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História Bold girl - Capítulo 53


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Capítulo 53 - Capítulo 53



         Julieta Sampaio


— Oh céus… — gemi quando mais uma contração me fez prender o fôlego e apertei a mão do meu marido com força.


As contrações eram suportáveis, mas estavam cada vez mais próximas uma da outra. 

Segundo a médica, isso indicava que as dores iriam aumentar logo e o bebê iria nascer a qualquer momento.


Já estava na sala de parto há algumas horas. Estava sentada dentro da banheira, sentindo a água morna envolvendo-me e
acalmando. 

O dia estava prestes a nascer e o Aurélio mantinha-se de joelhos à minha frente, segurando a minha mão e acariciando o meu rosto.


Parecia que seria ele que teria um bebê, pois a cada gemido de dor que eu soltava, ele ficava mais pálido. 

Não saiu um único momento do meu lado, nem ao menos para descansar um pouco ou comer algo. Nem mesmo para esticar os pés.


— Respira, querida. Puxa e solta o ar devagar… — disse com a voz falha. Sua testa suava de nervosismo.


— Aurélio, meu amor, você precisa ficar calmo. Eu estou bem.


— Estou calmo.


Passou a mão na testa e deslizou até os cabelos. Os olhos apreensivos estavam focados no meu rosto. Sorri quando a contração diminuiu e acariciei sua mão de leve, acalmando-o. 

Aurélio estava prestes a ter um ataque de nervosismo.


— Nunca mais irei te engravidar, está me ouvindo? —sussurrou, sério. — Eu não posso te ver sofrendo tanto, Julieta.


Meu coração se aqueceu quando ouvi suas palavras duras,mas ao mesmo tempo doces. Mesmo aflito, ele chegava a ser fofo.Eu o amei um pouco mais por isso.

— Aurélio, eu estou bem. A médica disse que o bebê está ótimo e meu corpo está mais que preparado para ter o nosso filho.Vai dar tudo certo.

Inclinei-me um pouco mais para frente, alcançando os lábios macios, e os beijei. 

Aurélio descansou a mão contra a minha, em cima da beirada da banheira, e senti a outra palma deslizar até o meu ventre. 

Seu toque suave acelerou o meu coração, e o bebê mexeu, arrancando-me um sorriso.


— Acho que ele sente quando o pai dele está perto —murmurei sorridente. Meu coração dava saltos no peito de tanto amor que eu sentia. Estava completamente envolvida naquele momento.


Aurélio sorriu brevemente, mas logo depois fechou a expressão, preocupado.

— Não iremos mais fazer sexo sem proteção — disse convicto, arrancando outra risada da minha boca. — Só irei tocar em você após três meses depois que começar a tomar o anticoncepcional e irei usar camisinhas para ter certeza de que não irá engravidar de novo. — Senti sua mão tocando o meu queixo e ele continuou: — Nem tente me enganar, menina.


Balancei a cabeça aos risos e passei a mão em seu pescoço,fitando o seu rosto. Seus olhos estavam vermelhos e aflitos. 

Eu quase podia dizer que ele sentia medo do que estava por vir.

Abri a boca para tranquilizá-lo e fazer algumas provocações, contudo, uma contração forte e dolorosa me fez prender as unhas no ombro do meu marido. Eu gritei com toda força que tinha.


— Senhor! Aiiii!


O ar faltou em meus pulmões, e uma lágrima deslizou pelas minhas bochechas. A dor veio mais forte, agoniante.


—Julieta. — Ouvi a voz tensa dele, mas não consegui levantar o meu olhar, pois logo que a contração passou, veio outra mais intensa, em um intervalo de poucos segundos.


— Oh, meu Deus!


As lágrimas me tomaram e a dor aumentou mais, fazendo-me contorcer o corpo.

 Senti minhas pernas moles, sem força, e me agarrei ao Aurélio enquanto chorava, sentindo outra contração varrer o meu ventre.


— Eu vou te levar para a mesa de parto. — Ouvi sua voz distante, quase que como um sussurro, e logo depois ele chamou pela enfermeira.


Os braços fortes do meu marido me ergueram no ar, as lágrimas embaçaram a minha visão e a dor da contração aumentou,fazendo-me prender os dentes para não gritar enlouquecida.

 Um calafrio me cobriu da cabeça aos pés quando o ar fresco da manhã se chocou contra a minha pele nua e molhada.


Naquele momento, desejei arrancar o pau do meu marido com os dentes e prometi internamente que não seriam apenas três
meses de castidade. Nunca mais faria sexo outra vez.


— Vou morrer, Aurélio… — choraminguei quando ele me colocou sentada na mesa e me vestiu com a roupa hospitalar. —
Por favor, não me deixe morrer sozinha.

Outra contração me fez gritar, e eu girei o corpo na cama de parto, apoiando os pés e deitando-me de lado, impossibilitada de continuar na mesma posição.


— Vai dar tudo certo. Não irei sair daqui.

Senti sua mão pesada massagear as minhas costas e suspirei, um pouco aliviada pela diminuição do incômodo naquela região.


Um forte medo me atingiu quando a ficha finalmente caiu. Chorei mais. Eu estava prestes a ter um bebê. Iria ser mãe. A realidade me açoitou com tanta força que senti todo o meu corpo estremecer.

No momento em que a médica, acompanhada de algumas enfermeiras, entrou na sala e me examinou, soube que estava perto. 

Pude ver isso no fundo do olhar contente que ela me dirigiu. A mulher informou que a minha dilatação estava quase completa, mas que a bolsa ainda não havia rompido. 

No entanto, era só uma questão de tempo para que isso acontecesse.

Suas palavras se confirmaram alguns minutos depois quando não aguentei mais ficar deitada e me ajoelhei em cima da mesa,firmando-me com minhas mãos. 

Eu sentia que era mais fácil suportar as contrações naquela posição.

O líquido quente escorreu pelas minhas pernas, e o Aurélio se alarmou, andando de um lado a outro da cama hospitalar.


— Muito bem, mãezinha. Você está pronta — disse a médica, tocando o meu ombro levemente. — Deite-se, pois o seu bebê vai nascer.


— Não… — Solucei, balançando a cabeça, e levantei o rosto, olhando na direção de Aurélio. — Por favor, me abrace. Estou com medo.


Não precisei esperar nem um segundo para sentir seus braços rígidos segurando o meu ombro. E então, ele me abraçou com tanta força e amor que a dor pareceu se dissipar um pouco.


Senti-me protegida. Naquele momento, soube que era capaz de enfrentar qualquer coisa ao lado dele.


Suas mãos massagearam as minhas, e a pele quente acalmou os meus nervos aflorados. A dor aumentou, rasgando-me
por dentro, mas eu não senti mais medo.

— Aguente firme, meu amor, você vai conseguir. — Sua voz estava embargada. — Agora você precisa se deitar.


— Não, por favor… — Balancei a cabeça entre os soluços e o apertei mais entre os meus braços. De uma forma estranha que
eu não conseguia explicar, aquela posição, de joelhos e de frente para ele, deixava-me mais confiante.


— Tudo bem, mãezinha. Não precisa ficar com medo — falou a médica tranquilamente. — Preciso que você afaste seus joelhos o máximo que puder um do outro e incline o corpo um pouco mais para a frente. Senhor Aurélio, pode firmá-la dessa maneira? Pode demorar um pouco.


— Não tem importância, eu farei qualquer coisa — respondeu ele e depositou um beijo na minha testa.


Fizemos como a médica havia instruído e eu me agarrei ao seu pescoço, trêmula. As contrações vieram fortes, uma após a
outra, e eu usei toda a força que havia em meu ser para trazer o meu filho ao mundo.


O suor cobria a minha testa, as lágrimas banhavam o meu rosto e parecia que meu corpo iria se partir ao meio enquanto o Aurélio limpava a minha pele e arrumava os meus cabelos. 

Não tive certeza se havia se passado segundos, minutos ou horas, pois eu havia me perdido no tempo em meio à agonia.


Meu corpo estava sem forças, minhas pernas tremiam, mas foi no choro estridente que ecoou na sala que eu me apeguei. 

As lágrimas de dor deram lugar a um sorriso agradecido.


A médica rapidamente colocou o lindo menino em meus braços, ainda com o cordão umbilical e completamente sujo de sangue. 

Naquele momento, só pude agradecer a Deus pelo presente que foi enviado para nós. Ele era tão perfeito quanto um anjo.


— Bem-vindo à minha vida, garotão — sussurrou o meu marido, segurando a mãozinha do bebê.

Levantei o olhar para fitá-lo, e meu coração deu um salto quando vi seus olhos lacrimejados de emoção. O orgulho era visível em seu rosto.


— Ele se parece com você… — sussurrei roucamente ao analisar os cabelos e os cílios espessos do meu pequeno menino. A emoção me tomou.


— Ah, Julieta… — murmurou com a voz entrecortada. — Como eu amo você, garota.


— Temos um filho. — Foi a única coisa que consegui responder.


Minha voz falhou pela emoção e um filme passou pela minha cabeça, desde o momento em que passei a ver o Aurélio como o homem que eu amava. 

Eu era só uma menina na época. Agora,tinha o filho dele nos meus braços.
Aquilo era muito mais do que sonhei algum dia.


Sua testa colou-se à minha e só fomos interrompidos quando a médica e os enfermeiros precisaram pegar o bebê para limpá-lo e terminar os procedimentos do pós-parto.


Em alguns minutos, eu já havia trocado a camisola hospitalar e estava deitada de lado com meu pequeno Camilo embalado nos meus braços novamente. 

Aurélio estava sentado às minhas costas, e eu podia sentir sua respiração em meu rosto conforme seus dedos acariciavam os cabelos lisos do nosso filho.


— Com licença… — Ouvi uma suave batida na porta e logo ela se abriu.


Sorri quando papai e mamãe entraram com imensos sorrisos em seus rostos.
— Oi! — falei orgulhosa.


Os dois caminharam em nossa direção. Meu pai segurava a minha mãe pela cintura, e ela descansava a mão em cima da barriga volumosa. 

O vestido azul claro que mamãe usava batia na altura dos joelhos e a deixava deslumbrante.

Aproximaram-se e fitaram o pequeno Camilo dormindo.


— Como ele é lindo, querida. Estou tão orgulhosa de vocês— disse minha mãe com os olhos lacrimejados.


— O pequeno Camilo — falou meu marido.

Meu pai levantou o olhar, surpreso com aquela revelação, até então desconhecida para ele.

 Abriu e fechou a boca algumas vezes antes de caminhar na direção do Aurélio e o abraçar de lado.


— Você fez um ótimo trabalho, Cavalcante. É um lindo e forte garoto. Parabéns. — Percebi que sua voz embargou no fim.


— Obrigado, meu amigo.


A voz do meu marido saiu trêmula, minha mãe soluçou e eu agradeci internamente a Deus pelo retorno de uma forte amizade.


Pensei em pedir um abraço coletivo, mas, no momento seguinte, o barulho de algo parecido com água derramando no chão
chamou a atenção de todos. Fitei minha mãe e vi seus olhos se arregalarem. 

Então, ela olhou para os seus pés. Uma poça de água havia se formado onde ela pisava, e o líquido escorria por suas pernas, pingando no chão, deixando a todos ali estáticos.


— Oh, meu Deus… A minha bolsa estourou.



Notas Finais


O próximo será o último 😁🤗


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