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História Blue Flames - Capítulo 29


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Capítulo 29 - Sobre indecisão e uma coisa louca


O corpo mole, a cabeça doendo, a falta de vontade de levantar da cama e o desejo de chorar. Eu só podia estar doente por apresentar tais sintomas. Deve ser uma gripe. É, isso mesmo. Não há outra explicação para o meu estado lastimável. Ouço minha mãe bater na porta, mas não consigo me mexer, porque algo dentro de mim mudou para sempre. E não consigo sentir nem enxergar como algo bom. As batidas aumentam, seguro as lágrimas e aperto os punhos.

Se você soubesse como é, Kim Taehyung. Nunca devia ter feito isso.

Me passar essa gripe foi um erro.

- Abre logo essa porta, Jungkook. Você precisa levantar se não vai se atrasar para aula – minha mãe berra.

- Estou doente – grito de volta com a voz rouca.

- Abre a porta!

Com muito esforço empurrei meu corpo para fora da cama e girei as chaves da porta. Minha mãe é especialista em ser intrometida. Quando ela entrou no quarto eu já estava me jogando de volta na cama. Ela se sentou ao meu lado e olhou bem para minha cara.

- Você não está doente.

Tai as desvantagens de ter uma mãe médica, que de quebra te conhece muito bem. Não é muita esperteza tentar enganar ela.

- Eu ‘to sim, não vou para aula – quando disse isso me recordei das birras que fazia quando era criança. Bons tempos.

- Você vai sim, Jungkook. Não se esqueça que eu posso tomar as chaves do seu carro, sempre que eu quiser – Junly então piscou para mim e saiu do quarto.

Eu continuei deitado pensando em como ela era uma pessoa terrível. Por me fazer vir para esse país, primeiramente. E também , por ter coragem de me mandar para a mesma escola que Kim Taehyung. Era tido culpa da minha mãe, e ela ainda tinha coragem de ignorar minha gripe. Toda essa situação era uma merda.

Foda-se, não vou ver a cara daquele maldito hoje. Levantei da cama, vesti o uniforme e peguei a mochila. Sai de casa sem me despedir de Junly, que ela fique com a consciência bem pesada mesmo. Acelerei o carro e sorri só por estar contrariando uma ordem, a sensação é muito boa.

Não demorou muito para eu chegar em frente ao hotel luxuoso em frente a praia. Tirei o celular do bolso e avisei a ele que estava aqui embaixo. Peguei a mochila e tranquei o carro. Eu até tentei resistir, mas olhei para o celular em minhas mãos e não aguentei. Abri a conversa com Taehyung e digitei:

Como eu te odeio.

Foi a melhor foda da minha vida.

Assim que enviei já me arrependi. Como sou idiota, por que tenho que ficar me humilhando assim por ele? Não posso fazer isso. Ele ainda não tinha visto, por isso decidi apagar rapidamente. Não darei esse gostinho para aquele desgraçado. Resolvi esquecer Taehyung um pouco e focar na pessoa que me fazia bem.

Dois minutos depois Hoseok apareceu com aquele sorriso aberto, sorriso de quem nunca sofreu de verdade. Acho que isso era o que mais me atraia nele. Parecia que ele tinha tudo o que eu precisava para ser consertado, enquanto Taehyung era tudo o que me afundaria mais e mais em um mar turbulento.

Também sorri para Hoseok, porque nem consigo descrever como ele fez bem para mim ao voltar alguns dias para a sua cidade natal. Era como se ele tivesse adivinhado que eu necessitava daquela surpresa.

- Posso matar aula no seu quarto? – o abracei forte, pois sabia que logo não teria aquela sensação, ele teria que voltar para Alemanha.

E eu já estava quase decidido de que iria mesmo com ele depois de terminar os estudos.

- Não precisa nem perguntar.

O quarto cheirava a Hoseok, cheirava a conforto. Joguei a mochila na cama e também me taquei nela. Hoseok se ajoelhou na minha frente e tirou meus sapatos, depois se juntou a mim.

Me sentia mal de estar com ele e ter transado com Taehyung, parecia até uma traição.

- Quer me contar porque você estava mal ontem? – ele questionou.

Respirei fundo antes de dizer num fio de voz.

- Você já sabe.

E ele sabia mesmo. E foi por isso que ficou em silêncio ao meu lado sem olhar para o meu rosto. Eu sabia que isso o magoava, podia ver nesse exato momento em seus olhos. Quando fazemos tudo pela pessoa, esperamos no mínimo ter um pouco daquilo retribuído. E era por isso que eu não tinha total certeza que iria para Alemanha ficar com Hoseok, porque eu tinha medo de ser o primeiro sofrimento da vida dele. Me afligia pensar em como eu poderia estragar ele e o deixar assim como sou.

Mas eu não queria pensar nisso agora, só desejava aproveitar ele enquanto ainda o tinha. E acho que Hoseok pensava como eu.

- O que você quer fazer? – ele virou o rosto para mim e me beijou.

- Eu vou tomar um banho agora, porque ainda não tomei nenhum hoje – disse me levantando. Ele riu – E depois de alguns minutos você vai escutar a porta sendo destrancada, já sabe o que tem que fazer.

E os nossos corpos se encontraram debaixo da água fria, o dele bem mais quente. Estava duro atrás de mim e me fez suspirar, conseguindo me ascender por dentro em questão de segundos. Hoseok beijava meu pescoço, puxa meu cabelo e arrastava o pau em minha bunda. Ele me enlouquecia e me lembrava porque eu queria continuar vivo.

- Isso – disse baixinho quando ele se enfiou aos poucos, choramingando ao ter por completo dentro de mim. Começamos nos beijar com um pouco de dificuldade por causa da posição, mas com muito fervor. A felação já começou forte e dura, me fez gemer desde o começo,me fez gritar algumas vezes.

A água caia do chuveiro e atingia nossos corpos que se encontravam liberando o som libidinoso pelo banheiro. Gritei o nome dele quando me desfiz e ele sussurrou no meu ouvido:

- Eu te amo muito, Jungkook.


(...)


Jeon Jungkook:

Boa tarde senhor Kim

Quero te pedir algo


Kim Taehee:

O que você quiser


Travei o celular ao ver Hoseok sair do banheiro.

- Já avisou sua mãe?

- Já.

E não foi muito fácil. Na verdade, sempre foi muito difícil mentir para ela sobre isso.

“Vai dormir na casa de um amigo de novo?”

Jeon Junly não era boba, e eu sentia que estava me expondo demais, correndo muito risco. Mas eu não queria voltar para casa e estar com Hoseok fazia as coisas parecerem mais fáceis. Estar com Hoseok quase me fazia esquecer dele.

Quando a noite chegou, nos deitamos agarrados na cama e colocamos um filme. Foi algo simples e divertido e me fez muito bem. Era o que eu queria para o meu futuro.

Só não sei se minha mente perturbada permitirá.


(...)


Buscando me sentir mais confortável, pedi Hoseok para me acompanhar na escola. Ele não achou a ideia ruim, já que tinha muitos amigos por lá. Fiquei meio apreensivo no caminho, todavia decidi não focar nas mágoas que me consumiam.

Entrei na escola do lado de Hoseok revirando os olhos para todas as pessoas que vinham falar com ele. Foi uma dificuldade danada até chegar ao meu armário, onde nós paramos.

- Eu amo esse bico – decretou rindo da minha cara. Cerrei os olhos e o estapeei.

- Você é muito sociável – reclamei descaradamente. Mas claro que não estava nervoso de verdade.

Ele mordeu os lábios e se aproximou de mim, nossos rostos quase colados.

- É muito bom estar com você.

- Idem – respondi com um sorriso sincero.

Sorriso este que foi morrendo aos poucos quando, pela visão periférica, vi quem se aproximava de nós. Fiz questão de deixar bem claro que não estava tudo bem, focando somente no rosto de Hoseok. Eu não queria me render facilmente a ele como em todas as outras vezes.

- Hoseok? – aquela maldita voz.

Eu sempre implorava ao meu corpo para não reagir, porém ele nunca escutava.

- Taehyung!

Hoseok tinha um forte motivo para não ser caloroso. No lugar dele eu não conseguiria agir da mesma maneira. Mas ele era uma pessoa boa demais para simplesmente ignorar alguém que já foi, e talvez ainda seja para ele, um grande amigo.

- Não sabia que tinha voltando.

E foi ali que percebi que talvez Hoseok já não tivesse aquilo que tinha antes com Taehyung. Ele nem se importou de o avisar que estaria de volta. Quer dizer, Hoseok fez o mesmo comigo, mas foi por um motivo maior.

Taehyung não significava a mesma coisa para ele.

- Não voltei, só vim visitar minha avó. De qualquer maneira, desculpe por não ter avisado.

Eu percebia que, apesar de Taehyung estar conversando com Hoseok, os olhos dele não se desgrudavam de mim. O idiota era bem cara de pau mesmo, ele sabia que pisava e mim e logo depois conseguia me pegar de volta.

- Não adiantou ter apagado as mensagens, eu já tinha lido pela barra de notificações.

Cerrei os punhos e respirei fundo. Não conseguia acreditar na burrice que cometi, entreguei tudo o que ele precisava saber de bandeja. Mesmo sem olhar para ele, seu sorriso presunçoso me atingia.

Eu estava pronto para surtar. Pronto para virar minha mão naquele rosto bonito.

Contudo, fui surpreendido com um puxão que me fez ficar perto dele, e em seguida, com um beijo no canto dos lábios. Fiquei desacreditado por ele ter feito isso no meio do corredor. Não posso negar que o meu corpo se arrepiou todo com a textura daquela boca delirante.

Eu estava bem mais doente do que pensava.

- Quando você vai embora, Hoseok? – Taehyung estava provocando o Jung, esse que agora tinha uma carranca no rosto, mostrando que a provocação tinha surtido efeito. Kim Taehyung, como sempre conseguindo causar o que queria nas pessoas.

Bom em ser aquilo que elas amam.

Bom em ser aquilo que elas odeiam.

E às vezes as duas coisas ao mesmo tempo...

- Eu não sei – Hoseok respondeu, pois era educado demais para não o fazer.

- Tomara que não demore muito – Taehyung disse antes de nos dar as costas.

Vi no rosto de Hoseok que ele estava nervoso, atingido e magoado. E me doeu pensar que aquilo também era culpa minha. Eu sempre tinha que trazer a dor para as pessoas.

Eu só queria ir para casa e chorar.

Porque a possibilidade de eu não conseguir me livrar desse mar turbulento era muito grande.


(...)


Não consegui conversar com Hoseok sobre o ocorrido, ele também não queria. Agora, deitado na minha cama e escutando o barulho da chuva, eu pensava se deveria ou não levar um tornado para a vida dele. Em algum momento eu teria que decidir se iria ou não com Hoseok, e quando esse momento chegasse eu mudaria totalmente minha vida e a dele. Por isso, eu devia ter certeza.

Meu celular vibrou em meu bolso. Era Kim Taehee, permitindo algo que eu queria fazer há tempo. Sorri pensando em como Jin ficaria feliz. Respondi a mensagem o agradecendo, mesmo sabendo que eu teria que pagar caro por aquilo.

Meu aplicativo de mensagens estava cheio de problemas do passado. Aquele que achava que era o meu pai insistindo em me ver, Ryan tentando uma reconciliação...

Coisas impossíveis, que eu nunca poderia dar a eles.

Uma nova mensagem chegou. Mais um problema.

O que Jimin estava fazendo na minha porta uma hora dessas?

Desci as escadas com pressa e com curiosidade. Abri a porta o encontrando completamente molhado pela chuva, não consegui decifrar a situação. Um nó havia se formado em minha cabeça.

- Que porra você está fazendo aqui? – questionei nervoso com a situação.

- Você não vai fazer isso – Jimin disse de forma embolada enquanto apontava o dedo na minha cara. Ele parecia bêbado.

- O quê? - não consegui entender. Jimin então veio para cima de mim. Não consegui prever sua próxima ação, quase levei um soco na cara quando a mão dele veio em direção ao meu rosto. Consegui a segurar por sorte.

- Fica longe do Taehyung! – ele berrou e o meu coração se acelerou.

Puta que pariu!

Se minha mãe acordasse e escutasse essa conversa eu estava fodido.

- Você não tem outros caras para trepar? – continuava a falar alto e desengonçado.

- Cala a boca, caralho! – coloquei a mão na boca dele e ele começou a se debater tentando tirar – Fica quieto, Jimin. Você está bêbado – agarrei ele por trás, ainda com a mão na boca dele, e o puxei para dentro.

Foi uma luta conseguir levar aquele idiota para o meu quarto o impedindo de fazer um escândalo. Sorte que ele estava bêbado, logo ficava fraco, com o corpo mole.

Quando cheguei no quarto, o empurrei para o meu banheiro e abri o chuveiro deixando a água gelada cair naquela cabeça loira e oca. Ele gritou e eu dei um tapa nele. Em seguida, Jimin começou a chorar.

- Merda... – disse entredentes.

- Desculpa ter te batido, mas por favor cala a boca – sacudi ele, finalmente o fazendo ficar quieto.

Suspurei aliviado olhando para um Jimin estático debaixo do chuveiro.

- Eu vou sair para você tomar banho à vontade.

Pensei que ele não tinha entendido, mas segundos depois ele assentiu.

Sai do banheiro, bem confuso. Não conseguia entender porque o babaca veio parar logo na minha casa. Ele pode até ter descoberto o que eu e Taehyung fizemos, porém não faz sentido ele vir brigar comigo em vez de fazer isso com o namorado dele.

Nervoso, à ponto de querer quebrar meus objetos pessoas, abri a porta do guarda roupas buscando um travesseiro e um cobertor. Teria que deixar Jimin dormir na minha casa, pois ele estava muito bêbado e o risco dele acordar minha mãe gritando que eu dei para o namorado dele era grande. Arrumei o lado da cama para quando o bêbado sair do banho tacar ele ali.

Ele saiu até calmo, apesar de ter feito isso completamente nu. Tentei não reparar em nenhuma parte do corpo dele enquanto o vestia. Depois nós dois deitamos na cama, lado a lado.

- Eu sou um fodido mesmo – resmunguei e enrolei o loiro. Depois puxei minha própria coberta.

- Você sempre foi resmungão – Jimin se manifestou.

- E você sempre foi chato! – rebati.

- Eu gostava de você, queria ser seu amigo. E você nunca me deu uma chance. Você é revoltadinho desde criança – disse fazendo um bico.

- Quem gosta de uma criança que fica tentando beijar os outros? – perguntei rindo.

- Eu só queria carinho... – o Park falou reflexivo – Ninguém nunca me deu carinho – e uma lágrima desceu dos olhos dele.

Senti sinceridade nas palavras de Jimin,mas também achava difícil ninguém nunca ter dado carinho a ele. E Taehyung? Eles namoravam há anos. Talvez Jimin fosse uma pessoa muito carente.

- Jungkook – ele chamou.

- Hum.

- Me beija.

Eu ri.

- Meu Deus! Você está muito bêbado.

- Não ‘to não, eu gosto de você.

Jimin foi se aproximando aos poucos, me encurralando no canto da cama. Eu não sabia o que fazer, tudo isso era muito estranho e eu não conseguia acreditar que estava acontecendo comigo novamente.

Só sei que eu deixei ele me beijar, talvez pela declaração anterior da falta de carinho. Eu entendia o que era aquilo.

Os lábios dele eram bem grossos, bons de beijar. Ele os movia de uma maneira que engolia, desesperado na medida certa. Ele puxava minha camisa e amassava meu cabelo entre os dedos. O ósculo era molhado e barulhento. Era gostoso. Só consegui parar quando percebi que nós dois estávamos duros. Foi ai que percebi que a situação estava evoluindo para algo muito louco, então afastei ele com calma. Jimin dormiu sorrindo. Eu não consegui.

Passei a noite toda pensando em Taehyung e em como senti o gosto dele nos lábios de seu namorado.



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