História Boa Sorte, Lynn. - Capítulo 42


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Categorias Amor Doce
Personagens Armin, Castiel, Dakota, Kentin, Lynn, Lysandre, Nathaniel
Tags Amor Doce, Castiel, Kentin, Lysandre, Nathaniel, Rosalya
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Palavras 4.685
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Alguém aí já xingou o spirit hoje? Se não, não tem problema, já xinguei esse site por todo mundo.

Capítulo 42 - Bruxas da Noite


Na URSS, entretanto, aconteceu o contrário e houve registros de mulheres combatentes desde o século XIX. A franco-atiradora Lyudmila Pavlichenko e Marina Raskova, pilotos bombardeiros, são sempre lembradas quando se fala da participação de mulheres na Segunda Guerra Mundial. Raskova também liderou um dos esquadrões de bombardeio noturno, apelidado pelos alemães de Bruxas da Noite, tamanha a destreza dos pilotos nos ataques aéreos. Muitas foram condecoradas como heroínas de guerra.”

 

Por conta do Cocapocalipse, a pobre bibliotecária sexagenária de Sweet Amoris quebrara a bacia e, por conseguinte, fora afastada de suas funções na biblioteca da escola. Quem assumia as infindáveis, porém nada complicadas, tarefas de gerir a biblioteca de Sweet Amoris eram os alunos que se voluntariavam ao serviço e como nenhum adolescente em sã consciência quer ficar sendo feito de escravo dentro de uma biblioteca, a maioria dos “voluntários” eram obrigados a cumprir turnos lá como forma de punição por infrações cometidas.

Esse era o único e exclusivo motivo de o senhor Castiel estar na escola aquela hora da manhã e o único e exclusivo motivo de ele estar em pé no balcão de devoluções separando livros por título e assunto. Se ele soubesse que o Cocapocalipse ia abrir uma série de eventos que acabaria com ele trabalhando que nem um idiota na biblioteca, ele nunca teria votado na pré-aprovação daquele plano.

Claro que ver o representante quase se afogar com a coca-cola seria uma doce lembrança guardada com carinho em seu coração e em sua mente.

De toda maneira, não que Castiel estivesse muito concentrado em sua tarefa… Ou que ele estivesse fazendo o que devia fazer em vez de ficar mexendo no celular, mas de qualquer maneira, sua atenção foi desviada para duas criaturas que entraram na biblioteca. Ainda era relativamente cedo, é claro, mas Castiel não manteria o olhar, ou o interesse, naqueles outros seres vivos mais do que dois segundos se uma das criaturas não fosse a prima Annie.

- Então, esta é a biblioteca. - Melody disse de forma cordial, como exigia a sua posição como presidente do grêmio. - Nós trocamos de computadores ano passado, então está tudo bem atualizado… - ela falou quando as duas se aproximaram do balcão e da área dos computadores.

Prima Annie nem se importou de olhar para os computadores.

- Por que o bibliotecário de vocês é um garoto estranho com cara de quem ainda vai passar por muitas clínicas de reabilitação? - ela perguntou de bom humor sem atentar para o fato de que aquele Cassy era a versão adolescente e não pretendente romântico do pai dela.

- Há-há. - Castiel falou fingindo a risada. - Muito engraçado, prima Annie.

- Vocês dois se conhecem? - a presidente do grêmio perguntou.

- Vagamente. - os dois responderam em uníssono.

- Entendi. - ela respondeu alternando o olhar entre eles de maneira desconfiada. - De todo jeito, você não pode alugar livros, ainda, mas se quiser podemos olhar os títulos pela estante…

- Eu preferiria levar um tiro na cara. - prima Annie respondeu sorrindo, o que confundiu e retardou a reação da senhorita Melody.

- Ah…

- Sabe, Melody. - ela se pendurou no braço da presidente do grêmio. - Nas palavras de Assata Shakur: “ninguém vai te dar a educação de que você precisa para destroná-los”.

- Eu li isso no Snoopy uma vez. - Castiel achou pertinente relatar.

- Ninguém perguntou. - Annie disse e se voltou para Melody. - Por isso eu acho difícil que em uma escola haja livros que realmente contenham educação edificante.

- Bem… - Melody piscou umas três vezes antes de achar uma resposta. - Nós temos Maquiavel.

- Isso só prova o meu ponto. - a prima Annie, com o charme da filha da mais alta combinação entre casais que já foram foco de uma odisseia romântica, pegou a mão de Melody e a guiou delicadamente para se sentar em uma das mesas. - Melody, uma garota como você merece muito mais do que essa instrução alienatória do sistema educacional ocidental.

- O-o que?

- Vamos observar o que acontece ao seu redor… - a outra assumiu uma posição serena e até mesmo didática. - Você sempre foi a vice-representante…

- Sim… Mas o que…?

- Durante todos os seus anos de estudante, você sempre esteve em posição de destaque, mas nunca na mais expressiva delas. - Annie falou. - Oh, Melody, eu vejo o seu futuro quase tão bem quanto eu te vejo agora… Daqui quatro anos você vai estar na exata mesma posição de agora, a diferença é que você vai gastar grande parte do seu tempo bancando o suporte administrativo de um professor gostosão que ainda assim nunca vai se importar direito com você …

Melody estava com os olhos arregalados e boquiaberta demais para responder aquilo.

- É isso o que você quer, Melody? - Annie pegou as duas mãos dela de forma acolhedora. - Ficar sempre no apoio administrativo?

- D-do que…? - ela balançou a cabeça para afastar o baque e o temor que aquela previsão provocara. - Por que você está dizendo essas coisas?! Eu não sou um mero apoio administrativo!

- Você tem razão. - Annie inclinou a cabeça. - Quando foi a última vez que você tomou uma decisão baseada no próprio julgamento? Sem pensar no que um certo louro idiota, porém muito fisicamente agradável, faria no seu lugar?

Novamente, os olhos arregalados e o queixo caído até quase a beira da mesa.

- Quem te mandou aqui…? - ela sussurrou de maneira temerosa quase num nível religioso.

- Se é isso que você realmente quer, não há problema nenhum. - Annie falou de maneira inspiradora. - É um papel a ser prestado, e um trabalho importante, mas, será que você não merece todo o reconhecimento por isso?

- É sério? - Melody ainda estava sussurrando olhando para os cantos da biblioteca de maneira paranóisca. - Quem está escutando essa conversa…?

- Melody, mande todos eles irem se foder. - Annie falou de forma séria e inspiradora. - Venha comigo, Melody, e eu te levarei para um lugar onde você realmente pode crescer, onde realmente vão valorizar seu esforço e não meramente serem gentis com você por mero protocolo social.

- O que está acontecendo? - Melody olhou para o senhor Castiel, buscando apoio ou, pelo menos, alguma explicação. - Por que ela está falando um monte de coisas que não faz sentido?

Annie sorriu divertida e endireitou a postura como uma verdadeira, poderosa e plena executiva.

- Melody, eu faço parte de um grupo muito exclusivo de jovens estudantes que serão os grandes líderes do futuro…

- Você é da versão escolar dos Illuminatti? - Cassy falou em tom de piada.

- Mais uma interrupção na minha participação especial e eu vou aí quebrar a sua espinha. - Annie falou. - De toda forma… - ela voltou o sorriso para Melody. - Eu creio que você já deve ter ouvido falar de nós, Melody… Nós gostamos de nos fantasiarmos de bruxas nas noites de Halloween…

Melody soltou uma altíssima exclamação e logo em seguida tampou a boca com as duas mãos.

- Isso é mentira! - ela falou. - Vocês existem!

- Claro que existimos, tolinha. - Annie jogou uma mecha de cabelo para trás do ombro de maneira alegre. - Ou você achava que só homens misóginos e imbecis faziam sociedades estudantis secretas? - ela estalou a língua de forma reflexiva. - Bem… Isso era verdade até alguns anos atrás… Mas nós sempre podemos matá-los, não é mesmo?

- Meu Deus, isso é um sonho… - a presidente do grêmio falou. - Isso só pode ser uma pegadinha.

- Ah, não é. - Annie falou. - Depois que a prima Lynn me contou o seu caso, eu acho difícil que haja nessa história alguma garota em idade escolar que precise mais de influência libertadora do que você…

- Oh céus… - Melody disse com a voz de quem havia sido pessoalmente abençoado pelos deuses. - Então vocês querem que eu faça parte do… Grupo?

- Claro… - a prima Annie respondeu alegremente. - Você só precisa fazer uma coisa…

Enquanto as duas conversavam livremente entre si, sem sequer reconhecer a existência de um membro do gênero masculino ali, Cassy mandava uma mensagem para as suas companheiras de crimes com os seguintes dizeres: “a prima Annie conseguiu, a santinha está no papo.”

Depois de alguns segundos de reflexão ele também digitou: “a prima Annie me assusta pra caralho.”

X

A diretora podia ser uma mulher já de relativa experiência, e idade física, mas até uma criatura recém-saída do útero poderia ver que a demora dela em responder não tinha relação nenhuma com a sua avançada existência neste plano astral, muito menos com alguma falha em suas faculdades mentais hipoteticamente advindas com a idade. Ah, não, a diretora parecia não responder porque ela estava ocupada cometendo um assassinato em sua mente.

- Será que você pode repetir, senhorita Melody?

- Eu não quero mais fazer parte do grêmio. - a dita senhorita falou de maneira serena. Nathaniel, que por um acaso também estava lá, sentado ao lado da Melody, ambos virados de frente para a diretora, se surpreendia mesmo já tendo escutado aquela frase três vezes antes.

Uma quando a Melody falou para ele, mais uma quando ele pediu para ela repetir e uma quando eles foram contar para a diretora.

- A senhorita está fazendo um bom trabalho. - a diretora disse. - Inclusive no incidente do refrigerante, por que essa decisão agora?

- Bem… - Melody olhou para o nada de forma sonhadora. - Eu me inscrevi para um… Clube privado de estudos, e isso vai me tomar bastante tempo além das aulas. - ela deu de ombros. - Por isso eu estou saindo o grêmio, não quero me sobrecarregar além do necessário.

A diretora olhou para Nathaniel meio que perguntando com o olhar o que demônios tudo aquilo significava, mas foi a vez dele de erguer os ombros.

- Eu estou tão impressionado quanto a senhora, diretora. - ele disse dando voz aos seus gestos.

- O senhor tem certeza de que não influenciou a senhorita Melody nessa decisão? - ela perguntou desconfiada. Mal sabia a diretora que, se Melody foi influenciada por alguém, foi por forças muito mais complexas e obscuras além de toda e qualquer compreensão que qualquer um daqueles três poderia ter.

- Não, eu não falei nada disso com ela. - Nath respondeu meio sério, meio ofendido pela suposição. - Eu nunca tentaria esse tipo de coisa com a Melody, eu a respeito demais para isso.

A diretora ainda ficou uns trinta segundos olhando para os dois de forma desconfiada. Não podemos culpá-la por isso, não depois da astronômica, lancinante, estapafúrdia e rastejante balburdia em que havia se transformado o primeiro período daquele ano letivo.

- Bem. - ela disse num suspiro. - Se essa é a sua decisão, senhorita Melody, não podemos fazer nada contra ela. - a senhorita Melody balançou a cabeça e puxou de dentro da bolsa todas as chaves que davam a ela acesso aos confins administrativos da escola. Com aquele gesto simbólico, ela simplesmente se levantou, acenou para os outros dois e foi embora.

Nathaniel já estava cansado de ser surpreendido aquele ano, mas que porra havia acabado de acontecer? E ele nem sabia o motivo de estar tão impressionado, se era a Melody saindo do grêmio, do qual ela fazia parte desde o primeiro ano, ou se era o fato de ela ter saído da sala sem que a diretora a dispensasse. Para alguém que conhecia a Melody há tanto tempo, aquilo servia como sinal de revoluções proporcionais à Revolução Russa.

- Bem, senhor Nathaniel… - ela disse juntando as duas mãos. - Acho que nós sabemos o que acontece a partir de agora.

Ele sabia, o que ele não sabia era se queria voltar a ser o presidente do grêmio. Lógico que a posição trazia muitas vantagens e acesso a muitas coisas, mas…

X

O senhor Nathaniel quase teve um ataque do coração quando, ao sair da sala da diretora, as primeiras pessoas que ele viu foram a senhorita Lynn e a senhorita Rosalya, ambas prostradas no meio do corredor, lado a lado. Se Nathaniel estivesse em um velotrol azul e se chamasse “Danny” eles teriam reproduzido sem querer a cena de “O Iluminado”…

Como se aquele ano já não estivesse bizarro o suficiente, ele quase escutou a música macabra tocando em sua cabeça.

- Olá, Nathaniel. - Rosalya falou.

- Olá…? - ele se aproximou delas. - Por que vocês duas não estão na aula?

- Nós nunca vamos para a aula quando a prima Annie está na cidade. - Rosalya disse remexendo no cabelo. - Ela é como uma impressora de dispensas… - engraçado como elas simplesmente falavam na cara dele, do representante de sala, que as dispensas que estavam entregando eram falsas.

- Na aula de história o Viktor me disse que a prima Annie é, palavras dele, “uma necromante advinda do abismo gélido de almas condenadas que mata garotos inocentes e os transforma em carniçais escravos”. - Nath disse aquilo com medo da reação da senhorita Lynn, mas ela não fez mais nada além de piscar para o fato de um garoto ter insultado sua prima.

- O Viktor está simplificando o estilo. - ela falou de forma trivial para Rosalya. - Antigamente ele usaria muito mais do que 45 sílabas para chamar alguém de bruxa.

- Bem… - Nath não tinha mais o que comentar daquilo. - Eu posso ajudar vocês duas em alguma coisa?

Elas se entreolharam e depois olharam para ele.

- Eu ousaria supor que, pelo molho de chaves pendurado em sua calça… - Lynn disse olhando na direção do quadril do senhor representante, fazendo-o corar por perceber o olhar dela ali. - Você assumiu recentemente responsabilidades como presidente do grêmio?

É importante atestar que tanto a senhorita Lynn como a Rosalya já sabiam que Nathaniel era o presidente do grêmio de novo, mas ele não sabia que elas sabiam. Por isso a senhorita Lynn estava sendo excessivamente vaga, para que um conhecimento que elas supostamente não deveriam ter, não levantasse mais suspeitas além da presença da prima Annie ali. Nath se provou ser muito mais do que o idiota conivente e indefeso que todo mundo acreditava que ele era, então, era de alta prudência que aquelas duas começassem a levar as coisas com ele com o dobro de atenção.

Não que isso, ainda assim, impedisse que Nathaniel tivesse alguma suspeita, ele tinha a mente bem afiada, afinal de contas.

- Na verdade. - ele falou com o olhar cerrado na direção das duas. - A Melody saiu do grêmio… - Rosalya pelo menos teve a decência de fingir que estava surpresa, a Lynn não reagiu, mas ninguém esperava isso dela. - Então a diretora me deu o cargo de volta.

Elas pareceram demorar o tempo aceitável para quem estaria recebendo aquela notícia pela primeira vez.

- Bem… - elas se olharam novamente e então Rosalya olhou para ele. - Parabéns?

- Parabéns?

- Você não parece feliz. - Lynn disse ajeitando os óculos. - Por isso a hesitação da Rosalya. - e isso, senhoras e senhores, foi mais uma sublime demonstração da senhorita Lynn explicando coisas que ninguém perguntou.

- Para falar a verdade… - ele disse. - Eu mesmo não sei se estou feliz… - ele deu de ombros. - Acho que eu já estava me acostumando a não ter mais tantas responsabilidades… - a grande ironia era que o senhor Nathaniel era do tipo de pessoa que descansava carregando pedras.

As duas, as duas, seguraram um pigarro sem graça que parecia significar muito mais do que uma simples confirmação auditiva de que elas estavam prestando atenção nele.

- Na verdade. - ele continuou. - Eu queria perguntar para uma de vocês duas…

- AH, meu Deus olha só a hora! - Rosalya exclamou olhando encarando o próprio pulso sem nem haver um relógio ali. - Eu estou atrasada para a minha aula de… De… Decoupage francesa em pratos de cerâmica turca.

- Você podia só ter ido embora, Rosalya. - Nathaniel falou.

- Mês passado quando eu sugeri que nós duas nos inscrevêssemos nesse curso você disse que estava muito ocupada. - Lynn falou como uma criatura que havia acabado de ser apunhalada pela traição.

- Tchau pra vocês dois. - ela disse girando o corpo e simplesmente se afastando, deixando o representante, agora ex-ex-presidente do grêmio sozinho na presença de sua amada. Por um momento eles ficaram em volta de silêncio desconfortável, até Nathaniel julgar que precisava falar alguma coisa só para ouvir a voz da Lynn.

- O que ela realmente vai fazer? - Nath perguntou sem realmente querer saber a resposta.

- Provavelmente vai comprar um milk-shake. - Lynnóquio respondeu dando de ombros. - Talvez dar uma volta pelas lojas… Provavelmente vai jogar um tijolo na vitrine do salão da Irene…

- O que?

- O que? - Lynn devolveu a pergunta em já conhecida estratégia utilizada para desviar o foco da conversa do delito que provavelmente seria cometido pela senhorita Rosalya.

- Bem… - o representante deu um jeito de olhar diretamente nos olhos da senhorita Lynn, e aquilo o desequilibrou um pouco. - Eu não vou te impedir de fazer… O que você tem para fazer… Então…

Antes que ele pudesse se movimentar para voltar a aula, Lynn meio que se moveu como se quisesse dizer mais alguma coisa.

- Na verdade… - ele parou de se mover com aquilo para encará-la. - Eu gostaria de conversar com você.

Se, em algum momento da existência de vida no planeta Terra, alguém conseguiu construir uma metáfora que expressasse tão brilhantemente a imensurável onda de felicidade que invadiu, como um Tsunami, o pobre coraçãozinho do senhor representante, essa pessoa ainda correria o risco de falhar miseravelmente ao colocá-la em palavras. Digamos apenas que Nathaniel engasgou tentando segurar o riso de felicidade que subiu pela sua garganta.

- Você está bem? - Lynn perguntou. - Nós podemos fazer isso mais tarde, se você estiver muito ocupado.

- N-não! - ele quase pulou em cima dela com medo de que ela fosse embora. - Não… Eu não estou ocupado. - a aula podia ir direto para as profundezas do abismo gélido de almas condenadas do qual a prima Annie provavelmente saíra.

A Lynn? Querendo falar com ele? Ela mal olhava na cara dele até o começo do ano, qual combinação de astros estava causando aquilo? Para qual entidade divina ele deveria mandar seus eternos agradecimentos?

- Muito bem, então. - Lynn ajeitou os óculos. - Podemos ir para o jardim? Lá nós corremos menos o risco de um professor nos flagrar… - o que?! - E ver que você está fora de sala sem uma dispensa…

Nathaniel iria até a mais profunda cratera da lua se fosse isso que Lynn tivesse lhe pedido.

X

O dia estava lindo lá fora, os pássaros estavam cantando, o céu cheio de nuvens brancas, as árvores pareciam ainda mais verdes. Tudo a sua volta parecia amplificado e melhorado com a Lynn ao seu lado, no curto espaço de tempo que eles levaram para ir até o jardim, Nath teve de manter a cabeça baixa para esconder o sorriso ansioso que insistia em curvar seus lábios.

Eles se sentaram lado a lado próximos à estufa, o cadáver da pobre árvore-morta-queimada estava lá, encarando-os meio que com ódio por ter sua solidão interrompida por dois idiotas. Nathaniel, apesar de todas as moléculas de seu corpo quererem o contrário, se manteve a uma distância respeitável. Por mais que ele estivesse feliz de estar sozinho com a Lynn, a memória de que ele quase a matou nas últimas três vezes em que eles estiveram sozinhos bateu de frente na cara dele.

- Bem. - Lynn, numa das raras vezes quebrou o silêncio. - Já ficou bem claro que você conhece o Viktor…

- O que acontece entre vocês dois, afinal de contas? - Nath se achou no direito de perguntar. - Ele veio me contar uma história estranha de que o Kentin… - alguma coisa no olhar da Lynn o fez se calar para que ela mesma explicasse a história.

Antes de mais nada, ela respirou profundamente e lançou um olhar sombrio para a árvore.

- Antes de o Kentin e eu viermos para Sweet Amoris… - ela disse. - Nós estudávamos em um colégio interno… - Nath não sabia disso. - Junto com o Viktor. - isso ele suspeitava. - Bem… Você já deve ter percebido, Nathaniel, que o Viktor é extremamente charmoso e muito inteligente também… - com certa hesitação ele admitia aquilo e com mais ainda ele escutava as palavras saindo da boca da garota de quem gostava. - Nós dois sempre tirávamos notas parecidas, até que ao longo dos anos nós começamos meio que… A nutrir uma rivalidade.

Nathaniel passava horas de seu dia estudando e mais horas ainda fazendo trabalhos extracurriculares para manter o boletim impecável. Aquele era um processo longo, exaustivo e quase enlouquecedor para ele próprio, talvez por conta da pressão que ele tinha em casa, talvez porque ele cada vez mais não via sentido naquilo tudo, enfim. A Lynn tinha notas tão boas, muitas vezes até melhores, que as dele e ela nem parecia se esforçar para aquilo. O representante refletiu sobre como deveria ser uma pessoa que conseguia competir com a Lynn de igual para igual.

- E então?

Ela ajeitou os óculos e respirou de forma profunda antes de responder.

- No nosso último ano algo… Aconteceu, para que o Viktor declarasse seu infinito e eterno ódio contra mim. - ela explicou. - Depois de um tempo, não seria justo deixar de reconhecer que nossa rivalidade já estava se tornando… Tóxica, para nós dois e para as pessoas a nossa volta, mas o que definitivamente serviu como o estopim, foi o que aconteceu no nosso último ano…

- O que aconteceu? - Lynn demorou séculos para responder, e ela fez, de certa forma, uma expressão tão dolorosa, ou que lembrava dor, que acabou que Nathaniel se arrependeu de ter perguntado.

- Bem… - ela falou de maneira hesitante. - Eu fiz uma coisa da qual eu não me orgulho… E bem… O Viktor retaliou e no final das contas nós dois acabamos pagando o preço por isso…

Nathaniel demorou um pouco para responder.

- Ele me disse que você pagou por uma coisa que você não fez.

- Kentin… - por motivos que ainda permanecerão um mistério. - Assumiu a culpa de… Dos eventos para o Viktor. - ela ergueu levemente os ombros. - Eu não sei o motivo de ele ter feito isso…

Nath demorou alguns segundos observando a Lynn, observando como o cabelo dela estava balançando levemente com a brisa, como a boca dela era bonita e como seus olhos tinham aquele brilho inteligente emanando deles. O representante não acharia difícil encontrar razões para ele assumir até mesmo a culpa de um assassinato se isso fosse proteger a Lynn.

- Por que você está me contando isso?

Novamente ela fez aquela coisa assustadora: respirou profundamente e demonstrou ter sentimentos, mesmo que fossem de hesitação, ainda assim era assustador.

- Nathaniel, o Viktor veio para Sweet Amoris para equilibrar as coisas. - ela disse. - O único motivo de ele ter feito tudo até agora, foi para se vingar do que ele pensa que o Kentin fez… - Nath achou prudente não perguntar o que era o “tudo”.

- Por que você não fala para ele que o Kentin só assumiu a culpa por você?

- Porque ele não acreditaria em mim. - ela ajeitou os óculos. - Ele presumiria que eu estou fazendo isso para proteger o Kentin. - Nathaniel perguntaria o motivo e ela proteger tão heroicamente o senhor Kentin, mas ele tinha medo da resposta… Além do fato de Oaklynn não ter terminado de falar. - Por isso nós estamos tendo essa conversa, Nathaniel.

- O que?

- Eu sei que não tenho direito nenhum sobre o seu livre-arbítrio ou suas decisões… - ela ajeitou os óculos. - Muito menos direito de te pedir algo… - por algum motivo o representante pensou que aquilo significava mais do que ele conseguia captar. - Por isso eu vou me limitar a simplesmente te avisar que o Viktor vai tentar chegar até o Kentin através de você…

- Você quer que eu o impeça de encontrar o Kentin?

Lynn o encarou de forma profunda.

- Sinceramente? Sim. - ela falou. - Ao fim do dia, o Kentin, com ou sem beijo compartilhado com a Ambre, ainda é meu amigo… Eu nunca me perdoaria por não protegê-lo daquele servo ímpio do submundo. - ela ajeitou os óculos. - Porém, Nathaniel, se você fizer isso, o Viktor vai automaticamente interpretar que você está do meu lado, e isso te tornará alvo também… E um alvo perigoso demais para ser deixado de lado, já que você é o representante de turma e presidente do grêmio agora…

Nathaniel era um garoto esperto, ele já havia aprendido a lição de levar a sério tudo o que acontecia naquela escola, não importasse o quão dramática ou estúpida a situação parecesse por fora. Por esse motivo ele se segurou para não questionar o vocabulário excessivamente austero que Lynn estava usando para descrever aquela guerrinha escolar entre ela e o senhor Kavaler.

- O que você quer que eu faça então? - ele pularia do teto da escola se ela pedisse.

- Eu não quero que você pense que estou usando seus sentimentos em minha vantagem. - ela o encarou. - Entretanto, Nathaniel, o Viktor não é alguém que mereça confiança… - o olhar dela pareceu mirar algum lugar distante no passado. - Pelo menos não mais… Então a única coisa que eu posso te pedir é que você reflita com cuidado caso o Viktor se volte para você…

O coração de Nathaniel estava batendo tão forte dentro do peito que chegava a doer.

- Você sabe, não sabe? - ele encarou as próprias mãos. - Que é só você pedir que eu vou fazer o possível…

- Eu não poderia fazer isso no estado vulnerável em que você se encontra, Nathaniel. - ela ajeitou os óculos. - Eu devo ser completamente sincera com você, Nathaniel, eu sei como é estar na sua posição… - ela se levantou. - Por isso, eu só pedirei para você considerar com cuidado as suas opções. - ela encarou o horizonte. - A melhor e mais prudente de todas é não se envolver nesta contenda, isso é entre aquela imprecação anguilliforme… - enguia amaldiçoada. - E eu, não há porque você arriscar tudo o que conquistou até agora, Nathaniel.

Ele não respondeu e Oaklynn interpretou isso como um assentimento, e simplesmente acenou delicadamente na direção dele e se retirou de cena.

O representante e, novamente, presidente do grêmio observou enquanto o alvo de suas paixões se afastava. Depois de ela dobrar na esquina que ligava o jardim com o pátio e, por conseguinte, sumir de seu campo de visão, o representante soltou o ar como se o estivesse segurando para competições de mergulho. Lynn provavelmente não pensou que aquela sinceridade e postura respeitosa em relação aos sentimentos de Nathaniel só o faria se apaixonar por ela mais ainda, e mais ainda ter vontade de contribuir para os planos dela. Porém, a veia racional do senhor Nathaniel era bem treinada e cultivada, e ele sabia que ela estava certa: havia muito para ele perder, e aquele ano maldito já estava sendo tempestuoso o suficiente…

A mente de Nathaniel estalou enquanto ele repassava o diálogo com a senhorita Lynn em sua mente, ela sabia como era “estar na posição” dele?! O que aquilo significava?! A senhorita Lynn já tinha se apaixonado por alguém?!

Por Sekhmet, Nathaniel se assustou ao perceber em como ele estaria disposto a matar quem quer que fosse o infeliz que roubara o coração da Lynn...


Notas Finais


Alô, alô graças a Calíope (musa grega da poesia épica)
Bem, cá estamos nós com mais um capítulo, cá estamos nós com mais um capítulo de amor doce UL que eu não vou jogar porque ME RECUSO a gastar dinheiro naquela caralha, não importa o quão... Fisicamente agradável alguns personagens estejam. A essa altura do campeonato eu suponho que não seja mais spoiler e que todo mundo já saiba que o Nath meio que despirocou e rodou a bahiana na universidade. O tumbrl mesmo tá dividido entre aquelas que amam e entre aquelas que odeiam ele...

Bueno... Pode parecer meio irônico, mas eu acho o arquétipo do bad boy, do garoto problema e etc. MEGA ofensivo e tóxico, e perigoso de modo geral. O problema não é a rebeldia, não é a revolta com o mundo e etc. O problema é como eles externam isso, na maioria das vezes tratando as pessoas que nem lixo. Porém, eu admito que entendo porque a gente acha eles tão interessantes, é aquele negócio de se sentir especial porque parece que eles tratam o par deles diferente do resto do mundo, porque com o resto do mundo eles são uns babacas, mas justamente com a pessoa especial eles são diferentes, e etc. Funciona na ficção, mas não na vida real.

Além do mais, o bad boy é geralmente mega bonitão e isso não é por acidente, por isso é tão difícil não gostar deles e etc. Tá sendo assim com o Nath em UL, sem extender muito, ele tem sido um idiota, MAAAAAS não esqueçamos que o Castiel também assumia esse papel no começo do jogo (sendo grosso sem motivo especial, fazendo comentários mega imbecis sobre o corpo da docete e etc.), e em dados momentos continuava assumindo, então...

O que eu quero dizer é... Bueno, talvez a culpa não seja do Nathaniel e nem do Castiel em si, mas do fato de a gente (até hoje) cultuar a figura do bad boy. Graças às Musas que ao longo do tempo o bad boy tem passado por mudanças, mas acho que a gente ainda tem um caminho beeem longo em relação a isso.

Por favor, não pensem que eu não reconheço a ironia e a minha idiotice, porque eu reconheço, eu sou a primeira a dizer mea culpa e reconhecer que, se o badboy (junto com o atleta popular da escola, o nerd "legal" que só vê a garota como uma maquina onde ele coloca uma moeda de gentileza e ela devolve com as pernas abertas, e etc.) é uma figura que nós devemos combater, eu sei muito bem que não estou ajudando em nada... Mas... Sei lá, será que há uma forma saudável de fazer um bad boy sem que ele seja só mais um babaca que reproduz comportamentos ofensivos? Eu tentei fazer um que pelo menos recebia as patadas que ele dava em dobro... Mas sei lá....

Eu só estou dizendo isso porque estava refletindo bastante em relação ao Nath em UL, especialmente no fato de que algumas pessoas odeiam ele e ainda assim são mega rápidas em defender o Castiel. Tá que o Castiel sofreu nas mãos da Debrah e por isso ele era tão babaca com a docete no começo, mas, pelo amor de Deus, o Nathaniel era vítima de violência doméstica... Ah, enfim, tô me estendendo demais aqui e acho que não vou chegar a conclusão nenhuma.

E quanto a vocês? Quem aí gosta do badboy? Quem aí acha um padrão ofensivo? Quem aí acha que é sim possível fazer um bad boy que não seja um babaca? ENFIM, perdão pelo textão, só reflexões mesmo o.ô, eu não estou tentando comprar briga nem nada, isso é, na mais completa e pura sinceridade, uma reflexão em relação aos rumos que o jogo está tomando. Eu estou pensando sériamente em fazer uma fic de AD UL, mas não sei como é que eu lidaria com um monte de coisas (o Nath sendo uma delas)

Adoraria escutar o que quer que vocês tenham para me falar sobre o assunto :3

Obrigada por ler :3


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