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História Blue, Red and Some Drama - Capítulo 2


Escrita por: hoshikkj

Notas do Autor


MAIS UM CAPITULO SAINDO MEIA NOITE PQ EU NAO CONSIGO ESPERAR SOU ANSIOSA
Gente, eu nao sei se todo mundo viu o jornal que saiu esses dias, mas eu coloquei o link errado no capitulo anterior, mas ja mudei ok? Eu burrissima coloquei a minha playlist pessoal, mas agr ta la tudo certinho. o nome da playlist é o mesmo que o nome da fic.
Talvez eu crie uma playlist no youtube tbm, pra quem não tem spotify! Coloco o link (certo de preferencia) no proximo capitulo
Espero que gostem!! E, se puderem, comentem oq estao achando <3

Capítulo 2 - See you Wednesday


Assim que passou do portão de casa, Kei quase trombou com Tadashi, que lhe lançou um olhar desgostoso e voltou a caminhar, carregando sua guitarra nas costas. Ambos estavam atrasados.

Yamaguchi estava comparecendo a todas as aulas desde o último encontro infeliz que tiveram no estúdio. Agora, Tsukishima às vezes sentia os olhos do moreno em sua nuca enquanto caminhava até a estação (Tadashi tinha uma péssima mania de sempre estar atrasado). Geralmente, escolhiam vagões diferentes, apenas para evitar se encarar por mais tempo do que o necessário, mas, às vezes, quando entravam no mesmo vagão, Kei percebia que o rapaz estava sempre anotando coisas em folhas de caderno.

Naquela manhã, Yamaguchi, mais uma vez, comprou uma lata de café preto na máquina de bebidas da loja de conveniência. Ele bebia bastante café para um estudante do ensino médio (uma quantidade quase preocupante, Tsukishima diria).

Assim que colocou os pés na sala de aula, sentiu um tapa forte em suas costas. Kageyama provavelmente queria morrer hoje.

— Eu vou quebrar todos os dedos da sua mão se você continuar com essa mania, sua praga.

— Mal posso esperar — ele diz, já se sentando. — Então, já recebeu o e-mail do UnderDogs?

Tsukishima grunhiu.

— Ainda não.

As inscrições para a mostra de bandas independentes tinha acabado no fim de semana e hoje, uma quarta-feira, Tsukishima esperava por um e-mail, telefonema, sinal de fumaça, qualquer coisa do clube para confirmar que a marcação de palco seria naquele sábado, mas até agora, nada. Ele começava a ficar ansioso, mas Sugawara, o tecladista (e o pé no saco oficial de sua banda), o assegurou que mais informações chegariam a qualquer momento porque "a boate era séria e ele nunca teve problemas com os organizadores". O vocalista continuava estressado.

— Por que você está tão interessado nessa mostra? Você não costuma ficar assim, Tsukishima — Sugawara dissera, na última reunião da banda.

— Eu não tô interessado — ele respondeu, cruzando os braços. — É que eu quero tocar nossa música nova.

— Oh. Claro.

Tsukishima franziu a testa.

— O que esse "oh" quer dizer? Você não gostou da música?

— Eu gostei! Quer dizer, a melodia é incrível e a letra… interessante, para dizer o mínimo — Koushi diz, apressado. — Só é… diferente do que a gente costuma tocar.

O loiro não podia negar que sua inspiração para a letra de “Choke” foi um pouco diferente do que costumava escrever. Suas músicas geralmente falavam sobre alguma coisa ligada com amor: uma nova paixão, um sentimento não correspondido, uma confissão ou até uma traição. Se ele já tinha vivenciado qualquer uma dessas coisas? Obviamente, não. Tsukishima Kei era um garoto gay e a única pessoa que sabia era Kageyama Tobio, portanto, tinha um total de zero chances de arrumar um namorado mesmo se quisesse (mas, na verdade, ele nem mesmo queria). Amor demandava tempo, paciência e saúde mental, e ele não tinha nenhuma das três.

Voltando à música, a diferença, dessa vez, é que a melodia não parecia combinar com um tema sentimental. Enquanto assistia um filme de terror (bom, não era exatamente de terror, mas ver um homem tendo os olhos comidos por corvos não se encaixa exatamente em comédia), Kei pensou que poderia escrever algo sobre ódio, sair um pouco de sua adocicada zona de conforto. Só isso. Ele queria ter alguma história interessante ou mesmo um motivo especial para ter escrito aquela música, mas ele só teve a ideia depois de um filme. 

Quando Kei deu por si, já era hora do almoço e ele não tinha tirado o rosto do seu caderno de composições. Droga, o garoto pensou, vou ter que copiar as anotações porcas do Kageyama. Como se ouvisse seus pensamentos, Tobio se vira, encarando o loiro.

— Ah, é. Eu ia te perguntar isso no ensaio, mas acabei esquecendo. Você não costuma escrever músicas assim… é pra alguém?

Tsukishima deu uma risadinha irônica.

— Sim. Pra você.

Kageyama fez uma careta enojada.

— Mas que… Tsukishima você acha mesmo que eu deixaria que você me estrangulasse até a morte? Olha o tamanho dos meus bíceps!

— Eu não quero olhar seus bíceps, Kageyama, muito obrigado — ele diz, abrindo sua marmita.

— Não, estou falando sério! — Tobio diz, arregaçando as mangas. — Eu tenho bíceps bem grandes por causa da bateria e...

Antes que Tsukishima pudesse mandar o amigo para o raio que o parta, a representante de classe, Yoshida Nagisa, se levantou e foi até a frente da sala, pedindo atenção por um momento.

— Desculpa por tomar o tempo do almoço, vou ser bem rápida — ela diz, um pouco nervosa. — Bom, como vocês já sabem teremos uma feira na escola e cada classe ficará com um tipo de atração. Os representantes fizeram um sorteio e nossa sala fará um musical.

Assim que a garota terminou a frase, a sala toda começou com sua sessão de reclamações. Kei meio que entendia a frustração. Participar de um musical? Um musical de ensino médio? E apresentar para outros adolescentes? Provavelmente o inferno na Terra.

— Eu sei, eu sei — ela diz, tentando acalmar os ânimos. — Mas foi um sorteio limpo, então não há nada que possamos fazer. O clube de teatro se disponibilizou a nos ajudar, então tudo que precisamos é escolher o elenco, por isso, faremos algumas audições na quarta que vem depois das aulas. Eu sei que algumas pessoas podem achar vergonhoso, mas é nosso último ano, então… tentem fazer uma força.

Durante todo o final do discurso, Yoshida intercalava entre encarar Tsukishima e Yamaguchi. Ela era uma das únicas pessoas da escola que sabia da banda dos dois. Não é como se eles escondessem esse fato, na verdade, ambos já até colocaram cartazes de festivais que participaram nos corredores, mas como a maioria dos alunos não podiam frequentar livremente uma boate às onze da noite, era um pouco difícil lembrar que dois dos melhores alunos da Karasuno tinham bandas de rock.

Kei evitou olhar para a representante, pensando que assim, talvez, ele ficasse invisível aos seus olhos, mas isso era quase que impossível, já que (para sua sorte grande) Nagisa também tinha uma pequena queda por ele.

— E então, grande galanteador? — Kageyama diz, se virando para continuar infernizando a vida de Kei. — Vai tentar o papel de protagonista?

— Sim, e você pode fazer o papel amigo estúpido e insuportável do protagonista, já que é isso que você já faz normalmente.

Tsukishima olhou discretamente para Yamaguchi, que sentava exatamente do outro lado da sala, e o moreno estava tentando aplicar a mesma técnica de não olhar o inimigo nos olhos, fingindo conversar algo extremamente importante com Hinata Shouyou, o guitarrista de sua banda e namorado imaginário de Tobio.

 

Pare, solte

E me arraste para o lugar

E tranque as saídas de incêndio

Vou quebrar seu lindo rosto

Yamaguchi encarava a banda de Tsukishima com um quê de surpresa. Aquela não era exatamente uma letra que o loiro escreveria. Apesar de ser um monstro sem coração, suas músicas sempre eram cheias de sentimentos e situações que envolviam amor (pfft! como se ele já tivesse entrado em algum relacionamento), mas aquela era apenas desprezo em forma sonora. Estava boa pra caramba, na verdade.

Tadashi odiava admitir aquilo em voz alta (por isso, só dizia em seus pensamentos) mas Tsukishima Kei escreve músicas muito boas. O Electric Blue todo é muito bom, ele pensou.

A banda do loiro era composta por cinco integrantes. O quatro-olhos, previamente apresentado, que era vocalista e o líder. Sugawara Koushi, tecladista, sub-vocal e, basicamente, o único ali que tinha culhões para enfrentar a fera de um metro e noventa e cinco, portanto, considerado por Yamaguchi, o vice-líder. Kageyama Tobio era o baterista e novo melhor amigo de Kei, que tinha uma paixão (nada) secreta por Hinata (todos sabiam, menos o Hinata propriamente dito). Depois, Asahi Azumane, também previamente apresentado, o baixista calmo e um pouco exasperado que parecia ter um pouco de medo de Nishinoya (Tanaka tinha a teoria que, na verdade, Asahi tinha uma queda por ele). O que nos leva à Nishinoya Yuu, o guitarrista de pouco mais de um metro e meio que tinha a mesma energia que três gambás usando um sobretudo (Yachi tinha feito essa descrição) mas era, na verdade, um cara bem legal.

Agora, cale essa sua boca suja

Se eu pudesse queimar essa cidade,

Eu não hesitaria

Em sorrir enquanto você se sufoca e morre

E isso seria ótimo

E que momento adorável, que isso certamente seria

Então morda a sua língua

E se sufoque até dormir

Tsukishima tinha uma mania estranha de cantar com os olhos fechados e as sobrancelhas franzidas. Seus cílios eram irritantemente longos. Os holofotes da boate miravam nele, fazendo sua pele branca como papel brilhar uma luz azulada. Yamaguchi sempre achou engraçado, desde o fundamental, o jeito que o cabelo de Kei ondulava de forma rebelde em sua cabeça, principalmente agora, que estava comprido demais. O loiro tinha uma péssima mania de ficar perto demais do microfone, às vezes, até roçando os lábios na parte de metal e deixando os lábios avermelhados.

Yamaguchi esperava na platéia junto com o resto da banda enquanto os ensaios aconteciam. Ele não podia imaginar um sábado pior do que ficar encarando Tsukishima Kei cantando enquanto um fio de suor escorria de sua testa até seu pescoço. Ele só queria ensaiar logo e ir embora, mas, para o seu azar, o RedVoid era um dos últimos na marcação.

— Ei, você tá bem?

O moreno foi tirado de seus pensamentos por Hinata, que o encarava com certa curiosidade.

— Quê? Eu tô bem, por quê?

— Você está encarando eles com a mesma cara que você faz quando não tem café preto nem cappuccino na máquina de bebidas lá do estúdio — ele diz, franzindo o cenho e fazendo um bico com os lábios, tentando imitar a expressão de Yamaguchi.

— Estou? — Tadashi diz, cruzando os braços. — Bom, acho que estou irritado porque prefiro furar meus ouvidos do que ouvir aquele loiro magrelo cantando.

Yachi entrou na conversa e encarou os dois, com uma expressão divertida.

— Ótima tentativa, Yams, mas, na verdade, Hinata, ele está bravo porque achou a música boa e estaria enchendo de elogios se não fosse o ex-namoradinho dele que estivesse cantando.

— Eu juro por Deus que se você chamar ele assim de novo…

— Quieto, Yamaguchi, se comporte — ela diz, como uma ordem e o moreno, por um momento, obedece. E, então, franze a testa.

— Por que raios eu estou te obedecendo? Eu não sou um cachorro, Hitoka.

— Parece muito com um. Aqueles que latem mas não mordem.

Antes que o moreno pudesse se defender, Tanaka aparece, com uma expressão abobalhada.

— Pedi pra Kiyoko adiantar nosso ensaio e ela disse que somos os próximos, mas primeiro, faremos uma pausa para o almoço.

Shimizu Kiyoko era a grande paixão de Tanaka desde, basicamente, a era dos dinossauros. Agora, ela trabalhava no UnderDogs, ajudando com alguns eventos. Ele tentou namorá-la durante todo o ensino médio, mas sem sucesso (já era de se esperar, considerando o péssimo comportamento de Ryuu naquela época), agora, ele a cortejava com flores e pequenos presentes. Yamaguchi não sabia se estava funcionando, mas na última semana eles haviam tido um encontro, então, não era exatamente um caso perdido.

 

Tsukishima não sabia como tinha acontecido, mas quando percebeu, estava sentado no chão, ao lado de Yamaguchi Tadashi, enquanto o restante de seus amigos conversavam animadamente.

Bom, não era estranho, considerando que todos ali já estudaram na mesma escola e até foram colegas de classe. Nishinoya e Tanaka eram os mais barulhentos. Os dois viraram amigos no ensino médio e, ainda hoje, saíam para fazer seja lá o que aqueles dois malucos gostavam de fazer. Sugawara parecia estar tirando sarro de Asahi, que parecia envergonhado. Yachi, Hinata e Kageyama também conversavam sobre algo, mas Tobio parecia nervoso demais e começou uma pequena discussão com o ruivo (o amigo de Kei tinha um certo problema em externalizar suas emoções, assim como ele próprio).

E, claro, tinha Yamaguchi e Tsukishima. Os garotos estavam sentados um do lado do outro, separados por, pelo menos, dez centímetros. Ambos comiam as marmitas que Asahi e Tanaka haviam comprado na loja de conveniência do outro lado da rua, em completo silêncio.

Em momentos como esse, Kei imaginava o que teria acontecido se as coisas tivessem sido diferentes.

— Então, você finalmente saiu da sua era romântica, Tsukishima? — Yamaguchi diz, com um tom irônico, tirando o loiro de seus pensamentos. — O que aconteceu? Uma garota te deu um fora e agora está desacreditado?

Eu nem gosto de garotas, idiota, ele pensou, mas manteu a boca fechada. Ao invés disso, ele deu uma risada.

— Bom, pense o que quiser. Mas não se preocupe, voltarei a escrever as músicas românticas que você tanto odeia.

— Prefiro que arranque minhas orelhas, mas obrigado — ele murmura.

Tsukishima sentiu o estômago doer. Ele não ligava que Tadashi fizesse piadas com ele, ambos estavam acostumados com aquele ódio gratuito e mútuo, mas sua música era diferente. De vez em quando, o loiro pensava nas palavras que o pai lhe dirigia desde de muito novo: "se for para fracassar, não precisa nem tentar". Às vezes, ele ainda pensava sobre aquilo, apesar de ser bem dolorido. Kei não era competitivo, mas, quando se tratava de sua banda, ele iria até o fim.

— O que foi, Tsukishima? Eu machuquei seus sentimentos? — Yamaguchi diz, fazendo biquinho.

— Uau, você está melhorando sua atuação — o outro comenta. — Quase acreditei que você estava mesmo preocupado.

— Eu andei treinando, obrigado por reconhecer meus esforços.

— Ah, sim, você deve estar treinando para o musical da feira, não é? — Tsukishima provoca. —  Os testes são semana que vem, você deveria estar treinando.

— Você acha? Acho que musicais não são pra mim, mas acho que você se daria bem, não é? Você já canta músicas melodramáticas mesmo — Yamaguchi rebate, levantando uma sobrancelha.

— Bom, não fui eu que fiquei obcecado com Grease e Mamma Mia durante todo o ensino fundamental — o loiro diz, cruzando os braços.

— Você fala como se não assistisse esses filmes todos os finais de semana comigo — o outro rebate, também cruzando os braços.

Ambos se calaram, voltando a um silêncio constrangedor. Eles não costumavam falar sobre a época em que ainda não se odiavam, era como um daqueles assuntos que todos fingiam não saber para evitar um momento desconfortável. Um momento como aquele.

Yamaguchi voltou a comer e Tsukishima aproveitou para encarar o cabelo do moreno. Os fios castanhos estavam compridos, na altura do ombro, metade preso num pequeno rabo, deixando a orelha adornada de vários piercings à mostra (ele deixava o cabelo solto na escola, para escondê-los já que era proibido ter piercings). Como o clima nos últimos dias estava quente, as sardas do garoto estavam bem aparentes, salpicando todo o seu rosto. As roupas de Tadashi tinham mudado bastante desde o fundamental. As camisetas de desenho animado deram lugar a camisetas pretas de bandas, combinadas com calças e jaquetas escuras, decoradas com spikes e peças de metal.

Era quase outra pessoa.

Enquanto observava, Yamaguchi pegou um onigiri, mas acabou se atrapalhando e seu rosto ficou coberto de arroz, assim como suas calças e Tsukishima teve que se segurar para não demonstrar nenhuma emoção.

Ele continuava o mesmo.

— Se eu tentasse mesmo esse teste, — Tadashi começou, do nada, — eu com certeza pegaria o papel principal.

— Sim, claro. E o Kageyama não vai ficar de recuperação em matemática. Tenha noção, Yamaguchi — Kei diz, revirando os olhos.

— Estou falando sério! — ele protesta. — Você acha que tem chance?

— Bom, uma pedra deve atuar melhor que você, então, sim, eu acho.

— Quer apostar?

Tsukishima virou a cabeça, olhando no fundo dos olhos do moreno.

— Você tá falando sério?

— Sim — Tadashi ajusta a coluna. — Quero saber qual de nós dois conseguiria o papel.

— Por quê? Isso é ridículo.

— Por… nada. Eu só quero.

Kei tentou analisar a expressão de Yamaguchi, tentando achar algo que indicasse que aquilo era um grande plano para matá-lo (de vergonha), mas tudo que ele conseguiu encontrar foram grandes olhos castanhos brilhando em empolgação e rivalidade. Fazia muito tempo que ele não via aquele brilho. De repente, ele também se empolgou.

— Então isso é oficialmente uma aposta? — Tsukishima pergunta, com um sorriso sarcástico.

— Sem prêmio nenhum — Yamaguchi diz. — Apenas a satisfação de fazer o outro perder.

— Posso me contentar com isso.

Os dois sorriem, ambos com expressões quase diabólicas.

— Estou atrapalhando?

Yachi estava em pé, olhando para os garotos como se fossem um cachorro de duas cabeças ou simplesmente a coisa mais bizarra que já vira. Bom, considerando que Yamaguchi não estava vermelho de raiva, talvez fosse realmente estranho.

— Ah, não. Estávamos, você sabe, fazendo coisas de ex-melhores amigos — Tsukishima diz, inocente.

— Certo… — ela diz, devagar. — Nós já vamos nos apresentar, Yams, então se prepare.

— Vamos lá — ele diz, se levantando.

Antes de seguir a baixista, Yamaguchi se virou novamente para Tsukishima.

— Não esqueça, viu? Quarta, depois das aulas.

 

— O que você estava conversando com o Tsukishima? — Hitoka pergunta assim que se afastam o suficiente para não serem ouvidos.

— Nada, oras. Apenas conversando.

— Vocês não conversam! Vocês discutem e brigam — ela diz, exasperada. — Aliás, ele quase não tocou na comida, será que vai ficar tudo bem?

— Ele come igual a um passarinho, não precisa ficar preocupada.

Pelo menos, era isso que a mãe dele dizia quando eu perguntava a mesma coisa, ele pensou, mas ficou calado.

 

Assim que Yamaguchi saiu, Sugawara sentou-se do seu lado, colocando o braço sobre os ombros do loiro. Tsukishima teria olhado feio para qualquer pessoa que fizesse aquilo (talvez desse um soco se a pessoa em questão fosse Kageyama), mas ele não tinha o que fazer quando se tratava de Sugawara Koushi. Ele fazia o que queria com um sorriso que quase dizia "me desafie se puder". Ele dava arrepios algumas vezes.

— O que você estava conversando com o seu ex-namorado? — ele pergunta, inocentemente (como se essa palavra pudesse realmente descrever Koushi).

Tsukishima nunca tinha contado à Sugawara que gostava de garotos e ele nunca tinha perguntado, mas ele tinha a estranha sensação de que o mais velho sabia, por isso, soltava alguns comentários suportivos e amigáveis. Mesmo que fosse apenas uma provocação.

— Já disse que não gosto que o chame assim, senpai — Kei diz, apertando as têmporas. — Nós éramos amigos.

— Claro. Foi há cinco anos, certo?

— Quatro — o loiro corrige.

— Que gracinha, você ainda conta — Sugawara diz, sorrindo.

— Você vai falar algo importante ou só passou pra atazanar a minha vida, como sempre?

— Vim dizer pra você comer direito — ele diz, pegando a marmita quase intocada de Tsukishima.

— Já comi o suficiente.

Então, Sugawara deu um pequeno sorriso, apertando os olhos e Kei já sabia o que viria. O mais velho, num movimento rápido, socou o peito do vocalista, fazendo-o tossir. Ele tinha um péssimo hábito de recorrer a violência física.

— Droga, Sugawara!

— Estou falando sério, Kei — ele diz, entregando a comida para o loiro. — Agora, come. Daqui a pouco é o ensaio do RedVoid.

Tsukishima morde raivosamente um onigiri, enchendo sua boca.

— Eu não ligo pro ensaio deles.

— Sim, claro — Koushi diz, revirando os olhos.

Tsukishima sabia que o tecladista não deixaria que ele sequer saísse do lugar sem antes comer, pelo menos, metade daquela comida.

Quando finalmente comeu uma quantidade considerável, as luzes da boate se apagaram, dando lugar aos holofotes azuis que iluminaram as quatro pessoas que começavam a se arrumar no palco. Kageyama, que estava na plateia ao lado de Kei, suspirou fundo quando Hinata tocou o primeiro acorde, testando o som.

Yamaguchi falou alguma coisa para Tanaka e riu, até chegar ao microfone, na frente do palco.

Que caminho devo escolher?

Eu imagino… agora não

Eu imagino… agora não

Estou desapontado

Apenas um sonho ruim? Confuso na minha própria tontura

Perda de tempo

Perda de tempo

Tsukishima sempre teve um pouco de inveja do jeito que Yamaguchi cantava e se comportava no palco. Era como se aquilo fosse a coisa mais divertida e fácil do mundo pra ele. E, talvez, fosse mesmo. Ao contrário de Kei, que fechava os olhos ao cantar, Tadashi mantinha-os abertos, olhando fixamente para a plateia ou para seus colegas de banda. Ele sorria, franzia a testa, gritava, gesticulava, abaixava e pulava, tudo de uma vez. Tsukishima podia ter sentimentos conflitantes pelo moreno, mas tinha que admitir que sua música, sua presença de palco, eram impecáveis. Invejáveis, até. Provavelmente, era disso que seu pai tinha medo.

Ao lembrar do homem, um gosto ruim veio em sua boca, mas ele apenas engoliu em seco, prestando atenção na apresentação. Kei não gostava de falar dele. Seus pais se divorciaram há, mais ou menos, cinco anos e foi como se o garoto pudesse finalmente respirar. No entanto, ainda era difícil se soltar dos ideais que o homem tinha repetido durante treze anos.

Amor, é abraço, é fervor ou o que quer que seja

Não é importante do que você chama

Todos os ideais sufocados por uma piada

Se isso for um sonho, apenas me acorde, tudo bem?

Mas o abraço e o fervor do amor…

Eu não consigo me expressar assim

Com palavras verdadeiras ou falsas, deveria apostar meus sentimentos? Deveria?

Desse jeito, tão irritante, minha vida

Yamaguchi tocava de forma energética, ignorando algumas mechas de cabelo que insistiam em cair em seus olhos. Eu nunca serei como ele, Tsukishima pensou. Não consigo vencê-lo.

— Mas, talvez, eu não queira vencê-lo — ele murmura.

— O que você disse? — Kageyama diz, virando-se para o amigo.

— Disse que preciso comer algo doce.

 

Depois do RedVoid, outras três bandas tocaram, então quando a última música acabou, todos começaram a guardar suas coisas, se preparando para ir embora. Yamaguchi estava agachado, arrumando sua guitarra, quando Tsukishima veio em sua direção. Estava bebendo uma caixinha de leite de morangos.

Kei se abaixou e inclinou na direção da orelha de Tadashi.

— Nos vemos na quarta, depois da aula.

Levantou e foi embora.

— Yamaguchi? Você tá bem, cara? Parece que viu um fantasma —Tanaka diz, se aproximando.

Quem me dera fosse um fantasma, ele pensou. O som da voz de Tsukishima ainda parecia fazer cócegas em sua orelha.



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