História Bom dia e Cia - Capítulo 1


Escrita por: ß

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bts, Dia Dos Pais, Menção!taejin, Minimini, Repostagem, Sugamin, Suji, Yoonmin
Visualizações 164
Palavras 4.828
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Fluffy, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Alô, alô, galerinha ~

Hoje não é dia dos pais, mas amanhã é (eu acho q) e eu resolvi postar isso como uma homenagem (?) a esse dia.

A fanfic já tinha sido postada antes como Minjoon — então se vocês lembrarem assim "ah, mas ja vi uma fic com essa sinopse, so que minjoon", a fic era minha mesmo k — e eu resolvi adaptá-la para Yoonmin.

É isto, perdoem os erros. A história ainda não tá betada.
Até as notas finais!

Boa leitura ~

Capítulo 1 - Capítulo único


Da lista de coisas que Park Jimin mais abominava, a que com certeza ficava no topo da lista, era gastar dinheiro com coisas banais. E isso era algo que seu filho, o pequeno Park Suk, de apenas 5 anos, mais amava fazer.

Não que o Park se importasse em mimar muito seu primogênito e único filho. Não. Ele apenas sentia uma raiva interna quando o mais novo buscava o seu aparelho telefônico e gastava todos os seus créditos apenas para ligar para aquele maldito programa infantil, ao qual o pequeno assistia todas as manhãs.

Jimin sabia que era uma péssima ideia deixar o filho sentado na frente da televisão — mesmo que seu melhor amigo tivesse lhe assegurado de que o programa era maravilhoso para crianças —, sem fazer nada. Quando escolheu o nome Suk para o moreno, nunca imaginou que sua definição fosse “sem movimento” e que se encaixaria tão bem com o Park, que estava, agora, sem movimento frente ao televisor.

— Papai. — Escutou ser chamado, logo levantando os olhos do jornal, que nem estava lendo, aliás. — Eu quero ligar, papai. — Apontou para a tela grande, onde o apresentador engomadinho que seu filho tanto gostava mostrava os números necessários para a ligação.

“Não se esqueçam de ligar, crianças.” o homem dizia, o que fez Jimin revirar os olhos. Era um ilusionista barato, na visão de Jimin, que apenas encantava as crianças com presentes para gastar cada centavo de seus pais com créditos de celular. “Não percam essa chance de falar com o tio Suga e participar do Bom dia & Cia!”

Bom dia & Cia? Sério?

O loiro se perguntava se não poderia existir um nome mais criativo do que aquele.

— Meu amor, nós já conversamos sobre isso — Jimin tentou convencer o filho, que instantaneamente criou um bico nos lábios cheinhos, coisa que havia herdado do pai. — Você ligou ontem a manhã inteira e nada. Você não pode gastar os créditos do papai assim, Suk.

— Mas só dessa vez. — Jimin já havia escutado essa história de “só dessa vez” antes. Sabia que, no dia seguinte, o filho voltaria a lhe pedir para ligar, e sabia que, como pai babão que era, deixaria o filho fazer o que o deixaria feliz. — Por favorzinho. — Suspirando pesadamente, pegou o aparelho em cima do sofá da sala, discando os números tão conhecidos por si.

“Obrigado por ligar para o Bom dia & Cia.” a voz eletrônica do apresentador dizia. Jimin já se encontrava cansado de ouvir aquela mesma mensagem todos os dias. “Permaneça na linha! Devido ao grande número de chamadas que estamos recebendo, sua vez ainda não chegou.” Idiotice, Jimin pensava. Se tinha um grande número de chamadas, por que ele ainda pedia para mais crianças ligarem? Aquilo era olho grande.

Pacientemente, o loiro ficou na linha, ouvindo aquela música infantil irritante e tendo os olhos grandes de seu pequeno sobre si, com expectativa. Sabia que, pelo horário, o programa logo acabaria e, novamente, não seria atendido.

— Suk, acho melhor desistirmos — falou, quando a ligação caiu e teve que voltar todo o processo. — Que prêmio você quer? Eu compro ‘pra você — propôs. Pagar um presente seria mais fácil do que gastar fortunas com crédito telefônico.

— Mas eu quero falar com o Suga, papai! — Apontou para o televisor, onde o apresentador de cabelos rosa atendia a última das ligações.

“Que graça você vê nisso, meu filho?” quis perguntar, mas preferiu se manter em silêncio, apenas suspirou, visivelmente cansado daquela mesma rotina.

Quando sua ex-namorada, e mãe do seu filho, o deixou, Jimin nunca pensou que cuidar de uma criança fosse se tornar algo tão difícil assim; mas, de certeza, ele não esperava que fosse impossível convencer o filho a parar de assistir aquelas baboseiras que passavam na televisão.

“Infelizmente, o nosso programa está chegando ao fim, criançada.” Jimin escutou aquela voz tão conhecida por si dizer. Todos os dias ele falava a mesma coisa, Jimin seria capaz de imitar suas falas sem nem pestanejar. “Mas não desistam! Amanhã tem mais.” Infelizmente, amanhã tem mais, pensou Jimin.

Apesar de insistente e de não desistir fácil, Jimin tinha que admitir que seu filho era uma criança bem compreensiva, por isso, ao final de todo programa, ele apenas dava de ombros e mudava para outra coisa, fugindo dos telejornais. No entanto, o coração de pai que Jimin tinha se apertava com aquilo, sabia que o moreno ficava frustrado e não queria isso.

Mas o que Jimin poderia fazer? Não é como se pudesse ligar para a emissora e reclamar muito com eles.

O que o loiro não sabia era que, em uma tarde ensolarada, quando o Park estava no mercado, a vida iria tornar um encontro inusitado real.

[…]

— Obrigado — agradeceu à atendente do mercado que era próximo à sua casa.

Jimin sorriu mínimo, enquanto retirava o celular do bolso para fazer uma ligação, quando lembrou-se que seu filho sempre dizia: “Eu gosto tanto de comer, pai, que meu super-herói é o supermercado.”

Suk realmente era uma criança especial, ele era uma espécie de astro central, que iluminava toda a vida do Park. Era verdade que Jimin ficou inseguro no início. Ser pai? Não, aquilo não estava nos seus planos. Principalmente ser pai sozinho, considerando que a mãe do seu filho não dava a mínima para ele.

— Ah, que merda. — Suspirou quando a voz eletrônica se fez presente em seus ouvidos. “Você está sem créditos.” a voz dizia. Era lógico que ele estava sem crédito, seu filho havia passado todo o período da manhã ligando para aquele programa infantil sem sentido. Na época de Jimin, as crianças não eram assim, e não podia deixar de se sentir um pouco decepcionado com aquilo. — Tudo por causa daquele programa idiota. — Precisava ligar urgentemente para SeokJin ir o buscar, precisa pegar seu filho na casa do mesmo e ir para o conforto da sua residência.

Precisava, mas isso não quer dizer que conseguiria.  

Agora, estava ali, no meio daquele amontoado de pessoas passando, bem na porta do local e cheio de sacolas plásticas. Optou por deixar as compras em cima de um banco próximo de onde estava, apenas não esperou encontrar a última pessoa que esperava encontrar ali.

O próprio apresentador engomadinho, colocando as compras em seu carro preto e com um sorriso idiota nos lábios. Jimin não entendia porque odiava tanto aquele homem, talvez fosse porque estava preso ali justamente pela falta de créditos em seu celular.

Ah, mas quando o Min aproximou-se do local em que Jimin se encontrava para pagar o estacionamento, o menor não pensou duas vezes antes de dar um cutucão forte no ombro alheio, para chamar-lhe a atenção. Seus amigos sempre diziam que Jimin era uma pessoa bem explosiva quando queria, mas o menor não estava se preocupando com aquilo naquele momento.

— Com licença. — Colocou as mãos na cintura. Não sabia exatamente o que falaria, mas se estava sem créditos e a culpa era toda de Min Yoongi e seu programa idiota, iria, de certeza, cobrar uma solução ao mesmo.

— Pois não? — O rosado virou-se confuso, encarando aquele jovem rapaz baixinho e irritado na sua frente. — Posso ajudar?

— Ah, pode sim. — Confirmou com a cabeça. — Deixa eu te falar minha triste situação, Yoongi — pronunciou o nome alheio com total desprezo aparente. — Eu acabei de fazer compras nesse maldito supermercado. — Apontou para as sacolas que ainda estavam no banco. — E estava prestes a ligar para o meu melhor amigo ‘pra que ele pudesse vir me buscar, assim, eu não teria que voltar carregando esse monte de peso.

— Certo. — Limpou a garganta quando o Park passou um bom tempo em silêncio, provavelmente pensando no que dizer. — Prossiga, por favor.

— Então, como eu dizia — voltou à sua linha de pensamento: — Eu peguei meu celular aqui. — Levantou o aparelho platinado no ar. — Mas advinha o que aconteceu? A droga do meu celular ‘tá sem crédito. E advinha porque, Yoongi! Porque o meu filho fica ligando todo dia ‘pro seu maldito programa de tevê — esbravejou. Estava totalmente vermelho de raiva e, apesar de sentir um pouco de medo, Yoongi também conseguiu achar fofa aquela cena toda. — A culpa disso é toda sua, sabia?! Que fica entrando na mente das crianças ‘pra fazer elas gastarem os créditos e não se dá nem ao trabalho de atendê-las. — Voltou a colocar as mãos em sua cintura, respirando com dificuldade. — Você, por acaso, é do illuminati?

— O quê?! — questionou, assustado. — Claro que não sou.

— Tem certeza? — voltou a insistir. — Só um membro do satanás ‘pra gastar meus créditos assim. — Bagunçou os cabelos. Sabia que estava se comportando como um louco, onde já se viu? Sair por aí atacando as pessoas. Jimin nunca deveria ter deixado sua raiva falar mais alto. — Meu Deus, o que eu vou fazer agora? — falou para si mesmo. Não sabia ao certo se se referia ao incidente com Suga ou com a volta pra casa.

— Eu posso te emprestar meu celular se quiser. — O Min ofereceu, com o aparelho estendido na direção do loiro, este que olhou desconfiado para o mesmo. — Sinto muito pelos seus créditos. — O pior de tudo era que Yoongi realmente parecia se sentir culpado, como se fazer um pai solteiro arrancar os próprios cabelos o deixasse mal.

— Valeu — respondeu, logo pegando o aparelho na cor preta. Não hesitou em discar rapidamente o número de SeokJin, e nem pensou em colocar ‘pra chamar a cobrar, iria gastar todos os créditos de Yoongi, ah, se iria. — Jin-hyung, preciso que venha me buscar no mercado. Como por quê? Porque eu estou cheio de sacolas. Tudo bem, vou estar te esperando. E diga a Park Suk que é bom que ele esteja se comportando — usou um tom ameaçador na voz. Coisa que não passava de uma fachada, considerando que Jimin não conseguia manter a pose durona por muito tempo.

— Quem é Park Suk? — Yoongi questionou quando o menor lhe entregou o telefone com um agradecimento quase mudo.

— Meu filho — disse seco. Estava sem a menor paciência e sempre que olhava ‘pra Yoongi, lembrava de todos os créditos que foram ‘pro ralo.

— Aquele que liga para o meu programa? — soou interessado. E Jimin tornou a revirar os olhos com cada palavra do mais velho.

— É o único filho que eu tenho, Min.

— E quem é você? — Aquela pergunta ecoou na mente de Jimin. Quem ele era? Isso é pergunta que se faça.

Talvez ele esteja apenas perguntando seu nome, considerando que o menor não havia o falado, mas Jimin gostava de explorar as palavras além daquilo que elas expressavam.

— Eu sou Park Jimin — respondeu. — Alguém que te abomina por fazê-lo gastar fortunas com crédito telefônico.

— Nossa, mas que péssima primeira impressão eu te passei.

— Ah, não se preocupe com isso. — Fez um sinal de desdém com a mão. — Tem uma gráfica ali, você pode imprimir de novo, sabe? E me dá uma impressão melhor. — No momento em que as palavras deixaram seus lábios e a risada os de Yoongi, Jimin se repreendeu por falar algo tão sem sentido como aquilo. Será que estava andando muito com SeokJin? — Meu Deus, não ‘tô raciocinando direito. Desculpe — falou tudo rapidamente, quando o carro vermelho de SeokJin virou no estacionamento.

— Não tem problemas. — Sorriu, exibindo sua adorável gengiva. — Foi um prazer, Park Jimin.

— Foi quase isso, Yoongi. — Sorriu irônico. Não é porque o mais velho havia lhe ajudado que esqueceria todo o dinheiro que perdeu, não mesmo.

Não pensou duas vezes antes de pegar todas as compras e jogá-las no banco do passageiro do carro de SeokJin.

— Cara, aquele não era o apresentador do programa que o Suk tanto gosta? — o moreno perguntou, enquanto manobrava o veículo.

— É sim — foi tudo o que o menor falou. — Onde você deixou o Suk, falando nele?

— Ele ‘tá com o Taehyung. — Olhou para a expressão surpresa do rapaz ao seu lado, logo acrescentando com rapidez: — Olha, meu namorado é muito confiável, okay?!

— Tenho certeza que é, hyung. — Suspirou. Havia optado por não brigar, já havia discutido muito ao longo do dia e já havia feito muitas coisas também, tanto sua mente quanto seu corpo necessitavam de um descanso.

— X —

Dizer que a quarta-feira de Jimin começou normal não era uma mentira. Tudo estava dentro dos conformes: café da manhã, jornal, casa arrumada, louça lavada e, bem, Suk na frente da televisão.  

Questionava a si mesmo se seu julgamento a respeito de Yoongi havia mudado — já fazia uma semana desde o encontro que teve com o rosado e, às vezes, se pegava observando o mesmo na televisão, até mais que seu filho —, já chegou a pensar que sim, mas foi só o seu filho pedir novamente seu telefone que toda a raiva que sentia inundou a alma do loiro.

Ele e o filho haviam feito uma espécie de acordo de convivência, onde o menor só ligaria uma vez na semana e, em troca, seu pai não poderia negar, ou reclamar. Claro que tal acordo foi decidido após muitos argumentos da parte do Park mais novo, que era muito bom argumentando e pegando o pai em suas próprias propostas.

Sentando-se no sofá, Jimin decidiu deixar o menor passar por todo o processo de tortura que era ter que ouvir a voz eletrônica de Yoongi falar de forma robótica e irritante.

— Agora você vai ver o que é bom — disse para o filho, que sorriu sapeca para si, e Jimin questionou-se sobre o que ele estaria ouvindo. Era sempre a mesma coisa de sempre, certo? O que poderia ter feito seu filho sorrir daquela forma tão cúmplice?

— Papai, eu consegui! — Se levantou do chão e começou a pular na frente da televisão.

Os olhos de Jimin se arregalaram ao máximo quando ouviu aquelas palavrinhas serem ditas. Ele havia conseguido?! Como assim? Jimin se sentia levemente incomodado por nunca ter ganhado antes.

Aumentou um pouco o volume da televisão, para prestar atenção no que seu filho e Suga conversariam.

“E agora estamos na linha com Park Suk. Bom dia, Park” cumprimentou o filho de Jimin, o qual respondeu com todo o entusiasmo de uma criança. E Jimin? Bem, Jimin ainda estava parado, sem acreditar. “Você está feliz de estar participando do programa, Suk? Seu pai me disse que você gasta muito os créditos dele tentando falar comigo.” O sorriso divertido estava estampado no rosto do MIn, como se soubesse que Jimin o estava vendo e que estava com o rosto completamente vermelho de vergonha.

— Eu gasto sim, tio Suga — o menor respondeu baixinho, coisa que não adiantou, porque Jimin ouviu tudinho. Não só Jimin, aliás, mas toda a população da Coreia que estivesse vendo aquele programa ridículo. — Meu pai fica muito irritado comigo. Ele diz que seu programa é ridículo.

— Park Suk, isso não é coisa que se diga em rede nacional! — repreendeu o menor, logo tampando a boca quando notou que o filho ainda falava com o apresentador, este que estava em silêncio, apenas rindo da trama que se desenvolvia. — Meu Deus, eu só faço merda — sussurrou para si mesmo, com as mãos sobre os lábios.

“Então, quer dizer que seu pai acha meu programa ridículo?” Jimin sentiu vontade de mandá-lo catar coquinho apenas para deixar de ser tão chato e irritante e, bem, gentil. “Eu espero que ele não me ache ridículo.”

— Eu tenho certeza que meu pai gosta de você — respondeu o moreno, e Jimin se perguntou da onde o garoto havia tirado aquela ideia absurda. Mal conhecia Min Yoongi, como diabos poderia gostar dele?! — Ele fica todo irritado, mas o tio Jin diz que onde tem ódio, tem amor.

Será que Jimin deveria matar SeokJin por dizer coisas tão absurdas? Com certeza o faria.

— Meu Deus, onde tem um buraco para eu me esconder? — Colocou uma almofada sobre o rosto. Se negava a continuar com aquilo, sua imagem estava sendo degradada publicamente.

“Você acha que seu pai aceitaria sair comigo, Suk?” perguntou e Jimin rapidamente retirou o objeto do rosto enquanto encarava a televisão, alarmado. Sair? Estava sendo convidado nacionalmente para um encontro e iria falar não.

— Acho que sim!

— Claro que não! — respondeu, olhando para o filho com os olhos bem abertos.

“Sinto muito, Park Jimin.” Escutou a voz de Yoongi falar, provavelmente por ouvir o que ele tinha dito. “Mas o tempo da ligação está acabando, você não tem tempo para dizer não. Entraremos em contato.” A piscadela do Min foi a última coisa que Jimin viu antes da ligação se encerrar e o loiro olhou para o filho sem acreditar no que havia acabado de acontecer.

Mas, com certeza, Yoongi estava apenas fingindo, não é? Quer dizer, não é como se ele fosse aparecer na sua porta com flores nas mãos o chamando para um jantar, certo?

Errado.

Tudo o que Jimin considerava impossível de acontecer, acabou acontecendo na tarde de quinta-feira, quando Yoongi apareceu na sua porta segurando flores vermelhas e um brinquedo ‘pro seu filho.

— Isso é por ter participado do programa. — Entregou ao garoto, que pulou alegre, rasgando o papel de presente. — Geralmente vem pelo correio, mas eu trouxe pessoalmente. — Olhou para Jimin, que estava na sua frente, parado feito estátua. — E isso é para você. — Estendeu as rosas vermelhas arrumadas em um belo buquê. — Minha mãe sempre disse que era falta de educação chamar alguém ‘pra sair sem dar flores antes.

— Sua mãe é uma mulher sábia. — Aceitou de bom grado, sentindo o doce perfume entrar nas suas narinas. Há quanto tempo não recebia aquilo? Já havia se esquecido qual foi a última vez que ganhou flores ou foi tratado com tanta graciosidade. Depois do nascimento de seu filho, o loiro não teve muito tempo para namoros, seja eles com homens ou com mulheres.

— Ela é sim. — Exibiu novamente seu sorriso gengival para o mais novo. Ficaram naquela de se encararem, sorrindo meio sem jeito e sem saber ao certo o que fazer. Jimin ainda estava envergonhado e sem saber o motivo de Yoongi tê-lo convidado tão repentinamente para um encontro.

— Então, você chama ‘pra sair todos os pais das crianças que você faz gastar o último centavo com créditos de celular? — brincou, cheirando novamente as rosas e olhando por cima delas para Suga, este que pareceu ficar hipnotizado com os movimentos do menor.

— Só os mais bonitos. — Deu um meio sorriso.

— Então, acho que está na residência errada, Min — respondeu no mesmo momento, não deixaria sua vergonha à mostra.

— Nunca estive na residência mais correta, Jimin. — O menor mal havia passado cinco minutos com o rapaz e já queria batê-lo por deixá-lo com tanta vergonha.

— Sua mãe não te ensinou que é feio fazer pedidos por televisão? — resolveu mudar de assunto.

— E a sua não lhe ensinou que é feio negar pedidos por telefone?

— Na verdade, a minha me ensinou que era bem melhor negar por telefone. — Piscou um dos olhos de forma adorável, aos olhos de Yoongi.

— Que coisa de se ensinar. — Fez uma careta, logo limpando a garganta e ajeitando a blusa de xadrez que estava aberta sobre uma camiseta branca. — Bom, então, acho que, pessoalmente, você não vai negar, certo? — Ajoelhou-se, coisa que Jimin achou desnecessária, e engrossou a voz. — Park Jimin, você aceita sair comigo?

[…]

— Eu ainda não entendi porque você precisou se ajoelhar, sabe? — Jimin falou, quando estavam no sábado à noite em uma lanchonete que Jimin desconhecia. O menor analisava o cardápio tentando escolher algo que lhe fosse mais agradável.

— Sou um homem à moda antiga — foi tudo o que respondeu, antes de dar de ombros e sorrir gentil para o garoto em sua frente.

O resto da quinta e da sexta-feira havia sido agradável, Yoongi conseguia ser alguém atencioso e que nunca deixava o filho do Park no escanteio. Pelo contrário. Sempre se oferecia para colocar o menor na cama enquanto contava alguma história que só existia na sua cabeça.

Jimin ainda o achava um apresentador engomadinho, mas isso não quer dizer que não o ache uma boa pessoa e, talvez, só talvez, um bom partido e alguém que vale a pena considerar um futuro.

— À moda antiga? — duvidou. — Do tipo que fuma charutos e usa suspensórios?

— Do tipo que vai mandar seu chocolate favorito quando você estiver no trabalho. — Pegou uma batatinha frita que haviam pedido de petisco e colocou dentro dos lábios. — E do tipo que vai te fazer uma massagem nos pés quando chegar cansado em casa.

— Eu acho que posso me acostumar com isso — disse baixinho, mas o suficiente para que o Min escutasse.

Ele estava muito bonito, aos olhos do Park. Trajava uma jaqueta de couro preta, calças rasgadas, uma regata branca e cabelos bagunçados pelo vento. Olhá-lo assim fazia Jimin se questionar o motivo de alguém famoso e bonito estar correndo atrás de si.

Havia gostado de Yoongi, sim. Havia gostado da forma como ele era simples em tudo o que fazia, como ele preferiu levar Jimin a uma lanchonete que vende hambúrgueres do que em um restaurante caro que vende caviar. Ele conseguia deixar o Park confortável, mesmo que vinhessem de mundos diferentes.

Olhando para suas roupas claras — que consistiam em uma blusa da cor lilás e calças jeans de lavagem clara — e as escuras de Suga, conseguia concluir que eram dois opostos que poderiam se completar bem. Yoongi tinha todas as cores que faltavam no seu arco-íris de cores pastéis.

Conversar com o mais velho era algo fácil, na visão do Park. Era fácil perceber o interesse do mais velho em saber como Jimin havia se tornado pai solteiro e como havia se esforçado para dar tudo do bom e do melhor para seu filho.

— Terminei a faculdade de Medicina Veterinária — voltou a falar, após dar um gole generoso em seu suco de maracujá. — E trabalho em uma clínica não tão longe da escola do meu filho. Assim, tudo fica mais fácil.

— E o dono da clínica entende que, às vezes, você precisa sair? — Apoiou os braços sobre a mesa de forro vermelho, realmente atento a toda história.

— Sim. — Sorriu largo, exibindo o sorriso que fazia seus olhos fecharem. — Fica fácil quando o dono é seu melhor amigo.

— É bom trabalhar com o que gosta — disse, voltando a comer.

— Você gosta do que faz?

— Você quer saber se eu gosto de gastar seus créditos? — perguntou com bom humor, arrancando uma risada espontânea do loiro. — É, eu gosto muito.

O papo se prolongou até a madrugada, quando o carro escuro de Yoongi estava estacionado em frente à casa de Jimin e ambos sorriam, com os olhos brilhando naquela escuridão. Jimin conseguia sentir sua juventude voltando, como se as coisas estivessem, finalmente, se acertando.

— Eu preciso entrar — sussurrou, como se estivesse com medo de estragar aquele momento tão precioso. — Amanhã eu tenho trabalho e está tarde.

— Eu também preciso ir. — Passou as costas da mão de forma suave nas bochechas do menor, com adoração à pele macia que sentiu. — Obrigado pela noite, Jimin. — Sua voz era baixa, como se todas as vontades de ambos estivessem sendo reprimidas.

— Eu que agradeço. — Sua fala se perdeu gradativamente quando sentiu o rosto do Min aproximar-se do seu e os lábios tocarem um ao outro com delicadeza, sem se beijarem, apenas juntos. Como se o mais velho esperasse uma atitude que dissesse que ele poderia continuar.

E ele tomou uma atitude.

Laçou o pescoço do rosado com seus braços, logo o beijando de verdade. Daqueles beijos de cinema, com língua e tudo. Jimin não diria que havia amor ali — não ainda —, mas havia o mais puro dos carinhos e o mais impuro dos desejos.

As línguas pareciam conversar entre si, enquanto os suspiros deixavam a boca de ambos. As mãos de Yoongi se prenderam na cintura do menor, apertando forte aquele local, coisa que fez o Park perder o fôlego mais ainda. Toda a situação era um pouco desajeitada, talvez por estarem dentro de um carro, com cintos de seguranças os prendendo em seus devidos lugares.

Afastaram-se com a respiração acelerada e testas coladas uma na outra. Se dissessem para o Park que ele estaria dando uns pegas no carro de um apresentador de programa infantil, ele nunca acreditaria.

Talvez seja por isso que sair do carro se tornou tão difícil, principalmente com Yoongi sempre o puxando para mais um beijo, mesmo com os sorrisos impedindo um pouco isso.

Quando finalmente conseguiu, Jimin se viu sorrindo para o escuro do seu quarto, ainda sem acreditar no giro que sua vida deu. E tudo por causa de um maldito programa infantil.

— Papai, me deixa ligar de novo. — Seu filho voltou a pedir quando já havia se passado algumas boas semanas que Jimin e Suga estavam saindo.

— Mas, meu amor. — Saiu do famoso “mundo da lua” para encarar o filho, que estava assistindo o programa do Min, coisa que Jimin também fazia, o homem havia se tornado um fã de carteirinha. — Você viu o Yoongi ontem. Precisa mesmo gastar meus créditos?

— Por favorzinho. — Jimin conhecia muito bem aqueles olhinhos brilhantes e escuros, não conseguiria dizer não ao menor. — Você prometeu, lembra? Disse que eu podia ligar um dia da semana.

— Você vai ser advogado, Suk. Certeza. — Entregou o celular ao filho, que sorriu satisfeito por seus argumentos terem funcionado.

E toda aquela ladainha começou.

Esperar na linha e os créditos do Park indo pelo ralo.

A única coisa que Jimin não esperava era ouvir a voz de Yoongi falando com seu filho na televisão sobre si, de novo.

Logo todos os seus sentidos se aguçaram.

“Então, Suk.” o homem dizia. “Tudo saiu como planejamos?”

— Sim! — Planejaram? Planejaram o quê?

“Então, Park Jimin.” Ah, mas era um filho da mãe mesmo. “Não sei se você sabe, mas hoje faz seis semanas que eu te chamei ‘pra sair.” Ah, droga. Jimin nunca foi bom com datas, de qualquer forma. Mas era como Yoongi havia dito: ele era um homem à moda antiga. “E eu andei pensando ‘nossa, mas nós nos completamos tanto’, e minha mãe costuma dizer que pessoas que se completam devem se juntar logo.”

Jimin não sentia exatamente vergonha por conta do mais velho estar se declarando publicamente, mas sentia vergonha por ser ele a pessoa. Sempre fora tímido e não sabia reagir muito bem a atitudes tão loucas e intensas assim.

— O que você vai aprontar com meu coração dessa vez, Yoongi? — perguntou mais para si mesmo do que para qualquer pessoa.

“Park Jimin, o homem que tem um filho maravilhoso e que é dono do sorriso mais brilhante que eu conheço.” Olhou para seu filho e viu ele sorrir para si, logo o entregando o celular para que pudesse ouvir melhor o apresentador. “Você aceita namorar comigo?”

E bum.

Assim, do nada, Jimin se viu sem ação ou pensamento coerente. Apenas encarou a televisão, como se Suga pudesse ver as lágrimas que caíam de seus belos olhos.

— Eu já não lhe disse que era feio fazer pedidos por televisão? — disse a primeira coisa que conseguiu pensar, fechando os olhos fortemente e sorrindo minimamente.

“Eu também já te disse que é feio negar pedidos por telefone.” O Min tinha suas mãos dentro do bolso de sua calça jeans e parecia estar realmente preocupado.

— Eu não planejava fazer isso.

“Isso é um sim?” Mesmo através da tevê, Jimin conseguia ver os olhos brilhantes do rosado o encarando.

— Isso é um “eu só aceito se você fizer meu filho parar de gastar meus créditos”. — Ouviu a gargalhada alheia preencher seus ouvidos e se perguntou quantas pessoas não estariam participando daquele momento também.

“Feito.” Sorriu. E a produção do programa encheu a tela de milhares de corações e sons de palmas, o que apenas arrancou risadas de ambos os Park’s na sala.

Não podia acreditar que estava namorando com o apresentador engomadinho que havia feito seu filho gastar milhares em créditos telefônicos, apenas para participar de um programa ridículo.

É, a vida é uma caixinha de surpresas. E de tantos giros que a vida havia dado, ela pareceu, finalmente, voltar com tudo para o lugar.


Notas Finais


É isto, comentem o que acharam, amo vocês 💗

Capa lindíssima feita pela ícone @imature 💕


Beijão ~


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