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História Blue: O refúgio de mentes - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O ritual de um demônio inquieto


   06:24/23/04/2020 - Terça Feira
   No instante em que as viaturas estacionaram no jardim do domicílio, Ally desceu do veículo no impulso, quase que correndo para a porta de entrada arreganhada. Preferiu averiguar o ambiente interno e seguidamente, o externo. Ela quer associar quaisquer detalhes ao processo violento que a vítima exposta em algum lugar da casa obteve antes de se tornar oficialmente um cadáver. O jogo de cena estava prestes a começar.
   Passando pela entrada, Ally já notou o crime na sala de estar. O extenso sofá de veludo branco estava coberto por uma poça de sangue, que escorria até pingar ao chão de madeira de acácia. Isto é normal se comparado ao corpo esticado sobre o assento. Uma jovem pelos seus 22 anos, cabelos loiros e estatura média. O rosto é de espanto, provavelmente sentira pavor até a morte.
   Ally tentou ignorar ao máximo a cena e esquivou- se para o corredor iluminado de passagens, adentrando o primeiro cômodo a sua direita. Um estreito banheiro com os azulejos em tons de cinza.O piso na área interna do box e a janela alta estavam molhados, portanto o chuveiro pingava consideráveis quantidades de gotas por segundo.
   A investigadora saiu do lavabo e caminhou lentamente ao quarto, este que é simples e composto de apenas três móveis; uma cama de solteiro com os lençóis cor -de -rosa organizados, uma cômoda branca ao lado e, uma televisão pendurada no suporte a parede.       Ally vasculhou as gavetas da cômoda, vendo roupas de cores quentes e peças íntimas pretas. Sobre a cômoda havia três quadrinhos de uma família de quatro pessoas, em todas elas a jovem possuía as vestimentas totalmente brancas.

- Pobre garota, escolheu uma carreira heroína. No fim, terminou de um jeito trágico. - A investigadora dedilhou um dos porta retratos, sem sujar as mãos por conta de não haver poeira. - Lamento, senhores parentes...

   Ally odeia pensar nos familiares das vítimas que estuda. Quando recebem a notícia, alguns caem de joelhos aos prantos e outros paralisam, incrédulos. Por tal razão, se belisca ao pensar neles. A dor é estrondosa e interminável. Principalmente aos progenitores.
   Desviou o olhar para o corredor e andou até uma espécime de arco, a última passagem da casa. Os armários seguiam o mesmo padrão de cor do quarto: madeira branca e sem muita textura. Estavam limpos, sem louças ou outras bagunças. Se sobressaltou repentinamente ao ver o agente Morris agachado em frente à lixeira baixinha, bem ao canto.
- Mas que porra, Nathan! - Ela apertou as mãos no peito esquerdo - Até desabotoei o bolso do canivete! Não ia analisar a área externa?!

- Assustei você, docinho? - Virou- se até ambos olhares se encontrarem, com o sorriso sarcástico na face - Não é minha culpa, as evidências me fizeram olhar todos as lixeiras da casa.

- E quais são essas evidências, Morris? Vindo de você, até uma pena de galinha pode ser considerada uma pista. - Ela aproxima -se tentando ver o que ele segurava nas mãos.

- E não pode? Olhe - Ele estica o braço ao ar, quase atingindo a investigadora com um saquinho de camisinha - Encontrei um papelzinho no gramado, que se encaixa com o resto desta embalagem de proteção a qual acabei de encontrar. Ou seja, esse minúsculo pedaço de papel não era de tempero de miojo, afinal.

- Bendita seja essa sua mente, agente. Então, meu instinto de que o culpado é um maníaco maluco que foi rejeitado não é tão imprecisa, não é? - Ally riu soprado, devolvendo o sarcasmo que reinava em Morris.
   Está na hora - o subconsciente de Ally a alertava. Necessitava ir ao cômodo onde uma história de dar arrepios aconteceu. Onde uma jovem, anteriormente com o futuro planejado brilhando, faleceu nas mãos frias e agressivas de um homem diabólico. Até quando o mesmo conto de terror se repetirá? Uma mulher inocente, enganada e confiante no homem, cai em um profundo poço de verdades por trás dele.
   Como um super poder, apenas seus passos ficaram audíveis para si. O pequeno salto da bota de couro falso ecoando contra o chão. Apenas quando voltou- se a sala de estar, os ouvidos pareceram normalizar.
   Rosie, a perita responsável pelo exame perinecroscópico e por fotografias forenses, averiguava as lesões visíveis e estudava absolutamente tudo ao perímetro. Tais informações que contribuem a futura autópsia.

- A região íntima e virilha estão intactas? - Ally perguntou, aproximando- se do assento.

- Tenho certeza que não, é a uma das principais vertentes. Perdendo apenas para as aberturas de faca próximas ao coração, mais especificamente no peito esquerdo. - A perita apontava para as feridas graves enquanto explicava.

   Da varanda, as agentes da sala ouviram passos altos de salto. Victoria, a datiloscopista - especialista em digitais latentes - entrou, calçando luvas brancas como as de Rosie. Entrando na moradia, ela iniciou um diálogo:
- Desculpe o atraso, detetives. Eu não esperava ter que acordar cedo hoje para ver defunto.

- Chegou na hora certa, Victoria. As fotografias, a coleta e a análise de movimentos parecem prontas. - Ally observava o local com os braços cruzados.

   Após a análise e coleta da especialista, encaminharam o corpo da vítima para o médico legista. Alguns dos peritos se mantiveram na casa por mais uma hora, logo, dirigiram à delegacia, onde todos estavam apreensivos e desesperados por xícaras de café.
   A equipe B5, pertencente à Rosie e Ally, da cidade de Fairway - nome dado devido a muitos campos de golf - se preparava para uma reunião de junção de fatos. A mesa circular extensa agrupava pelo menos 12 pessoas, enquanto uma articulava no pequeno banco próximo as lousas da parede traseira.
   A perita criminal da manipulação de movimentos, Ally, teria de apresentar sua teoria após descobrir as informações primárias da garota, função de Matthew Griffin, o médico legista e Victoria, trabalhadora associada a coleta de digitais anteriormente citada.
   A sala, se descrita, é pequena e possui apenas uma passagem para chegar ao falatório: atrás da cadeiras que ficam de costas para a porta. Isto por que a mesa cinza a ocupa quase 90 por cento. A parede é composta de tijolos brancos e o chão, porcelanato preto.
   Não demorou muito para Matthew comparecer com arquivos em mãos. Enquanto ele caminhava à "parede do raciocínio", acariciou as madeixas curtas e encaracoladas de Rosie, que lhe respondeu sorrindo pouco e ladino.
- Está cada vez mais atraente, pesquisadora Rosie Collins. - Elogiou-a e prosseguiu o percurso.
    - Bem, vou lhes apresentar o que conquistei com os meus diagnósticos. - Prosseguiu Griffin e suspirou profundamente. - Bárbara MustFhord, uma jovem de 23 anos, foi gravemente violentada também nas regiões íntimas, mas sem penetração comum; não há resquícios. Como as análises primárias de Collins, a principal fonte de derramamento de sangue acha -se nas duas perfurações no peito esquerdo, quase que atravessaram as costas. Ela faleceu no primeiro golpe do objeto pontiagudo, cerca de 4 horas e 23 minutos atrás.

   Rosie lhe entregou uma pasta transparente de fotos impressas, as quais ele mostrou aos peritos sentados à mesa; o ferimento do coração, lesões nas pernas e os locais de abuso. "Homens são terríveis quando se trata de rejeição" - disse ele com a voz mais grossa do que o normal, enojado de seu próprio gênero.
   Vendo o médico se retirar, Ally ofereceu seu lugar e reivindicou posse da lousa.
- Rebobinando o tempo, o criminoso foi convidado. Não há indícios de arrombamento ou vidros quebrados. Ela permitiu o acesso. Sabe quando preferimos dormir na sala? Para ver televisão até adormecer? - A investigadora viu todos concordarem com a cabeça. - Este foi o caso desta madrugada, senhores.
    - Porém, Bárbara não tinha o objetivo de se "aventurar" naquela noite, assim digamos. - Prosseguiu - Provavelmente nem sabia que o homem sentia tal atração por ela. Foi na madrugada que ele abriu uma camisinha e tentou toca-la. Vendo o desprezo e nojo dela, se descontrolou. Presumo que a arma usada seja uma faca afiada de cortar carnes.

- Por maldita prevenção de ser facilmente encontrado, ele calçou luvas. - Acrescentou Collins, olhando para os outros - Por muita observação de sorte, achei um minúsculo fio de tricot.

- Daqui a algumas horas, a TI Yuri nos mandará o que encontrou nos tecnológicos de MustFhord. - Afirmou Victoria que acabara de entrar na sala.

- Ótimo, fico encarregado de mostrar a autópsia aos parentes. - Matthew retirou -se, se jogando de cabeça na investigação.

   Todos decidiram fazer alguma coisa para acelerar o processo neste momento. Rosie decidiu criar perfis que talvez se encaixem com a personalidade intrusiva e instável do homem. O ódio a contaminou ao ver a inocente jovem largada como um objeto no sofá. Quantas vezes não presenciou e presenciará uma cena como essa? Com crianças, mães e pais... Sem exceção. Sacudiu a cabeça e desviou as memórias. Quais são os motivos desses demônios inquietos?


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