História Blurred Love - Capítulo 1


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Categorias Harry Styles, One Direction
Personagens Harry Styles, Personagens Originais
Tags 2016, Best Friends, Fan, Harry Styles, Hazza, Herrie, Love, Perrie Edwards, Pezz, Sweet Creature
Visualizações 15
Palavras 4.726
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bem vindos à minha terceira história de One Direction. No entanto, maia voltada para o Harry (Com alguns momentos com os meninos, Larry, Narry, Zarry e Lirry).

A aparência da protagonista Nina é inspirada na Perrie Edwards, mas não é a Perrie.
Os capítulos da história, assim como as minhas Fanfics do Shawn e do Ed, quase sempre tem música e eu vou avisar.
A história não vai ter postagem regular por enquanto pois a minha história principal no momento é Keep Your Secrets (da One Direction inspirada em Pretty Little Liars).
A história se passa em 2016.

Boa Leitura!

Capítulo 1 - Another Man Magazine


Fanfic / Fanfiction Blurred Love - Capítulo 1 - Another Man Magazine

– Mas que porra? – Atendo o telefone, sonolenta. Quem quer que tenha interrompido meu sono justo na minha manhã de folga, merecia morrer.

– Nina, pelo amor de Deus me ajuda! – A voz de Rick parecia desesperada do outro lado.

– De jeito nenhum. Eu estou na minha folga, seu maldito. – Eu murmuro ainda deitada na cama.

– Me ajuda com um freelance, por favor. Estou em uma sessão importantíssima da Another Man e o meu fotógrafo sumiu! O homem não dá sinal de vida e a sessão precisa começar em meia hora! Eles vão pagar o dobro do que você ganha! Por favor, me cobre nessa! Eu faço o que você quiser! – Ele dispara, seu tom nervoso e apressado.

– Você sabe que dinheiro não é realmente um problema para mim... – Eu murmuro, irritadiça. Tiro a máscara de dormir e sou apunhalada nos olhos pela luz da manhã.

– Eu pensei que o seu melhor amigo valesse o esforço. Eu já fiz tanto por você... – Rick dramatiza do outro lado, ao mesmo tempo que eu rolo os olhos.

– Ok, ok! Me passa o endereço. – Eu murmurei, levantando.

– Te devo uma. Vou enviar a localização por GPS.

– Você não me deve uma, me deve várias! – Eu levanto.

– Ótimo, levanta essa bunda e vem logo para cá! – Ele grita e desliga.

Apressada, apenas escovo os dentes e visto a primeira roupa que encontro, um vestido estampado e uma jaqueta jeans. Calço meus tênis e saio trombando pelos móveis de casa, ainda atordoada, parando apenas para pegar a bolsa com meus equipamentos. Entro na minha picape laranja e saio em disparada. Só quando olho pelo espelho, percebo que esqueci de tirar os óculos e colocar as lentes. E meu cabelo está mais bagunçado que o quarto do meu irmão. E que eu não passei nada de maquiagem. Bufo, que maravilha.

– É melhor valer a pena. – Eu digo sozinha, metendo o pé no acelerador.

De acordo com o GPS do celular, eu estou no meio do caminho quando a minha picape para. Do nada, ela para. Piso no acelerador mas o carro não sai do lugar. Giro a chave na ignição várias vezes mas o carro nem dá sinal de vida.

– Qual é, Honeymoon! É incrível como você só para nas piores horas! – Eu grito, socando o volante. De acordo com o GPS do celular, eu estou praticamente no meio do caminho para a locação onde está ocorrendo a sessão de fotos. Olho no painel e vejo que o indicador de gasolina aponta que meu tanque está vazio. Não era possível que eu tivesse esquecido de novo! – Maravilha.

Saio do carro com a minha mochila e tranco a porta. Olho em volta. Não há nenhum ônibus, nem táxi nem nada. Apenas um posto de aluguel de bicicletas. Eu não posso crer. Marcho decididamente até a máquina e efetuo o pagamento no meu cartão. Desbloqueio uma bicicleta e subo nela convicta. Coloco o fone de ouvido, David Bowie tocando a todo volume conforme eu deixo Honeymoon para trás e pedalo com toda a força.

Quando chego a locação determinada, minhas coxas estão doloridas, e eu estou levemente suada. Ligo para Rick assim que sou parada no portão.

– Cheguei, mas uns caras do tamanho de um armário não me deixam entrar. – Digo, fazendo cara feia para os seguranças.

Após Rick dar um jeito de autorizar a minha entrada, eu acabo entrando na mansão onde ocorrerá a sessão de fotos. Sou recebida na porta da mansão por um Rick com roupas coloridas e um sorriso que morre no momento que ele põe os olhos em mim.

– O que aconteceu com você? Parece que foi atropelada por um trator. – Ele fez cara de nojo.

– Isso é o que acontece quando você acorda em um pulo sem ter tempo nem de tomar banho, e o seu carro para de funcionar no meio do caminho e você precisa vir de bicicleta! – Exclamo, prendendo o cabelo em um coque, tentando conter o frizz. Olho meu relógio de pulso e percebo que cheguei três minutos adiantada. – Agora é bom que você tenha me arrumado um café da manhã caprichado pois eu estou morta de fome!

– Vem, vamos lá dentro. – Ele me puxa pelo braço. – Tem muita comida.

– Maravilha.

Ele me guia até uma mesa cheia de comida. Coloco um pouco de chá em uma xícara e pego alguns pãezinhos. Enquanto como, Rick arruma meu cabelo em duas tranças boxeadoras, e passa delineador nos meus olhos. Rick nunca me deixa estar mal vestida ou largada. Era incrível como ele sempre tinha maquiagem e acessórios prontos para ser usados.

– Eu estive pensando em como você vai me pagar por isso. – Eu digo enquanto termino o meu chá. – Você pode me arrumar um pocket show naquele bar chique daquele cara que você estava pegando.

– Quem? O Bart? – Rick pergunta, estranhando. Aproveito para me servir de outra xícara de chá.

– Não, aquele loirinho com covinhas fofas. – Eu explico sem conseguir lembrar. O histórico de homens que já passaram pela cama de Rick é maior que meu Pack de fotos.

– Eddie? – Rick faz uma cara de desgosto. Eu confirmo com a cabeça mesmo sem ter certeza. – Eu não falo mais com ele.

– Como se fosse difícil convencer aquele cara. Ele é caidinho por você. – Eu digo, segurando minha xícara com força. – Você me deve uma.

– Eu sei. Eu sei... Vou dar um jeito. – Rick diz, finalmente terminando a última trança.

– Afinal quem é a estrela importantíssima da sessão de hoje? – Eu digo antes de dar o último gole do meu chá.

– Harry Styles.

No susto, arregalo os olhos e acabo cuspindo chá para todo o lado. Levanto, nervosa e uso um lenço de papel para tentar limpar a mesa.

– Harry Styles, tipo, O Harry Styles? Harry Edward Styles? De Holmes Chapel? – Eu pergunto, desesperada.

– Espera aí... – Rick reflete por um instante. – Você é de Holmes Chapel, não é? Não me diz que vocês se...

– Eu preciso sair daqui. Agora. – Eu digo juntando a minha bolsa do chão. Coloco a mochila nos ombros mas quando olho para Rick, ele está petrificado, olhando para algo mais atrás de mim.

– Tarde demais. – Rick suspira.

– Ei, Rick, só queria conhecer a fotógrafa para poder ficar mais à vontade dur... – Harry vai falando conforme eu me viro para ele, mas se interrompe quando nossos olhos se encontram. Harry me olha por alguns segundos com os olhos arregalados. Ele abre e fecha a boca várias vezes antes de dizer qualquer coisa. – Nina?

Congelo e por um instante, nenhum de nós tem palavras para dizer. Observo cada detalhe de um rosto que já não me lembra dele antes. Eu sei que é a mesma pessoa. Mas aquele é Harry Styles, um dos cantores da maior boyband do mundo. E quem eu conhecia era o Har, meu melhor amigo, vizinho, colega de classe e parceiro de banda. Ainda são os mesmos olhos, mas não o mesmo olhar.

Por vários segundos, um nó arranha minha garganta, mas eu não cedo. Empurro para dentro de mim junto com ele todos aqueles sentimentos. Tanto os bons, quanto os ruins. Inclusive a mágoa e a raiva. Já faz cinco anos, eu não podia ficar remoendo algo que ele provavelmente já tinha até esquecido. Eu não quero ser a pessoa imatura daquela conversa.

– Harry? Ei! Olha só, que coincidência. – Eu gaguejo, nervosamente. Ele está vestido com um roupão branco e descalço, seus cabelos compridos amarrados em um coque. Ele devia estar na troca de roupa.

Observo seus olhos verdes tão fisicamente expressivos e brilhantes que eu quase consigo ver a alegria no rosto dele ao me ver depois de tanto tempo. Ele está fodidamente bonito. Ele sempre foi, mas Deus sabe o que a puberdade faz com as pessoas.

– Maravilha! Vocês se conhecem! Fiquem à vontade. – Rick diz ao perceber o clima desagradável e sai de fininho mas nenhum de nós dois realmente presta atenção nele pois estamos ocupados demais nos encarando sem saber o que dizer ou fazer.

– É... Hm... Já faz um bom tempo que não nos vemos, não é? – Harry parece tão nervoso quanto eu.

– Cinco anos. – Eu rebato. No mesmo instante me amaldiçoo mentalmente, por dar uma resposta com tanta exatidão. Eu lembrava exatamente da última vez que nos vimos.

Eu estava tentando conter a enchente de sentimentos que me consumiam. O medo, mágoa, raiva, nostalgia... Era muita coisa e eu tinha medo de deixar meus reais sentimentos sobressaírem sobre a conversa. Eu não podia continuar sendo apenas ‘a garota mimada e egoísta’ ali.

– Você tinha cabelo curtinho. Com muitos cachos. – Eu digo. Oh, céus, cale a boca, Nina. A despeito dos cinco, quase seis, anos que passamos afastados, eu ainda era uma garota estabanada e desastrada que não conseguia calar a boca quando necessário. Harry dá uma risadinha e suas covinhas marcam presença.

– É... E você era mais baixinha... E estranha. – Ele diz e eu sei que está brincando. Por isso eu sorrio. – Então, como foram esses últimos anos?

Meu sorriso morre no instante que ele termina a frase. Harry percebe que tocou no assunto errado, quando lembra do que aconteceu depois da última vez nos vimos. Ele faz uma cara de arrependimento mas eu não consigo mais disfarçar minha expressão fechada. Há um nó na minha garganta quando olho nos olhos do meu ex melhor amigo.

A realização me atinge em cheio. Já é difícil para duas pessoas que passaram anos sem se falar, separadas tanto pelo espaço, quanto pelo tempo, agora imagine duas pessoas que além dessas barreiras, também são separadas pelo sucesso e fama?

Har... Quero dizer, Harry, eu não acho que seja uma boa hora para conversar. É melhor ir se aprontar para começarmos a sessão.

Eu viro de costas no momento exato que ouço os passos dele se afastarem e tiro os óculos, apertando a ponte do nariz entre os dedos indicador e polegar. Decido que não vou me deixar levar por aquele sorriso bonito e serei o mais profissional que puder. Preparo meu equipamento, montando a minha câmera e as lentes, testando a precisão e o foco. Sou apresentada ao resto da equipe, maquiadores, assistentes, figurinistas. Inclusive sou apresentada a Jeff, o Manager do Harry.

Quando vou para a sala onde estava a parede e chão de fundo branco, Harry já está vestido com um terno vermelho e azul com estampa de flores, aberto no peito, expondo boa parte das tatuagens do seu abdômen, havia uma chocker de couro no seu pescoço e seu cabelo comprido estava solto, meio caído na cara. Oh, Deus. Pisco devagar e mordo o interior da bochecha tentando desviar os olhos do abdômen dele.

Olho através da câmera e inspiro de mim mesma apenas a fotógrafa. E não a mulher.

– Ok, Harry, vamos lá. – Eu digo friamente.

Harry me olha pela câmera e parece inquieto. Eu tiro a câmera da cara e o encaro diretamente. Ele parece envergonhado e totalmente travado.

– Harry, você pode fazer melhor. Vamos, fique sério, mas sem parecer zangado. – Eu digo e volto a mirar pela câmera.

Rick, que está parado mais atrás, bufa impaciente. Sei que essa sessão é muito importante para o meu melhor amigo e sua carreira como Editorial. Ter uma capa estrelada por Harry Styles seria a guinada na carreira dele.

Só por isso, e apenas isso, eu decido facilitar.

– Alguém pode, por favor, dar álcool para o nosso modelo? – Eu digo, deixando a câmera em uma mesa. Uma assistente corre para a mesa de comidas e serve uma taça de vinho. Enquanto isso, eu ando até Harry e o encaro seriamente. – Harry, não é possível que isso seja normal. Você está assim por minha causa? Por que se for, eu posso ligar para um amigo fotógrafo e resol...

– Não! Tudo bem... Quer dizer, faz tanto tempo que não conversamos... Obrigada. – Ele agradece quando a assistente traz a taça de vinho. Ele vira a taça de uma só vez e eu faço careta. Mais de cinco anos se passaram mas eu lembro que Harry sempre foi fraco para bebidas. A moça leva a taça embora e Harry volta a prestar atenção em mim. – É estranho estar frente a frente com você, sem conversar... Digo, eu nem sabia que você tinha virado fotógrafa profissional...

Overtalking. – Eu sussurro quando percebo que tem pelo menos seis pessoas observando a nossa conversa.

Me afasto dele enquanto reflito sobre como fazê-lo se soltar. Tenho uma ideia, pego a câmera e volto para a posição inicial.

– Harry, lembra da vez que fomos expulsos do aniversário do Nate Fromer? – Eu digo.

Observo atentamente os breves segundos que ele toma para lembrar e cair na gargalhada. Capturo todos os momentos com cliques rápidos. Faço um gesto para Ned, o assistente, reduzir a luz sobre Harry. Continuo tirando fotos dele enquanto ele revive a história.

– É claro! Como esquecer que você vomitou no bolo do Nate? – Harry cai na risada outra vez. Eu deixo um sorriso escapar. Aquele dia foi insano. Uma das muitas aventuras que Harry e eu compartilhamos.

– Eu não teria vomitado se você não tivesse me feito tomar aquela batida de morango, pipoca, pistache e pimenta! – Eu devolvo como uma criança birrenta.

– Eu não te obriguei a tomar. Eu apenas fiz um desafio... – Ele faz um biquinho, falsamente inocente.

– Como se você não soubesse como eu sou competitiva. – Digo, usando a câmera na minha cara para esconder meu sorriso bobamente nostálgico.

– Bons tempos. – Harry ri, voltando a ficar sério.

Percebo como ele ficou mais à vontade, e o olhar nostálgico se enquadrou bem nos olhos dele. Ele começa a mudar a expressão e a pose.

– Um segundo, Har. – Eu digo, me afastando. Só depois percebo que eu o chamei pelo apelido de antigamente. Empurro o óculos para a ponte do nariz, nervosa. O encaro desconcertada mas ele sorri. – Quero dizer, Harry.

Pego meu celular e conecto a minha playlist de sessão de fotos para tocar no aleatório. Ele sorri mais amplamente ao reconhecer a música. Uma das que nós tocávamos na época da White Eskimo. Another Brick on The Wall reverbera pela sala onde estamos e Harry começa a cantarolar.

A sessão segue por mais duas horas com pequenas trocas de figurino. Harry está mais à vontade, ele obedece meus pedidos de poses e expressões. Ele ri quando não consegue atingir meus pedidos de expressões.

– Podemos fazer algumas sem camisa? – Rick interrompe. Eu baixo a câmera e o encaro, então olho para Harry para saber que ele está à vontade com isso.

– Ok. – Ele diz, tirando o blazer.

Escondo meu rosto atrás da câmera e mordo o interior da bochecha. As tatuagens só fazem o corpo dele ainda mais agradável de olhar.

– Harry, faça aquela expressão de quando está muito frio e você sente o sol brilhante no seu rosto. – Eu digo. Ele obedece, fechando os olhos e erguendo levemente o queixo. – Mova seus cabelos. Isso, perfeito. – Sussurro quando ele faz o que eu peço. – Aumentem a luz. Agora, Harry, o sol está muito forte e você precisa semicerrar os olhos.

Termino alguns cliques, quando Rick nos interrompe outra vez.

– Ok, acho que está bom. – Ele diz, andando na minha direção. – Harry, você foi muito bem, querido.

Harry se afasta timidamente, e toda a equipe também sai, todos loucos para comer alguma coisa. Tiro a câmera do pescoço e a deixo sobre uma mesa. Rick vem até mim e me abraça apertado.

– Você é a minha heroína! Já falei que te amo? – Rick dramatiza enquanto eu rio e o afasto.

– Tudo bem, mas vamos terminar logo isso para eu ir embora. Estou fora de humor. – Eu murmuro, pensativa.

– Mas por quê você...? – Rick começa até que ele se toca. – Oh, já sei, o memorial. É amanhã?

– Sim. – Eu digo, cabisbaixa.

– Você vai precisar de mim? Eu posso ficar com você... – Rick sugere com uma expressão triste.

– Não se preocupe, Rick. Ian e eu vamos ficar juntos e sozinhos. Acho que é um momento que eu e o meu irmão precisamos nos apoiar mais que tudo. – Eu sussurro, não querendo que ouçam a nossa conversa.

– Tudo bem, mas se mudar de ideia, é só chamar. – Rick garante, antes de me abraçar outra vez.

– Obrigada. – Eu digo.

Juntos, nós sentamos de frente para um computador enquanto eu coloco o cartão da minha câmera lá dentro. Abrimos as fotos com Harry e mais algumas pessoas da equipe aparecem para ver.

– Uau, as fotos ficaram incríveis! – Alguém que reconheço como o Jeff, diz. Eu sorrio e continuo passando as fotos.

– Eu disse que ela tinha talento! – Rick se gaba.

– Eu acho que essas fotos aqui, ficariam muito melhor com um efeito preto e branco. Claro, se vocês quiserem valorizar mais a luz refletida no Harry... – Comento, mostrando uma sequência de fotos.

– Vamos precisar de retoques? – Outra voz pergunta.

– Eu não acho. As fotos ficaram bem marcantes do jeito que estão. É o tipo de foto que ninguém esquece. – Digo. – Mas isso é só a minha opinião, se vocês ou o Harry acharem melhor retocar...

– Não, você tem razão, essas fotos são maravilhosas por si só. – Rick me corta.

– Gente. – Alguém chama e todos viramos para ver. Na porta do cômodo, um rapaz jovem para no batente. Reconheço ele como um membro da equipe de produção. – Ray quer ver vocês.

Não sei quem é Ray, mas vejo o olhar de preocupação de todos enquanto se dirigem para fora da sala. Os sigo e acabamos em uma salinha com a mesa redonda. Ray, um homem barbado e de meia idade ganha a atenção e o silêncio de todos. Harry está lá e sinto quando ele me olha, mas eu não retribuo o olhar.

– Infelizmente, não vamos poder continuar hoje. – Ray diz, então aponta para a janela. Uma tempestade caía lá fora e o céu estava mais cinzento que o normal para os padrões londrinos. Franzo a testa ao notar que quando cheguei não estava um dia ensolarado mas estava até que um dia agradável. – Os nossos planos de fazer as fotos externas vão ter que ser adiados.

– E o meu cabelo? – Harry pergunta.

– Como pretendemos registrar até o corte do seu cabelo, isso só vai acontecer quando remarcarmos. – Ele avisa. – Conversei com Jeff e a sua equipe e já está tudo ok. Vamos retomar amanhã. Estão dispensados.

O pessoal da equipe começa a se retirar da sala e eu olho para Rick, preocupada. Ele entende instantaneamente a preocupação no meu rosto, por causa do dia do Memorial.

– Ray, eu não posso fazer isso amanhã. – Eu digo, me aproximando da mesa dele. Rick me acompanha. Ray me olha como se eu o tivesse ofendido.

– Como é que é? – Ele diz, irritado.

– Eu não posso. Arrume outro fotógrafo ou eu posso indicar algum amigo meu para isso...

– Eu não posso fazer metade da sessão com um fotógrafo e a outra metade com outro! – Ele grita.

– E eu não posso amanhã! – Grito de volta. Só depois percebo que Harry e algumas pessoas ainda estão lá, presenciando nossa gritaria.

– Eu estou lhe pagando uma fortuna por essa sessão!

– Eu não preciso do seu dinheiro! Eu vim até aqui para ajudar o meu amigo que estava em apuros. – Eu digo, apontando para Rick. – Não precisa me pagar.

– Todos vocês, saiam! – Ray ordena. Rick também vai, afinal é o chefe dele. Assim que todos se retiram, Ray inspira fundo e passa a mão na barba devagar. Ele retira os óculos de grau e coça os olhos como se inspirasse paciência divina. – Por que você não pode amanhã?

Ele está mais calmo e eu respiro fundo. Ajeito os óculos no rosto e olho para ele.

– É o memorial dos meus pais. – Murmuro. No mesmo instante, Ray empalidece. Ele engole em seco e pelo seu olhar, sei que ele entende. Fecho olhos e inspiro fundo. Quando nos olhamos eu posso ver que ele sabe o que é isso, ter perdido alguém importante na sua vida.

– Eu sinto muito, Nina. – Ele diz, parecendo sincero. Ele remexe alguns papéis e usa uma caneta para pequenos rabiscos. – Podemos fazer depois de amanhã, então?

– Tudo bem. E obrigado pela compreensão. – Eu digo, levantando. Pego o cartão memória do bolso e deixo sobre a mesa, na frente dele. – As fotos de hoje. Se achar que precisamos ajustar algo, me deixe saber.

– Ok, mais tarde eu analiso as fotos com calma. Pode ir. – Ele sinaliza para a porta.

Me retiro e vejo que a maioria das pessoas já saiu da locação, e da porta frontal, vejo alguns carros se retirando sob a chuva grossa e olho tristemente para a minha bicicleta no pátio.

Decido procurar por Rick para ele me dar uma carona pelo menos até onde Honeymoon estava. Ando pela mansão, esbarrando em algumas pessoas em seu caminho para a saída.

– Rick! – O chamo ao colocar a cabeça em algumas portas. – Rick?

Entro em um cômodo e Harry está lá, fechando o zíper de sua bota. Ele ergue a cabeça e me encara. Parece surpreso com a minha presença. Seus cabelos estão caídos no rosto e ele usa uma das mãos para jogá-los para trás. Lembro que seu cabelo nunca foi tão longo antes. Quando vivíamos em Holmes Chapel, os cachos dele sempre davam trabalho e ele levava um tempinho para arrumar quando íamos sair.

– Parece que houve um imprevisto no estúdio e Rick precisou sair às pressas com a equipe dele. – Harry diz, dando ombros quando se coloca de pé.

– Maravilha. – Murmuro mais para mim mesma. – Obrigada.

Me retiro no instante seguinte, impaciente. Guardo minha câmera e todo o meu equipamento na mochila. Percebo que não vou poder encarar a chuva sem molhar minha câmera e isso está totalmente fora de cogitação. Sento na escada do hall frontal e pego meu celular. Ligo para Ian, mas recebo apenas sua caixa postal.

– Ei, aqui é Ian Jones, deixe seu recado e eu retornarei quando puder... ou quiser. – Sua voz diz, então o bipe anuncia a minha deixa.

– Ian, Honeymoon me deixou na mão e eu preciso de você. Me liga assim que receber isso. – Murmuro.

Suspiro cansada e tiro os óculos, deixando minha cabeça cair sobre os meus joelhos.

– Que dia maravilhoso. – Eu digo sozinha e irônica.

– Problemas? – Ouço a voz de Harry romper o silêncio mas não ouso olhar para ele, tampouco responder. Ouço seus passos passarem por mim nas escadas e sinto quando ele para bem na minha frente. – Precisa de uma carona?

Ergo a cabeça devagar, meus olhos passam por sua bota de veludo, a calça preta justa, uma camisa do Yellow Submarine, e um casaco bege, com detalhes de pele na gola. Meus olhos se encontram com os seus por breves segundos mas eu desvio. Vejo uma chave de carro na sua mão.

Por um breve segundo, meço os prós e contras de pegar uma carona com ele. Sei que preciso sair dali. Aquela casa poderia muito bem ser assombrada e eu não estava disposta a pagar para ver. Além disso, eu precisava devolver a bicicleta para não pagar uma multa absurda. E não podia sob hipótese alguma, molhar meu equipamento de trabalho. Esperar por Ian não adiantaria, afinal se ele estivesse ocupado, ele demoraria para retornar e demoraria mais ainda para me buscar, afinal a Universidade é do outro lado de Londres. Agora, os contras, se resumiam basicamente a Harry tentar qualquer conversa ou aproximação. Coisa que eu poderia evitar facilmente com um pouco de habilidade de esquiva.

– É só até a metade do caminho. E vamos precisar parar em um posto de gasolina. – Murmuro. Levanto e pego minha bolsa. – E, ah, precisamos levar essa bicicleta. – Eu aponto para a tal no hall. Harry observa por alguns segundos e dá de ombros.

– Ela cabe no porta malas. – Harry diz e pega um guarda chuva. Vejo que o carro dele não é um carro esporte luxuoso tipo aqueles do filme do James Bond, mas ainda assim é um carro que parece meio caro. Ele é preto, com película, e não preciso perguntar para saber que é blindado.

Harry carrega a bicicleta com uma mão e eu observo enquanto ele dobra a bicicleta e a coloca no porta malas. Ele abre destrava o carro e faz menção de vir me buscar com o guarda chuva, mas eu apenas corro para o carro sob a chuva e entro no banco do passageiro. Harry entra logo depois e para evitar seu olhar, eu coloco o cinto de segurança. Me recosto no banco e olho para frente, percebo Harry colocar o cinto e ligar o carro.

Meu celular toca e eu vejo que é Ian. Atendo.

– Ei, Nina. O que houve? – Ele diz.

– Não é nada, Ian. Eu estava com alguns problemas mas já resolvi. Você vem para casa hoje à tarde? – Pergunto.

– Não, tinha marcado de sair com uma garota hoje. Mas eu chego hoje pela noite. – Ele murmura e eu ouço barulhos.

– Tudo bem, só não esquece que amanhã é o...

– Memorial. Eu nunca esqueceria. – Ian diz e eu percebo a melancolia em sua voz.

– Certo. Nos falamos depois.

Depois que eu desligo, o caminho é silencioso e desconfortável. Paramos em um posto e eu compro um galão pequeno de gasolina, apenas para ser suficiente para tirar a Honeymoon do lugar e chegar à um posto decente. Bato o pé no chão e mordo uma unha. Harry batuca os dedos no volante e liga o som. Uma música extremamente pop começa a tocar e Harry desliga o rádio após alguns segundos.

– Então... – Harry murmura, como se quisesse criar algum assunto.

– Pois é... – Eu digo e mordo o interior da bochecha, me arrependendo de ter aceitado aquela maldita carona.

– Como está o seu irmão? – Harry pergunta. Eu só aceito responder pois qualquer coisa é melhor que aquele clima absurdamente desconfortável.

– Ele está bem. – Digo. – Ele está estudando na UWL, e morando no campus com alguns calouros.

– Sério? E o que ele está cursando? – Harry parece feliz e surpreso com isso.

– Ele estuda Direito. Ian está vivendo um bom momento lá. Ele ama. – Eu digo, me preenchendo com lembranças doces do meu irmão vivendo o melhor momento da sua vida. Novas descobertas, novos amores, e um pouco mais de independência. Ele ficou radiante quando eu lhe dei seu primeiro carro de presente.

Harry assente em silêncio e nos encaramos olhos nos olhos. Pisco devagar e olho para pista.

– E você, Nina? Como está? Não nos falamos desde... – Harry nem pôde terminar a frase pois eu fiz questão de interromper.

– Desde que você me chamou de garotinha mimada e egoísta. Bem, a novidade é que eu não sou mais mimada e egoísta. – Rebato com tanta mágoa que eu simplesmente não posso evitar. Por que aquilo me fez tão mal, que eu só queria causar nele o mesmo.

– Nina, eu... – Harry começa mas ele mesmo para, em decorrência de um suspiro pesado. Talvez ele soubesse que nada do que ele pudesse dizer mudaria as coisas. Não me faria sentir melhor.

– Não se preocupe, Harry. Não somos amigos, não desde aquele dia. – Eu o corto e cruzo os braços sobre o peito. Eu provavelmente estava sendo infantil, mas estava magoada demais para sequer tentar evitar.

Ficamos em silêncio e eu me sinto aliviada ao ver Honeymoon estacionada exatamente onde eu a deixei.

– Céus, aquela é a picape do seu pai? – Harry pergunta e eu percebo que é totalmente espontâneo, dada a surpresa que ele está. Por isso o ignoro. Eu aperto o botão que abre o bagageiro.

– Obrigado. – Digo entre dentes por que a minha boa educação não me permite apenas partir.

Quando vou sair, Harry segura meu braço e me impede de sair. Puxo o meu braço como se o seu toque me desse choque. Nossos olhos se encontram e eu não evito transmitir todo o meu ultraje, daquele ato. Mas os olhos dele, me transmitem tanta tristeza que eu sinto minhas paredes começarem a ceder.

– Nina...

– Harry. – Sinto minha voz falhar quando as lágrimas me sobem a garganta. – Eu não posso fazer isso... Não agora.

– Nós precisamos conversar, Nina. Por favor. – Ele diz como se aquilo o causasse dor física.

– Nós vamos nos ver durante a segunda parte da sessão de fotos. E até lá, eu decido se essa conversa vai acontecer. – Eu respiro devagar. Harry assente e me entrega o guarda chuva que estava no chão do banco traseiro, o mesmo que ele havia usado para entrar no carro.

– Pense a respeito. Por favor. – Harry sussurra por fim. Eu assinto e saio.


Notas Finais


E então?

Comenteeeeeem, beijo no core!


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