História Boku no hero: Amor de Uma Rosa - Capítulo 42


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Palavras 9.536
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais um capítulo pr vocês! Boa leitura! <3 ,3 <3

Capítulo 42 - Provas: parte 1


Fanfic / Fanfiction Boku no hero: Amor de Uma Rosa - Capítulo 42 - Provas: parte 1

                                    Os dias se arrastaram, cinzentos e frios. Como se o céu estivesse eternamente mau humorado. O vento gélido maltratando toda viva alma na cidade. O concreto, agora jazia escorregadio pelo choro em forma de neve nos cantos. Dias e dias assim se passaram, talvez 5 ao todo. Se arrastando, a cada segundo... E se amontoando em hematomas no corpo pequeno de uma certa morena... Cada movimento, cada respiração, agora era voltada para um treinamento relâmpago. O convite do senhor do prédio ao lado envolveu-lhe de tal forma, que agora, só pensava em como continuar com seu "treinamento". Mesmo que não entendesse bem o que o velho lhe dizia algumas vezes, talvez estivesse ganhando experiência sem saber... Ao menos, era isto que desejava estar acontecendo. Sua vida agora, girava em torno de execícios de pressão, tentando sustentar e suportar o próprio peso.

                                        Diante de todos os machucados que agora colecionava, começara a andar com roupas longas e largas, até mesmo no calor do apartamento. Não poderia correr o risco de que Shouta visse algo do tipo... O que poderia piorar tudo o que já estava acontecendo entre os dois... E ali, sentada naquela cadeira dura e desconfortável, Viollet observava o movimento de uniformes brancos, com estetoscópios no pescoço, e pranchetas em suas mãos. Atrás de si e ao redor, algumas pessoas sentadas também nas fileiras da sala de espera do hospital. Cruzava os braços sobre o peito, respirando fundo, até deixar que seu corpo escorregasse por um pouco. Buscava uma posição menos dolorosa para ficar... Estava nervosa...

                                                Olhara de relance para seu lado esquerdo, observando o enorme ser vestido de preto, e olhar caído por uma penumbra de tédio. A barba rala e por fazer, os cabelos, antes sempre soltos e desgrenhados, agora presos em um coque mal feito. A morena desceu o olhar para as mãos do mais velho, observando um papel completamente amassado. "Maldito papel..." pensou consigo, virando o rosto irritada, olhando para os pés. Mas por que teve de ser tão estúpida? E por que ele teve de entrar em seu quarto e fuxicar em seu lixo?... Apertou as mãos contra os braços, lembrando-se da situação que aquele pequeno pedaço de papel a colocara com o moreno... O olhou novamente, relembrando a atitude por demais estranha em sua concepção. "O que você quis dizer com aquilo?" a menina pela milésima vez se perguntara sobre o assunto...

Flashback on 

                                                    A menina encarava o mais velho da porta do apartamento. A entrada ao recinto fora estagnada com o olhar acusador do moreno, encostado na parede do corredor, à olha-la:

-E qual é a desculpa de hoje?- perguntou o moreno sem tirar a menina do seu campo de visão. Viollet engoliu em seco. Ele já a havia pego chegando um pouco mais tarde que o costume já a três noites seguidas. Havia se virado como pode. O que falaria para livrar-se desta situação agora?... Ficara muda, olhando para aqueles orbes pregados em face cansada, e cobertos por uma olheira encrustada. Divagou e divagou, desesperada por uma desculpa. Por impulso abriu a boca esperando que algo saísse:

-É... Eu estava fazendo a limpeza da sala... Era a minha vez hoje- disse olhando para os lados minimamente, rezando para que o mais velho não percebesse esta mentira descarada. Mais uma dentre tantas:

-Hun...- o moreno respondeu, se recostando na parede do corredor, olhando para o chão. "Ele acreditou?" se perguntou a morena, confusa. Havia deixado por isto mesmo? Talvez o universo estivesse trabalhando à seu favor agora. 

                                                                  Jogou os sapatos perto da porta, e andou sentindo seus pés calçados apenas pelas meias bater em um som oco no chão do apartamento. A distância entre os dois fora diminuindo, ao mesmo tempo em que os batimentos o peito da moça iam se desnivelando com o nervosismo. A morena cruzou com o mais velho no corredor, sentindo o olhar frio sobre si. Acabou sentindo sua nuca se arrepiar. Dando um pequenino suspiro, a menina estendeu o braço para tocar na maçaneta da porta do quarto:

-Gostaria de saber o que é isto aqui- o moreno falou, com a voz cortando o silêncio como um trovão e rouca. Viollet se virou vagarosamente, ouvindo um barulho de papel atrás de si... O que era aquilo? O olhar de confusão da morena fez o mais alto soltar um suspiro de irritação:

-"Pedido de afastamento para exames. Pedido de hemograma e coleta completa"- o mais velho leu em voz alta. Viollet sentiu o sangue congelar em suas veias. Merda! Por que ele tinha aquele papel?! Onde o havia encontrado?!... Pensou rapidamente, e por consequência disto, lembrou-se de não ter jogado o papel na lixeira do quarto como deveria:

-Quando pretendia me mostrar isto? Aliás, acho que a pergunta é, por que não mostrou?- a voz saíra fria como o gelo. Tão cortante e cruel quanto poderia chegar à ser, e a menina estremeceu com isto. O coração acelerou, causando-lhe um desconforto:

-Não era necessário que mostrasse.- a menina respondeu. O que poderia dizer agora? Realmente era isso o que pensava. Uma resposta convincente talvez amenizasse as coisas...:

-Você Está louca?- ... O que não funcionou:

-Recovery Girl te pedindo um exame como este é muito perigoso! O que aconteceu para que ela lhe pedisse algo do tipo?- o mais velho se virou para encarar a sobrinha de frente. A menina abaixou o olhar. Os pés pareciam algo bem interessante de se ver de repente:

-Não pode esquecer o motivo pelo qual você veio pra cá!- o mais velho continuou com a voz um pouco alterada, olhando do papel em suas mãos para a morena cabisbaixa. A menina sentia seu coração acelerar a cada palavra dita pelo mais velho. O estômago embrulhava, e a sensação de ardência no rosto aumentava a cada segundo. Estranhamente, o que sentia no momento, não se comparava em nada à tristeza... Sem que ao menos levasse em conta, a menina igualou o sentimento ao que aconteceu no fatídico dia onde encontrara o mascarado pela última vez... Revolta:

-Sempre... Sempre a mesma coisa!- a menina disse com a voz baixa e trêmula, sem ao menos fazer algum contato visual com o de face cansada. Shouta a encarou por um momento, pensando o que ela queria dizer com quilo:

-Fale claramente- ordenou sem paciência:

-Por que tem que ser eu?!- a menina gritou. Jogou para fora as palavras como se fossem algo venenoso, pronto para atingir o homem à sua frente. Pelo rosto de cor normalmente pálida, as bochechas e olhos se avermelharam, transbordando e deixando que escorresse lágrimas de pura raiva:

-Eu digo pra você por que ela me pediu o exame! Eu estava treinando para as provas que estão aí! Eu acabei me machucando e por precaução ela me pediu isto!- a menina enraivecida, arrancou o papel das mãos de Shouta, jogando-o no chão com violência:

-E quer saber de mais coisas?! Eu fui muito bem no treino! Acabei até vencendo o Bakugou! Você acredita?!- ela berrou, balançando os braços de forma grosseira. O mais velho arregalara os olhos enquanto sentira o coração perder uma batida:

-Você fez o que?- o mai velho perguntou mais uma vez, pedindo aos céus para que estivesse errado com o que ouvira:

- Eu vou gritar aos sete ventos! Eu venci o Bakugou! Sozinha! sem nenhuma peculiaridade! Por que eu tenho que passar por isso?! O que foi que eu fiz de mal?! Por que eu tenho que sempre andar por aí mentindo pra todo mundo?! Sabia que eu fiquei boa nisso?! Foi a prática! Praticar com pessoas que não tem nada haver comigo!- a menina ignorara a pergunta do mais velho, completamente desnorteada com todas as informações e imagens que sobrevinham-lhe a cada segundo:

-Viollet, se acalme. Não grite- o moreno tentara controlar a situação, e por impulso estendeu a mão para tocar o ombro da mais baixa. A menina percebendo a aproximação, acertou a mão do moreno com um tapa, jogando-o para longe de si. Shouta arregalara os olhos com a atitude:

-Já chega disso! Onde está aquele cara, aquele que tinha me prometido que jamais faria algo ruim comigo? Aquele que se desmontou na minha frente no hospital?!- a morena deu pequeninos passos na direção de Shouta, que ainda espantado não se manisfestara;

-Por que está fazendo isso comigo?... - a morena deixou que sua voz morresse entre os soluços:

-Eu...Só quero ... Tentar! Tentar viver... Você sabe disso!...- amenina agarrou o moletom negro do mais alto. Apertou com tanta força que a impressão era que o tecido se rasgaria. Lentamente,algumas batidas e socos foram desferidos, todos sem muita eficácia ou força qualquer...Estavam mais carregados de sentimentos de revolta, dúvida, tristeza... Viollet não estava sabendo lidar com tudo. Estava transbordando... O moreno, por todo este tempo, calou-se, observando o pranto e desespero da mais nova á sua frente. 

                              "O que eu estou fazendo? O que eu estou fazendo Rose? O que eu devo fazer?..." o mais velho se perguntou, controlando a respiração para que também não perdesse o controle. A visão que tinha de sua sobrinha no momento, partiu-lhe mais uma vez o coração. Tão certo como a escuridão que vem após um longo dia, ele mesmo sabia que tinha deixado de lado tanta coisa com relação à ela... As patrulhas,a classe, o trabalho de herói... Tudo isto minou as energias que deveria ter focado, nem que fosse no mínimo para prestar atenção em Viollet... 

                                        Este sentimento... Novamente este sentimento... Enquanto recebia os golpes da garota, o moreno fazia uma força enorme para não segurá-la. Sabia que no momento, tudo o que deveria fazer, era receber aquilo. Receber e suportar... Suportar como esta criança fizera durante anos, sem nem mesmo abrir a boca para se opor... Os gritos, o pranto e soluços que inundavam o corredor do minúsculo apartamento, eram como uma tortura para seus ouvidos. Facadas em forma de voz vinham direto acertar-lhe o peito, cravando e retorcendo em seus pulmões e coração. "Eu não sei fazer isto Rose... O que devo fazer?..." sua voz ecoou em desespero dentro de si...

                                           "Ela é pequena e frágil..." palavras saltitaram em sua mente, com a voz doce e calma de Rose... "Ela é pequena e frágil, então vai precisar de apoio e cuidados... Porém sua beleza não pode ser aplacada, nem sua força de viver" A imagem da mulher de longos cabelos negros, segurando um pequeno vaso de planta, com um único botão de flor, sorria-lhe orgulhosa de ter lutado para que aquela planta, que parecia já não ter nenhum sopro de vida, florescesse novamente... "A sua força de viver hã..." o moreno mais uma vez repetiu em sua mente. Aquela criança estava lutando por conta própria para viver... Viver do jeito certo. Errando, descobrindo, se pondo a prova... Pela primeira vez tomando suas decisões como ser pensante...

                                            De certa forma, poderia dizer que sentia alívio. Alívio de ver que agora, mesmo que fosse apenas um pouco, a morena tinha voz própria. Pensava, agia, pela primeira vez sozinha. Estando pela primeira vez sozinha, dependendo exclusivamente de si mesma, para interagir com outras pessoas. Via nos olhos da garota a mudança. Parecia, mesmo que com o rosto sério, o brilho de seu olhar havia aumentado... Sem dúvida, aquela convivência, por mais que fosse remota, pode ter feito a menina amadurecer à um ponto que, nem com 20 anos dentro daquela mansão conseguiria... Sem querer, acabou dando um sorriso de canto...O que estava sentindo exatamente?:

-E quer saber de mais uma coisa?...- a menina retomara o fôlego entre um soluço e outro:

-Eu vou continuar... Eu vou continuar lutando... Não importa que me leve de volta! Eu vou continuar!- a menina repetia, certa do que queria fazer... O coração, antes dolorido e quebrantado do mais velho, se aquecera com a atitude de sua sobrinha. A criança de Rose... Sentira orgulho...:

-Fale alguma coisa!- a menina ordenou se afastando com um impulso do mais velho, olhando-o de frente. E agora, reparando melhor, naquele rosto desgostoso com o mundo, habitava um sorriso nos lábios. Um sorriso estranho... O que era aquilo "por que ele está sorrindo" a menina se perguntou, observando o silêncio que o mis velho mantinha. não housara nem mesmo dizer mais uma palavra para chamar-lhe a atenção, procurando uma resposta... E com um pequeno movimento, o braço de mangas longas e negras, tocou-lhe o topo da cabeça, e afagou levemente seus cabelos:

-Muito bem Viollet...- escutou o mais velho dizer... A menina continuara estática, sentindo sobre si o carinho desajeitado de Shouta. Aos poucos, seu coração, batendo selvagem como um corcél, fora se acalmando, tornando tudo em sua mente claro como uma nascente cristalina... A menina não pôde deixar de notar, o quanto aquele pequenino gesto a tinha confortado... Estava tão perdida e desnorteada, e agora, tudo isto, toda a fúria, e revolta, haviam se dissipado... Que tipo de poder era aquele? Em pouco tempo, se pegara desfrutando do gesto de carinho...:

-O jantar já está na mesa, tome um banho e vá comer- o moreno disse, voltando a seu estado natural: uma voz monótona e face tediosa. Saíra andando, deixando para trás a menina, que ainda observava suas costas desaparecendo dentro da cozinha.

                                                                       Saindo de um pequeno transe, a garota cruzou a porta do quarto, se escorando com os ombros em seguida. Sentia ainda suas bochechas úmidas, e o incômodo dos olhos inchados, além dos muitos machucados doloridos pelo corpo... Respirou fundo e começara a retirar sua roupa, jogando-as espalhadas pelo chão do quarto. Adentrara o banheiro, e reparou em si mesma no espelho: O corpo magro de antes, pareca começar a tomar forma. A pele clara e límpida, manchada com arranhões e roxos. O rosto inchado pelo choro, e o topo da cabeça meio bagunçado. Os fios saíam de um lado para o outro, desengonçados e emaranhados, resultado de um afago de instantes... 

                                                                             A menina levou a mão para aonde havia recebido o afago, esfregando, tentando imitar a forma como o moreno havia feito. Olhou-se novamente, ainda tendo o braço levantado, tocando o topo da cabeça, enfiando algum fios negros entre os dedos... Não pôde segurar a gargalhada que soltara, sentindo até mesmo novas lágrimas se formarem no canto dos olhos:

-Você bagunçou meu cabelo...- a menina disse sozinha, como que se o moreno estivesse ali ara escutá-la. Continuou sorrindo ali, parada, se olhando no espelho por um bom tempo... Também sentindo as lágrimas cálidas escorrerem por seu rosto...

Flashback off 

                                                                                Lembrança após lembrança, Viollet ia repassando cada segundo com cuidado. Cada respiração, cada batimento cardíaco. Cada emoção... O que sentiu naquela noite não conseguia explicar. Fora como se uma chama, pequena em seu interior, tivesse causado um incêndio de proporções alarmantes, fazendo transbordar em forma de fúria em direção ao mais velho... E o recebimento de toda aquela explosão, fora um simples afago. Um simples carinho... Será que ele já tinha feito quilo antes? Provavelmente não. A morena sorrira sozinha, abaixando a cabeça para que a mão encobrisse a graça sem motivo parente para os demais ao seu redor.

                                                                          Novamente, ela observou o de roupas largas ao seu lado, parecendo despreocupado com a situação atual. E para piorar, a menina se sentia da mesma forma agora. "Eu devia estar tão relaxada assim?" ela se perguntou. Apesar de estar preocupada, instintivamente, a morena sabia que podia, ao menos um pouco, confiar no tio. Ponderara se deveria contar sobre o verdadeiro motivo do pedido de exames da senhora enfermeira escolar, mas achava que nada ia mudar dentro dos resultados, como nunca mudara durante anos em sua vida. Não importava o quanto buscassem, o quanto estudassem, nunca havia uma resposta satisfatória com relação à sua doença... A menina suspirou, revendo alguns flashes em sua memória, mostrando todas as vezes em que se manteve em cima da cama de seu quarto, imóvel, sem vida, sem emoções... Completamente dopada para que algo não viesse a acontecer de repente. 

                                                                                   De que valeria esconder agora? Nada sairia do consentimento dos dois correto? Porém, seu maior medo era a simples proibição de prestar a prova prática... Não queria que todo o esforço que implicara até agora fosse jogado para longe assim... mas, o que o moreno falaria ao saber sobre seu problema de saúde? O que ele realmente lhe causava? A morena tinha certeza que o que lhe foi passado pelo pai, antes de viajarem para cá, fora apenas uma saúde frágil por baixa imunidade. A menina soltara um sorriso em escárnio, quase que por reflexo. "Pai, você é um imbecil..." pensara... "O que eu acabei de pensar?" a menina assustou-se. Havia chamado o pai de "Imbecil"? Por algum acaso, a convivência fora da mansão havia drenado todos so modos que construiu por anos e que le fora ensinado como verdade absoluta?

                                                                                       Acabou não evitando uma gargalhada, chamando a atenção de Shouta:

-Do que está rindo?- perguntou com sua voz calma. A menina olhou em um susto para o moreno, e rapidamente se ajeitou na cadeira:

-Nada... Eu só me lembrei de algo engraçado...- deu a desculpa, recebendo um grunido preguiçosos em resposta. Olhou uma, duas, três vezes para o homem ao seu lado, que não deixou passar este detalhe desapercebido:

-Você quer falar alguma coisa?- perguntou sem se virar, fazendo a menina retomar a olhar para a frente, envergonhada:

-Não eu...- a menina calou-se. Deveria dizer? Agora? Como falaria? Ele ficaria chocado? Sua boca se abriu e fechou várias vezes, imitando um peixe fora d'água, procurando como dizer, ou apenas como começar a falar do assunto que martelava sua cabeça fazia tempos:

-Shouta, eu queria conversar com você...

-Ushio Umemiya- o "nome" da morena fora chamado da porta de um dos laboratórios adentrando o corredor. De lá, um médico, de cabeleira morena e curta, olhos escuros e face jovial a chamava, segurando uma prancheta onde provavelmente havia escrito o seu nome. A menina demorara a se levantar., decepcionada pela interrupção repentina. Dando uma ultima olhada para Shouta, antes de sair de sua fileira para seguir o medico:

-Eu vou esperar aqui. Vai- o moreno encorajou-a. "Esse não deve ser o seu forte" a menina imaginou, pensando na profissão que o moreno havia escolhido. Não deveria ele me animá-la, como All Migth? Mais pensara em receber um sorriso apenas. Porém sabia que estava exigindo demais do tio. 

                                                         Viollet atravessou algumas portas do corredor, seguindo o homem de jaleco branco á sua frente. A menina o observara por alguns minutos, e por onde passavam, o médico era cumprimentado pelos colegas e enfermeiros, ou que trabalhavam na área da saúde. O homem mais parecia um político do que um médico... Sorria para todos que passavam por si, e ainda parara para conversar co  uma senhora de cadeira de rodas, que acabava de sair do elevador. A senhorinha sorriu-lhe de forma tão alegre, que a morena não fora contagiada, deixando que aparecesse um sorriso em sua face séria. 

                                                           Os dois adentraram ao elevador, e por estarem sozinhos, o médico achou que seria melhor para quebrar a tensão começarem uma conversa:

--Bem Umemiya, você já fez algum acompanhamento aqui?- começou ele, olhando da prancheta para a menina, com uma caneta na mão, para fazer as anotações necessárias. A morena o olhara, deixando o sorriso morrer:

-Eu... Já fiquei internada aqui por um tempo antes...- a menina respondeu, vendo a caneta agora balançar de um lado para o outro, em cima do papel:

-Sim... Qual foi o motivo?- o médico perguntou sem tirar os olhos do papel:

-O... Ataque de um vilão... Eu acho- a menina respondeu, não sabia bem o que deveria dizer, a não ser de que aquilo foi uma emboscada, com toda certeza. Somente lembrar-se do ocorrido, a fazia se arrepiar por inteiro. As pontas dos dedos se tornaram gélidas, e a secura se triplicou em sua boca. O medico a olhou sério, ficando em silêncio por alguns segundos antes de prosseguir:

-Eu sinto muito- o médico se compadeceu da situação ao qual a menina havia passado:

-E... Você teve alguma cirurgia quando veio pra cá?- perguntou, dando continuidade ao que queria saber:

-Sim. Acho que no total foram 2 cirurgias. A primeira foi  no abdomem para reconstruir os tecidos internos, e a segunda foi para fechar as feridas do meu corpo totalmente- a menina respondeu. O médico mais uma vez ficara em silêncio anotando algo na folha da prancheta. Neste momento, as portas do elevador se abriram, mostrando o grande espaço do 5 andar do hospital, local onde Viollet faria a maioria dos exames, sendo supervisionada pelo médico que a acompanhava:

-Venha, vamos até a minha sala- disse seguindo reto pelo corredor à frente deles. Chegaram em frente à uma porta de correr, mostrando um consultório grande, comportando um armário ao canto, uma pia perto da janela, uma mesa para o médico e uma cama hospitalar na parte esquerda. A menina entro no local, vendo o médico procurar alguma coisa ao se aproximar da escrivaninha. Olhou e folheou os papéis  em sua mesa, indo procurar agora nas gavetas do pequenino armário ao seu lado:

-Droga, onde está a ficha... - o médico resmungou coma voz irritada, deixando a morena ainda confusa de onde deveria ficar dentro daquela sala. Suspirando pesado, o moreno se encaminhou para a porta:

-Ah, pode se sentar na maca, vou pedir para que uma das enfermeiras do andar te prepare para os exames- disse antes de fechar a porta e sumir para onde quer que fosse. A morena encarou a maca por segundos, até tomar uma atitude. Agarrou o pequeno banquinho em baixo, e subiu usando-o como apoio. Ouviu o amassar do papel ao sentar-se, e olhando para todos os lados do consultório, começou a reparar melhor nos móveis ali disponíveis. As duas cadeiras escuras na mesa, uma de frente para a outra, o armário com vários remédios, materiais de primeiros socorros, e equipamentos médicos. A janela iluminada com a luz acinzentada do lado de fora. 

                                                          O balançar dos pés, ritimava-se com a respiração abafada da menina, que sentia o frio dentro do estômago se espalhar por todo o tronco de seu corpo. estar em local hospitalar nunca lhe trouxera boas lembranças. Lembrou-se que hoje começariam as provas de trimestre de sua turma. Mas ela estava ali presa dentro daquele consultório. Não era como se estivesse se importando coma  prova escrita, mas queria estar todo o tempo possível ao lado dos colegas de classe. Tinha tão pouco tempo agora... Seu coração se entristeceu com a lembrança de tantos momentos cômicos quanto tensos que passou ao lado daquela turma tão animada. Sem duvida alguma, foram os melhores momentos em toda a sua vida...

                                                              E entre um pensamento e outro, perdida nas próprias lembranças, a menina viu a porta sendo aberta, revelando uma figura feminina, não tão mais alta que si. Cabelos loiros, olhos azuis, e pele clara. mantinha um sorriso amigável no rosto, vestindo um uniforme de enfermeira:

-Bom dia Umemiya, meu nome é Clarice, vim para poder cuidar de você e fazer os primeiros exames- disse sorrindo enquanto carregava uma bandeja para dentro do consultório. Dentro, a morena observou algumas gazes, agulhas, e outros materiais para se fazer uma pulsão:

-Onde está o médico? ão seria ele que iria fazer meus exames?- a mulher começara a preparar algumas agulhas ao lado da menina na maca:

-Sim sim, mas ele me pediu para ir preparando-a para que começasse sem demoras. Temos muitos pacientes para atender hoje- a oça respondeu. A menina soltara um suspiro olhando o que a mulher fazia, completamente concentrada:

-Não gosta de agulhas?- a loira lhe perguntou:

-Não, eu só... Não me sinto confortável perto delas- confessou. A moça deu um pequeno riso:

-Você não é a única. muitos dos pacientes não gostam de injeções e serem colocados no soro. Meu namorado mesmo é um destes- disse a enfermeira risonha. Após isto, a mulher se encaminhou para o armário, tirando de dentro uma camisola verde água, aberta das costas, se virou para Viollet lhe entregando-a:

-Eu vou pedir que tire a sua roupa e coloque esta aqui- disse a enfermeira, virando-se para rearrumar o armário ao qual havia mexido. A menina pulando da maca, começou a retirar a roupa ficando apenas com sua calcinha. Quando esta ia começar a vestir a camisola, ouviu algo caindo no chão, fazendo um barulho metálico:

-Céus!...- ouviu a voz da enfermeira atrás de si. A menina imediatamente parou o que estava fazendo. A loira se aproximou de suas costas, com os olhos arregalados, e uma feição preocupada:

-que tantos hematomas e machucados são estes?- perguntou a mulher, segurando um dos braços da morena:

-Ah... São só marcas do meu treinamento....

-Treinamento? Para que?

-Eu sou... Uma aprendiz de herói..- a menina respondeu sem muita certeza, mas usando da desculpa que facilitou para ficar por tanto tempo na cidade:

-Ah, é mesmo? Em que escola você estuda?

-A U.A- respondeu a menina, terminando de por a camisola. A mulher se mostrara impressionada com a resposta:

-Nossa, você deve ser muito boa mesmo! Espero que consiga se tornar uma heroína em breve!- disse a mulher lançando-lhe um sorriso animador, como que a querendo incentivar. Envergonhada, a menina subira novamente na maca, olhando as pernas que tinham alguns arranhões, resultado de seu treino com senhor Hosu:

-Obrigada...- a loira começou a se aproximar da menina, colocando a bandeja ao seu lado, retirou uma agulha de pulsionamento:

-Não se mexa- pediu, passando uma gaze com álcool no local. Com um pouco de desconforto, a morena virou levemente o rosto para a outra direção, sentindo uma picada e uma leve ardência no braço. A enfermeira começara a retirar alguns tubos de sangue para análise, e logo já estava colocando uma proteção para deixar a borracha de sono em seu braço:

-Sabe... Eu adoro meninas como você... Apaixonadas...- Viollet por um segundo, sentiu um arrepio, seguido da sensação de ter um carinho  das mãos gélidas da enfermeira. A menina virou o rosto lentamente na direção da loira, e esta sorria-lhe, cerrando os olhos em sua direção...:

-O que?...- a menina perguntou com a voz dificultosa e falhada. A mulher nada disse, apenas fez-lhe uma reverência e se dirigiu para a porta. "O que diabos foi isso?" a morena se perguntou, olhando e segurando o braço onde agora a agulha de pulsionamento ficou encrustada. Os arrepios e o revirar de estômago ainda não haviam cessado, mesmo estando sozinha... Sozinha naquela sala...

                                                                  *                         *                       *

                                                Andando pelos corredores, carregando a bandeja com o sangue e as gazes utilizadas, a loira andava sorridente, cumprimentando todos por quem passava. Percorreu mais de dois corredores de distância de onde havia deixado a morena, e parara em frente a uma porta de dois vãos. Bateu levemente nesta, três vezes antes de entrar. Ali, sentado em cima da mesa, o médico moreno ao qual atendera Viollet, olhava desinteressado alguns papéis em suas mãos, como que para passar o tempo. A mulher colocara a bandeja em algum ponto em cima da mesa, e saíra brincando com um dos tubos de sangue que retirara da garota:

-Conseguiu não é?- o homem pareceu a notar apenas naquele momento. Se levantou de onde estava e caminhou até a porta, trancando-a em seguida:

-Eu sou a melhor nisso... E como ela estava linda... Tive de me controlar muito lá dentro!- disse a mulher pondo a mão no rosto, em forma de que estivesse tão admirada com a visão que tivera da mais nova:

-Você me dá nojo...- disse o moreno, olhando-a de cima à baixo, com escárnio:

-Sabe que não conseguiria isto aqui tão facilmente se não fosse por mim!- vangloriou-se a loira, pondo a língua para fora e puxando a pele de um dos olhos para baixo. Com um suspiro, o mas alto arrancou-lhe o tubo de sangue que a mulher segurava, olhando de perto o ´líquido escarlate escuro:

-Finalmente isto está nas minhas mãos...

-Não tão rápido!- a mais baixa arrancou novamente das mãos do homem o tubo, pegando de dentro do uniforme um outro vazio:

-Me devolva isto- disse o moreno, estendendo a mão para receber de volta o tubo:

-Ainda não! Esta foi minha parte do trato! E também para manter minha boca fechada, quero o dinheiro ainda hoje!- disse a loira, abrindo o tubo e passando metade do conteúdo para o que estava vazio. O mais alto tentara se conformar, vendo o que a loira fazia:

-Espero que não tenha contaminado nada- respondeu quando recebera de volta o tubo agora meio cheio:

-Todos nós temos interesse nessa menina não é? O que ela tem de tão especial?- perguntou a loira, passando a mão pelos cabelos:

-Isto não é da sua conta- respondera seco o moreno, colocando o tubo dentro da roupa. A mais baixa inflou as bochechas, inconformada com a resposta:

-Você é tão chato quanto  Shigaraki...

-Não me compare com ele!- respondeu o moreno, mais alto do que queria. O silêncio reinou dentro da sala, com a loira observando o mais alto percorrer a distância até o armário de roupas. De dentro retirara um terno, que começou a vestir, pondo de lado apenas o jaleco branco. A mulher observava a ação do moreno, completamente concentrada:

-Sabe que o que fez foi muito arriscado não é? E se ela começar a desconfiar?

-Ela não vai- respondera, retirando de dentro do armário, uma cartola e uma máscara:

-Só aja como eu tinha lhe dito antes Toga.  Tudo sairá como o planejado...

-Se você quer tanto prejudicar o Shigaraki, por que me ajudou a recolher uma amostra do sangue dela? Não era pra você me atrapalhar com isso?- perguntou a loira se aproximando com os braços cruzados sobre o peito:

-Para se vencer, temos que ter todos os aparatos bem perto de nós, para nosso uso- respondera cínico, ativando uma ponta de raiva na loira, que logo se apagou:

-O que você tem contra o Shigaraki? - perguntou a "enfermeira", vendo o homem à sua frente por o último aparato sobre a cabeça:

-Ele só irá me pagar por ter me feito de palhaço... - respondeu, ajeitando a cartola em cima da cabeça, juntamente com a máscara em seu rosto...

                                                                        *** Quebra tempo ***

Casa dos Todoroki

                                                                Dentro do quarto iluminado apenas com a luz do dia gélido, um garoto bicolor jogava sem interesse algum as roupas dentro de uma mala em cima de sua cama. A cada arremesso, era mais como se estivesse jogando pedras e mais pedras, para que o fardo do que vinha à frente se tornasse cada vez mais pesado e rigoroso. Os olhos sérios, se perdiam dentro de sua própria cabeça, não conseguindo ver nada do que fazia. Parecia um robô em piloto automático... Vez por outra, jogava algum utensílio de limpeza própria dentro da montanha de roupas, se perdendo entre as mesmas. Por instantes, sua atenção se ateve na janela. Do lado de fora, pequenos flocos brancos e puros caíam sobre o vidro, e se amontoavam sobre o batente externo...

                                                                         Tão brancos... Tão puros... E tão levianos e frágeis... Lembrava muito o cabelo de certa mulher. Dentro de um quarto branco. Numa cama branca. Numa roupa branca... Fazia tempo desde a última vez que a vira. Como estaria agora? O que estaria fazendo? Comia direito? Quantas mais preocupações estaria tendo dentro daquela cabeça?... A imagem do pai aparecera instantaneamente, repetindo e repetindo a ameaçada de um tempo atrás, dizendo que a levaria para longe se não o obedecesse... A raiva logo tomou conta de si... A respiração se tornara pesada, e o rapaz tentando se recompor, respirara fundo, passando as duas mãos sobre o rosto e cabelo:

-Achei que você não ia parar de jogar roupas aí- ouviu uma voz feminina invadir o quarto, dando-lhe um susto. Se virara vendo uma moça, pouco mais alta que si, de óculos e cabelos mais claros e com mechas das mesmas cores que as suas...:

-Irmã...- o garoto observou a moça adentrar em seu quarto, indo em direção à sua cama:

-Você pretende voltar ou morar lá?- a albina brincou, olhado a grande quantidade de roupas amarrotadas dentro da mala. O garoto se virara lentamente, vendo a irmã se sentar ao lado da mala, retirando algumas roupas de dentro e pondo em seu colo:

-Você precisa ser mais criterioso com o que leva. Tente pegar as roupas compridas e mais quentes que você tem. Lá faz muito frio mesmo na primavera.- disse a moça, apontando para uma camisa de gola rolê. Shouto se acomodara do outro lado, fazendo o mesmo trabalho que a irmã, retirado o excesso e dobrando o que poderia ser necessário dentro da mala:

-O que você acha que ele vai fazer lá?- a irmã de repente perguntara, chamando a atenção do garoto, que a fitou ainda trabalhando na tarefa:

-Eu não sei...- respondeu curto. O que quer que fosse, envolvia-lhe... E sabia que não poderia ser nada que o agradasse. Aos poucos, a mala fora se esvaziando, e ficando arrumada, com as roupas dobradas, e  tudo o que o garoto precisaria para viajar:

-Ah, e te trouxe isso aqui!- a menina tirou de dentro de uma sacolinha, que Shouto não havia visto com a mesma, um gorro azulado de lã:

-Eu, achei que ia ficar bonito em você! Já que irá para um lugar frio... Achei que seria um bom presente!- a menina sorrira-lhe alegre. O rapaz não sabia bem como reagir. mesmo que fosse sua amada irmã, ainda não tinha muita ciência do que deveria fazer nestas situações. De relance, viu um olhar sapeca e ansioso nela, que mudava do próprio para o gorro em suas mãos... aos poucos, pegou o gorro e o colocou sobre a cabeça, experimentando, e vendo o sorriso se alargar no rosto da irmã. "Acho que acertei..." pensou ao vê-la sorrir mais ainda:

-Ficou lindo! Só está meio torto...- a menina se levantou para arrumar o item na cabeça do irmão. O bicolor viu a mesma se aproximar, pondo as mãos delicadamente, puxando o gorro para a frente. Por coincidência seu olhar bateu na pequena cicatriz na mão esquerda da menina, que ainda ajeitava o pedaço de franja que ficara para fora:

-Agora sim está bom!- disse se endireitando. O rapaz nada respondeu, ainda fixando o olhar nas mãos da mesma, que agora repousavam na cintura. A albina, estranhando a falta de reação, acompanhou o olhar do mais novo, parando também em sua mão. Suas feições alegres desapareceram, para dar lugar a uma mais séria:

-Pode esquecer isso!- disse de repente, chamando a atenção do rapaz. Este olhara para a mas velha se ajoelhado à sua frente. Por impulso abaixou a cabeça, desviando o olhar. Sentia-se desconfortável com uma aproximação repentina assim:

-Está vendo este machucado aqui- a menina apontou para a própria mão, mostrando-o o ferimento:

-Foi feito por uma boa causa. Queria mais que tudo impedir que algum de vocês dois se ferissem por serem dois cabeças quentes!- a menina franzia a testa, olhando determinada a fazer o mais novo entender sua situação:

-Não pense nem por um segundo que tem culpa de algo que acontecera. Eu fiz este machucado por intervir, e por conta disto, é minha responsabilidade arcar com ele.- a menina se levantou, estendendo a mão para que Shouto se levantasse:

-Então, quero que vá nesta viagem com o papai de cabeça fria. E se algo acontecer, me ligue- disse a mais velha, colocando um sorriso caloroso no rosto. O menino a olhava sem muito  que dizer. O que poderia?... Aquela figura À sua frente, tão mais frágil do que ele, se fazia e se portava tão mais forte, tão mais... Como mãe... Sim, via na irmã o colo carinhoso que lhe faltara pela falta de uma mãe. Fora a mesma que o consolara. Que segurou suas lágrimas, que o protegera do próprio pai, mesmo que lhe custasse muitas vezes algo precioso. Tudo somente para protegê-lo... E o que este havia causado?... Não tiraria da cabeça tão facilmente a culpa que carregava pelo acidente:

-Shouto, olha pra mim...- a menina pediu, pondo as mãos sobre os ombros do garoto. Com vagarosidade, os olhares heterocromáticos do menino e os olhos claros da mais velha se encontraram. E, sem que o mesmo esperasse, os braços da irmã o envolveram em um abraço protetor, capas de arrancar qualquer sensação ruim de seu peito. Como ela sempre fez quando era mais novo:

-Não se preocupe com o que o pai venha a fazer... Tudo se ajeitará no tempo certo... A resposta está no futuro, e não no passado... E o presente, nós lidamos e muitas vezes suportamos. Mas a diferença será em como o encaramos quando se torna passado, e quando avançamos em rumo ao amanhã.- finalizou a irmã, ainda sem soltá-lo. Por impulso, o garoto deixou que sua cabeça se apoiasse nos ombros da irmã, escondendo as lágrimas que insistiam em brotar de seus olhos... Não queria se afastar... Não queria ir naquela viajem... Mas não poderia voltar atrás agora. Tinha que fazê-lo. pelo bem dela, e pelo bem da mãe...:

-Obrigado Fuyumi...- disse num sussurro, sentindo uma pequenina chama de coragem se acender depois daquele gesto de carinho...

                                                                       *** Quebra Tempo ***

Izuku pov on 

                                                                     Finalmente, depois de tanto trabalho, o primeiro dia de privas está terminando. Tentei e estudei tudo o que pude, pelo menos acho que não serei reprovado... Soltei um suspiro de alívio ao ouvir o sinal de término de aulas soar. Olhei ao meu redor, vendo todos os estudantes se levantarem de suas carteiras, e recolherem o material usado na prova escrita:

-Ah Momo, muito obrigada! Eu fui bem!- escutei uma rosada gritar, se atirando aos braços da vice presidente de classe, que envergonhada, sorria-lhe também:

-Não foi nada, estudamos muito para conseguir este resultado. nada mais justo que vá bem na prova. Agora é só manter até todas terem terminado- respondeu a menina, sendo pertinente. A conversa continuara, enquanto já não me interessava. Comecei a me levantar, esticando meus braços para a frente, e meus olhos pararam em direção à porta da sala. Havia ali parado, e pensativo, com um olhar perdido em alguma direção do fundo da sala, um loiro explosivo, de olhos vermelhos e cabelo espetado. O que ele tanto olhava? Curioso, virei minha cabeça para encarar aonde tinha a atenção do garoto, e vi uma carteira vazia ao lado da janela. "Ah... Ela faltou hoje... O que será que houve?"

                                                             As imagens de dias antes, parados no corredor, vieram à tona na minha mente. "Eu não tenho uma..." a frase novamente se repetiu, como todos os dias depois que fora proferida pela morena. Ela não tinha uma individualidade. Abaixei a cabeça, mantendo meu olhar em cima da mão esquerda, observando as cicatrizes nela... Não ter uma individualidade, me causou tanto ou mais danos do que poderia contar. Infelizmente, só quem pode vê-los com clareza, sou eu mesmo... Acabei olhando mais uma vez para a porta, e senti meu estômago se embrulhar, juntamente com o sangue se congelando em minhas veias... Kacchan me encarava sério, franzindo o cenho e cerrando os olhos, como de costume. Me vi paralisado com sua expressão, até um avermelhado aparecer na frente do liro, chamando-o para sair. Como que sendo salvo por um milagre, voltei a respirar profundamente, acalmando meu coração. "O que deu nele?"  "Por que estava encarando a carteira de Umemiya?" me perguntei...

                                                                     E com um estalo, minha mente se clareou. Olhei de supetão para o fundo da sala, diretamente para a carteira vazia. Será que foi isso?... Kacchan, ainda está furiosos com a derrota! É claro! Isso não tenho a menor dúvida. Mas, se isso for verdade, Umemiya está em maus bocados... Me lembro perfeitamente o que passei com ele por não ter uma individualidade. Mas jugando pelas atitudes, acho que ele ainda não percebeu. Aliás, ninguém na classe percebeu... Talvez seja por que Umemiya é o tipo de pessoa que não dá brechas demais para uma aproximação... Pensativo, pus o polegar e o indicador sobre os lábios, murmurando coisas aleatórias, como por exemplo, motivos de uma possível vingança do loiro, como também o sumiço repentino da morena nas provas de hoje. Por consequência, não percebi um azulado se aproximando de minha carteira:

-Midoriya..- chamou-me, mas não obteve resposta. Estava concentrado demais no que deveria fazer e não fazer... "Por que ela me contou sobre isso? Por que guardou segredo? A escola não tem uma política de aceitação para pessoas sem individualidade também?":

-Midoriya?- "Entendo que seja uma diretriz muito recente, mas não haveria motivos para se esconder o assunto... Talvez ela estivesse com medo do que poderia acontecer se descobrissem?... Não. Ela não tem a atitude de que se preocupa com o que outros pensam sobre si"

-Midoriya... Me responda- E, em um instante, uma figura alta, de cabelos em chifre loiros, um sorriso marcante, e uma risada inconfundível... "Fique de olho nela...":

-Mido...- levantei-me de supetão, jogando minha cadeira uns centímetros para trás, como se estivesse pronto para gritar "Eureka":

-É isso! Ele pode saber de alguma coisa!- gritei, sem perceber de início os muitos olhares que se prenderam em mim na sala. Logo, senti alguém tocar-me no ombro:

-Midoriya, Você está bem?- um azulado, com os olhos meio arregalados, e cenho franzido numa careta interrogativa me perguntou. Somente assim percebi o vexame que acabara de fazer. Imediatamente senti meu rosto ferver como em brasa, e logo me abaixei para recolher meu material:

-O-oi iida... O- o que f-foi?- gaguejei, tamanho era meu embaraço:

-Estava chamando-lhe a um tempo, e você não respondia. Aconteceu alguma coisa?- perguntou o representante, fazendo movimentos robotizados com as mãos. Levantei-me colocando a mochila em minhas costas, pronto ara começar uma corrida para debaixo da terra. O que eu mais queria era desaparecer dali a qualquer custo:

-Não! Não aconteceu nada.. haha... - respondi com uma risada sem graça. O azulado me acompanhou para fora da sala, nitidamente observando todos meus movimentos. Com todos os recursos que tinha, tentava disfarçar o máximo, mas ao que parece o azulado apenas deixou por alto minha inquietação, olhando para frente enquanto muitos dos outros alunos cruzavam conosco no corredor para irem embora. 

                                                        Chegando até os armários de sapatos na entrada da academia, pela primeira vez o de óculos resolvera puxar algum assunto:

-E aí, a Uraraka falou com você sobre o festival?- perguntou enquanto calçava um dos sapatos de seu armário:

-Que festival?- perguntei confuso, conseguindo abrir o armário depois de algumas tentativas:

-Ah... Não me diga que já esqueceu? Toda a turma estava combinando de juntos depois das provas para a inauguração de um novo templo aqui perto... - respondeu ele, dando pequenas batidas no sapato para que se acomodasse em seus pés:

-Ah.. Sim. a Uraraka me falou de algo do tipo...- respondi, finamente relembrando o momento estranho de conversa pacífica que tive com a castanha. O azulado se virou para a saída, me olhando incentivando que eu fosse com ele. Caminhamos vagarosamente para fora do campus da academia, nos dirigindo até a estação. "A inauguração do tempo... Umemiya vai estar lá? Se sim, posso tirar algumas coisas à limpo...":

-Iida, você sabe se a Umemiya vai ao festival?- perguntei tentando ser casual. Por segundos vi o rosto do mais alto se endurecer:

-Ela me confirmou. Por que?- perguntou ele sem se virar. Tive meu olhar perdido no asfalto abaixo de mim:

-Queria poder falar com ela uma coisa importante...- respondi, sem nem ao menos presar atenção em minhas palavras. De repente, senti que a passada do presidente ao meu lado diminuíra consideravelmente, me fazendo tomar a frente por alguns passos. Me detive o observando encarar o chão com o cenho franzido:

-Iida?- chamei-o, e o mesmo soltara um suspiro:

-O que você quer falar com ela de tão importante?- novamente, senti sua voz fria e cortante, como aquele dia em que saímos do hospital. Meu corpo se endureceu. O que eu faço?... Novamente, o azulado retomou a caminhada, parando ao meu lado:

-Posso conversar com você um instante?- perguntou, indo em direção à um banco em uma pracinha infantil logo em frente. O segui, sem ter muita certeza do que deveria esperar. Iida sabia ser imprevisível quando queria... Nos sentamos nos banco de concreto, observando a neve que havia se acumulado durante o dia nos cantos dos brinquedos. Serviria facilmente para produzir ferrugem com o contato constante... Olhei para o mais alto de relance, esperando que este começasse o que queria me dizer:

-Midoriya, eu vou pedir que seja completamente franco comigo...- o azulado me olhara tão sério que senti um arrepio na nuca:

-Qual é... A sua relação com a Umemiya?- a pergunta me pegara de surpresa, me fazendo arregalar os olhos e abrir a boca várias vezes:

-Bem... Hun... Eu e ela somos... Amigos. Somos amigos! Eu acho... Acho que somos amigos- respondi por fim, balançando os braços desengonçadamente, e coçando a nuca várias vezes seguidas. na verdade, não tinha muita certeza de minha resposta. Eu a considerava uma amiga porém não sabia se ela sentia o mesmo... O de óculos se manteve quieto, observando toda esta performance:

-Qual é o seu interesse nela?- novamente, me senti confuso com a questão:

-Interesse?... Ah, acho que como... Eu não sei... Gostaria de conhecê-la melhor- respondi com as palavras que me vinham à cabeça. O garoto ao meu lado suspirou mais uma vez. Sua cabeça pendeu e as mãos se juntaram, entrelaçando os dedos:

-Você... Está gostando dela?- a pergunta veio como um golpe de oportunidade. Estava avariado... "Mas.. O que?!" o encarei pasmo. Por que ele me perguntou algo assim?:

-Não! Não! Jamais! Eu só quero saber mais sobre ela como amigo! N-não dessa f-forma!- comecei a gaguejar, sentindo mais uma vez o sangue subir como uma corrente de lava para meu rosto. Acabei por reflexo pondo o braço em frente aos olhos:

-Não tenho interesse nela desse tipo!...- reafirmei depois de uma pequena pausa. O azulado deu mais um suspiro. Este parecendo mais aliviado, dando um pequenino sorriso:

-Ainda bem...- o ouvi dizer, como que num sussurro. "Ainda bem?":

-Hã... Iida, por quer quer saber disso?- finalmente formulei a pergunta que resumia toda minha dúvida. O garoto simplesmente deu uma risada sem graça, olhando para algum ponto do parque envolto num manto branco:

-Você ainda não percebeu?- ele me perguntou, sorrindo, muito mais alegre do que quando começara o interrogatório. Balancei a cabeça negativamente:

-Eu vou te contar... Mas é um segredo... Pelo menos até o festival. - o mesmo tomara fôlego, e algum tempo para ter coragem de me encarar novamente:

-Eu gosto da Umemiya...- minha mente ficou em branco. Não consegui processar a frase de primeira... "Ele gosta... Ele gosta da Umemiya..." repeti para ter certeza do que ouvi, e logo em seguida fiquei em estado de choque:

-I-I-Iida!?- fora a única coisa que consegui responder, com a cara mais vermelha que um pimentão. A gargalhada alta e sonora invadiu a conversa:

-Não fique tão impressionado- respondeu ele. Estava com as bochechas levemente coradas:

-Mas.. Desde quando?- perguntei curioso. Com um sorriso singelo ele me respondeu:

-Desde que a vi no parque, na chuva... Percebi que era diferente desde aquele dia...- o que ele estava dizendo? Seu olhar parece perdido, mas é como se visse tudo ás claras bem na sua frente... Nunca o tinha visto desta forma!:

-Estava preocupado que você tivesse algum interesse nela deste tipo. Por isso perguntei- na minha mente, foi como se todas as peças finalmente se encaixassem:

-Então.. Foi por isso que você ficou tão irritado aquela vez no hospital?- perguntei, recebendo um balançar de cabeça, afirmando o óbvio:

-Peço desculpas mais uma vez por conta daquilo. Não soube me controlar aquela vez...

-Não... isso não tem problema- mas minha cabeça ainda não processava uma coisa... De quem ele falava quando disse para que eu prestasse atenção em quem realmente se importava comigo...:

-Estava planejando convidá-la para ir comigo ao festival- respondeu ele. Então, era por isto que ele ficou nervoso...

-Já que está tudo em para você, eu irei convidá-la- respondeu ele, se levantando para ir embora. Seu olhar e seu corpo pareciam relaxados agora:

-Obrigado por ter aturado tudo isto- disse ele se virando pra mim com a mão estendida. Com um movimento apenas, agarrei-a me levantando de onde estava. Sorri-lhe alegre:

-Não precisa se preocupar...

                                                                                     *** Quebra tempo ***

                                                                                 Passos pesados sobre o piso encerado e escuro do andar, ecoavam batendo nas paredes brancas, juntamente com a madeira de cada apartamento que o loiro atravessava. Parando ao fundo, este se deteve em frente a uma das portas, respirando fundo e franzindo o cenho ainda mais do que já estava , em uma carranca.  Bateu na porta, ouvindo o barulho alto e oco da madeira. Esperou por um tempo, até ouvir pequenas passadas de dentro do apartamento, se aproximando da porta. O trinco foi aberto, fazendo um barulho tilintante, e um rosto pálido, e uma vasta cabeleira escura e lisa o atendera:

-Oi minha jovem! Como tem passado?- a menina sorrira-lhe minimamente:

-Oi... Eu estou bem All Migth- respondeu, abrindo a porta e dando três passos para que  corpo enorme do herói pudesse passar pela abertura. Mais adentro, um moreno saíra de seu quarto, coçando a nuca e bocejando preguiçosamente. Havia se levantado para atender a porta, mas a menina fora mais rápida. Olhou o loiro sério e apenas fez como que não tivesse visto absolutamente nada:

-Temos campainha sabia?- disse o moreno, pondo as mãos nos bolsos enquanto se aproximava:

-Eu esqueci desse detalhe...- respondeu o mais alto, envergonhado. o moreno já iria se virar para seguir rumo à cozinha:

-Quer beber alguma coisa?- perguntou sem ânimo:

-Não.. Eu só vim conversar rapidamente com você...- respondeu, chamando a atenção de Ereaser. A morena encarava os dois, passando de um para o outro. O que será que estava acontecendo? Shouta percebendo a mais nova atenta ao que diziam, novamente passou a mão pelos cabelos desgrenhados, olhando-a:

-Viollet, poderia fazer um pouco de chá?- perguntou. A menina se sobressaltou, como se tivesse acordado de um transe. Balançou a cabeça positivamente, indo em rumo à cozinha. Olhou por cima dos ombros, vendo os dois mais velhos sumirem dentro do quarto do tio.. 

                                                                 A morena começara a pegar as xícaras, e a colocar a água sobre o fogo. Porém sua mente latia e palpitava, com a grande vontade de ir até a porta do quarto, tentar descobrir sobre o que estavam conversando. Deveria estar controlando esta horrível e má educada vontade que tinha. A curiosidade era uma pistola incontrolável dentro do cérebro da mais nova... Finalmente rendendo-se à ela, a menina andou até a porta do quarto, se esgueirando, pé ante pé, até mesmo prendendo a respiração. Não poderia ser notada de form alguma. 

-... E o nome dela estava na lista.- ouviu a menina a voz do loiro se pronunciando. Houve-se uma pequena pausa até que se ouvisse mais alguma coisa:

-E o que tem isso?- perguntou Shouta com a voz monótona. Totalmente sem interesse:

-Como assim, "O que tem"? Ela está na listagem do programa de resgate! Para a prova prática daqui a três dias! - respondeu o loiro, com a voz um pouco alterada. A menina se encolhera com o teor da conversa:

-O que quer que eu faça? Provavelmente fora a mesma que se prontificou a colocar o nome- respondeu o moreno:

-E espera que ela consiga fazer a prova como sem uma individualidade?! Shouta, você mesmo estava contra qualquer indício desnecessário. Sabe como tudo o que estamos fazendo é perigoso!

-Como você mesmo disse, a diretriz escolar permite que alunos sem individualidade entrem na academia. Não há nada que vete isto- disse calmamente o desgrenhado, chamando a atenção da morena do lado de fora do quarto:

-Isso e aquilo é bem diferente! Eu estava falando pelo calor do momento... E eu... Ah, eu já nem sei mais! Viollet é frágil! Mesmo que ela não seja punida por algo como ser sem individualidade, não podemos arriscar algum ferimento grave! Sabe que isto pode acontecer!- houve-se uma pausa depois das falas do loiro. A morena do lado de fora, sentira uma pontada fina no coração. Tristemente, sentia o rosto se contorcer, segurando as lágrimas teimosas. "Por que está chorando? Você sabia que eles pensava isso de você!" a menina se reprimiu, secando as lágrimas com a manga do moletom:

-Já isto eu não tenho tanta certeza...- ouviu a voz do moreno contradizendo a expectativa de Toshinori. Como é?:

-O que quer dizer?

-Fui com ela no hospital hoje de manhã... E peguei os resultados faz pouco tempo. Nada do que diz aqui está fora do normal, ou indica que a mesma tenha algum problema de saúde- respondeu o moreno. A menina ouvira o farfalhar de folhas de papel. Provavelmente o moreno mostrava seus exames:

-E... O que isto quer dizer?

-Que sabemos bem pouco do que achamos.- disse o moreno concluindo. "Mas..."  a menina tentara formular alguma linha de raciocínio para processar o que escutava."Como assim não havia nada de errado com meu corpo?" se perguntou:

-E mais uma coisa...- o moreno recomeçou:

-Veja este raio X- novamente o barulho de plástico dentro do quarto. Era a chapa:

-O... O que é isto?... Os pés dela...

-Não tem as juntas do dedo mindinho...- o moreno completou. O que isso tem de tão extraordinário?:

-Sabe o que isto significa não é?- perguntou o moreno mais uma vez, até se fazer uma pausa na conversa:

-Ela... Tem alguma individualidade...- respondeu o loiro, com a voz vacilante... A morena sentiu como se seu mundo estivesse virando bruscamente de cabeça para baixo:

-Theodore não nos disse algo bem importante...

-Por que ele esconderia algo assim?- perguntou Toshinori:

-Eu não faço ideia... Mas pretendo descobrir. Este desgraçado não vai me fazer de idiota- respondeu o moreno:

-E agora... O que pretende?

-Vou voltar com Viollet para a mansão depois das provas. Quero saber desta história à fundo...

-Só depois das provas? Você deve ir imediatamente!

-Eu quero que ela faça as provas.

-O que?!- a menina escutou uma cadeira sendo arrastada:

-Você está louco? O que eu acabei de dizer sobre ela se machucar? Ela não tem a menor ideia do que deveria fazer para se sair bem nesta prova!

-Ela não precisa se sair tão bem... - respondeu o moreno. Passo foram ouvidos dentro do quarto, e bem na parede onde Viollet escutava a conversa, esta sentira um pequenino impacto. O moreno deve ter se escorado ali, enquanto ainda conversava com o loiro:

-Ela estava treinando- a informação fora solta. Parece que deixara o loiro um pouco inconformado:

-Treinando? Com quem?

-Eu não sei. Mas ela estava. Ontem ela me disse que não importa o que eu fizesse, ela continuaria a viver...- o moreno repetira a frase, com a voz carregando um tom de graça:

-Quero ver do que ela está sendo capaz..- a pausa se interrompeu com a voz do loiro, embargada de incredulidade:

-Você ficou louco?

-Talvez...- o moreno respondeu, soltando um pequeno riso:

-Eu estava errado este tempo todo Toshinori... O que eu deveria ter feito desde o inicio?- o loiro pareceu não entender, permanecendo em silêncio, esperando um esclarecimento para a questão apresentada:

-Eu deveria ter confiado- disse o moreno por fim, causando confusão no mais alto, e na menina do lado de fora do quarto:

-Eu deveria ter confiado naquela criança. Deveria ter confiado em Rose... Por puro medo, acabei me privando e privando todos ao meu redor, inclusive à Viollet. Me privei de viver e a privei disto também... O que Rose teria feito no meu lugar? Me perguntei isto incessantemente desde que ela veio para cá... Nunca consegui achar uma resposta satisfatória. Simplesmente por que não há uma resposta. Não sou igual a Rose, mas sou a única pessoa que ela tem agora...-as lágrimas do rosto pálido e infantil da menina inundaram tanto sua mente quanto seu coração, indo de encontro com o chão do apartamento:

-Eu quero ser alguém em quem ela pode confiar, como Rose fora comigo... Posso não ter o mesmo toque alegre de minha irmã, ou mesmo o afeto... Mas quero me esforçar... - disse o mesmo. A menina deixara seu corpo escorregar até ir de encontro com o chão. Se encolhera, pondo a testa entre os joelhos, em prantos e encostada na parede:

-Quero me redimir... Não mais com Rose... Mas com Viollet- foram as palavras finais para que a menina sentisse um calor agradável por todo seu corpo... O sentimento de segurança e proteção finalmente a envolveram por inteiro, fazendo-a soltar ainda mais lágrimas, e segurar os soluços para que não a escutassem. Dentro do quarto, na face do moreno, enquanto ainda se recostava na parede onde Viollet se escorara também, o mesmo guardava um sorriso, determinante e caloroso, deixando Toshinori em uma boca aberta... A noite se seguia calma, portando sentimentos calorosos dentro do minúsculo apartamento. Duas vidas que se entrelaçaram sem querer, e pelo motivo mais inusitado...Finalmente, portando sentimentos de magnitudes incapazes de serem descritas, capazes de se encontrarem em um mar de sensações e motivações... A chaleira deixada no fogo, começara a deixar sair seu barulho agudo, indicando que estava na hora de ser tirada do fogo... E este fora o barulho que embalou toda a felicidade pelas palavras do tio...

                                                                             


Notas Finais


Espero que tenham gostado! <3 <3 <3
Gente gente... Eu peço mais uma vez mil desculpas pelo atraso imenso dessa vez... Fiquei muito doente com a gripe que tá tendo esses tempos >.< fiquei de cama por mais de duas semanas, e achei até que estava com H1N1, mas graças a Deus não era isso. Fui medicada e ainda estou me recuperando. Enfim, acabei ficando pior pela teimosia de não querer ir ao médico: NÃO FAÇAM ISSO! se acontecer alguma coisa diferente com você, qualquer coisa que esteja te deixando mal, vá imediatamente ao médico. Isso pode fazer diferença no diagnóstico e a melhora ser mais fácil de conseguir.
Pois bem, lançando e inaugurando minha volta com um capítulo imenso pra vocês! Espero que tenham gostado Beijinhos!!! <3<3 <3


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