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História Bom ou Ruim? - Capítulo 1


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Notas do Autor


Genteeeee, aqui está o primeiro dos muitos spin-offs que Amizade vai ter. "Bom ou Ruim tratará da vida que Rebeca teve nos Estados Unidos nos sete anos citados, e todos os personagens originais terão os seus. Alguns focarão apenas em certas partes de suas vidas, mais o da Beca tem bastantes pulos temporais para momentos específicos de sua vida marcantes, isso tudo no terceiro ou quarto capítulo.
Sem mais delongas,
Vamos ver a Beca!

Capítulo 1 - Capítulo I - Voo Turbulento


Fanfic / Fanfiction Bom ou Ruim? - Capítulo 1 - Capítulo I - Voo Turbulento

Rebeca fitava com uma expressão angustiada a janela á sua frente. As decisões tomadas na floresta para a sobrevivência do grupo sem sombra de dúvidas estavam mexendo com sua cabeça. Enquanto estava à beira de um declínio mental, o doce som de uma música instrumental soava em seus ouvidos por culpa do fone que colocara nos mesmos. Batia o pé levemente no chão do avião de acordo com o ritmo da música, enquanto enrolava uma pequena mecha ruiva de seus cabelos –Que chegavam até a sua cintura e ela havia pintado de vermelho- Coisa que ela só fazia quando estava pensativa.

Ao seu lado se sentava um homem de aparência antiga, feições enrugadas e olhos avermelhados, com olheiras definidas sobre os mesmos. Seus olhos aveludados fitavam a pequena telinha que todos os aviões de voos internacionais possuíam, na qual passava um filme que, se a ruiva tinha prestado atenção corretamente, estava se repetindo durante toda a viagem. Todas as vezes que a aeromoça passava oferecendo algo, ele recusava com dificuldade, sempre parecia, aos olhos de Rebeca, que suas cordas vocais estavam tão velhas que o simples ato de dizer “não” já virara uma tarefa difícil.

Ao seu lado esquerdo estava uma janelinha que mostrava sempre a mesma paisagem: um céu acinzentado coberto por uma espessa camada de nuvens, as quais o avião cortava sem dificuldades. Uma ou duas vezes ameaçou chover, mais nem uma gota se quer se fez presente no céu, deixando o dia com um tempo estranho. “Dia estranho, tempo estranho”, pensou a jovem de dezoito anos, enquanto apoiava sua cabeça na janela. Ela pensava também que comprara sua passagem tão encima da hora que pegou um dos piores lugares: a janela ao lado da asa direita do avião O barulho da turbina a impedia de dormir todas as vezes que se quer ameaçava fechar os olhos, o porquê do fone.

Até aquele momento, poderia muito bem ser dado o adjetivo “calmo” para aquele voo, o que durou cerca de oito horas ou mais. Quando o avião estava começando a perder altitude, e era possível ver as luzes, não tão próximas, da cidade, uma voz doce e tranquila disse:

-Queridos passageiros, nós estamos chegando ao nosso destino. Favor afivelar os cintos, pois neste ponto da viagem há a possibilidade de turbulência- Houve um pequeno intervalo de tempo, e logo a mesma coisa foi dita em inglês- Dear passengers, we are very close to our destination. Please connect the belts as there is a possibility of turbulence at this point.

Rebeca não movimentou um músculo, já que o seu cinto já estava afivelado. Abaixou um pouco a música e levantou seu celular, gravando o ocorrido para mandar para sua mãe no Brasil, que pedira milhares de vezes por mais e mais notícias.

 Então o medo se alastrou pelo avião.

A turbulência mencionada de fato aconteceu, sendo seguida pelo avião despencando para o lado direito, no qual o motor deu falha, causando a perda do equilíbrio do avião. Rebeca, principalmente, estava extremamente assustada, pois assistia de camarote aquele show de horrores.

A fumaça tomava uma coloração cinza escura e na turbina mencionada uma pequena chama começava a crescer cada vez mais, iniciando um incêndio interno. Além disso tinham aqueles passageiros que gritavam e rezavam em diversas línguas enquanto o avião se aproximava mais e mais do solo, até de fato colidir.

E isso foi à última coisa que viu.

* * *

Assim que, depois de muita relutância, a ruiva conseguiu abrir seus olhos, se deparou em uma situação de fato deplorável. Fez um leve esforço com sua cabeça para frente, e pode ver que seu celular permanecia intacto, já que o protegeu, com medo de nunca mais poder conversar com sua mãe.

Com um pouco mais de esforço do que desejava, Rebeca percebeu que sobre o seu colo jazia o corpo inerte do velhinho, que a pouco se sentava ao seu lado. Soltou uma exclamação de horror, e viu o sangue de uma ferida aberta que ele possuía no estômago pingar em suas roupas. A ferida fora causada por um pedaço de estilhaço, que por pouco não a acertou.

Reuniu o máximo de forças que tinha naquele momento para virar seu corpo para a direita, e se deparar com parte do avião separada. A parte inferior e exterior do avião havia sido separada, e os estilhaços desta separação foram letais para o pobre homem. Pode ver também, diversas pessoas presas em escombros ou afogadas no oceano de corpos que virou a parte final do avião, onde a maioria das pessoas que não afivelaram os cintos foram jogadas.

Ignorando o máximo que conseguia a dor de cabeça que sentia e a mistura de preocupações psicológicas, Rebeca afastou, já ofegante, o corpo do velho homem de suas pernas, deixando á mostra seu vestido, que agora estava rasgado e transformado em um cropped branco meio empoeirado e uma minissaia vermelha, ambos com costuras bem indelicadas.

Suas pernas estavam avermelhadas, provavelmente por culpa do peso do homem que antes estava sobre elas, e doíam como nunca antes. Apoiando-se na cadeira da frente, tendo cuidado para não encostar em um estilhaço que atravessou a mesma, a ruiva se levantou. Seu corpo ameaçava cair a cada passo que ela dava, sempre se apoiando em destroços ou nos próprios bancos do avião.

Todavia logo não existia nenhum “avião” para ela poder se apoiar, e apenas uma longa pista de concreto, onde diversos aviões jaziam intactos, denunciando que ela chegara ao aeroporto de New York, de uma maneira bem incomum. Virou sua cabeça, movida pela vontade de comprovar sua teoria, e logo pode ver milhares de olhares curiosos serem direcionados para as pessoas que estavam dentro do aeroporto, algumas chorando, outras cruéis estavam rindo, mais a maioria gravava todos os acontecimentos.

“Se a minha ideia era ficar no anonimato, já posso deletá-la.” Pensou ao ver alguém gritar e apontar para ela, e diversos flashes serem direcionados à visão deplorável da ruiva, que provavelmente estava com um rosto horrível e com partes que ela nunca exibiria sendo mostradas para todos no mundo. Porém para ela aquilo não importava, não agora.

Observou ao longe a outra parte do avião, e usou um estilhaço de formato interessante para se apoiar e com a ajuda do mesmo ir em direção ao local onde antes estava o piloto. Todavia antes que pudesse checar sua teoria de que haviam sobreviventes, o sonoro som de uma ambulância chama a atenção de Rebeca, que gira seu rosto como um reflexo, provavelmente mais rápido do que o recomendado.

A ambulância parou a poucos metros da sobrevivente, e de lá saíram três médicos jovens sendo instruídos por um médico com aparência mais velha (que intensificava a mesma com os óculos que usava). Nenhum deles pareceu se importar com a presença da ruiva, ou se quer pressenti-la, e os quatro médicos foram em busca de sobreviventes. Enquanto a jovem observava a aquele espetáculo médico parecido com a Anatomia da Greiza, um médico de cabelos castanho-escuro, quase negros, saltou da ambulância e veio em direção à ruiva.

Ele depositou a mão direita na testa, que estava vermelha, da menina procurando qualquer resquício de febre, enquanto com a mão direita ele procurava gentilmente algum ferimento nos braços da menina. Ela apenas presenciava com um olhar bobo toda a cena, focando-se apenas nos olhos azulados que o médico possuía, e que estavam a hipnotizando.

A hipnose foi cortada quando o jovem médico, com menos de vinte e cinco anos, indaga à garota em um inglês com sotaque britânico- Você consegue andar? Doí muito quando você tenta mover algum músculo?

Ela continuou a olhar para o médico, quando um “Ei” em inglês dele chamou a atenção da ruiva. “É óbvio né Rebeca, você tá nos Estados Unidos, os médicos são Deuses Gregos, não velhotes e falam inglês” Ela observou mentalmente, enquanto se lembrava como se falava inglês, e respondeu pouco tempo depois- Desculpa, sim eu posso andar.

Logo após afirmar que podia andar, a ruiva se desequilibra e quase vai de encontro no chão, se não fosse pelos fortes braços do moreno para a regatarem no ar. Ele envolveu seu braço pelo redor do pescoço da mulher, e lhe deu apoio para chega à ambulância.

Assim que Rebeca entrou naquele lugar, cheirando a remédios e doença, fui sentada em um banco onde os familiares das vítimas e paramédicos costumavam se sentar. O moreno mexia em algumas coisas aqui e ali, enquanto Rebeca checava se seu celular estava bem, e ele de fato estava. Recebera diversas mensagens da sua mãe, coisas do tipo “Você está bem?”, “O avião caiu?”, ele logo percebeu que no meio da confusão havia gravado a turbulência do avião e a turbina em chamas.

Antes que pudesse pensar em mais nada, o Deus Grego se ajoelhou à sua frente, tirando de uma maleta branca um pouco de água e um paninho, no qual ele molhou e colocou calmamente sobre a testa da menina, que apesar dela não ter percebido, estava sangrando- Você tem um corte bem ruim aqui- Disse, enquanto limpava o machucado que se localizava um pouco acima de sua sobrancelha direita.

Como a ruiva não perde uma chance, aproveitou a proximidade do paramédico para observar o lindo homem que estava tão próximo da mulher, que poderia muito bem ser comparada com uma pervertida naquele momento. O homem em questão possuía cabelos curtos, que ele havia deixado um pouco bagunçado, e eram de uma tonalidade escura de marrom. Seus olhos eram de um azul penetrante, que casava perfeitamente com suas belas feições, que passavam uma imagem tranquila e radiante. Percorreu o olho discretamente pelo corpo da figura masculina, e viu que o mesmo deve no mínimo visitar frequentemente a academia, pois possuía um porte físico desejável. O uniforme dos paramédicos era azul escuro, e o dele fora colocado de forma engraçada, estando todo desalinhado.

-Agora eu irei fazer o curativo, já que limpei sua ferida agora pouco- Anunciou com uma voz rouca, que provocou arrepios na menina- Eu sou Sean Armstrong, muito prazer- Ele disse enquanto colocava alguns pedaços de esparadrapo no local indicado.

-Rebeca Lima- Ela disse, tentando conter um sorriso malicioso- Eu vim do Brasil para estudar direito na NYU.

-Cara, minha mãe quase me matou quando eu disse que era a minha segunda opção.

-E qual era a sua primeira opção?- Ela perguntou, arqueando as sobrancelhas, contendo a curiosidade, uma de suas características.

-Harvard, mais eu obviamente fiquei com a segunda opção- Sean esclareceu, terminando o curativo- Então trabalhei à noite em um bar nos últimos dois anos para pagar a faculdade, que eu cursava de manhã. Isso até achar esse maravilhoso emprego de paramédico “mirim”.

-Acho que eu vou ter que achar um escritório de advocacia logo- A ruiva disse, pensativa enquanto o moreno dava atenção ao seu joelho esquerdo, que permanecia roxo- Sabe eu passei em biologia em Harvard, mais simplesmente não era a minha coisa. Então eu juntei tudo o que guardei na minha vida toda e com uma ajudinha dos meus pais me matriculei na NYU.

-Você podia ter trocado os nomes e me enfiado em Harvard, nem se fosse para fazer biologia- Ele disse, mordendo o lábio inferior enquanto tirava resquícios de estilhaços do joelho da moça, que sorriu toda risonha- Então já tem onde morar e essas coisas?

-Antes de responder essa pergunta, o Senhor gostaria de saber onde eu moro para ir me visitar ou me sequestrar? Ou simplesmente quer manter sua paciente quieta enquanto você desfigura o joelho dela e a testa de brinde?- Perguntou, ironizando.

-Na verdade eu acho que é uma mistura das duas coisas, eu gostaria que a senhorita não gritasse, e quem sabe um dia eu não te visite- O moreno disse, entrando no pequeno joguinho de cativos da ruiva.

-Ok, eu arrumei um apartamento bom em um anúncio na internet. Eu irei ter uma colega de quarto chamada Carson- Respondeu a ruiva, se rendendo após corar um pouco com a resposta do recém conhecido- Ela é bem louca e uma pintora, já falei com ela no Skype algumas vezes.

-Qual é o seu endereço?- Ele perguntou, retirando do seu bolso um celular- E número, é óbvio.

-Olha que rápido ele- Rebeca brincou, desbloqueando o celular e ditando para ele- Meu número é 99754-1188, e é do Brasil. Eu estarei morando, se as minhas roupas e o meu dinheiro estiverem tão intactos quanto o meu celular...- E ela ditou calmamente onde poderia ser encontrada qualquer dia desses, menos no período matutino, que era quando ela estudava.

Ela continuou com uma conversa agradável com o paramédico, que estava no seu primeiro dia de trabalho e deveria aguardar no carro para mais instruções além de cuidar da ex-bióloga, como ele a chamava. Isso tudo até que os paramédicos que Rebeca viu passando mais cedo voltassem para a ambulância. Assim que os olhos do médico mais velho, que parecia estar instruindo os mais novos, chegou ao corpo da ruiva, Sean tratou de cobri-la imediatamente com o casaco que fazia parte do uniforme do moreno.

* * *

Após um interrogatório entediante, Rebeca estava sendo encaminhada para o Hospital, onde seria avaliada novamente e liberada para sua casa. A ruiva também recebeu a feliz notícia de que suas bagagens estavam intactas, pois o compartimento de carga não foi um dos mais afetados com a queda. Ela estava indo em um comboio com cinco ambulâncias cheias e dois carros de polícia escoltando as mesmas, por conta do depoimento que os sobreviventes dariam no Hospital.

A jovem já havia dado o dela, mais fui gentilmente alertada por uma doce policial chamada Genevive que havia a possibilidade dela ter que voltar e dar mais depoimentos e testemunhos, já que estava sentada ao lado da turbina que causou o acidente.

Assim que a ambulância estacionou na porta da emergência de um grande Hospital –Que Sean chamou de Mount Sinai- Era um grande edifício cinza com janelinhas azuladas percorrendo o prédio inteiro que em algumas “quinas” da construção ficavam mais concentradas. Ela foi encaminhada para um corredor estreito, repleto de portas de madeira escura, para uma sala, onde recebeu de um loiro ríspido sua bagagem e seus pertences espalhados.

Isso tudo aconteceu em cerca de meia hora, e agora ela se encontrava na frente do hospital, esperando o táxi que ela chamara chegar. Ela chamava a atenção de todas as almas que passavam pela frente do Hospital naquela noite turbulenta, já que trajava um vestido despedaçado, uma saia ensanguentada e um casaco dos paramédicos. Fitava impaciente a tela do celular, enquanto era obrigada e responder ás inúmeras mensagens que a Lígia e o Matias lhe mandavam, sem falar na sua mãe e seu pai, e é claro, seu irmão.

Logo uma mão firme acariciou seu ombro, e quando ela se virou foi encarada pelo médico que era o instrutor de Sean, e um provável mulherengo- Senhorita Lima, soube que a senhorita estava indo para casa, eu também- Falou enquanto apoiava sua mão no ombro da mulher, que levantava bem de leve seu rosto para poder olhar os olhos esverdeados do doutor- Acho que poderia lhe levar em sua casa, e quem sabe parar em alguns lugares antes.

Ela revirou os olhos em resposta, retirando firmemente a mão do homem de seu ombro- O Senhor não acha no mínimo ridículo ficar dando em cima de uma paciente que acabou de ver a morte bater na porta dela?- A brasileira falava em um tom alto e agressivo, sem muito resquício de sotaque, em inglês- Eu não gostaria de fazer NADA sozinha com VOCÊ, muito obrigada!

Deste jeito, ela abandonou o doutor de olhos verdes e entrou no táxi amarelo que o mais velho nem havia percebido que estacionara na frente dos dois.

Na medida que o táxi ia se afastando, da janela da área de cardiologia do Hospital, Sean observava toda a cena, com uma risada contida. Em suas mãos carregava seu celular, aberto no contato da nova amiga, se é que ele já pode chama-la de, o qual ele registrou como “Rebeca”, mais a mesma pegou o celular dele e colocou um coração vermelho ao lado do nome. Isso apenas o deixava imaginando:

Por que Senhorita ex-bióloga? Por que...?

* * *

Logo pela manhã, Rebeca foi despertada pelo seu novo despertador natural: os carros da avenida vizinha que começavam suas imensas filas no primeiro indício de dia. Como dormira na sala naquela noite, pois esquecera de avisar Carson que viria e seu quarto não estava preparado, teve que dormir ao lado da pequena sacada que dava para a rua.

Resumidamente, aquela era uma pequena casa estreita de dois andares e três quartos, sendo um transformado em escritório. Do tipo que tem porta vermelha, campainha e tapete de boas vindas. A sala era até que bem espaçosa e as paredes eram extremamente coloridas, assim como tudo na casa, já que sua colega de quarto é uma artista tão extravagante que pintou as bancadas da cozinha de verde água e adicionou girassóis aos mesmos. Tinha diversas plantas que Rebeca já imaginava diversas formas de como ela as mataria futuramente, não por querer, é claro.

E o quarto da ruiva era extremamente bonito. Como chegou em uma situação complicada, nem tivera tempo de arrumar tudo, então o fizera após acordar. A cama era bem espaçosa e possuía uma colcha florida com tulipas de cores diferentes, além de outros cobertores e travesseiros. O armário era espaçoso e de um tom pouco escuro de madeira, onde ela separou suas roupas por categorias e depois por cor. Sobre a escrivaninha ela colocou um calendário e lembretes de coisas que deveria fazer, além de deixar tudo que chegara ao correio quando estava viajando que tinha a ver com a faculdade sobre a mesma, que era da mesma madeira do armário. A janela dava para a lateral do pequeno edifício, e era silenciosa, diferente da sala.

Depois de longos minutos se arrumando (tudo isso para dar uma disfarçada em seu rosto, colocar uma calça jeans e uma blusa azul, um tênis e trançar seu cabelo) ela desceu as escadas com um bilhete em mãos, tendo em vista que sua colega de casa acordava mais tarde do que o recomendado para uma mulher de vinte e três anos que trabalha e possuí uma renda mensal apenas fazendo seus quadros. Prendeu o bilhete na porta da geladeira, e nele dizia:

“Carson, eu irei dar uma saidinha para checar quando começam as aulas na universidade e para dar uma olhadinha no campus. Há a possibilidade deu me atrasar para o almoço, mais não há necessidade para se preocupar.

XOXO, Rebeca”

* * *

Dado algum tempo, o táxi amarelo parou na frente do local desejado, e a ruiva lhe entregou o dinheiro da corrida. Rebeca deparou-se com uma enorme construção com duas bandeirinhas, uma roxa e outra branca, com o nome da universidade, e ela entrou calmamente na mesma.

Era óbvio que ficou bobíssima quando se viu dentro daquele lugar estupendo, diversos alunos passando mesmo em pleno domingo. Andou mais um pouco e ficou observando os corredores com portas estreitas por serem tantas as salas. Havia um lugar com diversas mesas e cadeiras de qualidade, que de fato eram confortáveis –Ela fez questão de sentar-se para comprovar o fato- Mais o auge da sua felicidade foi quando adentrou as portas duplas que levem à biblioteca.

A mesma possuía diversos andares, que podiam ser facilmente vistos da parte inferior. O piso era quadriculado, e em cada andar diversas estantes com livros e mesas para estudo estavam dispostas, sendo as mesas grandes para caber o máximo de alunos possível. Não era possível ter uma vista tão boa da parte inferior da biblioteca quando você está em um dos andares superiores, pois divisórias com pequenos quadradinhos bloqueavam a visão.

Quando a ruiva se deparou com a sessão de livros de direito, ficou maravilhada com a dimensão literária que tinha logo à sua frente. Ela leu tópico por tópico, volta e meia retirando um dos livros (que sempre estavam em boas condições) e folheando-o. Isso tudo até que, duas prateleiras acima de sua cabeça, Rebeca teve a visão divina da versão recente de “Letters to a Young Lawer”, de Alan Dershowitz, que relata a vida na advocacia e traz reflexões sobre como ser bom em sua profissão, ao mesmo tempo que é uma boa pessoa.

Mais o mundo inteiro da ruiva veio ao chão ao falhar em pegar o livro, já que altura não é o seu forte. Ficou na ponta dos dedos, esticou o máximo que pode e pulou, mais isso nada adiantou. Estava frustrada, já procurando algo para subir e alcançar seu prêmio, quando um par de mãos pálidas pegou o livro que ela almejava.

Virou para observar quem teria sido o infeliz que roubara “seu” livro, e se deparou com um jovem alto, com feições um pouco cansadas e braços musculosos, dando um contraste com sua pele branca e seus olhos acinzentados e cabelos dourados, dando-lhe mais seriedade. Ele usava uma calça jeans surrada, com um tom verde musgo, e uma camiseta da faculdade, dizendo algo sobre biologia, o que ela achou irônico. Ele lhe estendeu o livro, e os olhos da ruiva brilharam ao por as mãos naquele sonho de consumo.

-Muito obrigada!- Ela disse, dando pequenos pulinhos de alegria- Você não sabe o que eu faria para ter esse livro... –Ela olhou para o loiro, pedindo apenas com o olhar o nome do mesmo.

-Dimitri San Diego- Ele respondeu, com uma voz nítida- E você é nova, nunca te vi por aqui.

-Eu sou nova sim, mais duvido que já tenha visto todos os alunos de uma universidade tão grande- A ruiva retrucou, enquanto abraçava o livro carinhosamente- Eu sou Rebeca Lima.

-Então você é a brasileira que a Lee vai ter que mostrar o campus amanhã- Ele refletiu- Você logo conhecerá ela, o nome dela é Lee Tzu e ela consegue ser mais baixa que você- Dimitri zombou, enquanto bagunçava os cabelos na menina à sua frente- Ela é chinesa, e bem curiosa. Ela estuda Ciências Naturais.

-E você biologia- Rebeca concluiu.

-E a senhorita direito.

-Certamente- Ela falou, dando as costas para o homem, pois sabia que suas bochechas logo corariam, não por afeto ou algo do tipo, mais sim pela vergonha nacional que ela passara na frente daquele projeto de Deus do Olimpo.

* * *

Após o incidente na biblioteca, a ruiva almoçou em um restaurante vegetariano que achou pelo caminho e fez algumas compras de coisas que ela achou extremamente necessárias, mais que de fato não eram –Por exemplo, que precisa da mesma blusa em três tonalidades diferentes?

Quando voltou para a pequena casa onde está morando, viu que sua colega de quarto pintava um gato deitado em uma poça enquanto brincava em uma poça d’água como se fosse um cachorro, mais preferiu não incomoda-la. Jogou-se contra sua cama macia, e ligou para o Matias e para a Lígia, naquele momento eram seis da tarde:

-Oiii!- Ela exclamou animada. Percebeu que Matias usava uma camiseta surrada e seu rosto estava amassado, enquanto o mesmo se gravava comendo algo verde, que ele certamente não estava gostando. Já Lígia se gravava sobre uma colcha branca, deitada e com a maior cara de sono.

-Eu devo dormir- Ela falou, fechando os olhos- Amanhã de manhã começa a faculdade, e eu não posso faltar.

-Eu também- A ruiva disse, lembrando-a que não era a única.

-Fuso-horário existe querida- A morena respondeu, abrindo os olhos- Falando nisso, você está bem? Tipo você sobreviveu sem nenhum arranhão à queda de um avião!

-Quando é para ter sorte eu tenho- A menina respondeu, gravando sua testa e logo depois seu joelho- Esses são os meus únicos problemas no momento, para tomar banho é uma desgraça. A, e oi para você também Matias.

-Oi- Ele disse, com a voz abafada pela comida que ele mastigava.

-Não fala de boca cheia- A ruiva o repreendeu- Bom, resumidamente eu fui acudida por um médico gatíssimo que estuda na NYU no curso de medicina e sabe onde eu moro E tem meu telefone.

-Aí miga, você tá melhor que eu- A morena disse, fechando os olhos- Eu vou dormir, tchau.- E a tela logo apitou e foi desligada por parte da nova “alemã”.

-Eu vou indo também Matias, tenho que arrumar as coisas por aqui e dormir ainda hoje- Ela disse, aproximando o celular de seu rosto- Tchau!

-Tchau- Ele disse, com a boca cheia de algo parecido com salada. Fora fuzilado por Rebeca antes da mesma desligar a ligação.

A ruiva aconchegou-se na cama e ponderou.

Minha vida já não era a mesma.

E com certeza nunca mais iria voltar a ser a mesma coisa que era antes.

Mais ainda estava decidindo se aquilo era:

Bom,

Ou ruim.

Todavia só teria certeza disso se encontra-se algo que lhe fizesse querer permanecer nos Estados Unidos, e ela tinha a leve sensação que esse algo tem nome e sobrenome:

Sean Armstrong.

Continua...

 


Notas Finais


UwU, altas fofocas para esse capítulo mores. Se quiserem comentar, comentem, mais por agora eu vou. E é claro, não se esqueça de checar Amizade, Inimizade e os futuros spin offs.
Bjs, @JennaTheGirl


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