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História Boa noite, Regina! - Capítulo 4


Escrita por: sqfanfic

Notas do Autor


Boa noite, galera!
Boa noite, Regina!
Desejo a todos uma boa leitura! ❤

Capítulo 4 - Capítulo 3



Emma


— Ei... Bom dia! — bato na porta, mas já com a cabeça para dentro do quarto de Regina. Ela, que estava deitada na cama, sorriu e fez uma careta logo em seguida, ao se esforçar para levantar. — Não está legal? — perguntei, referindo-me ao seu estado de saúde.

— Hum... — ela geme de dor. — Na verdade, parece que fui atropelada por um fusca desgovernado, que estava fugindo da Polícia... — ela diz e eu dou risada.

— Posso compreender, porque foi um atropelamento bem específico e sério. — falo em tom de brincadeira, aproximando-me da cama. Ela coloca sua máscara de proteção e se ajeita na cama, deixando as costas apoiada na cabeceira. — Eu fiz um chá e trouxe algumas torradas também. Você não quer geleia, né?

— Não!

— Imaginei... — ergo os ombros e ela me olha. — Eu te observo, Dra. Mills!

— Imaginei... — ela disse, imitando minha última fala. — Isso aqui já é o suficiente pra mim.

— Qualquer coisa, pode me chamar. Eu vou pedir algumas coisas no mercado e eles devem entregar por volta das 11:00am. Você precisa de algo?

— Hum... Absorventes. — provavelmente fez uma careta, pois seus olhos se estreitaram. — Acredita? Além de tudo isso, a bendita resolveu descer.

— Pense pelo lado bom... — pisquei um dos olhos e ela gargalhou.

— Até parece... — ela nega com a cabeça.

— O que? Porque, até onde sei, dedos ainda não fazem bebês. — ironizei, mas percebi que seu corpo se curvou e sua expressão se fechou.

— É... Você tem razão! — exclamou. Como eu já estava na porta, ela retirou a máscara e levou a xícara a boca, tomando um gole do chá. — E, mesmo se fizessem, eu não estaria correndo risco algum.

— Somos duas, minha querida! — pisquei um dos olhos novamente e ela sorriu, mas sem mostrar os dentes.

— Você vai pagar com cartão ou dinheiro? — adentrou com outro assunto.

— Cartão! Estou sem dinheiro aqui... — expliquei, vendo ela assentir com a cabeça.

— Eu também estou sem. — pontuou. — Eu posso te transferir a minha parte?

— Ah... Não precisa, Nina! — exclamei, escorando-me no batente da porta. — As últimas compras você pagou sozinha e, sempre que vai ao mercado, traz várias coisas e eu nunca te passei nenhum valor.

— É o mínimo, Emma... Eu moro aqui e você não me cobra nada por isso. — bebeu um pouco mais do chá. — É o mínimo que posso fazer para retribuir a sua hospitalidade.

— Então, tudo bem... — eu sorri. — Mas deixa que dessa vez eu pago tudo. Tem certeza de que só precisa de absorventes?

— Sim, sim... — bebeu mais do chá e suspirou. — Nossa, está uma delícia! Muito obrigada, 'tá?!

— Imagina! Não é nada! — respondi. — Além de que, se eu não cuidar bem de você, perco uma amiga maravilhosa.

— Isso é verdade. Mamãe te adora, Emma! E eu arrisco dizer que ela gosta mais de você do que de mim. — ela diz e eu rio. — Estou falando sério, ué...

— Ai, ai... — nego com a cabeça e faço menção de sair, mas volto ao me lembrar de dizer: — Ah! Eu enviei um e-mail para o RH do Hospital, em meu nome e em seu nome.

— Jura? Emma, você é um anjo...— diz. — Eu já havia mandado, mas agradeço que tenha feito isso.

— Então você viu a resposta, né?! — ela meneia a cabeça. — Eles nos afastaram por 14 dias. Acho correto porque, por mais que já estejamos vacinadas, é importante que não proliferemos o vírus.

— Exato! Eu me sinto bem, tirando essa dor chata no corpo...

— Que ótimo! — exclamo e saio, deixando Regina a vontade para terminar de comer.



Regina


— Eu estou muito bem, mamãe. — pontuo.

Está se alimentando? — ela pergunta. — Eu quero ver você, minha filha. Como faço para colocar seu rosto aqui no meu aparelho?

— Só no celular de papai que funciona assim. Mas pode ficar tranquila, mamãe. Estou bem mesmo... — reafirmo.

Não me esconda as coisas, Regina. — ela diz, transparecendo sua extrema preocupação. — Eu pego o meu carro e vou parar aí, hein?! Fala que duvida!

— Não faça isso, dona Cecile! — digo.— Emma está sendo uma ótima enfermeira, eu garanto.

Isso é o que me conforta. Saber que está em boas mãos e com alguém que conhece. — eu sorrio ao ouvi-la. — Mas não deixe de me ligar quando fizer esse teste e de dizer como está...

— Com toda certeza. — respondo.

Com toda certeza? Eu quero que me ligue o tempo todo, todos os dias... — ela fala com seu jeitinho doce. — Mas até que vai ser bom, sabia?! Bom pra vocês descansarem um pouco de toda aquela correria... — diz mamãe. — Não é por um bom motivo, mas...

— Pois é!

Outra coisa, minha filha: Cybelle conseguiu falar com você? — minha mãe pergunta.

— Cybelle? Não. Nós não nos falamos nesses últimos dias.

Ah, sim... É porque ela nos ligou e pediu o seu novo número, porque disse que havia perdido o aparelho dela e não tinha decorado o seu.

— Ah... — respiro fundo. — Ela deve ter tido algum imprevisto, por isso ainda não ligou.

Não estou gostando desse tom, minha filha. O que aconteceu? Você e Cybelle não são mais amigas?

— Somos sim, mãe. — respondi. — Eu só fiquei chateada por saber que ela perdeu o celular. Sei que ela demorou bastante para comprá-lo.

Que ótimo! Já que vocês ainda são amigas, minha filha, aproveita e me tira uma dúvida...

(...)



O dia havia passado como os passos de uma tartaruga; parecia infinito os minutos que marcavam no relógio na tela do celular.

Eu me sentia bem, apesar do cansaço corporal. Felizmente eu estava sentindo o gosto e o cheiro das coisas, e continuava me alimentando normalmente.

Por volta de 06:00pm, um cheiro de cebola refogada envandiu o meu quarto, juntamente com os acordes de Holding Back The Years, de Simply Red. Me levantei devagar, coloquei minha máscara e fui em direção a cozinha.

Aproximei-me do batente da porta e logo vislumbrei a imagem de minha parceira de trabalho, que usava um avental e tinha um pano de prato jogado no ombro. Os seus cabelos estavam presos em um coque baixo, mas parte de sua franja insistia em não ficar atrás de suas orelhas, fazendo com que ela os devolvesse ali toda hora.

"... I've wasted all my tears

Wasted all those years

And nothing had the chance to be good

Nothing ever could yeah..."


“... Eu desperdicei todas as minhas lágrimas

Eu desperdicei todos esses anos

E nada tinha a chance de dar certo

E nada jamais pode, oh sim, oh sim...”


— "I'll keeping holding on... I'll keeping holding on... I'll keeping holding on...". — Emma cantarolava enquanto se movimentava em frente ao fogão e mexia algo em uma panela. A sua leveza e tranquilidade, simplesmente por estar em casa, contrastava de forma gritante com a postura séria de quem a via pelos corredores do Hospital.

Como ela não havia notado minha presença, eu optei por me afastar e deixá-la curtir o momento consigo mesma. Voltei para o meu quarto, retirei a máscara e voltei a me deitar, sem perceber que em meu rosto habitava um sorriso bobo que, naquele momento, eu não saberia dizer o motivo pelo qual ele estava ali.



3 dias depois...


07:40am


— Posso?

— Pode! — exclamo.

— Inclina mais a cabeça, Nina... Abre a boca e inclina mais a cabeça. — Ela pede. — Não vai me dizer que está com medo de fazer um teste bobo desses?! — ela dá uma risadinha e eu lhe mostro o dedo do meio. — Eu corto ele!

— Não é medo. É nervoso, agonia... — explico, vendo-a rir ainda mais. — Tá, agora pode.

— Respira fundo, puxando o ar pela boca, vai. — eu faço o que ela pede, ela introduz o "cotonete" em minha narina direita e eu espirro. — Isso! — ela retira, espera que eu limpe a coriza e introduz na narina esquerda. — Agora é só esperar um pouquinho...

— Obrigada! — agradeço e logo visto minha máscara. — Desculpa pelo espirro.

— Fica tranquila. Eu estou de luva, de máscara... — ela fala enquanto pinga a solução na barrinha de teste.

— Já apareceu? — pergunto a ela sobre o resultado do teste.

— Nem parece que é médica... — ela implica. — Fica calma, ok? Daqui a pouco aparece o resultado.

Aguardamos uns minutos para que o teste fosse validado, mas antes mesmo de o tempo acabar, a linha que indicava que o resultado havia sido POSITIVO, já estava bem aparente. Emma e eu nos olhamos e, mesmo sabendo de todas as coisas possíveis sobre essa doença, era inevitável não me sentir amedrontada.

— É só manter o que já estamos fazendo e pronto. — Emma diz de forma otimista e eu, mesmo tentando parecer conformada e tranquila, não fui capaz de esconder dela os meus olhos cheios d'água. — Nina... Vai ficar tudo bem!

— Será? — perguntei e ela arregalou os olhos.

— Mas é lógico que vai. Nós estamos vacinadas, então a doença não virá da mesma forma que vem em quem não está. — tenta me conformar.

— Sim, mas e essas variantes que estão rodando o mundo, Emma? — faço-lhe mais uma pergunta e ela suspira, como se não acreditasse no que estava ouvindo.

— Ok! Eu compreendo o seu medo e sinto muito por você ter que passar por isso agora, mas... Por favor, tenta ser otimista e positiva. São só mais uns dias e logo voltaremos ao trabalho.

— Voltar ao trabalho? Mesmo em casa, eu já estou te dando mais trabalho ainda... — falo, e ela revira os olhos. — Sério, Emma!

— Fica tranquila, Regina! — dá ênfase em todas as palavras da frase e me chama pelo meu primeiro nome, coisa que dificilmente ela fazia quando estávamos fora do Hospital.

— Tudo bem... — respirei fundo e joguei o meu corpo pra trás, deixando que ele caísse sobre o colchão da cama.

— Já olhou a saturação hoje?

— Sim! 99%.

— Excelente! — exclama. — Eu vou passar a anotar e a checar com mais frequência durante o dia.

— Eu não queria que você tivesse muito contato comigo, porque não sabemos o que tenho... — falo de forma sincera.

— Nós já tivemos contato nesses últimos dias e, por mais que tenhamos cuidado, provavelmente eu já estou infectada também. — diz, olhando em meus olhos. — Mas você está se sentindo mal e eu não, então... Alguém precisa cuidar de você e, no momento, só eu estou disponível, Dra. — dou risada.

Emma começa a juntar as embalagens e as coisas do teste, coloca dentro de uma sacola e, antes de sair do quarto, se vira e diz:

— Estamos juntas, Nina. Por mais uma vez, nós duas estamos juntas!

E, por fim, saiu.



Notas Finais


E AÍ? O que você acham que vai acontecer a partir de agora? ❤


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