História Boa noite Seattle - Capítulo 17


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Notas do Autor


Sintam a confusão de Camila... Ou não... Vai saber...

Capítulo 17 - Capitulo 17


Lauren

— Então, você e essa mulher terminaram mesmo?

— Vero...

— Lauren, eu tenho te visto se arrastar feito zumbi há dias. Conte de uma vez o que aconteceu.

Desde que Camila e eu terminamos, se é que posso falar assim, eu realmente tenho agido em modo automático.

— Eu já disse, eu achei melhor terminar Vero, é só isso.

— Mas, por quê? Lauren, claramente você esta sofrendo! Porque terminar com alguém que te fazia feliz?

— Estar feliz não necessariamente é estar bem.

— Vem cá.

Estende os braços e me abraça.

— Você é um bebê que não merecia ser magoado e o que quer que essa mulher tenha feito te magoou muito, eu vejo isso.

— Eu supero, não esquenta não... — Meus olhos lacrimejantes colocando minhas palavras em dúvida.

— Eu tenho certeza disso. — Afasta as lágrimas de minhas bochechas. — Seja ela quem for não merece que você fique assim ok? Nós vamos sair mais tarde, vamos beber e dar risada e ver pessoas e beijar pessoas e ela que se dane!

Sorrio feliz, não pela programação, mas, por saber que em Verônica eu encontrei uma boa amiga.

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Camila

— Envie os contratos para o meu e-mail, vou ler mais tarde e amanhã te digo o que achei.

— Camila, eu preciso de uma resposta hoje, você terá de ler esses contratos agora.

— Faça como estou dizendo Dinah, eu estou de saída.

— Como assim? Você vai sair para almoçar ou o que? Demora a voltar?

— Você é minha chefe ou mulher pra me fazer tantas perguntas? — Ignoro sua cara feia e abotoa meu blazer — Volto amanhã com a sua resposta.

— Esses caras querem uma respos...

— Amanhã Dinah — Interrompo e antes que ela inventasse mais alguma coisa eu deixo minha sala caminhando apressada para o elevador, digitando um número no celular.

— Eu vou dirigir — Afirmo para meu motorista que sem hesitar entrega as chaves do carro.

Conecto meu celular no bluetooth e aguardo a ligação ser completada.

— Alô.

— Tire o resto do dia de folga, eu vou ficar com meu filho.

— Camila, aconteceu alguma coisa?

— É assim tão surpreendente eu querer passar uma tarde com meu filho?

— Bom... Eu vou busca-lo na escola então e...

— Eu já estou a caminho. Vá para sua casa ou qualquer outro lugar, enfim, faça o que quiser isso não me importa.

— Tem certeza?

Encerro a chamada sem respondê-la. Definitivamente Allyson estava passando dos limites.

Um sol fraco iluminava as ruas enquanto pessoas apressadas se esbarravam correndo para aproveitarem sua hora de almoço.

Pouco tempo depois estou diante do colégio numa fila de carros, aparentemente eu sou a única que não conhecia o sistema de rodizio de estacionamento para pais que apanhavam os filhos após as aulas.

— Com licença — Pergunto a um jovem uniformizado que parecia controlar o fluxo de carros — Poderia dizer onde devo estacionar para esperar meu filho?

— A senhora não vem muito aqui não é? — Pergunta divertido admirando o carro e sorrindo solicito. Dou de ombros, constrangida e ele continua — Qual a turma dele?

— Ele esta no primeiro ano...

— Ah então ele é um dos primeiros a sair, siga em frente e pode estacionar onde encontrar vaga.

Agradeço e volto a subir o vidro da janela me isolando das conversas de fora.

Faço como ele disse e em seguida caminho até o portão de saída avistando meu filho não muito tempo depois se despedindo de algumas crianças. Ele parece procurar alguém e olha em volta perdido em meio a tantas pessoas.

— Theo!

Aceno para ele que ao me encontrar em meio àquela gente sorri um pouco confuso.

— Mãe! Você veio me buscar!

— Gostou da surpresa?

— Sim! Eu gostei muito. Allyson veio com você?

Meu sorrio vacila por alguns instantes.

— Não, hoje seremos apenas nós dois. — Seguro sua mão para guia-lo até o estacionamento. — Tudo bem pra você?

— Sim...

— Esta com fome?

— Um pouco. Eu comi uma maçã não faz muito tempo...

— Por quê? Pensei que a hora do lanche fosse bem mais cedo.

A essa altura nós já estávamos dentro do carro, Theo afivelando o cinto de segurança.

— É sim, mas, a professora ficou doente, então nós ficamos sem aula.

“Dinheiro bem gasto” eu penso.

— Eu pensei em almoçar e depois um passeio de balsa... Quer?

— Sim! — Seu rosto se iluminando instantaneamente — Eu adoro balsas!

— Então está combinado...

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Mal entramos no prédio e uma chuva grossa e pesada começou a desabar. Felizmente o mau tempo esperou que encerrássemos o dia.

— Vá tomar seu banho filho. Quer lanchar antes de dormir?

O passeio que seria de umas horas somente se estendeu e Theo e eu acabamos jantando fora e isso foi mais fácil do que pensei que seria. No fim, talvez eu não seja uma mãe tão inútil assim.

— Não, eu estou cheio...

— Você esta satisfeito mocinho, olhe os modos. — Corrijo amenizando a bronca desfazendo seus cabelos. — Então vá direto para sua cama.

— Vai me colocar pra dormir também?

— Você quer?

— Sim, Allyson sempre faz. Falando nela, será que ela já dormiu?

— Acho difícil, mas, para você esta tarde rapaz, já passou da sua hora. Amanhã você pode falar com ela.

Ele aceita um pouco contrariado, mas, obedece.

Eu não saberia dizer quantas vezes o nome de Allyson surgiu ao longo da tarde.

Abro meu e-mail e vejo as notificações com mensagens de Dinah e os benditos contratos que me esperavam, junto com duas ligações perdidas de Ravena e uma mensagem de voz. Incerta sobre ouvir ou apagar a curiosidade vence:

Camila, querida! Estou tentando falar com você há horas! Quero saber como as coisas estão. Existe algo que eu possa fazer por você? O que acha de um jantar? Eu convido dessa vez. Poderia ser essa noite? Se não puder não tem problema, marque outro dia. Quero entender exatamente o que aconteceu. Pode me ligar assim que ouvir esse recado, não me importo com a hora. Até breve querida, um beijo...

— Eu também queria entender o que aconteceu...

Deixo o celular de lado e me sirvo uma dose generosa de uísque.

Tenho preenchido meus dias e noites com trabalho para evitar pensar em Lauren e em tudo o que aconteceu, falar com Ravena nesse momento não ajudaria nesse caso.

— Mãe? Estou pronto.

Theo me esperava vestido num pijama fofo com estampa de bananas, os cabelos ainda úmidos, os olhos pesados e a expressão cansada.

— Vamos...

Depois de ajeitar seu travesseiro e os cobertores eu aumento o termostato ajustando melhor a temperatura que caíra bastante na última hora.

— Esta confortável assim?

— Humhum...

— Está quentinho?

— Estou...

— Bom... Então durma, foi um dia bastante longo para você.

— Mãe?

— Sim?

— Porque você esta triste?

— O que? Eu não estou triste Theo.

— Esta sim...

— A mamãe só esta cansada filho...

— Eu te vi no outro dia... Você estava chorando...

Meu filho me viu chorando e agora estava receoso de me dizer isso, parecia com medo de me desagradar.

— Adultos também choram de vez em quando sabia? — Brinco tentando amenizar.

— Você não.

— Eu estou bem filho. Você não tem que se preocupar comigo nem com nenhuma outra coisa. Ok?

— Eu não gosto quando você esta triste...

— Que bom que eu estou bem então...

— Você pode pegar a Nala pra mim?

Sem entender eu pego a leoa de pelúcia e entrego para ele, lembrando-me do dia em que a comprei. Foi o primeiro presente que dei e ele ainda bebê e desde então Theo cuida dela com todo carinho e até bem pouco tempo a carregava para todos os lados.

— Pode ficar com ela...

— Não entendi...

— Quando eu tenho medo eu durmo com ela e fico corajoso. Talvez funcione com você, ela pode te deixar feliz...

Eu realmente não mereço esse garoto...

— Obrigada meu amor...

Para minha surpresa ele se levanta e passa os bracinhos por meu pescoço. Eu o aperto forte sentindo falta do seu cheirinho de bebê. Theo beija meu rosto e sem dizer mais nada se deita e fecha os olhos caindo num sono tranquilo quase que imediatamente. Deixo um beijo em sua testa e ajeito os seus cobertores.

Encosto a porta do quarto deixando uma fresta de luz entrar e sigo para o escritório onde uma leitura longa e monótona me esperava.

Já passava das duas da manhã quando eu enviei o último contrato junto de algumas observações para Dinah e somente então fui para o banho, ansiosa por cair, literalmente, em minha cama.  Não levo mais que dez minutos e finalmente sinto os lençóis gelados contra minhas costas nuas, contudo, o sono não parecia disposto a me visitar esta noite. Tentando encontrar uma posição confortável eu me viro para todos os lados, desfaço os lençóis, ouço o barulho da chuva fustigar as janelas, mas, nada faz com que minha mente desacelere o suficiente.

Desde a noite aquela noite eu não conseguia dormir por mais que duas ou três horas, sendo que nesse breve período meus sonhos se resumiam a vê-la batendo a porta ao sair ou com lembranças de um passado longínquo que eu preferia esquecer.
Não poucas vezes eu pensei em ligar para Lauren, mas, para que? Ela não aceitaria o que eu estou disposta a oferecer e eu não poderia lhe dar o que ela quer.

Minhas pálpebras pesadas protestando fazendo-me sentir vertigem por não conseguir me desligar dos problemas, eu decido me levantar e procurar refúgio em meu escritório, trabalhar durante a madrugada costumava me relaxar e como última opção eu decido tentar novamente, levando Nala comigo... De repente funcionaria... Visto um pijama qualquer, o piso gelado sob meus pés enviava arrepios por meu corpo me despertando sensação que há muito tempo eu não sentia... Medo, raiva, culpa e toda gama de sentimentos que eu pensei já ter superado.

A luz da tela do notebook me fazia piscar mais vezes que o normal, incomodava meus olhos cansados como se tivessem sujos de areia. Não muito tempo depois eu recosto minha cabeças sobre o encosto da cadeira e me permito fechar os olhos por uns instantes, crente de que não bastaria apenas isso para dormir, o som dos trovões nublando meus pensamentos incompletos e confusos.

Risadas e gritos revezam em meus ouvidos, hora alguém parecendo exultante e no momento seguinte furioso, atirando objetos nas paredes enquanto eu observava escondida, a mesma sensação de inutilidade apertando meu peito que queimava pelo medo exatamente como me acontecia quando criança. O barulho de vidro quebrando se sobrepondo sobre a música alta e então uma mulher caminhando apressada e batendo a porta... Lauren? Será que...

Eu corri. Corri muito, mas, não a alcancei... Ela se foi...

“Você não pode!”

“Eu escolho! Não você! Eu decido!”

“Camila fica!”

“Ótimo. Eu não preciso de nada que me lembre...”.

E nada! A conversa se repetia confusa, desconexa, sem nunca se completar...

“Acorda”!

“Acorda!”

Mais choro... Uma menininha agarrada nas pernas de alguém que tentava afasta-la... Ou ela estaria brincando? Quem era aquela criança?

“Acorda!”

“Camila fica!”

“Ótimo. Eu não preciso...”.

E então novamente ela saia batendo a porta...

“Acorda!”

— Camila! Acorda! Camila!

Uma mão gelada me balança me fazendo saltar assustada.

— Acorda!

Quando consigo finalmente despertar de vez encontro Allyson de pé me encarando com expressão preocupada.

— Você esta bem?

 — O que? Que horas são?

— Camila, você estava se debatendo, o que aconteceu? Esta se sentindo bem?

Olho ao redor e percebo que adormeci sobre minha mesa, e embora a chuva continuasse, a claridade denunciava que a noite já se fora.

— Camila?

Passo as mãos por meu rosto e cabelos tentando apagar a sensação que aquele sonho deixara em mim.

— Eu estou bem.

Olho para meu relógio que mostrava 06h37minhs da manhã. Eu devo ter dormido por quase três horas, meu pescoço dolorido reivindicando uma massagem e água quente.

— Obrigada por me acordar.

Antes que Allyson pudesse responder eu voltei para o meu quarto, apressada para sair. Entre tomar banho e ficar pronta não se passaram mais que vinte minutos. Eu precisava ver alguém.

Recusando o motorista eu seguia o fluxo de carros que se amontoavam e buzinavam uns para os outros como se isso pudesse fazer com que magicamente o trânsito andasse.

Levei mais de uma hora para percorrer um percurso que num bom dia eu teria feito em menos de quarenta minutos, as portas recém-abertas me dando as boas vindas, assim como as jovens recepcionistas que quase corriam atrás de mim tentando acompanhar meus passos ligeiros.

— A senhorita Lucy ainda não começou a...

— Eu pareço estar com cara de quem vai esperar? — Pergunto retoricamente com meu tom mais azedo.

Como se esperasse “a deixa”, Lucy abre a porta de seu consultório instantaneamente abrindo um sorriso sarcástico enquanto me olhava.

— Camila Cabello... A que devo o desprazer?

Engulo o nó que se agigantava dentro do meu peito, o medo e a raiva ameaçando me vencer.

— Eu preciso de ajuda. Preciso da sua ajuda.


Notas Finais


Sim Camila, você precisa de ajuda...


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