História Blue Hill - Capítulo 4


Escrita por:

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Haechan, Johnny, Lucas, Mark, Yuta
Tags Haechan, Mark, Markhyuck, Nct, Nct 127, Nct Dream, Seventina
Visualizações 162
Palavras 2.267
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Violência
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


VOLTEI
muito obrigada todos vcs que leem
está sendo bem interessante escrever
espero que gostem

Capítulo 4 - Grayish green


Mark estava parado na enfermaria enquanto Jane corria até onde a piscina ficava. Ela o havia dito que ficasse lá para impedir no caso de alguém aparecer a fim de ocupar a cama, que seria reservada para o garoto que se afogara. Fora afogado, melhor dizendo. Aquilo era uma brincadeira de mau gosto.

O interno ainda tremia e não era de frio, apesar de estar molhado. Então, sentou-se numa poltrona de plástico e fechou os olhos, respirando fundo enquanto tentava se acalmar.

Se ele não tivesse pulado naquela piscina, o que aconteceria? A resposta rodeava sua mente como vinhas espinhosas, mas ele não pensaria naquilo. O garoto fora resgatado e pronto. Só restava saber... Nada! Não restava nada, ele estava bem.

Aquele grupo de garotos parecia composto de amigos. Então, por quê? Seria mesmo apenas uma diversão completamente errada ou haveria mais por trás daquilo? Era impossível saber. E quem afinal era a face familiar? Não sabia dizer com certeza qual dos meninos era, pois não prestara muita atenção, e também não sabia de onde o reconhecia. Só esperava que não fosse aquele que pulara na água para manter o garoto lá embaixo. Aquele jovem era mesmo deveras inconsequente. Talvez a familiaridade viesse de um colega de sua antiga escola, de um irmão de algum conhecido que agora estudasse ali naquele internato ou alguma coisa assim.

Sim, sim, aquilo era bom. Focar sua mente em outras coisas que não fossem o rapaz sendo atendido. Mark só esperava que o menino tomasse mais cuidado dali em diante. Com suas amizades, com seus arredores e brincadeiras...

Repentinamente, o professor apareceu carregando o rapaz semi consciente enrolado numa toalha. Ele jogou a toalha verde em cima de Mark e arrancou do interno o calção molhado, colocando seu corpo nu na cama e dizendo ao Lee que se mexesse logo e buscasse um lençol seco.

Jane entrou logo atrás, carregando um pesado cilindro e gritando a Mark que saísse da frente. O assustado menino correu para o corredor e passou a fazer o que lhe fora mandado, ainda um pouco desorientado diante de tanta confusão.

A aula foi naturalmente suspensa e todos os garotos se dirigiram ao banheiro dos dormitórios ou ao vestiário, o qual lhes parecesse mais conveniente. Depois disso, os alunos regulares foram dispensados e os que residiam ali espalharam-se entre seus respectivos quartos, a biblioteca e o refeitório, onde se reuniam para jogar jogos de tabuleiro até que o jantar fosse liberado.

Mark, no entanto, foi chamado à sala da diretora depois de se arrumar, apresentável. A julgar pelo esboço de um sorriso em seus lábios, a mulher não estava zangada. Menos mal.

— Lee, pode me contar o que aconteceu hoje? — seu tom era inquisitivo.

— Sobre... É sobre a piscina?

— Sim — se olhasse para cima, poderia ver a careta que ela tentou impedir de irromper em sua face ao ouvir isso.

O que deveria contar? Decidiu não omitir nada. Afinal, ela não teria motivos pra puni-lo.

— Bom, diretora, uns meninos jogaram ele dentro d'água e outro o afundou — disse.

Ela murmurou um assentimento e passou a andar em círculos, seus saltos produzindo batidas ritmadas no assoalho.

— O professor precisou vir assinar uma carta urgentemente. Aquilo jamais teria acontecido — apresentou o motivo do docente não estar lá quando tudo de ruim se passou — Você saberia me dizer quem deveria ser punido?

Mark olhou para as suas mãos postas em sua perna, franzindo as sobrancelhas.

— Receio que não, diretora. Não conheço nenhum deles.

— Faz sentido. Só ficou um dia aqui, não é mesmo?

Julgando que era uma pergunta retórica, o jovem não respondeu. Ficou em silêncio enquanto a observava andar. Ainda que não estivesse em apuros, o nervosismo o preenchia.

— Saberia reconhecê-los dentre os estudantes?

Mark hesitou. A verdade é que não gravara o rosto de ninguém, inclusive o do afogado.

— Perdão, mas eu não estava prestando atenção. Só o que vi foi o garoto se afogando.

— Certo. Tudo bem, Lee, pode ir. Você é um bom garoto. Tente não se misturar com essas bestas.

O adolescente ficou surpreso ao ouvir o veneno pingando de sua voz. Ela não deveria cuidar de todos igualmente? Aparentemente não.

Decepcionado diante da realidade, Mark entendeu que todos aqueles meninos rebeldes eram indesejados e arriscaria dizer que essa conversa fora seu primeiro aviso de que seria possível perder o benefício da bondade dos funcionários caso se tornasse como os demais meninos.

Assentindo, nervoso, ficou em pé e foi embora rapidamente.

Depois do jantar, Mark seguiria para seu quarto, mas a brisa noturna o guiou para outro lugar. Quando deu por si, estava de frente a porta da sala de Jane. Não ouviu nenhum som vindo lá de dentro e não havia luz se infiltrando no corredor por baixo da porta.

Sendo assim, lentamente empurrou a porta de ferro e adentrou a sala, encarando a cortina que fora colocada ao redor da cama para dar alguma privacidade e descanso ao paciente.

Estaria a pessoa dormindo? Antes que pudesse descobrir, duas mãos agarraram seus ombros e ele quase gritou, mas conteve o impulso ao se lembrar que estava numa enfermaria. A pessoa o virou para encarar seu rosto e ele suspirou ao ver que era Jane.

— Nossa, que susto! — colocou uma das mãos sobre o peito e sussurrou.

— É o que merece por se embrenhar sorrateiramente pelos corredores! — ela colocou as mãos na cintura e fingiu uma expressão brava, também sussurrando.

Mark ficou sem palavras. Acreditava mesmo ser repreendido. Era o certo, afinal. Ele estava errado em entrar ali.

— Sorria, bobo! — a enfermeira soltou um risinho e acendeu a luz branca — Chegou em bom momento — ainda sussurrava.

O garoto não entendeu o que ela queria dizer com isso. Era algum aniversário ou festa?

— Quer conhecer seu salvador? — ela falou em alto e bom som, e Mark levou algum tempo para perceber que não era para ele.

Como não obteve resposta, ela abriu uma fração da cortina e espiou lá dentro, sorrindo enquanto seus olhos brilhavam num contraste de afabilidade e acusação. Então, gesticulou para que Mark caminhasse até ela e abriu uma parte da cortina de uma vez.

O recém-chegado foi surpreendido pela visão de um garoto de cabelos pretos como os seus deitado na cama e coberto por um lençol branco. Ele parecia dormir, seus cílios produziam sombra sobre a bochecha avermelhada, os lábios tinham um desenho bonito e a cor de sua pele parecia dourada sob a luz fluorescente. Era um belo rapaz, embora sua alma certamente não o fosse. Era dele a face familiar, apenas agora Mark percebia, mas mesmo que a estivesse encarando, o novato não sabia o que havia no rebelde de conhecido.

— Oi — Mark acenou assim que ele abriu os olhos.

— Este é Mark Lee, o colega que te salvou. Seja legal e tenha cuidado com suas ações — o advertiu, embora o rapaz não estivesse em condição alguma de machucar nem uma mosca. Isto é, era o que pensava. Não tinha como saber com certeza.

O paciente assentiu com um grunhido preguiçoso e afundou mais a cabeça no travesseiro.

— Ele esteve no hospital hoje à tarde para fazer alguns exames. Até o momento, tudo está normal. Mantenha o olho nele, sim? — Jane instruiu, não esperando ouvir uma resposta do novato antes de deixá-los a sós.

— E então? É você o herói?

Mark abriu a boca para responder, mas antes que pudesse fazê-lo, percebeu o sarcasmo no tom do jovem e o seu sorriso debochado.

— Bom, eu teria mais respeito. Afinal, salvei sua vida — quanta petulância a daquele menino.

O garoto na cama emitiu um riso fraco e nada real.

— Que irônico. Primeiro, você acaba com os meus planos! E num outro momento, está me salvando. É, faz sentido.

Que planos? Como poderia ter acabado com eles?

— Desculpe, não estou entendendo — Mark franziu o cenho, confuso.

O garoto riu fraco mais uma vez, mas havia certa veracidade nesta.

— “Desculpe”? Dizendo para outro moleque? Você não vai sobreviver aqui — cruzou as mãos sobre o colo — Eu te dou dois dias no máximo. Um, de bondade — fechou os olhos, demonstrando qua não temia nada sobre Mark.

— Eu juro que não entendo.

— Como é burro! Ou seria cego?

Farto perante tanto desrespeito, Mark se aproximou numa fração de segundo da cama e espalmou as mãos sobre a cabeceira, não se importando com a dor que o ferro pressionado fortemente contra suas palmas produzia. Ele tinha a face contorcida numa careta nada amistosa, até sombria. Os rostos de ambos estavam a poucos centímetros um do outro, um duo de olhos fixos nos espelhos da alma alheios.

— Qual é o seu problema? — Mark rosnou para o garoto abaixo de si.

— Você deveria se segurar — aquele deitado vociferou, as sobrancelhas franzidas — Se for perder a cabeça tão fácil, as coisas ficarão feias — disse entredentes, os lábios lutando para não cederem espaço para um sorriso provocador.

— Isso é uma ameaça, por acaso? — tombou a cabeça para o lado, expondo o pescoço sem que tivesse a intenção e chegando mais perto do garoto.

— Não da minha parte — engoliu em seco devido ao nervosismo pela proximidade, encarando o pescoço de Mark. Mas não tinha medo, era outra coisa.

— Então, se explique logo... Qual o seu nome?  — Mark voltou para o lugar onde estava em pé observando o menino e cruzou os braços no peitoral.

— Só para ver a sua cara de choque — ergueu-se um pouco na cama — Foi você quem impediu minha escapada para a cozinha. Como se sente ao saber que deixou um garoto com fome, caro herói? — cruzou os braços igualmente e deu um sorriso de canto.

— Eu nunca impedi ninguém de fazer coisa alguma — tinha certeza.

— Devo assumir que tem um irmão gêmeo, então, Mark Lee — seu tom era prepotente, mas foi substituído pelo escárnio ao dizer o nome alheio.

— Não se dirija a mim pelo nome quando nem sei o seu — falou, esquivo.

— Donghyuck. Mas você já sabia disso, Mark — suspirou, reajustando o cruzar de braços e mexendo os pés.

— Você... — estava prestes a xingá-lo quando aquele nome o trouxe uma lembrança.

O garoto que o surpreendera quando esteve zanzando por ali no dia em que chegou era ele, Donghyuck. O garoto que estava fugindo para sabe-se lá onde e foi impedido pela figura de Mark no caminho era o mesmo garoto afogado. Agora fazia sentido que estivesse zangado com ele.

— Ah, agora eu me recordo — Mark baixou todas as suas defesas, pensativo — Achei que fugiria do internato — comentou.

Donghyuck revirou os olhos.

— Eu acabei de dizer que iria à cozinha. Mas isso não importa, já que você me impediu.

— Desculpe, ok? Eu não sabia... — ergueu os braços e deu um passo para trás.

— Pare de dizer isso! — Donghyuck bateu com as duas mãos em cada lado da cama de ferro, fazendo com que um som alto e vibrante reverberasse pelo cômodo — Não vai sobreviver um dia — bufou.

Ambos ficaram em silêncio alguns minutos. Mark porque estava um pouco perdido, e Donghyuck porque ainda não se sentia bem para ir a lugar nenhum. Ao interno mais antigo não importava nada sobre outros que não pudesse usar em seu favor, mas este Mark era esquisito.

— Por que você está aqui, afinal? — perguntou.

— Jane disse...

— Não, não. Quero dizer no internato.

— Eu... — passou muito tempo em silêncio — Circunstâncias.

— Por que não diz? — pela primeira vez, Donghyuck pareceu simplesmente perguntar, sem nenhuma intenção ou motivo.

— Eu teria razões para te dizer?

E como ninguém dissesse nada pelos momentos seguintes, Mark deixou a enfermaria e foi ao seu quarto.

Estava cansado e dormiu como uma rocha.


O dia posterior se repetiu. As aulas eram diferentes, contudo.

Depois do almoço, no horário livre que os estudantes tinham, Mark decidiu voltar ao seu quarto e cochilar um pouco.

Enquanto caminhava pelo corredor, ouviu algo como uma briga. A arrumadeira daquele andar ralhava com um menino e em seguida trancou-o dentro do quarto, levando a chave consigo e anunciando que ele somente receberia água por um dia. O episódio deixou Mark arrepiado.

Ao chegar ao próprio dormitório que dividia com outro interno, não foi surpresa alguma encontrar o último na mesma posição costumeira. Ele parecia mesmo estar morto.

Teve um sono sem sonhos.

Lentamente, Mark abriu os olhos e ia despertando de sua sesta. Ainda sem levantar da cama, percebeu a figura misteriosa e de braços cruzados encostada na porta fechada. Quem seria?

Quando sua vista conseguiu focalizar a pessoa, o novato ficou surpreso. Donghyuck. Por quê?

Sentando-se, encarou o garoto numa espécie de cabo de guerra de olhares. Ele usava um boné azul, camisa vermelha e bermuda também azul. Seus tênis estavam batidos e imundos de terra. Como devia ter sido dispensado da enfermaria há pouco, era compreensível que trajasse vestimentas casuais e não o uniforme, como usual.

Mark afrouxou a gravata e o encarou intensamente, como ele. Ninguém disse nada, mas, vez ou outra, Donghyuck lançava ao monte de cobertores que era o seu colega de quarto um olhar cauteloso. Parecia ter medo dele.

O garoto resgatado d'água não saiu dali por um bom tempo. Seu olhar analisava Mark, mas não havia ali nenhuma acusação ou ressentimento. Existia alguma espécie de hesitação.

Perdido em sua contemplação, o novato começou a repassar a conversa-briga dos dois na enfermaria e finalmente conseguiu ligar os pontos, achar um sentido nas palavras de Donghyuck. Por que ele estava fugindo para a cozinha? Bem, porque fora deixado sem comida, como Mark vira acontecer há não muito tempo. Parecia ser uma prática comum ali e isto o deixou triste.

Continuaram no jogo de encarar até que Donghyuck se cansasse e saísse dali. O que significou tudo aquilo, afinal?


Notas Finais


o que acharam, anjos?

como foi?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...