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História Boa noite, Regina! - Capítulo 2


Escrita por: sqfanfic

Notas do Autor


Olá! Boa noite, amores! Como vocês estão?
Enquanto RM e ...MCMA descansam, vamos nos aventurar nessa nova história?

PS: se você é leitor de RM ou ...MCMA, eu expliquei sobre elas em minhas redes sociais, ok? Não foram abandonadas, mas não serão atualizadas no momento.

Capítulo 2 - Prólogo (1).


 

 

Los Angeles, Estados Unidos – Novembro/2020.

 

 

Coronavírus: o lugar nos EUA onde uma pessoa morre de covid-19 a cada 6 minutos. O paramédico Humberto Agurcia não parou de atender ocorrências desde que sua cidade natal, Los Angeles, se tornou o epicentro da pandemia do coronavírus nos Estados Unidos, no final de novembro (...).

— Me deixa nervosa... Ainda me deixa muito nervosa!

— Ok, mas agora é hora de voltarmos ao trabalho. — diz a voz máscula.

— Dra. Mills, favor comparecer na Ala COV-02. Repetindo: Dra. Mills, favor comparecer na Ala COV-02.

Os passos apressados tomaram conta do corredor; já não era vantagem e muito menos vaidade ir para o trabalho de salto. As roupas firmes, a viseira e a máscara sobrepunham os jalecos elaborados e bordados com as iniciais RM. Pensara tanto naquilo... Mas agora não! Talvez no próximo ano, mas agora? Não! Não mesmo!

— O que houve, Claire? — a médica indagou  uma das enfermeiras que a esperava próximo a entrada da Ala COVID do 2º andar.

— Paciente com sinais vitais reduzidos, Dra. Mills. Emma já está fazendo os procedimentos, mas precisa da Sra.

— Tudo bem! — exclamou a médica, antes de iniciar a troca de todos aqueles apetrechos. — Sexo feminino ou masculino?

— Adolescente do sexo masculino.

— Idade?

— 19 anos.

— Puta que par... — Regina levou a mão a porta e, de forma rápida, adentrou.

 Nervosismo; por mais que aquela fosse a quinquagésima vez em que faria algo do tipo, mas mesmo assim o nervosismo ainda agitava sua corrente sanguínea, causando certo ressecamento em seus lábios.

— Pressão caindo! — anunciou Dra. Swan. — Saturação diminuindo... — e a bomba começara a apitar.

— Punciona mais um acesso. Faz volume, Dra.! — exclamou Mills.

— Olha o monitor! — Emma disse, com o tom de voz mais elevado.

— Vai parar! — Regina suspirou, negando com a cabeça. — Checa o pulso...

— Parou! — Emma se afastou do corpo do adolescente e rodou três vezes, em torno de seu próprio eixo, abaixando-se na altura do joelho, como se tomasse o impulso que precisara para continuar. — Claire, chama a equipe!

E logo a equipe se formou no quarto.

— Puxa o carrinho! — disse um dos residentes.

Tubo na mão. Laringo na outra. Desfibrilador, aspirador, AMBU. Aspira adrenalina, administra adrenalina.

Cronômetro...

Regina coordena...

Emma orienta...

Dra. Swan não tirava os olhos do relógio que estava em seu pulso, enquanto segurava o pulso do paciente com uma das mãos.

— Voltou! — exclamou a Dra.

Alívio.

— Precisamos fazer a sedação. Trás material estéril, por favor! — disse Dra. Mills, já a postos para iniciar o procedimento. — Aguenta firme, cara! — disse, por fim, com um enorme sorriso no rosto, por mais escondido que ele estivesse.

 

 

 

 

— Eu não consigo me acostumar com toda essa lamúria, Swan. — Regina pontuou ao se aproximar de Emma, que estava se preparando para tomar o banho da higienização do final de plantão.

O protocolo do Hospital havia estabelecido que, a cada início e fim de um plantão, os profissionais deveriam tomar uma ducha, em busca de não proliferar o vírus dentro e fora do Hospital.

— Você procurou a terapeuta que eu te falei? — a loira perguntou, ouvindo um balbucio de hesitação vindo da morena. — Eu só fico preocupada com o seu psicológico, Nina. — Emma, que já estava no chuveiro, disse. — São muitas coisas para assimilar, juntamente com a falta que você está sentindo de seus pais e de...

— NÃO! — exclamou, gesticulando com as mãos. — Apesar de tudo, eu sinto que estou bem, Emma. Juro! — beijou os próprios dedos.

— Uhum... — a loira sorriu, ao sair enrolada na toalha. — Só que eu não acredito em você. — disse, virando-se de costas para começar a vestir a roupa de ir embora. — Você não tem dormido bem... Pensa que não ouço o barulho e o cheiro de café vindo da cozinha?

— Se você está me ouvindo, é porque não está dormindo também... — retrucou Mills, indo em direção ao chuveiro, após ter colocado todas as roupas dentro de um saco plástico para que fosse higienizado pela máquina extratora do Hospital.

— Tudo bem. — pontuou Emma, que já vestia a máscara para que pudesse sair.

— Emma, eu agradeço por tudo o que tem feito por mim. Ter me cedido um quarto no seu apartamento é, de longe, a coisa mais incrível que alguém poderia ter feito. — disse de forma delicada. — Mas você não precisa se preocupar com mais nada além disso. Não quero ser um problema na sua vida.

— Ah, mas você é um problema na vida de todos nós, Miss Mills! — Dra. Carol exclamou de forma divertida,  juntando-se as duas. — Que plantão foi esse? — perguntou de forma retórica, enquanto retirava as roupas.

— Foi você quem atendeu a emergência no Pronto Socorro? Eu ouvi o chamado, mas estava olhando uma paciente no 2º andar. Acredita que mãe e filho estão internados? — Emma perguntou.

— Meu Deus! — Carol e Regina exclamaram juntas. — Eu e Dr. Jozias atendemos a duas emergências no PS hoje. A cada dia as coisas estão piorando mais...

— Vocês viram a reportagem com o Dr. Humberto na TV hoje? — Mills perguntou. — Nossa cidade se tornou epicentro do vírus nesse mês.

— Nós precisamos ser muito fortes, pois teremos muito trabalho pela frente. — afirmou Swan.

— E agora vocês duas vão comer e descansar um pouco, ok? — Carol disse, intercalando o olhar entre Emma e Regina.

— Por falar em Dr. Jozias, hoje ele me convidou para tomar um café. Disse que queria me atualizar das fofocas do Hospital, mas eu estou tão cansada... — Regina disse, enquanto vestia suas roupas.

— Não sei como ele ainda consegue se ligar em fofoca, com tanto trabalho para ser feito. — Emma disse com desdém, já colocando a bolsa no ombro.

— Ei, penteie esse coração peludo! — Regina disse em tom de implicância e, ao passar do lado da loira, deu-lhe um tapinha na lateral da coxa. — Vamos?

— Vamos! — exclamou a loira. — Vamos, porque agora eu me tornei motorista de Regina, Carol... — brincou Swan, arrancando uma risada da outra médica, que acenou em despedida para as colegas.

 

 

 

 

As peças de roupa caídas na entrada, juntamente com o forte cheiro de álcool que embebedava o corredor do andar do apartamento 18.

— Ai! Coloquei a mão no olho! — exclamou desorientada.

— Cuidado, Nina! — Emma se virou, sorrindo, antes de levar a mão na maçaneta para destrancar a porta.

  Os passos apressados seguiram rumo a portas distintas; uma que ficava próximo a do quarto e outra que ficava dentro, fazendo daquele ambiente uma suíte.

Outro banho...

— Ei! E como você está?

— Eu quase perdi novamente, Emma! Novamente... — suspirou, ao vislumbrar a imagem da amiga, que já estava banhada na cozinha, e preparava algo no fogão.

— Mas você deu o seu melhor, como sempre fez.

— Só não foi o suficiente. Mais uma vez, o meu melhor não foi o suficiente... — disse, já com o corpo curvo e visivelmente abatido. — Ele é um adolescente, que tem toda uma vida para ser vivida. Se eu faço uma coisinha errada, seria mais uma vida perdida.

— Sim, mas você não pode se responsabilizar sozinha. Não dessa forma. — Emma parou de cozinhar e caminhou até a amiga. — Estávamos eu, você e toda uma equipe. Não seria só sua responsabilidade. — a loira disse, tentando amenizar toda aquela cobrança que estava presenciando. — Você tem 35 anos e 15 deles são atuando na medicina, certo?!

— Certo!

— E nunca antes, de forma alguma, você lidou com uma pandemia como essa. Então, é normal que você se sinta assim, que se cobre e se frustre...

— Mas...

— É... — Emma riu. — Mas... Não faça isso consigo mesma. Tente deixar as coisas do trabalho no trabalho e vir zerada para casa. Você precisa se alimentar e descansar, para que no próximo plantão esteja ainda mais forte para ajudar essas pessoas a enfrentar essa fase.

— Você tem razão, Emma! — a morena sorriu, sem mostrar os dentes, e ergueu a cabeça, penteando com os dedos o cabelo molhado para trás. — E o que você está fazendo de gostoso aí? Está cheirando bem... — a morena levou a mão na boca ao espirrar.

— Acho melhor ir secar esse cabelo, não?! — sugeriu Emma. — E eu estou fazendo uma massa, porque é só isso que eu sei fazer. — deu de ombros, fazendo Regina rir.

— Você sabe fazer muitas coisas, Emma... Com a sua idade, eu não fazia quase nada na cozinha.

— Você fala como se eu fosse muito mais velha do que você... — as duas riram. — Apesar de que são cinco anos de diferença, né?!

— Sim! Com 30 anos eu não cozinhava nada... — disse Regina.

— Ah, mas isso é regalia de quem mora com os pais a vida inteira... — Emma disse, em tom de implicância, e Regina a ‘bateu’ com o pano de prato. — Eu tive que aprender a cozinhar quando vim morar sozinha. Aprendi na marra, mesmo.

— E eu acho que valeu super a pena, porque a sua comida é muito gostosa...

— É? Então ‘tá bem!

— Acho que vou aproveitar e ligar para mamãe. Ela e papai estão na fase de jogar carteado e tomar vinho. — Regina disse, enquanto discava o número na tela do celular.

— Eu fico feliz por vocês terem uma boa ligação familiar. — Emma se virou para a amiga e encostou-se ao balcão da pia. — Os meus pais nem devem se lembrar da minha existência.

— Emma...

— Regina, eu não consigo lidar com aqueles olhares! — exclamou a loira.

— E por que essa é a parte que mais pesa pra você? Existem tantas outras coisas boas para se fazer quando estão juntos... Tantos assuntos...

— Eu sei, mas... — suspirou. — Ela sempre quer saber se estou namorando, quando terei filhos... Essa pressão me desmotiva!

— É bem estranha a forma como eles te cobram isso, mesmo. — Regina disse e Emma meneou a cabeça.  — Só tente não se preocupar.

— Eu tento fazer isso a minha vida inteira, mas... — Swan suspirou e contraiu os ombros, desviando o olhar para que Regina não visse que eles haviam marejado.

— Você precisa de um abraço agora? — Mills perguntou.

— Sim! — respondeu Emma, abrindo os braços para receber o corpo da amiga. Após alguns segundos de contato, a loira indagou: — Nina?

— Hum?

— Nunca me pergunte se eu preciso de um abraço seu, porque eu sempre irei precisar.

— Bom saber, Swan. — fez um carinho no coro cabeludo da amiga. — Bom saber!

 


Notas Finais


E AÍ??? Vamos nessa? <3

GLOSSÁRIO: (obrigada, Emy!)
Laringo - Objeto que auxilia na ação de intubação.
Desfibrilador - Aparelho que identifica o ritmo cardíaco.
Aspirador - Utilizado para aspirar as secreções.
AMBU - Utilizado para fazer a ventilação artificial.


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