um verdadeiro desafio. Tentou algumas vezes e falhou miseravelmente, apenas causando barulhos sutis de metais se chocando. Mesmo diante da falha, não pode evitar e acabou por rir de sua própria desgraça.

Quando foi arriscar uma quinta vez, a porta se abriu de maneira abrupta e diante de si, Kankuro deparou-se com Gaara. O caçula tinha a mesma expressão apática de sempre, mas seus olhos demonstravam um brilho diferenciado, detalhe que era uma verdadeira incógnita para o mais velho.

— Você chegou... Já são quatro horas e quarenta e três minutos da manhã... — O ruivo constatou em voz baixa. Havia contado cada minuto enquanto aguardava pela chegada de seus irmãos, afoito pelas respostas que tanto procurava.

Kankuro piscou algumas vezes enquanto assimilava aquele fato. Sabia que já era tarde, mas nunca, em toda sua vida, vira Gaara vagando pela casa de madrugada. Sabia que o jovem Kage era insone, mas tinha conhecimento de que ele costumava passar aquelas horas em claro completamente isolado.

— Você... Estava me esperando? — Questionou confuso, sua voz saía ligeiramente arrastada como efeito colateral do exagerado consumo de álcool.

— Sim..., mas também não... — Gaara respondeu de maneira vaga. — Também poderia ser Temari, mas você apareceu antes.

— Olha, sobre isso, eu sinto em informar, mas acho que ela não vai voltar para casa tão cedo. — Ele coçou a nuca ligeiramente desconfortável em abordar aquele assunto. — Parece que ela e o Nara se resolveram e... E depois eles meio que desapareceram do festival, devem ter ido para algum canto para tr... — Ele interrompeu a própria fala, horrorizado. Kankuro não era nenhum tipo de santo, mas definitivamente não gostava de pensar na possibilidade de que sua irmã mais velha poderia estar, naquele momento, completamente nua e entregue nas mãos de algum homem. — Enfim, ela não deve voltar, só isso mesmo. — Corrigiu-se rapidamente.

— Então terá de ser você. — O mais novo comentou pensativo, tentando ignorar por completo a parte que se referia ao relacionamento de sua irmã. Se pensasse demais, apenas ficaria irritado e acabaria desejando envolver o Nara em sua areia para então esmagá-lo de maneira lenta e dolorosa.

— Eu? O que tem eu? — Kankuro fez uma careta, estranhando as atitudes e colocações do mais novo. Afinal, desde quando Gaara precisava pedir ajuda aos demais?

O Kazekage ignorou a pergunta e caminhou até o sofá, sentando-se nele em absoluto silêncio e cruzando seus braços no processo. Apenas lançou um breve e significativo olhar ao mais velho, esperando que ele compreendesse o recado e se acomodasse ali ao seu lado.

O moreno aproximou-se, quase tropeçando em obstáculos invisíveis em seu caminho. Suas pernas estavam ligeiramente amolecidas e ele largou-se no sofá de maneira desleixada, ocupando espaço suficiente para duas pessoas.

— Que que você quer, maninho? — Tornou a falar, sequer dando espaço para que o ambiente caísse no completo silêncio.

O Sabaku mais novo observou Kankuro de maneira incerta. Mais cedo, havia se decidido de que deixaria seus bloqueios de lado, mas agora que estava diante da pessoa que provavelmente lhe daria as tão desejadas respostas, sentia-se completamente travado. Não sabia ao certo que perguntas fazer, já nem compreendia quais eram suas dúvidas de fato.

Sentia-se até mesmo um pouco tolo por ser tão ignorante em alguns assuntos da vida. Para ele, aqueles questionamentos pareciam complexos, afinal os problemas lhe eram enigmáticos, mas tinha conhecimento de que, para a maioria das pessoas, eram detalhes corriqueiros do dia a dia. Meras banalidades.

Eram detalhes tão básicos que qualquer pessoa simplesmente sabia daquelas coisas, sem jamais precisar questionar para aprender.

Infelizmente, Gaara não se enquadrava naquela categoria de pessoas e para ele, todas aquelas informações eram verdadeiras novidades, completamente desafiadoras e avassaladoras.

O mais velho, percebendo as dificuldades do irmão em se pronuncias, decidiu novamente tornar falar. Conseguia sentir que algo afligia o mais novo, mas não sabia exatamente o que era. Teria que puxar a conversa e com sorte, acertaria precisamente o assunto desejado pelo Kazekage.

— Então, maninho... No final das contas você conseguiu encontrar a Hinatinha ou ela continuou desaparecida pelo festival? — Arriscou o assunto, sabendo que, ultimamente, a Kunoichi de Konoha era uma pauta recorrente nos pensamentos de Gaara, mesmo que este não admitisse.

O ex Jinchuuriki permaneceu em silêncio por alguns instantes, a maneira como seus olhos estavam ligeiramente arregalados demonstrava que estava surpreso com a abordagem do irmão, afinal, Kankuro havia acertado precisamente o assunto que desejava abordar. Aquela era sua oportunidade de começar a falar e precisaria se agarrar a ela com todas as suas forças.

— Então... É sobre isso que eu queria falar... Digo, mais ou menos isso. — Sua voz saiu baixa e um tanto rouca.

— Aconteceu alguma coisa? — O moreno tinha um leve sorriso estampado em seus lábios enquanto sua mente passava a fantasiar inúmeras possíveis situações que poderiam ter se passado entre Gaara e Hinata. No fundo, sabia que não deveria voar alto demais, a queda poderia ser dolorosa.

— Nos tornamos amigos... — Declarou o Sabaku mais jovem de modo simples e direto.

— Hm? Era isso? — O titereiro fez uma pequena careta de desgosto, não se conformando que o irmão o havia esperado apenas para comunicar aquilo.

— Não... — O ruivo disse brevemente e então entrou em outro momento de absoluto silêncio.

Em um gesto de nervosismo, o Kazekage bagunçou os cabelos rubros com as próprias mãos e fechou os olhos com força. Tentava com todas as suas forças pronunciar o que desejava, mas ainda se sentia travado e as palavras morriam dentro de si antes mesmo que chegassem à sua boca.

De maneira amigável, Kankuro deu leves tapinhas nas costas do irmão em uma tentativa de confortá-lo.

— Olha, maninho, não precisa ter pressa, ok? Está na cara que para você está sendo difícil falar sobre isso e você não tem que se forçar a fazer isso agora.

— Eu preciso... Muito. — Confessou e lançou um breve olhar ao irmão. Bem no fundo das írises aquamarine havia um toque de completo desespero.

— É assim tão importante? — O titereiro questionou e, como resposta, obteve um breve aceno de cabeça por parte do ruivo. — Tudo bem, deixa eu tentar te ajudar... Tem realmente a ver com a Hinata, certo? — Questionou apenas na intenção de mais uma vez obter a confirmação. Sabia o quanto Gaara poderia ser desvinculado dos conhecimentos básicos e sentimentos terrenos. O titereiro definitivamente não pretendia dizer algo que pudesse prejudicar o mais novo.

— Sim, é sobre... Sobre a nossa amizade. — A voz saiu como um fio.

— O que tem a amizade de vocês? Até onde sei, era isso que você queria desde o início... Não foi o suficiente para você? — O moreno arqueou uma sobrancelha enquanto fazia o questionamento em um tom divertido. Já fazia alguns dias que vinha observando o comportamento de Gaara e estava quase certo de que o mais novo sentia algo a mais pela garota de olhos perolados, no entanto sabia que o mais novo provavelmente seria incapaz de perceber tais sentimentos.

— Hinata já estava aqui em casa quando voltei do festival... Acabamos conversando sobre alguns assuntos e juntos chegamos à conclusão de que agora somos amigos. — Ele resumiu sua noite em pouquíssimas palavras. — E foi então que eu percebi que conquistei a amizade dela, mas não me serve de nada uma vez que não sei o que amigos fazem exatamente.

Kankuro limpou a garganta na tentativa de disfarçar um ris, chegava a achar adorável ver o jovem Kazekage com aquele brilho confuso no olhar e com tantos questionamentos ingênuos. No entanto, não se orgulhava das coisas ruins que ocorreram a Gaara no passado e considerava-se um dos maiores pela infância dolorosa que privou o irmão de tantas trivialidades da vida. Se não tivesse dado tanto valor a tudo que Rasa pregava, teria sido mais presente na vida do pequeno Jinchuuriki e muitas coisas ruins teriam sido evitadas. Infelizmente, não tinha como voltar ao passado para consertar seus erros, mas poderia sempre se esforçar para remediar no presente.

— Olha, Gaara... quem determina os limites de uma amizade são as pessoas que participam dela. — Disse encarando brevemente a face pálida do irmão. — Neste caso, você e Hinata..., Mas como eu sei que você ainda deve estar meio perdido, posso te dar uma luz, ok? — Concluiu com um sorriso amigável estampado em seus lábios.

O Sabaku mais novo mantinha os olhos Aquamarine fixos na imagem de seu irmão mais velho. Estava completamente atento e disposto a aprender tudo que estivesse ao seu alcance naquele momento.

— Vamos começar com uma pergunta básica, maninho... Por que você quis virar amigo da Hinatinha? — Kankuro tornou a questionar.

Gaara abriu a boca para responder, mas foi incapaz de colocar em palavras aquilo que sentia em relação à Herdeira Hyuuga. A justificativa poderia ser aquele par de olhos que tanto o faziam se lembrar de uma agradável noite de lua cheia, ou até mesmo aquela voz suave doce como uma canção de ninar. Ainda poderia ser o simples fato de que ela não o olhava com o mesmo medo que tantas outras pessoas demonstraram sentir em sua presença, mas afinal...

Aqueles eram motivos plausíveis para justificar uma amizade? O Kazekage já não tinha tanta certeza.

— Veja bem... Vou te contar por que eu me tornei amigo dela. — Kankuro se pronunciou em uma nova tentativa de incentivar o irmão. — Achei ela uma pessoa agradável, conversar com ela é gostoso, relaxante... e Hinatinha é uma ótima companhia! Na verdade, é assim que costumo fazer em relação a qualquer amizade: busco por pessoas que fazem com que eu me sinta bem e que eu tenha vontade de mantê-las por perto.

Pensativo, Gaara levou uma mão ao queixo.

— Eu... Gostei de conversar com ela e... sinto tranquilidade quando estou perto de Hinata, mas acho que é apenas porque os olhos dela me fazem pensar na lua. — Ele fez uma breve pausa enquanto tentava refletir mais profundamente sobre a situação, mas continuava achando suas justificativas inválidas. — Ela não parece me odiar, mesmo tendo visto o monstro que eu era no passado e acho que isto seria um ponto positivo. Não tenho certeza. — Sua voz saiu em um sussurro praticamente inaudível.

— E isto já é o suficiente para você desejar ser amigo dela, maninho. O primeiro ponto é você realmente querer ter esta amizade e tudo que você acabou de dizer são pontos válidos! — O moreno o encorajou e deu uma piscadela antes de voltar a falar. — Agora vem a outra pergunta. Um dos seus motivos para ter lutado na Quarta Grande Guerra foi a segurança de Naruto, certo?

— Sim, mas... O que isso tem a ver? — O rapaz não conseguiu ocultar uma careta ocasionada pela confusão.

— Você e Naruto são amigos e você desejou proteger seu amigo. Você não fez isso apenas por obrigação, foi porque seu coração mandou, estou errado? — O marionetista apresentou sua linha de raciocínio.

— Eu apenas quis retribuir tudo o que ele fez por Suna quando fomos atacados pela Akatsuki...

— Mas alguém te obrigou a fazer isso? — Kankuro inquiriu com uma sobrancelha arqueada.

— Não exatamente, quer dizer... Era minha obrigação como, Kazekage, mas... — Antes que concluísse, foi interrompido.

— É aí que está o lance! — O titereiro exclamou. — Você tinha uma obrigação, mas foi além dela... Está entendendo? Este é o ponto chave de uma amizade... Não há regras, você simplesmente vai atrás de fazer coisas por esta pessoa ou na companhia dela. Você luta pela felicidade de um amigo e até os momentos mais bobos podem se transformar em lembranças inesquecíveis. Tudo pode se tornas mais colorido, leve e divertido quando você está com essas pessoas, porque o mais importante é a companhia desta pessoa que, para você, é tão especial.

— Hm... Eu acho que estou entendendo. — O ruivo afirmou em voz baixa, seus olhos estavam fixos em um dos quadrinhos decorativos que Temari tanto insistiu em pendurar na parede. No entanto, ele não assimilava o que via, pois sua mente trabalhava fervorosamente em cima das reflexões de Kankuro. No fundo, Gaara questionava-se se o irmão diria palavras tão filosóficas se não estivesse sob o efeito do álcool. Talvez nunca viesse a descobrir. Tentou focar-se em possíveis atividades que poderia realizar com Hinata, mas, naquele momento, percebeu o quão monótona era sua vida. Existia apenas para administrar Suna, lutar eventualmente, participar de reuniões repletas de burocracia e cuidar de seu jardim nos momentos livres. Suspirou baixo. — Uma tarde em meu escritório pode ser agradável também, se for um momento entre amigos?... — Questionou em um sussurro, não esperava que o irmão realmente o escutasse.

— É, pode até ser, mas não recomendo... — O mais velho deu um sorriso ligeiramente sem graça. Não queria desmotivar seu caçula. — Olha, tenta propor algo mais movimentado, como... Dar uma volta pela vila, sair para comer alguma coisa. Você também pode levar Hinatinha para conhecer algum lugar especial. — Ele fez uma breve pausa enquanto pensava em mais sugestões. — Já sei! Assistam algum filme juntos ou simplesmente sentem e conversem, assim irão se conhecer melhor! — Ele suspirou baixo, acalmando-se um pouco de seu breve surto de empolgação. — De verdade, maninho, procure sugerir qualquer atividade leve e boba como estas que eu comentei e você terá muito sucesso com essa amizade. — O moreno acabou rindo com o nariz enquanto pensava que, mais do que aquela amizade poderia florescer, quanto mais tempo Gaara e Hinata passassem juntos, maiores seriam as chances de que sentimentos românticos viessem à tona.

Alguns minutos se passaram em completo silêncio e nenhum dos dois irmãos ousou quebrá-lo. Gaara novamente refletia sobre as palavras do mais velho, enquanto Kakuro fantasiava algumas possibilidades em sua mente.

No fundo, o titereiro não sabia com precisão sobre o que o Sabaku mais novo sentia por Hinata e muito menos tinha conhecimentos sobre os sentimentos de Hinata em relação ao seu irmão. Entretanto, algo em seu interior lhe dizia que aqueles dois combinavam. No final das contas, seria muito feliz em ter uma cunhada como a Herdeira Hyuuga, mas, infelizmente, aquela decisão não cabia a ele.

— Eu... Vou pensar melhor... A respeito de tudo que me disse. — Gaara finalmente declarou, acabando com aquele momento de quietude. Sua voz ressoou pela sala com profunda serenidade. — Obrigado por me... Pelos conselhos. — Ele levantou-se do sofá e espreguiçou-se rapidamente. Dando uma breve olhada em direção à janela, percebeu que os primeiros raios de sol começavam a aparecer, deixando o céu com uma tonalidade arroxeada.

— Espere, Gaara. — Kankuro o chamou em um resmungo. — Eu preciso saber... Você realmente tem certeza de que tudo que deseja de Hinata é uma amizade? Digo... Não acha que há algo além? — Questionou, deixando que sua curiosidade falasse mais alto.

Gaara franziu a testa de maneira estranha e, se tivesse sobrancelhas, estas certamente estariam arqueadas.

— O que quer dizer com isso? — Sua voz saiu de forma confusa. Era completamente incapaz de compreender aonde o moreno desejava chegar com tal colocação.

O mais velho abriu a boca prestes a falar sobre suas suspeitas, mas desistiu. Por mais que desejasse revelar seus pensamentos, reconhecia que, se falasse demais, poderia deixar Gaara ainda mais confuso ou, na pior das hipóteses, acabaria correndo o risco de influenciar os sentimentos do irmão e este não era seu objetivo. Ligeiramente frustrado por ter que guardar tudo para si, acabou suspirando.

— Deixe para lá, é algo que você terá que perceber sozinho. Apenas vou te dizer para ficar atento a tudo que sente e pensa, ok? — O marionetista mordeu o lábio inferior enquanto se corroía internamente com aquele segredo. Os efeitos do álcool o incentivavam a dizer tudo, tinha sorte de ainda ter um pingo de sobriedade dentro de si. — Olha, você pode conversar comigo mais vezes, se quiser... Não precisa ter medo de vir até mim e se abrir como fez agora, eu sou seu irmão e estou aqui para tudo! — O rapaz deu um sorriso encorajador.

Gaara apenas assentiu com a cabeça e caminhou em direção à cozinha. Era domingo e só precisaria ir ao escritório pela tarde, para que pudesse conferir as estatísticas e contabilizar os fundos arrecadados pelo festival. Naquele momento, dormir não lhe era uma opção, afinal, mesmo que suas dúvidas estivessem respondidas, as novas informações o haviam presenteado com novos questionamentos e muitas temáticas para reflexão.

Teria que pensar mais a fundo em que atividades deveria propor a Hinata e para isso, precisaria de boas ideias e uma boa dose de coragem para sair de sua zona de conforto e experimentar novas atividades.

Para piorar, as últimas colocações de Kankuro o haviam deixado muito confuso e a incerteza o corroía. Afinal, o que seu irmão mais velho tinha em mente e quais eram suas suspeitas? Gaara estava novamente preso em um poço de questionamentos e já não aguentava mais tantas confusões lhe assombrando a mente.

Precisava dar um tempo.

Decidido, o ruivo abriu a porta de correr e adentrou em seu jardinete. Cuidar de suas plantas sempre lhe era terapêutico e sabia que ao menos enquanto estivesse ali, conseguiria se desligar um pouco de seus problemas.

Afinal, não havia melhor maneira de começar o dia do que na companhia dos radiantes girassóis de Konoha.


Notas Finais


E por hoje foi isso. Não vou mentir, amei desenvolver este momento entre Gaara e Kankuro... E vocês, o que acharam? Gostaram? Tem alguma teoria sobre o que virá a seguir? Me contem!

Agora, vamos aos avisos!

🌵 No dia 19 de Julho a fic alcançou 500 favoritos... Sim, no próprio aniversário de um ano! Foi um presentão e tanto!
Como já disse de outras vezes, quando comecei a postar "Blooming in the Desert", não imaginei que esta história cresceria tanto e alcançaria tanta gente. Sou muito feliz e grata por cada pessoa que está aqui me acompanhando e me apoiando. Escrevo GaaHina por amor e saber que tenho com quem partilhar todo este amor é simplesmente incrível!

🌻 É com muita alegria que anuncio que, em breve, Blooming in the Desert ganhará um Spin Off! Será uma Oneshot ShikaTema, contando mais sobre a noite deste casal lindo no festival! Irei anunciar a vocês assim que for publicada, fiquem de olho!

🌵 Como sempre, quero agradecer em especial por todos os comentários recebidos no capítulo anterior. Mesmo não tendo como responder todos, eu li cada um com muito carinho! Vocês moram no meu coração! 💖

🌻 Por fim, só gostaria de lembrar a vocês sobre o @Projeto_GaaHina , uma iniciativa elaborada por mim e @MenteNebulosa que promete fazer este shipp maravilhoso crescer cada vez no site! Sigam o projeto para ficar por dentro de todas as novidades, vale muito a pena!

Enfim, creio que é isso...
Agradeço muito por lerem e... Nos vemos no próximo capítulo!

Beijocas!


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