1. Spirit Fanfics >
  2. Blue Velvet >
  3. Um cavalheiro

História Blue Velvet - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Esse é o terceiro e último capítulo de Blue Velvet. Não tá betado ainda então se tiver alguns erros peço desculpas, mas logo logo eu atualizo betado certinho. E nesse capítulo volta a narração do ponto de vista do Renjun
Enfim, faltam dois dias!

Capítulo 3 - Um cavalheiro


— Anda logo, a gente chegou, eu quero saber. — Hyuck falou de novo, ansioso para saber dos detalhes. — Vocês se beijaram muito? Teve alguma mão boba? 

— Você acha que eu sou você? O promíscuo da nossa amizade é você, não eu. Eu sou um cavalheiro! — falei batendo sem muita força no peito, com um sorriso orgulhoso.

— Um cavalheiro que 'tava imaginando coisas impróprias com alguém que nem sabia o nome. — ele me olhava de uma forma debochada e eu revirei os olhos com isso.

— Mas não quer dizer que eu fiz alguma dessas coisas. — murmurei cruzando os braços e me ajeitando um pouco no banco que estava sentado.

— 'Tá, 'tá. Mas conta logo. — ele parecia mais animado com isso do que eu, o que chegava a ser engraçado. Mas era boa a sensação de ter um amigo que ficava eufórico por detalhes da minha vida, me fazia sentir querido.

Suspirei um tanto bobo começando a lembrar dos detalhes do ocorrido na madrugada passada. Era tão bom que ainda parecia um sonho e me fazia ficar sorrindo o tempo inteiro…

Flashback On

— Oi, Renjun… Meu nome é Jeno. 

Dessa vez, o sorriso veio de minha parte, tão largo que fazia minhas bochechas doerem com tamanha felicidade, porque… Não era um sonho dessa vez.

— Me desculpa por já ir te beijando, é que eu achei que fosse um sonho. — me desculpei um pouco envergonhado. Eu teria feito de novo e não me arrependo de ter o beijado, até porque ele correspondeu e foi simplesmente o melhor beijo da minha vida, mas não queria que ele pensasse que eu era um pervertido que sai beijando pessoas que acha bonitas.

— Tudo bem, eu gostei. Foi ousado e arriscado, mas felizmente eu também estava sentindo vontade de beijar você desde o outro dia em que nos encontramos. — o sorriso dele era sincero e bonito, a junção das duas coisas me fez sentir como se tivesse derretido um pouquinho.

Como isso não era mesmo um sonho? O anjo azul, garoto do veludo azul, a pessoa perfeita me disse que queria me beijar desde o mesmo momento em que eu queria beijar ele. Não era só eu que estava pensando tanto nele durante toda a semana, sonhando acordado com o momento em que conseguiria encontrar ele de novo. Será que ele também chegou a achar que eu era apenas um sonho ou algum tipo de ilusão? Não sei dizer, mas sei que o sorriso dele enquanto me olhava iluminava tudo, inclusive eu mesmo, me fazia sorrir junto dele, tão largo e aberto que minhas bochechas doíam.

— Então eu fico muito feliz de ter beijado você. Eu já estava antes, mas tudo bem… — soltei um risinho baixo e envergonhado após falar isso, e foi aí que percebi que o elevador estava aberto há algum tempo, então fiz um gesto para que ele passasse antes de mim e ele o fez. — Você 'tá indo trabalhar, não é?

— Sim, eu faço faculdade a noite e quando acaba o meu período de aulas, não consigo dormir, então que trabalho seria melhor para alguém com insônia do que um trabalho noturno, não é mesmo? — ele mesmo soltou uma risada depois de explicar aquilo enquanto andava para a loja que ele trabalhava sendo acompanhado por mim.

— É uma boa forma de juntar o útil ao agradável, mas eu não sei bem se poderíamos caracterizar insônia como um dos dois. — o acompanhei na risada e coloquei as mãos nos bolsos do moletom. — Se bem que foi bem agradável topar com você de madrugada.

— Ah, verdade… O que você 'tava fazendo aqui tão tarde? Também trabalha em algum lugar nesse horário? — foi aí que fiquei com vergonha porque… Ele não sabia que eu estava aqui hoje apenas por ele.

— Na verdade, não… Eu 'tava aqui naquele dia porque uma tia insuportável foi visitar a gente de última hora e ela precisa de um presente de boas vindas sempre que vem. — expliquei sorrindo sem graça e vi que já tínhamos chegado no local de trabalho dele, pois ele tirou a chave do bolso e estava abrindo as portas da lojinha. — E hoje eu… Eu vim te ver.

As chaves caíram da mão dele quando ouviu minha resposta, mas ele já tinha aberto as portas pelo menos. O único problema era que agora ele olhava para mim com um sorriso que eu não soube decifrar e isso me assustou um pouco. Será que ele achava que eu era um stalker e iria me mandar embora me chamando de louco? Será que ele estava me achando esquisito agora? Ele se arrependeu de ter me beijado? 

— Você veio mesmo tentar me ver? Mesmo? — eu balancei a cabeça fazendo que sim, mas ainda estava inseguro com aquilo. — Isso é tão meigo… Ninguém nunca se esforçou assim 'pra me ver ou me conhecer.

Ele tinha gostado, então isso era um bom sinal e me fez suspirar aliviado. Procurei muito por ele e se ele me achasse esquisito eu iria ficar muito triste… Me abaixei e peguei as chaves que ele deuxou cair, o entregando e entrando na loja junto com ele.

— Bom, então vai gostar de saber que continuei vindo aqui uns dias dessa semana procurando por você. — confessei sem graça e cocei a nuca. Ele riu mas foi uma risada tão gostosa que não me importei em tentar perceber se estava rindo de mim ou só achando isso fofo.

— Desculpa, é que eles demoraram 'pra me chamar. Naquele dia eu tinha vindo num teste e aí demoraram quase uma semana 'pra ligar e me chamar 'pro trabalho. — ele explicou e agora fazia muito sentido, porque sempre tinha outro garoto trabalhando nessa loja quando eu andava o andar todo procurando por ele. — Mas como descobriu que eu trabalhava aqui?

— É… Você conheceu o Hyuck ontem, não foi? — perguntei e o vi assentir com a cabeça. — Ele é meu melhor amigo e eu já tinha falado muito de você 'pra ele… — ele riu e sua expressão foi de alguém que tinha encaixado as peças direito de algo. — Mas, enfim… Eu não quero te atrapalhar aqui, então acho que vou indo, mas… você poderia me passar seu número antes? — estava com medo de estar sendo inconveniente ficando no seu local de trabalho assim.

— Olha, eu posso… Mas segundo as regras do trabalho, não posso "paquerar" até meu horário de trabalho acabar, então… Você teria que esperar até o fim do meu expediente. — Jeno fez aspas com as mãos e me olhou com um sorrisinho diferente… Ele queria que eu ficasse aqui?

— Poxa, então… Acho que vou ter que esperar aqui. — falei fingindo estar decepcionado, sorrindo para ele e vendo o seu sorriso se alargar mais.

— Então, Renjun… Me fala mais de você enquanto eu vou arrumando aqui? Quero saber se sua personalidade e as coisas que você faz são tão interessantes quanto seu rostinho bonito. — aquela fala dele me fez corar e esconder as bochechas com as mãos.

— Bom, eu… Faço faculdade de produção musical, mas meu irmão sempre me arruma alguns bicos como modelo aqui e ali para conseguir dinheiro 'pra minhas coisas, já que meus pais pagam a faculdade e é um pouco pesado 'pra eles. — expliquei e torci o nariz. 

Não gostava muito de dizer às pessoas que era modelo, porque… geralmente elas tem uma imagem diferente de como modelos são. Eu não me achava tão bonito assim para ser modelo e por mais que muitas pessoas várias vezes já tenham me dito que sou bonito e coisas assim, quando se tratava de sair comigo, essas mesmas pessoas diziam que eu não era o tipo delas e isso me incomodava.

— Mmh, modelo… Bem que eu pensei que você tinha uma beleza muito notável logo quando te vi. — essa fala me fez sacudir a cabeça e rir soprado, suspirando.

— Ah, não… Agora você vai ser uma das pessoas que diz que eu sou muito lindo mas quando te chamar 'pra sair vai negar dizendo que não sou seu tipo porque eu não sou alto ou não tenho músculos o bastante. — resmunguei comigo mesmo, me encostando no balcão que ele já tinha limpado.

— O que? Quem em sã consciência diria isso 'pra você? — ele até tinha parado de organizar o balcão e olhava para mim um tanto indignado.

— É que sempre acontece… "Nossa, você é muito bonito, sabia? Merece mesmo o posto de modelo." E aí eu chamo elas 'pra sair comigo e elas respondem "Não, desculpa… É que você não é bem o meu tipo" e aí olham diretamente para cima da minha cabeça como se estivessem tentando me imaginar mais alto e quase dá 'pra ouvir os pensamentos delas dizendo "se fosse mais alto…" — fiz careta depois da explicação lembrando de algumas situações que isso aconteceu.

— Essas pessoas são bem idiotas, eu achei sua altura uma coisa bem fofa em você. — seu sorriso era doce mas não pude apreciar ele muito tempo já que ele virou de costas para tirar algumas coisas da prateleira alta para colocar embaixo arrumado.

— Mas é fofo do tipo… "Essa pessoa é tão fofa que eu não conseguiria transar com ela" ou só fofo? — perguntei erguendo uma das sobrancelhas, também já tinha ouvido algumas pessoas falarem que quando alguém era fofo demais, essa pessoa não era de transar e, bem… Eu escutava muitas pessoas me dizendo que sou muito fofo.

— Existe mesmo isso? — ele me perguntou rindo mas parou quando viu que era uma pergunta séria. — Bom, eu com toda certeza transaria com você. 

E mais uma vez eu tinha corado. Minhas bochechas queimavam como se tivessem duas chaminés nelas e isso era patético, eu não costumava ficar envergonhado assim com ninguém mas ele acabava com todas as minhas estruturas mesmo o tendo conhecido a tão pouco tempo. Talvez eu tivesse me apaixonado à primeira vista…

— Essa… É uma ótima informação. — falei ainda sem jeito e andei um pouco pelo local e o vi vestir o suéter azul dele. Suspirei o olhando, azul definitivamente era sua cor. — Você fica muito bem de azul.

— Obrigado, você fica muito bem de amarelo. — ele me elogiou de volta e puxou dois banquinhos, me entregando um e sentando no outro. — Mas você disse que faz faculdade de música, não é? Você gosta de cantar ou só produz? 

— Ah, eu gosto de cantar também, já fiz algumas aulas de canto quando mais novo e geralmente quando produzo alguma coisinha, canto eu mesmo ou chamo meu melhor amigo 'pra me ajudar, a voz dele é incrível. — expliquei depois que me sentei no banquinho ao lado dele.

— Pode cantar um pouco 'pra mim agora? — ele parecia realmente interessado, mas mesmo assim eu neguei com a cabeça.

— Me ouvir cantar é só no segundo encontro que vai ser o encontro que vou te chamar 'pra ir na minha casa e vou te mostrar alguma música nova que produzi. — expliquei e o vi sorrir de novo, me derretendo mais um pouquinho.

— Então pretende me chamar 'pra pelo menos dois encontros? Isso é bom, mas eu esperava que já considerasse esse como o primeiro encontro. — comprimi os lábios e desviei o olhar sem conseguir conter um sorriso.

— Você quer que eu conte esse como um primeiro encontro? — perguntei curioso, me inclinando um pouco em sua direção e arrumando a armação de meu óculos que quase caiu.

— Quero, você até me beijou então tem que ser um encontro. Mas você fez errado, deveria ter me beijado só no final do encontro, agora vai ter que esperar até acabar 'pra me beijar de novo. — fiz um biquinho quando ele disse aquilo porque tudo que eu pensava agora era em beijar ele e sentir o gostinho doce de seus lábios de novo.

— Tudo bem, então vou conter minha vontade até o final. — falei suspirando um pouco e abaixando a cabeça, encarando meus próprios pés. — Mas o que você faz? Também quero saber sobre você. 

— Eu faço faculdade de dança, doces e guloseimas são só meu passatempo. — ri baixo junto dele quando ele disse aquilo e o olhei interessado em saber mais. — Não tenho irmãos, sou filho de um casal gay e um dos meus pais é drag queen que me inspira a tentar ser também, então eu gosto muito de maquiagens, mas faço isso por hobby. 

— Você realmente tem jeito de quem dança, até seus passos quando anda parecem bem sincronizados. Mas você também vai dançar 'pra mim um dia? — perguntei com um sorriso. Estava o achando cada vez mais interessante e isso só fazia minha paixão aumentar.

— Eu só danço 'pras pessoas depois do terceiro encontro e em breve você vai descobrir o motivo. — ele piscou para mim e isso fez meu coração quase parar, me fazendo mais uma vez suspirar.

— Ah… Eu nunca conheci uma drag queen, você deve ficar ainda mais lindo montado… — ainda estava abalado com a piscada mas tentei disfarçar isso focando no outro assunto e ele percebeu, porque soltou um risinho baixo me olhando.

Nós nos perdemos no tempo conversando e demorava muito para aparecer clientes na lojinha, então conversamos sem parar descobrindo cada vez mais e mais coisas um do outro. A risada dele era um som que eu nunca iria esquecer, era sem dúvida o melhor som que já ouvi na minha vida e ela ecoava na minha cabeça se repetindo sempre que ele ria. Eu não conseguia parar de pensar no quanto aquele anjo azul era perfeito a um ponto de parecer irreal mas ele era real e estava bem ali, tocando meu braço enquanto conversava comigo, sorrindo tão largo que seus olhos quase sumiam, me dando beijos na bochecha sempre que eu falava algo que ele considerava fofo e me deixando cada vez mais apaixonado e perdido nele. Seu nome se repetia na minha cabeça falado por sua própria voz, era como se meu cérebro estivesse com medo de acabar esquecendo e achar que era um sonho de novo. 

Num momento da madrugada, compramos lanche da própria loja que ele estava trabalhando e comemos juntos. Nunca vou me esquecer de quando ele viu uma sujeirinha no canto de meus lábios e limpou de um jeito delicado e então levou a própria boca e chupou. A minha vontade enorme de beijar ele se tornou ainda maior quando ele fez isso, mas não podia fazer isso agora, afinal era nosso primeiro encontro e ele fazia questão de me lembrar disso quando percebia que eu queria o beijar. Ah, garoto do veludo azul… Como conseguiu me conquistar só com olhares e sorrisos? E como conseguiu me fazer apaixonar apenas em algumas horas? Parecia até um feitiço, mas era um sentimento tão sincero que era impossível eu estar apenas enfeitiçado. Eu estava hipnotizado na forma que seus lábios se moviam conforme ele falava e em como seus olhos brilhavam quando contava coisas sobre si. 

"Meu nome é Jeno."

As mãos dele sacudiam e balançavam de forma graciosa conforme ele tentava se expressar ou quando não sabia como fazer isso direito e a curva de seus lábios sorrindo era perfeita, parecia meticulosamente calculada para ser tão perfeita assim.

"Meu nome é Jeno."

Jeno… Jeno… Jeno… Jeno… Era impossível esquecer seu nome agora que eu sabia mas mesmo assim ainda ficava repetindo em minha mente por medo.

"Meu nome é Jeno."

A madrugada toda tinha se passado e eu nem tinha notado, nem mesmo estava com sono, mas já tinha dado a hora de fechar a loja e ir embora. O ponteiro do relógio da parede marcava cinco da manhã, então esse era o horário que acabava seu expediente. Eu o ajudei a arrumar tudo para fechar e quando saímos do shopping, dividimos um uber já que durante nossa conversa, descobrimos que eu morava apenas três quarteirões depois de sua casa. Jeno cochilou no meu ombro durante o caminho no carro, deveria estar exausto mas eu também deveria estar assim já que tinha virado a noite acordado, mas ainda estava estático com tudo aquilo. Quando chegamos, o acordei com um balançar suave e desci do carro segurando sua mão, porque ele ainda parecia sonolento. Dispensei o uber depois de o pagar e o levei até a porta de sua casa, como estava perto da minha, iria até lá caminhando, talvez isso me ajudasse a ficar menos agitado.

— Esse foi o melhor primeiro encontro que já tive na vida. — ele disse me arrancando um sorriso largo.

— Também foi o meu. — respondi segurando sua outra mão. — Aquele beijo acontece agora? — perguntei um tanto ansioso com isso.

O vi assentir com a cabeça e então ele se curvou na minha direção para ficar na minha altura e me deu um breve selar. Por um momento achei que aquele seria o beijo, mas ele continuou pertinho de mim, me olhando como se esperasse que eu começasse um beijo de verdade dessa vez e eu fiz isso. Colei meus lábios aos dele e o beijei de forma calma, aproveitando o sabor de sua boca bem devagar. Chupava seus lábios e inclinava a cabeça para o lado deixando nossos lábios se encaixarem melhor, como se encaixaram mais cedo quando o beijei e a sensação foi como de estrelas na minha mente. Mesmo com o beijo sendo calmo, ficamos sem ar em algum momento e quebramos o ósculo gostoso, mas isso não me impediu de o dar vários selinhos e colar minha testa a dele.

— Me liga mais tarde 'pra marcarmos o próximo encontro. — sua voz saiu num sussurro e eu assenti, o dando mais um selar longo.

— Até mais tarde, Jeno. — seu nome saiu de forma natural de meus lábios mas de um jeito tão satisfatório que queria chamar seu nome várias vezes, mas me controlei.

Me afastei da porta só depois que vi Jeno entrar e saí de lá correndo e saltitando. Meu peito parecia que iria explodir de felicidade porque eu tinha um encontro com meu anjo azul e isso era a melhor coisa que poderia me acontecer em muito tempo.

Flashback Off

— Só dois beijinhos? Você é muito careta. — Hyuck falou fazendo careta mas logo sorriu. — Mas eu tô feliz que deu certo 'pra você. Acho que você nunca iria esquecer esse "anjo azul" se não tivesse encontrado.

Eu sorri e assenti com a cabeça porque eu realmente não iria esquecer. Jeno ou garoto do veludo azul era alguém inesquecível e podia se notar de longe. Eu nunca, jamais conseguiria o esquecer e estava feliz de não precisar tentar fazer isso.


Notas Finais


Foi isso, espero que tenham ficado bons todos os três capítulos ^^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...