História Bola na rede (Jeon Jungkook) - Capítulo 1


Escrita por: e l3rdinha

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin)
Tags Estrangeira, Futebol!, Hetero, Jeon Jungkook, Personagem Original, Romance
Visualizações 181
Palavras 8.382
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Esporte, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Genteeeee, oiii, turu bom com voces?? Que saudadeeess.
Então, lembram daquela minha promessa de postar uma oneshot com o Jungkook? TCHAMRAAAM!!
Eu queria fazer alguma coisa relacionado a futebol, ja que estava bem animada em relação a copa desse ano, entao surgiu essa minha coisinha *-* Enfim, estou bem nervosa pq nunca fiz uma historia curta como essa (de dois capitulos), porem minha vontade de postar é mais forte. E é tentando que pegamos o jeito, ne non?

Sem mais papo furado, espero que gostem, nenês <3

Capítulo 1 - Karma


Eu nunca que sequer imaginaria que Espanha e Portugal resultaria em uma Taylor descalça, andando pra lá e pra cá com pratos na mão e um pano de prato no ombro. Sem contar os escorregões que eu quase realizei ao passar perto da pia, onde uma Nina se aventurava ao lavar a louça  ou melhor dizendo, duas panelas e alguns talheres — e criando uma pequena lagoa no chão da cozinha. 

Gente rica sabe como dar um toque extra no ambiente mesmo.

— Taylor, você não cortou as frutas ainda?

Ah, essa voz com o senso de repreensão sem dúvidas era de Alex. 

— Como que eu corto se meu trabalho de meio período agora é de empregada? — Revidei impaciente pela ousadia de me questionar, sendo que cheguei a poucos minutos do mercado com as coisas que ela anotou para comprar.

— Certo. Pode ir cortar as frutas agora? — Apareceu em minha linha de visão na sala,  com os cabelos em um coque quase desmanchado por completo e um liquidificador nas mãos. Ao menos ela não estava parada igual certa pessoa que acabei de enxergar, mais conhecido como Christoffer.

— Já vou... — Falei sem dar importância enquanto observava o rapaz deitado na espreguiçadeira mexendo no celular despreocupadamente, todo pleno saboreando o clima confortável do início da noite em frente a piscina e debaixo da cobertura com luzes baixas. Fiquei revoltada sim e com direito, depois dessa visão  — Por que essa mísera tá de boa enquanto eu tive que ir correndo no mercado?

— Era pra ele tá na churrasqueira. — Alex suspirou, largando o objeto no sofá cuidadosamente, logo caminhando em direção ao folgado.

— Fala para ele não esquecer de deixar alguns pedaços menos assados. O Jeon não gosta da carne muito assada. — Relembrei para minha irmã, que assentiu e tirou o celular da mão de Chris no momento seguinte. Fui para a cozinha rindo da bronca que ele estava recebendo dela, cena parecidíssima de uma mãe prestes a deixar o filho de castigo.

— Não vou lavar mais louça essa semana, credo!  — Essa era a Nina. 

Claro que era ela. Só sendo rico — aquele ser humano que dá para contar nos dedos, de uma mão, quantas vezes pegou numa bucha e detergente — para falar uma frase dessas. Ah se fosse eu falando isso, queria nem imaginar a reação da Alex. Provavelmente faria um discurso tedioso — tão tedioso que me faria questionar do porque abri a maldita boca — sobre possuir responsabilidades e diria que não éramos filhas de pais da alta sociedade.

— E nem nos próximos meses. — Falei normalmente me sentando na cadeira de qualquer jeito e debruçando-me sobre a mesa, suspirando de prazer por parar um minuto. Ela deu de ombros sem se importar, era a verdade.

— Que horas seu homem vai vir? — Questionou ficando na mesma posição que eu. Devia ter sido muito duro ensaboar as duas panelas.

— Meia hora antes do jogo começar, eu acho. Se ele não se atrasar, claro.

Era realmente interessante o fato de que, Jeon Jungkook, nunca, em hipótese alguma, chegava no horário combinado. No início eu ficava possessa com sua falta de comprometimento e de como negligenciava nosso relacionamento, aparentemente  — afinal, o que eu poderia pensar de uma pessoa que nunca aparecia no horário planejado, horário esse que ela marcou. Ainda que eu compreendesse que parte desse atraso fosse devido ao seu trabalho, era desgastante e irritante ele aparecer repetidas vezes uma hora a mais que o previsto. Isso quando não me dava bolo de vez, para melhorar meu humor.

— Será que Yoongi vai vir também? — Ergueu seus olhos brilhantes para mim, com um sorriso sapeca nascendo em seu rosto.

— Ah, entendi a sua pergunta. — Ri pelo nariz, sacando a curiosidade pela sua primeira pergunta. Respondi um não sei depois, porque Jeon não havia me falado nada sobre trazer um dos meninos.

— Eu ainda vou lascar um beijo naquela boquinha rosada. — Mordeu a própria boca, ao mesmo tempo em que sorria. Do jeito que ela era safada, devia estar idealizando a cena.

— Não sei como tu não cansa de tentar dar o bote. — Gargalhei ao lembrar do dia que peguei ela molhando a própria camisa branca, para tornar transparente, e então iria chamar Yoongi para ajudá-la com algo. Só não contava que o mesmo havia mandado o Tae ir, pois não queria levantar do colchão disposto na sala. 

O que ela não aprontava por um bias supremo, como faz questão de chamá-lo — pelas suas costas.

— Um soldado nunca abandona sua missão. — Disse simplesmente, se mantendo firme com a ideia. Em seguida apoiou o rosto com a mão, me lançando um olhar divertido de repente — Sabe quem eu vi noite passada? 

— Por tocar nesse assunto, se nem me falou da balada. — Me referi a balada nova inaugurada esse mês que indicaram à ela. Havia me chamado para ir junto, mas neguei já que estava revisando um assunto que não havia entendido cem por cento na faculdade.

— Uma merda. Dj ruim, bebidas mal feitas, banheiro pobre e muita feiura. Nossa, muita feiura. Meus olhos arderam com aquela visão. Se tivesse um botão desver, eu apertava mil vezes só para não correr o risco de ter flashback depois. — Nina exibia uma careta, parecendo que havia comido algo amargo que lhe ofereceram, enquanto eu me acabava de rir com sua narração. Se tinha uma coisa que ela tinha horror, eram pessoas feias próximas a ela. Feiura é a palavra que ela usa para relatar. Podia parecer algo ridículo e até ofensivo contando deste modo, porém era realmente cômico a forma que ela se expressava ao falar.

Ao mesmo tempo em que eu pedia para ela parar com essas coisas, eu ria — mesmo sabendo que não era correto, eu não detinha controle sobre tal ato.

— E quem você viu noite passada?

— Ah, é mesmo. — Se ajeitou ansiosa na cadeira, sorrindo novamente. Ela mudava da água para o vinho, numa questão de segundos — Estava de boa conversando com uma garota no Louis..

— Conversando? Você? Você conversando com uma garota no Louis? — Perguntei arqueando a sobrancelha debochadamente, claramente dizendo "Por favor, né". Nina, claramente, não era o tipo de pessoa que ia a um pub, sozinha, para dialogar com uma garota. Seu interesse e foco se encontravam mais no que a indivíduo possuía no meio das pernas.

— Eu sei criar um papo...

— Ainda não começou a cortar as frutas? — Minha irmã chegou impaciente na cozinha, com as duas mãos na cintura que indicavam que não estava mais calma, interrompendo a coreana a minha frente.

— Eu só estava respirando. — Falei levantando e pegando em meu celular que havia tremido, indicando que havia chegado uma mensagem.

— Eu não vou fazer nada no horário do jogo, já estou avisando. — Alertou enquanto ajeitava o cabo do liqüidificador na tomada, desistindo de chamar minha atenção mais uma vez.

"Estou há uns 10 minutos daí, precisa de algo?
Ps: Jimin e Taehyung estão indo também, se auto convidaram"

 

Lhe respondi que não precisava de nada e agradeci, logo avisando as garotas que teríamos mais companhia e pedindo para que Nina fizesse a salada de frutas, já que não daria mais tempo que eu fizesse — não se eu quisesse tomar banho —, saí do cômodo ouvindo seus resmungos. Tratei de subir correndo as escadas em direção ao meu quarto, quase caindo ao pisar no último degrau. 

Abri as portas do meu closet sem nenhuma delicadeza, me arrependendo depois, já que eram um dos meus lugares preferidos desta casa. Murmurei um desculpe, alisando meu bebê rapidamente — mas com carinho e amor — e adentrei-o em seguida. Optei por uma roupa simples, visto que não sairia para lugar algum após o termino do jogo. Um short florido, que era muito confortável, e uma blusinha rosa claro de tecido fino e mole. Segui para a suíte do quarto, pensando o quanto era bom ter amigos ricos em certas ocasiões. 

Por mais que a água morna caindo por todo meu corpo fosse uma das sensações mais relaxantes que existisse no planeta terra, eu não podia me dar o luxo de ficar refletindo sobre minha vida agora e acabar por enrolar mais. Jeon chegará em poucos minutos e está nos meus planos recebê-lo toda cheirosa e de braços abertos — não pretendia que fosse somente os braços, mas não havia nada a ser feito. Ainda que o tivesse visto nos outros dias da semana, a saudade que eu sentia da sua companhia, das suas gracinhas e dos seus lados anjo e demônio — um mix na medida perfeita para mim — nunca parecia ser saciada o suficiente. Esse último tópico era bem interessante e, definitivamente, era algo que nem em meus pensamentos mais sórdidos eu ponderaria. 

Me neguei profundamente a descrever esse assunto nesse instante, já que eu viajava demais nos detalhes e não possuía tempo necessário o bastante para revelá-los. Em vez disso, foquei-me em aplicar rapidamente o óleo de cacau que deixava minha pele demasiadamente macia e perfumada — também, pelo preço que pago nele, se não tivesse esse resultado, eu exigiria o reembolso.

— Lolô, eles já chegaram! Desce logo que o boy tá querendo uns amassos nível crazy!

Nina passou pelo corredor histérica, ao mesmo tempo que desaparecia aos risos, provavelmente descendo para a sala novamente. Revirei os olhos com um sorriso divertido na boca, já que essa coreana encorpada não poupava constrangimentos aos amigos. Principalmente ao meu garoto, que ainda se envergonhava com comentários como esse vindo dos outros, especificamente dela e do Chris.

Depois de devidamente vestida, perfumada gostosamente e com cabelos soltos e cheirosos, saí ligeiramente da frente do espelho e me dirigi ao andar debaixo, ansiosa para agarrar o maknae do grupo. Qual, é? Quando se tem um moreno daqueles como namorado, tudo o que a gente mais deseja, euforicamente, é estar prensada num corpo esculpido divinamente pelos deuses. Que é o que Jeon possui, para minha felicidade (e prazer). Não que se ele não tivesse esse físico eu não seria perdidamente apaixonada por ele, já que eu e todas as armys sabemos o quão pesada é sua bolsa de qualidades. Porém que mulher — e também homem — que não resiste a uns quadradinhos no abdômen e/ou braços firmes, não é mesmo?

E por falar na criatura abençoada mais irresistível que eu já cruzei meu caminho, Jeon estava no final da escada com um braço apoiado no corrimão enquanto mexia no celular. Quando ele passou a trocar o peso das pernas, eu soube que era indícios de impaciência. O que eu confirmei quando guardou o aparelho e subiu o primeiro degrau, apenas parando no momento que subiu seu olhar até mim — que estava plena o observando.

— Que pessoa mais impaciente, não é mesmo? — Arqueei a sobrancelha com um bom humor plausível em minha voz, indo ao seu encontro.

— Conheço alguém parecido. — Retrucou ladino, claramente uma indireta bem recebida e visualizada. Com as mãos no bolso de seu inseparável moletom, de capuz, preto, Jeon descia e subia seus olhos achocolatados por mim a medida que me aproximava cada vez mais. Eu me sentia da mesma maneira como se estivesse sendo examinada milimetricamente numa entrevista, exceto que os rodopios no pé da minha barriga surtisse um efeito majestosamente mágico em meu ser. Ao mesmo tempo que era um frio que me sugava de dentro para fora, também era chamas de um fogo ensandecido que me mantinha quente durante todo o inverno rigoroso. É algo complexo demais para outras pessoas entenderem, até para mim não era fácil, mas o que importa é que é algo quão necessário para mim quanto o oxigênio. Eu não me imaginava sem.

— Ah, é? — Passei meus braços ao redor de sua nuca, sentindo a textura de seus cabelos lisos e escuros, ao passo de que não desviava meus olhos do garoto a minha frente. Garoto não seria uma forma adequada de descrevê-lo, a não ser em alguns momentos de criancisses dele, mas de resto, Jeon Jungkook, era um verdadeiro homão da porra (como dizia uma conhecida brasileira) — E eu conheço esse ser divino?

— Tá mais para fera, mas você conhece sim. — Provocou com o rosto enterrado em meu pescoço, onde arrastava o nariz lentamente por essa região inalando meu cheiro de forma suave. Era uma típica mania sua me agarrar e ficar nessa posição até que ele se cansasse. Devo dizer que era uma típica mania minha me arrepiar ligeiramente nessa área também, apenas com suas fungadas e o deslizar de suas mãos em meu cabelo, para deixar livre o caminho. 

— Todo mundo sabe que ela é uma princesinha da Disney. — Sussurrei quase sem fôlego, devido o enlaçamento que fez em minha cintura com o braço livre, deixando-me colada ao seu corpo grande que se encaixava em mim de uma forma perfeita. Para melhorar tudo, ele riu no pé do meu ouvido.

Só Deus sabe o efeito que esse ser abençoado tem sobre mim. Acho que se ele ordenasse agora que eu invadisse a casa branca, nem hesitaria em obedecer — ainda que não obtivesse sucesso nem em chegar na rua da mansão sem ser apanhada. 

— Fragilidade e delicadeza não condiz com seu estilo, amor. 

Iria contestar sobre o quesito delicada — já que a palavra frágil não combinava em nada comigo, era evidente —, mas o apelido "amor" se referindo a mim carinhosamente acabou com todas as probabilidades de rebatê-lo. 

Depois de ter saciado sua vontade de me sentir, onde consegui constatar ao ouvir o seu grunhido rouco que transbordou prazer e satisfação — e que findou em me deixar desestabilizada nos segundos ou minutos seguinte, não sei dizer —, Jeon ergueu o rosto encostando no meu vagarosamente, causando um suspiro sôfrego em mim pelo anseio de ter nossas bocas unidas de uma vez. 

E é por isso que não me considero como as tradicionais garotas sem atitude, porque no instante seguinte impulsei minha boca na sua em busca de saciar minha vontade que chegava a sufocar já. E parece que o mesmo acontecia com Jeon, que retribuiu na mesma freqüência.

A única palavra plausível que me passou na cabeça sobre a boca de Jungkook foi:

Gostosa.

A boca de Jeon Jungkook era gostosa para um caralho. Aliás, ele por inteiro era gostoso — assim como ele costuma falar sobre mim também, e isso nem me deixa sentindo como a mulher mais sexy do mundo.

Enfim, voltando ao que interessa.

Eu movimentava minha língua com uma sede esmagadora de captar todo o gosto da boca do moreno, que me mantinha presa a si fortemente com os braços a minha volta. Ao mesmo tempo eu aproveitava para puxar, nem forte demais ou fraco também, o seu cabelo perto da nunca, que eu sabia muito bem que o deixava extasiado. A prova foi o suspiro lento que soltou contra mim, que quase resultou em um gemido meu — para terem uma noção do quão libidinoso esse ser divino é. Enquanto tentávamos continuar com o enlace de nossas bocas, pois o fôlego estava no fim e uma hora iríamos nos separar, senti sua mão descendo vagarosamente para minha bunda. Em seguida não se limitou em ser gentil ao apertá-la, algo que eu esperava e que não era surpresa nenhuma. Também não foi nenhuma novidade o fato de eu ter gemido nessa hora, porque a força que ele tem não é brincadeira, então a dor se misturava com o prazer em uma espécie de contraste. Sem dúvida alguma.

Infelizmente precisei me separar, com certa dificuldade já que Jeon continuava a mordiscar minha boca e seguir os movimentos que eu fazia para me afastar em busca de ar. Quase como um jogo de perseguição.

— Você precisa... fazer aulas... de natação. — Falou com a respiração entrecortada, porém em melhor, bem melhor, estado que eu enquanto dava leves mordidas em meu pescoço. Me odiava em certos momentos por não prender minha respiração por muito tempo, visto que Jeon conseguia manter a dele em níveis muitos superiores em relação a minha. 

— Humrum... — Balbuciei entorpecida demais com seus lábios molhados me acariciando, causando arrepios até onde não devia em meu corpo. Apostava minha foto autografada da Rihanna que ele estava sorrindo egocentricamente por ter conseguido me deixar toda mole e sem raciocínio em seus braços, de cabeça apoiada em seus ombros enquanto liberava espaço suficiente para deixá-lo se divertir no meu pescoço. 

— Poderíamos subir, fazer algo mais produtivo, não concorda? — Provocou mordendo minha orelha lentamente, adentrando uma mão embaixo da minha blusa, que se encontrava levantada até o umbigo no processo. E ia subindo e subindo e subindo, quase chegando em direção aos meus seios quando...

— Ai meu Deus... eu não... Deus... — Um Taehyung completamente sem jeito e de rosto vermelho igual a um pimentão, segurando um pedaço de carne na mão, nos encarava atônito, nos fazendo pararmos com "isso" de imediato. 

Era realmente incrível seu melhor amigo — e de seu namorado também — vislumbrar um ato desses.

Enquanto eu abaixava rapidamente minha blusa, tentando parecer que não estava numa ocasião quente com o namorado, Jeon passou a mão de maneira calma nos fios de seu cabelo — que se encontravam desalinhados graças a muá. Era realmente incrível como ele conseguia aparentar que não estava embaraçado com a cena, porém para seus amigos e eu, era óbvio que só estava tentando agir normal mesmo, visto que o desviar de olhos entregava a pose. O que me fez lembrar que eu esqueci de forma deslumbrante — e muito desestabilizadora — a realidade de que não estávamos num local privado, ou seja, tinha gente como o Chris a nossa volta, que claro, deixou um dos seus maravilhosos comentários.

— Taehyung entrando na família dos tomates, o garoto de ouro com a boca avermelhada e uma garota de blusa desgrenhada e levantada. — Olhei para minha roupa estranhando, afinal eu já havia arrumado. E aí eu cai em si quando o infeliz riu, por ter comprovado sua tese — Eu não te criei assim senhorita Linderman! — Forçou um tom de repreensão puramente fracassado e pingando sarcasmo, cruzando os braços.

— Graças a Deus, né! — Minha irmã entrou na sala, cortando a onda do outro antes de mim. Me levando a rir juntamente de Tae pela cara de ofendido de Christtofer, que desfez a pose de chefe de família — Quem sabe o que mais a Taylor seria. — Parei de rir na hora, sendo Jungkook a continuar meu ato. 

Um namorado que te apóia em tudo, como podemos ver.

— Eu poderia rebater todas essas calúnias contra minha pessoa, mas como estou com fome e comida vem sempre em primeiro lugar, me manterei serena. — Arrebitei meu nariz, passando por Chris em direção as carnes e coisas que me interessam muito mais.

— A gente sabe muito bem que tipo de fome você tem. 

E lá se foram mais desgraças sendo pronunciadas de mim lá atrás pelo meu cunhado — que Alex insiste em dizer que não é, mesmo todo mundo sabendo que ele é sim meu cunhadinho e, logicamente, seu homem — amoroso, trazendo mais gargalhadas por parte de Tae e da minha irmã. Jungkook é claro que me acompanhou e saiu da linha de fogo lá atrás, onde sobraria para ele em segundos.

— Lolô, você fez doce? — Jimin perguntou com um pratinho de comida na mão, boca engordurada da carne e olhos pidões. 

— Que eu saiba só tem a salada de frutas que eu fiz, não é mesmo, Lolô? — Tá aí uma Nina se achando a escrava Isaura. Era só o me faltava mesmo, gente rica fazendo drama era outro nível.

— E você não estava de dieta? — Jungkook questionou o Park, enquanto pegava um prato e colocava o que lhe chamava a atenção na mesa cheia de carne, salada de maionese, farofa e etc. Tudo que um bom churrasco brasileiro podia oferecer, já que eu e Nina estávamos morrendo de vontade de provar essa culinária. O que a internet e uma colega brasileira nossa não faz? 

— Vou começar amanhã, não posso fazer esta desfeita com as garotas. 

— Você disse isso ontem. — Jimin o olhou com uma careta, garoto mais fofo até quando contorce o rosto não tem.

— Pode comer o que quiser Jiminie, você não precisa de dieta nenhuma. É lindo do jeito que é, algumas pessoas nascem abençoadas com o pózinho da beleza. — Dei um beijo na bochecha do bolinho do grupo, que sorriu envergonhado ainda que já estivesse acostumado com meu jeito afetuoso. Jungkook que era rabugento e não gostava muito desse carinho que eu dava aos outros, mas não falava nada quando eu o fazia com os garotos do grupo, agora com os meus amigos de fora... Bem, ele se tornava outra pessoa.

— Taylor, vai começar! — Chis avisou da sala, me fazendo entupir meu prato rapidamente e andar apressada até lá, com os outros atrás de mim. 

A sala era espaçosa, assim como qualquer cômodo desta casa, então não ouve problemas na divisão dos lugares nos sofás. Eram três desses móveis que constituía a sala, sendo o maior deles em frente a TV — que podia ser comparada a uma tela de cinema, obrigada amiga rica — e os outros dois se posicionavam nas laterais de forma que ficassem em volta da mesa de centro. 

Sentei no sofá maior, óbvio, aproveitando para puxar minhas pernas para cima do mesmo e depois encolhê-la juntando-as, ficando na minha posição favorita — Alex estava igual a mim, coisa de família. Juntamente de minha irmã e do Chris, ocupávamos o espaço. Os demais se viraram nos lugares vazios que restavam, menos uma certa coreana que nos observava de braços cruzados. Nina obviamente queria um lugar aqui, já que falava que era o canto dela. E realmente era, pois toda vez que se sentava para assistir algo vinha diretamente para cá. 

— Tá tudo muito bonito, muito confortável, não está frio e nem quente. — Começou num tom falso de alegria, mas foi o morder de lábio que denunciava sua ironia. 

É bem engraçado como sempre tem aquela pessoa abusada na toda de amigos, não é mesmo? Pois então, eu tenho dois desses.

— Eu concordo contigo, sabe? Mas sabe o que ficaria perfeito, nota 10 mesmo, a cereja do bolo? Uma cerveja geladinha agora, aquela que desce acariciando o.... Como é o nome do negócio, Taytay? — Chris perguntou para mim, tentando esconder o sorriso de canto debochado. Era aquele típico cafajeste britânico lindo de morrer, porém não valia uma passagem de ônibus.

— Faringe.

— Isso, faringe. Só faltava isso para minha faringe ficar satisfeita. — Balançou a sua garrafa vazia, com um biquinho tristonho na boca.

Abaixei minha cabeça para esconder  a risada que queria escapar — senão iria sobrar para mim, e eu não sairia porque tenho uma vista privilegiada da TV aqui —, vislumbrando Jeon virar o rosto também e Jimin, que estava ao seu lado, colocar sua mão gordinha na boca que já sorria.

— Filha da pu.... — Parou após Chris chiar um "olha a boca", fazendo-a ficar mais louca ainda — Sai, Christtofer! Sai antes que eu encarne a Nazaré e te faça subir as escadas só pra ter o prazer de empurrá-lo depois!

Parece que somos amantes da cultura brasileira, não é mesmo?

— Tá, mas me tira uma dúvida primeiro... — Chris franziu as sobrancelhas para Nina, parada a sua frente impaciente. Alex já estava com as mãos tapando o rosto, sabendo que nada de bom viria a seguir.

— Que é?

— Depois que me jogasse escada abaixo, você traria a minha cerveja? 

Nina o encarava sem reação — provável que ela não tenha captado o que havia acabado de ouvir — enquanto eu e os reles mortais quase engasgávamos de tanto gargalhar. Cada um rindo lindamente. Temos como exemplo nosso Taetae que ora saía som de sua garganta ora ficava mudo. 

— Sai, demônio, sai! — Nina se descabelava ao bater em Chris com a almofada. Eu amava tirá-la do sério também, por isso não estava tentando acudir o garoto que ao mesmo tempo que se defendia gargalhava no processo. 

— É por isso que o V sempre vem pra cá.  — Jimin comentou risonho, se divertindo explicitamente.

— O Tae aparecer aqui? Nunca nem vi. — Falei olhando os jogadores se posicionarem no campo e pensando em ir pegar o controle para aumentar o volume, ouvindo Jeon soltar um leve riso.

— Isso porque ele disse que veio semana passada.

— Só se foi em espírito, de resto... Ainda bem que nem fiz aquela torta que pediu, ao invés de passar creme ia passar nervoso, isso sim. — Observei o dito cujo entortar a boca em um sorriso pelo que eu disse. Taehyung achava graça dos 99% de frases que saiam da minha boca, os outros 1% se resumiam nele tentando entender o significado.

— Eu vim sim, nós acabamos jogando máfia no fim da tarde...

— Máfia? Que máfia? Lolô não joga máfia, ela é horrível e sempre acaba morrendo, mesmo que sempre seja a vítima. — Jimin falava rindo, provavelmente se lembrando de todas as vezes que jogamos e eu acabava por morrer primeiro. Eu tinha minhas desconfianças de que eles armavam isso, não era possível ser apenas apenas o fato de eu ser terrível. Enquanto isso, a briga de travesseiros acabou com Alex empurrando Chris que se encontrava beijando o chão agora e uma Nina sentada sorrindo no sofá, ainda que estivesse tentando respirar todo nosso oxigênio e descabelada.

— Eu acho que vai dar Portugal, já tem pênalti marcado para eles.

Virei minha cabeça rapidamente em direção a TV, ignorando a pontada que senti pelo ato repentino, constatando que o juiz já havia apitado dando início ao jogo e nem escutei pela baderna ao meu lado. Como esperado, Cristiano Ronaldo já estava esperando, respirando fundo em concentração, a autorização para cobrar o pênalti. Eu olhava atenta e ansiosa, quão nervosa como se fosse eu ali no lugar dele prestes a chutar a bola no gol e orgulhar meu país — ainda que torcesse pelos EUA, eu sabia que não haviam jogadores capazes para levarem essa copa para solo americano, é triste, mas é uma verdade inevitável. 

— Gol!!! — Gritei ao mesmo tempo que Alex, sorrindo pra caralho por meu jogador favorito já começar o jogo mostrando o seu potencial.

— É top 3, não tem como negar. — Chris comentou balançando a cabeça, deixando um pequeno sorriso de canto nascer. Seu escolhido era o rival Messi, mas nada impedia que o mesmo reconhecesse o talento do outro.

— Top 3? — Jimin olhava confuso para nós, aguardando uma provável explicação. Os garotos não acompanhavam futebol assim como eu, minha irmã e seu namorado não oficializado, por isso alguns termos que usávamos lhes estranhavam. 

— São os jogadores considerados melhores do mundo... — Chris interrompeu minha irmã, que dava início a explicação.

— Sabe o topo da pirâmide, a parte mais alta e valorizada? Então, é outro nível, outro patamar completamente diferente dos outros caras.

— CR7, Messi e Neymar. — Todos encaravam surpresos uma Nina distraída mexendo no celular, que sentindo-se observada levantou a cabeça — É só o que sabem falar nas redes sociais agora blá blá blá, a única parte boa é ver as fotos do Cristiano. O cara tem a barriga trincada, confesso que tive que me apaixonar apesar dos apesares. Por que não me mostrou isso antes, Taylor? 

Ignoramos ela com sucesso, como se não tivéssemos escutado nada, voltando ao tópico que nos interessava em seguida — ainda que o fato dela sentir atração por alguns caras fosse algo surpreendente, o cara tinha que ser "O cara".

— Bom, vamos ao mundo dos negócios, senhoritas? — Tirando a carteira do bolso, Chris soou cortês ao perguntar.

— Hum. — Minha irmã resmungou devido a boca cheia, também se mexendo no sofá.

— Opa, só se for agora. — Empolgada, deixei meu prato de lado e procurei por meu celular, não encontrando-o por aqui — Alguém viu meu celular? Que eu me lembre, eu desci com ele...

— Tá comigo. — Jeon deu de ombros me entregando o aparelho despreocupado, enquanto eu o encarava de sobrancelha arqueada, ele adorava bisbilhotar algumas conversas minhas  — Você deixou em cima da mesa, apenas peguei.

Deixei de lado, pegando o celular e já retirando minha capinha do Jungkook — literalmente dele, tinha uma foto sua sorrindo de lado charmoso —, que ele fez questão de me presentear no meu aniversário (ri tanto nesse dia). 

— Mudaram o treinador da Espanha de última hora... — Com a ponta dos dedos acariciando sua boca, Chris estava pensativo sobre sua decisão — Hum... Mas o ataque continua foda, a defesa tem o Sérgio Ramos, que nossa, sem palavras. 

— Então? — Apressei.

— 3 a 2 para Espanha, é isso. — Decidido, colocou a carteira na mesa.

— Eu concordo com tudo que disse, a Espanha é um dos favoritos com mérito, mas não sei não... CR7 não é pra qualquer um, ainda que seja a única arma e esperança de Portugal. — Alex ponderou, repetindo o ato de Chris. Não era uma escolha fácil afinal, ainda que parecesse se comparasse os jogadores individualmente. Dava Espanha na hora, sem questionamentos, todavia sabíamos que não é bem assim na prática, na pressão, numa copa do mundo então. Nem se fala. — Vou de empate, 2 a 2.

— Bom palpite, sis. — Sorri cúmplice para ela, que retribuiu na hora. Eu também me encontrava em insegurança, essa era minha parte racional e tática contestando, dizendo que era melhor não arriscar quão alto. Agora meu lado emocional apitava para o melhor do mundo, sem nem atrasar um segundo para decidir — Hum... — Mordi a boca em sinal de falta de resposta, pensando seriamente em qual lado deveria apoiar. Queria tanto comprar um vestido que vi esses dias, esse dinheiro iria completar o que faltava. E saciar meu desejo inesperado, pois não sou a louca dos vestidos, eu sou a louca das blusinhas.

— Difícil saber que o dono da bola de ouro não tem muitas chances, não é mesmo? — Ergui meus olhos até um Christoffer debochado, que levava a mão até a boca, mesmo que não tivesse a precisão de esconder o sorriso.

— Em primeiro lugar, são Bolas de Ouro. — Ergui o dedo, corrigindo-o rapidamente — Em segundo lugar, isso me faz lembrar de uma coisa que surgiu na minha cabeça agora. — Me observou curioso, ainda sorrindo — Quase que uma certa seleção não participava do maior torneio, entrando no último suspiro sôfrego devido a um jogador. 

— Com aquela defesa maluca, não se pode esperar muita coisa daqui pra frente. — Alex completou, defendendo nosso jogador com maestria e tirando um riso meu pela parte do "defesa maluca". 

E assim que o querido abriu a boca para contra atacar, saí na frente.

— Se poupe, nos poupe. Você sabe que não tem moral para se defender. — Levantei minha mão em pare, arrancando uma risada de Nina que adorava esse tipo de farpa, mesmo que não compreendesse o assunto em questão — 3 a 3, todos os gols do melhor do mundo, porque ele pode e porque ele é o cara.

Coloquei minha parte do dinheiro — retirado da minha capinha, melhor lugar para guardar money, segundo a revista eu — na mesa sem hesitar, confiando em meu coração sentimental dessa vez. 

Quando olhei para os outros garotos, eles nos olhavam quietos e impressionados, menos Jeon que já conhecia esse nosso universo "futebolístico". 

— Uau. — Jimin exclamou surpreso.

— Eu também quero! — Nina falou com a mesma empolgação que eu de início. Franzi as sobrancelhas para ela, iria perder dinheiro, daí lembrei que ela era rica, então deixei quieto.

Por fim, todo mundo acabou apostando, menos meu namorado que era seguro de seu dinheiro e sabia que suas chances de ganhar eram mínimas. No fundo, queria que ele apostasse, assim seria mais verdinhas pra mim, pois obviamente eu ganharia sobre o placar — estava com um bom pressentimento a respeito.

O primeiro tempo seguiu tenso, ao mesmo tempo que o gostinho da vitória prevalecia entre nós ainda, já que os números se encontravam em nosso padrão ainda. Jimin já havia sido eliminado, pois optou por 2 a 0 para Portugal, e a Espanha, por meio do Diego Costa, fez um golaço na metade da partida.

— Porra. — Alex murmurou rindo pelo fato do brasileiro ter feito praticamente um zig zag na defesa portuguesa e goleado em seguida. Só em jogo para minha irmã falar "palavra de baixo calão".

Nos minutos derradeiros para o final do primeiro tempo, Cristiano havia marcado mais um para a alegria da nação portuguesa.

— O famoso mão de maionese. — Comentei divertida pela falha do goleiro, rindo junto com Chris quando o comentarista repetiu minha frase.

Os outros garotos e Nina não viam o mesmo entusiasmo que nós, porém não era como se estivessem entediados também, visto que a partida estava acirrada para as duas seleções.

Com uma garrafinha de cerveja na mão — e olhares não muito amigáveis por parte de Jeon e alguns de esgueta de Alex observando meu estado, ser menor de idade é uma droga algumas vezes —, eu me via ansiosa assistindo o começo do segundo tempo. Não podia negar que os palpites de Alex e de Chris eram realmente bons, o meu que acabava por ser o mais arriscado. Agora não tinha mais o que fazer, só torcer que o camisa 7 esteja inspirado o suficiente para marcar o terceiro.

Virei para o lado quando senti algo apertar minha cintura, era Jeon querendo chamar minha atenção. Para ver o nível de implicância por aqui, era que todos pareciam ter mudado de lugar. Eu estava num sofá com meu namorado e Nina, Jimin e Tae em outro, ficando Alex e Chris no que foi disputado anteriormente.

— Quê? — Ele pareceu se emburrar com a resposta.

— Não vai pegar a salada de frutas?

— Ah, já já vou lá... — Falei sem me importar muito voltando os olhos para a tela, escutando um suspiro pesado e seus passos fortes saindo da sala. Franzi o cenho sem entender nada, levando a bebida a minha boca.

— Coitado, Taylor! — Nina disse me encarando, rindo levemente no fim — O garoto vêm para ficar contigo, daqui a pouco já vai ter que ir embora e você aí, vidrada na TV.

Nem revidei nada, caindo na realidade quando constatei que era a realidade. Me senti mal de repente, por não o ter dado tanta atenção quanto deveria. Deixando a cerveja em qualquer canto, fui atrás do moreno de cara fechada — 99% de probabilidade dele estar assim. Na cozinha não estava, e aproveitei para pegar as frutas cortadas e um punhado de chocolate na geladeira para colocar em cima, que eu sabia que ele gostava. Fui direto para fora, na parte da piscina, onde também sabia que ele gostava de ficar para sentir a brisa fresca que havia nessa hora.

Estava certa.

Ele estava sentado na espreguiçadeira de costa para mim, com uma cerveja na mão e um olhar sério para o nada. Os seus fios castanhos balançavam suavemente com o ar, e junto com a luz fraca da lâmpada iluminavam vagamente sua pele morena e o ambiente. Suspirei rendida à ele, Jeon Jungkook é quão lindo que me vejo até sem reação em certos momentos. Muitos momentos. 

— O que está fazendo aqui? O jogo é mais interessante, quer dizer, o melhor do mundo é mais interessante. É o cara.

Jeon Jungkook é terrivelmente uma das pessoas mais enciumadas que já conheci também, fazendo dupla com minha melhor amiga coreana lá dentro. Levei uma colher cheia do doce a minha boca, me enriquecendo de açúcar primeiro para andar até o mesmo e tentar tirar a cara de quem comeu algo azedo.

— Vim pegar as frutas que me ofereceu. — Disse com dificuldade, devido as frutas mal cortadas, Nina praticamente deixou elas inteiras. 

— Engraçado, pensei que já estivesse se alimentando da bola. — Resmungou de mal humor, quase que não o escutava se não estivesse perto o bastante.

Mesmo ficando parada a sua frente, ele se negava a me encarar, um dos sinais que mostrava sua irritação. Sem outra alternativa, me sentei em sua perna esquerda — aproveitando que ele gostava de sentar desleixado e de pernas abertas —, ganhando finalmente a atenção de seus olhos escuros.

— Eles podem aparecer de novo. — Tentou me tirar de forma sutil, porém eu já havia colocado minha mão em sua nuca, prendendo-me a si. Jungkook evitava afetos mais íntimos, como beijos ou estar assim, em vista de outras pessoas. Algo que eu entendia por ser de sua cultura esse modo reservado, só que agora não.

— Não vão aparecer agora, estão bem entretidos em conversar, assistir o jogo e comer lá dentro. — Ficou quieto novamente, firme em fingir que eu não estava ali, mas ambos sabíamos que era impossível me ignorar, visto que eu não era um pessoa silenciosa. Por isso, quando tratou de beber mais da cerveja, a tirei da sua mão.

— Taylo... — Interrompi sua fala de alerta com meus lábios sobre os seus.  

Sua boca gelada e com gosto levemente amargo da bebida fazia um constataste maravilhoso com a minha, misturada com o chocolate. Nossas línguas avançavam umas nas outras em anseio por mais do contato de sabores, que deixavam o beijo ainda mais gostoso e molhado deixando tudo mais sensual. Sua mão segurou uma de minha perna com firmeza, abrindo-a para que se encaixasse na volta de sua cintura e assim eu ficasse sentada de frente para si, deixando o contato entre nossos corpos maior. Jeon suspirou contente com o resultado, circulando os braços em minha volta de modo que nos prensasse ainda mais. Dessa vez fui eu que senti o impacto, arfando com todo o osculo e com a chupada que deu em minha língua de maneira lenta e extremamente desejosa, revelando como estavam os nossos ânimos no momento.

O calor era o grande sobressalto, juntamente de algo que estava se formando em baixo de mim.

Foi devido a esse alerta de que subiríamos de nível em pouquíssimo tempo, que tratei de findar o beijo em múltiplos selares, tentando aliviar a pressão que havia se formado em nós. 

— Não podemos... — Falei com dificuldade, sentindo o ar quente sair de sua boca avermelhada. Eu já citei que me perdia fácil fácil nesse homem?

— Se tem uma coisa que a gente pode, é poder. — Sussurrou contra minha boca, me fazendo rir pela frase.

— Tá igual a Nina roubando minhas frases de efeito? Vou cobrar direitos autorais, viu. — Disse um pouco mais distraída, ainda que estivéssemos quentes.

— Falou a pessoa que pega meus moletons emprestados e até hoje nunca devolveu nenhum, eu que tenho que prestar queixa. — Falou descendo a boca pelo meu colo, que estava descoberto graças a blusinha ser em gola v.

— Você não vai acreditar, mas sempre que eu vou pegar eles para devolverem acontece alguma coisa, tipo um sinal de que querem ficar comigo. — Jeon levantou a cabeça para me olhar, claramente uma expressão de deboche estava em seu rosto, como se dissesse "é mesmo?" — Juro! Ontem fui pegar aquele preto pra te entregar e adivinha? Tropecei duas vezes na escada e bati meu dedo mindinho na porta. Aí eu desisti, né, vai que eu caía na descida da escada e fosse parar no hospital entre a vida e a morte respirando por um tubo, em coma, podendo apenas ouvir as lamentações de vocês e a Nina me ameaçando de morte se eu não acordasse. E de modo algum isso irá se concretizar, eu quero pegar meu diploma e jogar a beca para o alto!

Senti ar quente na região do meu colo após eu terminar de me explicar, logo em seguida a gargalhada gostosa de criança de Jungkook ecoar, causando arrepios refrescantes na minha pele descoberta. 

— Como consegue pensar nessas coisas em segundos? — Indagou divertido, sorrindo o bastante para deixar pequenos risqinhos no cantinho dos olhos.

— São possibilidades que podem acontecer. — Dei de ombros acariciando seu cabelo, ao mesmo tempo que sorria pelo clima confortável entre nós.

— E já que estamos falando de possibilidades. — Mordeu a parte do meu seio descoberto, por sua mão traiçoeira, me fazendo fechar os olhos em êxtase. 

— Sim?

— Quais são as chances de eu me enfiar dentro de você?  

E eu suspirei.

Suspirei mole em seus braços, porque esse era o efeito de Jeon Jungkook.

Ele tinha esse lado diabólico, onde saía de seus lábios finos palavras descaradas e sem pingo algum de delicadeza. O pior — ou melhor, não sei definir — era que a criatura pecaminosa possuía uma expressão de garoto certinho de família, daqueles que iam ao mercado para a mãe não se esforçar. 

Esse era meu namorado, que me encarava com um falso sorriso doce na boca avermelhada, como se tivesse acabado de perguntar se eu gostaria de jantar num restaurante de vista para a cidade. O mesmo garoto que apertava as mãos das armys no fansign e dançava Go Go.

— Hein, amor? Quando eu vou poder te fazer entreabrir a boca anestesiada com o meu pau entrando e saindo da sua buc... — Colei minha boca na sua novamente, impedindo que terminasse a frase. E impedindo que criasse outro fogo, um que eu não seria capaz de cortar.   Se bem que nem estava dando conta dessa chama que se formav.

Distanciei nossos lábios — tarefa extremamente complicada — quando senti sua língua querer se entrosar na minha, contendo um arfar com a pegada forte de suas mãos em minha bunda em sinal de protesto.

— Jeon... — Tentei falhamente levantar de suas pernas, tarefa que fora interrompida por seus braços firmes em minha volta.

— Faz tanto tempo que a gente não transa... — Passou a língua lentamente em minha boca, saboreando o gosto do chocolate que deixava a cena um tanto erotica.  O resultado foi o meu gemido que saiu sôfrego, pois a missão de prendê-lo não foi um sucesso. 

Cadê a cultura reservada dos asiáticos?

— Mentira, aconteceu antes de ontem. — Consegui falar, ou melhor, sussurrar, já que a situação não estava controlada. Não estava nos meus planos começar a molhar lá embaixo. Não agora, não hoje!

Deus me ajuda!

— Quase dois dias já se passaram. E todo mundo sabe a principal regra de uma relação sexual. — Jeon parecia muito um demônio da luxúria assoprando palavras em meu ouvido. 

— E qual é? — Franzi o cenho o encarando, sendo retribuída com um pequeno sorriso de canto. O maldito sorriso de canto juntamente com o brilho nos olhos perigosamente maliciosos. 

— Ter uma relação sexual ativa. Transar, foder, meter, tre... 

Dessa vez o que o parou não foi a minha pessoa — aliás, minha única reação foi minha boca secar e os arrepios que subindo que nem trem bala por meu corpo —, e sim um Taehyung que vinha andando de costas enquanto conversava com alguém lá dentro. Me levantei rapidamente, desengonçada, quase caindo devido as pernas bambas e ao efeito de palavras proibidas para menores (e para pessoas como eu), se não fosse pelos reflexos do meu namorado ao me segurar.

— Tá perdendo todo o jogo, Tay. 3 a 2 já, Chris tá se achando lá dentro. — Revirou os olhos, para em seguida vir em nossa direção enquanto encarava o amigo com uma careta — Larga a garota um pouco, credo. A gente não pode nem falar com a Taytay por um minuto.

E saiu me arrastando, ao mesmo tempo que resmungava algo sobre perder amigo depois que ele começa a namorar. 

Pelo menos Deus ouviu minhas prec... Pera aí!

O que esse ser falou? 

Eu por acaso estou com problemas de audição? 

— Que eu saiba não. — Tae comentou divertido, devo ter pensado alto.

— Como isso... Quê? Oi? Não! Não pode isso! — Bati as mãos na perna, correndo até a sala nervosa com o placar, escutando a risada de Tae atrás de mim. 

Quando vi a imagem de um sorriso estilo "It, a coisa" no Chris esparramado no sofá, eu comprovei que não havia nada de errado comigo. Isso só podia ser castigo pela única cola que passei na minha vida pra menina do colégio — Angélica, ela vendia trufas e me ofereceu 10 pelas respostas da prova de química, eu não pude negar, porque estava sem dinheiro para comprar e estava naqueles dias, peguei os chocolates com uma culpa enorme, mas o prazer que senti ao devorá-las estava na mesma proporção.

— Ih, amiga, parece que ti não vai comprar aquele vestido preto justo. Uma pena, ficaria um arraso nessa sua bunda gostosa. 

Eu me encontrava tão cheia de energia que nem fiquei constrangida pela Nina ter falado esse tipo de coisa nas vistas dos garotos. O placar era inevitável mesmo, tava lá, em néon na minha cabeça: POR 2 x 3 ESP. 

Caralho mesmo.

— Adeus vestido, olá lançamento da chuteira MESSI. — Chris se levantou ainda com o sorriso "sou gostoso, mas cafajeste", dando um beijo barulhento na minha bochecha, que fiz questão de limpar ouvindo sua gargalhada animada em seguida — Dinheiro mais fácil da minha vida!

Mas aí vocês devem ta pensando: pra quê o desespero, Taylor? Afinal, falta apenas mais um gol do Portugal pra você acertar seu palpite. 

Aí vos falo: falta 5 malditos minutos para acabar o jogo (fora os acréscimos). Para escorrer pelo ralo um dos únicos vestidos que me empolguei pra um caralho pra comprar!

— Por que a cara de doida? 

— Taytay tá perdendo. — Explicou Jimin para meu namorado, fazendo minhas mãos soarem como se as tivessem molhado.

— Ah, pensei que fosse importante. — Deu de ombros, se sentando despreocupado enquanto comia a minha salada de frutas.

Semicerrei meus olhos para o mesmo, pensando o porquê eu perdi meu tempo indo mimá-lo. 

— Tá me agorando é, desgraça? 

— Como se precisasse de alguém para se dar mal sozinha. — Sorriu cínico, passando a língua no cantinho da boca para limpar o chocolate.

Inferno! Até me arrasando ele é estupidamente sensual.

— Por que mesmo você veio? —Coloquei as mãos na cintura, olhando de segundo em segundo para a TV e para ele.

— Uma garota aí ameaçou "meter o louco" se eu não aparecesse hoje. — Revirou os olhos, enquanto seus amigos iniciavam uma risada.

— Nunca vi a Taylor "meter o louco"... — Cochichou o mais baixinho do grupo para Taehyung ao seu lado.

— É muito doido, ela fica alterada falando umas gírias engraçadas...

— E com aquele olhar de não me toque, vadia. — Nina completou rindo animada igual ao outro — Mas ela é muito foda assim, parece que vai metralhar quem tiver na frente. Se tem que ver.

— É verdade. — Meu cunhado assentiu descarado, fazendo um hign five com a asiática.

Era realmente fascinante a forma como eles vêem meu momento de desgraça em algo fenomenal.

— Lembra aquela vez no shopping? A atendente...

Lá se foi a Nina narrar mais uma de nossas histórias juntas, nem me importei em prestar atenção. Encarava a tela a minha frente de braços cruzados, não com raiva ou coisa parecida, mas sim impaciente e ansiosa a espera da bola na rede. De preferência, na rede espanhola.

— Deve ser difícil mesmo, né? A ansiedade, as mãos suando, porque eu sei que suas mãos fazem parceria com uma cachoeira quando fica nervosa. — Colocou o braço em volta do meu ombro, Christoffer sabia ser um pé no saco quando queria. 

— É ansiedade mesmo, querido, minha mão tá é coçando para pegar money. 

Forcei uma confiança que não habitava em meu ser no momento, contudo ainda havia aquela luz no fim do túnel. 

E os famosos 3 F's.

Foco, força e fé.

— Se a seleção não tivesse só o Ronaldo, aí seria outro contexto. Chega até ser triste, não acha? — Virei o rosto à tempo de ver o sorriso cafajeste em seu rosto — É a vida, né, uma hora a gente ganha, outra hora a gente perde. Que coisa, não?

Quando ia retrucá-lo de maneira sarcástica, viramos a cabeça num passe de mágica para TV quando o narrador gritou o famoso gol.

— Não acredito...

Caí no chão, de joelhos e mãos apoiadas no tapete felpudo, sentindo vibrações e arrepios inundando minha pele parecendo mais choques de eletricidade. 

— Gol! Ai meu Deus, gol! Obrigada, obrigada, Odin! Meu santo, Odin! Eu sabia que você não ia me decepcionar, robozão! — Corri em direção a tela que reprisava o gol de falta daquele homão, mais conhecido como Cristiano Ronaldo, e passava no momento a sua famosa comemoração com o pulo e os braços abertos ao lado do corpo — Esse é o cara, que homem, senhor!

Abracei a tela da TV em emoção. Quando fui perceber, Nina estava fazendo a mesma coisa do meu lado esquerdo.

— Parece que vai ter vestido mesmo. — Minha irmã, que antes permanecia quieta, riu. O que só me contagiou mais ainda.

Abracei Taehyung toda saltitante, nem tendo reação do mesmo que só sabia rir de um jeito mole e mudo. Fiz o mesmo com Jimin rapidamente, logo me abaixando e pegando com as duas mãos no rosto de um Jeon de cenho fechado e braços cruzados, encostando nossas bocas ligeiramente na euforia. Nem ligando que ele ficava constrangido com o ato.

Me virei para um Christoffer de feição descrente, surgindo uma chama ardente no meu peito. 

— Bitch, better have my money. — Bati uma mão na outra, encarando-o superiormente e logo pulando ao mesmo tempo que o abraçava animada e em zombaria. Ah, como a vingança é um banquete que se serve fervendo e com pessoas a sua volta para lhe vangloriar de pé.

— Porra. — Sussurrou irritado, pegando a carteira e retirando o dinheiro.

— Fazer o que, né? Uma hora a gente perde, outra hora a gente ganha. — Sentia que meu rosto poderia se rasgar a qualquer, tamanho era o sorriso que eu ostentava cinicamente ao pronunciar sua fala de minutos atrás. Se possível, ele fechou ainda mais o cenho.

— Ai amiga, a gente vai rodar o shopping inteiro. — Nina afirmou vibrante, proferindo mais para si mesma do que para mim.

Demos as mãos entusiasmadas e começamos a rodar igual crianças, eu me encontrava num êxtase absurdo para estar entrando na pilha da coreana. Não importa. Tudo que eu conseguia prever era estar saindo com sacolas brancas que estampasse Chanel, Gucci ou Louis Vuitton — meu sonho de princesa... Ok, não tanto assim.

Gargalhei, estrondosamente, junto dos demais que não aguentaram o auge do ápice que me cercava — até Jungkook havia desfeito a carranca pelo ciúmes bobo. Exceto por Christoffer, que bebia generosamente uma cerveja em busca de aliviar a frustração. 

— Karma is a bitch. — Resmungou em inglês olhando o juiz apitar, encerrando a partida.

É, eu estava no paraíso naquele instante. Sentindo o doce sabor da vitória — e do dinheiro em meu bolso —, como se a própria Rihanna estivesse cantando comigo sua música enquanto curtíamos o momento de máxima euforia. 

Eu só não imaginava — nem nos meus piores pesadelos —, que poucos dias depois estaria, completamente, em uma situação oposta a essa.

Apenas por uma partida.

Uma seleção, mas não qualquer uma, na verdade.

A seleção.

Realmente, tá aí uma coisa em que posso concordar com Christoffer.

O karma é uma vadia. Uma completa vadia metida à audaciosa. 


Notas Finais


Era para eu ter postado no final da copa, mas aí a capa demorou para ser entregue e eu já disse que nao gosto de escrever pelo cel? Pois bem, nao gosto ;c AINDA BEM QUE MEU NOTE TÁ DE VOLTA PARA NOSSA FELICIDADE!!! AI DEUS, PARECE QUE VOU TER UM ORGASMO e,e

Enfim, o que acharam nenês? Podem comentar sinceramente, vou ler e responder todos os comentários <3

Ah, e aqueles que me seguem pelo @L3rdinha sigam o @flover, vou estar usando ele para postar histórias ^^


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