História Blue - Capítulo 9


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Bangtan Boys (BTS), Taekook, Vkook
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Palavras 6.840
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, gente. Quanto tempo, não é? Não vou enrolar muito por aqui, então leiam as notas finais, por favor!

Boa leitura <3

Capítulo 9 - Você viu o bem em mim?


Fanfic / Fanfiction Blue - Capítulo 9 - Você viu o bem em mim?

“Em certa luz, posso ver claramente

Um reflexo de magnificência

Escondido em você

Talvez até em mim.”

 

— Jungkook? — o garoto ouviu alguém lhe chamando. A voz parecia longe e era acompanhada por uma música irritante ao fundo. Estava sonhando? Provavelmente, porque não se lembrava de sua cama ser tão fofa e seu cobertor tão confortável e quentinho. — Jungkook? — a voz agora estava mais próxima do seu ouvido, e que voz... Grave e rouca, Jungkook queria escutá-la mais uma vez, porém, duas mãos se apoiaram em seus ombros e o chacoalharam com força.

O garoto estava tão cansado que demorou a abrir os olhos. À medida que ia voltando a si, reconheceu que a voz que lhe chamava era de Taehyung, mas a música de fundo... Parecia tanto com o toque do seu celular.

— Jungkook! Acorda, idiota! — agora Taehyung lhe chamava impaciente, bufando pela dificuldade do outro em acordar. — Seu telefone está tocando!

— O que? — Jungkook questiona, completamente grogue.

Jungkook abriu mais um pouco os olhos — que logo focaram num Taehyung que lhe olhava irritado —, mas os fechou logo em seguida por causa da ardência causada pela luminosidade do local. Sua mente estava confusa. “Por que Taehyung está sem camisa no meu quarto?” questionou mentalmente enquanto coçava preguiçosamente os olhos, porém parou a ação na metade quando sua mente deu o alerta que o fez lembrar: “Espera. Eu não estou no meu quarto.”

Um segundo depois Jungkook já estava situado do que estava acontecendo. Ele arregalou os olhos ao recordar o que havia feito com Taehyung. Imediatamente, um arrepio se alastrou pelo seu corpo, o fazendo fechar os olhos outra vez, numa tentativa de acalmar a respiração e fazer seu coração voltar a bater normalmente — já que o mesmo fazia questão de bombear o sangue mais rapidamente sempre que Taehyung estava por perto.

— Jungkook! Pode fazer o favor de despertar do seu sono de beleza e atender a droga do telefone? — Taehyung esbravejou, mas Jungkook apenas sorriu letárgico enquanto ouvia a música do telefone parar de tocar.

— Hm, quem era? — questionou enquanto se espreguiçava, logo em seguida sentando-se. O ruivo fez uma careta quando sentiu algumas regiões do seu corpo doloridas, provavelmente em decorrência das mordidas de Taehyung e do aperto de suas mãos fortes e possessivas.

— Você está bem? — de repente, Taehyung já não parecia mais tão bravo. Sua voz estava mais suave e em sua expressão havia um misto de receio e preocupação. Ele então, que até o momento estava de pé ao lado da cama, se senta na beirada, próximo de Jungkook, que sorri ao sentir a mão do moreno segurar a sua e fazer um leve carinho ali com o polegar.

— Estou, não se preocupe. — Jungkook manteve o sorriso, mas desviou o olhar, se sentindo levemente constrangido.

— Acho que fui bruto com você. — Taehyung, não parecendo crente na resposta de Jungkook, se pronunciou após um curto silêncio.

— Não! — o ruivo praticamente exclama, finalmente voltando a encarar os olhos azuis de Taehyung. Imediatamente, sentiu suas bochechas esquentarem, provavelmente haviam corado também. — Você foi ótimo. — continuou quase num sussurro, automaticamente desviando o olhar outra vez, por mais que tentasse não fazê-lo.

— Ei, não precisa ficar com vergonha de mim. — Taehyung riu enquanto segurava o queixo de Jungkook, o fazendo virar o rosto em sua direção, em seguida juntando os lábios num breve selar. — Não depois do que a gente fez hoje. — sussurrou, ainda com a boca rente à de Jungkook.

— Eu sei, Taehyung, mas... Ah... — Jungkook suspirou, mordendo o lábio inferior ao sentir suas bochechas formigarem cada vez mais, então as escondeu com as mãos, mas nada poderia esconder o sorriso bobo que reinava em seus lábios ou a sensação gostosa que sentia em seu peito. Num súbito, Jungkook desejou que essas cenas se repetissem todos os dias.

— Certo, acho que entendi. — Taehyung sorriu, em seguida segurou nos pulsos do ruivo e, gentilmente, o fez abaixar as mãos. — Podemos trabalhar nisso, para que da próxima vez você se sinta mais confortável, porque sério, — soltou uma risada — suas bochechas estão quase da cor do seu cabelo.

Assim que Jungkook assimilou o que Taehyung acabara de falar, sorriu largo. “Então haveria uma próxima vez?”

— Eu deveria perguntar o motivo desse sorriso icônico ou é melhor deixar quieto? — Taehyung questionou, desconfiado. Uma de suas sobrancelhas estava erguida, para enfatizar a sua dúvida, porém sua expressão era divertida, assim como o sorriso que moldava os seus lábios.

— Até parece que você não sabe. — Jungkook revira os olhos, suspirando em seguida, fingindo estar entendiado demais para responder a pergunta, quando na verdade, ele desejava que o outro realmente soubesse do que se tratava o seu sorriso.

— E se eu realmente não souber? — sua expressão se tornou pensativa, depois Taehyung deu de ombros. — É só você me contar. — continuou. Jungkook engoliu em seco.

— Nós vamos... Hã, sabe? — o ruivo falava tão baixo que Taehyung teve que se inclinar um pouco em sua direção para poder o entender. — Fazer isso de novo? Mesmo?

Taehyung soltou uma curta risada, já que havia achado engraçado a timidez do outro, e Jungkook voltou a lhe fitar, só agora percebendo que ele estava mais perto de si do que antes.

— Se você quiser. — Taehyung murmurou, sedutor. Jungkook fitou o sorriso malicioso e convidativo de Taehyung antes de voltar a encará-lo nos olhos. Como ele havia ficado tão sexy de repente?

O ruivo sentiu um arrepio lhe percorrer o corpo inteiro, sinal de que a atmosfera entre os dois havia mudado. Ter Taehyung tão perto de si se tornou algo enlouquecedor e o fato de ele estar com o tronco desnudo, vestindo apenas uma boxer — enquanto Jungkook ainda permanecia nu, somente com um fino cobertor que cobria até o seu colo — somente alimentava ainda mais essa loucura.

Jungkook se inclinou, tal como se houvesse um imã no corpo de Taehyung, o atraindo com uma força inimaginável. Estava pronto para beijá-lo e saciar a vontade que tão repentinamente havia lhe surgido, mas sua atitude foi barrada pelo toque do celular. Suspirou enquanto observava Taehyung desviar, se inclinando para pegar o aparelho que estava na mesinha de cabeceira.

— Acho melhor você atender dessa vez. — falou enquanto alcançava o telefone para o dono. Jungkook pegou contragosto o celular, atendendo a chamada sem sequer olhar quem era.

— Jungkook? Poxa, finalmente você atendeu, cara! Onde é que você está? Por que não atendeu as outras ligações? Mamãe está quase tendo um infarto de tão preocupada aqui.

Jungkook engoliu em seco.

— Oi para você também, Junghyun. — o ruivo disse irônico, para não transparecer o seu nervosismo. — Mamãe está aí? Passe o telefone para ela, por favor. — ouviu o irmão mais velho bufando do outro lado da linha. Jungkook observou Taehyung se levantando da cama e saindo do quarto, provavelmente, para lhe dar mais privacidade enquanto falava ao telefone.

— Jungkook, meu filho! Está tudo bem? — a mãe perguntou nervosa.

— Sim, mãe. Está tudo bem, ok? — o garoto respondeu no tom mais calmo e carinhoso que conseguia. — Não se preocupe.

— Não está tudo bem não, Jeon Jungkook! — o ruivo mordeu o lábio inferior ao ser chamado pelo nome completo. Pelo tom da mãe, ela parecia extremamente irritada. Ela não costumava se irar, mas quando isso acontecia, Jungkook sabia que o melhor era sair de perto. E nunca estivera tão agradecido por estar longe da progenitora num momento como esse. — Como é que você some e não faz nem questão de nos ligar, hein? Já é noite e nada de notícias suas! Eu pensei... Céus, Jungkook! Pensei que havia acontecido algo horrível com você. Nunca mais faça isso, ouviu? Nunca. — sua voz já estava chorosa e Jungkook mordeu com ainda mais força o seu lábio inferior. “Eu sou mesmo um idiota.”

— Mãe, me perdoe. Eu acabei vindo na casa de um amigo e acabamos nos... Distraindo. Juro! Nem vimos o tempo passar. — Jungkook explicou, tentando acalmar a progenitora.

— Sei... Então, você vai dormir aí nesse seu amigo ou vai voltar para casa? Quer que eu peça para Junghyun ir te buscar?

— Ah, não precisa, mãe. Não sei o que vou fazer, mas qualquer coisa, meu amigo me dá uma carona até em casa.

— Está bem. Se cuide, meu filho. E agradeça aos céus por eu ser uma mãe compreensiva, mas que fique claro que eu não quero que isso se repita, certo?

— Ok, mãe. Entendi. Até logo. — o garoto bufou, mas sorrindo em seguida. Sua mãe é extremamente protetora, não que fosse algo ruim, mas é que às vezes, a mulher acabava surtando por pouca coisa.

— Até, filho. Mamãe te ama.

— Também te amo, mãe. — Jungkook respondeu rindo, logo finalizando a chamada.

Sabia que havia sido irresponsável por não ter avisado que não voltaria para casa no mesmo horário que o costumeiro, mas bem, ele não tinha culpa. Jungkook sequer imaginava que sua conversa com Taehyung tomaria outros rumos.

Suspirou, olhando para o telefone e conferindo as horas: faltavam poucos minutos para as 21h. Agora Jungkook conseguia entender a preocupação da sua mãe. Ela sabia que o filho, às vezes, após almoçar ia até a casa de alguns amigos, ou simplesmente passeava com eles, mas Jungkook sempre voltava antes do fim da tarde, quando a luz solar ainda estava presente. Hoje, ele havia ficado o dia inteiro sem dar notícias. Era óbvio que sua mãe ficara preocupada.

— Você, definitivamente, é um idiota, Jungkook. — murmurou para si mesmo.

O ruivo deixou o telefone na mesinha de cabeceira, estava prestes a levantar, mas um pequeno papel sob o móvel lhe chamou atenção.

“Na porta ao lado do guarda-roupa há um banheiro, sinta-se à vontade para tomar banho. E está tudo bem pegar alguma roupa minha emprestada.”

Jungkook leu rapidamente o bilhete escrito com uma caligrafia bonita e sorriu, imaginando se as roupas de Taehyung ficariam boas em si.

O ruivo então se levantou, espreguiçando-se demoradamente para só então lembrar que estava totalmente nu. Rapidamente, procurou suas roupas pelo quarto e as encontrou em cima da poltrona, todas devidamente dobradas. Depois, girou seu corpo, procurando pelo banheiro, o encontrando no local que Taehyung havia descrito, e então seguiu até lá.

Jungkook mirou a banheira que havia ali, se sentindo tentando a relaxar nela, mas se obrigou a ir até o outro canto, onde estava o chuveiro, para que seu banho fosse mais rápido. Após terminar, se secou demoradamente, gostando da textura da toalha felpuda, e a enrolou na cintura, seguindo até o guarda roupa. Abriu uma das portas, logo dando de cara com um espelho enorme que refletia seu corpo inteiro.

Fitou seu corpo por alguns instantes, deixando sua atenção pairar por mais tempo em algumas marcas no seu pescoço. Jungkook sorriu, sentindo algo dentro de si borbulhar num misto de sensações e emoções. “O que está acontecendo comigo?”, se questionou mentalmente enquanto desviava o olhar, buscando entre as roupas de Taehyung, alguma que lhe agradasse. Por fim, além da boxer de Taehyung, vestiu uma calça de moletom e uma camiseta que notou ser um pouco mais larga do que as outras.

Enquanto tentava ajeitar o seu cabelo, Jungkook aproveitou para admirar melhor o quarto de Taehyung. Era totalmente branco, desde as paredes até o chão, apenas contrastando com alguns detalhes em cinza. Era tudo muito harmonioso e bonito, fora que, de certa maneira, combinava com ele, já que Jungkook ouvia dizer que a cor branca é associada à frieza.

A cama era enorme — também na cor branca, assim como o lençol, travesseiros e cobertor — e na parede, acima da cabeceira, havia um quadro que, diante de todo o estilo do quarto, acabava se destacando. Era uma pintura abstrata em vários tons de azul. Jungkook sorriu, Taehyung tinha um bom gosto e decorou seu quarto muito bem.

Após guardar suas roupas na mochila — que estava ao lado da poltrona, no chão — Jungkook saiu do quarto, rumando em busca de Taehyung. Em meio ao silêncio que lhe acompanhava no momento, o garoto ouviu sua barriga roncar num lembrete que ele não havia comido nada desde que havia acordado. Jungkook então passou a caminhar mais rápido, — tomando cuidado para não tropeçar nos próprios pés — esperando encontrar logo Taehyung e lhe pedir algo para matar sua enorme fome.

Mais alguns passos e Jungkook ouviu uma música suave tocando, então somente a seguiu, passando pela sala até chegar numa porta que estava com uma fresta aberta. Jungkook trancou a respiração enquanto espiava, com medo de ser pego no flagra, mas em seguida rolou os olhos pela sua própria atitude. “Idiota. Com a música nessa altura, ninguém te escutaria nem se gritasse.”, pensou.

Jungkook então empurrou a porta um pouco mais, aumentando seu campo de visão até que finalmente viu Taehyung, que estava de costas para si. Sem se importar em anunciar sua chegada, o ruivo continuou empurrando a porta, até ela estar aberta o suficiente para que ele pudesse passar.

O garoto ficou estupefato com o que viu. A sala, na sua esquerda, tinha paredes de vidro, o que permitia que a cidade inteira pudesse ser vista e a visão era simplesmente maravilhosa... A metros abaixo de si, Seul brilhava com todo o seu esplendor naquela noite de céu estrelado e clima agradável.

Jungkook deixou um suspiro admirado escapar antes de olhar para a sua direita. Havia uma parede branca decorada com inúmeros quadros de diferenciados estilos e alguns muitos outros espalhados pelo chão. O ruivo se aproximou de um deles, encantando com a beleza e os olhos azuis de uma mulher desconhecida, depois seus olhos miraram a assinatura do artista: as letras “K” e “T” se conectavam por traços delicados.

Ficou boquiaberto quando ligou os fatos, logo virando seu rosto em direção à Taehyung, que estava no fim da sala, só agora percebendo que o outro segurava em uma das mãos uma palheta de pintura e com a outra, pincelava uma tela apoiada em um cavalete. A obra ainda estava no inicio, mas já parecia tão bonita que Jungkook não pode deixar de admirá-la por longos segundos.

— Jungkook? Vai ficar aí parado ou vai vir aqui me mostrar o porquê entrou no curso de artes visuais? — ouviu Taehyung lhe perguntando, notando somente nesse momento que a música havia cessado. Ele ainda permanecia de costas, movimentando seu braço com tanta elegância que o ruivo imaginou que a obra mais linda daquela sala era Taehyung em sua essência completa.

— Ah, você me pegou desprevenido. Não me sinto inspirado no momento. — respondeu envergonhado, coçando a nuca.

— Tudo bem, mas você ainda pode vir até aqui e me contar o motivo. — Taehyung rebateu, finalmente parando de pintar e virando seu rosto o suficiente para conseguir fitar Jungkook. — Não vou te morder, a não ser que você queira. — continuou, com um sorriso malicioso.

— Será que você pode se controlar, por favor? — Jungkook disse em meio a um curto riso enquanto se aproximava, parando ao lado de Taehyung. — Eu acabei de tomar banho, não quero que você se aproxime muito e acabe me sujando. — deu uma olhada de cima a baixo no de olhos azuis, notando que sua roupa, mãos e parte dos braços estavam com manchas de tintas.

Taehyung bufou, rolando os olhos antes de voltar a sua atenção novamente para o quadro.

— Não vou fazer nada porque você está com as minhas roupas e eu não quero que elas fiquem sujas, só por isso. — murmurou, fazendo Jungkook soltar uma risada. — Então, por que escolheu o curso?

— Essa é fácil. — Jungkook sorriu. — Antes mesmo de entender todo o mundo da arte, eu já me identificava com várias das formas de expressão e comunicação artística. — começou a contar, deixando um sorriso moldar o seus lábios, já que adorava falar sobre isso. — Sempre gostei de ver o mundo através dos olhos de outras pessoas, e também de expor a forma que eu enxergava as coisas. Por isso.

— Interessante. — Taehyung deu um simplório sorriso, fitando Jungkook quando este lhe faz a mesma pergunta. — Hm, se você já sabe de tudo, então já sabe a resposta pra isso também.

— Na verdade, apesar de todos os detalhes, Jin me contou a visão dele de tudo o que ocorreu. Eu quero saber o seu lado da história. — Jungkook engoliu em seco, não sabendo se havia passado algum limite de Taehyung.

O de olhos azuis ficou em silêncio por um tempo que pareceu quase infinito para Jungkook, até que finalmente parou de pintar e fitou o ruivo ao seu lado.

— Era tudo muito estranho no início, quando os outros apareceram. — Taehyung disse baixo, se referindo as suas outras personalidades. — No começo eu não os conhecia, mas depois passei a ter consciência total de cada um deles. Minha cabeça se tornou uma bagunça. — suspirou. — Tudo só ficava em ordem quando eu estava cantando, pintando, tocando violão ou dançando. Era como se todos sumissem e então, só existia eu, o Taehyung. Quando eu comecei a frequentar o psicólogo, ele me encaminhou para a arte terapia e me aconselhou a fazer um curso ligado a uma dessas atividades, me formar e viver disso. Então fiz um sorteio e deu artes visuais. — terminou, dando de ombros.

Jungkook encarou o garoto boquiaberto, mas no fim, soltou uma risada.

— Peculiar. — o ruivo disse após cessar as risadas. Seus lábios se separaram, ele estava prestes a continuar a falar, mas ao invés da sua voz, o som que ecoa pela sala é de sua barriga roncando. — Acho que estou com fome. — ele comentou com um sorriso de canto, colocando a mão sobre a barriga para enfatizar sua frase.

— Isso ou tem um monstro vivendo no teu estômago. — Taehyung disse com um tom levemente brincalhão, mas sua expressão não condizia com isso. O garoto largou o pincel e a palheta num balcão ao lado do quadro. — Que tal pedirmos uma pizza?

— Diante da minha fome, não estou em posição para discordar. — Jungkook sorriu.

 

 

—✾—

 

           

— Jungkook? — ouviu a voz de Taehyung perto do seu ouvido. — Acorde, você precisa ver isso.

O ruivo sentiu a luminosidade atingindo seus olhos em cheio quando acordou. Seu corpo doía devido ao pouco conforto que teve durante o sono dessa vez.

Na noite anterior, depois de estarem devidamente alimentados com a pizza que pediram, Jungkook e Taehyung voltaram para a sala — que na verdade estava mais para um estúdio particular do de olhos azuis — e por ali ficaram durante um longo tempo. Taehyung pintando e Jungkook o observando com admiração, ora ou outra, trocavam algumas palavras, mas o silêncio — quando surgia — não os incomodava.

Jungkook não queria ir embora antes de ver o resultado final da obra do outro, então tratou de avisar sua mãe que dormiria fora.

Quando Taehyung terminou sua arte, já era madrugada. O moreno então foi tomar um banho e Jungkook o acompanhou até o quarto para pegar a câmera que estava em sua mochila. Quando voltou à sala, registrou as pinturas que estavam ali de diversos ângulos e maneiras, deixando que sua criatividade e técnica aflorassem naturalmente, como sempre acontecia quando Jungkook tinha uma câmera em mãos.

Taehyung voltou para a sala com algumas almofadas em mãos e um lençol, alegando que os dois dormiriam por ali e Jungkook não se opôs, afinal, já estava sentindo o sono novamente tomando conta de si. Então somente se ajeitou, deitando ao lado de Taehyung e observando o céu enquanto seus olhos se fechavam gradativamente à medida que o sono chegava.

Agora, Jungkook sentia um dos braços de Taehyung em torno de si, o abraçando de uma forma desajeitada e sua respiração calma batia ritmicamente na nuca do ruivo, o fazendo sentir leves arrepios.

— Ver o que, Taehyung? — questionou, as palavras saindo emboladas devido ao seu recém despertar. O moreno se afastou e Jungkook viu pelo canto do olho que ele havia se sentado.

— Isso, Jungkook. — pela posição que estava deitado, Jungkook não conseguia ver Taehyung, mas pelo jeito no qual ele falava, pode imaginar que o mesmo sorria. Curioso, o ruivo se espreguiçou e então também se sentou, deixando seu braço roçar no do outro.

Quando os olhos de Jungkook se acostumaram com a claridade, ele foi contemplado com a visão mais linda que já teve na vida: o nascer do sol.

— Minha mãe sempre me dizia para olhar na direção do sol porque assim, as sombras ficariam para trás. — Taehyung começou a falar. Ele não olhava na direção de Jungkook, seus olhos estavam focados na visão deslumbrante que tinha ao seu dispor.

Jungkook, após ouvir o que o outro dizia, olhou em sua direção, ansioso para saber o que Taehyung estava prestes a lhe contar. Mentalmente, o ruivo se lembrou que quando o outro se referia à sua mãe, estava na verdade falando da mãe de Seokjin, que o havia adotado após a mãe biológica de Taehyung morrer no parto.

— E, conforme os relatos dela, sempre que dizia isso para mim, eu após um tempo ia até o jardim da nossa casa e ficava horas e horas olhando para o céu. — Taehyung soltou uma curta risada. Ele não lembrava claramente disso, eram memórias de sua mãe, mas ele acreditava nela. — Óbvio que, pela minha idade eu não entendia que aquilo era só uma metáfora, e ela também sabia disso, mas torcia para que eu me lembrasse dessa frase quando me tornasse mais velho e entendesse o que ela queria dizer.

Taehyung fez uma longa pausa, Jungkook continuou o encarando, se perguntando se o outro gostaria de falar mais alguma coisa.

— E você entendeu? — perguntou.

— Sim, com o tempo entendi que o sol que minha mãe se referia não era o astro em si, na verdade, poderia ser qualquer coisa... Um sonho que eu almejo, um objeto, um lugar, uma pessoa...

“Onde Taehyung pretendia chegar com essa conversa?”, Jungkook não pode deixar de se questionar.

O ruivo mirou o rosto do outro ainda mais atentamente. Taehyung estava com uma expressão serena, um tanto nostálgica, mas não havia resquícios de que ele estava tentando jogar alguma indireta ou algo do tipo. Isso não parecia fazer o seu estilo, Jungkook acreditava que Taehyung não era do tipo que escondia o jogo, ele era sincero.

Como Jungkook não se pronunciou outra vez, um silêncio se instalou entre os dois jovens. Taehyung estava normal, apenas admirando o nascer do sol, porém dessa vez, Jungkook estava incomodado com toda a quietude.

— Posso te perguntar uma coisa, Taehyung?

— Mas você já não está fazendo isso, Kook? — ele rebateu, divertido.

— Ah, você entendeu. — rolou os olhos, rindo em seguida.

— Sim. Mas então, qual a sua pergunta? — questionou, sem deixar de sorrir.

— Por que te chama de Oleander?

Taehyung encarou Jungkook de forma surpresa, já que não esperava que o outro lhe questionasse sobre isso naquele momento.

— Bem, quando comecei a ir ao psicólogo, ele me diagnosticou com cinco personalidades. — começou a contar enquanto se ajeitava para ficar de frente para Jungkook. — Ele me explicou que cada identidade foi criada pela minha mente como um refúgio da realidade em que eu vivia. — o moreno umedeceu os lábios após fazer uma careta. — Havia o Taehyung “real”, quem eu era antes do meu alter ego se dividir em várias nuances. O segundo Taehyung era o que mantinha as memórias frescas e detalhadas de toda a humilhação e agressão causadas pelo meu... Pai. — proferiu a palavra com nojo. — Era esse que possuía depressão e tentou o suicídio quando estava no controle. O terceiro se autodenominava Wook, era um artista profissional, mas não tomava o controle com frequência, mas quando surgia, fazia de tudo, desde dançar, desenhar, cantar, pintar até esculpir. O quarto era uma criança amável e tímida, eu lembro que ele adorava o colo da minha mãe, o abraço dela principalmente, a voz dele era mais branda e suave, mas ele nunca mais tomou o controle depois que ela... Morreu. — ele suspirou. — E o quinto e último era agressivo, mais forte que todos os outros, ele possuía o transtorno explosivo intermitente que eu imagino que Seokjin tenha lhe falado o que é.

— Sim.

— Então, ele era o que ficava mais tempo no controle, sua postura era sempre rígida e preparada para a briga. Era alguém egoísta, sarcástico, ignorante, irônico e por aí vai. Ele se autodenominava Oleander porque esse é o nome de uma planta considerada por muitos, a mais venenosa do mundo. É uma flor que pode provocar um efeito devastador no coração de quem ingere, além das dores abdominais, pulsação acelerada, náusea, vômitos entre outros muitos efeitos. Uma única folha pode matar uma pessoa. Ele se chamava assim porque achava que ele e a flor tinham muito em comum: pareciam frágeis externamente, mas suas essências eram fatais.

Taehyung ficou em silêncio, esperando Jungkook absorver as novas informações.

— Mas você começou o tratamento, teve melhoras, então... Por que hoje ainda te chamam de Oleander?

— Na verdade, antes do Oleander, eu era um garoto quieto, quase invisível para os outros. Mas quando ele surgiu, fez questão que seu nome fosse lembrado, da pior maneira possível. Então chegou num ponto que não existia mais o Taehyung tímido que alguns conheciam, existia apenas o Oleader. O tratamento não fez com que minhas outras personalidades sumissem, só que elas se fundissem em uma única, fazendo de mim uma versão mais suave do Oleander, sem o transtorno que ele possuía, mas ainda um tanto irônico, agressivo e sarcástico como ele era, porém com a paixão pelas artes que Wook desfrutava. E claro, também está aqui o Taehyung que ainda é criança e sente falta do colo da mãe e o que mantém as memórias ruins em looping, mas eles são mais como lembranças para mim do que realmente traços da minha personalidade. As pessoas que hoje me chamam de Oleander são aquelas que pensam que ele ainda está aqui, que não esquecem esse meu lado... Ruim, que sentem medo do que eu possa fazer, ou que simplesmente me odeiam pelo que ele já fez...

— Resumindo: praticamente todo mundo.

— É mais ou menos isso. — Taehyung deu um sorriso fraco.

— Mas você gostaria que te chamassem de Taehyung?

— Acho que não. — respondeu pensativo. — De certa forma, isso meio que serve para que eu saiba quem realmente está do meu lado, apesar de tudo. Quem enxerga que meu lado grosseiro e irônico não é um sinal ou sinônimo de perigo. Quero na minha vida pessoas como você, Jungkook, que me chamam pelo meu verdadeiro nome, que mesmo sabendo da minha história, nunca me chamaram por Oleander.

O ruivo sorriu.

— Nunca chamarei. — disse quase em tom de promessa. Taehyung sorriu e então se levantou.

— Está cedo ainda, mas se quiser ir se arrumar para ir à universidade, pode ir. Eu preparo algo para o café da manhã.

Jungkook assentiu com a cabeça, deixando um breve selo na bochecha de Taehyung antes de ir até o quarto dele, tomar uma ducha rápida. Quando voltou, o ruivo já podia sentir o cheiro delicioso pairando sobre o local.

— Espero que goste de panquecas. — Taehyung disse assim que viu Jungkook chegando na cozinha. — Se não gostar, tem alguns biscoitos, pães... Nós também podemos comprar algo no caminho, se preferir.

— Eu gosto de panquecas. — Jungkook cortou o rapaz, que falava demasiado, lançando um sorriso satisfeito para ele.

— Fiz suco de maçã. É seu preferido, certo?

— Como...?

— Como eu sei? — Taehyung finalizou a questão e Jungkook assentiu com a cabeça, confuso por não entender como o moreno sabia desse fato seu se nunca havia falado sobre. — Na festa, quando parei perto de você, vi que estava bebendo algo e não parecia nada alcoólico, então acabei sentindo o cheiro do suco e só deduzi isso.

Jungkook deu um sorrisinho de lado. Então Taehyung lhe observava de soslaio na festa? O garoto deu um sorriso nasalado, agradecendo pelo de olhos azuis aparentemente não ter notado nada, já que continuava fazendo o café da manhã e, assim que terminou, sentou à mesa para desfrutá-lo devidamente.

Ambos ficaram em silêncio, porém dessa vez, Jungkook não achou algo incômodo, nem sequer se sentiu inquieto. Era um silêncio tão agradável quanto a presença de Taehyung perto de si.

 

 

—✾—

 

 

— Acho melhor irmos, se não você irá se atrasar. — Taehyung disse enquanto pegava o capacete e a chave da sua moto. Instantaneamente Jungkook se sentiu nauseado, não sabendo se era pelo fato de que teria que entrar novamente naquele cubículo, vulgo elevador, ou se era porque teria que andar na moto outra vez. Talvez fosse pelos dois.

— Jungkook, vai ficar aí parado? — Taehyung questionou meio irritado. Ele já estava no elevador, esperando o ruivo. — Ah, desculpe. — disse em seguida, se corrigindo rapidamente. — Me esqueci que você não gosta de elevadores, mas infelizmente, não tem outro jeito de irmos até a garagem. — continuou, com uma expressão preocupada.

— Não, tudo bem. Eu aguento. — Jungkook tentou parecer determinado enquanto Taehyung lhe fitava com desconfiança, mas por fim, ele deu de ombros e confirmou com a cabeça. Mas mesmo assim, o moreno manteve seu olhar receoso sobre Jungkook como se estivesse com medo que ele desmaiasse a qualquer momento. — Estou falando sério, Taehyung. Não precisa ficar me olhando desse jeito. — continuou convicto e para das mais ênfase nas suas palavras, entrou confiante no elevador.

Imediatamente, Jungkook descobriu que estava totalmente errado. Ao ver as portas se fechando, sentiu-se sufocado, desesperado, como se as paredes do elevador estivessem a ponto de o esmagar vivo ali dentro. O pânico tornava a tarefa de respirar mais difícil e quando o ruivo pensou que havia chegado ao seu limite, as portas voltaram a se abrir. Jungkook saiu a passos apressados e fechou os olhos, tentando fazer sua pulsação voltar ao normal.

— É, deu pra ver que você aguenta. — ouviu Taehyung debochar enquanto passava ao seu lado.

— Vai se ferrar. — Jungkook rebateu, irritado pelo seu fracasso. Respirou fundo antes de seguir o moreno até a moto. Assim como da última vez, Taehyung guardou a mochila de Jungkook no bagageiro e lhe entregou o capacete que estava ali.

Enquanto ajeitava o objeto em sua cabeça, Jungkook decidiu que dessa vez, tentaria aproveitar a viagem. Ainda se sentia receoso, mas admitia que uma parte sua havia gostado dessa nova experiência. Era uma sensação de liberdade, o vento no corpo passava mais do que as sensações do ar em movimento, é como se ele pudesse voar.

Jungkook subiu confiante na moto e imediatamente se agarrou em Taehyung, que logo em seguida, acelerou e mais rápido do que pudesse imaginar, os dois já estavam na estrada. O ruivo não sabia se era devido ao horário, mas as ruas estavam despovoadas, poucas pessoas transitavam pelas calçadas e a pista estava praticamente vazia, o que pareceu agradar Taehyung já que, num certo momento, Jungkook sentiu seus músculos abdominais se contraindo devido a uma risada que ele soltou logo após aumentar a velocidade da moto.

A viagem terminou mais rápido do que Jungkook gostaria. Em pouco tempo, os dois chegaram à universidade. Taehyung parou mais afastado da entrada da instituição, o que fez Jungkook agradecer mentalmente, já que ele não estava querendo dar de cara com um dos seus amigos e ter que explicar a eles tudo que estava acontecendo. Ainda não era a hora.

— Você me pareceu bem mais relaxado dessa vez. — ouviu Taehyung comentar após ambos descerem da moto. O moreno retirou o capacete e soltou uma risada.

— Digamos que cheguei à conclusão que andar de moto pode ser algo legal. — Jungkook falou com um falso descaso, dando de ombros enquanto pegava a sua mochila que o outro estendia, trocando ela pelo capacete que voltou para o bagageiro.

— Bom saber disso. — ele sorriu sapeca. — Então, quando nos vemos novamente?

— Como assim? — Jungkook ergueu uma sobrancelha, confuso. — Você não vai pra aula?

— Você realmente não percebeu que minha presença por aqui não é frequente, não é? — questionou enquanto se escorava na moto.

— Só imaginei que eram cadeiras que você não estava matriculado.

— Não, esse ano eu passei a trabalhar mais ativamente no restaurante, e até que eu gostei, sabe? Então decidi passar mais tempo por lá do que por aqui, tenho até pensado em trancar o curso definitivamente.

— Ah... Mas o curso não faz, de certa forma, parte do teu tratamento?

— Sim, mas não sei se vale a pena continuar.

— Tente. — “Por mim”, Jungkook quase proferiu, mas não queria ser egocêntrico ao ponto de imaginar que tinha um laço tão forte com o outro para lhe pedir algo dessa forma. — Sinto que vai valer a pena, Taehyung.

Taehyung sorriu, um sorriso que Jungkook ainda não tinha visto, mas não era estranho, ele passava um sensação boa ao ruivo, que acabou sorrindo também.

Jungkook separou os lábios, com a intenção de dizer ao outro que talvez aparecesse no restaurante, mas alguém lhe interrompeu.

— Kook? — a voz conhecida fez Jungkook virar o rosto rapidamente, finalmente encarando Seokjin, que se aproximava a passos largos. — O que você está fazendo aqui?

Taehyung torceu os lábios, desgostoso pelo meio-irmão ser tão intrometido.

— Ele está jogando basquete, não está vendo? — Taehyung respondeu sarcástico e Jungkook soltou um risinho baixo sem conseguir se conter, mas logo pigarreou e voltou a ficar sério. Jin lançou um olhar raivoso para o de olhos azuis, que não se intimidou, na verdade, sustentou o olhar raivoso do mais velho na mesma intensidade. Jungkook engoliu em seco ao sentir a atmosfera ao redor deles ficando mais pesada e tensa em questão de segundos.

— Estava apenas conversando com Taehyung. Está tudo bem, Jin. — Jungkook interveio rapidamente, seu nervosismo era tanto que ele atropelou algumas palavras.

— Tem certeza? — Jin questionou, agora fitando apreensivamente o ruivo. — Ele fez algo com você?

— Fiz mais do que você pode imaginar. — Taehyung rebateu rindo antes que Jungkook tivesse tempo de fazer qualquer coisa. O ruivo sentiu suas bochechas esquentando. “Não acredito que ele fez isso!”

— Do que ele está falando, Kook? — Jin fitava Jungkook confuso, porém desconfiado. O ruivo lançou um olhar fuzilante para Taehyung, mas ele nem se importou, afinal, estava se divertindo com a situação, um sorriso triunfante moldando seus lábios.

— Nada, Jin. Vamos. — Jungkook bufou enquanto pegava o rapaz loiro pelo braço e o puxava para longe do meio-irmão, antes que este falasse outra bobagem.

— Não vai nem me dar tchau, amor? — os dois ouviram Taehyung falando em alto e bom som para logo em seguida gargalhar. Jungkook arregalou os olhos. “É sério isso mesmo, Taehyung? Idiota!”

Jungkook começou a apressar seus passos para se afastar mais rapidamente de onde Taehyung estava. Sentia-se irritado por causa do moreno, já que este parecia estar lhe usando para provocar o meio-irmão de alguma forma.

— Então, do que Taehyung estava falando, Jungkook? Por que ele te chamou de “amor”? — Jin questionou, mas Jungkook fingiu não ouvir a pergunta e apenas continuou caminhando apressado, mas foi brutalmente forçado a parar quando o loiro segurou seu braço e o virou para si. Jungkook tentou se soltar, mas Jin era mais forte do que aparentava. — Jungkook, pode me dizer o que está acontecendo? Eu sei que nosso último encontro não terminou de uma forma exatamente amigável, mas você também não precisava fazer isso e-

Jungkook respirou fundo.

— Não está acontecendo nada, Jin. — o ruivo cortou o outro, respondendo com calma, tentando soar convincente. — Eu estava apenas conversando com ele. Só isso. E você sabe como ele é observador, deve ter percebido o que eu também percebi e então resolveu te provocar me chamando de “amor”.

Jin olhou desconfiado para Jungkook, seus olhos percorrendo cada centímetro do rosto do ruivo, que permaneceu sério, torcendo para que suas expressões não transparecessem que algo havia ocorrido realmente, mas era algo que Jungkook não compartilharia com alguém tão cedo.

— Tudo bem, acredito em você. — Jin suspirou ao que soltava Jungkook. — E eu andei pensando... Você estava certo, podemos nos juntar para ajudar o Taehyung, não posso deixar que você faça isso sozinho.

Jungkook cerrou os olhos, imaginando se Jin resolveu fazer isso para ter um motivo para ficar sempre por perto quando Taehyung também estivesse, ou se ele realmente queria ajudar o irmão. Tão rapidamente quanto surgiu, sua expressão desconfiada se desfez e Jungkook sorriu.

— Ótimo, é o certo a se fazer. — o ruivo disse animado, deixando de lado suas suspeitas e se focando somente na boa vontade do loiro, que havia finalmente surgido.

— Eu sei. — Jin também sorria enquanto ambos voltavam a seguir o caminho até a entrada da universidade.

 

 

—✾—

 

     

Durante o intervalo, Jungkook estava no pátio da universidade, sentando embaixo de uma árvore junto com Jin e outros colegas do curso que ambos faziam. Era um costume se reunirem por ali, mas diferente das outras vezes, hoje o ruivo não conseguia prestar atenção no que os outros falavam, sempre acabava divagando; sua mente o relembrando de tudo que havia acontecido no dia anterior e naquela manhã.

Jungkook se assustou quando sentiu seu telefone vibrar, a ação o fazendo voltar dos seus devaneios. O garoto levou a mão até o bolso da calça e pegou o aparelho, estranhando ao ver o nome do irmão reluzindo no visor. O que ele poderia querer consigo àquela hora do dia?

— Jungkook? Estou aqui na frente da universidade. Arrume suas coisas, vim te buscar.

— O que? — questionou confuso, um pouco mais alto do que queria, o que fez com que seus amigos lhe fitassem e parassem de conversar. Jungkook balançou a mão, como se pedisse silenciosamente para que os outros continuassem e não reparassem em si. — Do que você está falando, hyung? — questionou um pouco mais baixo dessa vez.

— Te explico no caminho, Kook. Só venha ligeiro, por favor. Estou te esperando. — o mais velho finalizou a chamada.

Jungkook mirou o telefone, tentando entender o que estava acontecendo. Um calafrio passou por sua espinha, sua mente traiçoeira já estava inundando seus pensamentos com motivos — um pior do que o outro — para o fato do irmão estar ali.

— Está tudo bem? — Jin questionou.

— Eu... Eu não sei. — Jungkook respondeu, confuso. — Preciso ir, meu irmão está lá fora me esperando. — continuou enquanto se levantava. — Não vou voltar, então nos vemos amanhã. — o ruivo se despediu rapidamente.

— Tudo bem, mas ligue quando puder, ok? — Jin tinha uma expressão preocupada e Jungkook confirmou com um aceno de cabeça, logo saindo apressado até a sala para buscar seus materiais. Juntou tudo o mais depressa que pode e então rumou para a saída. Seus passos rápidos representavam o quanto ele estava nervoso, seu coração parecia a ponto de explodir a qualquer momento. O que raios havia acontecido?

Rapidamente o jovem avistou o carro do irmão e, sem conseguir se controlar mais, correu em direção a ele. Abriu a porta ofegante e se ajeitou no banco do passageiro. Junghyun fitava suas próprias mãos que seguravam firmemente o volante, somente desviando o olhar ao ouvir a porta sendo fechada.

Jungkook engoliu em seco quando o mais velho virou o rosto em sua direção. Os olhos de Junghyun estavam opacos e sua expressão vazia. Ele lembrava alguém que estava doente, quase no leito de morte, Jungkook diria.

— Hyung? O que aconteceu? Por que você está assim? — Jungkook questionou nervoso. Junghyun apenas virou o rosto para frente, como se não houvesse escutado a pergunta e então ligou o carro, dando partida. — DIZ ALGUMA COISA, JUNGHYUN! — gritou irritado, não suportando o mistério que o outro fazia. Jungkook estava desesperado, ainda mais depois de ver o estado do irmão. Nesse pequeno período de tempo, sua mente já havia inventado várias histórias e possibilidades do que poderia ter acontecido, lhe causando uma leve dor de cabeça e uma pontada de medo do que estava por vir.

Junghyun não disse nada, na verdade, sua mente estava tão devastada que ele nem sequer deu importância ao pequeno surto do mais novo. Jungkook bufou irritado e então virou o rosto e ficou observando a cidade além do vidro do carro, tentando de alguma forma se distrair, mas falhando totalmente. O ruivo sentiu sua garganta seca e o pânico cada vez maior. Sua mente continuava trabalhando com força total e as coisas só pioraram quando ele viu onde o irmão havia estacionado o carro.

Eles estavam em frente a um hospital.

Jungkook lançou um olhar assustado para o irmão, mas antes que tivesse tempo de questionar, o outro já descia do carro, então o mais novo fez o mesmo. Jungkook seguiu o mais velho hospital adentro e seu coração se apertou. Só em pensar que alguma coisa havia acontecido com seus pais já era o suficiente para fazer algumas lágrimas de desespero surgirem nos seus olhos.

Jungkook não saberia explicar o que sentiu quando entrou num corredor e viu sua mãe ao longe, que correu em direção aos filhos ao notar a presença dos mesmos. Talvez fosse uma mistura de alívio e confusão. Ela estava chorando muito e quando alcançou os dois jovens, veio direto na direção do mais novo e o abraçou.

— Jungkook, meu filho. — ao ver o estado da progenitora, o ruivo não se importou em finalmente deixar suas lágrimas descerem pelo seu rosto, esperando que isso fizesse o aperto em seu peito diminuir.

— O que aconteceu, mãe? — Jungkook questionou, mesmo temendo a resposta. A mulher se afastou um pouco, tentando controlar o choro, mas em vão.

— S-seu pai. — ela disse e Jungkook travou a respiração. — Ele foi baleado.


Notas Finais


Então, só queria conversar com vocês rapidinho sobre três coisas!
1: sobre o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI) que abordo na fic. De longe isso é um assunto que eu domino, porém eu pesquisei e estudei muito — e ainda estudo — todas as informações que encontrei disponíveis para não acabar escrevendo besteira, mas ainda sim, isso pode acontecer, já que o processo de aprendizado é constante. Todas as informações que eu trago pra fic sobre TDI podem ser questionadas e criticadas de forma construtiva, mas só deixando claro que minha intenção NÃO É romantizar esse transtorno, porque tenho plena consciência da seriedade do assunto. Minha intenção é chamar a atenção de vocês para que pesquisem sobre TDI e outros muitos transtornos que existem, se informem porque algum dia você pode conhecer alguém que possua um deles, e essas pessoas precisam de uma maior compreensão da sociedade que as cerca.

2: o que aconteceu para que Blue ficasse parada por tanto tempo? Não sei ao certo quando começou, mas fiquei saturada. Desde que descobri que gostava de escrever, eu nunca mais "parei", sabe? Em muitos momentos eu não estava escrevendo, mas estava pensando no plot e desenvolvimento de alguma fic, anotando ideias, olhando filmes e lendo livros para me inspirar e coisas assim. Chegou em um ponto que eu simplesmente cansei, o amor que eu sentia pela escrita se perdeu e eu precisava reencontrá-lo, porque não queria continuar escrevendo porque me sentia obrigada a isso. Como eu disse, não sei exatamente quando tudo começou, mas algo foi desencadeado em mim quando uma outra fanfic que eu escrevo não alcançou uma expectativa que eu havia criado. Foi aí que percebi que eu estava ligada demais aos números. Tenho consciência de que errei feio por deixar isso me subir à cabeça, fazendo com que os benditos números de comentários e favoritos importassem mais do que simplesmente escrever por gostar de escrever. Aí tudo se embolou, depois desandou e o resto da história vocês já sabem... Sumi, mas voltei. E pretendo não desaparecer novamente, ok? Obrigada a quem ainda está aqui, aos que favoritaram e comentaram mesmo vendo que a fic não vinha sendo atualizada há tempos, àqueles que continuaram panfletando Blue por aí e enfim, obrigada. Nos vemos em breve.

3: Blue foi completamente revisada, teve algumas coisinhas que eu mudei, então seria bom se relessem desde o início, tanto para que vocês relembrem o que aconteceu até aqui, quanto para ficarem por dentro do que está diferente agora.

Panfletem Blue por aí!!! Ajudem a fic a crescer e colaborem com o ânimo da autora <3

Se alguém quiser socializar: https://twitter.com/aspandicorn

XOXO


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