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História Blue Jeans (Dramione) - Capítulo 6


Escrita por: MadameLestrange20

Notas do Autor


Oi, meus amores!

Espero que esse capítulo alegre ao menos um pouquinho a sua sexta-feira💜

No mais,
Boa leitura :)♡

Capítulo 6 - A Chefona


I'm a bitch, I'm a boss
I'm a bitch and a boss, I'ma shine like gloss
-Doja Cat

 

Hermione Granger

 


Meus dedos teclaram os números no celular e em poucos segundos, pude ouvir o som da chamada pela outra linha.


Dor, saudade, afeto. Percebi os sentimentos que me dominavam enquanto esperava a ligação ser atendida, encarando a fotografia sobre a mesa de cabeceira. Observá-la sempre trazia-me isso.

-Alô?

A voz que soou através do aparelho me era muito bem conhecida. Teddy era um bom sujeito. Apenas estava, talvez, em um meio que não lhe pertencia.
E, por seu timbre, tive a certeza de que estava chapado, o que não era mais uma novidade chocante.

-Teddy, sou eu. -respondi de maneira simples e curta, pois sabia que ele entenderia.

Ele era filho de um amigo da família, cujo pai pediu ao meu, por algum motivo antes de morrer, que lhe desse algum serviço entre os Granger. Eu jamais entenderia isso, afinal que tipo de genitor, tendo outras opções, gostaria que o filho se envolvesse naquele mundo?
Mamãe sempre dizia que havia gente para tudo no mundo. As razões pelas quais Alex fizera daquilo o seu último desejo no leito de morte, não cabia à mim.

-E-eu não acredito. O que aconteceu? Por que sumiu repentinamente? Onde...

-Acalme-se. Eu estou bem. -confirmei, impedindo-o de continuar bombardeando-me de perguntas.

-Tem certeza? -sua voz parecia ansiosa, quase ao ponto do desespero. Teddy Barner, em algum momento de nossas vidas, fora um bom amigo com certos benefícios, mas mesmo que eu houvesse deixado bem claro que não havia interesse nenhum além do casual, ele acabou iludindo-se. Se fossem em outros tempos, em alguma espécie de universo alternativo no qual eu não tivesse passado por tantas coisas, poderia haver chances de tentarmos algo. Ele era alguém com um papo legal e um coração enorme. Mesmo que clichê, a frase "o problema sou eu" se encaixava perfeitamente naquela situação.

-Claro que sim. -respondi em um tom amigável. -Eu já havia entrado em contato, não ficou sabendo?

-Não...desde que você sumiu, a alguns dias atrás, eu não tenho sido convocado para muitas coisas.

-Sendo sincera, prefiro assim. Não por achar que você não tenha jeito para isso, mas...seu coração é puro demais para esse mundo, Teddy. Mantenho minha orientação de que deveria sair enquanto ainda há tempo, você não foi completamente contaminado.

-Fala assim como se todos fossem horríveis. Olhe só para você, Hermione. É uma das melhores pessoas que já conheci.

A risada leve escapou de minha boca, sem conseguir evitar o sorriso carinhoso em meus lábios. Poderia dizer que aquele era o tipo de comentário que conseguia deixar-me lisonjeada, incrédula e resignada, tudo ao mesmo tempo. Aquilo só comprovava o quanto ele não estava destinado à toda a sujeira que era meu tipo de vida.

-Quem me dera, Teddy. Quem me dera.-sorri, sincera. -Você é o único ser humano que ainda mantém esse pensamento sobre mim.-apertei meus olhos, sussurrando sarcasticamente as próximas palavras. -Mesmo que seja uma mentira.

-Tão fria quanto o inverno. -zombou.

-Preciso que arrume um encontro para mim.-mudei de assunto bruscamente. Não queria que aquela brincadeira evoluísse para assuntos mais profundos sobre minha personalidade e meus sentimentos. Continuei, assumindo minha postura séria e focada de uma chefe. -Negócios.

-Com quem?

-Aquela pessoa. Estamos preparados para dar um passo a frente. Fazem meses que pretendo dá-lo, tenho o contato e não irei perder mais tempo algum.

-Sim, senhora. -bom, às vezes ele encarnava muito em seu papel.

-Estarei lhe passando o endereço e é de extrema importância que saiba: é confidencial. Completamente.

-Pode deixar comigo.

-Ah, Teddy, querido. Transmita um pequeno recado ao meu tio?
Diga à Travis que eu mandei notícias e que em pouco tempo estarei voltando. Isso é o suficiente para que ele lembre-se do próprio lugar.

-Será um prazer. -senti que ele dizia com um sorriso no rosto. Teddy o detestava tanto quanto eu. Um misógeno que insistia sempre em expressar sua opinião não requisitada sobre "meu despreparo e fragilidade" para comandar os negócios da família. Ou "isso é um cargo para um macho". Poupe-me.

Precisava admitir que um certo pedaço do meu esforço em crescermos no ramo, era esfregar em seu rosto nada agradável o quanto eu era capaz e que papai via isso em mim, pois do contrário não teria deixado a liderança em minhas mãos após sua morte.

-Então está feito. E, Teddy?

-Hm.

-Se cuide, ok? Não deixe que pisem em você. -ele suspirou, mas respondeu simpaticamente.

-Ok.

Encerrei a ligação e encarei a foto, passando o dedo pelo rosto do homem sorridente nela.

-É isso, papai. Essa noite cresceremos.

*****

Draco Malfoy

Terminei de abotoar o último botão da camisa e encarei-me no espelho. Sport fino não era um estilo específico de roupa que eu costumava usar em meu dia a dia, mas definitivamente era algo que combinava em ocasiões como aquela.

A peça era azul-marinho, destacando meus olhos e a calça escura, como quase tudo o que havia em meu vestuário. As mangas dobradas deixavam expostas os antebraços que eu pretendia fechar com desenhos em um futuro breve.

Era dia de fechar um importante trato para Lucius, que me encarregara de encontrar o cliente para fazê-lo. Poderia dizer que aquela parte era algo que até me agradava. Nada envolvendo mortes, sangue. Apenas algumas doses de whisky e um firme aperto de mão.

Borrifei um pouco do perfume sobre a cômoda e saí do quarto, fechando-o à chave, preparando-me para sair.

Vasculhava o aplicativo de mensagens, distraído, e provavelmente fora por isso que não fui capaz de perceber que não estava sozinho, antes de esbarrar em algo macio e pequeno.

Tropecei levemente, meu celular voando a poucos centímetros pelo susto, mas logo sendo pego de volta por minhas mãos, a tempo de equilibrar-me.

Ouvi um baque surdo e quando me recuperei o suficiente para checar o que acontecera, meu coração voltando a bater normalmente aos poucos, serviu apenas para que ficasse ainda mais chocado.

Automaticamente, minha mão voou por instinto até o cabo do revólver no coldre sob o cós da calça, ao ver uma mulher de longos cabelos ondulados e acaju gemer baixinho, desorientada e jogada ao chão. Por um fio, quase saquei a arma, mas a estranha logo levantou a cabeça, mostrando-me que não era tão desconhecida quanto eu pensava.
Sua expressão, ao me ver, transformou-se quase que imediatamente de surpresa para impassibilidade, seu rosto de traços delicados tornando-se inflexível.

Estendi a mão em sua direção, escondendo como ainda me sentia assustado pelo encontrão, e a mulher aceitou-a parecendo à contra-gosto. Quando pôs-se de pé, sacudiu em um movimento pequeno os longos cabelos jogados para o lado, erguendo o queixo naquela postura orgulhosa e suspirando. Seus dedos alisaram o tecido da roupa, recompondo-se antes de sua voz soar, naquele tom irônico e entretido.

-Devia olhar por onde anda, Bad Boy. -seus olhos âmbar estreitaram-se, me encarando, os lábios pintados de vermelho intenso curvando-se de lado.

-Hermione? -questionei, pensando alto aquela pergunta mais que idiota.

Os cabelos acaju eram uma peruca tão natural, que eu pensaria serem reais, se não a conhecesse. Parecia apenas uma forma de comprovar o quanto ela ficaria linda de qualquer forma. A cor de seu batom aparentava ter sido feita sob medida para seu sorriso cheio de ironia, assim como o delineado puxado que destacava o formato de seus olhos.

Hermione claramente estava centímetros mais alta pelos saltos pretos em seus pés e o vestido vermelho sangue que modelava perfeitamente seu corpo, tinha um decote que deixava à mostra a tatuagem que eu não conhecia, uma flor de lótus entre seus seios que...

Puta que pariu. Ela estava, ela só...uau.

Não havia descrição que chegasse aos pés de Hermione Granger.

-Não, querido, o Papai Noel. Mas acho que você foi um garoto muito mau para ganhar presentes este ano.

Rolei os olhos, quase deixando-os abandonarem as órbitas. Por um momento havia esquecido do seu humor tão ácido quanto o meu.

Granger olhou-me de cima abaixo, voltando a encarar-me, cruzando os braços.

-Também está de saída? -percebi que uma de suas mãos pressionava levemente a área machucada de sua barriga, como se para proteger o local que muito provavelmente doía.

Doía e ela estava disposta a usar algo que não devia ser confortável nos pés. Até mesmo nas pequenas atitudes, Hermione tinha uma forma de mostrar a sua personalidade forte.

-Sim. Preciso resolver algo no Hilton Tucson East. -ergui a sobrancelha. -Creio que você também não ficará por aqui essa noite, não?

-Não. -disse, impassível. -Por coincidência, é o mesmo local para onde eu estava indo, antes de você me derrubar. -completou, obviamente acompanhada de seu típico sorriso doce e angelical.
-Vou chamar um motorista pelo aplicativo.

-Está brincando, não é?-perguntei, na intenção de que a pergunta fosse retórica, mas a vi de cenho franzido, sinalizando que não havia entendido.
-Se o lugar para onde vamos é coincidentemente o mesmo, Granger, por que raios eu não lhe daria uma carona?

Hermione pareceu considerar por alguns segundos, mas logo suspirou de uma forma teatralmente resignada.

-Tudo bem. -respondeu, já contornando-me para ter acesso à escada. Ao descer o primeiro degrau, ela virou parcialmente para trás, deixando-me ver pouco mais que o perfil do seu rosto e é claro, o entretenimento ácido em sua expressão.
-Só tente não escutar nada tão cafona no rádio que me cause enjoos.

Balancei a cabeça, humoradamente rendido. Não havia como escapar de suas pequenas gotas de sarcasmo, fossem leves ou pesadas. O jeito era deixar-me embalar.

Entramos no carro e pelos próximos minutos, permanecemos em silêncio. Granger abriu parcialmente o vidro de seu lado, mas não o suficiente para impedir-me de ver o reflexo de seu rosto através do mesmo, já que não olhava em minha direção.

Sentindo-me levemente desconfortável com aquela situação, mas sem querer demonstrar, resolvi ligar o rádio, mas rapidamente percebi que não fora uma boa ideia quando uma música aleatória de meu pen-drive soou.

Hermione, que agora encarava o trânsito através do para-brisa, comprimiu os lábios, claramente tentando não rir.

-Que foi?-perguntei em um tom leve, o que somente serviu para que a mulher caísse na gargalhada, o que tornou impossível que eu contesse uma risadinha que buscava escapar insistentemente. Sua risada era...sonora. Algo gostoso de se ouvir, que parecia penetrar sob a pele e ecoar na alma, levando alegria para onde não tinha. Era a primeira realmente sincera que ouvia de sua boca e aquele gesto involuntário deixou-me surpreso positivamente, eu diria.

-Fala...sério...-ela começou a explicar-se, tentando recuperar o fôlego, piscando para que a umidade de seus olhos não borrasse a maquiagem tão bem feita. -Eu esperava, no mínimo, de acordo com toda essa sua posse de mau, um heavy metal, ou algo semelhante.

Sorri de lado, sinceramente.

-Ah, qual é!-falei, genuinamente entretido. -U Break My Heart é um hino!

Ela riu ainda mais, alargando o meu próprio sorriso.

-É meloso, isso sim!

-Não, para! É real, olha só essa letra.

-Me poupe, Malfoy!-disse entre as risadas e eu estava tão envolvido no clima descontraído que se formara, sentindo-me tão leve, que me vi cantando trechinhos da música, apenas para perdurar aquele momento ao fazê-la rir ainda mais.

- Un-break my heart, say you'll love me again...

-Eu não acredito que você vai mesmo fazer isso. -Hermione disse baixinho, pinçando a ponte do nariz com os dedos indicador e médio, tentando esconder o enorme sorriso em seus lábios vermelhos.

-Vou sim. -falei, balançando a cabeça fervorosamente. - Un-cry these tears, i cried so many nights
Un-break my heart...- pousei a mão em meu peito, franzindo os cenhos e cerrando os dentes ao cantar aquele trecho, em uma representação ridiculamente péssima. -My heart...

-Não...para...pelo amor dos Deuses...-respirou ofegante, dizendo entre as risadas.

- Don't leave me in all this pain
Don't leave me out in the rain
Bring back the nights when I held you beside me!!! -praticamente gritei, apertando os olhos de forma momentânea e abrindo o braço livre do volante em uma atuação esdrúxula, mantendo a voz esganiçada e desafinada propositalmente.

Ela soltou uma risada aguda e de repente, me vi rindo junto a ela.
Sabia que deveria manter distância, não me envolver, mas eu precisava daquele momento à parte. Nem ao menos pensava em outras coisas enquanto estávamos nos divertindo juntos.

Quando a música acabou, Hermione cessando as risadas, deu um tapa brincalhão e consideravelmente forte no dorso de minha mão, quando a estendi para buscar outra canção entre as mais variadas do aparelho de som.

-De jeito nenhum! Se você colocar mais uma balada melosa, eu vou pular desse carro em movimento. -E então, seus dedos passaram a clicar o botão repetidamente, entre caras e bocas de leve aprovação ou desgosto, até achar algo que a agradasse.

Os primeiros acordes de She's Only 18 dominaram o interior da Princesa e ao olhar de esguelha, flagrei Hermione Granger fitando a janela, mas seu pescoço se mexia no ritmo da música.

Em poucas frases, pude ouvi-la começar a acompanhar a letra, sussurando-a entre seus lábios, parecendo tentar conter-se, mas sem muito sucesso, já que se agitava a medida que a canção tornava-se mais marcante.

Batuquei os dedos contra a direção e capturei seus olhos observando-me, estreitos e curiosos.

Sua voz aumentou gradativamente, assim como a minha e em pouco tempo, estávamos cantando animadamente, balançando a cabeça, ela fingindo tocar a guitarra e eu, a bateria.
O que Red Hot Chilli Peppers era perto de nós? Anthony Kiedis que lutasse, chorando de preferência.

E foi nesse clima suave e alegre que nos mantivemos, até que a fachada luxuosa do hotel  emergisse em nossa frente, ricamente iluminada.

Ao estacionar meu camaro preto, foi como em um passe de mágica que Hermione pigarreou, suas feições tornando-se sérias, assumindo uma postura impassível. Através de mim, ela observou o Hilton Tucson East, antes de buscar em sua pequena bolsa o material para retocar sua maquiagem rapidamente, aplicando tudo de forma calma, porém objetiva. A observei contornar os lábios com mais do bato vermelho sangue, tirando alguns instantes para admirá-la e então, com um suspiro, Hermione voltou seu corpo de postura reta em minha direção.

-Enquanto estivermos lá dentro, finja que não me conhece. Eu disse à pessoa que viria sozinha.

Ergui a sobrancelha.

-Você também fica com a parte de negociar para seu chefe? -perguntei, estreitando meus olhos.

-Querido,- Granger fitou-me profunda e intensamente, seus lábios descolando-se um do outro de forma lenta e calculada, antes de responder-me, com aquele seu sorrisinho de lado. -Eu sou a porra da chefona.

E então, após dizer as palavras de forma tão clara e imponente, Hermione saiu do carro antes que eu pudesse dar-lhe qualquer resposta que fosse, contornando o carro enquanto eu a acompanhava com o olhar.

Aquela mulher ainda me mataria. Era sobre isso.


Notas Finais


Hermione Granger é o próprio poder, né babes?! 😎😏👄❤

O que será que vai rolar???👀👀👀

Um beijo,
Isa💚


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