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História Blossom - Harry Styles - Capítulo 2


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Capítulo 2 - 01. Me conceda uma dança?


Florescer para você.

A garota estava desconfortável no salão de baile. Não tanto pela quantidade de pessoas presentes nele, que, cá entre nós, era realmente grande. Não era por isso, pois mesmo sendo uma moça tímida ela não se incomodava por estar cercada por pessoas, se acostumara a isso, quando se é filha de um marquês costuma-se participar de muitas dessas festas, portanto já estava familiarizada, e além de tudo ela nunca era muito notada pelas damas e cavalheiros, principalmente os cavalheiros. O pensamento de não chamar a atenção dos rapazes era aterrador para algumas jovens em idade de casar, ainda mais aterrador para as mães dessas jovens. Elas estavam ali por um motivo, e conseguir atrair a atenção de um ou dois jovens e ter ao menos uma dança na noite era o mínimo que a maioria delas desejava. 

E a sensação de ansiedade que consumia a moça, parada às margens do salão, com suas mãos enluvadas nervosamente agarrando uma a outra na frente do corpo, se devia exatamente a esse fato. 

Mesmo depois de tantos anos que debutou na temporada londrina ela ainda se sentia ansiosa por estar ali, assistindo a todos. 

Não é que ela nunca era convidada para uma dança, ela era, eventualmente. Porém, quando isso acontecia, mesmo que esboçasse um sorriso em seus lábios e aceitasse de forma bastante simpática, ela sabia em seu íntimo quais as verdadeiras intenções do cavalheiro em questão. Nas temporadas passadas, sabia que os rapazes a convidavam por causa de seu pai, ele era um marquês popular e importante, e se aproximar da filha dele poderia ser benéfico. 

Ela também tinha um irmão mais velho, e os amigos dele a tiravam para dançar eventualmente. Então ela nunca ficava realmente animada com esses pedidos, o irmão a amava e provavelmente pedia sutilmente aos amigos que lhe fizessem essa cortesia. Não era algo espontâneo, e Noemia Barret, apesar de não se considerar particularmente romântica, queria a magia da coisa. 

Agora, o motivo para que os cavalheiros a convidassem para uma dança era sua irmã. Cecilia, a filha mais nova do marquês de Luxley, era considerada um diamante. Seus cabelos dourados, olhos da cor de céu na primavera e pele perfeita de porcelana a fazia se destacar. Quando ela pisou no salão de baile pela primeira vez, apenas duas semanas antes, todos caíram de encanto por ela. Realmente, ela era adorável, e Noemia mal teve chance de começar a cultivar aquela pequena semente de inveja que brotara em seu peito, ela amava a irmã, sabia que era encantadora, sabia que atrairia as atenções para si quando debutasse, então reprimiu a sensação e tratou de ficar feliz pela irmã. 

O que aconteceu em quase todos os bailes seguintes foi sufocante para Noe. A cada baile, rapazes se aproximavam dela, alguns até a convidavam para uma dança antes, ja outros eram mais diretos e passavam apenas pela etapa de apresentações e em seguida a perguntavam a respeito de Cecilia, era de prache. Noe se acostumou com isso, ser uma ponte entre a sua irmã e os pretendentes dela. 

Não recusara nenhuma dança, afinal gostava de dançar, mas também não aproveitara o momento ao máximo. Ela tentava não se importar, mas às vezes parecia ser mais forte do que ela. Especialmente por já estar no alto de seus vinte e quatro anos. A maioria esmagadora da sociedade londrina diria que ela já quase passara da idade de se casar, e até ela mesma pensava dessa maneira em alguns momentos, embora ainda houvesse uma fagulha de esperança de que apenas não havia chegado a sua hora. Ela teria a sua hora. 

Teria o momento em que algo mudaria, e então ela saberia. 

O pensamento a fez sorrir, as bochechas adquirindo um tom mais corado do que o habitual, enquanto ela dava pequenos passos em direção a um espaço mais vazio do salão. Velas cintilavam nos candelabros, flores brancas e lilases ornamentando o espaço. Seus cabelos castanhos se movimentaram suavemente quando ela se aproximou de um janela, e a luz prateada da lua banhou sua pele, cintilando acima das suas clavículas, onde o tecido rendado de seu vestido azul acabava. 

O tecido suave da sua luva a fez saltar levemente quando tocou seu pescoço rapidamente, e a seguir escondeu um cacho de seu cabelo atrás da orelha. Noemia gostava de admirar a lua, tinha algo de mágico naquilo, simplesmente parar ali e olhar. 

— É realmente lindo, não é? 

Noemia se sobressaltou ao ouvir a voz grave atrás de si. Ela deu um passo para trás, apertando as mãos uma contra a outra. A moça levou algum tempo até recuperar-se do pequeno susto, ela suavizou sua expressão e ajeitou sua postura. Deu uma boa olhada no homem à sua frente, era alto, ombros largos e vestido em um terno azul escuro perfeitamente alinhado; as abotoaduras douradas contrastavam com o escuro da roupa, e as luvas brancas pareciam ser feitas sob medida. Ele tinha cabelo escuro e brilhante, pele alva e um sorriso confiante subindo um dos cantos da sua boca delineada e rosada. Noe não pôde discernir qual a cor de seus olhos até que ele deu um passo mais para perto, e foi capaz de perceber o verde translúcido de suas íris. Ele era bonito, muito bonito. 

O ar passou ruidosamente por entre os lábios da jovem, então ela finalmente desviou os olhos castanhos claros dos dele, dando uma rápida olhada para a janela para ver a luz da lua iluminando a noite lá fora. Quando voltou a olhá-lo, tentou sorrir um sorriso que não soasse afetado, mas fora impossível. O ar pareceu rarefeito por um segundo enquanto ela encarava os intensos olhos verdes do desconhecido, que lhe soava levemente familiar, e só então ter confiança na própria voz para falar.

— É, sim. Uma noite encantadora.

Ela fez de tudo para manter a postura, não sorrir demais, nem de menos; não encarar, mas manter os olhos atentos. Geralmente não era assim tão difícil, mas por que parecia um tarefa árdua manter a compostura quando ele sorriu um pouco mais, ainda comedido, mas solto o suficiente para revelar suavemente as marquinhas nas suas bochechas? Ora, ele soava intenso e perigoso. Noe não gostou de realizar o pensamento de que não se importava tanto com isso. Que diabos estava acontecendo ali?

— Quase tão encantadora quanto a senhorita. 

Ela não conseguia dizer se ele estava apenas sendo gentil e mantendo a etiqueta, ou se estava dizendo a verdade. Dissera achá-la encantadora, poucas pessoas além de sua família a fizera elogios parecidos. Isso a fez enrubescer, e, quando notou as bochechas numa temperatura acima do natural, sentiu-se meio boba. Deus, ele apenas fora simpático a chamando de encantadora. Isso não é nenhum tipo de flerte, pensou ela. 

Mas queria que fosse.

Ele sorriu um pouco mais. E ela sorriu em reflexo. Pareceu natural, e o certo a se fazer. 

— Acho que ainda não fomos apresentados. Posso ter a honra de saber o nome da senhorita? — perguntou ele, educadamente. 

Ela olhou para suas mãos por um instante, se perguntando de onde o conhecia. 

— Noemia Barret. Senhor..? 

— Harry. 

Foi a única coisa que disse.

Não seria certo tratá-lo pelo primeiro nome quando sequer o conhecia. Ela ficou calada, olhando para ele com olhos inquisidores e levemente arregalados. 

Harry pareceu se dar conta disso, e se corrigiu rapidamente.

— Ah, me desculpe Senhorita Barret. Pode ter soado indelicado da minha parte, é que não frequento lugares como este a algum tempo, perdão. — ele a olhou, sorrindo de leve, e se curvou estendendo a mão para pegar a dela entre as suas e deixar um beijo no dorso coberto pela luva. Foi quase mais demorado do que deveria ter sido, e mesmo com a mão enluvada ela pode sentir o calor dos lábios dele. — Harry Edward Styles, duque de Dare. 

Ele soltou sua mão, e algo parece ter estalado na cabeça da jovem. Ela o conhecia, conhecia a mãe dele, as irmãs e irmãos dele, conhecia toda a família dele. Ora, como poderia ela não conhecer? Ele era um duque. 

Não se lembrava de suas feições, mas certamente se lembrava de seu nome. E compreendeu o porquê de ter tido a impressão de familiaridade, Harry era muito parecido fisicamente com seu irmão mais novo, Marcel.

Noemia só não sabia que ele tinha voltado de viagem. Pelo que parecia, o duque vinha administrando as suas propriedades e demais negócios à distância. Mas agora ele estava ali, falando com ela, a chamando de encantadora. 

— Ah meu Deus! — ela se apressou em fazer uma mesura. — Eu é quem devia me desculpar por não reconhecê-lo, Lorde Styles. 

Harry dispensou suas desculpas com um gesto elegante. 

— Ninguém precisa saber que quebramos os protocolos. — ele deu uma risada baixa, e ela o acompanhou. — Não é sua culpa por não se lembrar do meu rosto, afinal, estive fora por algum tempo. Eu mudei, fisicamente. 

E era verdade. Quando saíra de casa para viajar, depois de ter se formado na faculdade, ele não era tão alto, ou tão forte. Com certeza era bonito, mas não tinha as feições másculas e porte atlético que tinha agora. Os anos que passou fora, de certa forma negligenciando suas responsabilidades, fizeram bem a ele, ao corpo e a mente. 

— Peço desculpas de qualquer forma, Lorde Styles. 

Ele assentiu, acatando para encerrar o assunto. 

— No entanto, eu não me recordo da senhorita, o que deveria ser considerado crime, como poderia eu não me lembrar de tal criatura tão adorável? — bem, isso sim podia ser considerado flerte, mas Noemia preferiu manter suas convicções neutras por hora. — Mas seu sobrenome me é familiar. 

Noe piscou devagar, tirando os olhos dele por um tempo. Quando voltou a olhá-lo, viu que ainda mantinha seu sorriso sereno e expectante no rosto. 

— Meu pai é o marquês de Luxley. 

— Ah, é claro. Tive o prazer de conhecer o marquês antes de viajar. Acho que posso considerá-lo como um amigo. É um homem admirável. 

— Concordo plenamente. 

Ambos sorriram, e então ficaram em silêncio por alguns segundos, apenas sorrindo. 

Harry deu um passo para mais perto, uma distância respeitável, mas o mais perto que pôde, e sorriu para ela mais amplamente, tomando suas mãos entre as suas. A orquestra fez uma pequena pausa, o que indicava que em breve uma valsa seria tocada, e Harry olhou nos olhos da garota, profundamente, antes de perguntar, com sua voz rouca e lentamente sendo formadas em seus lábios:

— É um pecado que uma moça como a senhorita não esteja dançando agora, quando a vi aqui sozinha soube que devia vir e tirá-la para dançar. — ele disse, nunca tirando os olhos verdes dos olhos dela. — Eu apreciaria imensamente se me permitisse conduzí-la nessa valsa.

Noe piscou, encantada por ele ter realmente a convidado para um dança. Ela ignorou o leve frio na barriga, e colocou seu melhor sorriso no rosto. 

— Eu adoraria, Lorde Styles. 

Noemia deu o braço a ele, e enquanto caminhavam até o salão ela sentia alguns pares de olhos os seguindo. Tentou não prestar atenção neles, e se concentrou no homem que a convidara para uma valsa. 

A sua mão no ombro dele. A mão grande dele segurando a cintura dela. Os olhos brilhantemente verdes sorrindo para ela. 

Então eles dançaram.



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